Resumo dos jornais de segunda (26/10/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda (26/10/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Menos de 1% dos candidatos retêm 80% do fundo eleitoral

CORREIO BRAZILIENSE: Escolas particulares preveem retorno de 32% no ensino médio

O ESTADO DE S.PAULO: Startups ignoram crise e mostram força da inovação

O GLOBO: Gastos com pessoal deixam capitais sem investimento

Valor Econômico: Fim de acordo de acionistas pulveriza o controle da Vale

Destaques do dia

Só 1% fica com fundo – A menos de um mês do primeiro turno, os fundos eleitoral e partidário têm sido direcionados em sua maior parte até agora para apenas 0,8% dos cerca de 549.000 candidatos a prefeito e vereador, segundo prestações de contas parciais das eleições compiladas pela Folha. Pouco mais de 50 mil postulantes receberam verbas de seus partidos para o pleito, mas 80% do valor liberado (R$ 646 milhões de R$ 807 milhões) foram destinados a cerca de 4.600 candidaturas. o que representa 0,8% do total de postulantes lançado pelos partidos. O prazo para entregar à Justiça Eleitoral a prestação parcial das contas terminou ontem. O campeão é o candidato à reeleição em São Paulo, Bruno Covas (PSDB), com R$ 7,8 milhões declarados, sendo R$ 5 milhões repassados pela sua própria sigla. A seguir aparece Bruno Reis (DEM) candidato em Salvador a suceder ACM Neto, presidente nacional do partido. Quem mais recebeu verba apenas do partido foi o candidato a prefeito do Recife João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014. Desde 2015, com o veto ao custeio empresarial, a maior parte da verba para a eleição sai dos cofres públicos.

O retorno – Esta é a terceira etapa do cronograma de retomada gradual das atividades na rede privada do DF. Mas, o modelo híbrido, de aulas presenciais e on-line, permanece, cabendo aos pais e alunos a decisão sobre a maneira como serão os encontros. A previsão é de que cerca de 9 mil, dos 28 mil matriculados, voltem, hoje, a 60 estabelecimentos. O sindicato dos professores dos colégios particulares criou uma força-tarefa para avaliar se os colégios têm cumprido o protocolo de segurança e garante que eles estão seguindo as normas e mantendo um número reduzido de pessoas em sala de aula.

Startups crescem – Mesmo com a pandemia e a crise na economia, 2020 vai se tornando o ano das startups. Dados da empresa Distrito, que mapeia o ecossistema de inovação, mostram a ocorrência de cem aquisições de startups entre janeiro e setembro, apontando para o melhor ano da história. O movimento supera o desempenho de 2018 e 2019. O número de aportes realizados em empresas novatas também já registra recorde de 322 cheques, acima do melhor ano do setor, 2017, que teve 263 investimentos. No período, o volume total de aportes alcança US$ 2,2 bilhões, 82% do que foi injetado no mercado em todo o ano passado. “Esperamos que o último trimestre faça superar 2019, mas, mesmo com crise, enxergamos um mercado forte e bem aquecido”, diz Gustavo Araújo, presidente da Distrito. “É muito positivo o balanço de 2020 até aqui”, avalia Gilberto Sarfati, professor da FGV-SP.

Na pindaíba – O crescimento acelerado dos gastos nas principais cidades do país com salários, aposentadorias e pensões aumenta o desafio dos prefeitos que serão eleitos em novembro. Um estudo projeta que até 2030 Rio, São Paulo e Porto Alegre perderão a capacidade de investir em áreas como saúde, educação e infraestrutura. A situação tende a ser agravada pelos gastos com o confronto pandêmico e pela dificuldade de promover reformas na remuneração dos servidores públicos.

O controle da Vale – Passados 23 anos desde a privatização, em 1997, a Vale está prestes a viver outra mudança histórica. Se há mais de duas décadas o desafio foi fazer a transição de empresa estatal para privada, agora a mineradora vai se transformar em corporação sem grupo de controle acionário definido. O novo desenho, embora com controle pulverizado entre diferentes investidores, terá meios para inibir qualquer acionista que pretenda obter fatia igual ou maior que 25% do capital. Caso isso eventualmente ocorra, o investidor que atingir esse percentual terá que fazer uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) a todos os investidores de Vale. Isso não será tarefa simples, considerando que, na sexta-feira, a empresa alcançou valor de mercado de R$ 335,3 bilhões, acima, por exemplo, de Petrobras, Itaú, Ambev ou Bradesco. Os atuais controladores da mineradora mandam na Vale por meio de um acordo de acionistas assinado em 2017 e que expira em 9 de novembro. O fim desse acordo será o gatilho para implementar uma série de mudanças societárias e de governança corporativa que vêm sendo preparadas há três anos.

