Resumo dos jornais de segunda (22/06/2020) | Claudio Tognolli

 Resumo dos jornais de segunda (22/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Transparência do governo piora na gestão Bolsonaro

CORREIO BRAZILIENSE: Ibaneis recorrerá para manter comércio aberto

O ESTADO DE S.PAULO: Covid-19 afasta 1,4 milhão do mercado de trabalho no País

Valor Econômico: Bancos começam a operar no mercado livre de energia

O GLOBO: Inquérito avança sobre financiamento de atos antidemocráticos contra o STF

Destaques do dia

Menos transparência – O governo do presidente Jair Bolsonaro acumula desde janeiro de 2019 ao menos 13 medidas para dificultar ou sonegar informações do país, segundo levantamento feito pela Folha. No período, o governo federal tentou mudar duas vezes a LAI (Lei de Acesso à Informação), esconder pesquisas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre drogas e tirar os dados da violência policial do anuário sobre direitos humanos. A última tentativa foi a de ocultar dados sobre a pandemia do novo coronavírus, que até este domingo (21) havia infectado 1.086.990 pessoas e deixado 50.659 mortos, segundo levantamento feito por consórcio de veículos de imprensa do qual a Folha faz parte. Em meio à pandemia, o Ministério da Saúde passou a atrasar a divulgação dos dados da doença. O boletim que era divulgado às 19h foi transferido para as 22h. Bolsonaro, a apoiadores, justificou a mudança. “Acabou matéria do Jornal Nacional [da TV Globo]”, disse o presidente.

Ela quer saber – Juíza Kátia Balbino de Carvalho determina que o GDF apresente números sobre a pandemia antes de liberar bares, salões e academias. Empresários reagem contra a decisão.

Covid-19 afeta mercado – A covid-19 tirou do mercado de trabalho pelo menos 1,4 milhão de trabalhadores, seja por estarem doentes ou por terem de cuidar de alguém afetado pela doença. Segundo dados da Pnad Contínua, do IBGE, o número de brasileiros que estavam desempregados, mas ficaram impedidos de buscar trabalho, sobretudo por estarem doentes, saltou de 3,3 milhões no trimestre encerrado em fevereiro para 4,7 milhões até o mês de abril, uma alta de 45%. O crescimento é bem maior do que a da fatia de desalentados, aqueles que deixaram de procurar trabalho por pensarem que não iriam encontrar uma nova colocação, que cresceu 7% no período. Esse foi o caso do auxiliar de limpeza Alcides da Silva, de 52 anos, acometido por dores e febre alta. De uma hora para outra, o peso do desemprego que ele carrega há mais de um ano se somou ao medo do coronavírus. “Imagine ver as contas chegando e não poder nem procurar trabalho. É como olhar para os lados e não ver saída.”

Rastro do dinheiro – A Procuradoria-Geral da República começou a desvendar o rastro do dinheiro que financia manifestações antidemocráticas favoráveis ao fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. No inquérito a que O GLOBO teve acesso, estão descritas operações de patrocínio do grupo da extremista Sara Giromini, presa na semana passada, o faturamento de sites a partir da transmissão ao vivo dos atos ilegais; e o uso do dinheiro público por parte de parlamentares para divulgar as manifestações através das redes sociais.

Julgamento – Na próxima quinta-feira, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) vai julgar um pedido de habeas corpus feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em março. Nesse recurso, o senador questiona a competência do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, para determinar as medidas cautelares do caso da “rachadinha”, a prática ilegal da devolução dos salários dos assessores. Desde abril do ano passado, Itabaiana já determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio e outras 103 pessoas e empresas, além de mandados de busca e apreensão. Na quinta-feira, o juiz também decretou a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, e de sua mulher Márcia Oliveira de Aguiar, que está foragida. O HC foi apresentado pela advogada Luciana Pires e a defesa sustenta que, como Flávio era deputado estadual no período dos fatos investigados, entre 2007 e 2018, o juízo competente para o caso seria o Órgão Especial do TJ do Rio. Caso a defesa tenha o pedido atendido pelos três desembargadores que julgarão o HC, as decisões de Itabaiana podem ser consideradas nulas. No entanto, os promotores que investigam o caso apontam que há jurisprudência em tribunais superiores garantindo que o direito a foro se encerra quando o mandato termina. Procurada, Luciana Pires disse que não se pronunciará até o julgamento. O GLOBO apurou que, no entorno bolsonarista, a advogada é a mais cotada para assumir a defesa de Flávio no procedimento de investigação criminal depois que Queiroz foi preso no sítio de Frederick Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo, durante a “Operação Anjo”.

