Resumo dos jornais de segunda (29/06/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda (29/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Para maioria, atos contra STF ameaçam democracia

CORREIO BRAZILIENSE: Caixa começa a liberar hoje os saques no FGTS

O ESTADO DE S.PAULO: Crise derruba renda de microempreendedor para um salário

Valor Econômico: Bate-boca expõe o conflito de interesses entre XP e Itaú

O GLOBO: Mundo chega a 500 mil mortes e mais de 10 milhões de infectados

Destaques de hoje

Atos ameaçam democracia – A ampla maioria dos brasileiros considera uma ameaça à democracia as manifestações pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, além dos ataques a integrantes desses Poderes com fake news. É o que revela pesquisa do Datafolha feita em 23 e 24 de junho, com 2.016 pessoas —por telefone. Para 68% dos entrevistados, há risco democrático em protestos dessa natureza, ante 29% que não acham isso e 3% que não sabem. Espalhar fake news contra políticos e ministros do STF significa ameaça para 81%. Já 17%, pensam que não é o caso, e 3% não opinaram. A crítica a esses Poderes, em defesa do governo Bolsonaro, é uma das tônicas da atual crise política.

Saques liberados – Em meio à pandemia do novo coronavírus, quase 60 milhões de trabalhadores vão ser beneficiados com o saque emergencial de até R$ 1.045 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. A expectativa é que a medida injetará, de forma escalonada, R$ 37,8 bilhões na economia. Operadora do FGTS, a Caixa Econômica Federal informou que as retiradas começam nesta segunda-feira, com a liberação de R$ 3,1 bilhões para 4,9 milhões de brasileiros que nasceram em janeiro. O dinheiro pode ser movimentado pelo aplicativo da instituição e, ao longo das próximas semanas, chegará também para quem nasceu nos outros meses. Todos que têm recursos em contas ativas ou inativas do FGTS poderão retirar o valor a que têm direito.

Renda derrubada – A crise provocada pela pandemia derrubou a renda dos microempreendedores individuais (MEIs). Sete em cada dez estão ganhando menos de US$ 200 por mês (R$ 1.088, valor próximo do salário mínimo, de R$ 1.045). Antes da pandemia, oito em cada dez recebiam acima desse valor. Os dados são de pesquisa feita em maio pela fintech Neon e pelo fundo de venture capital Flourish com 1.600 pessoas. Responsáveis, com as micro e pequenas empresas, por entre 30% e 40% do PIB, os MEIs tiveram de cortar despesas para se adaptar à nova realidade – mais da metade diminuiu o consumo de comida, segundo o levantamento. Outros 39% pegaram dinheiro emprestado para honrar compromissos, enquanto os programas de ajuda do governo não têm se mostrado eficientes, e 42% dizem não ter esperança de sair da crise. Motoristas de aplicativo, esteticistas e donos de comércios de rua foram os mais afetados. Para especialistas, essa parcela da população, que soma mais de 10 milhões de pessoas, terá recuperação mais difícil.

Sócios brigam – O atrito, na semana passada, entre o Banco Itaú e a XP Investimentos deixou questões mal resolvidas entre os sócios. Detentor de 46% do capital da XP, o Itaú pôs no ar uma campanha publicitária criticando o modelo de negócios da corretora, que estaria usando agentes autônomos de investimento mais interessados em sua remuneração do que no ganho dos investidores. A XP reagiu com críticas ferozes à atuação dos bancos, que estariam “empurrando” aplicações pouco rentáveis aos clientes. Guilherme Benchimol, presidente da corretora, afirmou que não faz sentido o Itaú ser acionista se não apostar no modelo de negócios. A fatia adquirida pelo Itau na XP em 2017 custou R$ 6 bilhões e hoje está avaliada em R$ 60 bilhões. Na visão de fontes próximas ao Itaú e de concorrentes, a XP estaria tentando aproveitar o entrevero para puxar uma discussão sobre a saída do acionista. Não há, porém, indicação sobre separação no curto prazo. Fontes do Itaú admitem que o banco pode ter errado a mão na campanha, mas não consideram o conflito suficiente para precipitar uma discussão sobre o encerramento da sociedade.

Marca cruel – A pandemia do coronavírus ultrapassou ontem a marca de dez milhões de casos e 500 mil mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins, com uma média de 4.700 óbitos por dia, um a cada 18 segundos. A América Latina superou a Europa no total de contaminados. O Brasil só fica atrás dos EUA em número de mortes e tem 10% dos casos globais.

