Resumo dos jornais de quarta-feira (20/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quarta-feira (20/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Ignorado pela Índia, Brasil apela à China á para receber vacina

CORREIO BRAZILIENSE: Impasse diplomático complica vacinação

O ESTADO DE S.PAULO: Biden inicia guinada contra modelo populista de Trump

O GLOBO: Fiocruz adia entrega das primeiras doses para até março

Valor Econômico: Mourão reconhece erros no combate à pandemia

Resumo de manchetes

As manchetes da Folha e Correio reportam a decisão da Índia de enviar a vacina Oxford/AstraZeneca primeiro a seis nações vizinhas, ignorando operação do Brasil para recolher o fármaco no país asiático – e o risco da falta de imunizantes diante de travas impostas pela China para exportar insumos fragilizaram o governo de Jair Bolsonaro. Auxiliares do presidente culpam Ernesto Araújo pelo vexame diplomático. O chanceler coordenou, sem êxito, esforços para obter 2 milhões de doses com autoridades indianas, a tempo de garantir o cronograma do Ministério da Saúde. A retórica anti-China do Itamaraty também é vista como entrave para Pequim fornecer matéria-prima para as vacinas que serão produzidas no Brasil. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem encontro com o embaixador chinês nesta quarta-feira (20) para tentar desembaraçar as negociações. A manchete do Estadão reporta a posse de Joe Biden na presidência dos EUA e que ele tem a missão de recolocar um país dividido no caminho da normalidade. O Globo aborda em sua manchete que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiou de fevereiro para março a entrega das primeiras doses da vacina da AstraZeneca a serem produzidas no Brasil devido ao atraso na chegada do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da China. A manchete do Valor destaca uma entrevista do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, na qual ele admite que o governo federal cometeu erros, “que são sobejamente conhecidos”.

Notícia do dia – Nesta quarta-feira (20), o democrata Joe Biden fará história ao assumir a Casa Branca em um dos momentos mais assustadores da trajetória americana. Aos 78 anos, Biden é o homem mais velho a chegar à Presidência dos EUA e tem a missão de comandar uma nação dividida e devastada por uma grave crise econômica e uma pandemia que já matou mais de 400 mil pessoas no país. As credenciais inéditas da nova era incluem Kamala Harris, a primeira mulher negra a ocupar a Vice-Presidência americana, e que vai exercer papel definitivo no que se tornou o principal desafio de Biden nos próximos anos: conseguir, de fato, governar. O avanço da maior crise de saúde do século, a violência política e o debate do impeachment de Donald Trump devem dominar os primeiros anos da gestão democrata, e especialistas acreditam que será difícil fazer muito além desses temas até meados de 2022.

Principais notícias da primeira página

Até centrão especula impeachment de Bolsonaro – A debacle do governo Jair Bolsonaro na chamada “guerra da vacina” contra o governador João Doria (PSDB-SP) fez com que a palavra impeachment deixasse de ser uma exclusividade de discursos públicos da oposição. Líderes de partidos centristas, inclusive do centrão que sustenta o presidente no Congresso, passaram a discutir com desenvoltura o tema. O “isso não tem chance de acontecer” deu lugar a um cauteloso “olha, depende” nas conversas. Nos últimos dias, a Folha ouviu uma dezena de políticos de diversas colorações centristas, privilegiando nomes associados ao governo Bolsonaro. Apoiadores de Doria, tucanos históricos com horror a Lira ou oposicionistas puro-sangue, por exemplo, ficaram de fora da enquete informal. Obviamente isso não significa que o presidente está sob risco imediato, mas o horizonte que havia desanuviado para ele a partir da prisão de Fabrício Queiroz em 18 de junho de 2020 voltou a ter nuvens carregadas. Naquele momento, a tensão institucional promovida por Bolsonaro contra o Supremo e o Congresso havia chegado a um paroxismo, mas a prisão do ex-assessor de sua família o fez mudar o cálculo: retraiu-se um tanto e compôs abertamente com o centrão e outros partidos das redondezas.