PT pode ter fracasso histórico em Estado que governa – O PT corre risco de um fracasso histórico na disputa municipal na capital de um Estado nordestino governado pelo partido. Com elevada desaprovação em Natal, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra não conseguiu, até agora, alavancar a candidatura do senador Jean Paul Prates, que patina em pesquisas lideradas por três candidatos de perfil conservador. Com ampla margem sobre os adversários, o prefeito Álvaro Dias (PSDB) é favorito e pode ser reeleito já em primeiro turno. Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, realizado entre os dias 12 a 14 de outubro com 700 eleitores, Dias tem 36,4% das intenções de voto, distante do segundo colocado, o deputado estadual Kélps Lima (Solidariedade), que tem 10,3% e empata tecnicamente com Delegado Leocádio (PSL), com 6,4%, no limite da margem de erro de quatro pontos percentuais.

Covas tenta se vender como um ‘resolvedor de problemas’ – Candidato à reeleição em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) tem se vendido nesta campanha como uma espécie de resolvedor de problemas, alguém que enfrentou graves crises em seu mandato, ocasiões em que ele foi pessoalmente ver e lidar com as tragédias. Fora das inserções da TV, no entanto, ele se aproxima do fim de seu mandato sem uma ou mais marcas para apresentar à população, além de não ter cumprido a maior parte de suas metas. A propaganda de realizador quer apagar a imagem de “baladeiro”, que o prefeito deixou principalmente no começo de sua gestão, quando passou mais de 40 dias viajando. Uma das propagandas, por exemplo, começa exaltando sua presença nas grandes crises que abateram a cidade, como as quedas de um prédio, no largo do Paissandu, e de um viaduto, na marginal Pinheiros. A campanha de Covas quer explorar o fato de que o prefeito foi alvo de graves adversidades em pouco tempo de mandato, de greve dos caminhoneiros a pandemia de Covid-19, passando ainda pelo atual tratamento de um câncer.

Russomanno mantém trecho quase igual ao de edital de Covas – Após o Painel ter encontrado um trecho do programa de governo de Celso Russomanno (Republicanos) quase idêntico ao de edital da gestão Covas, a equipe do candidato disse que faria a retificação. Vinte e nove dias depois, nada mudou no documento que está no TSE. A passagem em questão trata da concessão de terminais de ônibus da cidade, projeto do tucano na prefeitura. Cobrado no dia seguinte à publicação, Russomanno perguntou: “Se é bom, vou modificar por quê?”.

Na ‘Martalândia’, órfãos da ex-prefeita se dividem entre Covas e PT e ignoram Boulos – A 34 km da praça da Sé, no extremo sul de São Paulo, a campanha para a prefeitura da capital ocorre em uma espécie de realidade paralela, em que a favorita dos eleitores não está na urna eletrônica. O vasto distrito de Parelheiros poderia ser chamado de Martalândia, tal a popularidade que a ex-prefeita Marta Suplicy (sem partido) conserva junto a muitos moradores. Em 2016, quando estava no MDB, ela ganhou a eleição na região com 37,1% dos votos, uma folga considerável sobre João Doria (PSDB), que teve 28,2%. Foi um dos dois únicos distritos em que o tucano, que venceu a eleição no primeiro turno, foi derrotado na cidade. O outro foi o vizinho Grajaú, em que Marta também ganhou, mas com vantagem bem mais apertada (31,5% a 30,6%). A Folha esteve na última terça-feira (20) em Parelheiros e conversou com moradores da região. Para quase todos, a polarização entre tucanos e petistas, que dominou a política municipal nas últimas décadas, se mantém. Marta apoia Covas, embora muitas pessoas no bairro não saibam disso. Celso Russomanno (Republicanos) é um personagem secundário, mas pior é para Guilherme Boulos: o candidato do PSOL, uma das surpresas da atual eleição, é ignorado por grande parte dos eleitores.

