Resumo dos jornais de quinta (19/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quinta (19/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Pfizer conclui testes e diz que vacina é 95% eficaz

CORREIO BRAZILIENSE: PPPs e concessões para acelerar economia do DF

O ESTADO DE S.PAULO: Covas larga no 2º turno com 47% e Boulos, com 35%, aponta Ibope

O GLOBO: Em meio a 2ª onda, mundo se aproxima da vacina emergencial

Valor Econômico: Home office perde apoio e tendência é modelo híbrido

Resumo das manchetes As manchetes de O Globo e da Folha são sobre a eficácia da vacina da Pfizer que anunciou ontem o imunizante contra a Covid-19, elaborada em parceria com a empresa alemã BioNTech, é segura e tem 95% de eficácia. Os resultados são da terceira fase e última fase de testes da droga, concluídos nesta semana. O Correio revela em sua manchete que PPPs e concessões vão acelerar a economia do DF. O Estadão destaca em manchete pesquisa de intenções de voto em SP para o 2º turno. O Valor traz em manchete o dilema do teletrabalho, haja vista que análises feitas pela Orbit Data Science com base em 5 mil comentários no Twitter, Facebook e Instagram indicam forte queda na satisfação dos brasileiros com o trabalho em casa. No início da pandemia, 70% das pessoas se diziam satisfeitas, índice que caiu para 45% em junho e 43% em outubro. insatisfeitos é o desafio das companhias, que tendem a adotar modelo híbrido. “O formato 100% em home office está desgastado e o 100% presencial está esgotado”, disse Joseph Nigri, da Construtura Tecnisa.

Destaques de quinta

DEM e PDT apoiam adversário de Flávio Dino – Derrotados no pleito em São Luís, DEM, PDT e até setores do PC do B anunciaram nesta quarta-feira (18) o apoio à candidatura de Eduardo Braide (Podemos) no segundo turno da disputa pela prefeitura da capital maranhense. A aliança faz desmoronar a tentativa de união dos candidatos aliados do governador Flávio Dino (PC do B) em torno de Duarte Júnior (Republicanos) e implode a base do governador no principal colégio eleitoral do estado. O movimento antecipa o debate em torno da sucessão de Dino em 2022, cujos principais nomes da base aliada são o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos). Também põe em xeque a capacidade de articulação do governador em um momento em que ele se coloca como um possível candidato ao Planalto e defende a construção de uma aliança ampla para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Marília Arraes chega ao 2º turno com face mais pragmática – Classificada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “boa de briga” após ser escanteada por ele em 2018 numa estratégia nacional, a deputada federal Marília Arraes (PT), que enfrenta adversários dentro do próprio partido, chega ao segundo turno no Recife exibindo sua face mais pragmática. Sem carregar o DNA petista em sua formação por ter sido criada na escola do PSB, a neta do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005) conseguiu avançar em busca do voto mais conservador, considerado fundamental para vencer a disputa no segundo turno. Seu adversário é o primo João Campos (PSB), bisneto de Miguel Arraes e filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 2014. Em dois dias, Marília obteve apoio de lideranças do PTB, Podemos e PL, todos posicionados no campo da direita e, também com bastante representatividade no segmento evangélico do eleitorado. Para a direita, o que está em jogo é a quebra da hegemonia do PSB no Recife e em Pernambuco, iniciada em 2007, após a vitória de Eduardo Campos. O cálculo é que, com a derrota de João Campos, o caminho para a disputa do Governo de Pernambuco em 2022 é menos complicado. Pesquisa Ibope divulgada ontem aponta Marília com 53% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. João Campos aparece com 47% no levantamento, que tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Apenas 1 dos 74 candidatos que concorreram com o nome Bolsonaro foi eleito – Somente 1 dos 74 candidatos que disputaram as eleições de domingo (15) usando na urna o nome “Bolsonaro” foi eleito. Apenas Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), conseguiu uma vaga e renovará seu mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ele teve 71 mil votos e foi o segundo com maior votação na cidade. Ainda assim, teve cerca de 35 mil votos a menos que em 2016, quando foi o campeão na capital do estado. Já Rogéria Bolsonaro (Republicanos), mãe dos três filhos mais velhos do presidente, se candidatou a vereadora no Rio, teve apenas 2.034 votos e ficou longe de conseguir se eleger, ocupando a 209ª posição. Dos 74 candidatos que usaram o sobrenome do presidente, 72 concorreram ao cargo de vereador. Havia ainda dois que tentavam a prefeitura: Marcos Bolsonaro (PSL), em Jaboticabal (SP), e Osmar Bolsonaro (PP), em Várzea Paulista (SP). O estado com maior número de “Bolsonaros” foi São Paulo, com 20, seguido do Rio, com 6. Nestas eleições, nenhum de apoiados pelo presidente ou que buscaram se associar a ele conseguiram vencer em cidades importantes.