No livro de Bolton, Brasil é coadjuvante – Na narrativa do ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos John Bolton sobre as incursões americanas na política venezuelana para derrubar o regime de Nicolás Maduro, o Brasil é citado apenas lateralmente. Apesar de ter atuado como aliado dos Estados Unidos no reconhecimento imediato de Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela e ter apoiado a malsucedida ação de entrega de ajuda em alimentos e remédios na fronteira com o vizinho, o país ocupa, na versão de Bolton, papel coadjuvante. “The Room where it happened” (A sala onde tudo aconteceu, em tradução livre), ao qual O GLOBO teve acesso, será lançado oficialmente nesta terça-feira. Em suas 570 páginas, o Brasil é mencionado 11 vezes, a maior parte delas no capítulo sobre o país comandado por Maduro, “Venezuela libre”. A maior parte das referências ao Brasil é mais geográfica do que política. Bolton explica o plano para a ação de entrega de ajuda a partir das fronteiras da Venezuela com a Colômbia e com o Brasil. Apesar de dizer que a entrega teve sucesso parcial na fronteira brasileira, em Roraima, Bolton não destaca a atuação política do governo Bolsonaro para que a ação fosse levada adiante. O nome do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que participou presencialmente da operação, não é citado. Na época, Maduro fechou a fronteira na cidade de Pacaraima e impediu a entrega dos alimentos enviados pelo governo brasileiro. No âmbito estritamente político, o Brasil aparece em uma citação ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Bolton afirma que, no final de março de 2019, Azevedo teria dito que “o fim estava próximo para Maduro”. O nome do presidente Jair Bolsonaro é citado duas vezes. Na primeira, Bolton o menciona para se referir a uma frase dita por Donald Trump durante uma coletiva ao lado do presidente brasileiro sobre sanções contra a Venezuela. O ex-assessor de Segurança Nacional não cita a posição de Bolsonaro sobre o tema.

Desafio pós-crise: criar emprego – Na avaliação de economistas ouvidos pelo ‘Estadão’, os impactos da pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho devem marcar uma geração de brasileiros que já sofria com a recuperação acanhada dos empregos após a recessão de 2015 e 2016. Em abril, a taxa de desocupação era de 12,6%, de acordo com dados da Pnad Contínua, do IBGE, mas as projeções são de que deve chegar a 17% ou 18% até o fim do ano. Quando a crise passar, o desafio será impulsionar setores que geram mais emprego, como o de infraestrutura, em uma realidade de consumo das famílias ainda reprimido e endividamento público elevado. Para Hélio Zylberstajn, professor sênior da Universidade de São Paulo (USP), o governo precisa ser estratégico e aproveitar as carências do País para promover setores geradores de emprego. Ele lembra que, na quarta-feira, o Senado deve votar o novo marco regulatório do saneamento básico, que pode destravar investimentos. “Uma das grandes vantagens de ser um País com tanta coisa a ser feita é poder vislumbrar saídas para o ano que vem, quando se espera que a economia poderá começar a ser recuperada. O Brasil, se tiver dirigentes com a cabeça no lugar, tem tudo para voltar a crescer. Mas é preciso bom senso e confiança”, diz Zylberstajn.

