Resumo dos jornais de quinta (26/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quinta (26/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Morre Diego Armando Maradona

CORREIO BRAZILIENSE: Assassinas de Rhuam pegam, juntas, 129 anos de cadeia

O ESTADO DE S.PAULO: Covas mantém vantagem sobre Boulos a quatro dias do 2º turno

O GLOBO: O mais humano dos deuses

Valor Econômico: Relator adiciona tributação de dividendos à reforma

Resumo das manchetes

A Folha e o Globo dedicam suas manchetes a morte de Maradona, que sintetiza a Argentina e morre como maior mito do país vizinho. Os dois jornais trazem uma cobertura especial sobre a vida e a trajetória do ídolo. A manchete do Correio aborda o julgamento de um crime que abalou o Distrito Federal, a morte do menino Rhuam, 9 anos, assassinado pela mãe e sua companheira. O Estadão revela o resultado da segunda pesquisa Ibope em São Paulo: Covas tem 48% e Boulos, 37% das intenções de voto. No Valor, a manchete é sobre a decisão de incluir na PEC 45 a tributação de dividendos, a proibição de dedução de juros sobre o capital próprio nos balanços e a tributação “progressiva” de herança e patrimônio, para dar sinalização forte aos investidores para a retomada da economia.

Destaques de quinta-feira

O mito – Herói, gênio, político, celebridade pop, doente e jogador de futebol, Diego Armando Maradona não precisou morrer para virar um mito. O adeus do argentino, que por algumas vezes driblou a morte, aconteceu nesta quarta-feira (25). Vítima de uma parada cardiorrespiratória em casa, em Tigre, na região de Buenos Aires, deixou um séquito de fãs que o consideram Deus. A morte do ídolo mundial, aos 60 anos, foi confirmada por seu advogado, após o jornal Clarín divulgar a informação. Maior nome esportivo da Argentina, ele nasceu no dia 30 de outubro de 1960 e cresceu no humilde bairro de Villa Fiorito, no subúrbio de Buenos Aires.

Plano nacional de vacinação contra Covid-19 será divulgado na segunda – O Ministério da Saúde informou a governadores que o plano nacional de vacinação contra a Covid-19 será divulgado na próxima segunda (30). O líder do consórcio do Nordeste, o governador Wellington Dias (PT-PI), afirma que serão definidos nessa etapa os preparativos para a vacinação, como as regras de distribuição do medicamento e de armazenagem, além do treinamento das equipes. Está prevista a organização do número de pontos de vacinação, e se ela será feita por agendamento e para quais grupos prioritariamente. O governo havia sinalizado aos governadores que estaria pronto para fazer o anúncio na segunda, o que foi confirmado nesta quarta (25). Segundo Dias, a estratégia definida é trabalhar com múltiplas vacinas, “começando pela primeira autorizada pela Anvisa”. “Em dezembro é prevista a conclusão da terceira etapa de duas vacinas: a Coronavac e Oxford. E o Brasil, como é signatário do consórcio de países com a OMS, pode adotar outras, aprovadas pela OMS”, disse.

Maia cria comissão de juristas – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), instituiu nesta terça-feira (24) uma comissão de juristas para discutir temas constitucionais e elaborar um anteprojeto. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi o escolhido para comandar o grupo. Alguns deputados ouvidos pelo Painel reclamaram do ato de Maia neste momento, como sendo um aceno para a corte. Gilmar Mendes é o relator do caso que discute a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Nesta quarta (25), o ministro mandou a ação para o plenário virtual da corte. O julgamento deve ocorrer em 4 de dezembro. Aliados de Maia, no entanto, defenderam a criação do grupo e dizem que o processo consitucional está bagunçado e precisa ser reorganizado. Nesse sentido, afirmam, o ministro é a melhor escolha. Eles também acrescentam que Gilmar foi responsável por escrever boa parte da legislação atual sobre o processo constitucional no Brasil. A comissão, com 24 membros, terá o prazo de 150 dias para concluir os trabalhos, prorrogáveis mediante solicitação. Entre os integrantes, estão os ministros Luís Felipe Salomão e Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça, e Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União. Advogados também fazem parte do grupo, como Rodrigo Mudrovitsch, defensor de Gilmar Mendes em causas privadas.

