Resumo dos jornais de segunda (19/10/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda (19/10/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Para Huawei, banimento fará brasileiro pagar caro por 5G

CORREIO BRAZILIENSE: Mais 12 mil estudantes voltam às aulas no DF

O ESTADO DE S.PAULO: Digitalização durante a pandemia aumenta a pressão por cortes

O GLOBO: Mortes violentas voltam a crescer mesmo com quarentena

Valor Econômico: Socorro do BNDES às aéreas continua travado

Destaques de hoje

Efeito alinhamento com EUA – Alvo de uma disputa global entre EUA e China, a Huawei corre o risco de ser banida do fornecimento de equipamentos para as redes de 5G no Brasil devido a um alinhamento estratégico entre Jair Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump. Se isso ocorrer, a evolução da tecnologia de quinta geração demoraria até quatro anos para ser iniciada porque as teles teriam de trocar todos os equipamentos, afirma, em entrevista à Folha, Sun Boacheng, presidente da empresa chinesa no país. Para ele, a transformação digital local estaria comprometida. “Vai aumentar os custos dos operadores e os custos dos operadores vão ser transferidos para os consumidores. Os brasileiros vão pagar um preço mais alto pelos serviços [de 5G]”. O executivo estima que a Huawei tenha de 40% e 50% da área de telecomunicações, da qual participa desde a privatização, em 1998. Questionado sobre uma eventual retaliação chinesa, Boacheng diz que escolha do Brasil não deveria ser entre EUA e China. “Mercado livre não é só importante para a Huawei, mas também para outras empresas estrangeiras”.

Volta às aulas – Em nova etapa da retomada no setor de educação no Distrito Federal, quem retorna às escolas hoje são alunos do 6º ao 9º ano da rede particular. No total, há 43.228 matriculados nessa faixa, mas a estimativa é de que somente 12 mil voltarão às atividades presenciais. Para recebê-los, os estabelecimentos de ensino tiveram de cumprir protocolos sanitários para evitar infecções pelo coronavírus. Apesar do aumento de veículos nas ruas, o Detran não preparou esquema especial para o trânsito. Vai apenas monitorar o tráfego e fazer intervenções pontuais caso necessário. No DF, ontem, foram registrados 653 novos casos de covid-19 e seis mortes. Diagnosticado com o vírus, na última quarta-feira, o secretário de Educação, Leandro Cruz, internou-se em UTI, no domingo, para tratamento da doença.

Digitalização acelera cortes – Com a pandemia, a aceleração da transformação digital nas empresas e a necessidade de reduzir custos, softwares passaram a fazer o trabalho de profissionais, levando à redução de equipes. Alguns setores, como o bancário, já tinham começado a viver essa realidade antes do surgimento do novo coronavírus. Segundo estudo da consultoria Mckinsey, a previsão era de que, até 2030, cerca de 14% dos trabalhadores globais teriam de trocar de ocupação por causa da automação. Isso significa cerca de 16 milhões de postos de trabalho no Brasil. Mas, com o alastramento da covid-19 e o avanço da digitalização, esse prazo deve ser encurtado. Funções como operador de telemarketing, caixas, recepcionistas, balconistas, analistas de crédito e atividades rotineiras de escritórios estão na berlinda. Quanto mais baixa a qualificação, maior a possibilidade de mecanização e digitalização. “O espaço para essas áreas será cada vez menos valorizado no mercado”, diz Lucas Nogueira, diretor da Robert Half.

