Resumo dos jornais de quinta-feira (04/03/2021) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quinta-feira (04/03/2021)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: SP terá fase vermelha, e país perde mais 1.840 em 24 horas

CORREIO BRAZILIENSE: Brasil bate recorde de mortes. Estados ampliam restrições

O ESTADO DE S.PAULO: PIB cai 4,1% em 2020; País deixa grupo de 10 maiores economias

O GLOBO: Com 1.840 mortes e pouca vacina, cidades fecham comércio e se esvaziam

Valor Econômico: País bate recorde de mortes e governos ampliam restrições

Resumo de manchetes

As manchetes da Folha, Correio, Globo e Valor reportam o pior momento da pandemia até agora, quando o Brasil registrou ontem 1.840 mortes causadas pela covid-19. Segundo especialistas, a média de mortes diárias pode chegar a duas mil em poucos dias e o sistema de saúde entrará em um colapso generalizado caso o governo federal não assuma a gestão da crise. Já são 259.402 óbitos e o país, com a nova cepa do vírus e uma gestão caótica da situação, começa a ser apontado no exterior como um risco potencial para o mundo. A Folha acrescenta na manchete que o governo de São Paulo irá iniciar o retrocesso à fase vermelha em todo o estado a partir da 0h do próximo sábado (6). A medida valerá até o dia 19 de março. O Correio afiança ainda que numa tentativa de conter a disseminação do vírus, o DF e estados como São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Maranhão anunciaram medidas restritivas. Já o Estadão revela que o Produto Interno Bruto (PIB) fechou o ano passado com queda de 4,1%. O resultado foi o terceiro pior desde 1901, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, atrás apenas das retrações de 1981, em meio à crise da dívida externa, e de 1990, ano do confisco das poupanças pelo governo Collor. A queda de 4,8% no PIB per capita foi a maior da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Indicadores recentes apontam que a economia, após uma retomada no final de 2020, desacelerou nos primeiros meses de 2021, com o agravamento da pandemia e o fim do auxílio emergencial, o que lança dúvidas sobre o ritmo da recuperação neste ano, dizem especialistas. O desempenho ruim confirmou a saída do País do grupo das dez maiores economias do mundo. O Brasil agora ocupa a 12.ª posição.

Notícia do dia: Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o neurocientista Miguel Nicolelis – pesquisador brasileiro de renome internacional – afirmou que teme uma catástrofe no país. “Se nada for feito, podemos perder 500 mil pessoas aqui no Brasil até o próximo mês. É uma perspectiva horrível e trágica, mas, neste momento, é perfeitamente possível”, disse.

Notícias de primeiras páginas

Ibaneis diz que isolamento social é a única saída – O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirma que o isolamento social é a única solução, neste momento de alta taxa de transmissão da covid-19 (1,08%). “É o que se faz em países como Portugal e Israel nessas horas de picos. Estamos mantendo algumas atividades econômicas exatamente para não deixar a cidade parar”, disse ao Correio, citando a construção civil. Ibaneis criticou quem está aproveitando o drama alheio para fazer política eleitoral. “Toda minha energia é para resolver a crise sanitária. Mas tem gente achando que se deve fazer política sobre o drama de hoje”, ressalta.

Rever improbidade pode favorecer 1/3 de comissão – Sete dos atuais 24 integrantes da comissão especial criada na Câmara para discutir mudanças na Lei de Improbidade Administrativa podem ser diretamente beneficiados pela nova legislação. Os deputados respondem a processos com base nas regras atuais e as alterações propostas têm potencial para livrá-los de eventuais punições. Na prática, os parlamentares terão a oportunidade de legislar em causa própria. Levantamento feito pela ONG Transparência Brasil, a pedido do Estadão, mostra um total de 66 ações de improbidade contra os deputados do colegiado, criado em 2019. Os casos vão de irregularidades em licitações a nomeações em cargos públicos sem concurso. Todos os processos são relativos a funções anteriores ocupadas pelos deputados, como as de prefeito, governador ou ministro. Este é justamente um dos fatores que pode levá-los a ser beneficiados pela mudança na lei. Pela regra atual, uma das punições possíveis para quem for condenado por improbidade é a perda do cargo. Mas, de acordo com a última versão do projeto, apresentada no fim do ano passado pelo relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), isso só poderá ocorrer se o gestor ocupar a mesma função de quando o ilícito foi cometido. Ou seja, um deputado condenado em um processo relacionado a um mandato anterior de prefeito não correria o risco de perder o cargo atual.

