Resumo dos jornais de quinta-feira (21/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quinta-feira (21/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Em posse, Biden exorta democracia e valor da ‘verdade sobre mentiras’

CORREIO BRAZILIENSE: Governadores clamam por diálogo com a China

O ESTADO DE S.PAULO: ‘A democracia prevaleceu’

O GLOBO: ‘A democracia prevaleceu’

Valor Econômico: Joe Biden prega união e reverte ações de Trump

Resumo de manchetes

Com exceção do Correio, que preferiu estampar uma manchete sobre a crise entre o governo Bolsonaro e a Com exceção do Correio, que preferiu dedicar sua manchete ao apelo dos 27 governadores para que governo federal busque um acordo diplomático que permita a importação de insumos represados na China e de vacinas da Índia, pois existe o risco de interrupção no programa de vacinação emergencial contra a covid, os 27, os demais jornais dedicaram suas manchetes a posse de Joe Biden e Kamalla Harriss nos EUA. Em uma cerimônia histórica, Joe Biden, 78, fez seu juramento em frente ao Congresso americano e tomou posse nesta quarta-feira (20) como o 46º presidente dos EUA, colocando fim à era de Donald Trump. Com um discurso contundente, em uma Washington sitiada, o homem mais velho a assumir a Casa Branca em um primeiro mandato celebrou a democracia, fez um apelo à união e marcou a ruptura definitiva com o antecessor republicano ao dizer que é preciso derrotar mentiras e defender a verdade. “Aprendemos mais uma vez que a democracia é preciosa, a democracia é frágil. E, nessa hora, meus amigos, a democracia prevaleceu.”

Notícia do dia – Diante do crescente apoio à tese de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, uma nota pública divulgada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, anteontem, provocou críticas no Congresso e no próprio Ministério Público e foi considerada um “desastre” por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na manifestação, Aras citou a pandemia do novo coronavírus para insinuar que Bolsonaro pode decretar estado de defesa com o objetivo de preservar a estabilidade institucional e disse que o tempo é de “temperança e prudência”. nota chamou a atenção, ainda, por ter sido divulgada um dia depois de Bolsonaro ter dito que “quem decide se o povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas”. A frase do presidente foi alvo de críticas. Em seguida, Aras procurou se defender de cobranças sobre o andamento de investigações que podem desembocar no impeachment de Bolsonaro. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, disse estar “perplexo” com a nota de Aras. “A sinalização de que tudo seria resolvido no Legislativo causa perplexidade”, afirmou o magistrado ao Estadão. “Não se pode lavar as mãos. O que nós esperamos dele (Aras) é que realmente atue, e com desassombro, já que tem um mandato e só pode ser destituído pelo Legislativo”. Seis dos dez integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal também demonstraram “preocupação” com o texto e assinalaram que investigar é tarefa da instituição. “O Ministério Público Federal e, no particular, o procurador-geral da República, precisa cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo”, escreveram os conselheiros José Adonis Callou, José Bonifácio Borges de Andrada, José Elaeres Marques Teixeira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino, todos sub-procuradores-gerais da República. Na avaliação do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), a manifestação de Aras foi a tentativa de empurrar para o Congresso a própria responsabilidade. Para a deputada Perpétua Almeida, líder do PCdoB na Câmara, Aras tem atuado “no mesmo compasso” de Bolsonaro. “Um dia o presidente diz que quem decide se o País vai ter democracia ou ditadura são suas Forças Armadas. No outro, o Aras faz esse tipo de ameaça. O que ele está querendo com isso? Flertar com atos antidemocráticos do presidente?”, observou ela. “Estado de calamidade pública não pode ser direcionado para estado de defesa. Isso é uma obstrução da ordem democrática”, disse o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Notícias de primeira página