Bolsonaro bate recorde, é o que mais libera verba em emenda parlamentar – No centro das investigações que levaram à apreensão de dinheiro na cueca de um dos líderes do governo, as emendas parlamentares registram uma execução recorde na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). Foram R$ 17,2 bilhões pagos até meados de outubro, o que já representa um crescimento de 67% em relação a todo o ano de 2019. O valor é o mais alto na série compilada pelo Senado com início em 2015 (e atualizada pela inflação). Alvo de interesse dos congressistas, as emendas possibilitam aos deputados e senadores decidirem o destino de recursos do Orçamento federal e, assim, enviar dinheiro a redutos políticos. Ao mesmo tempo, elas reduzem o poder do Executivo sobre o Orçamento. As emendas são divididas em individuais, de bancada estadual, de comissão ou do relator. Se até 2019 as emendas executadas representavam uma média de 5% das despesas discricionárias (não-obrigatórias) do Tesouro Nacional, em 2020 esse percentual foi praticamente triplicado e representa 15% dos gastos opcionais previstos para o ano. O percentual cresce para 26% caso a comparação seja feita com os gastos discricionários até setembro, último dado disponível.

Ramos nega crise, e Salles pede desculpas – iante da escalada da crise gerada pela disputa entre os grupos ideológico e militar que compõem o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, passeou de moto com o presidente na manhã deste domingo (25) e negou querer brigar. Pouco depois, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi às redes sociais pedir desculpas. “Rapaz, não tem briga nenhuma”, afirmou à Folha quando se dirigia à moto para deixar o posto de gasolina em que foi com Bolsonaro em Sobradinho, no Distrito Federal. “Tem uma definição: briga é quando [tem] duas pessoas”, disse o ministro. Indagado sobre como vai o clima no governo diante de mais uma crise entre ministros, Ramos limitou-se a falar de sua relação com Bolsonaro. “Minha relação com o presidente está excepcional como sempre.” Pouco depois da divulgação das manifestações de Ramos, Salles disse ter procurado o ministro para se desculpar. “Conversei com ministro Luiz Eduardo Ramos, apresentei minhas desculpas pelo excesso e colocamos um ponto final nisso. Estamos juntos no governo, pelo presidente Bolsonaro e pelo Brasil. Bom domingo a todos”, disse Salles em uma publicação na internet. Após a bandeira branca estendida por Salles, Ramos também foi às redes sociais. “Uma boa conversa apazigua as diferenças. Intrigas não resolvem nada, muito menos quando envolvem questões relacionadas ao País. Eu e o @rsallesmma prosseguimos juntos em nome do nosso presidente @jairbolsonaro e em prol do Brasil”, escreveu o ministro da Secretaria de Governo.

PF abre inquérito para apurar movimentações financeiras de Wassef – A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar movimentações financeiras de Frederick Wassef, ex-advogado de Jair e Flávio Bolsonaro. A investigação tem como base documento de inteligência do Coaf produzido em julho deste ano, que mostrou pagamentos de R$ 9 milhões da JBS para Wassef. O relatório reúne informações bancárias envolvendo o advogado, seu escritório e uma empresa à qual é vinculado. Algumas das operações foram consideradas suspeitas pelo Coaf. O relatório, revelado pela revista Crusoé, foi produzido um mês depois de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, ser preso em um imóvel de Wassef, em Atibaia (SP). Após o episódio, o advogado anunciou ter deixado a defesa do filho do presidente. O inquérito foi aberto após o Ministério Público enviar à Polícia Federal a documentação do Coaf, com o objetivo de que os indícios existentes fossem apurados. No mês passado, Wassef virou réu sob acusação de peculato e lavagem de dinheiro, suspeito de participar de um esquema que teria desviado R$ 4,6 milhões das seções fluminenses do Sesc (Serviço Social do Comércio), do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e da Fecomércio (Federação do Comércio).