Divã – As conversas de auxiliares do governo com ministros do Supremo Tribunal Federal pela pacificação começaram depois de Jair Bolsonaro ser convencido de que era momento de uma autocrítica e de agir de maneira diferente, sem esperar que os outros Poderes fizessem algo antes ou o cobrassem de novo por isso. O presidente autorizou três de seus ministros a abrir o diálogo neste tom e assumir o compromisso de uma nova postura, de paz, que até agora tem sido seguida. André Mendonça (Justiça), Jorge de Oliveira (Secretaria-Geral) e José Levi do Amaral (Advocacia-Geral da União) conversaram com três ministros do Supremo: o presidente, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Querem agora também uma audiência com Luís Roberto Barroso. A avaliação de políticos e de integrantes do judiciário é que o inquérito de fake news foi determinante para convencer o presidente de que era hora de refletir.

Boicote ao Facebook – Para Orlando Silva (PCdoB-SP), a decisão de empresas de boicotar o Facebook deve contaminar a discussão do projeto de lei sobre fake news. “Vai criar mais dificuldade para defesa dessas plataformas”, disse. O deputado é crítico do atual texto. A votação deve ocorrer nesta semana no Senado e depois vai para a Câmara.

Ranking – Os deputados Luizinho (PP-RJ) e Denis Bezerra (PSB-CE) foram os que mais aprovaram projetos de lei durante a pandemia. Luizinho teve dois projetos já sancionados e um aprovado que está em análise agora no Senado. Bezerra teve dois projetos aprovados, aguardando sanção presidencial. A proibição de exportar respiradores para não desabastecer o sistema de saúde interno foi um dos projetos do parlamentar do PP que viraram lei. O deputado do PSB conseguiu a suspensão de pagamentos devidos por estudantes do Fies por 60 dias.

Atos pró-intervenção e antigoverno – Com faixas pedindo intervenção militar, um pequeno grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro promoveu neste domingo (28) uma manifestação em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília. Cerca de 100 pessoas se concentraram no Setor Militar Urbano, a 8 km da Esplanada dos Ministérios. Atos com ataques a outros Poderes e em defesa do governo têm ocorrido aos domingos em Brasília desde 15 de março —o deste domingo foi onde Bolsonaro esteve em 19 de abril. No início da manhã, houve também um protesto antigoverno, simbólico e silencioso, no gramado da Esplanada com mil cruzes em homenagem aos mortos pelo coronavírus, organizado por um grupo de esquerda chamado Resistência e Ação.

Apoio de 75% a democracia é recado para Bolsonaro – Um recado claro para o presidente Jair Bolsonaro, que vem flertando com discursos autoritários e de ruptura institucional. Assim, representantes de entidades de defesa dos direitos humanos e de movimentos da sociedade civil avaliaram a pesquisa Datafolha que mostra apoio de 75% da população à democracia. Eles também elogiaram a campanha lançada pela Folha de defesa do regime democrático, que inclui um curso online e um projeto especial didático retratando a ditadura militar, destinado, sobretudo, a quem não viveu diretamente aquele período. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 70% dos brasileiros tinham no máximo dez anos de idade quando a ditadura acabou, em 1985. “A pesquisa mostra que o Brasil está convalescendo. O risco de um golpe de Estado está a exigir reação forte em prol da democracia. A pesquisa mostra que este movimento ganha corpo”, disse o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns.

Pelo adiamento de eleições – Após um impasse com o chamado centrão, a Câmara avançou em um acordo para votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que adia as eleições municipais deste ano para novembro. Durante o fim de semana, líderes partidários e o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) conversaram para buscar uma saída depois que o centrão, pressionado por prefeitos, passou a se opor à proposta aprovada pelo Senado na semana passada que adia para 15 e 29 de novembro o primeiro e o segundo turnos da disputa municipal —as datas oficiais são 4 e 25 de outubro. Por ora, a solução encontrada é abastecer os cofres das prefeituras com a recomposição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e ainda aprovar inserções de peças partidárias em rádio e TV neste ano.