Ibope São Paulo – O prefeito Bruno Covas (PSDB) tem 57% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, aponta pesquisa Ibope. Guilherme Boulos (PSOL) tem 43%, segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (25). Considerando os votos totais, Covas tem 48%, e Boulos, 37%. Declararam voto em branco ou nulo 12%, enquanto 4% não souberam responder.

Ibope Recife – O deputado federal João Campos (PSB) tem 51% dos votos válidos na corrida para a Prefeitura do Recife, em empate técnico com sua prima Marília Arraes (PT), que tem 49%, mostra pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (25). A conta exclui brancos nulos e indecisos. No levantamento anterior, divulgado no dia 18, Campos tinha 47%, e Marília, 53%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Nos votos totais, o filho do ex-governador Eduardo Campos também aparece numericamente à frente, com 43%. Sua prima tem 41%. Branco e nulos são 15%; não sabem ou não responderam, 2%.

Ibope Rio – Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira aponta crescimento do atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), mas ainda com ampla vantagem para seu adversário, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), na disputa do segundo turno. Paes segue com 53% das intenções de voto, enquanto Crivella subiu cinco pontos, aparecendo agora com 28%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Nos votos válidos, modalidade em que são excluídos brancos, nulos e indecisos do cálculo da porcentagem – esta é a forma como a Justiça Eleitoral apresenta os resultados da eleição -, Paes aparece com 65% contra 35% de Crivella.

Ex-governador de Sergipe, João Alves Filho morre aos 79 anos – João Alves Filho, ex-governador de Sergipe, morreu na noite desta terça-feira (24). Ele tinha 79 anos e estava lutando para se recuperar de uma parada cardíaca, sofrida no dia 18 de novembro. Mas o quadro piorou depois que ele pegou Covid-19. A morte foi divulgada pela família. João Alves tinha um quadro avançado de Alzheimer e foi internado em estado grave no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, na semana passada, por causa da parada cardíaca. Depois que foi identificada a infecção pelo novo coronavírus, a família disse que o quadro de saúde era “clinicamente irreversível”. Ele estava com as funções renais paralisadas e sedado, respirando com ajuda de aparelhos. O corpo de João será cremado no Cemitério Jardim Metropolitano, em Valparaíso de Goiás, a 40 minutos de Brasília. O ex-governador deixa a esposa e senadora Maria do Carmo Alves (DEM) e 3 filhos.

Empresários lançam estudo para defender negócios do Brasil com a China – Estudo encomendado pelo Conselho Empresarial Brasil-China propõe que os brasileiros olhem o parceiro asiático cada vez menos como competidor e ameaça e cada vez mais como referência e oportunidade, em especial para diversificar a pauta de exportação e absorver novas tecnologias. O documento, que foi batizado de “Bases para uma Estratégia de Longo Prazo do Brasil para a China”, será divulgado nesta quinta-feira (26) pela entidade em um evento que prevê a presença do vice-presidente Hamilton Mourão. O conselho reúne diplomatas brasileiros e empresários que já mantêm relações com a China ou têm interesse no parceiro comercial. Entre os associados estão instituições financeiras e empresas como Banco do Brasil, Bradesco, BRF, CPFL Energia, Embraer, Itaú e Vale. O estudo é lançado num momento de seguidas controvérsias políticas e econômicas, em que o país asiático é apontado como ameaça pelo governo Jair Bolsonaro e no contexto de uma disputa comercial e tecnológica mais acirrada com os Estados Unidos.

Brasil deve evitar ação discriminatória contra China – A China está a caminho de se tornar uma potência tecnológica e digital e deve ser do interesse brasileiro potencializar as oportunidades para se beneficiar dessas mudanças, segundo o documento “Bases para uma Estratégia de Longo Prazo do Brasil para a China”, divulgado pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China). De acordo com o conselho, que reúne diplomatas brasileiros e empresários que mantêm interesses ou relações com a China, “essas parcerias podem se ver dificultadas caso se venham a estabelecer restrições à participação chinesa na área de infraestrutura de telecomunicações (e.g. 5G) ou mesmo pelo próprio ambiente internacional para atuação de empresas chinesas de alta tecnologia”. “Por outro lado, essa pode ser uma oportunidade para o Brasil, se o país conseguir estabelecer plano e padrões de cooperação que sejam positivos para os dois lados e que se enquadrem nos objetivos de segurança nacional. Para a China, o mais importante é evitar atitudes discriminatórias”, diz o texto da proposta elaborada pela diplomata e economista Tatiana Rosito, que integra o Comitê Consultivo do CEBC.