Consumo vai reaquecer – A vacina contra a Covid-19 vai fazer os consumidores retornarem às ruas, às vitrines e às compras por impulso, avalia o presidente da Mondial, Giovanni Marins Cardoso. A empresa, que é líder brasileira na fabricação de eletrodomésticos portáteis, cresceu com o isolamento social na pandemia, apoiada nas vendas online: estima para 2020 um crescimento acima de 40% e um faturamento de R$ 3 bilhões. Em dezembro, comprou a fábrica da Sony na Zona Franca de Manaus. Em entrevista dada à Folha em dezembro, antes do início da vacinação, Cardoso afirmou que mesmo em um cenário de retorno ao trabalho presencial, a descoberta do conforto do lar pelos brasileiros é um caminho sem volta.

Dono da Havan, Hang é internado com vírus – Luciano Hang, 58, dono da rede de lojas Havan, recebeu diagnóstico de Covid-19 e está internado em um hospital da Prevent Sênior na capital paulista. O empresário de Santa Catarina é um dos expoentes do bolsonarismo no Brasil e segue à risca as pautas defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na pandemia de Covid-19, vem propagando o uso da hidroxicloroquina e da ivermectina como “tratamento precoce” ao coronavírus, dois medicamentos cuja eficácia contra o vírus não foi comprovada em uma série de estudos científicos. Hang está estável e internado há alguns dias na unidade Dubai do Hospital Sancta Maggiore, no Morumbi. Na mesma unidade, inaugurada em 2020, está Andrea Hang, a mulher de Luciano, também sob tratamento para a Covid-19. O estado de saúde dela também é considerado estável. O coronavírus ainda contaminou a matriarca da família Hang. Regina Modesti Hang, 82, também está internada num hospital da Prevent Sênior. No caso dela, em estado mais grave, numa UTI. Procurada, a Prevent Sênior disse que não poderia confirmar o fato por questão de sigilo. Já a assessoria de imprensa da Havan informou que não tinha informações.

Cenário não exige auxílio, avalia equipe econômico – A equipe econômica tem acompanhado o crescimento dos casos de Covid-19 no Brasil com preocupação. O time do ministro Paulo Guedes (Economia) avalia que a situação tem se agravado e sinais vermelhos estão se acendendo. Mesmo assim, membros da equipe consideram o cenário atual diferente daquele observado em meados do ano passado e dizem que o momento não demanda medidas como o auxílio emergencial. Um novo auxílio emergencial, pagamento feito à população de abril a dezembro de 2020 —e de forma residual neste mês—, voltou à discussão após os principais candidatos à presidência da Câmara mencionarem a possibilidade de relançar a medida. Apesar de não descartarem o auxílio emergencial em uma situação extrema, integrantes do time de Guedes veem por enquanto a atividade se movimentando mesmo com a existência da pandemia e sem o auxílio.

Força Nacional do SUS previu colapso em Manaus – A Força Nacional do SUS, convocada pelo ministro da Saúde para atuar em Manaus, detectou dia após dia a evolução da crise de escassez de oxigênio na cidade e registrou em relatórios oficiais o que constatava nos hospitais. Documentos dos dias 8, 9, 11, 12 e 13 registram com detalhes o tamanho do problema, inclusive com previsão exata de quando ocorreria o colapso. Mesmo assim, o Ministério da Saúde providenciou o transporte a Manaus de quantidades bem inferiores de oxigênio, insuficientes para evitar o caos da rede de atendimento a pacientes com Covid-19 no último dia 14. Pessoas morreram asfixiadas nos hospitais. Os relatórios da Força Nacional do SUS constatam o momento em que o oxigênio foi para a reserva nos hospitais; a prática de equipes médicas de não fazerem a medição da saturação de pacientes, para que não se detectasse a necessidade de suprimento de oxigênio, já escasso naquele momento; e o impedimento de abertura de novos leitos no hospital universitário federal por falta do insumo. O ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello, tem 15 dias para explicar à PGR (Procuradoria-Geral da República) por que houve omissão diante da constatação prévia do problema. Pazuello foi alertado, pelo menos desde o dia 8, em diferentes frentes: pelo governo do Amazonas; pela empresa fornecedora, a White Martins; e até mesmo por uma cunhada em Manaus.

