Resumo dos jornais de segunda (28/12/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda (28/12/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Expectativa com a inflação é a pior da gestão Bolsonaro

CORREIO BRAZILIENSE: Educação no Brasil é um retrato da desigualdade

O ESTADO DE S.PAULO: Após recorde em 2020, ofertas de ações devem continuar em alta

O GLOBO: Mais de 40 países já começaram a imunização

Valor Econômico: Consórcios voltam a atrair e venda de cotas bate recorde

Resumo das manchetes

A manchete da Folha revela que a expectativa de aumento da inflação atingiu em dezembro o maior patamar registrado no governo Jair Bolsonaro pelas pesquisas do Datafolha. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmam que a inflação vai aumentar. Em agosto deste ano, eram 67%. Naquele mês, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA estava em 2,44%. Em novembro, chegou a 4,31%. A manchete do Correio traz um alerta, mostrando que o desempenho escolar evidencia abismo que separa brancos de negros, ricos de pobres. As disparidades ficaram mais evidentes na pandemia, com a dificuldade dos mais pobres em ter acesso à internet para assistir às aulas on-line, mas existem e não é de hoje. Em 2018, por exemplo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avaliou 79 países e apontou o Brasil como uma das cinco economias mais desiguais do mundo em relação à educação. A manchete do Estadão é da área econômica mostra as operações na Bolsa de Valores têm sido impulsionadas por pessoas físicas em busca de mais rentabilidade. Apesar da pandemia, as ofertas de ações de empresas na Bolsa brasileira somaram R$ 117 bilhões em 2020, um recorde – em 2019, foram R$ 90 bilhões. Para 2021, os bancos de investimento esperam safra ainda maior, com oferta de até R$ 140 bilhões. A manchete de O Globo informa o início da campanha de imunização da União Europeia ontem, mais de 40 países já estão vacinando contra o Covid-19. Há pelo menos 4,8 milhões de pessoas no mundo que receberam a primeira dose de uma das vacinas. Já o Valor revela que um produto antigo e até há pouco subestimado pelos grandes bancos vem batendo recordes durante a pandemia: os consórcios. Sem necessidade de entrada e com parcelas que cabem no bolso, são uma forma de investir em um bem sem se descapitalizar. No ano, até novembro, foram vendidas 2,77 milhões de cotas, um recorde, 4,9% acima do mesmo período de 2019. O total investido chegou a R$ 150,5 bilhões (alta de 23,4%). O número de consorciados subiu a 7,71 milhões (cota média de R$ 63,78 mil).

Destaques das primeiras páginas

Renda deve cair em 2021, com aumento apenas na classe A – O aumento da desigualdade deve marcar o ano de 2021, caso se confirme as projeções da Tendências Consultoria de que apenas a renda dos mais ricos, classe A, aumentará no próximo ano. São famílias que têm renda familiar de R$19,4 mil e representam apenas 3,4% dos domicílios, segundo estudo exclusivo da consultoria. As previsões indicam que os rendimentos das classes B, C e D/E cairão no próximo ano. Considerando todas as faixas de renda, o país terá queda média de 3,8% no próximo ano. Segundo Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia e análise setorial das tendências, aqueles que estão substantivos da pirâmide de renda e se beneficiam mais rapidamente de uma recuperação, ainda que gradual, daí a previsão de aumento de 2,7% na renda. Além disso, essa camada da população sofreu menos com a crise, indicando que não perdeu renda mesmo em um ano de declínio previsto de mais de 4% do PIB. — É uma classe que concentra empregadores e funcionários públicos — diz Alessandra. O economista Daniel Duque, da Fundação Getulio Vargas (FGV), atribui essa melhora ao perfil do trabalhador dessa camada da população. Os mais educados, que conseguiram manter seus empregos trabalhando remotamente, mantiveram sua renda. E eles são os que têm o maior salário: – Os mais ricos, mais qualificados, se protegiam bem na pandemia. Eles conseguiram trabalhar no home office, o que até impactou positivamente as finanças dessas famílias, que economizaram com transporte, com um carro.