As novas diretrizes – Um grupo criado pelo Ministério da Justiça aprovou por unanimidade o que devem ser as novas diretrizes do trabalho de inteligência na área de segurança pública. Os documentos foram enviados à pasta e agora vão passar pela consultoria jurídica interna e pela aprovação do ministro. O estudo teve início após a crise instalada pelo vazamento do relatório sobre movimentos que se identificam como antifascistas. A nova regulamentação vai ser publicada por meio de dois decretos de Bolsonaro, um instituindo uma política nacional de inteligência e outro com uma estratégia nacional. O ministério vai publicar uma portaria sobre o tema.

Chilenos aprovam nova Constituição – Pouco mais de um ano depois dos protestos que incendiaram o Chile, deixaram 30 mortos e dezenas de feridos e forçaram o governo a convocar um plebiscito histórico, o país foi em massa às ruas neste domingo (25) para decidir se quer ou 
não uma nova Constituição. Com 99,69% dos votos contabilizados, o resultado do plebiscito foi a vitória do “aprovo” a nova Constituição, por 78,2% contra 21,7% do “rejeito”. Os eleitores chilenos também decidiram que a nova carta será redigida por meio de uma Assembleia Constituinte inteiramente renovada, sem a participação de legisladores já eleitos. A escolha dessa assembleia será por meio de uma eleição, a ser realizada em abril de 2021, em que haverá paridade de 50% entre homens e mulheres. Essa proposta venceu por 78,9% dos votos, contra 21% que optaram por uma assembleia mista, que contasse com parlamentares já no cargo. Também ficou decidido que os que quiserem se candidatar a esses postos não precisarão ter vínculos com partidos políticos. Às 21h25, o presidente Sebastián Piñera declarou que a votação marca o “princípio de um processo constituinte”.

Bolsonaro se irrita com homem que pediu para baixar preço do arroz – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) irritou-se com um homem que o abordou neste domingo (25) na saída da feira permanente do Cruzeiro, no Distrito Federal, para reclamar do preço do arroz. “Bolsonaro, baixa o preço do arroz, por favor. Não aguento mais”, disse um homem que abordou o presidente enquanto ele se preparava para subir em sua moto. “Tu quer que eu baixe na canetada? Você quer que eu tabele? Se você quer que eu tabele, eu tabelo. Mas você vai comprar lá na Venezuela”, reagiu o presidente. O homem saiu sem dizer nada. “Fala, e vai embora”, disse Bolsonaro diante de apoiadores, seguranças e jornalistas. O presidente tirou a manhã para passear de moto pelo DF com os ministros da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e da Casa Civil, general Walter Braga Neto.

STF nega maioria dos pedidos – Ministros do Supremo Tribunal Federal negaram a maioria dos pedidos de presos que recorreram à corte em busca de liberdade com o mesmo argumento que permitiu a soltura de André de Oliveira Macedo, o André do Rap, um dos chefes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Levantamento feito pela Folha encontrou no site do tribunal 653 habeas corpus que usaram o mesmo argumento. A análise dos processos mostra que os ministros do Supremo negaram 513 pedidos, equivalentes a 79% do total. A soltura dos presos foi determinada em 133 casos, correspondentes a 20%. O ministro Marco Aurélio foi o relator dos pedidos em quase todos os casos de soltura. Ele concedeu os habeas corpus em decisões liminares, ou seja, de caráter provisório. Todas que foram julgadas depois pela Primeira Turma do tribunal, colegiado do qual o ministro faz parte, foram derrubadas mais tarde. Marco Aurélio considera a falta de revisão da ordem de prisão motivo suficiente para a soltura, mas os outros ministros do Supremo entendem que a libertação dos presos não pode ser automática nesses casos, como deixaram claro no julgamento em que a liminar que soltou André do Rap foi revogada.

Governador de São Paulo já vacinou presidente da República – A animosidade política não impediu, no passado, que um governador de São Paulo “vacinasse” um presidente da República. À época, em 2008, José Serra (PSDB) posou para fotos enquanto simulava dar uma injeção em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tratava-se, então, do início da campanha de vacinação contra a gripe. Doze anos depois, e em meio à pandemia do novo coronavírus, nada parece mais distante da realidade. Ninguém hoje imagina que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aceitaria ser imunizado pelas mãos do governador de São Paulo João Doria (SDB). Não após a série de rusgas entre os dois e menos ainda após o imbróglio da última semana. Em 2008, o momento foi registrado em uma foto. Na realidade, Lula foi vacinado por uma enfermeira, mas a imagem registrou o momento de união dos dois políticos, que haviam disputado a eleição para presidente seis anos antes, em 2002.