Superexposição ao vírus é confirmada por dados de celular – Os dados de mobilidade de celulares no Brasil indicam que o aumento explosivo nas mortes por Covid-19 registrada nos últimos meses é, em boa medida, resultado da exposição a que brasileiros se submeteram em feriados de dezembro a janeiro, sobretudo durante as compras de Natal e o ano novo. O que era receio de alguns especialistas se confirmou nos dados anônimos de rastreamento de aparelhos feitos pelo Google e colhidos pela reportagem, que mostram como a alta movimentação de pessoas em áreas públicas simultaneamente em períodos específicos pode ser facilmente atrelada ao aumento subsequente do número de casos da doença nas regiões avaliadas. Em alguns estados, a movimentação vista no carnaval pode agravar a situação. O Réveillon foi a data com maior concentração de pessoas em áreas classificadas como “parques” (que incluem praias e espaços públicos de recreação). No início de janeiro, a circulação de brasileiros nesses locais foi equivalente à de níveis anteriores da epidemia. Após a virada do ano, esse tipo de concentração caiu, mas aumentou no feriado prolongado seguinte. Nas praias e áreas recreativas do Rio de Janeiro, a terça-feira de carnaval foi o dia mais movimentado desde a chegada da Covid-19 no Brasil, 26% acima da linha de base estabelecida pelo Google (média de presença de celulares medida nas locações em janeiro de 2020, para “calibrar” o que seria o nível normal de presença de pessoas em cada lugar antes da pandemia). O Rio teve movimentação intensa no feriado local de 20 de janeiro, também. E, mesmo com a pandemia avançando, a população não parece muito preocupada em seguir os protocolos básicos de distanciamento: o Rio registrou na última semana a menor taxa de isolamento social desde o início da pandemia: de 30%, entre 21 e 28 de fevereiro. O cenário atual da epidemia, com o recorde de 1.910 mortes registradas no Brasil em um único dia, ontem, já é assustador, e o impacto do carnaval ainda está por ser medido. Para que se reflita nas estatísticas de óbitos, é preciso aguardar. O infectologista Júlio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, relata preocupação: — O impacto pode ser muito maior do que as aglomerações que vimos no passado porque temos variante mais transmissível e carga viral maior. É preciso aumentar a adesão a medidas individuais de proteção e a velocidade de vacinação. Se não tem nenhum dos dois, há aumento da taxa de transmissibilidade.

Minas impõe estágio roxo, com restrições mais duras, a duas regiões do estado – O cenário de estrangulamento na saúde em regiões de Minas Gerais levou o governo Romeu Zema (Novo) a criar uma nova fase no plano que orienta a flexibilização de atividades, com adesão obrigatória para os municípios, e medidas de lockdown para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus. Duas regiões do estado já entrarão na nova fase, que tem vigência de 15 dias, a partir desta quinta-feira (4): a região Noroeste, que tem como polo Patos de Minas, e a região Triângulo Norte, cujo polo é Uberlândia. Ao todo, as duas somam 60 municípios. Até agora, o plano que orientava protocolos de flexibilização durante a pandemia tinha três ondas –vermelho (a mais rígida), amarelo e verde— e passou por duas modificações desde a criação, a última delas, no início do ano. A adesão ficava a critério dos prefeitos. Entre as medidas restritivas da onda roxa, fase criada agora, estão o fechamento do comércio não essencial, a autorização de circulação de pessoas apenas para atividades essenciais, a imposição de toque de recolher entre 20h e 5h, a suspensão de cirurgias eletivas, a proibição de reuniões presenciais, mesmo para pessoas da mesma família que não morem juntas, o uso obrigatório de máscaras em todo espaço público ou de uso coletivo e a instalação de barreiras sanitárias.

Pacientes vão à Justiça para obter leitos intensivos – Com o aumento de internações e mortes por Covid-19 e o esgotamento de leitos em vários estados, pacientes estão recorrendo à Justiça em busca de vaga em UTIs. Também tramitam ações coletivas impetradas por promotores e defensores públicos. O dilema das demandas individuais é que elas nem sempre obedecem a critérios clínicos de prioridade e, muitas vezes, passam por cima da fila organizada pelas centrais de regulação de leitos dos estados, que levam em conta o grau de gravidade do paciente, entre outras condições. No Amazonas, primeiro estado a entrar em colapso, 219 pessoas acionaram a Justiça desde janeiro em busca de leitos de UTI Covid. Outros estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, também registram ações por leitos, mas ainda em menor número. O temor é que, com um eventual colapso do sistema de saúde, isso se agrave.