Boulos tomou espaço do PT por falta de renovação, mas a raiz é a mesma – Em busca do antipetismo perdido, Bruno Covas (PSDB) afirma que seu rival na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), tem a mesma raiz que a do partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta entrevista, o prefeito tucano se vê num desafio retórico: busca fustigar Boulos, a quem qualifica de inexperiente e associado ao PT, mas rejeita chamá-lo de radical. Prefere dizer que os paulistanos é que farão o julgamento. Sobre a selfie tirada por ele com o presidente Jair Bolsonaro, o governador João Doria (PSDB) e o hoje ministro Luiz Eduardo Ramos, usada como munição contra si, Covas afirma que apenas havia sido educado. Já o apoio do candidato de Bolsonaro derrotado no primeiro turno, Celso Russomanno (Republicanos), é escolha normal de segundo turno. Ele nega que o PSDB possa patrocinar um estelionato eleitoral ao insistir que não há uma segunda onda da pandemia na cidade, e se mostra cético sobre o movimento de centro-direita deste ano unir partidos como o seu, DEM e PSD para enfrentar Bolsonaro em 2022. Defendeu seu vice, Ricardo Nunes (MDB), que tem ligações com empresas fornecedoras de creches conveniadas comandadas por aliados. “É natural, ele conhece todo mundo na região”, disse, por telefone, na tarde desta quarta (18).

Covas tem 58%, e Boulos, 42% dos votos válidos – Considerando-se os votos totais, Covas tem 47% das intenções de voto. Boulos marca 35%, enquanto 14% afirmam votar em branco ou nulo, e 4% não souberam responder. O atual prefeito se destaca entre aqueles que consideram a sua gestão ótima ou boa, segmento em que 78% afirmam desejar sua reeleição. Católicos (54%) e maiores de 55 anos (54%) também têm preferência por Covas. Dos entrevistados que avaliam a gestão do prefeito como ruim ou péssima, 50% dizem votar no candidato do PSOL. Boulos também se destaca entre os que afirmam não ser nem católicos nem evangélicos. No Rio de Janeiro, o ex-prefeito da cidade Eduardo Paes (DEM) tem 69% dos votos válidos, e Marcelo Crivella (Republicanos) tem 31%.