‘Bolsonaro faz bravata perigosa’, diz historiador – Uma bravata perigosa. Assim o historiador José Murilo de Carvalho classifica a declaração do presidente Jair Bolsonaro apontando nas Forças Armadas o poder de determinar se o Brasil é uma democracia ou uma ditadura. Embora admita que o que mandatário afirmou é em parte verdadeiro – considera que a República brasileira é tutelada pelos quartéis –, o pesquisador avalia que ele não fala pelos altos comandos de Marinha, do Exército e da Aeronáutica. E aponta um risco nas atitudes do presidente. Ele, afirma, se dirige aos escalões inferiores da hierarquia castrense e às polícias militares. Para o professor, trata-se de uma “violação da hierarquia”. “É veneno para as corporações militares”, preocupa-se. “Para o historiador, Bolsonaro “fracassou” na “guerra da vacina” e tenta retomar protagonismo”. Mas não conseguirá bom resultado se tentar envolver os fardados e desafiar a sua hierarquia, adverte José Murilo, que diz que na pandemia Bolsonaro “lutou do lado errado”.

União Química busca autorização emergencial da Anvisa para produzir vacina russa – Já está tudo combinado com os russos. Só falta acertar com os brasileiros. Fernando Marques, o CEO da União Química, indústria farmacêutica com representação em Brasília, deve se reunir amanhã com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para tratar do trâmite para aprovação do uso emergencial da Sputnik V, vacina russa contra a covid-19, no Brasil. Também participam da reunião representantes do Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF). Em debate, a possibilidade do envio imediato de 10 milhões de doses da Sputnik V para o Brasil. E, a União Química garante ter capacidade para produzir mais 8 milhões por mês, só neste primeiro semestre. A fabricação poderá aumentar substancialmente até o fim do ano. A Anvisa ainda tem restrições relacionadas à fase 3 de testes, o estudo de eficácia com humanos.

Pará também tem mortes por falta de oxigênio – Ao menos seis pessoas da mesma família morreram por asfixia na cidade de Faro, Pará, de anteontem para ontem. A realidade no local, de 12 mil habitantes, é de colapso na rede da saúde com a falta de oxigênio para pacientes da covid-19. O município fica na divisa com o Amazonas, Estado que ainda não resolveu a crise de abastecimento do insumo, que se estende há pelo menos 13 dias. Na última semana, outras 18 pessoas morreram asfixiadas em três cidades amazonenses, conforme governos locais e o Ministério Público. Balanços extraoficiais de prefeituras e médicos apontam um total de 35 óbitos. Em Faro, a situação mais preocupante é na comunidade de Nova Maracanã, onde havia ontem 34 hospitalizados. A prefeitura pede ajuda para transferir oito doentes em estado grave e com urgência de UTI. A falta de estrutura também atinge as cidades vizinhas de Terra Santa (PA) e Nhamundá (AM). Na manhã de ontem, o prefeito de Faro, Paulo Carvalho, conseguiu comprar 20 balas de oxigênio de Santarém (PA). Faro também costuma comprar suprimentos em Manaus. “Ambas as cidades estão em crise. A demanda é maior que a quantidade, porque a produção está comprometida”, diz, referindo-se à crise na empresa White Martins, fornecedora de oxigênio hospitalar no oeste do Pará. Prevendo alta de infecções, a prefeitura de Faro aumentou o total de leitos de 6 para 30. Segundo o médico da Unidade Básica de Saúde da cidade, Yordanes Perez, o oxigênio recebido ontem garante só dois dias de tratamento dos pacientes.

Desembargador em MT tem ‘extra’ de até R$ 274 mil – Com uma remuneração base de R$ 35,5 mil, o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso Mario Kono recebeu, apenas no mês passado, quase R$ 274 mil como valor extra em sua conta. Ele não é exceção. A média do que foi pago aos 29 magistrados do tribunal, em dezembro, foi de R$ 262,8 mil. Os contracheques gordos do fim do ano vieram de “penduricalhos” e vantagens extras previstas nas normas da Corte. A Constituição limita o pagamento de salários no funcionalismo público ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal – R$ 39,3 mil –, mas, em alguns casos, tribunais e demais órgãos públicos muitas vezes conseguem driblar a regra ao incluir auxílios como verbas indenizatórias, o que não entra no cálculo. Em maio do ano passado, por exemplo, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) barrou uma tentativa do Ministério Público de Mato Grosso de criar um auxílio-saúde no valor de R$ 1 mil para cada procurador. O valor seria incorporado à folha de pagamento, mas não incidiria no teto. No caso do TJ-MT, os valores extras pagos em dezembro são divididos entre verbas indenizatórias – auxílios para transporte, alimentação, moradia e saúde – e vantagens pessoais, como 13.º salário, indenizações por férias não tiradas e eventuais serviços extraordinários prestados pelos desembargadores. O Estadão procurou o tribunal para detalhar estes pagamentos e explicar os motivos dos valores depositados, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição. No site do TJ-MT, os pagamentos estão separados em duas folhas salariais diferentes: correntes e complementares. Apenas cinco desembargadores receberam menos de R$ 200 mil em dezembro, já debitados os impostos e demais descontos. Ao todo, foram R$ 6,9 milhões apenas em pagamentos extras no mês. Apesar de chamar a atenção, o caso de Mato Grosso não é o único. Outros tribunais também pagaram valores acima do teto para desembargadores em dezembro, mas proporcionalmente menores.