Hospital no RS registra 142% de lotação em UTI – Uma ala comum precisou ser convertida em 28 leitos de UTIs para abrigar pacientes graves com Covid-19 no Hospital Moinhos de Vento (HMV), o principal da rede privada de Porto Alegre. A unidade atingiu lotação de 142% nas vagas de UTI da capital gaúcha, que vive situação grave na pandemia. Também nesta quarta-feira (3), o hospital recebeu um contêiner para abrigar corpos das vítimas. O hospital tem, originalmente, 66 leitos de UTI. Do total de 94 casos graves atualmente no hospital, 85 são de Covid-19. Outros três doentes confirmados no serviço de emergência do HMV estavam à espera de leito para tratamento intensivo. O HMV apresentou o índice mais alto de ocupação de UTI em Porto Alegre nesta quarta-feira (3), na pior semana da cidade em toda a pandemia de Covid-19.

Ministério decide comprar vacinas da Pfizer e da Janssen – Após meses de negociações e embates, o governo federal decidiu comprar doses das vacinas da Pfizer e da Janssen (braço farmacêutico do laboratório Johnson & Johnson). Um acordo inicial com a Pfizer foi confirmado em reunião com a empresa nesta quarta-feira (3) e segue agora para assinatura do contrato. A negociação envolve a oferta de cerca de 100 milhões de doses —9 milhões até junho, cerca de 31 milhões até setembro e 60 milhões até dezembro. Já em reunião com a Janssen, a pasta recebeu do laboratório uma sinalização de oferta de 38 milhões de doses. Destas, 16,9 milhões de doses seriam entregues entre julho e setembro, o restante até dezembro de 2021. A expectativa é que os acordos sejam formalizados ainda nesta semana. Mais cedo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu a auxiliares celeridade no contrato para compra de doses das duas empresas. A decisão ocorre após aprovação de um projeto de lei no Congresso que visava destravar a compra dos dois imunizantes.

Sob pandemia, PIB cai 4,1% em 2020 e sofre maior queda em 30 anos – A economia brasileira registrou em 2020 contração recorde de 4,1%, resultado do impacto econômico gerado pela pandemia do novo coronavírus, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta quarta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse é o maior recuo da série histórica com a metodologia atual, que começa em 1996, superando a retração de 3,5% registrada em 2015. Em uma série mais longa, elaborada pelo IBGE e pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com início em 1901, a maior queda havia sido há 30 anos (-4,35% em 1990). Nesse histórico, a queda de 2020 foi a terceira pior já registrada —o segundo maior recuo foi em 1981 (-4,25%). O instituto informou ainda que a recuperação do PIB que havia sido registrada no terceiro trimestre do ano passado perdeu força nos três últimos meses do ano. No quarto trimestre, houve crescimento de 3,2% em relação aos três meses anteriores, quando a expansão havia sido de 7,7%. Na comparação com o mesmo período de 2019, o PIB do período de outubro a dezembro caiu 1,1%.

Para Bolsonaro, tombo menor que previsto é ‘dado positivo’ – Diante da contração recorde de 4,1% da economia brasileira em 2020 devido ao impacto da pandemia de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comemorou nesta quarta-feira (3) uma queda menor que a esperada e, como “dado positivo”, disse que somos um dos países com menor queda no PIB (Produto Interno Bruto). Ao deixar uma reunião com embaixadores de países produtores de petróleo do Golfo Pérsico, o presidente foi instado a comentar os dados do PIB divulgados horas antes pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se do maior recuo da série histórica com a metodologia atual, que começa em 1996, superando a retração de 3,5% registrada em 2015. “Desculpa, eu não tomei conhecimento da avaliação do PIB. O que eu posso falar para você [é] que se esperava que a gente ia cair 10%, mas parece que caímos 4%. É um dos países que menos caiu no mundo todo, então, tem esse dado positivo”, disse Bolsonaro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam queda de 4,2% no acumulado do ano e crescimento de 2,8% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior (queda de 1,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2019).