Bolsonaro envia carta ao presidente e fala em ‘parceria’ – O presidente Jair Bolsonaro cumprimentou ontem Joe Biden pela posse como 46.º presidente dos Estados Unidos e disse ter expressado, por meio de uma carta enviada a ele, a “visão de um excelente futuro para a parceria Brasil-EUA”. Segundo Bolsonaro, que levou 38 dias para reconhecer a vitória democrata, a relação entre os dois países é “longa e sólida” e se baseia em “valores elevados, como a defesa da democracia e das liberdades individuais”. Ele dedicou trecho da carta para abordar a questão das mudanças climáticas e o Acordo de Paris. A pronta manifestação do presidente brasileiro representa uma revisão da forma como ele vinha se comportando no processo eleitoral americano. Bolsonaro foi um dos últimos chefes de Estado a reconhecer a vitória de Biden, ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. Com base na apuração dos Estados, a imprensa dos EUA projetou, em 7 de novembro, a vitória de Biden. Só em 15 de dezembro o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota reconhecendo o resultado. Durante o período eleitoral americano, Bolsonaro disse que apoiava a reeleição de Donald Trump. Chegou a afirmar que viajaria a Washington para a cerimônia de posse. “Sigo empenhado e pronto para trabalhar pela prosperidade de nossas nações e o bem-estar de nossos cidadãos”, escreveu Bolsonaro no Twitter. Na carta divulgada ontem, o presidente brasileiro diz ser “grande admirador dos EUA”. Ele sustenta que passou a “corrigir” o que chamou de “equívocos de governos” anteriores que “afastaram o Brasil dos EUA”. Na sequência do documento, o brasileiro cita relações bilaterais entre os dois países no campo econômico, tecnológico e do desenvolvimento sustentável. Bolsonaro dedica um trecho da carta para falar sobre mudanças climáticas, proteção ambiental e Amazônia. “Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso diálogo ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais”, diz Bolsonaro na carta. O tratado assinado por 195 países estabelece esforços conjuntos para tentar conter o aumento da temperatura do planeta a menos de 2°C até o fim do século. Horas após tomar posse e cumprindo uma promessa de campanha, Biden assinou 17 ordens executivas, incluindo o retorno dos EUA ao Acordo de Paris. Em 2019, no primeiro ano do seu mandato, Bolsonaro disse que, “por ora”, o Brasil continuaria no acordo. Em um dos debates com Trump durante a disputa presidencial, o então candidato Joe Biden fez críticas ao desmatamento na Amazônia. Ele disse que “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”. A declaração gerou uma resposta de Bolsonaro, que, na ocasião, classificou o comentário como “lamentável”, “desastroso e gratuito” e fez uma série de postagens críticas a Biden no Twitter. A carta de Bolsonaro a Biden menciona ainda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Na OCDE, com o apoio dos EUA, o Brasil espera poder dar contribuição mais efetiva e aumentar a representatividade da organização.”

App da Saúde indica cloroquina a bebês – O aplicativo Tratecov, lançado pelo Ministério da Saúde para orientar o enfrentamento da covid-19, recomenda uso de antibióticos e cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça. A lista de medicamentos sem eficácia comprovada é sugerida pela plataforma, que só pode ser usada por médicos, para qualquer soma de dois sintomas, mesmo se o paciente não saiu de casa ou teve contato com um infectado nas duas últimas semanas. Como mostrou o Estadão, o aplicativo foi apresentado pelo ministro Eduardo Pazuello na semana passada, quando esteve em Manaus (AM). O Ministério da Saúde afirma que o Tratecov sugere o diagnóstico por meio de sistema de pontos que obedece a “rigorosos critérios clínicos”. O teste com o produto é feito em Manaus, onde mais de 340 profissionais de saúde foram cadastrados no sistema. O ministério planeja expandir seu uso a outras cidades. A indicação de uso de cloroquina e antibiótico pode ser feita até a um recém-nascido com diarreia e fadiga, pois a idade não interfere na pontuação apresentada pelo aplicativo. Se o médico não quiser receitar o “tratamento precoce”, precisa justificar dentro do aplicativo, por exemplo, pela “recusa do paciente”, “contraindicação médica” ou “falta do medicamento”. O governo Bolsonaro se isolou na defesa do uso dos medicamentos, que compõem o “kit covid”. Além da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), também a Associação Médica Brasileira (AMB) passou a rejeitá-lo. “Evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no ‘tratamento precoce’ para a covid-19 até o presente momento”, afirma nota conjunta das duas, divulgada anteontem.

BC mantém juro em 2%, mas sinaliza alta – A inflação mais elevada no Brasil fez o Banco Central eliminar a barreira técnica que o impedia de subir os juros nos próximos meses. A autarquia decidiu na noite de ontem, pela quarta vez consecutiva, manter a Selic (a taxa básica da economia) em 2% ao ano. Com isso, a taxa se manteve no menor nível da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996. Ao mesmo tempo, o BC deu fim ao chamado “forward guidance” (ou prescrição futura, na tradução do inglês) – uma indicação técnica de que os juros não subiriam desde que a inflação seguisse em patamares baixos. A eliminação do “forward guidance” ocorre na esteira da escalada de preços no Brasil, puxados pela alta dos alimentos e dos combustíveis. O BC segue afirmando que esse “choque” inflacionário é de curto prazo e tende a ceder nos próximos meses, mas as projeções do mercado financeiro e da própria autarquia já colocam o IPCA – o índice oficial de inflação – em patamares próximos das metas perseguidas. Ao mesmo tempo, o BC admitiu que os choques inflacionários se revelaram “mais persistentes” do que o esperado. Após a inflação encerrar 2020 em 4,52%, o BC informou ontem que sua projeção está em 3,6% para 2021 e em 3,4% para 2022. Como as metas perseguidas são de 3,75% e 3,50%, respectivamente, o fato é que as projeções já estão muito próximas do alvo. Assim, manter os juros tão baixos poderia representar um risco para a inflação, em especial no ano de 2022.