STF e Forças abrem diálogo em busca de pacificação – Em meio às disputas entre o Poder Executivo e o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) e as Forças Armadas estabeleceram contatos direitos buscando evitar a escalada da crise. Se ao STF interessa mostrar que está apenas cumprindo seu papel em suas decisões, aos militares é importante demonstrar distância dos radicais – mesmo os fardados – que buscam pôr o País sob tensão a fim de obter uma ruptura institucional. Diante das movimentações, ontem foi a vez de o presidente Jair Bolsonaro dizer no Rio: “A nossa missão, a missão das Forças Armadas, é defender a pátria, é defender a democracia”. Na manhã de 10 de junho, o ministro Gilmar Mendes, do STF, encontrou-se com o general Edson Leal Pujol, comandante do Exército, no Setor Militar Urbano. Em plena crise entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, Gilmar pretendia medir a temperatura no Quartel General. A conversa evidenciou o afastamento do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, da interlocução entre os Poderes. Gilmar indicou que o Supremo não tem intenção de interromper o mandato de Bolsonaro. Observou que muitas avaliações sobre o comportamento dos magistrados não passam de “teorias conspiratórias”. Nas palavras do ministro, a preocupação na Corte é com o “telefone sem fio”, uma série de mensagens “dúbias” de Bolsonaro em relação à democracia, e, também com a insistência dele em sugerir que as Forças Armadas estariam com o governo numa possível ruptura institucional. Pelo Twitter, Gilmar afirmou que “Exército não é milícia”. Além disso, classificou a ideia de que os militares podem fechar o STF e o Congresso como “incompatível” com a Constituição de 1988.

Generais criticam presença de oficiais da ativa no governo – O discurso de distanciamento das Forças Armadas da política é prejudicado pela presença de militares da ativa na gestão Bolsonaro. Os ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e da Saúde, Eduardo Pazuello, por exemplo, são generais da ativa. O entendimento geral nas três forças é de que o escolhido, ao assumir o posto de natureza civil, deveria pedir transferência para a reserva. Ramos disse, recentemente, que pretende aposentar a farda para se dedicar à articulação política do governo. O Estadão revelou que 2,9 mil militares da ativa ocupam cargos no Executivo. São 1.595 integrantes do Exército, 680 da Marinha e 622 da Força Aérea. A reportagem levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a decidir contar quantos militares ocupam cargos na administração Bolsonaro, além de fazer uma tabela comparativa da atual gestão com as de Michel Temer e Dilma Rousseff. “Respeito a decisão da maioria do Tribunal. Mas também não seria importante saber quantos médicos e engenheiros tem no governo? Quantos homens e mulheres? Quantos indígenas, negros, pardos e brancos? Digo com propriedade que militares são cidadãos fardados que mesmo na reserva continuam servindo ao País. Diante disso questiono: há algum problema com os militares?”, perguntou Ramos, em postagem nas redes sociais, no último dia 18. De qualquer forma, há também incômodo, na Marinha e na Aeronáutica, com a nomeação do pessoal da ativa para trabalhar no Planalto e na Esplanada, e com a tentativa de Bolsonaro de colar sua imagem à das Forças Armadas. Em fevereiro, o presidente convocou o almirante Flávio Rocha para assumir uma assessoria especial no seu gabinete. Atualmente, o oficial executa várias tarefas para ajudar Bolsonaro a solucionar problemas, principalmente os políticos.

Lista de comandantes inclui nomes distantes da política – Hoje, os militares mais conhecidos e barulhentos do País, que fazem postagens com ameaças veladas às instituições, estão na reserva ou não têm tropas. A lista dos oficiais da caserna com real poder de mando, por outro lado, inclui nomes desconhecidos, distanciados do debate político. São os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e os comandantes do Exército em oito regiões militares, todos eles generais de quatro estrelas – à exceção do chefe do Comando do Planalto, um general três estrelas. Esses sete oficiais integram o seleto grupo dos 16 que formam o Alto Comando do Exército, subordinados a Pujol. Na Aeronáutica e na Marinha, forças com outros modelos de divisão operacional, os comandantes de áreas também têm patentes de três estrelas.