‘Ser vacinado não nos isenta de andar de máscara pelos próximos dois anos’ – Uma das profissionais de saúde mais atuantes durante a pandemia, Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, é categórica ao afirmar que o país está atrasado na organização da vacinação, o que vai estender o prazo para imunização da população brasileira. Em entrevista à Folha, ela critica o obscurantismo do discurso oficial a respeito da gravidade da pandemia, destaca o trabalho dos pesquisadores e diz que é obrigação de toda a comunidade acadêmica vir a público para esclarecer as dúvidas da população, inclusive em relação às vacinas. A pesquisadora ainda alerta que os cuidados como uso de máscara de proteção, distanciamento social e evitar locais fechados deverão permanecer pelos próximos dois anos, mesmo após a chegada da vacina. “São medidas civilizatórias.”

PF vê culpa do Exército em grave falha no controle de armas – A Polícia Federal afirmou ao Ministério da Economia que o Brasil tem grave deficiência no controle, fiscalização e combate a crimes envolvendo armas de fogo. A PF vê culpa do Exército na falha, por até hoje não ter dado acesso a três de seus sistemas sobre o tema, como manda decreto presidencial. A PF é responsável por combater o tráfico de armas no país. Por essa e outras razões, a polícia se posicionou de maneira contrária à proposta da Defesa de zerar imposto para exportação de arma. “Se a PF sequer possui acesso aos sistemas de controle e rastreamento administrados pelo Exército aos quais deveria ter, e diante da possibilidade dos órgãos de segurança não terem condições de monitorar se exportações estão ou não impactando nos índices e apreensões nacionais, não seria adequada e oportuna a extinção do imposto”, diz a PF no documento ao qual o Painel teve acesso. A PF diz também que o sistema nacional, que deve cadastrar as armas apreendidas, tem um banco com “relevante subnotificação”, porque os estados não “se encarregam de comunicar as apreensões, como determina decreto presidencial. Mesmo com a falta de dados, a PF diz que o imposto de 150% para exportação, criado em 2001, atende a diretrizes internacionais, de diminuir a oferta nos países da região e ajudou a reduzir o “tráfico de retorno”, quando as armas brasileiras exportadas voltavam ao país via tráfico ilícito. A polícia também argumenta que os EUA tomaram medidas contra o Paraguai em 2018 com base na existência do imposto no Brasil. A proposta de zerar as taxas foi revelada pelo Painel. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) vai decidir sobre o tema.

Gasto de Bolsonaro com cartão corporativo supera Temer e encosta em Dilma – A média de gastos da Presidência da República com cartão corporativo segue alta no governo de Jair Bolsonaro (sem partido) mesmo diante da atual pandemia do coronavírus, que afetou a atividade econômica e estabeleceu o isolamento social. Até novembro deste ano, fatura mais recente divulgada pelo Portal da Transparência, o atual governo teve uma média mensal de desembolso superior à de Michel Temer (MDB) e próxima à de Dilma Rousseff (PT). Na gestão atual, foi gasto em média até agora R$ 672,1 mil por mês, o que representa uma alta de 51,7% em relação ao governo do emedebista. A despesa em relação à administração da petista foi 2,6% menor. Por mês, Dilma teve uma média de gastos de R$ 690,2 mil, enquanto Temer despendeu R$ 442,9 mil. Os dados são do Portal da Transparência do governo federal, que reúne informações de 2013 a 2020. Os valores foram corrigidos pela inflação do período. Dilma, Temer e Bolsonaro tiveram as mesmas regras para uso dos cartões. Não houve mudança nos critérios desde 2008, segundo o Palácio do Planalto. Antes de assumir o governo, a equipe de Bolsonaro chegou a avaliar o fim desses cartões, que desencadearam um escândalo político com auxiliares do ex-presidente Lula. Os cartões corporativos, porém, ainda continuam funcionando —e sem o detalhamento dos desembolsos.