INSS tem 1,7 milhão de pedidos na fila – Após um ano marcado pela pandemia da covid-19, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) fechou 2020 com quase 1,7 milhão de pedidos à espera de resposta do órgão, responsável pela concessão dos benefícios da Previdência Social. Do total, 1,2 milhão aguardavam ainda uma primeira análise; outras 477 mil solicitações estavam em “exigência”, quando o INSS pede a apresentação de documentação complementar do segurado. Para o órgão, os processos em fase de exigência não integrariam o estoque da fila, por já terem passado por avaliação inicial dos técnicos. Para resolver a pendência, o segurado precisa enviar as documentações solicitadas pelo site ou aplicativo Meu INSS ou, então, agendar a entrega em uma das agências do órgão. Os dados obtidos pelo Estadão mostram uma redução do estoque de pedidos acumulados, que chegou a 2,2 milhões em junho de 2019. O problema levou o governo a propor a contratação de servidores temporários para reduzir a fila. A pandemia da covid-19 dificultou ainda mais o trabalho das agências. Em dezembro de 2019, as pendências já haviam caído a 1,632 milhão e, em março de 2020, para 1,3 milhão. Segundo o INSS, os servidores têm analisado, em média, 835 mil benefícios por mês, o que inclui as análises feitas pelos temporários contratados para reforçar a equipe do órgão. Ainda assim, o tempo médio de espera para concessão dos benefícios é de 66 dias, acima do prazo máximo previsto em lei (45 dias) – mas menor que o já verificado no passado; alguns benefícios chegaram a ter prazo médio de 195 dias para concessão.

Apesar da inflação, crise segura aluguel – A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) disparou no ano passado, mas isso não mexeu no preço de aluguéis no Brasil, embora o indicador seja comumente utilizado como indexador de contratos de locação. Segundo especialistas em inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), diferentes fatores seguraram os reajustes. A queda na renda da população por causa da crise provocada pela pandemia de covid-19, o mercado de trabalho ainda deteriorado e o elevado estoque de imóveis vazios disponíveis levaram a negociações diretas entre inquilinos e proprietários. Em consequência, o aluguel residencial encerrou 2020 com uma alta de apenas 2,77%, segundo a inflação oficial no País, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE. Já o IGP-M avançou 23,14% no ano passado, divulgou a FGV. A taxa acumulada em 12 meses já tinha iniciado 2020 em 7,81%, permanecendo elevada durante todo o ano. “Teve muita negociação de inquilinos em função da pandemia e da dificuldade financeira que ela representou. O aluguel residencial subiu menos em 2020 do que em 2019”, lembrou André Almeida, analista do Sistema de Índices de Preços do IBGE. Em 2019, o aluguel residencial ficou 3,80% mais caro, segundo apurado pelo IPCA, embora o IGP-M tenha encerrado o ano com uma elevação de 7,30%.

Outros destaques

Justiça vai decidir quem julga Flávio – A Justiça do Rio de Janeiro vai definir, na segunda-feira, em que instância deverá ser julgado o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) no caso da rachadinha. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, determinou que a matéria entrasse na pauta do Órgão Especial do Tribunal, que aprecia o caso, em sua primeira sessão do ano.

Os desembargadores decidirão se o processo volta para as mãos do juiz Flávio Itabaiana, titular da 27ª Vara Criminal da Capital, na primeira instância, ou continua no Órgão Especial, composto por cerca de 25 desembargadores. Entre outras atribuições, o órgão tem a responsabilidade de julgar autoridades com foro privilegiado.