Senado aprova texto-base da PEC Emergencial – Apesar de desidratar medidas fiscais da equipe econômica, o Senado aprovou por 62 votos a 16 em primeiro turno nesta quarta-feira (3) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial com um teto, de R$ 44 bilhões, para os gastos com a nova rodada do auxílio emergencial neste ano. A votação do segundo turno, inicialmente prevista para o mesmo dia, acabou adiada para a manhã desta quinta-feira (4), assim como um único destaque para esse turno. Os demais destaques foram rejeitados.
Depois, caso aprovada no segundo turno, seguirá para a Câmara, onde também precisa passar por dois turnos e com apoio de 60% dos parlamentares. A ideia de travar o custo da renovação do auxílio emergencial foi defendida pelo líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE), em entrevista à Folha publicada nesta semana. Se aprovado, esse limite dependerá de outra PEC no futuro para ser elevado.

Governo censura professores por ‘desapreço’ a presidente – O governo Jair Bolsonaro (sem partido) abriu processos de investigação contra professores universitários que criticaram o presidente em eventos transmitidos pela internet. As investigações foram iniciadas pela CGU (Controladoria-Geral da União) porque os docentes proferiram “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República”. Dois professores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) tiveram de assinar termos de ajustamento de conduta para encerrar as investigações. Eles haviam sido instados a prestar esclarecimentos no mês passado e os termos foram publicados no Diário Oficial de terça feira (2). Ao assinarem, os professores se comprometeram a não repetir os atos pelos próximos dois anos. Não houve determinação de outras punições. O MEC (Ministério da Educação) ainda encaminhou no mês passado às universidades federais ofício em que que pede providências para “prevenir e punir atos político-partidários nas instituições públicas federais de ensino”. O documento é baseado em recomendação de 2019 do procurador Ailton Benedito de Souza, que se intitula conservador e apoia o presidente Bolsonaro. O STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu pela inconstitucionalidade de atos que atentem contra a liberdade de expressão de alunos e professores e tentativas de impedir a propagação de ideologias ou pensamento dentro das universidades.

Flávio ainda deve R$ 1,8 milhão de mansão, apesar da escritura – A empresa RVA Construções e Incorporações afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ainda deve cerca de R$ 1,8 milhão dos R$ 6 milhões relativos à mansão comprada por ele em Brasília. Nota assinada por três advogados da RVA, enviada nesta quarta-feira (3) à Folha pelo empresário Juscelino Sarkis, sócio da construtora e ex-proprietário da mansão, afirma que o valor quitado até o momento é de pouco menos de R$ 4,2 milhões. “Até o presente momento todos os termos contratados têm sido devidamente adimplidos, já tendo sido efetuado o pagamento do valor de R$ R$ 4.190.278,30”, diz a nota. Apesar dos valores pendentes, a transação do imóvel foi registrada em cartório no último dia 29 de janeiro. Segundo a RVA, R$ 3,1 milhões foram pagos com o financiamento imobiliário, liberado pelo BRB (Banco de Brasília) em 2 de fevereiro, e R$ 1,09 milhão por meio de três transferências bancárias no fim do ano passado: R$ 200 mil em 23 de novembro, R$ 300 mil em 10 de dezembro, e R$ 590 mil em 11 de dezembro. Sem dar informações sobre a parcela pendente, a empresa diz que “adotou todas as providências legais que cabem ao vendedor, em estrita observância ao Código Civil e às demais leis que regem os contratos de compra e venda de imóveis”. Na escritura registrada, é informado que “o(s) outorgante(s) vendedor(es) declara(m) já haver recebido do(s) outorgado(s) comprador(es) e devedor(es) fiduciante(s) o valor relativo à parcela dos recursos próprios”. A assessoria jurídica da empresa vendedora diz que, “diante do grande número de notícias que vêm sendo veiculadas na imprensa”, decidiu divulgar o comunicado.