Mourão com covid – O vice-presidente Hamilton Mourão, 67, contraiu o novo coronavírus, informou neste domingo (27) a assessoria de comunicação da Vice-Presidência da República. Em nota, o órgão afirma que o teste positivo para Covid-19 foi confirmado na tarde deste domingo e que Mourão permanecerá em isolamento na residência oficial do Jaburu, em Brasília. O documento não informa o estado de saúde do vice-presidente e não menciona se ele manifestou algum tipo de sintoma.

Bolsonaro agora diz ter pressa para vacina – Um dia depois de ter afirmado que não dá bola para pressões sobre o início da imunização contra a Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse neste domingo (27) que o governo tem pressa em obter uma vacina. “Temos pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por laboratórios devidamente certificados. Mas a questão da responsabilidade por reações adversas de suas vacinas é um tema de grande impacto, e que precisa ser muito bem esclarecido”, afirmou o presidente, em uma mensagem publicada em rede social. Em seguida, Bolsonaro negou que esteja interferindo no processo de certificação de uma vacina pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e disse que o imunizante que receber luz verde do órgão será ofertado para todos de forma gratuita e não obrigatória. No sábado (26), Bolsonaro foi criticado por declarações feitas em um passeio por Brasília. “Ninguém me pressiona pra nada, eu não dou bola pra isso”, disse na ocasião, após ser questionado por jornalistas se havia pressão pelo fato de outros países terem começado a imunizar a população.

Coronavac na Turquia – O índice de eficácia de 91% da Coronavac verificado em estudos clínicos na Turquia é resultado de uma análise preliminar dos dados feita com uma amostra de apenas 10% dos voluntários esperados, confirmou ao Estadão o pesquisador turco Murat Akova, investigador principal dos testes clínicos no país. O dado de eficácia foi apresentado na véspera do Natal pelo ministro da saúde da Turquia e divulgado pela imprensa local sem muitos detalhes sobre a metodologia. A apresentação ocorreu um dia depois de o Instituto Butantã, que desenvolve a Coronavac em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, afirmar que não poderia divulgar seus dados por determinação da companhia asiática – que considerou haver diferença com dados de outros países. Nova análise deve ser concluída até dia 7.

‘Não coloco nenhuma vacina sob suspeita’ – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prevê entregar 210,4 milhões de doses da vacina contra covid-19 no próximo ano, segundo Nísia Trindade Lima, presidente do laboratório público, vinculado ao Ministério da Saúde. Ela reconhece, porém, que a imunização da população contra o novo coronavírus deve se estender até 2022. Nísia é uma entusiasta do Plano Nacional de Imunização, do qual a Fiocruz é responsável pela produção de 10 das 19 vacinas. Neste sentido, mesmo a instituição que lidera tendo acordo de produção com laboratório Astrazeneca em parceria com a Universidade de Oxford, não embarca em disputas políticas na corrida pelo imunizante. Sobre a demora na divulgação da eficácia na testagem da Coronavac, do Instituto Butantã e da chinesa Sinovac, é categórica: “Eu não colocaria nenhuma vacina sob suspeita”. A partir da publicação de artigos em revistas científicas e da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Nísia diz que é certo que os imunizantes foram checados por especialistas independentes: “Todas as vacinas que forem registradas são seguras, com diferentes porcentuais de eficácia, mas certamente com a possibilidade de evitar o adoecimento, a morte, que é uma grande preocupação”. Demonstra cautela quando provocada a falar sobre os limites do teto de gastos públicos para o combate à pandemia da covid-19, apontando que a sociedade terá de se debruçar sobre a questão do aumento do financiamento para saúde e áreas correlatas. E considera legado importante, o forte apoio do setor privado. “Nós criamos o site Unidos Contra a Covid para receber doações. Tivemos um apoio de mais de R$ 400 milhões de pessoas físicas e empresas – apoio da iniciativa do Todos pela Saúde,” afirmou à repórter Paula Bonelli. Nísia é uma estudiosa da história da saúde pública no Brasil, com doutorado em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Sua experiência prática recente inclui a construção de rede de emergência para enfrentar crises como zika e febre amarela. Aos 62 anos, acaba de ser a mais bem votada na lista tríplice dos servidores da Fiocruz para outro mandato de quatro anos. No último páreo, em janeiro de 2017, Nísia também ficou em primeiro lugar, mas o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, do governo Michel Temer, escolheu a segunda colocada. A mobilização de cientistas e servidores reverteu o quadro e Nísia acabou sendo nomeada.