Bolsonaro é jogado no 2º turno de SP – Após a derrota de seu candidato no primeiro turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro ganhou espaço nesta quarta-feira (18) em falas de Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), que disputam o segundo turno. O tucano, que busca a reeleição, tentou se desvincular do presidente após receber apoio de Celso Russomanno (Republicanos), que teve Bolsonaro como garoto-propaganda e terminou em quarto lugar. O titular do Planalto é adversário do governador João Doria (PSDB), avalista de Covas. O líder de movimentos de moradia, por sua vez, usou a aliança para atacar o rival, dizendo que a parceria entre Covas e Russomanno é uma repetição da dobradinha “BolsoDoria”, usada pelo governador na eleição estadual de 2018. Ao mesmo tempo em que ataca o aliado do tucano, Boulos vem sendo questionado por apoios que conquistou no segundo turno, sobretudo o do ex-presidente Lula (PT). Nesta quarta, sua campanha também recebeu as adesões do PDT e da Rede Sustentabilidade. Em ato de campanha no Jardim Ângela (zona sul), Covas reagiu às críticas de que estaria se aproximando de Bolsonaro. Nos últimos dias, fotos dele ao lado do presidente circularam em redes sociais difundidas por apoiadores de Boulos. As imagens têm sido usadas para desconstruir a imagem de moderado que Covas busca vender. Já a campanha do PSDB tenta colar no candidato do PSOL a pecha de radical, explorando sua atuação em movimentos sociais e a relação com Lula. “Não sou biruta de aeroporto para mudar conforme a orientação de vento”, disse o tucano. “Sou o mesmo Bruno fora da campanha, no primeiro turno, no segundo turno. Anulei meu voto na eleição presidencial de 2018 por não ver no Bolsonaro nenhum discurso que agregasse valores democráticos na campanha dele.” Covas afirmou ter se posicionado contra ações do presidente em vários momentos, como quando disse que vetaria mudanças em livros didáticos que significassem revisionismo da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

PCC falsificava documentos para visitas em presídios e cadastros no Uber – A Justiça de São Paulo autorizou nesta quarta-feira (18) a deflagração de operação contra três núcleos do PCC. Um deles, segundo o Ministério Público, atuava para falsificar documentos. Os objetivos principais eram dois, segundo decisão judicial. O primeiro: falsificar documentos de advogados que faziam visitas em presídios, para confundir as autoridades. O segundo: fazer cadastros na Uber com nomes fictícios “a fim de atuarem ilicitamente nesse mercado e, especialmente, transportarem membros da organização criminosa, armas, drogas e outros produtos ilícitos, com menor vigilância das autoridades de trânsito e segurança pública; transitar os indivíduos foragidos livremente pelo território nacional”, de acordo com o Ministério Público. Na operação desta quarta, a Justiça mandou prender 13 pessoas ligadas à facção criminosa.

Grupos de Maia e de Lira falam em votação do Orçamento no plenário – Criou-se um consenso, ao menos no discurso, dos lados que disputam a Comissão Mista do Orçamento: não haverá acordo para sua instalação e a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento serão votados em plenário. Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Lira (PP-AL) brigam para indicar a presidência da CMO. O grupo de Maia diz que os adversários estão minimizando questões técnicas que inviabilizam a votação no plenário, como a avaliação da capacidade de pagamento das emendas de 513 deputados. O risco de desorganização é elevado, alertam, e cairá na conta do governo. Ainda assim, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), diz não estar preocupado e afirma que a votação pode ocorrer sem problemas no plenário.

Aneel e ONS não tomaram medidas para evitar apagão no AP – Especialistas no setor elétrico ouvidos pela Folha dizem que a crise energética que assola o Amapá há 15 dias expõe falhas no planejamento e na fiscalização do setor, atribuições do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Desde janeiro, o sistema de transmissão que atende o estado opera de maneira precária, sem um dos três transformadores da subestação que leva energia do resto do país para Macapá. Cientes da falta do equipamento, as autoridades do setor não tomaram medidas para reduzir os riscos. “A origem do problema é uma cultura de correr um pouco a mais de risco do que o necessário. E quem paga a curto prazo é o cidadão que está todos esses dias sem luz”, diz o advogado especialista em concessões Massami Uyeda, sócio da Arap Nishi e Uyeda Advogados. As causas do incêndio na subestação ainda estão sendo investigadas e devem ser anunciadas em dez dias, segundo informou na terça (17) o diretor-geral da Aneel, André Pepitone. Mas, para especialistas, os transtornos poderiam ter sido menores caso a subestação estivesse com os três transformadores disponíveis no momento do incidente. O setor questiona por que razão os órgãos responsáveis não buscaram alternativas ou um plano de contingência diante da falta do equipamento.