Covas, até aqui, reconecta o PSDB a sua raiz social e de centro – O cenário pulverizado e o perfil moderado de Bruno Covas estão devolvendo o PSDB de São Paulo a um espaço que havia muito tempo o partido não ocupava: o centro do espectro político, com uma bandeira social-democrata. Após eleições nas quais os tucanos penderam para a direita, liderados por João Doria, o neto de Mario Covas tem afirmado a intenção de “reconectar” o PSDB-SP com ideais históricos. Segundo seus aliados, se for reeleito nessa pisada, o prefeito naturalmente colocará o tema dentro do partido e será contraponto a Doria. A “mágica”, claro, tem alguns segredos, mas nem tudo é truque político. Quem convive com Bruno Covas diz que ele é verdadeiramente um cidadão com convicções do chamado centro democrático. Os mais entusiasmados no entorno do prefeito já acreditam ter encontrado uma fórmula para o PSDB voltar a seus dias de glória: “radicalizar” em uma agenda de social-democrata de centro. Não é o que pensava João Doria até bem pouco tempo atrás. O governador insistia em trilhar caminhos mais à direita como melhor maneira de chegar forte na eleição de 2022. O teste de fogo para Covas será o segundo turno, se ele avançar de fase como indicam as pesquisas. A depender do adversário, ele poderá ser empurrado para um dos extremos: esquerda ou direita.

Supremo tem dez liminares valendo há mais de cinco anos – Bandeira de alguns ministros do Tribunal, a gradual substituição das decisões individuais de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) por julgamentos em conjunto requer um esforço concentrado para acabar com uma pilha de liminares pendentes de julgamento. O Estadão identificou dez decisões tomadas por relatores há mais de cinco anos. São atos para suspender resoluções, leis estaduais e federais e até Emenda à Constituição da República e à do Estado do Rio. Todas estão em pleno vigor, por decisão de um único ministro, mas sequer começaram a ser julgadas até hoje pela Corte. O carro-chefe dentre as decisões individuais (monocráticas) que aguardam julgamento no plenário é a que suspendeu as regras de distribuição dos royalties do petróleo aprovadas pelo Congresso. Em 2013, a ministra Cármen Lúcia decidiu atender a um pedido do governo do Rio, que estimou prejuízo ao Estado e aos seus municípios de até R$ 4 bilhões só naquele ano. Na prática, a relatora protegeu as receitas dos Estados produtores, até que o plenário da Corte adotasse um posicionamento sobre o tema. O caso, que envolve interesses bilionários, entrou no calendário de julgamentos de novembro de 2019 e de abril de 2020, mas foi retirado duas vezes. Se nenhum imprevisto surgir, será finalmente julgado em 3 de dezembro, ou seja, sete anos depois. Outra liminar de 2013 com grande relevância para o País e que ficou para as calendas é aquela que permitiu ao então presidente do STF, Joaquim Barbosa, suspender a criação de quatro Tribunais Regionais Federais, aprovada em Emenda à Constituição. A decisão levou cinco anos para ser liberada para julgamento no plenário, mas até hoje sua votação não foi iniciada. O relator atual é o presidente Luiz Fux, que, apesar de controlar a pauta de julgamentos, não marcou ainda o dia desta ação. Em agosto, a Câmara dos Deputados aprovou a criação de um novo TRF, sediado em Minas.