Baleia enfrenta o teste das esquerdas – Candidato do bloco liderado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da Câmara, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) reúne-se, hoje, com partidos de esquerda para tentar garantir os votos necessários à eleição interna da Casa. O primeiro teste do candidato consiste, sobretudo, em aparar arestas com o Partido dos Trabalhadores, dono da maior bancada da Câmara e ainda com restrições ao emedebista. Ainda que improvável, não está descartada uma candidatura petista. A reunião foi convocada a pedido de Maia, que tem bom trânsito com a oposição. O presidente da Câmara quer garantir um sucessor no comando da Casa e, acima de tudo, derrotar o candidato do presidente Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) — algo que também interessa à esquerda. E, segundo os líderes do PT, PSB, PDT e PCdoB, servirá para que o emedebista “possa apresentar as propostas e compromissos de procedimentos que nortearão sua candidatura à Presidência da Casa”. Rossi, por sua vez, já tem feito uma série de acenos às siglas de oposição, pois o apoio da esquerda será crucial na eleição da Câmara. Juntos, PT, PSB, PDT, PCdoB e Rede somam 122 votos e podem garantir que o emedebista derrote Lira — com esses partidos, o alcance do “bloco do centro democrático” subiu de 158 para 280 votos, o que dá uma grande vantagem em relação a Lira, que hoje trabalha com 215 votos. Mas, embora tenha anunciado apoio ao candidato de Maia, nem toda a oposição sepultou o desejo de lançar uma candidatura própria. Por isso, Rossi vai intensificar as negociações hoje.

Construir ficou mais caro na pandemia – O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 8,1% de janeiro a novembro, acima da variação do IPCA (3,13%) no mesmo período. A alta foi provocada pela desvalorização do real, a elevação dos preços de commodities, a restrição de oferta de alguns insumos provocada pelo impacto da pandemia na produção e o aumento inesperado da demanda. Antônio Serrano, da “Juntos Somos Mais”, conta que, neste mês, 22% das indústrias de materiais atenderam à demanda do varejo, fatia que em outubro foi de apenas 11%.

Nos trilhos – A operadora de ferrovias VLI investirá R$ 1,3 bilhão em 2021, diz Ernesto Pousada, presidente, mas seu alvo mais ambicioso é a renovação antecipada do contrato da Ferrovia Centro-Atlântica.

Bolívia quer rever contrato de gás – O ministro da Economia da Bolívia, Marcelo Montenegro, disse, em entrevista ao Valor, que o novo governo de seu país quer renegociar o preço do gás vendido ao Brasil. O contrato atual, renegociado em março com o governo Bolsonaro, é considerado “assimétrico” pelo ministro boliviano. O governo do presidente Luís Arce, apoiado por Evo Morales e que tomou posse em novembro, promete austeridade fiscal, mas, também, foco em investimento público.