Odebrecht anuncia fim do monitoramento pelo Departamento de Justiça dos EUA – A Odebrecht anunciou nesta quarta-feira (18) a conclusão do monitoramento externo independente que o DoJ (Departamento de Justiça dos Estados Unidos) vinha realizando dentro da empresa. Os auditores indicados pelo DoJ estavam na empresa desde fevereiro de 2017. A Odebrecht diz que foi certificado que o sistema de conformidade está desenhado para prevenir e detectar possíveis violações das leis anticorrupção. Em comunicado enviado para a imprensa, o presidente do conselho de administração da Odebrecht S.A., José Mauro Carneiro da Cunha, afirmou que “a conclusão do monitoramento e a certificação dada pelo monitor do DoJ são o atestado mais eloquente de que a Odebrecht aprendeu com os próprios erros e chegou ao mesmo nível das corporações que atuam com ética, integridade e transparência”. O trabalho de monitoramento estava previsto no acordo de leniência da empresa, que foi assinado em dezembro de 2016. A empresa afirmou que foram entrevistados mais de seus 900 integrantes, incluindo membros de conselhos de administração, líderes de negócios e gerentes de projetos. Os auditores também analisaram cerca de 30 mil documentos em 7 países e 11 canteiros de obras. A equipe do monitor ainda recomendou políticas e procedimentos e fez pesquisa com mais de 1.300 integrantes para avaliar a percepção e eficácia do programa de conformidade.

Despachos de presidente do Ibama facilitaram circulação de madeira ilegal – Dois despachos internos do presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Fortunato Bim, tiveram como efeito uma maior recirculação de madeira ilegal no Brasil e uma ampliação das possibilidades de exportação irregular de madeira proveniente de espécies ameaçadas de extinção. Além disso, houve uma queda de vistorias do produto in loco, nos portos, antes do envio para outros países, segundo técnicos do Ibama ouvidos pela Folha sob a condição de anonimato.

Reação do Planalto sobre desmatamento – O presidente Jair Bolsonaro mantém a postura de ataque a países que, segundo ele, importam madeira ilegal do Brasil, mas acusam seu governo de permitir o desmatamento da Amazônia. O chefe do Executivo prometeu divulgar, hoje, na live que faz todas as quintas-feiras, o nome das nações que comprariam o produto de forma irregular. Na terça-feira, durante a cúpula do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ele já tinha mencionado que divulgaria a lista. “Estaremos mostrando que esses países, alguns deles que muito nos critica, em parte, têm responsabilidade nessa questão”, afirmou, na ocasião. Bolsonaro acusa outros países, mas não trata do desmonte que ocorre no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) nem sobre as flexibilizações nas normas ambientais. Em março, o órgão revogou uma norma que previa a fiscalização nos portos onde madeiras são embarcadas para as nações compradoras. Na época da decisão, madeireiros do Centro das Indústrias do Pará (CIP) parabenizaram o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, com uma “nota de agradecimento”, por ter liberado a exportação de madeira de origem nativa, sem a necessidade de autorização específica. Com o fim das inspeções dos portos, os produtos florestais passaram a ser apenas acompanhados de um documento de origem florestal (DOF). Esse DOF de exportação, que existe desde 2006, serve, na prática, apenas para que a madeira seja levada até o porto, enquanto a instrução normativa previa autorização para a exportação em si.