PSDB E PT lutam pelo poder na Grande SP – Antagonistas na política nacional até a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018, o PT e o PSDB ainda polarizam as eleições nas principais cidades da Grande São Paulo. O chamado “cinturão vermelho” implodiu em 2016 no primeiro teste das urnas após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Naquele ano, o PT tinha 9 prefeituras dos 39 municípios da região, mas ficou com apenas uma: Franco da Rocha. Além de São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad perdeu para João Doria (PSDB), os petistas foram derrotados em Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá, na região do ABC, além de Guarulhos e Osasco. No sentido oposto, o PSDB obteve a maior vitória na região no que chamou de “onda azul”, que tenta repetir em 2020, apesar do desgaste da sigla nos últimos anos. O principal palco da disputa entre petistas e tucanos é São Bernardo do Campos, berço do PT e base do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Candidato à reeleição, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), que integra a executiva nacional tucana, recebeu o segundo maior repasse do Fundo Eleitoral do PSDB no Estado – R$ 750 mil. Esse valor só é menor do que o investimento na campanha à reeleição de Bruno Covas, que já recebeu R$ 5 milhões e ainda vai receber mais R$ 3 milhões. Assim como nas demais cidade do Grande ABC, o antipetismo é a marca no discurso dos tucanos. “A sociedade tem muito medo de que o PT volte a governar a cidade. Se eles ganharem, São Bernardo corre o risco de se tornar abrigo dos petistas sem cargo: dá para imaginar Dilma Rousseff na Secretaria de Habitação, José Dirceu na de Governo e Antonio Palocci nas Finanças”, disse Morando. Uma das vitrine de sua gestão é a Fábrica de Cultura que foi construída onde seria o Museu do Trabalho e do Trabalhador, mais conhecido como Museu do Lula. Nas pesquisas na cidade (e registradas no TSE) Morando aparece em 1° lugar à frente do ex-prefeito Luiz Marinho, que é dirigente estadual do PT.

Pesquisa infecta voluntários com coronavírus – Pesquisadores do Imperial College London planejam infectar deliberadamente voluntários saudáveis com o coronavírus como parte da primeira tentativa no mundo para estudar como pessoas imunizadas com diferentes vacinas reagem a uma exposição controlada ao vírus. O estudo – chamado de desafio humano ou de infecção humana controlada – foi anunciado na semana passada e deve ter início em janeiro em um hospital de quarentena em Londres, com US$ 44 milhões de financiamento do governo. Esse estudo pode poupar tempo na corrida para se obter uma vacina realmente eficaz entre as várias candidatas. Em vez de testar vacinas da maneira usual – aguardando que pessoas vacinadas enfrentem o vírus em suas casas e comunidades –, os pesquisadores pretendem expô-las ao vírus em um ambiente controlado e, então, analisar os resultados com mais rapidez. No primeiro estágio do estudo, os cientistas tentarão determinar quais as menores doses do vírus necessárias para infectar uma pessoa. E gradativamente farão testes com doses cada vez maiores do novo coronavírus em até 90 voluntários saudáveis de 18 a 30 anos, até chegar a um nível que realmente cause a infecção.

Martha cogita convite a Ciro Gomes para secretaria na Prefeitura do Rio se vencer a eleição – Membros do PDT e da campanha de Martha Rocha avaliam um convite para que Ciro Gomes assuma uma pasta em um eventual governo da candidata na prefeitura do Rio, como informou na última sexta-feira a revista “Veja”. O GLOBO apurou que a ideia envolve a Secretaria de Fazenda — pasta que o presidenciável ocupou no governo Itamar Franco, na década de 1990. Por ora, a participação de Ciro na campanha carioca tem sido discreta. Ele está se recuperando da Covid-19 e não tem saído de Fortaleza, mas deve vir ainda antes do primeiro turno para participar de um ato da campanha de Martha, além de aparecer no programa de TV. Martha não quer tratar publicamente da possibilidade de ter Ciro num eventual governo, mas fez elogios ao presidenciável. — Agora, tenho um objetivo: chegar no segundo turno. Primeiro, tenho que chegar ao segundo turno, ganhar a eleição e depois pensar nesses quadros — afirmou Martha ao GLOBO, sem poupar o aceno a Ciro: — Ele morou no Rio por 17 anos, conhece a cidade. Reconheço nele um carioca e uma pessoa qualificada. Mas no momento certo a gente discute isso. A campanha de Martha se preocupa com o assunto porque um dos principais trunfos da candidata é sua baixa rejeição — apenas 7% segundo a última pesquisa Datafolha. Uma associação mais intensa com Ciro pode trazer a rejeição que o ex-ministro tem. Com passagens pela prefeitura de Fortaleza, pelo governo do Ceará e pelo governo Lula, Ciro acumula rejeição maior. Nos últimos dois anos, firmou-se como um dos principais opositores do presidente Jair Bolsonaro, o que poderia afastar de Martha o voto de eleitores que apoiam o presidente. Na análise da campanha, há a percepção de que o eleitor carioca de Ciro já optará por Martha sem que seja preciso correr o risco de que ela perca os votos daqueles que não gostam do presidenciável.