Mortes violentas crescem 7% no primeiro semestre – A 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta um crescimento de 7,1% das mortes violentas intencionais em 2020 no Brasil. O aumento foi registrado mesmo num período em que todo o país reduziu a circulação de pessoas nas ruas e seguiu regras de quarentena em função da pandemia de coronavírus. Dados que serão divulgados nesta segunda mostram que houve 25.712 mortes no primeiro semestre de 2020 contra 24.012 no mesmo período de 2019. Estão incluídos na categoria de mortes violentas intencionais os crimes de homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e mortes decorrentes de intervenção policial (auto de resistência). Para especialista, os números frustram as expectativas não apenas por conta de haver menos gente circulando as ruas, mas porque o índice vinha baixando nos últimos anos: em 2019, as mortes violentas intencionais tiveram uma redução de 17,7% em relação a 2018: caindo de 57.574 casos para 47.773. — Esse aumento é a maior tradução de que o Brasil perdeu uma enorme oportunidade de continuar com o movimento de queda nos homicídios. Não fizemos a lição de casa, de estudar o que teria motivado a queda e colocar ações em prática — avalia Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Socorro travado – Mais de seis meses se passaram e o BNDES ainda não liberou um centavo do pacote de R$ 6 bilhões prometido às companhias aéreas. A oferta de crédito, anunciada no fim de março, no início da pandemia no Brasil, é considerada cara e de uso restrito. Os recursos não podem ser usados, por exemplo, para pagar dívidas ou comprar aviões, exigências que, para as aéreas, não fazem sentido. Enquanto as negociações se arrastavam, Gol e Azul ajustaram despesas e formaram caixa suficiente para lidar com a crise. A Latam também ganhou fôlego importante com a recuperação judicial pedida nos EUA. Dezembro é o prazo para as empresas decidirem se tomarão os recursos. O empréstimo previsto é de R$ 2 bilhões para cada uma das três grandes empresas – Gol, Azul e Latam. O modelo desenhado prevê que o BNDES entre com até 60% dos recursos e os bancos comerciais, com 10%. O restante viria de investidores por meio da compra de debêntures e bônus de subscrição.

Kassio já soma os votos necessários – O desembargador Kassio Nunes tem hoje os votos de que precisa no Senado para se tornar ministro do STF. Levantamento feito pelo Painel com os 81 senadores mostrou que ao menos 44 dizem pretender votar a favor do indicado de Jair Bolsonaro —ele necessita de 41. Oito senadores disseram que votarão contra Nunes, e os demais preferiram não comentar ou afirmaram que vão esperar a sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para quarta-feira (21). Antes da votação em plenário, com todos os senadores, ele precisará de 14 votos dentre os 27 membros da CCJ após a sabatina. Dezessete deles disseram ao Painel que pretendem aprová-lo. Os votos são secretos. No PT, Nunes é praticamente unanimidade: dos seis senadores, cinco disseram-se favoráveis. “É equilibrado, não é do time do ódio. Para a harmonia dos poderes, não terá dificuldades”, disse Paulo Paim (PT-RS). A mulher de Nunes, Maria do Socorro, foi por oito anos funcionária comissionada de senadores do PT (nenhum dos atuais).

Senadores dizem não ver ataque à Lava Jato ou retrocesso nas ações anticorrupção – Levantamento feito pelo Painel sobre a indicação de Kassio Nunes ao Supremo Tribunal Federal perguntou aos 81senadores se eles veem movimento em curso contra a Lava Jato ou contra investigações de corrupção no governo Jair Bolsonaro (sem partido). Dos 58 que responderam, 32 disseram que não e 15, que sim. Os demais afirmaram não saber ou não comentaram. “Isso não existe. Não tem como retroceder. O Ministério Público e a Polícia Federal vão sempre tomar as providências cabíveis. A operação Lava Jato é concreta, ninguém vai mudar sua história”, disse Omar Aziz (PSD-AM). “Não vejo. O que estou vendo é que a gente não teve mais Banco do Brasil, Petrobras, empreiteira, nada disso. Não está havendo porque o governo bolsonaro não tem isso. Se tivesse, vocês estariam noticiando. Se não está havendo é porque não houve margem. Não vou dizer que a corrupção acabou, mas não é como antes”, diz Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Styvenson Valentim (Podemos-RN) diverge: “O desmantelamento do combate à corrupção não é nada velado até aqui. Mudança no Coaf, aprovação de PL que desfigurou o pacote anticrime, e morosidade do parlamento sobre a prisão em segunda instância. Estamos na mão errada da intenção para qual muitos novos parlamentares foram eleitos”. “Ainda mais agora, com essa tirada absurda do Bolsonaro de que acabou a Lava Jato porque acabou a corrupção. Ela continua, tem no mundo inteiro. Ainda bem que o Luis Fux prestigia a Lava Jato, não vai ser o Executivo que vai determinar a atribuição”, completa Lasier Martins (Podemos-RS).