Butantan não tem mais insumo para produzir vacina – A matéria-prima para a produção de mais doses de vacina contra a covid-19 no Brasil “já foi quase que totalmente processada”, segundo informou ontem o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, o que esgota a capacidade de fabricação do imunizante. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva convocada pelo governador João Doria (PSDB) para tratar de ações de combate à doença, em que Covas novamente apelou para que o governo federal, em especial o presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se empenhem para acelerar a importação dos insumos da China. Embora o Butantan tenha capacidade de finalizar e distribuir cerca de 1 milhão de doses por dia, essa produção depende do recebimento dos insumos. E, até que a produção atinja essa capacidade, é preciso um período de até seis dias para ajustes na fábrica do instituto. “Peço ao nosso presidente, ao ministro das Relações Exteriores, que nos ajudem a aplainar essa relação com a China e que haja procedimentos, solicitação para que os procedimentos burocráticos para esta exportação aconteçam no mais curto período de tempo”, disse Covas. Na coletiva, o quadro traçado foi o seguinte: há 46 milhões de doses de vacina garantidas pelo Butantan até abril. Depois, caso os insumos da Fiocruz cheguem (a previsão de entrega de doses prontas da vacina de Oxford pela fundação foi adiada de fevereiro para março), o País poderá contar com mais 100 milhões de doses. Esse total de doses vacinaria 73 milhões de pessoas. Se o governo federal se manifestar, poderá tentar comprar mais 54 milhões de doses da Coronavac produzidas pelo Butantan com base em insumos importados da China. E a produção própria, no melhor cenário, só seria possível a partir de novembro.

Bolsonaro tenta falar com Xi Jinping para liberar insumos de vacinas – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu uma chamada telefônica com o líder chinês Xi Jinping para fazer um apelo pela liberação de insumos para a fabricação de vacinas contra a Covid-19. De acordo com interlocutores que acompanham as negociações, o presidente orientou que o Itamaraty fizesse os trâmites para solicitar a conversa com as autoridades em Pequim. O Palácio do Planalto está apreensivo com os atrasos na liberação de matéria prima para a fabricação de insumos para vacinas contra o coronavírus, que podem atrasar ainda mais o cronograma de imunização. O tema é hoje um dos principais focos de preocupação no Planalto e a avaliação é que era preciso tentar um contato de alto nível. Pessoas que acompanham o tema disseram que ainda não é possível dizer se o telefonema será realizado. A tentativa da chamada ocorre também diante da análise de que a interlocução do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) está desgastada com a embaixada da China em Brasília devido aos posicionamentos adotados pelo chanceler.

Falta de resposta à imprensa se torna padrão do Planalto – “Prezado, o Planalto não vai comentar.” A frase, com algumas variações, é uma das respostas mais comuns —quando não há respostas— a questionamentos feitos por jornalistas de veículos nacionais e estrangeiros à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, a Secom. O órgão, que entre outras funções faz a assessoria de imprensa do presidente da República, já pertenceu à estrutura da Secretaria de Governo na atual administração, mas agora está oficialmente sob o guarda-chuva do Ministério das Comunicações. A Secom é comandada pelo secretário-executivo do ministério, Fabio Wajngarten. Levantamento feito pela Folha com base em de demandas de seus repórteres em Brasília à Secom ao longo de 2020 encontrou ao menos 36 emails com 92 perguntas ou pedidos de manifestação do presidente ou do governo. Deste total de mensagens encaminhadas, 20 não foram respondidas e, nas outras 16, o retorno era de que não seria feito qualquer comentário.

‘Não há vacina para todos em 2021’ – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) planeja entregar 210,4 milhões de doses de vacina contra a covid-19 neste ano. A quantidade, mesmo somada a outras vacinas que possam ser disponibilizadas, não será suficiente para imunizar toda a população em 2021. A avaliação de Mauricio Zuma, diretor de Bio-Manguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz, é de que a imunização só será finalizada no ano que vem. “Vai faltar vacina”, diz. Segundo ele, parte dos 100,4 milhões de doses deve estar pronta em março, a partir do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) ainda não liberado pela China. Outros 110 milhões deverão ser entregues no segundo semestre, já com o IFA produzido no Brasil. A dificuldade para a importação de vacinas pode custar o cargo do chanceler Ernesto Araujo. Crescem no governo as pressões para sua demissão.