Suspeita de fraude em candidaturas – Mesmo sendo maioria da população brasileira (52,5%), as mulheres ainda enfrentam dificuldades para assumir cargos eletivos em todo o país. Neste ano, elas somaram 33,3% de candidaturas para prefeita, vice-prefeita ou vereadora, e foram apenas 16% de todos os eleitos. Atualmente, a Justiça Eleitoral obriga que 30% das candidaturas de coligações sejam femininas. A norma é colocada como condição para que os partidos tenham acesso ao Fundo Eleitoral. No entanto, passados pouco mais de 10 dias do primeiro turno das eleições municipais, começam a surgir, pelo país, denúncias de candidaturas “laranjas” de mulheres — ou seja, candidatas teriam se registrado apenas para cumprir a cota de cada partido. Um dos casos teria ocorrido no município de Muquém do São Francisco, no interior da Bahia. Na cidade, a coligação formada por PT, PSB e PP teve seis candidaturas femininas. Entretanto, três não obtiveram nenhum voto, ou seja, nem delas mesmas. Conforme apurou o Correio no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as candidatas Cristiane, Netinha e Adriana, todas do PSB, receberam R$ 2 mil em doações, cada uma, para financiar suas campanhas. Contudo, nenhum material teria sido impresso por elas. Até o fechamento desta edição, as três não haviam prestado contas à Justiça Eleitoral.

Eduardo mantém ataques e fala em ameaça chinesa – Depois de iniciar mais uma crise com a China, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse, ontem, ao Correio, num evento que discutia regularização fundiária, que o país asiático adota uma postura agressiva. O parlamentar lamentou a nota em que a embaixada chinesa diz que ele e outras personalidades têm feito declarações “infames” e que “solapam a atmosfera amistosa entre os dois países”.

“A China adota uma postura muito agressiva, isso é lamentável. E é lamentável que, na parte final da nota, ela ainda se sirva da fala individual de um parlamentar, ainda que presidente da Comissão de Relações Exteriores, para, na minha visão, fazer uma ameaça velada ao Brasil”, ressaltou.

O imbróglio começou quando Eduardo fez postagens no Twitter em que acusava a China de espionagem via 5G. “O Brasil apoia projeto dos EUA para o 5G e se afasta da tecnologia chinesa”, dizia a publicação. “O governo de Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China.” Depois, ele apagou o tuíte. Apesar de ter apagado a publicação, o parlamentar reiterou suas preocupações, dizendo ter “convicções e suspeitas fundadas”. “Não à toa, está se formando, devido a essa preocupação fundada, uma aliança internacional para analisar essa questão do 5G”, destacou. “Não é contra a Huawei (empresa líder na tecnologia 5G) ou contra a China. É para que seja feita uma segurança técnica de maneira a não se permitir o vazamento de dados ou o furto de informações. Enfim, essa que é a grande preocupação. Pode ver que no Brasil foi criada, recentemente, a agência brasileira de proteção de dados (Autoridade Nacional de Proteção de Dados — ANPD).”

Pressão sobre Eduardo – Vários partidos engrossaram a proposta da deputada Perpétua Almeida de destituir Eduardo Bolsonaro da presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. “Há uma necessidade urgente de destituí-lo, porque o regimento não pode dar margem para o exercício de mais um mandato de presidente da Comissão em sua totalidade, ainda que diante da excepcionalidade criada pela pandemia”, diz o vice-presidente do Cidadania, Rubens Bueno, para quem Eduardo vive cometendo “desatinos e envergonhando o Parlamento”. “Até quando vão ficar dando asas a esse louco aí?”, pergunta o presidente da Frente, deputado Fausto Pinato, referindo-se às declarações de Eduardo, que anunciou apoio aos Estados Unidos na guerra em torno do 5G e, de quebra, acusou a China de espionagem.

Vacinada – Na reunião da Comissão Externa da Câmara sobre as ações de combate ao coronavírus, chamou a atenção a breve participação da representante da Anvisa, Cristiane Jourdan. Ela falou pelo menos cinco vezes que a Anvisa era uma instituição do Estado brasileiro. Tenta se prevenir das acusações de uso político da agência. Jourdan falou por aproximadamente cinco minutos. Por, pelo menos duas vezes, mencionou que as decisões na Anvisa são tomadas pelo colegiado de cinco diretores e salientou o caráter técnico de cada passo da Agência. É reflexo da cobrança feita à Anvisa quando da suspensão dos testes da CoronaVac, decisão comemorada pelo Bolsonaro.