Planalto, agora, busca pontes com os chineses – Diante da falta de interlocução do chanceler Ernesto Araújo com os chineses, o Planalto busca outras pontes para conseguir desenrolar a importação dos insumos para vacinas contra a covid-19. Braga Netto (Casa Civil) quer acionar “ministros” como Tereza Cristina (Agricultura), Roberto Campos Neto (Banco Central), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e até o vice-presidente Hamilton Mourão. O Brasil depende da chegada de insumos farmacêuticos ativos para a produção de doses da Oxford/Fiocruz e da Coronavac/Butantan. Ainda não se sabe exatamente como será a tentativa de diálogo, se via o próprio presidente ou via ministros, mas o fato é: governo percebeu que Ernesto não tem qualquer interlocução com a China. O que o chanceler fez foi enviar uma carta ao seu correspondente chinês para tratar dos insumos. No passado, Ernesto já pediu por duas vezes “a cabeça” do embaixador Yang Wanming. Parece haver a intenção do Planalto de recompor relações com os chineses, ainda que tardiamente. Se ainda há porta aberta, Bolsonaro deve agradecer a esses ministros, em especial, a Tereza Cristina.

Raúl Castro e presidente Miguel Díaz-Canel se encontram com Lula em Havana – O líder do Partido Comunista de Cuba, Raúl Castro, e o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, se encontraram nesta terça-feira, 19, em Havana, com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, informou a mídia estatal. Ele estava visitando o país caribenho desde dezembro. As mais altas autoridades cubanas, Castro e Díaz-Canel, conversaram com Lula, presidente honorário do Partido dos Trabalhadores (PT) , em “clima de fraternidade” sobre “as históricas relações de fraternidade entre povos e partidos”, disse uma nota oficial, acompanhada de uma foto da reunião. O ex-presidente do País entre 2003 e 2010 agradeceu “as expressões de solidariedade do povo cubano na reivindicação de sua plena liberdade”. Além disso, condenou o endurecimento do embargo econômico pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como a incorporação de Cuba em sua lista de países patrocinadores do terrorismo. O ex-presidente do Brasil também confirmou seu apreço “pelo trabalho humanitário realizado pelos médicos cubanos no Brasil” e elogiou a ajuda que os profissionais da ilha hoje oferecem a outras nações do mundo. Também participaram do encontro com Lula o primeiro-ministro e chanceler cubanos, Manuel Marrero e Bruno Rodríguez, e o jornalista, político e escritor brasileiro Fernando Gomes de Morais. Desde sua libertação, em novembro de 2019, esta é a terceira viagem internacional do ex-presidente, que passou um ano e sete meses atrás das grades e está em liberdade provisória, embora seja politicamente desqualificado por ter sido condenado por corrupção. Lula, 75, foi condenado a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, após ser condenado por receber um apartamento no balneário paulista do Guarujá em troca de favores políticos à construtora OAS.

Deputados tomam a frente da diplomacia – Depois de o governo criar uma relação conflituosa com a China por questões meramente ideológicas, o Brasil, agora, amarga dificuldades de importação de matéria-prima, do país asiático, para a produção de vacinas contra a covid-19. As dificuldades foram provocadas pelo presidente Jair Bolsonaro e por pessoas do entorno dele, como o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e o próprio ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O chanceler, em vez de desenvolver uma relação diplomática com o gigante asiático, nosso principal parceiro comercial, teceu críticas ao país à frente do Itamaraty. No Congresso, parlamentares se movimentam para tentar resolver o problema criado pelo Executivo. As frentes parlamentares Brasil-China e dos Brics na Câmara protocolaram, na embaixada da China, uma carta para o presidente do país, Xi Jinping. No documento, assinado pelo presidente das frentes, Fausto Pinato (PP-SP), deputados pedem que o mandatário intervenha para liberar a exportação do insumo farmacêutico ativo ao Butantan e à Fiocruz. Pinato, inclusive, é favorável à saída de Ernesto Araújo do governo, e disse ser uma sugestão de aliado que o governo mude a política externa. “Alguns governistas da área xiita destrataram a China, e a relação ficou arranhada. Eu entendo que, quando se tem uma boa relação com o país, as coisas são facilitadas. Mas, não acho que os chineses vão perseguir o Brasil”, disse. Para ele, Bolsonaro está “com a faca e o queijo na mão” para mudar a política externa, tendo a chance de reconstruir as relações com a China e os Estados Unidos.