De volta à OMS e ao Acordo de Paris – O presidente dos EUA Joe Biden assinou ontem uma série de ordens executivas para derrubar o legado de seu antecessor, Donald Trump. O democrata trouxe os Estados Unidos de volta ao Acordo climático de Paris e à Organização Mundial da Saúde (OMS), além de interromper a construção do muro fronteiriço como México e implementar medidas para promover a diversidade. As 15 ordens executivas e duas diretrizes para agências governamentais que foram assinadas visam o que Biden vê como erros e abusos de seu antecessor. Para lutar contra o Confidu-19, que já matou 400.000 americanos, o novo presidente fez usando uma máscara obrigatória em propriedades federais. Também acabou com o veto de entrada dos EUA de alguns países africanos e populações predominantemente muçulmanas. “Acreditamos que podemos tomar medidas para reverter imediatamente elementos da política de Trump que são muito desumanos e não refletem os valores do nosso país”, disse Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional.

Criticado por atraso de vacina, Bolsonaro pressiona auxiliares – Irritado com as críticas do governo às dificuldades de vacinação contra o Covid-19 e ao colapso da saúde pública em Manaus, o presidente Jair Bolsonaro teve uma reunião difícil com seus ministros na manhã de ontem. Além de instruir auxiliares a apresentar soluções para os problemas, Bolsonaro quer um alinhamento do discurso em defesa do governo. No início da noite, a Secretaria Nacional de Comunicação (Secom) do Ministério das Comunicações emitiu uma nota na qual afirma que o governo federal “tem estado seriamente preocupado” com todas as questões relacionadas à entrega do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para a produção da vacina ao Instituto Butantan e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ao Ministério das Relações Exteriores, através da Embaixada do Brasil em Pequim e tem conversas com o governo chinês. Ainda ontem, 16 governadores enviaram uma carta ao presidente expressando sua preocupação com a possível cessação da vacinação porque a produção de vacinas não está progredindo. O Brasil atingiu a marca de 212 mil vidas perdidas para o Covid-19. Foram registradas 1.382 mortes nas últimas 24 horas, totalizando 212.893 mortes. A média móvel foi de 983 mortes, 33% a mais do que há 14 dias. Foram notificados 64.126 casos, elevando o total de casos infectados para 8.639.868. A média móvel foi de 54.630 casos, 50% a mais do que há 14 dias. As informações são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S. Paulo, UOL e o estado de S. Paulo. A reunião dos ministros não estava na agenda oficial. De acordo com alguns presentes, a reunião foi difícil e o presidente ordenou expressamente que o conteúdo não fosse divulgado.

Setor privado faz campanha para incentivar vacinação – Setores econômicos diretamente afetados pela pandemia saíram na frente e resolveram iniciar campanhas próprias de incentivo à vacinação em massa. Empresas e associações de restaurantes, hotéis, construção civil e comércio se movimentam para reforçar a confiabilidade nos imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e para estimular a adesão do público em geral à vacinação. Os empresários relatam preocupação com a atitude do governo, com questionamentos do presidente à eficácia da vacina, e dizem que ela é fator crucial para a retomada de seus negócios, além de uma questão social. Uma das primeiras a tomar iniciativa formal foi a Abrasel, associação de bares e restaurantes, que lançou a campanha “Vacina: eu confio”. Ela abrange vídeos e cartazes com cerca de mil personalidades em todo o país como chefes de cozinha, empresários e personalidades com declarações de estímulo à vacinação. Há peças com o chef Alex Atala, com o proprietário da rede de restaurantes Paris 6 e o presidente da Ambev, Jean Jereissati, também deve participar. Restaurantes e redes afiliadas são estimuladas a postarem as peças em suas redes sociais. O setor tem cerca de 1 milhão de estabelecimentos. — O setor precisa superar essa crise econômica e de saúde pública. A vacina é a solução definitiva. Há pessoas que têm dúvidas ou estão mal informadas ou mal conduzidas por visões ideológicas que distorcem a realidade — afirma Paulo Solmucci, presidente da entidade.