Universidades perdem R$ 1,2 bi em São Paulo – Previsões do governo de São Paulo indicam que as três universidades públicas paulistas perderão pelo menos R$ 1,2 bilhão este ano por causa da pandemia de coronavírus, o que representa 11% a menos no orçamento. Já no mês passado, os recursos recebidos do Estado pelas Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) não foram suficientes nem sequer para pagar seus professores e funcionários. Elas passaram a usar seus parcos fundos de reserva. As instituições são financiadas por 9,57% do ICMS no Estado. Como as pessoas estão comprando pouco, a arrecadação diminuiu e as universidades temem entrar em mais uma grave crise financeira – justamente quando tinham acabado de equilibrar as contas. Os reitores de USP, Unesp e Unicamp pedem mais recursos ao governo de João Doria, mas o Estadão apurou que ainda não há previsão de qualquer ajuda às universidades. As três juntas têm 180 mil alunos e estão entre as mais importantes universidades do País. Durante a pandemia, conseguiram manter 90% das aulas teóricas online e deram incentivo aos pesquisadores para abrir seus laboratórios para trabalhos relacionados à covid-19. Foram cientistas da USP que sequenciaram o genoma dos dois primeiros casos de coronavírus no Brasil em tempo recorde, por exemplo.

Efeitos colaterais de Queiroz e Weintraub – A carteirada do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para entrar nos Estados Unidos e a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-SP), prometem esquentar a temperatura política em Brasília na semana que se inicia. A ideia do Palácio do Planalto é tentar manter uma agenda positiva, mas parlamentares admitem, em conversas reservadas, que legendas do Centrão devem aproveitar para cobrar uma presença maior em cargos na Esplanada, em troca de uma blindagem no Congresso para apagar qualquer incêndio que possa surgir contra o governo. Os desdobramentos da investigação que levou à prisão de Queiroz preocupam o Planalto em vários níveis. Não só pelas evidências de que o filho mais velho seria o líder de uma organização criminosa, mas pela teia que liga a família a Queiroz — que, pelo que o Ministério Público do Rio de Janeiro tem apurado, vai além da rachadinha dos salários de servidores na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Busca e apreensão – Ontem, a Polícia Civil do DF cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma chácara usada como ponto de apoio do grupo bolsonarista “300 do Brasil”. A ação é parte de investigação sobre a prática de supostos crimes de milícia privada, ameaças e porte ilegal de armas, segundo informou a assessoria de imprensa da polícia. A operação foi feita pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado do órgão no início da manhã e contou com a participação de 30 policiais. Na casa, na região de Arniqueiras, foram apreendidos fogos de artifício, telefones celulares, um facão, cartazes, discursos, um cofre e outros materiais usados em manifestações. Ninguém foi preso. O “300 do Brasil” também é investigado pela Polícia Federal. O grupo defende o governo Bolsonaro e prega intervenção militar contra o Supremo e o Congresso. Eles acampavam na Esplanada dos Ministérios, mas foram retirados pelo governo do DF.

Fazendeiro dava apoio a grupos radicais – A Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou mais um acampamento de grupos extremistas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Os grupos 300 do Brasil, Patriotas e QG Rural estavam alojados em uma chácara de Arniqueiras. De acordo com a corporação, segundo o programa Fantástico, o endereço pertence ao fazendeiro André Luiz Bastos Paula Costa, que já era investigado pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos por ter feito ameaças ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). No último dia 13, quando o governador ordenou que a Polícia Militar do DF retirasse da Esplanada dos Ministérios um acampamento formado por simpatizantes do presidente, André Luiz gravou um vídeo para ameaçar Ibaneis. A filmagem, divulgada em primeira mão pelo blog CB.Poder, mostra o fazendeiro enfurecido. “Pois é, governador, o senhor derrubou o acampamento de todos os produtores rurais do Brasil. Somos nós que estamos mantendo esse país e nós não vamos a aceitar a truculência, a forma como o senhor agiu, senhor Ibaneis. Nós vamos mostrar pro senhor com quem que o senhor mexeu”, disse ele. Com dedo em riste, André Luiz reforça as ofensas a Ibaneis. “Nós sabemos seus podres, sabemos que você foi o líder dos 20 governadores em Brasília que tentaram derrubar o presidente. E nós estamos aqui pra defender o presidente e vamos defendê-lo. O recado está dado”, esbravejou.

Oposição a grupos de extrema direita melhora imagem do STF no Congresso – Os atritos com Jair Bolsonaro e especialmente com seus apoiadores de extrema direita têm funcionado como banho de loja para o STF na relação com o Congresso, onde os parlamentares também têm sofrido com ataques agressivos. Se em 2019 os ministros da corte foram alvos dos congressistas, que articularam três pedidos de CPI da Lava Toga, agora eles são vistos como último recurso na briga com grupos antidemocráticos. Senadores dizem que hoje não assinariam pedido de CPI.