Brasil é o 2º com mais barreiras de entrada no exterior – Reino Unido, Brasil e África do Sul são os países que somam mais restrições de entrada em outros países por conta da pandemia, aponta levantamento feito pela Folha a partir dos dados da Iata (associação internacional de transporte aéreo). Entre 150 países analisados, 25 colocaram restrições específicas ao Reino Unido, 17 ao Brasil e 17 à África do Sul. A soma considera os locais que baniram a entrada de passageiros que estiveram nesses países antes da viagem ou que vetaram voos vindos a partir deles, e só inclui medidas válidas atualmente. Já alguns outros, como a Índia, apenas pedem testes ou quarentena extra para quem vem desses três lugares, mas a entrada é permitida se o passageiro comprovar que não está contaminado. Os outros 27 primeiros postos da lista são ocupados por países europeus, com Portugal (13 vetos) e Irlanda (12) à frente. Diversos governos anunciaram restrições em bloco às nações do continente, que têm circulação liberada entre elas, pois a maioria delas integra o Espaço Schengen.

Portugal vai do lockdown à transmissão baixa – Após ver a pandemia sair do controle em janeiro, com vários dias na liderança mundial em novos casos e mortes por milhão de habitantes e até um pedido de ajuda internacional para cuidar de seus doentes, Portugal tem agora uma das taxas de contágio mais baixas da Europa. A redução nas infecções —Portugal passou de 16.432 casos em 28 de janeiro para 979 nesta quarta-feira (3) — foi conseguida com a imposição de um confinamento bastante restritivo. Em vigor nos moldes atuais desde 22 de janeiro, o lockdown ainda não tem data para acabar. Especialistas e próprio governo consideram que os resultados ainda requerem atenção. Os hospitais portugueses, no entanto, já estão mais aliviados. Um dos principais termômetros do estado da pandemia, o número de doentes internados caiu 73% entre 1º de fevereiro e 3 de março, passando de 6.775 para 1.827. É o valor mais baixo desde 28 de outubro. O número de mortes também segue em queda. Em 31 de janeiro, o país registrou o recorde de 303 óbitos pela doença. Em 3 de março, foram 41. Em combinação com o lockdown, o país também reforçou seu programa de vacinação.

Demais destaques

‘Para a mídia, o vírus sou eu’, diz Bolsonaro – Diante do número recorde de mortes por Covid-19, da falta de leitos e do baixo índice de pessoas vacinadas no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou suas críticas à imprensa. “Para a mídia, o vírus sou eu”, disse Bolsonaro a apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada na manhã desta quarta-feira (3). A interação foi registrada e divulgada por um canal de vídeo simpático ao presidente. Para o mandatário, veículos de comunicação aterrorizaram a população. “Criaram pânico, né? O problema está aí, lamentamos. Mas você não pode entrar em pânico. Que nem a política, de novo, de ‘fique em casa’. O pessoal vai morrer de fome, de depressão?”, disse Bolsonaro, ampliando as críticas aos o governadores que, vendo o sistema de saúde de seus estados em colapso ou prestes a colapsar, têm asseverado medidas restritivas.

Movimentos de oposição marcam para 24 de março novo protesto contra Bolsonaro – Em encontro com cerca de 500 dirigentes de partidos, centrais sindicais e movimentos populares, a campanha “Fora Bolsonaro” decidiu marcar para 24 de março a próxima mobilização nacional contra o presidente da República. A iniciativa de escolha da data foi feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e acatada por outros movimentos que compõem a campanha, como CUT, MST, MTST, e partidos de esquerda como PT, PCdoB, PSOL, PDT e PSB. As principais pautas da campanha serão o pedido de lockdown nacional, a aceleração da vacinação, ampliação dos leitos no SUS, pagamento de auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia. Além disso, protestarão contra as reformas promovidas pelo governo federal, contra os projetos de privatização e a favor do impeachment de Bolsonaro. A ideia do grupo é a de fazer paralisações, trancaços de estradas e ações simbólicas, pressionando pela decretação de um lockdown unificado pelo país todo. Em carta, os secretários de Saúde do país pediram um toque de recolher unificado no Brasil, organizado pelo governo federal. Devido ao estágio crítico da pandemia, as ações da campanha serão reavaliadas continuamente, para que não promovam aglomerações.

Cidades têm panelaços contra Bolsonaro – Panelaços em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro voltaram a acontecer na noite desta quarta-feira (3) em algumas cidades do país, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília. O dia foi marcado pelo número histórico de 1.840 mortes por Covid registradas em 24 horas pelo país, o maior desde o início da pandemia da Covid-19. A gestão da crise sanitária é uma das principais críticas feitas ao governo e já motivou pedidos de impeachment.