Fura-filas e apadrinhamento político marcam Imunização – A primeira semana da vacinação contra a Covid-19 no país, com a chegada das doses da CoronaVac em todos os estados, fez disparar uma corrida para exploração política da imunização. Em várias capitais e em cidades do interior, deputados, prefeitos e vereadores — inclusive que mantinham até há pouco tempo discurso negacionista em relação à pandemia — se apressaram a “apadrinhar” a chegada do imunizante perante seu eleitorado e nas redes socais. Em pelo menos cinco estados — Amazonas, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe — já há sinais de uma interferência política mais grave na vacinação, com gestores de saúde ou pessoas ligadas a eles furando a fila de prioridade para receber a primeira dose. O Ministério Público investiga os dribles nos critérios oficiais. A busca por visibilidade envolve políticos de diferentes partidos, mesmo que não tenham colaborado efetivamente com a produção ou distribuição das vacinas. Nas redes sociais, quem criticava agora posa ao lado de frasquinhos do imunizante. Até bolsonaristas, que criticavam o fármaco desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, do gover no paulista, saúdam a vacinação. Um dos exemplos de crítico “convertido” é o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR). Nos últimos meses, foram frequentes suas publicações para atacar o que chamava de “vacina chinesa de Doria”, defender a alternativa desenvolvida pela Universidade de Oxford e o uso de cloroquina contra a Covid-19. Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de disseminar fake news, o parlamentar costuma postar em sua conta do Instagram até dez vezes ao dia. No domingo passado, reagiu à aprovação da vacina pela Anvisa em tom jocoso e criticou Doria nas redes. Quando as doses chegaram no Paraná anteontem, no entanto, Barros publicou foto rodeado de profissionais da saúde no evento de início da vacinação no estado. “Único deputado presente no evento”, orgulhou-se. “Conferindo a entrega das vacinas no Paraná, pagas 100% pelo governo federal do nosso presidente Jair Bolsonaro”, escreveu. Questionado sobre a rápida mudança de postura, ele afirmou ao GLOBO ser indispensável “combater o vírus chinês” e rebateu as críticas que tem recebido: — Semanas atrás, havia um governador que ameaçou aplicar a vacina na população, mesmo contra a vontade do cidadão e mesmo sem a aprovação da autoridade sanitária responsável, por puro apego aos holofotes. Isso sim foi feito só para angariar capital político. Ele é um entre diversos deputados, federais e estaduais, que acompanharam as entregas em suas bases eleitorais nesta semana. A deputada Flávia Arruda (PL-DF) estava presente quando as vacinas chegaram ao Distrito Federal. “Dia histórico e emocionante”, comentou ao publicar fotos em sua rede social.

Outros destaques

Estilos diferentes – Ao cumprimentar Joe Biden nas redes, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) refletiram em parte suas gestões, que chegam ao fim. O primeiro, hoje um dos principais desafetos de Bolsonaro, destacou a necessidade de combate ao radicalismo. O segundo, desde sempre mais afável a destemperos do presidente brasileiro, falou em “equilíbrio”. A maior parte do mundo político se calou, pelo menos nas redes, sobre a chegada de Biden. Entre os presidentes dos 24 partidos com representação na Câmara, apenas 5 haviam feito alguma postagem até o início da noite desta quarta (20).
Entre eles, Juliano Medeiros, presidente do PSOL, que comemorou a saída de Trump, mas não aliviou para o sucessor. “Trump já vai tarde. Mas Biden não é amigo dos povos da América Latina.”

Nós, militares, seguimos o norte indicado pela população, diz Bolsonaro – Dois dias após dizer que quem decide sobre eventual democracia ou ditadura são as Forças Armadas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (20) que os militares seguem o norte indicado pela população. Bolsonaro discursou para integrantes da FAB (Força Aérea Brasileira) na cerimônia alusiva ao 80º aniversário do Comando da Aeronáutica. “O Brasil vem experimentando mudança ao longo dos últimos dois anos. Uma das mais importantes: temos um presidente da República que, juntamente com seu Estado Maior, ministros, acreditam em Deus, respeitam os seus militares, fato raro nas últimas três décadas em nosso país”, disse Bolsonaro.

Ele é ministro? – O ministro André Mendonça, da Justiça, pediu mais um inquérito com base na Lei de Segurança Nacional para investigar falas críticas ao presidente Jair Bolsonaro. O alvo agora é o advogado Marcelo Feller, de São Paulo. A Polícia Federal, subordinada a Mendonça e ao presidente, já abriu uma investigação. Em julho do ano passado, quando integrava o quadro “O Grande Debate”, da CNN, Feller citou estudos e disse que o discurso do presidente era responsável por pelo menos 10% das mortes por Covid-19 no país. Na época, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes tinha acusado o Exército de se associar a um “genocídio” na crise do novo coronavírus. Feller também comentou: “Não é o Exército que é genocida, é o próprio presidente, politicamente falando”. No pedido à PF, Mendonça disse que a acusação pode “lesar ou expor a perigo de lesão” o próprio regime democrático “e a pessoa do Presidente da República”. Mendonça já pediu investigações com base na Lei de Segurança Nacional também contra os colunistas da Folha Ruy Castro e Helio Schwartsman, contra o jornalista Ricardo Noblat e o cartunista Aroeira. O advogado Alberto Toron, que representa Feller, diz que a iniciativa “revela uma faceta opressiva contra a liberdade de expressão e crítica e, mais ainda, contra a liberdade de imprensa, pois Feller falava na condição de debatedor contratado da CNN”. O advogado vai impetrar um habeas corpus pedindo o trancamento da investigação. “Feller disse o que hoje todos dizem: que o presidente tem responsabilidade sobre a política que resultou nessa multidão de mortos”, afirma.