Pandemia emperra nomeações – A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina do Senado, que desde o fim de março tem se dedicado quase que de maneira exclusiva à análise de projetos de enfrentamento à crise sanitária. Como consequência da situação excepcional para os parlamentares, o trabalho das comissões permanentes da Casa teve de ser interrompido por tempo indeterminado. Isso impactou em cheio a política internacional do governo federal, que vê uma série de indicações para novos embaixadores travadas na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).
Por enquanto, ao menos 11 pessoas que já tiveram o aval do presidente Jair Bolsonaro para representar a diplomacia brasileira mundo afora não foram efetivadas. O principal caso envolve Nestor José Forster Junior, escolhido por Bolsonaro em novembro de 2019 para ser o embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ele foi sabatinado na CRE no início de fevereiro deste ano, quando foi aprovado por unanimidade pelos senadores que integram a comissão; o colegiado chegou a pedir urgência para a votação no plenário. Contudo, o tema não foi pautado antes do carnaval e acabou por sair do foco depois do feriado, visto, que àquela altura, o país começava a registrar os primeiros casos de covid-19 e a doença passou a ser prioridade no Senado.

Centrão tenta mudar critérios técnicos – Ofensiva do centrão travou acordo feito entre Eduardo Pazuello (Saúde) com municípios e estados sobre a distribuição dos R$ 10 bilhões da MP 969, destinados ao combate do coronavírus. O acerto de ministro e secretários havia definido critérios técnicos, como população e capacidade assistencial instalada. O centrão quer distribuição política. O tema foi tirado da pauta da Comissão Tripartite, na qual estão Pazuello e secretários, pouco antes de reunião na quinta (18).

Compra viola a Constituição, diz Mattar – O secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, usou o Twitter para dizer que um projeto do deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) que autoriza o Poder Executivo Federal a adquirir o controle da Embraer “viola o artigo 173 da Constituição e tenta aumentar ainda mais o tamanho do Estado”. O artigo citado por Mattar diz que “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.” “A Embraer, antes da privatização, tinha 9 mil funcionários. Atualmente, conta com mais de 28 mil entre empregados próprios e terceirizados. Dados como esse demonstram como as privatizações ajudam a ampliar o número de empregos”, escreveu o secretário no Twitter. “Propostas como essas trazem insegurança jurídica e podem afastar investimentos privados”, concluiu.

As críticas da filha de Queiroz – Apesar de não ter sido alvo da operação que prendeu Fabrício Queiroz, a filha mais velha do ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Nathália Melo de Queiroz, criticou o que considera erros do pai. Em conversa com a mulher do pai em outubro do ano passado, a personal trainer, também investigada pelo Ministério Público do Rio, chamou Queiroz de “burro”. Também reclamou da insistência dele em se envolver com política, mesmo sendo o principal alvo – e símbolo – da investigação contra o ex-chefe na Assembleia Legislativa do Rio. As mensagens, via aplicativo de celular, foram descobertas pelo MP em quebras de sigilo e são parte da apuração. A indignação expressa nas mensagens indica que Nathália, apesar dos indícios de que transferiu para o pai até 81% do que recebeu como assessora parlamentar, leva uma vida diferente da de seus pares. Personal trainer com mais de 11,6 mil seguidores no Instagram – a conta passou a ser fechada após as investigações –, Nathália posta imagens de natureza, selfies e fotos doando sangue que, volta e meia, recebem comentários de celebridades. Recentemente, figuras como Dany Bananinha e o ator Thiago Gagliasso passaram por lá.