Sempre na urna, sete brasileiros não desistem nem ganham – Nascido no sertão nordestino, ele foi para São Paulo muito cedo em busca de uma oportunidade de trabalho. Formou-se como torneiro mecânico e, em Osasco (SP), esteve presente na fundação do PT, na década de 1980, ao lado de amigos como João Paulo Cunha e Florestan Fernandes. A trajetória acima poderia ser a de Lula, mas não. O ex-presidente demorou, mas ganhou eleições, algo que Joaquim Saraiva Floriano, de 57 anos, nunca conseguiu. Desde 1992, Joaquim tenta alcançar um cargo público no Piauí, mas sem sucesso. Ele faz parte do grupo de sete pessoas que disputaram todas as eleições pelo menos de 1998 e nunca se elegeram, segundo levantamento do GLOBO com base em dados do Cepesp/FGV e do TSE. Pouca importa o cargo disputado, eles sempre figuraram nas urnas, com a candidatura deferida. Em comum, acham que vão emplacar a cada dois anos, seja qual for o cargo. E, se der errado, certamente o nome estará na listagem do TSE no pleito seguinte. Se a corrida eleitoral é árdua até para maratonistas, há aqueles que preferem percorrê-la com uma moto. Carinhosamente apelidado de “o kara da moto”, Armindo Munhoz (Avante) é candidato a vereador de São Paulo pela sexta vez. Desde 1998, ele está em todas as listas do TSE, também como deputado estadual e federal. A polivalência de Munhoz é similar a de Cyro Garcia (PSTU), candidato à prefeitura do Rio pela quarta vez. Diferentemente de seus colegas, Cyro chegou a assumir como suplente, por dez meses, a vaga do deputado federal Jamil Haddad, que se afastou do mandato para assumir o cargo de Ministro da Saúde, em 1992. Desde então, não se elegeu. Servidor da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o médico Haroldo Dartagnan (PCdoB), de 64 anos, disputa sua 15ª eleição em Belo Horizonte. Desta vez, ele confia na tecnologia e na sua base fiel de eleitores para conseguir os 10 mil votos necessários para sua eleição. — Eventualmente, eles (os amigos) falam: “de novo?”. E aí eu falo: “agora com uma mente nova”. A gente amplia horizonte, pacientes, contatos. Estou mais confiante agora por causa do WhatsApp. Temos muito contato, pessoas que acolhi e cuidei na vida — garante.

Voto coagido – Quatorze cidades do Estado do Rio têm denúncias de infiltração de milicianos e traficantes no processo eleitoral. É o que revela um relatório elaborado pelo Disque Denúncia a pedido do GLOBO, com base em ligações recebidas pelo órgão desde o início da campanha, em 27 de setembro, até o último dia 13. A maior parte das denúncias relata atuação de milicianos para interferir no pleito, 24 ao todo. Outras 13 apontam a influência do tráfico. Em cinco municípios, foram registradas denúncias tanto de traficantes quanto de paramilitares direcionando votos e impedindo a presença de candidatos: Rio, Itaguaí, Duque de Caxias, Belford Roxo e Niterói. O documento aponta a influência da milícia em nove cidades, sendo cinco na Baixada Fluminense. As denúncias relatam a participação de candidatos nas quadrilhas, o apoio de grupos a determinados candidatos e até ameaças de retaliação da milícia a moradores de favelas caso seus representantes não sejam eleitos. Nova Iguaçu é a cidade do estado com mais denúncias de participação da milícia no pleito, nove ao todo. O município é o mesmo onde dois candidatos a vereador foram assassinados. Um deles, Domingos Barbosa Cabral, de 57 anos — executado por homens encapuzados num bar no bairro Corumbá na noite do último dia 10 — é irmão do sargento PM André Barbosa Cabral, preso em julho acusado pelo Ministério Público de ser chefe da milícia que domina parte do município. Domingos foi preso em flagrante com uma pistola 9mm na mesma operação que prendeu o irmão, em julho. Ele disputaria a eleição pelo DEM.

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