PT não desistiu de frente ampla, mas não vejo como prosperar com Ciro, diz Wagner – Uma das principais lideranças nacionais do PT, o senador Jaques Wagner (BA) afirma que o partido não desistiu de compor uma aliança eleitoral contra Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022, mas que não vê como prosperar com Ciro Gomes, do PDT. Em entrevista à Folha, o petista, que assumiu a Comissão de Meio Ambiente do Senado, avalia que o grande número de militares em funções no governo revela a existência de um desvio de função e prega que o discurso ambiental é a frente ampla contra o negacionismo.

CPI da Covid no Senado ganha tração – A pressão para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações do governo na pandemia do novo coronavírus cresce exponencialmente. Se no começo da semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não via motivos para uma CPI, agora, já tem dificuldades em conter os ânimos devido aos recentes episódios sobre a crise sanitária — sobretudo depois que o país bateu, ontem, a marca oficial de 1.910 mortes pela covid-19 em 24 horas. Segundo o líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vários parlamentares acenam com a possibilidade de assinarem o requerimento que apresentou. A criação do colegiado dependerá do fim do lockdown no Distrito Federal. O líder do PT na Casa, Paulo Rocha (PA), argumenta que não se trata de uma “CPI genérica”. “O objetivo não ser uma CPI genérica, mas direcionada à questão da saúde. O que Bolsonaro está fazendo alavanca a nossa força para instalá-la. O que ele fez no Ceará, na semana passada, por exemplo, só justifica a instalação”, afirmou. O líder do PSDB, senador Izalci Lucas (DF), acredita que há grandes chances de a CPI ser instalada. A demora só se daria graças aos debates em torno da PEC Emergencial. “Há muita cobrança, é um instrumento da maioria. O presidente do Senado pediu para resolver as questões emergenciais primeiro, mas acho que a chance é grande. O PSDB é favorável. Não é ‘oba-oba’, é buscar um caminho para vacina, auxílio emergencial, combate à pandemia. Buscar um rumo”, justificou.

Bolsonaro sentiu o tranco – O trágico cenário de mais de 259 mil mortes por covid-19 e o desabafo do governador de São Paulo, João Doria, tachando Jair Bolsonaro como o “mito da mentira, da incompetência”, elevou a temperatura no Palácio do Planalto e fez com que o governo corresse para divulgar a compra de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer. A avaliação dos aliados é a de que ainda dá tempo de recuperar terreno. Porém, a irritação do presidente chegou ao ponto de ele querer fazer um pronunciamento à Nação para responder ao governador paulista e se defender dos ataques que considera receber diariamente. O presidente também não gostou nada de Doria ter citado, ainda que ‘en passant’, a compra da mansão de quase R$ 6 milhões pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O governador disse que não precisa das benesses do poder, de rachadinhas. Para muitos, é uma prévia do que pode vir por aí numa eleição presidencial, caso seja o candidato do PSDB. Bolsonaro tem sido aconselhado a evitar uma posição raivosa no pronunciamento e adotar um tom positivo, falando das vacinas que o governo vai comprar e por aí vai. O genioso presidente, porém, não está conseguindo controlar a raiva. Acha que faz tudo certo e o erro está nos outros.

Governadores, de novo, no alvo das fake news – Equipes de comunicação de governadores identificaram uma “segunda onda de ataques” coordenados contra eles nas redes sociais. Intenso no começo da pandemia, o movimento arrefeceu no segundo semestre. Porém, foi retomado na segunda quinzena de fevereiro, quando Jair Bolsonaro colocou a culpa pelo aumento de preço dos combustíveis nos governadores. Desde o domingo, a onda ganhou contornos de tsunami quando o presidente divulgou informações no mínimo equivocadas sobre repasses federais ao combate à covid-19 nos Estados. A maior parte das fake news foi a respeito de lockdowns: no Ceará, um “decreto” com a logo do governo do Estado baixava a medida por 40 dias. No Maranhão e no Piauí, um mesmo texto sobre supostas medidas de restrição (inclusive com multa de R$ 180 para pessoas físicas) teve de ser desmentido pelo governo. O tema foi debatido por secretários estaduais de Comunicação do Nordeste: acreditam em uma ação coordenada. Em São Paulo, a Casa Militar monitora as ameaças ao governador João Doria. Apesar de serem frequentes, pioraram nos últimos dias em redes sociais e até no WhatsApp particular dele. A “agravante” foi o anúncio da fase vermelha no Estado. A secretária de Comunicação do Rio Grande do Norte, Maria da Guia Dantas, disse que a situação é “surreal”: “O Brasil com tantas mortes e, desde o final de semana, estamos gastando o precioso tempo da comunicação oficial para esclarecer sobre informações distorcidas”.