Contato na caderneta de Queiroz é de agente da PF – Em caderneta de Fabrício Queiroz, encontrada em dezembro de 2019, investigadores acharam papel que dizia “Aroldinho federal” e “Aroldinho pode chegar até o Queiroz caso seja preço (sic)”. Eles acreditam ser Aroldo Mendonça, agente da PF aposentado que é conhecido dos Bolsonaros. Nas redes sociais, Aroldo se descreve da seguinte forma: filho, pai, trabalhou com o pai, entrou na PF e hoje está com Bolsonaro. Assim como o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), é dono de franquia da loja de chocolates Kopenhagen. Aroldo afirma que não é amigo de Flávio, mas que fez campanha para ele e esteve com ele só em eventos políticos, em 2018, pois seria candidato a deputado pelo PSL –a exceção foi uma vez em que jogaram bola, diz. Ele acabou desistindo da candidatura. O diretório do PSL definiu o nome de Aroldo como candidato à prefeitura de Duque de Caxias em 2020, mas ele diz que não concorrerá. O agente diz ter estado pessoalmente com Queiroz só três vezes, na mesma época, quando trocaram números de telefone. As únicas mensagens que mandaram um ao outro, diz, foram sobre eventos de campanha, para saber onde estava Flávio e coisas do tipo. Afirma que votou em Flávio e em Jair Bolsonaro, mas que, caso tenham cometido irregularidades, que paguem, como qualquer um. “Se não nem tive contato com o tal Queiroz solto, imagine preso”, argumenta. Sobre a loja de chocolates, diz ser “pura coincidência”. “Mas, diante da citação, sugiro que seja apurado se há algum vínculo entre as franquias. Não quero que paire dúvidas sobre a minha vida ou de meus familiares”, completa. Ele diz que nesta segunda (22), com seu advogado, vai se colocar à disposição da Justiça para fornecer qualquer informação que possa interessar à investigação: dados telefônicos, bancários etc… Anotações como a que se refere a “Aroldinho da PF” e outras similares levantaram a suspeita nos investigadores de que Queiroz poderia continuar a cometer delitos caso fosse custodiado no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio. Por isso, a Promotoria solicitou que fosse mandado para Bangu.

Flávio Bolsonaro contrata ex-advogado de Cabral – O senador Flávio Bolsonaro contratou, na noite deste domingo (21), o advogado Rodrigo Roca em substituição ao criminalista Frederick Wassef. Amigo do presidente Jair Bolsonaro, Wassef é dono do escritório onde Fabrício Queiroz foi preso na manhã da quinta-feira (18) na cidade de Atibaia (SP). Segundo a Polícia, Queiroz era hospedado por Wassef há mais de um ano. O criminalista nega que tenha abrigado Queiroz, negando até qualquer contato com ele, mas não explica como o ex-assessor de Flávio chegou até o imóvel. Roca foi, por sua vez, advogado de Sérgio Cabral Filho até 2018, quando o ex-governador decidiu fazer delação, contrariando sua estratégia de defesa. Apesar dos rumores de que deixou a defesa de Flávio por decisão do presidente Jair Bolsonaro, tanto advogado como cliente sustentam publicamente a versão de que essa foi uma decisão de Wassef. “Não posso permitir que me usem para prejudicar o presidente. Deixo a defesa para proteger os interesses de Flávio”, disse Wassef. Disposto a evitar qualquer mal-estar com seu antigo advogado, o senador lamentou a saída de Wassef nas redes sociais, chegando a afirmar que defendia sua manutenção no caso. Na publicação, Flávio diz que a lealdade e competência de Wassef são insubstituíveis, mas que, contra sua vontade, o advogado deixou a causa. O gesto do senador é uma tentativa de evitar mal-estar com Wassef, especialmente depois que a advogada Karina Kufa divulgou uma nota afirmando ser a legítima representante legal do presidente.

YouTube bolsonarista alcança 5 milhões de inscritos – Em evidência depois de duas operações policiais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que tiveram, entre os alvos, influenciadores digitais bolsonaristas, canais de YouTube que apoiam o presidente Jair Bolsonaro somam mais de 5 milhões de inscritos. Entre vídeos que defendem o mandatário, atacam seus adversários políticos e prometem “fatos que a imprensa tradicional não mostra”, eles somam mais de 640 milhões de visualizações. Os números podem não ser grandes o suficiente para alcançar a lista de 10 canais mais acessados da plataforma, formada por músicos, comediantes e programas infantis – o décimo colocado no ranking tem 19,3 milhões de inscritos. Mas perfis que falam de notícias e política costumam ter menos seguidores. Os canais dos três maiores jornais do País, por exemplo, têm, juntos, 1,4 milhão de inscritos. Procurado na semana passada, o YouTube não respondeu à reportagem. O levantamento de audiência dos bolsonaristas foi feito pelo Estadão levando em conta os dez maiores canais entre os youtubers que foram alvo de mandado de busca e apreensão nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, ou que foram recebidos por Bolsonaro no Palácio da Alvorada em 23 de maio.