Pacheco formaliza disputa no Senado – O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) oficializou, ontem, a candidatura à Presidência do Senado, depois de uma temporada nos bastidores, na qual atraiu o apoio de nove partidos. Em nota, ele formalizou a intenção de concorrer à vaga. Além do DEM, líderes de PSD, Progressistas, PT, PL, PDT, PROS, Republicanos e PSC declaram apoio a Pacheco. O senador é apoiado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), cuja reeleição foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pacheco também tem a simpatia do presidente Jair Bolsonaro. Sua principal adversária será Simone Tebet (MDB-MS), lançada pelo MDB com apoio de outras duas bancadas, Podemos e Cidadania, somando 27 senadores. Nos dois lados, porém, há dissidências.

Sem conexão ideológica – O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, afirmou que a democracia perde quando as Forças Armadas são “indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos”. Ele deu a declaração a repórteres, ontem, no Palácio do Planalto, ao comentar mais uma afirmação do presidente Jair Bolsonaro sobre a possibilidade de intervenção militar no país. Na segunda-feira, o chefe do Executivo, durante conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, criticava o governo da Venezuela quando afirmou que “quem decide se o povo vai viver uma democracia ou uma ditadura são as suas Forças Armadas”. Ele acrescentou que o Brasil ainda tem liberdade, mas que “tudo pode mudar” se a população não reconhecer o valor dos militares. Mourão minimizou as declarações de Bolsonaro. “O presidente já tocou nesse assunto várias vezes. É óbvio que, se você tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida. Não é o caso aqui do Brasil, obviamente, mas nós temos a nossa vizinha Venezuela que vive uma situação dessas”, disse o vice-presidente. “As Forças Armadas (do Brasil) são totalmente despolitizadas, não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. Elas estão comprometidas com a função delas”, acrescentou.

Lira, agora, defende estender auxílio – Com o agravamento da pandemia e as incertezas sobre o programa nacional de vacinação contra a covid-19, a renovação do auxílio emergencial entrou de vez na briga pela Presidência da Câmara dos Deputados. A retomada do benefício, que já vinha sendo defendida por Baleia Rossi (MDB-SP), passou a ser cogitada por Arthur Lira (PP-AL). O candidato, que tem apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), admitiu, no entanto, que ainda não conversou sobre o assunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que não vê espaço para o auxílio no Orçamento de 2021. A possibilidade de Lira pautar a discussão sobre a renovação do auxílio emergencial, se eleito presidente da Câmara, em 1º de fevereiro, mexeu com os mercados ontem. Os analistas temem que agrave a situação fiscal do país, já que o benefício custa cerca de R$ 25 bilhões por mês, e vinham associando essa pauta a Rossi como forma de emparedar o governo. Já Lira vinha reforçando o discurso de Bolsonaro, porém, ao Correio, garantiu que não vai conduzir o assunto sem responsabilidade fiscal. A ideia, segundo ele, é trazer o assunto à tona apenas se sobrar uma brecha no Orçamento.

Governo retalia apoiadores de Baleia Rossi – Sem recursos para atender às emendas, uma vez que não há orçamento aprovado, o governo turbinou a movimentação de cargos de terceiro e segundo escalões para ajudar a alavancar a candidatura de Arthur Lira (PP-AL). As mudanças atingem até mesmo deputados do MDB, que sempre apoiaram o governo e apoiam o presidente do partido e líder da bancada, Baleia Rossi (SP). Até agora, já foram alvos dessas mudanças, por exemplo, os indicados dos deputados Hildo Rocha (MDB-MA) e Flaviano Melo (MDB-AC). Ao demitir apadrinhados de deputados que sempre deram aquela ajuda ao governo, no plenário e fora dele, Jair Bolsonaro joga ao mar um pedaço da base. Na conta de chegada para tentar eleger Lira no primeiro turno, o presidente corre o risco de perder números para votações de emendas constitucionais e outros processos legislativos que exigem um quórum qualificado, como impeachment. Afinal, entre os apoiadores de Lira, hoje, nem todos são bolsonaristas, e Bolsonaro não terá todos eles ao seu dispor para o dia seguinte. Ao entrar de cabeça na campanha de Lira, deixa de lado a velha máxima “quem poupa, tem”. E gasta um ativo crucial para o futuro incerto que vem pela frente.