Acabou a pólvora – O cumprimento de Jair Bolsonaro ao novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, demorou porque o capitão queria esperar a saída de Donald Trump. Agora, até Biden ler a carta no estilo “bandeira branca” enviada pelo presidente, levará algum tempo. Antes de ler as linhas traçadas pela ala mais “muita calma nessa hora” do governo brasileiro, Biden, conforme avisam diplomatas, reajustará a relação com os países europeus e se juntará às pressões para que o Brasil proteja suas florestas. Diante dessa nova realidade, Bolsonaro, se deixar as bravatas de lado, terá a chance de apostar na preservação ambiental e tentar se colocar na cobrança pelos créditos de carbono e economia verde. Se quiser permanecer no discurso do valentão sobre “saliva e pólvora” para agradar seus apoiadores mais aguerridos nas redes sociais, ficará falando sozinho. Para quem não se lembra, em novembro, quando Biden foi eleito, Bolsonaro fez um discurso sobre as cobranças pela preservação ambiental, dizendo que, “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”. Pelo visto, a munição acabou.

Estado de defesa e os EUA – Quanto mais autoridades brasileiras usarem expressões do tipo “militares decidem se um povo terá democracia ou ditadura”, como fez Jair Bolsonaro, ou “calamidade é antessala do estado de defesa”, como fez o procurador-geral Augusto Aras, mais o Brasil estará longe do novo governo dos EUA. Vai ficar mesmo é bem perto do sistema venezuelano, regime que o presidente tanto critica.

Prova de vida segue suspensa – Diante do agravamento da pandemia de covid-19, o governo prorrogou novamente a medida que proíbe a suspensão de beneficiários previdenciários por conta da ausência da prova de vida anual. A decisão garante que aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), bem como militares inativos e pensionistas de militares, continuem a receber seus proventos nos próximos meses, mesmo que não consigam fazer a comprovação anual de vida. A prova de vida costuma ser realizada anualmente nas agências bancárias que fazem o pagamento dos benefícios. É uma forma de os aposentados e pensionistas comprovarem que estão vivos e, desta forma, continuarem recebendo os valores do INSS. A comprovação, porém, deixou de ser exigida em março do ano passado por conta da pandemia de covid-19. A suspensão visa evitar a exposição dos beneficiários do INSS, que, em sua maior parte, integram o grupo de risco do novo coronavírus. Porém, voltaria a ser exigida neste início de ano, o que acabou sendo revisto diante do recrudescimento da pandemia. Segundo a Portaria nº 1.266 do INSS, publicada ontem no Diário Oficial da União, a suspensão da prova de vida foi prorrogada por mais dois meses. Com isso, os aposentados e pensionistas que deixarem de fazer a prova de vida entre março de 2020 e fevereiro de 2021 não terão os benefícios bloqueados até, pelo menos, o fim de março, quando a comprovação pode voltar a ser exigida. A medida vale tanto para os beneficiários que moram no Brasil, quanto para os residentes no exterior. Por isso, pode beneficiar até 700 mil pessoas.