Conselho de Ética prepara volta – Com as atividades paralisadas desde março por causa da pandemia do novo coronavírus, o Conselho de Ética da Câmara se prepara para retomar os trabalhos na segunda semana de julho, em meio a questionamentos sobre o julgamento dos processos contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem três representações tramitando no colegiado. Uma delas, da colega de partido Joice Hasselmann (PSL-SP), acusa Eduardo de quebra de decoro parlamentar por ter promovido um “verdadeiro linchamento virtual” da parlamentar, com postagens ofensivas e ataques pessoais nas redes sociais. O processo é dos tempos da briga que rachou o PSL e opôs bolsonaristas a aliados do presidente do partido, Luciano Bivar (PE). Membros do conselho de ética veem o episódio como desrespeitoso e agressivo, mas avaliam, nos bastidores, que não deve resultar em punição pelo colegiado. Há relatório favorável ao arquivamento sob o argumento, principal, de que o deputado tem imunidade por suas falas e opiniões.

Ações trabalhistas suspensas – O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu todas as ações relacionadas à correção monetária de dívidas trabalhistas. Entidades e especialistas veem risco de a decisão paralisar a Justiça do Trabalho. A liminar (decisão provisória) de Gilmar, deste sábado (27), trava a análise de casos que tratem do impasse entre TR (Taxa Referencial) e IPCA-E (Índice de Preço ao Consumidor Ampliado Especial). A reforma trabalhista, de 2017, determina a aplicação da TR, que hoje está em 0%. A Justiça do Trabalho tem contrariado a norma e aplicado o índice inflacionário, que nos últimos 12 meses ficou em 1,92%. Sobre as dívidas incidem ainda juro de 1% ao mês, ou 12% ao ano. Processos trabalhistas envolvem indenizações, como ações sobre horas extras, férias, depósitos no FGTS e 13º salário. A decisão foi tomada às vésperas de o TST (Tribunal Superior do Trabalho) concluir um julgamento, que já formou maioria na corte, pela adoção do índice mais vantajoso para o trabalhador. O Judiciário está perto do recesso.

Reabertura precoce nos EUA deve servir de lição para Brasil – A reabertura precoce de vários estados americanos gerou novos surtos do coronavírus em mais da metade dos EUA e deveria servir de exemplo a autoridades no Brasil antes que o país seja mergulhado em uma situação ainda mais alarmante em meio à pandemia. Essa é a avaliação de Ali Mokdad, especialista em saúde pública e um dos responsáveis por compilar números sobre Covid-19 no Brasil para o IHME, instituto utilizado pela Casa Branca como um dos principais modelos durante a crise. Segundo Mokdad, estados americanos que demoraram para fazer o shutdown ou que reabriram sem que o nível de transmissão fosse reduzido estão sofrendo com novos picos de contaminação, enquanto regiões que cumpriram rápida e rigorosamente a quarentena conseguiram controlar o vírus de forma mais efetiva.

Aras eleva o tom contra procuradores da Lava-Jato – Ao contrário da postura de seus antecessores, o procurador-geral da República, Augusto Aras, subiu o tom contra as equipes que integram a Operação Lava-Jato, a estrela do Ministério Público Federal (MPF). Após a Procuradoria-Geral da República (PGR) ser motivo de uma reclamação na Corregedoria do órgão, Aras afirmou, por meio de nota, ontem, que a “Lava-Jato não é órgão autônomo” do MPF e não pode ser alvo de “aparelhamento”. As críticas, que antes partiam de investigados, advogados e políticos, agora têm origem no gabinete da chefia do órgão, que detém poder para mudar a estrutura administrativa e dar as cartas na instituição. As palavras do PGR foram vistas como ameaça por procuradores de Paraná, São Paulo, Rio e Brasília. A posição de Aras ocorreu após três integrantes da Lava-Jato, que atuavam perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), entregarem os cargos na capital federal. O PGR fez questão de destacar que os membros da operação devem obedecer a todas as regras internas, sem regalias. “A Lava-Jato, com êxitos obtidos e reconhecidos pela sociedade, não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal (MPF), mas, sim, uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição”, informa a nota.

Aliada de Aras retira candidatura a conselho do MPF – A subprocuradora-geral Lindôra Araújo desistiu de concorrer a uma vaga para o Conselho Superior do Ministério Público Federal, “em razão de inúmeras atividades” que vem exercendo. Nos bastidores, no entanto, a desistência é vista como reflexo do mal-estar provocado pela visita dela à força-tarefa da Lava Jato no Paraná, após o procurador-geral da República, Augusto Aras, cobrar informações da operação. Aliada de Aras, Lindôra era um dos nomes mais próximos do procurador-geral na disputa por uma das cadeiras do Conselho Superior. A escolha ocorre amanhã e é restrita aos subprocuradores – último grau da carreira na Procuradoria. O Conselho Superior do Ministério Público Federal é o órgão máximo da Procuradoria. Comandado pelo procurador-geral, elabora e aprova normas internas, realiza sindicâncias e aplica sanções a procuradores por meio de processos administrativos disciplinares.