Sem auxílio, aprovação de Bolsonaro fica abaixo de 30% – No pior momento da pandemia e ainda sem a retomada do pagamento do auxílio emergencial, a aprovação do presidente Jair Bolsonaro aparece abaixo do patamar de 30% da população, segundo pesquisa do IPEC (Inteligência, Pesquisa e Consultoria). O levantamento, realizado entre 18 e 23 de fevereiro, aponta que 28% dos entrevistados consideram a gestão Bolsonaro ótima ou boa, enquanto 39% avaliam como ruim ou péssima. Segundo os dados do IPEC, o eleitorado evangélico é a principal base de apoio a Bolsonaro, que tem avaliação positiva de 38% neste segmento. A margem de erro é de dois pontos. Em levantamentos de institutos como Datafolha e Ibope em 2020, o nível de aprovação geral do governo Bolsonaro quase sempre ultrapassava um terço da população. Em dezembro, apesar do aumento de mortes em decorrência da Covid-19 após as eleições municipais, o presidente manteve 37% de aprovação. Já no fim de janeiro, primeiro mês após o fim do pagamento das parcelas de R$ 300 do auxílio emergencial, o Datafolha apontou queda nas avaliações positivas, com 31% considerando o governo ótimo ou bom, e rejeição na casa de 40%. O IPEC, instituto formado por executivos que deixaram o Ibope após o encerramento das atividades com pesquisas de opinião pública, aponta ainda neste levantamento que, para 87% dos brasileiros, há alguma expectativa de pagamento do auxílio emergencial “até a situação econômica voltar ao normal” — o que pressupõe um prazo maior do que os quatro meses do planejamento do governo federal. Segundo a pesquisa, 72% concordam totalmente com esta visão; 15% concordam em parte.

Aécio Neves prepara volta aos holofotes ao presidir comissão – O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) é o principal cotado para assumir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). O posto tem visibilidade na Casa, já que a comissão tem interlocução com o Ministério das Relações Exteriores e com embaixadas de países estrangeiros. O posto é ocupado hoje por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro. O PSL ainda briga para permanecer à frente da comissão. Eduardo usou a função para fortalecer ligações com países governados pela direita, como Hungria e os Estados Unidos na gestão Donald Trump. Segundo aliados de Aécio, o acordo para que ele assumisse a comissão foi fechado diretamente com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, durante a campanha na eleição para a Mesa Diretora. Nos bastidores, Aécio foi parte da ala do PSDB pró-Lira, embora a o partido tenha permanecido formalmente ao lado de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Bia Kicis diminui resistências e deve ser confirmada na CCJ – Após um mês de trabalho nos bastidores, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) conseguiu diminuir resistências e está próxima de ser confirmada como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado mais importante da Câmara. A instalação das comissões está prevista para ocorrer ainda nesta quinta-feira, mas pode ser adiada. Houve a interrupção dos trabalhos presenciais da Câmara dos Deputados e líderes devem concentrar esforços para aprovar a PEC Emergencial nos próximos dias. Por lá, passarão os principais projetos da Casa. O colegiado tem a prerrogativa de analisar a constitucionalidade de cada texto. Para assumir o cargo, Kicis já conseguiu o apoio de partidos do centrão, como PP, PL, PSD e Republicanos. A expectativa entre os deputados é que apenas a oposição proteste contra o nome dela. Presente nos atos antidemocráticos incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro, Kicis tenta construir pontes até com partidos de esquerda. Para convencê-los, segundo um deputado desse grupo, ela argumenta que será “democrática e respeitará as diferenças”. Garante ainda que dará a palavra a todos quando estiver no comando da comissão. No DEM, já há um movimento, inclusive, para que os integrantes indicados à comissão se comprometam a votar na bolsonarista. O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), por exemplo, começará como suplente e só depois deverá ser titular. A ideia é eleger um indicado escolhido pelo PSL para não provocar um efeito cascata e atrapalhar as negociações para o comando de outras comissões.

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