Bolsonaro planeja disputa de 2022 com outro vice – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pretende disputar a reeleição em 2022 com o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) como candidato a vice-presidente. A intenção foi verbalizada pelo presidente a três aliados, que relataram o conteúdo das conversas reservadas com Bolsonaro à Folha. Segundo eles, o presidente disse que quer escolher outro nome para a sua chapa eleitoral e ressaltou que não conseguiu estabelecer uma relação de completa confiança com o militar. Nas palavras de um dos aliados, Bolsonaro afirmou que é preciso encontrar uma solução para o posto de vice-presidente e acrescentou que Mourão de novo “não dá”, segundo os relatos. Nas três conversas, Bolsonaro lembrou que o general da reserva foi escolhido em 2018 devido a uma dificuldade, na época, em encontrar um nome para sua chapa eleitoral. A intenção do presidente de escolher outro nome para a chapa eleitoral já foi informada a integrantes das Forças Armadas, que passaram a avaliar uma espécie de saída honrosa para o general. Eles defendem que o militar, que acumulou capital político no cargo, siga na vida pública e dispute, em 2022, um mandato de senador ou de governador no Rio Grande do Sul, onde o general chefiou o Comando Militar do Sul.

Nas redes, Michelle e filhos de Bolsonaro fazem campanha – Não é só o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que deixou para trás a própria ordem de não se envolver nas eleições municipais de 2020. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e filhos do mandatário também entraram na campanha fazendo propaganda para candidatos em suas redes sociais. Em sua conta verificada no Instagram, Michelle apresenta três candidatos a vereador: Diego Hipolyto (PSB), em São Paulo, Patrick Dorneles (PSD), em Campina Grande (PB), e Anderson Bourner (Republicanos), no Rio de Janeiro, onde o enteado Carlos Bolsonaro (Republicanos) disputa uma cadeira de reeleição na Câmara Municipal.

Sob Bolsonaro, Petrobras acelera venda de ativos – Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, a Petrobras abriu 48 processos de vendas de ativos, uma média de 2,5 por mês. O número é bem maior do que os 1,4 por mês abertos durante o governo Michel Temer e oito vezes os 0,4 por mês verificados na segunda gestão Dilma Rousseff. A estatística, elaborada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) retrata a principal mudança estratégica na companhia sob o comando do economista Roberto Castello Branco, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir a estatal. Elogiada pelo mercado e criticada por sindicatos e pela oposição, a gestão Castello Branco acelerou um processo de reposicionamento da empresa, que abandona negócios considerados não prioritários, incluindo energias renováveis, e foca cada vez mais no pré-sal.

Megaoperação da PF contra garimpo mira empresário da aviação no PA – De origem pobre, o empresário Armando Amâncio da Silva criou um império de aviação enquanto extraía ouro ilegalmente em um garimpo dentro da Reserva Biológica (Rebio) Maicuru, no norte do Pará. Na semana passada, as suas movimentações foram alvo de uma megaoperação coordenada pela Polícia Federal, encerrando cerca de quatro décadas de impunidade. Na segunda-feira (12), policiais federais, fiscais do Ibama e militares da Marinha e do Exército fecharam o garimpo Limão, localizado dentro da Rebio, uma área remota perto da divisa com o Amapá. Na ação, houve destruição de equipamentos e a explosão da pista de pouso clandestina. A extração ali é feita por meio de grandes túneis que avançam dezenas de metros sob a superfície. A PF encontrou 28 pessoas, incluindo indígenas da região, além de uma “substância apresentada como se fosse ouro” que ainda passará por perícia. Dias antes, na sexta-feira (9), a PF havia apreendido 44 kg de ouro encontrados em um cofre na casa de Amâncio da Silva, em Santarém (PA). As barras, avaliadas em R$ 14,8 milhões, têm como possível origem o garimpo Limão, de acordo com a PF. Nesse dia, também foram apreendidas quatro aeronaves em Santarém. A PF não confirmou se elas pertencem ao empresário.

Ministro do STJ é barrado ao propor cumprimento a Bolsonaro e Kassio Nunes – O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Napoleão Nunes Maia Filho apresentou, em audiência da Primeira Turma da corte, uma proposição de cumprimentos ao presidente Jair Bolsonaro e ao desembargador Kassio Nunes Marques por sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) —mas o pedido foi barrado pelo colegiado. O episódio ocorreu no dia 6 de outubro. “Nós temos a legítima esperança de que sua excelência, por ser um homem destemido, corajoso, íntegro, honrado e garantista, fará uma atuação extremamente proveitosa, extremamente benfazeja na Suprema Corte”, afirmou Napoleão, em referência a Kassio Marques. A proposta foi retirada de pauta após intervenção do ministro Sérgio Kukina, que defendeu proferir “votos de pleno êxito ao indicado” após sabatina no Senado. “Não tem sido a tradição do STJ antecipar esse tipo de manifestação”, disse Kukina.