‘Evangélicos, ruralistas e ‘bancada da bala’ dão vantagem a Lira – Candidato do governo Jair Bolsonaro à presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-al) lidera a corrida pelo cargo nas três principais bancadas temáticas da Casa. De acordo com levantamento feito com base no placar Estadão, o líder do Centrão tem mais votos declarados do que seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP), entre os deputados que integram as bancadas ruralista, evangélica e ‘da bala’. A eleição está marcada para o dia 1º de fevereiro. A maior diferença proporcional entre os dois se dá entre os evangélicos. Neste grupo, Lira soma cem votos declarados enquanto Baleia alcança 21. Para reverter este quadro, o emedebista teria de conquistar os “indecisos” e ainda tirar votos de seu concorrente, já que nem a soma de seus apoios com o total de parlamentares que não quiserem responder à enquete seria suficiente para ultrapassar o alagoano. Pesquisas que medem a taxa de aprovação de Bolsonaro colocam os eleitores evangélicos como os mais satisfeitos em relação ao governo, o que poderia explicar a vantagem de Lira entre os deputados que representam esse eleitorado. Em dezembro, por exemplo, pesquisa Xp/ipespe mostrou que 53% dos entrevistados que se dizem fiéis a alguma denominação evangélica consideravam a gestão federal boa ou ótima. No caso da bancada ruralista, Bolsonaro já cobrou por diversas vezes o apoio dos deputados, argumentando que o campo “nunca teve um tratamento tão justo e honesto” como em seu governo. O líder da bancada, deputado Alceu Moreira, no entanto, criticou a insistência do presidente e até já declarou apoio a Baleia. Neste grupo, a vantagem de Lira é menor: 106 a 47. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Moreira afirma que o apoio ao emedebista não é geral entre a bancada, mas que vai exigir do candidato o compromisso com pautas nas quais não houve abertura com o atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A prioridade, segundo ele, é a reforma tributária. Uma das propostas em discussão no Congresso foi apresentada por Baleia Rossi. Além disso, a frente dos ruralistas vai cobrar a votação de projetos do setor, entre eles a regularização fundiária. O projeto foi um dos temas de atrito entre Maia e o líder da bancada ruralista. Já os representantes da chamada ‘bancada da bala’, que reúne deputados que já foram militares, que compuseram equipes da Polícia Civil e que apoiaram majoritariamente a eleição de Bolsonaro em 2018, a diferença de apoios é da ordem de 40% pró-lira. Neste grupo, porém, 89 parlamentares não aceitaram responder à enquete do Estadão, o que, em tese, aumenta as chances do emedebista de reduzir a margem para seu concorrente.

Voto presencial na eleição vai parar no STF – A disputa pelo comando da Câmara já chegou à Justiça. O presidente do PDT, Carlos Lupi, e o deputado Mário Heringer (PDT-ES) pediram ontem a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a votação no próximo dia 1º de fevereiro seja virtual para os deputados do grupo de risco da covid-19. Após pressão de apoiadores da candidatura de Arthur Lira (PP-AL), a Câmara decidiu na segunda-feira que a eleição para a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) será em votação estritamente presencial. A decisão foi tomada em reunião da Mesa Diretora da Casa, com votos contrários de Maia e, também de Heringer, que é médico e o relator da questão. Maia estudava a possibilidade de realizar um formato misto de eleição, liberando a votação virtual para o grupo de risco. Segundo ele, cerca de 2 mil servidores precisam ser mobilizados no dia.

Grupos convocam atos em capitais – Movimentos de esquerda e de direita e representantes da sociedade civil convocaram para sábado e domingo atos pró-impeachment do presidente Jair Bolsonaro em ao menos oito capitais. Os protestos ganharam a adesão de organizações que estiveram em lados opostos durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como a Frente Povo Sem Medo e o Movimento Brasil Livre (MBL). Apesar da pauta conjunta, os protestos serão em dias separados.

Temer tenta convencer China a liberar insumos para Coronavac – Enquanto Jair Bolsonaro busca destravar o diálogo com a China, a pedido de João Doria, Michel Temer ligou para o ex-embaixador chinês Li Jinzhang e tratou da liberação dos insumos usados na produção da Coronavac. O diplomata ocupa posto no governo Xi Jinping, em Pequim. O ex-presidente lembrou da boa relação entre os dois países, e o quanto a China foi relevante para o Brasil à época da Operação Carne Fraca, garantindo as importações do produto brasileiro. Temer ressaltou a importância dos insumos para a vacina neste difícil momento. Juntos. Jinzhang disse ver com bons olhos o fato de Temer estar elaborando o parecer jurídico da Huawei no Brasil. O leilão do 5G é tema delicadíssimo para os chineses. A ala ideológica do bolsonarismo quer deixá-los de fora. O diplomata prometeu levar o pleito ao presidente chinês. Temer encerrou a ligação confiante de que a demanda deve ser atendida, apesar de ambos não terem falado em datas. Segundo interlocutores, Temer está ciente de que sua iniciativa possa trazer algum melindre com o governo federal, diante da forte politização em torno da vacina. Mas, mesmo odiando uma “torta de climão”, acha que o momento é crítico demais para ficar cheio de dedos. Na conversa com o embaixador chinês Yang Wanming, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu desculpas, em nome da Câmara, se, porventura, ele sentiu-se destratado por algum deputado.Depois, ressaltou que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) já não é mais presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. Só está na função burocraticamente, disse, enquanto não voltam os trabalhos.