Depois de “maricas”, os “frouxos” – O presidente Jair Bolsonaro classificou como “frouxos” aqueles que adotaram o isolamento social e agradeceu a produtores rurais por manterem o abastecimento de alimentos em meio à pandemia. A declaração ocorreu, ontem, em Flores de Goiás (GO), onde o mandatário participou da cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural. “Se o ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’ fosse aplicado no campo, teríamos desabastecimento, fome, miséria e problemas sociais. Parabéns a vocês (do campo) que não se mostraram frouxos na hora da angústia, como diz a passagem bíblica”, ressaltou. O versículo da Bíblia foi citado pelo mandatário, também, nas redes sociais, ao comentar elogio recebido do presidente russo, Vladimir Putin, durante a cúpula do Brics. O mandatário estrangeiro enalteceu as “qualidades masculinas” do chefe do Executivo brasileiro, como “coragem e força de vontade” no enfrentamento da pandemia. Bolsonaro escreveu: “Provérbios 24:10 — se te mostrares frouxo no dia da angústia, sua força será pequena”. No último dia 10, Bolsonaro disse que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas” e enfrentar a doença.

Força-tarefa contra hackers – Os ataques cibernéticos contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no primeiro turno das eleições municipais, no domingo, estão sendo investigados pela Polícia Federal a pedido do presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso. O Ministério Público Federal também atuará para identificar de onde partiram as ações que tentaram derrubar o sistema de apuração e divulgação dos votos. O MPF vai cruzar informações obtidas pela equipe técnica do TSE com dados coletados pela organização não governamental Safernet, que atua combatendo delitos cometidos por meio virtual. Mesmo os ataques tendo sido disparados por computadores instalados no exterior, a origem pode ter sido no Brasil, com o direcionamento de endereços de IPs (computadores) e o uso da rede de outras nações. Até que tudo seja esclarecido, o caso alimenta boatos e críticas, sem provas, sobre a segurança das eleições. A deputada Joice Hasselmann (PSL) — que, em 2018, foi eleita para a Câmara com 1 milhão de votos — teve um desempenho pífio na corrida pela Prefeitura de São Paulo e levantou suspeita sobre o pleito. “Fraude? Será? Tem todo cheiro”, escreveu nas redes sociais. A parlamentar já foi aliada do presidente Jair Bolsonaro e deixou a linha de atuação do governo após racha dentro do PSL. No próprio domingo, o atraso na divulgação dos votos alimentou uma rede de fake news. Aliados de Bolsonaro questionaram o resultado da votação, novamente, sem provas. Pelo Twitter, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) também levantou suspeita sobre o pleito ao comentar o fracasso de candidatos alinhados com o Executivo federal. “O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?”, postou. Pelas redes sociais, bolsonaristas fizeram uma breve campanha pela instauração do voto impresso, sob o argumento de que a medida traria maior segurança para o processo eleitoral. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) fez quatro publicações questionando ou criticando o TSE. Em uma delas, escreveu: “Preparem-se, o TSE vai jurar que seu sistema é seguro. Aham, a gente acredita. Apuração transparente com possibilidade de recontagem já! Exigimos voto impresso”. As postagens ocorreram enquanto os servidores do TSE registraram 431 mil tentativas de acesso no site por minuto e enquanto informações coletadas, dias antes, sobre servidores e ex-ministros eram divulgadas na internet.

O que preocupa Bolsonaro – Durante a viagem a Santa Catarina, no início do mês, o presidente Jair Bolsonaro orientou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a dar um jeito de conseguir recursos para prorrogar o auxílio emergencial de R$ 300. Com o desemprego ainda num patamar bastante elevado, não dá para deixar as pessoas desassistidas, ou dependentes apenas do valor do Bolsa Família. O problema é que todas as propostas de cortes para cobrir a elevada despesa foram descartadas pelo Planalto, pelo Parlamento, ou pela sociedade de uma forma geral. “Não sabemos como resolver essa questão, mas o certo é que preciso prorrogar, sob pena de termos uma legião de pessoas sem renda”, diz o vice-líder do governo, senador Jorginho Mello (PL-SC). A equipe econômica, porém, não tem como fazer mágica. Ou corta, ou não tem como resolver.