Porteira aberta à polêmica no MMA – Os recordes nos focos de incêndios em todos os biomas brasileiros fazem uma extensa área do Brasil arder em chamas há meses. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), este ano, as florestas do país sofreram 18 mil queimadas a mais na comparação com as ocorrências nos demais países da América do Sul. Enquanto o fogo rompe fronteiras, as ações do governo federal são alvo de críticas. Cinco meses após declarar que deveria aproveitar a pandemia da covid-19 para “ir passando a boiada” e aprovar reformas infralegais, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, faz valer a própria declaração. Desde o começo da pandemia, Salles já dava indícios do caminho que seguiria em 2020. As condutas mais recentes do chefe do Ministério do Meio Ambiente (MMA) resultaram na revogação de resoluções que protegiam manguezais e restingas e na criação de um grupo de trabalho para avaliar a fusão de dois órgãos ambientais. Mesmo com a chegada das chuvas, Salles optou pelo uso de retardantes químicos danosos à saúde. Na primeira quinzena de outubro, foram contabilizados 29.772 mil focos acumulados por todo o país, número 2,5 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Inpe, o país tem mais de 190 mil focos de incêndio, concentrando quase metade das ocorrências da América do Sul (47,8%). No Brasil, a Amazônia concentra a maior quantidade de focos de incêndio em 2020, com 87.142. Em seguida, aparecem Cerrado (57.118), Pantanal (20.830), Mata Atlântica (16.149) e Caatinga (8.063). Pampa é o que possui menos registros, 1.575. No entanto, é no Pantanal que as queimadas estão acima da média histórica. Em setembro, houve um aumento de 180% dos incêndios em relação ao mesmo período do ano passado. Com 8.106 focos de calor, o mês passado bateu recorde histórico, desde 1998, quando iniciou o monitoramento do Inpe.

Lava-Jato repatria quase R$ 1 bilhão – De forma silenciosa, entre 2004 e 2014, o gigantesco esquema de corrupção que se formou em torno da Petrobras cresceu de maneira impressionante até que se estruturou em uma megaorganização. Divididos em núcleos dedicados às áreas de finanças, pagamento de propina e de cooptação do setor político, a quadrilha propiciou o desvio de tanto dinheiro que ficou difícil esconder das autoridades brasileiras o que estava acontecendo. Além de garantir o prosseguimento das ilegalidades, os criminosos tinham como desafio ocultar os recursos. Foi aí que surgiu o braço internacional do esquema. Por meio de uma rede profissional de lavagem de dinheiro e ocultação de divisas, os envolvidos enviaram quantias para mais de 60 países. Mas, com o sistema fraudulento desbaratado pela Operação Lava-Jato, as autoridades tiveram acesso aos montantes enviados para o exterior. Pela primeira vez na história, os valores repatriados em uma única operação aproximam-se de R$ 1 bilhão. Para chegar a esse resultado, integrantes do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário precisaram interrogar centenas de testemunhas e investigados, conduzir diligências em cinco unidades da Federação e desvendar o caminho percorrido pelo dinheiro até chegar a contas no exterior. De acordo com o Ministério Público Federal no Paraná, até o primeiro semestre deste ano, foram devolvidos ao território nacional R$ 846,2 milhões. No total, R$ 2,1 bilhões estão bloqueados em diversos países, de acordo com dados da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), vinculada à Procuradoria-Geral da República (PGR). As investigações no âmbito internacional demandam ainda mais esforços, já que precisam contar com a cooperação de autoridades de outras nações.