Deputado que apoia Baleia perde cargos no governo – Empenhado na disputa pela presidência da Câmara, o Palácio do Planalto vai começar a retaliar parlamentares que decidiram não apoiar Arthur Lira (PP-AL) , o candidato de Jair Bolsonaro na eleição que ocorre no dia 1º de fevereiro. O deputado Áureo (SD-RJ) diz ter sido avisado ontem de que seria punido pelo apoio a Baleia Rossi (MDB-SP). Três nomes indicados por ele para o governo federal serão demitidos. Devem ser exonerados ainda hoje a superintendente do Ministério da Agricultura no Rio, Renata Briata da Conceição, e mais dois indicados que dão expediente na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também no Rio. — Foi comunicado ao partido. É consequência do momento que a gente vive, da disputa polarizada na Câmara. Eram indicações que a gente tinha naquele modelo que foi proposto, de nomes técnicos, que pudessem contribuir. Fizeram questão de falar que o motivo é a disputa na eleição da Câmara. Agora, a informação é que vão atender a outros parlamentar — disse Áureo ao GLOBO. Na última segunda-feira, o Solidariedade anunciou oficialmente o apoio a Baleia. A legenda chegou a fechar um acordo com Lira. Porém, após nova rodada de conversas com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Baleia, houve uma mudança de posição. Presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP) diz que a sigla não tem, institucionalmente, cargos no governo, e que o caso de Áureo é pontual e uma indicação do próprio parlamentar. Segundo ele, o governo chegou a oferecer, no ano passado, cargos no Porto de Santos à legenda. No entanto, não houve indicação.

Licenciados são convocados para votar na eleição da Câmara – Em uma disputa apertada como a que se desenha pela presidência da Câmara dos Deputados entre Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), cada voto conta e até mesmo quem não está no dia a dia da Casa está sendo convocado para votar. Atualmente, 16 parlamentares estão licenciados e boa parte deles já decidiu reassumir o mandato no dia 1º de fevereiro para votar no lugar de seus suplentes. Dos deputados titulares que estão afastados, três são ministros do governo Jair Bolsonaro e 11 estão à frente de secretarias em governos estaduais ou municipais. No DEM, partido que integra o bloco de Baleia, aliado de Rodrigo Maia (DEM-RJ), a expectativa é que Tereza Cristina (MS), ministra da Agricultura, e Onyx Lorenzoni (RS), ministro da Cidadania, retornem para a Câmara. Mas devem votar contra a posição oficial da legenda, visto que o governo do qual fazem parte apoia Lira. A assessoria de Onyx confirmou sua presença na Câmara, mas não revelou o voto. O partido também deve contar com o retorno de Pedro Paulo, secretário municipal de Fazenda do Rio. O suplente de Pedro Paulo, Marcos Soares (DEM-RJ), está flertando com Lira, segundo um parlamentar da legenda. Por isso, Maia deve pedir a Pedro Paulo que retorne à função. Procurado pelo GLOBO, o secretário disse que, se for convocado, votará em Baleia. — A princípio não retornarei ao meu mandato. Contudo, se for a determinação do meu partido, assim o farei. Tenho apreço pessoal pelos dois candidatos e alguns questionamentos quanto ao posicionamento institucional de ambos. Contudo, meu voto seguirá a orientação do Democratas, liderado pelo deputado Rodrigo Maia — afirmou Pedro Paulo. Também secretário da gestão Eduardo Paes, à frente da pasta de Integridade Pública, Marcelo Calero (Cidadania) já decidiu retornar à Câmara para votar no emedebista. Assim, Otávio Leite (PSDB-RJ) não participará da eleição. — Vou voltar, e vou votar no Baleia, conforme orientação do Cidadania — disse Calero. O mesmo acontecerá com dois deputados licenciados do PCdoB no Maranhão, ambos secretários do governo Flávio Dino: Márcio Jerry (Cidades e Desenvolvimento Urbano) e Rubens Pereira Júnior (Comunicação Social e Assuntos Políticos). Os suplentes de ambos são de partidos aliados de Lira: PROS e Republicanos. Já o PCdoB apoia a candidatura de Baleia. — Há um acordo com a bancada do PCdoB de que todos os deputados licenciados retomarão o mandato para declarar o apoio ao candidato Baleia Rossi — disse Márcio Jerry. O PT tem três deputados licenciados. Dois são secretários do governo da Bahia — Nelson Pellegrino (Desenvolvimento Urbano) e Josias Gomes (Desenvolvimento Rural). Já Luizianne Lins (CE) se licenciou para disputar a prefeitura de Fortaleza no ano passado e ainda não voltou. — A expectativa é que todos voltem — diz o líder do PT na Câmara, Ênio Verri (PT-PR). Entre os suplentes dos petistas, dois são de legendas aliadas a Lira, PL e PSD. Assim, a volta dos titulares muda o placar.

 

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