Crivella quer que Bolsonaro critique Paes – O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), pedirá ao presidente Jair Bolsonaro para ajudá-lo a desconstruir no segundo turno a imagem de “bom gestor” de Eduardo Paes (DEM). Ele deve ser recebido nesta quinta-feira no Palácio do Alvorada para um café da manhã, no qual o presidente dirá como pretende participar da campanha. O prefeito deseja que Bolsonaro entre ativamente, incluindo a participação em eventos de rua. A ideia da campanha do Republicanos é focar o debate do segundo turno sobre a situação da prefeitura herdada por Crivella em janeiro de 2017, após dois mandatos de Paes. Os articuladores afirmam que não se pretende que o candidato nem Bolsonaro façam ataques pessoais a Paes, mas que sejam feitas críticas aos problemas financeiros que teriam sido deixados por ele e herdados pelo atual prefeito. Na primeira transmissão ao vivo que fez ao apoiar Crivella, Bolsonaro deixou em aberto a possibilidade de os seguidores optarem por outro nome e ainda elogiou Paes, afirmando se tratar de um “bom administrador”. — O outro vocês conhecem também, é um bom administrador, mas eu fico aqui com o Crivella — disse, no dia 29 de outubro.

‘A tragédia da cidade é gravíssima. Nunca vi o Rio assim’ – Na primeira entrevista da série que os colunistas Lauro Jardim e Fernando Gabeira realizam com os candidatos de Rio e São Paulo, Eduardo Paes reforça as críticas ao atual prefeito e seu adversário, afirma que a Prefeitura deve atuar contra as milícias, defende apoio para a cultura e o turismo na retomada pós-pandemia, mas diz que precisa de mais informações para opinar sobre medidas necessárias para deter o avanço da Covid-19. Marcelo Crivella (Republicanos) foi convidado para sabatina, mas ainda não confirmou a sua participação.

Derrota para a Lava Jato – A corregedora-geral do Ministério Público Federal (MPF), Elizeta de Paiva, determinou que a Lava-Jato do Paraná forneça cópia do banco de dados da operação no âmbito de apuração correcional. Em maio deste ano, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou uma liminar do então presidente da Corte, Dias Toffoli, que obrigava a força-tarefa de diversos estados, não só do Paraná, a compartilhar dados com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Correio. A determinação da corregedora não é de agora, mas a PGR não informou a data. À reportagem, disse que “a solicitação para o envio de cópia dos bancos de dados da força-tarefa foi tomada no regular exercício de atividades correicionais do órgão e não possui nenhuma relação com medida judicial” do STF. A PGR afirmou que a corregedoria não se pronuncia sobre procedimentos sigilosos e que “todo o material recebido ficará sob guarda da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (SPPEA) do MPF, que tem atribuição para ações dessa natureza”. A SPPEA fica no gabinete do procurador-geral, Augusto Aras. Os dados são alvo de cobiça do PGR, fato que ficou patente depois que a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, foi ao MPF do Paraná, em junho deste ano, e solicitou, em reunião com a força-tarefa, o acesso a gravações e documentos referentes à operação. Depois da visita, membros do MPF protocolaram uma reclamação na corregedoria, além de questionarem a solicitação de compartilhamento de dados. Lindôra Araújo é vista como figura próxima a Aras, que fez fortes críticas à Lava-Jato neste ano. Ele chegou a dizer que a operação tinha “caixa de segredos”.

Participação da Huawei no 5G ganha força – O governo Jair Bolsonaro já admite, reservadamente, recuar na ideia de banir a chinesa Huawei da disputa pela construção da infraestrutura de telefonia 5G. A mudança, por ora ainda tratada como uma possibilidade entre assessores do presidente, seria uma consequência da vitória de Joe Biden nos Estados Unidos. Não se espera, no Palácio do Planalto e no Itamaraty, discurso de confrontação com o futuro presidente americano. Nos bastidores, o que se diz é que compromissos com Donald Trump terminam com o mandato do atual presidente.

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