Deltan destaca independência do Ministério Público – O procurador Deltan Dallagnol, líder da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, rebateu a Procuradoria-geral da República e disse que os colegas da operação ‘têm os mesmos direitos, deveres e proteções’ garantidos aos demais membros do Ministério Público Federal. A publicação nas redes sociais foi feita após a PGR assinar nota afirmando que a Lava Jato ‘não é órgão autônomo’.
“Os procuradores que trabalham na Lava Jato têm os mesmos direitos, deveres e proteções dos demais membros do MP para assegurar um trabalho independente”, escreveu Deltan. “Lamento pelos fatos divulgados no fim da semana, que reportamos para a Corregedoria. O assunto agora deve ser analisado pelas instâncias competentes”. A força-tarefa de Curitiba está em crise com Aras após a visita do braço-direito do PGR, a subprocuradora Lindôra Araújo, ao quartel-general dos procuradores no Paraná. Em ofício encaminhado à Corregedoria-geral, a Lava Jato reclama que a ida da aliada de Aras se tratou de uma ‘diligência’ para obter dados e informações sigilosas da operação sem justificativa razoável. A PGR nega as acusações e trata a ida de Lindôra como uma visita de trabalho, combinada previamente.

Maia: “Terror da ditadura não retornará” – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou sua conta no Twitter, ontem, para repercutir pesquisa do Datafolha que mostra que 75% dos brasileiros apoiam o regime democrático. O parlamentar celebrou o resultado, e, sem mencionar situações ou fatos específicos, lamentou ainda existirem discussões em torno de posturas totalitárias e antidemocráticas “em pleno Século XXI”. “Fico feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver que o brasileiro não permitirá um retrocesso institucional. Triste por ter que, em pleno Século XXI, me preocupar com uma discussão que já deveria estar enterrada”, escreveu ele. Maia relatou que nasceu no Chile, em 1970, que é filho de um brasileiro perseguido pela ditadura (o ex-prefeito do Rio Cesar Maia) e de uma chilena (Mariangeles Ibarra). “Saímos de lá no ano seguinte, com a chegada de Pinochet ao poder”, contou, em referência ao general e ditador Augusto Pinochet, que ficou no comando do país no período de 1973 a 1990. “Meus pais conheceram a dor da separação forçada e o abuso da força da ditadura. Por mais que uma minoria tente ressuscitar o terror, o horror da ditadura não retornará tão cedo por aqui.”

Mundo passa de 500 mil mortos pelo coronavírus – Seis meses após o alerta para o aparecimento do novo coronavírus, a covid-19 matou 500 mil pessoas e deixou 10 milhões de infectados em todo o mundo, marcas atingidas ontem, segundo a Universidade Johns Hopkins. EUA e Brasil respondem por mais de um terço das mortes. Após detectar novos casos, a China, foco inicial da doença, determinou ontem o confinamento de meio milhão de pessoas em região próxima de Pequim.

Saúde gasta menos de 1/3 de verba contra pandemia – O Ministério da Saúde gastou até agora R$ 11,5 bilhões dos R$ 39,3 bilhões liberados para a pasta pelo governo para o enfrentamento da pandemia – ou 29,3%. Mais R$ 2,1 bilhões (5,3%) estão comprometidos com o pagamento de contas. Os dados são do Painel do Orçamento Federal. O ministério informa que parte das despesas não executadas é relativa a aquisições diretas, pagas após a entrega. Especialista vê falha de gestão.

‘O Brasil empurra a covid com a barriga’ – Sem um plano nacional definido para enfrentar a covid-19, o Brasil está “empurrando com a barriga” o combate à doença, o que prolonga a epidemia no País, acredita o biólogo e colunista do Estadão Fernando Reinach. Ás vésperas de lançar seu terceiro livro, A Chegada do Novo Coronavírus ao Brasil (Companhia das Letras), com 27 colunas publicadas sobre a pandemia, ele resume, de forma crítica, a estratégia do País. “Tudo é lento demais, até hoje as coisas não aconteceram. Nas minhas primeiras colunas, uma das primeiras era “Brincando com fogo” (dizendo) que ninguém estava ligando para nada no Brasil e que a coisa ia pegar fogo. Depois, teve colunas dizendo que precisava começar a testagem; até hoje, a gente não tem testagem. Depois, que iam faltar respiradores, e aí faltaram respiradores. Na verdade, as colunas eram resultado de eu acompanhar muito de perto o que estava acontecendo nos outros países, não é? E ver como o Brasil estava se mexendo. Até hoje, a gente não tem controle da pandemia”.