Placar – As contas de alguns partidos sobre a Presidência da Câmara estão assim: 228 votos pró-Baleia Rossi; 212 para Arthur Lira; 53 indecisos e 20 votos para os demais candidatos –– Fábio Ramalho, Luiza Erundina, Marcel Van Hatten e Alexandre Frota. No balanço das horas, tudo pode mudar.

Enquanto isso, no salão verde – Ainda que a Câmara tenha optado pela instalação de cabines de votação no Salão Verde, deputados que têm problemas cardíacos já avisaram que não virão para a abertura e eleição do futuro presidente da Câmara. Se brincar, até o dia da eleição, ações judiciais podem reverter essa determinação da Mesa Diretora, de votação presencial.

O alerta de Aras – A nota do procurador-geral, Augusto Aras, para dizer que cabe ao Poder Legislativo avaliar crimes de responsabilidade, foi vista como um alerta no sentido de que se evite transformar a grave crise de saúde numa crise política e institucional. Ainda que Bolsonaro esteja cometendo erros, é preciso garantir a estabilidade política para não agravar ainda mais a situação. Diz Aras: “O estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa”, recado que muitos congressistas entenderam como “muita calma nessa hora”.

Na defesa e no ataque – O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) postou um vídeo, em suas redes sociais, para defender os atos do governo em relação às vacinas e ao caso da falta de oxigênio em Manaus, que ele diz ser “página virada”. E cita que o governo federal fez “repasses bilionários” para a cidade e o “governo local teve problemas lá” –– ao mencionar a prisão da secretária de Saúde. No caso das vacinas, Eduardo diz que há “narrativas construídas” para “porrada no presidente”, ataca João Doria e dá uma alfinetada na CoronaVac, a única vacina disponível para os brasileiros nesse momento: “João Doria não queria que a CoronaVac — vacina que vem da China, mas não é aplicada pelos chineses — passasse pelo crivo da Anvisa. João Doria não é das pessoas mais confiáveis e não goza de prestígio na população”, diz Eduardo, que, recentemente, criou problemas diplomáticos com os chineses. Eduardo ressalta os 50% de eficácia da vacina e afirma que “ainda assim, é válido, muita gente vai querer tomar, mas deve-se dar opção para as pessoas. Não sou eu que vou dizer o que você vai injetar no seu corpo”. Vale lembrar que Doria não disse não querer que a vacina passasse pelo crivo da Anvisa. Disse apenas que, se a vacina estivesse aprovada lá fora e o governo não aprovasse por motivos políticos, haveria a opção de se buscar os certificados internacionais para aplicação do imunizante.

Bolsonaro e Saúde mantêm apoio a remédios sem eficácia – Bolsonaro e o Ministério da Saúde não recuaram no apoio a remédios sem eficácia, como hidroxicloroquina e ivermectina. O presidente mantém nas redes sociais fotos e vídeos em apoio ao que chama de “tratamento precoce”, ao passo que a página oficial do Ministério da Saúde não apagou seu guia de tratamento de pacientes com coronavírus, que inclui esses fármacos.

FHC diz a tucanos que voto em Lira significa adeus às expectativas de ganhar as próximas eleições – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu puxão de orelha nos deputados do PSDB que têm manifestado intenção de votar em Arthur Lira (PP-AL), candidato de Jair Bolsonaro, nas eleições para a presidência da Câmara. O partido faz parte do bloco de apoio a Baleia Rossi (MDB-SP), lançado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas parte da bancada de 33 parlamentares tem indicado que pode não seguir a decisão partidária. Fernando Henrique pediu a um ex-deputado que postasse sua mensagem no grupo de WhatsApp dos parlamentares tucanos, o que foi feito. “Transmita à bancada meu sentimento: ou mostramos força e independência apoiando claramente o Baleia ou adeus às expectativas de sermos capazes de obter alianças e ganhar as próximas eleições. Se há algo que ainda marca o PSDB é a confiança que ele é capaz de manter e expressar. Quem segue a vida política estará olhando, que ninguém se iluda”.