Mais destaques

Filhos de Bolsonaro apresentam 23 projetos – O comunismo seria um crime; anúncios de armas poderiam aparecer na TV, rádio e internet; estupradores seriam quimicamente castrados; professores sofreriam testes toxicológicos. Uma análise feita pelo globo dos 23 projetos apresentados em 2020 pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e pelo vereador no Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos) revela as ideias legislativas dos três filhos do presidente Jair Bolsonaro. Há também propostas apresentadas para o combate à Covid -19 e na área econômica. Eduardo foi quem apresentou mais propostas. Foram 11 projetos protocolados na Câmara dos Deputados. Ele também é autor de alguns dos mais controversos, seja como autor ou como coautor. Um deles, por exemplo, argumenta que a distribuição de símbolos ou emblemas comunistas, como a foice e o martelo e a estrela pentagonol, deveria levar à cadeia a prisão comum a pena de nove a 15 anos de prisão. O tempo na prisão seria ainda maior se a propaganda comunista fosse feita em escolas, universidades ou por rádio ou televisão. Em outro projeto, Eduardo argumenta que professores das redes estadual, municipal, distrital e federal são exigidos “exames toxicológicos do uso de drogas ilícitas com ampla janela de detecção”” Professores que tiverem o uso de qualquer droga detectada receberão recomendação de tratamento, sem prejuízo de outras medidas administrativas.

Lira aposta no voto divergente – Como a esquerda ainda parece rachada, mesmo depois de ter anunciado apoio ao bloco de Rodrigo Maia e Baleia Rossi, o Palácio do Planalto aposta em eventuais traições para garantir a eleição de Arthur Lira. A projeção da campanha do candidato de Bolsonaro é de que, se pelo menos 25 deputados dos 280 parlamentares que formam a frente do centro democrático não seguirem a orientação de votar no emedebista, ainda é possível garantir a Presidência da Câmara. Por enquanto, as legendas que devem apoiar Lira são Avante, Patriota. PL, PP, Pros, PSC, PSD, PTB, Republicanos e Solidariedade, responsáveis por 205 cadeiras na Câmara. Com 10 deputados, o Podemos ainda não oficializou o apoio, mas também deve embarcar no grupo de Lira. Além disso, o deputado considera que o fato de a votação para a Presidência da Câmara ser secreta pode favorecer “traições” que vão beneficiá-lo. Parte dos votos dissidentes deve vir do PSL, já que o partido ainda conta com um número expressivo de deputados bolsonaristas, 12 dos quais estão, inclusive, suspensos. Se o impasse do PSB não for resolvido, Lira também pode levar alguns votos socialistas, pois deputados como Felipe Carreras (PE) já avisaram que não votarão em Rossi.

Nas redes de Bolsonaro, pandemia em 2º plano – No ano em que o País perdeu 191 mil vidas para a covid-19, Jair Bolsonaro falou mais sobre “obras” e “empregos” do que sobre a pandemia nas redes sociais. Levantamento feito pela Bites Consultoria com as palavras ditas pelo presidente no Twitter, Facebook e Instagram mostra que os dois primeiros termos foram citados 765 vezes, contra 602 menções a “pandemia”, “covid-19” e variações. Desde o começo da crise, Bolsonaro adotou tom de falso dilema: salvar vidas ou empregos? Ele também falou mais sobre cloroquina do que vacinas (117 contra 82). No final de semana, o presidente afirmou que não se sente pressionado para iniciar a vacinação no País. Depois, justificou que seria acusado de irresponsabilidade se fizesse pressão pela vacina. México, Chile, Costa Rica, Estados Unidos, União Europeia e outros países e regiões já começaram a imunizar.

Raio X – No seu primeiro ano de governo, Bolsonaro conseguiu 9,9 milhões de novos seguidores no Twitter, Facebook e Instagram. Neste ano, foram 5,8 milhões, redução de 41%. A Bites também registrou queda nas interações (curtidas, compartilhamentos, comentários e retuítes) de 22%. Segundo o diretor da Bites, Manoel Fernandes, Bolsonaro continua sendo a maior força política digital do País. Mas, se quiser se manter num bom patamar para 2022, vai precisar melhorar seus números. “Porque, mesmo com esses números, Bolsonaro perdeu aliados importantes nas redes que antes propagavam a sua mensagem”, disse Fernandes. Em 2020, a ala ideológica perdeu espaço no governo.