Bolsonaro reajusta penduricalho pago a militares – Com salários brutos que podem chegar aos R$ 50 mil, um grupo de militares terá a partir do mês que vem um aumento de até R$ 1.600 nos rendimentos. O reajuste ocorrerá em um dos penduricalhos que elevam o soldo e beneficiará, principalmente, o oficialato das Forças Armadas. A medida ocorre no momento em que a economia sofre com o impacto do novo coronavírus. Milhões de trabalhadores da iniciativa privada perdem empregos ou são atingidos por suspensão e corte de salários e o governo enfrenta dificuldades para manter um auxílio emergencial de R$ 600 aos informais. Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro está envolto em crises e busca reforçar sua base de apoio, composta por militares, policiais, evangélicos, ruralistas e, agora, políticos do Centrão. Chamada de “adicional de habilitação”, a benesse foi criada ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso e é dada para quem fez cursos ao longo da carreira. O valor era o mesmo desde 2001. No ano passado, Bolsonaro autorizou o reajuste para até 73% sobre o soldo, em quatro etapas.

Gestão da crise faz fidelidade bolsonarista ‘balançar’ – Em outubro de 2018, a dentista Sônia Regina Schindler, de 58 anos, foi à cabine de votação sem dúvidas. Incomodada com os governos petistas, apertou 17 e ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente. Um ano e meio depois, se arrepende da escolha. “Acordei com a crise da saúde”, afirmou a eleitora de Brusque, Santa Catarina. A falta de empatia do presidente com os doentes e a tese de que a covid-19 seria uma “gripezinha” foram apontadas como motivo para a desconfiança de apoiadores de Bolsonaro em pesquisa qualitativa conduzida por professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) durante a pandemia. “Estou formada há 35 anos, trabalho no SUS desde sempre, não posso compactuar com governo que abandona a saúde”, disse Sônia. O levantamento da Unifesp identificou três perfis de bolsonaristas: os “fiéis”, que mantêm um apoio constante ao presidente; os “apoiadores críticos” e os “arrependidos”, que se decepcionaram com o presidente e desejam que ele saia do cargo. Os arrependidos apontam três razões para se sentirem assim: episódios de desdém por parte do presidente em relação aos mortos; o estilo agressivo de governar, que criou instabilidade sobretudo com governadores; e a conduta de Bolsonaro em relação aos filhos Flávio, Eduardo e Carlos. A professora aposentada de Curitiba Maria Christina Cardoso, de 61 anos, e sua filha, a representante farmacêutica Deborah Cardoso, de 30, também estão no grupo dos arrependidos. “Me envolvi muito com o movimento da Lava Jato e quando ele (Bolsonaro) surfou nessa onda, infelizmente, acreditei. Me arrependi quando ele começou a se indispor com (o ex-ministro da Justiça Sérgio) Moro”, disse Maria Christina. “Vi que o combate à corrupção não era seu compromisso.”

Queiroz deve depor sobre suposto vazamento de operação – Preso há 11 dias acusado de operar o esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e de obstrução da Justiça, o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz deve ser ouvido hoje, no Rio, pela primeira vez desde que seu nome veio à tona, em dezembro de 2018. Advogados envolvidos na defesa de Queiroz foram comunicados anteontem de que o ex-assessor será interrogado pelos investigadores da Operação Furna da Onça, no inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas. Queiroz e Flávio foram intimados depois de o empresário Paulo Marinho, ex-aliado dos Bolsonaro, dizer que o gabinete foi informado com antecedência da investigação. Desde que o Estadão revelou as movimentações financeiras atípicas no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, no dia 6 de dezembro de 2018, Queiroz se recusava a depor presencialmente. Ele se limitou a enviar um depoimento por escrito no qual isenta o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro de culpa. A possibilidade de Queiroz estar pela primeira vez frente a frente com os investigadores é motivo de preocupação entre pessoas próximas ao presidente que acompanham o caso. Elas veem o risco de o ex-assessor fazer uma delação premiada em troca de proteção à família. A mulher de Queiroz, Márcia, também teve a prisão decretada e está foragida desde o dia 18.