Lei fortaleceu a operação – A lei das organizações criminosas, promulgada em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, em que gestores públicos, diretores de estatais e políticos da base do governo ficaram na mira das investigações, foi fundamental para que todo o trabalho da Operação Lava-Jato fosse realizado. A mudança na legislação permitiu uma punição maior e criou o instituto da delação premiada. O dispositivo encontra a oposição de muitos advogados. Eles alegam que seus clientes são obrigados a produzir provas contra si mesmos e que são pressionados a contar o que sabem às autoridades querem. No entanto, é o mesmo dispositivo que permite a redução de pena e até o perdão judicial para empresas e pessoas que aceitam colaborar e revelar o funcionamento dos esquemas ilegais. Ao convencer o réu a colaborar, as autoridades podem, ainda, negociar a devolução dos valores que foram desviados e, se necessário, com aplicação de multas, que, muitas vezes, chegam a cifras altas, como é o caso do empreiteiro Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora de mesmo nome, principal envolvida no sistema criminoso mantido ao longo dos anos. O executivo aceitou pagar indenização de R$ 73,3 milhões a título de danos morais e cumprir 10 anos de prisão.

Reforma administrativa só deve avançar em 2021 – A PEC da reforma administrativa enviada pelo governo ao Congresso, considerada branda demais, já conta com o aceno de deputados e senadores para ser mais rigorosa, com a inclusão dos atuais servidores (o Executivo previa mudanças apenas para os novos) e de membros de poderes, como magistrados, parlamentares, promotores, procuradores e militares. Presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa no Congresso, o deputado Tiago Mitraud (Novo/MG) já anunciou sugestões ao texto como acabar com a licença remunerada para disputa eleitoral e com as aposentadorias e pensões vitalícias; tornar opcional o pagamento de abono permanência; criar processo seletivo para a maior parte dos cargos de liderança e assessoria, entre outras. Todas as medidas talhadas para manter o foco perseguido pela equipe econômica de economizar R$ 30 bilhões em 10 anos e elevar o nível de investimentos. Defensor da reforma para os novos servidores, como propôs o governo, o economista Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, afirma que “é importante reestruturar carreiras e garantir que os próximos salários sejam menores, para tornar o Estado mais eficiente”.

Temos de congelar salários – A Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa, no Congresso, foi lançada em 8 de setembro, com apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Apesar disso, o presidente do colegiado, deputado Tiago Mitraud (Novo/MG), não poupa críticas ao Executivo. Para ele, o governo cometeu um grande erro estratégico ao não incluir no texto da reforma (PEC 32/2020) outros membros de poderes, como magistrados, procuradores, defensores, parlamentares e até os militares. Mitraud diz que “não está contra os servidores”, mas, afirma que o funcionalismo federal, com salários muito superiores aos da iniciativa privada, não deve receber reajuste anual até que seus ganhos mensais “se aproximem da realidade brasileira”.

PIB da China sobe 4,9%, apesar da pandemia – A Economia da China cresceu 4,9% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados na noite deste domingo (manhã de segunda-feira em Pequim) pelo Departamento Nacional de Estatísticas. Embora tivesse ficado abaixo dos 5,2% estimados por especialistas, o resultado superou a alta de 3,2% registrada no trimestre anterior, mostrando que é possível crescer, mesmo que num ritmo mais lento, enquanto o mundo ainda enfrenta a pandemia do coronavírus. Alguns números divulgados no domingo reforçam a ideia de recuperação. A produção industrial chinesa cresceu 6,9% em setembro, em relação ao mesmo mês de 2019, no sexto mês consecutivo de recuperação. Nesse caso, os analistas previam uma expansão menor, 5.8%. Da mesma forma, as vendas ao consumidor subiram 3,3%, quase o dobro do 1,8% previsto por analistas e mais de seis vezes o crescimento de 0,5% de agosto. Nos primeiros nove meses do ano, o PIB chinês cresceu 0,7% em relação a igual período de 2019. O governo chinês vem adotando uma série de medidas para reativar a economia atingida pela pandemia e manter os níveis de emprego. Entre elas estão mais gastos públicos, alívio tributário e regras mais brandas para a concessão de empréstimos pelos bancos.