A sujeira de Kassio Nunes – Atendendo a pedido do PDT, o ministro Kassio Nunes concedeu uma liminar que desfigura a Lei da Ficha Limpa, permitindo que criminosos retornem mais rápido à vida pública, que fichas sujas com registro sub judice assumam cargos de vereador ou prefeito e que alguns dos primeiros condenados da Lava Jato possam disputar as próximas eleições municipais. Essa decisão espúria teve o aval do presidente Bolsonaro, que mostrou, aliás, comovente preocupação com os dissabores dos incompreendidos políticos ficha suja. Segundo Bolsonaro, “o pessoal fica na maldade”, reclamando porque não sabe como é a vida de um político. (Catarina Rochamonte)

Barroso suspende recursos – Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso suspendeu neste sábado (26) a tramitação de um recurso enviado à corte que trata sobre o alcance da Lei da Ficha Limpa. A suspensão determinada por Barroso vale até que o STF (Supremo Tribunal Federal) decida a respeito da liminar concedida pelo ministro Kassio Nunes Marques que afrouxou a legislação. Barroso analisou o pedido de um candidato a prefeito de Pinhalzinho (SP) que teve o seu registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral por ainda estar dentro do prazo de inelegibilidade previsto em lei. Barroso manteve o impedimento da candidatura. Mais quatro recursos a respeito da matéria estão sendo analisados pelo presidente do TSE. A tendência é que todos eles sejam suspensos. Com a decisão de Barroso, explicou o tribunal, a situação fica da seguinte forma: o candidato considerado inelegível não pode tomar posse, mas fica suspensa a convocação de eleições suplementares para a escolha de novo prefeito até que o plenário do STF decida sobre a questão. Isso significa que, nas cidades onde ficar configurado este quadro, o presidente da Câmara Municipal assumirá o comando do Executivo até a resolução da controvérsia.

UE inicia campanha de vacinação – Menos de uma semana depois da autorização da União Europeia (UE) para o uso da vacina dos laboratórios Pfizer e BioNTech, países como Itália, Espanha, Portugal e República Tcheca iniciaram neste domingo (27) a vacinação contra a Covid-19. Mais de 450 milhões de pessoas no bloco devem ser vacinadas contra o vírus que infectou mais de 80 milhões de pessoas no mundo e provocou 1,76 milhão de mortes. A Europa é uma das regiões mais afetada do planeta por esta pandemia, com mais de 25 milhões de casos e 546 mil mortes. “Hoje, começamos a virar a página em um ano difícil”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco),, acrescentando que o imunizante foi entregue a todos os 27 países-membros da UE.

Curtindo a covid adoidado – Pagodes, raves e outros eventos com aglomeração se multiplicam no país e desafiam das restrições impostas nos estados contra o avanço da pandemia do novo coronavírus. Um congestionamento de jatinhos no litoral sul da Bahia, por exemplo, foi um dos episódios mais marcantes do fim de semana em que o Brasil ultrapassou a marca de 190 mil mortes provocadas pela covid-19. Diversos acontecimentos dos últimos dias demonstraram que o reforço das medidas restritivas em diferentes partes do país poderá não ser suficiente para conter uma explosão de contaminações pela doença durante as celebrações de fim de ano. No sábado, o aplicativo de rastreamento de voos Flight Radar 24 registrou uma alta movimentação de jatinhos na costa sul da Bahia. As aeronaves tinham como destino os aeroportos de Porto Seguro, Trancoso, Ilha de Comandatuba e Ilhéus. Somente no final da tarde daquele dia, eram mais de 15 aviões executivos se dirigindo à região. Segundo o Aeroin, site especializado em aviação, apesar de o aumento do tráfego aéreo na região ser comum nessa época do ano, o observado, em 2020, surpreendeu, com várias aeronaves tendo que orbitar, aguardando a liberação do pátio para fazer o pouso. O motivo do forte tráfego, explicou o site, pode ser a impossibilidade de viagem ao exterior para os donos dos jatinhos, devido às restrições impostas em vários países contra o avanço da pandemia.

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