Mulher de Queiroz avalia delação premiada – Com prisão preventiva decretada desde o dia 18 e considerada foragida, a mulher de Fabrício Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, procurou dois escritórios de advocacia na semana passada para avaliar os prós e os contras de uma eventual delação premiada. Márcia está disposta a revelar o que sabe sobre o esquema de rachadinhas na Assembleia do Rio de Janeiro, segundo apurou o Valor. Um emissário de Márcia, falando também em nome da filha dela com Queiroz, Nathália, foi enviado a dois escritórios de advocacia do Rio de Janeiro. Márcia está foragida, mas a prisão dela é uma questão de tempo. Queiroz, que cumpre prisão preventiva em Bangu, já sinalizou que ficaria calado desde que seus familiares não fossem presos.

Hartung vê ‘surto de populismo’ nas crises – O economista e ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, está preocupado com os rumos dos três Poderes nas crises econômica e sanitária da covid-19. “Acho que tem um surto de populismo no Brasil e os erros praticados na travessia da pandemia vão custar muito caro”, afirmou à Coluna. Sem “fulanizar”, como ele gosta de dizer, atribui o populismo a ações do Congresso, da Presidência e do STF. Cita, por exemplo, o julgamento encerrado semana passada na Corte que proíbe a redução de salário de servidor para equilibrar contas públicas. Para Hartung, o auxílio emergencial de R$ 600 foi “mal desenhado”. “O recurso está chegando a quem não precisa e deixando de fora quem realmente precisa.” Ele defende a ampliação do Bolsa Família, com cadastro amplo. “O poeta Mário Quintana dizia: o futuro é o que estamos fazendo hoje. E, pelo que estamos fazendo, o que nos espera é um futuro de grandes dificuldades e privações”, disse Hartung, que também é mentor político do apresentador Luciano Huck.

De malas prontas – O olavista Felipe Cruz Pedri, exonerado da Casa Civil por Braga Netto e lotado no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) desde o fim de abril, vai para a Secretaria de Comunicação, agora no novo Ministério das Comunicações. É o primeiro da ala ideológica a tomar assento na pasta comandada por Fábio Faria, deputado (PSD-RN) de perfil moderado e conciliador.

Boicote às redes sociais começa hoje no Brasil – A Coca-Cola começa a implementar hoje, no Brasil, a orientação de sua matriz para suspender a veiculação de publicidade e marketing nas redes sociais. Na sexta-feira, o CEO global da Coca, James Quincey, declarou que “não há lugar para o racismo no mundo e não há lugar para o racismo nas mídias sociais”. Preocupadas com a possibilidade de suas marcas serem associadas a notícias falsas e a discursos de ódio e racismo disseminados nas redes, grandes empresas como Unilever, Starbucks, PepsiCo e Verizon aderiram ao boicote.

Gastos de 84 parlamentares sobem na pandemia – O uso da verba indenizatória no Congresso diminuiu neste ano, já que houve menos gastos com passagens aéreas e com transporte na pandemia. A despesa dos congressistas caiu de R$ 59 milhões em março, abril e maio de 2019 para R$ 36 milhões no mesmo período em 2020. Mesmo assim, 84 deputados e senadores aumentaram gastos no período de sessões remotas, segundo levantamento do GLOBO. Apesar da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que todos ficassem em casa para conter o vírus, há parlamentares que continuaram viajando normalmente. Deputados e senadores têm fretado aeronaves e barcos e gastado com combustível para aviões particulares com o objetivo de contornar a ausência de voos comerciais destinados a cidades médias e pequenas. No período da pandemia, três deputados federais usaram a verba da cota parlamentar para alugar barcos e 12, para alugar aviões. Os números são uma redução pequena em relação aos mesmos meses em 2019, quando seis alugaram barcos e 16 fretaram aviões. No Senado, o gasto com locação de aeronaves e embarcações não é especificado. O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) gastou mais de R$ 50 mil nos três meses de pandemia com combustível para sua aeronave, já que continuou indo de Ji-Paraná (RO) a Brasília “praticamente toda semana”. Segundo ele, “não se resolve os problemas do Brasil somente por videoconferência”: — Os voos saindo de Ji-Paraná foram cancelados, e não tenho outra forma de vir a Brasília senão com esse combustível de avião. As votações são remotas, mas há assuntos de interesse dos estados e municípios que precisam ser tratados nos ministérios.

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