‘Nova’ Lei de Falências inclui Fisco e produtor – O Senado aprovou ontem mudanças na Lei de Falências, com alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara. Com as modificações, os senadores ampliaram os efeitos da lei ao permitir, por exemplo, que produtores rurais possam requerer a recuperação judicial. A nova versão diz ainda que, uma vez em recuperação, as empresas poderão parcelar dívidas dívidas tributárias em até dez anos. Outro benefício criado é a suspensão da execução de dívidas por 60 dias, prazo para a realização de negociações extrajudiciais com os credores. O texto vai agora para sanção presidencial.

Senha vaza e dados de 16 milhões de pacientes de covid são expostos – Funcionário do Albert Einstein divulgou na internet lista com usuários e senhas que davam acesso aos bancos de dados de testados, diagnosticados e internados; material ficou online por 28 dias. Autoridades como Bolsonaro, Doria e ministros tiveram privacidade violada. Ao menos 16 milhões de brasileiros que tiveram diagnóstico suspeito ou confirmado de covid-19 ficaram com seus dados pessoais e médicos expostos na internet durante quase um mês por causa de um vazamento de senhas de sistemas do Ministério da Saúde. Entre as pessoas que tiveram a privacidade violada, com exposição de informações como CPF, endereço, telefone e doenças pré-existentes, estão o presidente Jair Bolsonaro e familiares; o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; outros seis titulares de ministérios, como Onyx Lorenzoni e Damares Alves; o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e mais 16 governadores, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A exposição de dados não foi causada por ataque hacker nem por falha de segurança do sistema. Eles ficaram abertos para consulta após um funcionário do Hospital Albert Einstein divulgar uma lista com usuários e senhas que davam acesso aos bancos de dados de pessoas testadas, diagnosticadas e internadas por covid nos 27 Estados. Conforme o Einstein, o hospital tem acesso aos dados porque está trabalhando em um projeto com o ministério.

Filho do governador de MS é alvo de operação – A Polícia Federal vasculhou anteontem a casa e o escritório do advogado Rodrigo de Souza e Silva, filho do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), durante a Operação Motor de Lama. A ação apura desvios e fraudes em licitações para contratação de serviços de emissão de CNH e vistoria veicular. A defesa de Rodrigo Silva e o Detran-MS não responderam ao Estadão.

Câmara longe da volta presencial de deputados – Mesmo sob pressão de grupos importantes, como a Frente Parlamentar da Agropecuária, os trabalhos presenciais na Câmara dos Deputados não devem ser retomados neste ano. Havia expectativa de retorno após as eleições. Mas a cúpula da Casa avalia ser arriscado reunir os 513 deputados, mais assessores e servidores, em ambiente fechado com a iminência de um novo pico de infecções em todo o País. Bons argumentos à parte, sem os deputados na Casa será difícil encontrar consenso para pautas como a reforma tributária e Orçamento. A FPA, que reúne 245 deputados, divulgou uma nota oficial com um apelo pela volta das deliberações presenciais, com respeito a regras sanitárias. No Planalto, a leitura é de que a pauta não fica prejudicada com o trabalho remoto. Ontem, por exemplo, o Senado aprovou a Lei de Falência. Além do mais, esvaziar os últimos meses de Maia não é exatamente um grande problema para alguns governistas.

‘Não abro mão do partido para o presidente’ – Presidente do Republicanos, partido que abriga dois dos três filhos políticos de Jair Bolsonaro, o deputado Marcos Pereira (SP) disse não haver hipótese de oferecer o controle da sigla para atrair o presidente. Desde que a ideia de fundar o Aliança pelo Brasil naufragou, Bolsonaro busca uma legenda para se filiar. “Não abro mão do comando do partido para ninguém, nem para o presidente da República”, afirmou Pereira, que hoje é vice-presidente da Câmara. Segundo o dirigente do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, tanto o senador Flávio Bolsonaro (RJ) quanto o vereador Carlos Bolsonaro (RJ) estão na sigla apenas “de passagem”. O partido contabiliza crescimento nas eleições municipais, ao pular de 103 para 208 prefeitos, e agora almeja a presidência da Câmara.