‘Não vou dizer que sou excelente presidente’, diz Bolsonaro – Em meio a críticas sobre a atuação do governo federal na pandemia da Covid-19 e após o governador João Doria (PSDB) ter protagonizado o início da vacinação no Brasil, Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (19) não poder dizer que é um “excelente presidente”, mas fez uma contraposição com administrações anteriores. “Não vou dizer que sou um excelente presidente, mas tem muita gente querendo voltar o que eram os anteriores, reparou? É impressionante, estão com saudades de uma […]”, disse o presidente, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. A fala do presidente foi transmitida por um site bolsonarista e ocorre também em meio a uma ofensiva de campanhas de opositores a favor do impeachment de Bolsonaro, impulsionadas pelo colapso da saúde em Manaus e pela reação negativa em relação ao início da vacinação no país.

Bolsonaro pregava independência do governo quando concorreu ao comando da Câmara – Nas três vezes em que tentou se eleger presidente da Câmara, Jair Bolsonaro foi à tribuna da Casa discursar, mesmo sabendo que não tinha chance de vencer a disputa. A mensagem foi a mesma: o cargo tinha de ser ocupado por um parlamentar sem ligações com o governo federal. “Temos de ser independentes”, sustentou Bolsonaro em 2011, quando era deputado federal pelo PP-RJ. A narrativa daqueles anos se opõe à realidade de hoje. Agora no Palácio do Planalto, Bolsonaro se empenha pessoalmente para conquistar votos para Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão. Como candidato ao comando da Câmara, Bolsonaro também condenou a atuação dos governos para que um aliado fosse eleito. “Como nós sabemos, o Executivo sempre interferiu nos trabalhos desta Casa, em especial por ocasião das eleições”, protestou no discurso de 2017, quando estava no PSC. Agora Bolsonaro usa a máquina do governo para impulsionar a candidatura de Lira. Dinheiro público, na forma de emenda parlamentar, é usado para ampliar a base de apoio do aliado do Planalto. É mais um exemplo do contraste entre discursos passados de Bolsonaro e a prática de hoje. Procurado, o Palácio do Planalto não quis comentar o assunto.

Tebet se alinha a Baleia e adota discurso anti-Bolsonaro – A campanha da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à presidência do Senado mudou de maneira radical o discurso em relação ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), passando a atacá-lo diretamente. Bolsonaro apoia o candidato rival do MDB na disputa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Recentemente, acrescentou publicamente que sentia “simpatia” por ele. O senador mineiro também é o nome do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que vem se engajando na articulação para fechar alianças. Tebet vinha adotando um tom cordial em relação ao Palácio do Planalto, afirmando que sua candidatura seria independente, mas que isso não significava oposição. Buscava uma “independência harmônica” e que poderia “ajudar o governo nas pautas prioritárias do país”. Nesta terça-feira (19), no entanto, sua equipe divulgou nota com diversas críticas ao presidente, afirmando que Bolsonaro perdeu a guerra das vacinas, fala em seus “arroubos autoritários e machistas” e afirma que os candidatos do MDB à presidência da Câmara e do Senado ganham votos a “cada vez que ele abre a boca”. A Folha apurou que um dos estopins para a mudança de postura teria sido uma ofensiva do Planalto para tentar rachar a bancada do MDB e provocar a desistência de Tebet.

Presidente da Assembleia de Santa Catarina é preso – O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Julio Garcia (PSD), foi preso nesta terça-feira (19) na segunda fase da Operação Alcatraz, que apura desvios de verbas em contratos de gestões anteriores do governo estadual. Segundo a assessoria do parlamentar, ele foi levado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos, quando teve a prisão decretada. Como ele tem mais de 70 anos, a prisão foi convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Ainda de acordo com a assessoria, o advogado do deputado só vai se pronunciar quando tiver acesso completo aos autos e aos motivos da detenção. Nesta fase da operação, denominada Hemorragia, a Justiça Federal emitiu, ao todo, 11 mandados de prisão preventiva, nove de prisão temporária, além de 34 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Florianópolis, Joinville, Biguaçu e Xanxerê. O Ministério Público Federal, que conduz as investigações juntamente com a PF, não confirmou os nomes dos envolvidos.

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