Sucessão no comando do Congresso preocupa o Supremo – Quem conhece bem as relações entre Supremo e Congresso diz que, neste momento, a maioria da Corte sonha em ter Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre no comando da Câmara e do Senado, respectivamente, também a partir de fevereiro de 2021. Por quê? Por entender que ambos têm conduzido as Casas com a moderação, a responsabilidade e a autoridade exigidas pelos tempos atuais. Há também um fator preocupante: ainda não surgiram alternativas “confiáveis” de sucessão à dupla do DEM, principalmente na Câmara, onde o Centrão impera. É consenso no meio político que o futuro do mandato de Jair Bolsonaro deverá passar pelos presidentes da Câmara e do Senado a partir de 2021. Seja porque Rodrigo Maia tem dito que não pretende aceitar os pedidos de impeachment contra o presidente, seja porque, mesmo se ele mudar de ideia, é pouco provável que um eventual processo termine ainda este ano. Uma vez mantido no comando da Câmara em 2021, porém, Maia poderia se sentir mais à vontade, digamos, para conduzir do começo ao fim o impeachment de Bolsonaro, avalia quem conhece bem o atual presidente da Casa. Rodrigo Maia rechaça a possibilidade de permanecer no cargo. Dos nomes hoje cotados (e com alguma chance vitória) para ocupar a presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) é visto como o mais arredio à ideia de passar pano para o presidente caso Bolsonaro continue vivendo perigosamente em sua conturbada relação com a Carta.

OS que administra Cinemateca pediu ajuda a Pelé – A Roquette Pinto, organização social que administra a Cinemateca Brasileira, recorreu a Pelé para tentar jogar holofotes sobre a crise da instituição, que abriga raridades relacionadas à carreira do ex-jogador. Pediram a ele que escrevesse para o ministro André Mendonça (Justiça), que é santista, mas Pelé não quis se envolver. Para membros da OS, o destino do local será definido na terça (23), quando Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) viajará para São Paulo para participar de reunião presencial sobre o tema. Para eles, ele não cancelaria um encontro virtual que estava marcado para sexta (19) e não enfrentaria os protestos com os quais deverá ser recebido na Cinemateca na terça caso não tivesse uma solução para o imbróglio. O governo federal deve R$ 13 milhões para a Roquette Pinto. “É a data definitiva para salvar a memória do cinema brasileiro”, diz o vereador Gilberto Natalini (PV), que tem acompanhado as negociações.

Esplanada dividida – Manifestantes contrários e pró-governo Jair Bolsonaro participaram neste domingo (21) de protestos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A concentração dos atos começou às 9h. Ambos os grupos saíram em passeata pela Esplanada em direção ao Congresso Nacional. Os manifestantes, separados pela Polícia Militar do Distrito Federal, ocuparam as duas pistas do Eixo Monumental. Os agentes de segurança fizeram um cordão de isolamento no canteiro central da via. No sábado (20), o governador Ibaneis Rocha (MDB) cogitou determinar o fechamento da Esplanada. A área, na região central de Brasília, no entanto, foi aberta para pedestres neste domingo, com restrição apenas para carros. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), houve restrição a eventos passados, mas os atos neste domingo foram liberados. O acesso à Praça dos Três Poderes, onde fica o Palácio do Planalto, permaneceu totalmente fechado. Houve princípio de confusão quando um grupo de bolsonaristas forçou as grades para que o caminho fosse aberto.