Aprovação de Bolsonaro cai ou oscila para baixo em 23 das 26 capitais – A avaliação positiva do governo do presidente Jair Bolsonaro caiu numericamente em 23 das 26 capitais brasileiras entre os meses de outubro e novembro, durante as eleições municipais. O levantamento do GLOBO comparou a primeira pesquisa do Ibope no período eleitoral com a mais recente em cada uma das cidades. O instituto tem medido a aprovação e a rejeição à gestão de Bolsonaro quando faz os levantamentos de intenção de voto para as prefeituras. Os números mostram que em quase todas as capitais caiu o percentual que avaliou o governo como “ótimo ou bom”. Das 23 cidades nas quais o presidente teve esse índice reduzido, em 14 a queda foi além da margem de erro, que varia de três a quatro pontos percentuais dependendo do município. Não houve aumento do índice de aprovação de Bolsonaro em nenhuma capital do país se considerada a margem de erro. Outro indicador negativo para o presidente está relacionado ao número de entrevistados que avaliam sua gestão como “ruim e péssima”: este índice subiu acima da margem de erro em 12 capitais. As pesquisas foram feitas em um período no qual o auxílio emergencial concedido pelo governo em decorrência da pandemia foi reduzido de R$ 600 para R$ 300. Em setembro, em uma pesquisa nacional realizada pelo Ibope que abrangia também cidades do interior, o presidente contava com 40% de “ótimo e bom”, 29% de “regular” e 29% de “ruim e péssimo”. A redução da popularidade de Bolsonaro nas capitais repercutiu nas urnas. Dos seis candidatos a prefeito apoiados pelo presidente em capitais, quatro foram derrotados no primeiro turno, ao passo que dois disputam o 2º turno mas se encontram atrás nas pesquisas de intenção de voto.

Eleição São Luís: Base de Flávio Dino racha – O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), viu sua base esfacelar no segundo turno da eleição para a prefeitura de São Luís. Parte de seus aliados decidiram apoiar Eduardo Braide (Podemos), candidato da oposição, mesmo após o governador sair da neutralidade para apoiar Duarte Júnior (Republicanos) no segundo turno. Entre os motivos, desavenças pessoais e movimentações para a eleição pelo governo do estado em 2022. No começo da eleição, eram sete candidatos da base do governador da disputa e, por isso, ele optou por não apoiar ninguém, contando que na fase final todos apoiariam o nome do grupo que chegasse ao segundo turno. Mas dois dos candidatos derrotados decidiram apoiar agora o oposicionista Braide e há dissidência até no partido de Dino. De acordo com pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira passada, o candidato do Podemos tem 49% dos votos totais, enquanto Duarte tem 42%. A margem de erro é de três pontos percentuais. O apoio mais importante recebido por Braide no segundo turno foi do deputado estadual Neto Evangelista (DEM), ex-secretário de Dino, que teve 16,2% dos votos. Ele afirma que o endosso ao nome da oposição não interfere na sua relação com o governador e ataca Duarte Júnior. — Ele não se dá bem geralmente com quem convive com ele, na Assembleia tem problema com a maioria absoluta da casa. Por onde ele passa deixa rastros negativos — afirma.

Goiânia: Filho e vice tocam campanha de candidato internado na UTI em SP – “Maguito disparou, disparou, disparou”. Com o jingle da campanha de Maguito Vilela (MDB) ressoando por meio de um carro de som, o filho do candidato a prefeito de Goiânia, deputado Daniel Vilela (MDB), e um grupo de vereadores percorreram ontem bairros da periferia da cidade. O candidato ainda nem sabe que está no segundo turno e muito menos que tem liderança folgada nas pesquisas. Com Covid-19, Maguito está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele foi entubado novamente no dia do primeiro turno e passou por uma traqueostomia nesta semana. Em agosto, Maguito perdeu duas irmãs vítimas da Covid. Por isso, os filhos chegaram a tentar convencê-lo a não disputar o pleito, mas ele insistiu. Daniel afirma que se divide entre ter notícias do pai e manter seu desejo de disputar o cargo. — Estamos otimistas com a recuperação, acreditando muito, mas a gente sempre fica com a cabeça lá e outra aqui. Você está num evento aqui e está doido para pegar o telefone e ligar lá, saber se está tudo bem. Você já não dorme direito à noite, espera amanhecer para ligar de novo — relata o deputado.

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