Outdoors camuflam campanha antecipada – A campanha antecipada pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2022 saiu das redes sociais para as estradas e ruas do País. Num tom eleitoreiro, entidades ruralistas e empresariais instalaram outdoors com a foto do presidente e mensagens de incentivo nas margens das rodovias que interligam a Amazônia, o Centro-oeste e o Nordeste. Nas últimas semanas, o Estadão percorreu 2,4 mil quilômetros por rodovias federais e estaduais e identificou uma intensa campanha política de cunho personalista a favor do presidente, em pelo menos sete Estados (Bahia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás e Tocantins) e no Distrito Federal. A estratégia de recorrer a grandes painéis publicitários foi usada na campanha de Bolsonaro em 2018 por grupos de direita e clubes de tiro. A foto oficial com a faixa presidencial é uma das que mais se repetem nos painéis, em geral sobre fundo de tons em verde, amarelo e azul, com frases como: “Supremo é o povo”; “Por Deus, pela família, por quem produz”; “#fechadoscombolsonaro”; “Democracia começa respeitando o resultado das urnas”. Em Guaraí (TO), 30 fazendeiros decidiram contribuir, com R$ 1,1 mil cada, para espalhar outdoors pelas cidades de Pedro Afonso, Colméia e Colinas. Com comerciantes que vendem insumos agrícolas, conseguiram instalar dez painéis.

‘PEC da 2ª instância’ ainda deve descansar na gaveta – Apesar dos apelos pela retomada dos trabalhos da comissão da PEC da prisão após a condenação em segunda instância, a expectativa no Congresso (até entre defensores da proposta) é de que Rodrigo Maia (DEM-RJ) mantenha tudo parado até o fim das eleições municipais (29 de novembro). O tema voltou à agenda nacional após o habeas corpus concedido pelo STF ao traficante André do Rap, condenado em segunda instância. Só a boa vontade de Maia também não bastará depois das eleições: os líderes também precisam encampar a ideia. A justificativa de Maia é regimental, mas já está caindo de madura: resolução foi aprovada no início da pandemia suspendendo as comissões com o início do sistema remoto. Como pano de fundo, há impasse em torno do comando de comissões permanentes da Casa, em especial da CCJ. Até o momento, assinaram o requerimento de urgência para a retomada da comissão: Cidadania, Republicanos, PSDB, PV, Novo e Podemos, representando menos de cem deputados. São necessários 257.

Como é que é? – O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou requerimento de informação ao GSI. Quer saber o que os agentes da Abin foram fazer na 25ª Conferência do Clima (COP) da ONU, conforme mostrou o Estadão. “Essa não é a função da Abin. O órgão não pode servir de instrumento para a defesa dos interesses políticos específicos dos governantes de plantão”, diz o senador.

A inseparável máscara de Paulo Guedes – Paulo Guedes foi o único convidado que usou máscara no jantar organizado para reconciliar o ministro da Economia e presidente da Câmara, Rodrigo Maia (MDB-RJ), no início do mês. Segundo presentes, Guedes foi o único convidado que permaneceu com o item de proteção durante todo tempo, enquanto os demais tiraram a máscara ao entrarem no apartamento do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, anfitrião da noite. Após a agenda, ao menos três presentes testaram positivo para Covid-19: os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Fábio Faria (Comunicação) e o senador Eduardo Braga (MDB-AM). O resultado dos exames de Guedes também saiu semana passada e foram negativos para o coronavírus. Outros presentes no encontro, como Rodrigo Maia, já estavam imunizados. Maia tinha sido contaminado no mês anterior, após a posse de Luiz Fux como presidente do Supremo Tribunal Federal.

Brasil registra primeiro caso confirmado de gato com Covid-19 – O primeiro animal de estimação a testar positivo para o coronavírus Sars-CoV-2 do Brasil foi descoberto em Cuiabá, no Mato Grosso. É uma gatinha de poucos meses. Ela não tem sintomas da Covid-19 e contraiu a doença de seus tutores este mês. A possível infecção de outro gato e de um cachorro está em estudo. A gatinha foi testada positiva pelo exame molecular de PCR, padrão ouro para o coronavírus, pela pesquisadora Valéria Dutra, professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A cientista adverte que pessoas infectadas pelo coronavírus devem se manter isoladas de seus animais. A gata foi infectada pelo Sars-CoV-2 porque teve contato com os donos durante o período de isolamento deles. O caso acende o alerta para o risco de as pessoas transmitirem o coronavírus para os animais. Investiga-se a hipótese de estes poderem, então, contaminar gente e outros bichos. Isso não só aumentaria os meios de transmissão quanto os reservatórios do vírus, apesar de, por ora, sejam somente hipóteses, sem comprovação. Em laboratório, na China, mostrou-se ser possível que gatos transmitam a doença para outros felinos. Mas não se sabe se podem transmitir para seres humanos e sequer se o contágio entre felinos é fácil. A suposição é de que não seja.

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