Bolsonaro não foi – Neste domingo, Bolsonaro viajou pela manhã para o Rio de Janeiro. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto afirmou que ele tinha agenda na Brigada de Infantaria Paraquedista. Bolsonaro participou pela manhã da cerimônia fúnebre o soldado Pedro Lucas Ferreira Chaves, de 19 anos, que morreu em um acidente durante treinamento. “A nossa missão, a missão das Forças Armadas, é defender a pátria, é defender a democracia. E como dizia [aquele] que se tornou um grande amigo, o ex-ministro Leônidas Pires Gonçalves [ministro do Exército no governo de José Sarney, morto em 2015], nós estamos a serviço da vontade da população brasileira”, discursou. Ele desembarcou no Rio pela manhã e participou de toda a cerimônia em homenagem ao militar, realizada no ginásio da 26ª Brigada de Infantaria Paraquedista, na zona oeste carioca. Por volta das 11h30, quando o caixão deixou o local, voltou diretamente para Brasília, sem falar com a imprensa.

Sinal de trégua de Bolsonaro recebido com frieza – A tentativa de trégua ofertada pelo governo Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) foi recebida com frieza e ceticismo pela corte. Na sexta-feira (19), três ministros da área jurídica foram ao encontro de Alexandre de Moraes, relator de dois inquéritos que tiram o sono do Planalto e alvo constante da militância radical bolsonarista. Um deles é o das fake news, que alimenta apuração sobre o mesmo tema que poderá resultar no julgamento de cassação da chapa presidencial. Outro, o dos atos antidemocráticos que apoiam o presidente. Houve dois erros por parte da comitiva enviada a São Paulo, formada pelos ministros André Mendonça (Justiça), Jorge de Oliveira (Secretaria-Geral) e José Levi do Amaral (Advocacia-Geral da União). Primeiro, na avaliação de ministros da corte, eles deveriam ter procurado o presidente do Supremo, Dias Toffoli, se a intenção era a de uma trégua institucional. Ao falar com Moraes, eles se comportaram como advogados de defesa do presidente, o que causou contrariedade no presidente do Supremo. O segundo equívoco era de origem: a troika não tinha como garantir que os ataques por parte do presidente e, principalmente, por seus aliados, teria como de fato acabar. Com tudo isso, o encontro seguiu com cordialidade e promessas de tentativa de tranquilização de ânimos, sempre em termos genéricos, mas só.

Fux será relator – O ministro Luiz Fux foi escolhido relator no STF (Supremo Tribunal Federal) do processo que discute se a Polícia Federal pode periciar o celular do advogado de Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou o então candidato a presidente Jair Bolsonaro em 2018. O mandado de segurança deu entrada na corte na semana passada. Na sexta-feira (19), Fux foi sorteado para assumir a relatoria. O magistrado ainda não emitiu nenhum despacho, mas caberá a ele iniciar a tramitação do caso no tribunal. Como publicou a Folha, Bolsonaro iniciou um movimento para construir diálogo com Fux, que tomará posse em setembro na presidência do STF, no lugar de Dias Toffoli. Alas do governo tentam pacificar uma relação que está desgastada por causa de ataques de bolsonaristas ao Judiciário. Uma eventual autorização para a PF analisar o aparelho e outros materiais apreendidos no escritório do advogado Zanone Manuel de Oliveira pode levar à reabertura das investigações sobre a tentativa de assassinato do hoje presidente.

Em 1 mês, Pazuello melhora relação com estados – Há um mês como interino no comando do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello já deixou sinais duplos em sua gestão: se por um lado ganhou a simpatia de secretários estaduais para seguir na pasta, por outro contribuiu para uma crise sem precedentes de confiabilidade para o governo brasileiro na gestão da pandemia do novo coronavírus. O apagão de dados oficiais de sites do ministério gerou forte repercussão em território nacional e no exterior e fez o Brasil sumir temporariamente do ranking elaborado por universidades respeitadas como a Johns Hopkins. Em meio a isso, militares se preocupam com arranhões gerados à imagem que tentavam construir desde o início do governo de Jair Bolsonaro, de que eles compõem a ala moderada do governo. A entrega da Saúde ao general, depois de dois ministros terem deixado o comando da pasta em meio ao agravamento da crise, colocou isso por terra. Pazuello assumiu no dia 15 de maio, logo após o pedido de demissão de Nelson Teich, que não ficou um mês no cargo. Teich substituiu Luiz Henrique Mandetta. Assim que assumiu o cargo, Pazuello passou a atender demandas do presidente na contramão de recomendações da ciência —e que, não à toa, seus antecessores se recusavam a cumprir.

error: