Resumo dos jornais de quarta-feira (13/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quarta-feira (13/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Coronavac previne 50,38% de todos os casos, diz gestão Doria

CORREIO BRAZILIENSE: Anvisa marca “dia D” para definir vacinação

O ESTADO DE S.PAULO: Coronavac tem 50,4% de eficácia e Anvisa dará resposta domingo

O GLOBO: Cientistas defendem o uso imediato da CoronaVac

Valor Econômico: Petrobras rebate acusação sobre ‘preços predatórios’

Resumo das manchetes

As manchetes da Folha e Estadão informam que resultado da eficácia da Coronavac foi divulgado ontem após cobrança de cientistas. A vacina se mostrou segura e só 0,3% dos testados tiveram alguma reação alérgica. O Instituto Butantan detalhou que a vacina tem eficácia geral de 50,38% contra a Covid-19. O dado foi informado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no pedido de registro emergencial da vacina, e está acima dos 50% requeridos universalmente para considerar um imunizante viável. As manchetes do Correio e Estadão revelam que mesmo com a documentação parcial das vacinas da Oxford/AstraZeneca e Butantan/Sinovac, a Anvisa anunciou para este domingo (17) um posicionamento sobre o uso emergencial dos imunizantes. A manchete de O Globo mostra que cientistas pressionam a Anvisa a liberar o uso da vacina do Instituto Butantan/Sinovac. O Valor em sua manchete revela que a Petrobras rebate as acusações de que represa seus preços de combustíveis para prejudicar as empresas privadas concorrentes. O presidente da estatal disse que considera a acusação uma “ofensa profissional” a ele e às autoridades econômicas do governo.

Notícia do dia – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta terça-feira que decidirá no domingo sobre a autorização de uso emergencial das vacinas submetidas à agência. A data é o penúltimo dia do prazo estabelecido pelo órgão para avaliação dos pedidos. Está prevista para domingo a realização de uma reunião da Diretoria Colegiada da agência, responsável por conceder ou não a autorização emergencial. Em nota, a Anvisa destacou que é necessária a entrega em tempo hábil de documentos necessários à análise. Diferentemente do registro final, a autorização emergencial de uso é dada pela diretoria do órgão.

Principais notícias da primeira página

Governo busca empresas interessadas nas fábricas da Ford – O Ministério da Economia procurou executivos de três fabricantes mundiais de automóveis para buscar compradores para as fábricas da Ford em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller em Horizonte (CE), após a multinacional anunciar que está deixando o país. Em outra frente, fontes ouvidas pelo GLOBO afirmam que a saída da companhia reforça a avaliação de que o modelo baseado em incentivos tributários tem problemas. Auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, defendem uma reforma tributária para que os benefícios não sejam necessários. Embora os nomes para empresas que assumirão as unidades da Ford ainda sejam mantidos em sigilo para não atrapalhar as negociações, técnicos do governo afirmam que haveria interesse de uma fabricante chinesa assumir ao menos uma das unidades. O ministério montou um grupo de trabalho para avaliar o fechamento das fábricas da Ford e para buscar saídas para as unidades da marca. Em conversas reservadas, integrantes da equipe econômica citam a Chery como uma das candidatas. A marca tem uma operação no Brasil em parceria com a Caoa. Mas técnicos do governo avaliam que a marca chinesa tem potencial de crescimento no Brasil.

Banco exclui as empresas de Trump – A invasão do Congresso dos EUA vai aumentar a pressão sobre os negócios de Donald Trump, num momento em que alguns de seus ativos mais rentáveis já vinham sofrendo com a pandemia e a aproximação do vencimento de dívidas. O Deutsche Bank não deve emprestar mais dinheiro ao conglomerado. Já concedeu ao grupo mais de US$ 300 milhões em créditos, que vencem em 2023 e 2024, o que obrigará a empresa a refinanciar a dívida ou a quitá-la integralmente por meio de potencial venda de ativos. O Deutsche Bank foi uma das poucas instituições financeiras de peso dispostas a fazer negócios com Trump, devido ao seu tumultuado histórico financeiro. Bancos de menor porte também estão rompendo com o presidente. O Signature Bank, de Nova York, disse que está fechando duas das contas de Trump como reação ao tumulto de Washington. Havia cerca de US$ 5,3 milhões nas contas. “Testemunhamos o presidente dos EUA estimular os participantes dos distúrbios e abster-se de chamar a Guarda Nacional para proteger o Congresso no cumprimento de seu dever”, disse o banco, que pediu a renúncia de Trump.

Uma relação ‘muito difícil’ – Arturo Valenzuela, que nasceu no Chile, mas cresceu nos EUA, conhece como poucos os desafios e entraves que cercam as relações entre a política americana e a América Latina. Professor de Ciência Política e diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade Georgetown, em Washington, Valenzuela trabalhou com os ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama, em cujo governo subsecretário de Estado para o continente americano. A oito dias da posse do novo presidente, o democrata Joe Biden, de quem foi um conselheiro próximo durante a campanha eleitoral, Valenzuela tem dedicado especial atenção ao Brasil, um país que ele conhece muito bem e de perto. Valenzuela, assim como integrantes da diplomacia brasileira e dos EUA, está convencido de que a relação Brasil-EUA será muito difícil após a posse de Biden. “Se não houver uma mudança de atitude importante das autoridades brasileiras, será muito difícil que os dois países venham a ter uma relação aceitável”, afirmou em entrevista ao Valor por telefone, do seu escritório na universidade, em Washington, antecipando algumas das ideias do debate que terá hoje com o professor Hussein Kalout na Fundação Fernando Henrique Cardoso. Ele acredita que os EUA, neste momento, não darão uma resposta “rancorosa” ao Brasil. Mas que não abrirão mão de temas centrais para Biden como a proteção da Amazônia. “O governo brasileiro terá de ter consciência de que já não tem um sócio em Washington avalizando tudo o que ele faz.”

Saúde pressiona Manaus pelo uso de cloroquina – Em meio a uma nova onda de Covid-19, a Prefeitura de Manaus está sendo pressionada pelo Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro a distribuir remédios sem eficácia comprovada para tratar seus pacientes, como cloroquina e ivermectina. Além disso, a pasta do ministro Eduardo Pazuello pediu autorização para fazer uma ronda nas Unidades Básicas de Saúde para encorajar o uso das medicações. A alternativa, não utilizá-las, é tratada como “inadmissível” em documento enviado para a secretaria municipal de Saúde de Manaus. O Painel procurou o Ministério da Saúde na noite desta segunda-feira (11), mas não teve resposta até o momento. A capital do Amazonas e o estado têm batido recordes de internações e mortes e têm sofrido com a falta de leitos e de equipamentos. Em ofício encaminhado à Prefeitura de Manaus na sexta-feira (7), o Ministério da Saúde pede autorização para visitar as Unidades Básicas de Saúde destinadas ao tratamento do coronavírus nesta segunda-feira (11) “para que seja difundido e adotado o tratamento precoce como forma de diminuir o número de internamentos e óbitos decorrentes da doença”.

Falta oxigênio – O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), diz ao Painel que os cilindros de oxigênio que chegaram na região nesta terça (12) foram imediatamente para uso, zerando a reserva em questão de horas. “Estamos vendendo o almoço para comprar a janta”, afirma. Segundo ele, ainda deve demorar uma semana para a situação ter mínima melhora, quando espera construir miniusinas para produção de oxigênio. “O que chega substitui outro que está acabando, não dá tempo de guardar”, declara. Vivenciando o segundo colapso do estado na pandemia, o governador se defende, diz que sua gestão se preparou para “todos os cenários”, abriu dezenas de leitos, mas não contava com a falta de oxigênio. Segundo ele, as fornecedoras locais comunicaram que não teriam mais como produzir os equipamentos diante da alta demanda.

Número de internados no Albert Einstein por Covid bate recorde – O número de internados por Covid-19 no hospital Albert Einstein, em São Paulo, bateu recorde e é o maior desde o primeiro caso diagnosticado pela instituição, em fevereiro de 2020. Quase um ano depois, 140 doentes se encontram em tratamento —em abril, mês de pico da epidemia, 138 pessoas estavam no hospital. “A curva é crescente, e a situação vai piorar”, prevê o presidente do Einstein, Sidney Klajner. As festas de fim de ano agravaram a situação. Em dezembro, o número de pacientes de Covid-19 oscilava entre 108 e 110. Subiu para 120 na virada do ano e agora chegou a 140. Dos internados, 21 têm entre 18 e 44 anos, ou 15% do total. Outros 29 têm entre 45 e 59 anos (20,7%). E 90 estão acima dos 60 anos. Do total de pacientes, 35% está em UTI —26 deles, em ventilação mecânica. “A situação é preocupante. Temos que seguir nos distanciando. Sair, só o estritamente necessário. Refeições em ambientes fechados, por exemplo, nem pensar”, diz Klajner.

Tebet é candidata do MDB no Senado – Pressionada pela ascensão do seu rival na disputa pela presidência do Senado, que conta com a “simpatia” de Jair Bolsonaro (sem partido), a candidata do MDB, Simone Tebet (MS), afirmou que vai buscar a independência da Casa em relação ao Palácio do Planalto, mas ressaltou que isso não representa oposição. Será uma “independência harmônica”, disse ela. Tebet foi confirmada na tarde desta terça-feira (12) como o nome do MDB para a disputa pela presidência do Senado. A bancada decidiu de forma unânime. A atual presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) vai enfrentar Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e também de Bolsonaro. A indicação do candidato do MDB foi antecipada duas vezes, após a série de acordos fechados por seu rival. A princípio, o evento desta tarde seria apenas para filiar dois senadores: Veneziano Vital do Rêgo (PB) e Rose de Freitas (ES). No entanto, desde a tarde de segunda-feira (11), os caciques do partido buscavam agilidade para anunciar o nome, de forma a conter os apoios obtidos pelo senador mineiro. Pacheco conta agora com o apoio de sete bancadas (DEM, PL, PROS, PSC, PSD, PT e Republicanos), que reúnem 32 parlamentares. Na prática, no entanto, Pacheco tem pelo menos um voto a menos. Isso porque o senador suplente Ney Suassuna (Republicanos-PB) deve ceder lugar ao titular Vital do Rêgo, que estava licenciado e confirmou que vai participar da votação.

Filho de Edison Lobão é alvo da Lava Jato – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (12) a 79ª fase da Operação Lava Jato, com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão. Dois filhos do ex-ministro e ex-senador Edison Lobão estão entre os alvos da investigação, que apura pagamentos de propina na Transpetro e lavagem de dinheiro por meio da negociação de imóveis e obras de arte. Segundo a PF, foram apreendidas ao menos cem obras de arte que seriam usadas para lavar o dinheiro fruto da corrupção na subsidiária da Petrobras. A intenção é que as peças, encaminhadas para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, sejam periciadas e sirvam para eventual reparação dos crimes investigados. Os mandados foram cumpridos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Angra dos Reis (RJ) e São Luís. Além das obras, foram apreendidos carros de luxo e um helicóptero. A operação é um desdobramento da 65ª fase da Lava Jato, de setembro de 2019, quando Márcio, um dos filhos de Lobão, chegou a ser preso.

Governo terá menor verba para investir em 15 anos – O aumento das despesas com benefícios previdenciários e assistenciais, na esteira do reajuste do salário-mínimo, deve comprimir os investimentos públicos em 2021 a um nível considerado extremamente baixo por especialistas. O valor projetado em agosto do ano passado, de R$ 28,6 bilhões para obras e outras ações – o menor em, pelo menos, 15 anos – pode cair ainda mais para abrir espaço no Orçamento para os chamados gastos obrigatórios. As despesas vão crescer principalmente porque o salário- mínimo foi reajustado a R$ 1.100 no início de 2021, acima dos R$ 1.067 previstos em agosto do ano passado e que serviram de referência para a elaboração do Orçamento – e que ainda será votado pelo Congresso Nacional. A definição só deve ocorrer após a votação para o comando da Câmara e do Senado. Os R$ 33 a mais no salário-mínimo significam, na prática, uma despesa de R$ 11,6 bilhões maior que a prevista na proposta orçamentária enviada em agosto (cada R$ 1 eleva o gasto em R$ 351,1 milhões). Além disso, o governo ainda sofreu reveses que o obrigarão a ampliar outras despesas, como a continuidade da desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia. Técnicos do Congresso estimam que há um “buraco” de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões a ser coberto.

Forças Armadas rejeitam status de general na PM – Os dois projetos de lei que preveem a criação de cargos de general para a Polícia Militar e mandato de dois anos para os comandantes e impõem condições para que governadores possam demiti-los provocaram reação de militares da cúpula das Forças Armadas. “É uma proposta intempestiva, completamente precipitada e sem justificativa real para que esteja sendo apresentada agora, sem uma discussão prévia”, disse ao Estadão o general Santos Cruz, demitido da Secretaria de Governo no início da gestão de Jair Bolsonaro e ex-secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça do governo Michel Temer. O general engrossa o coro dos que defendem uma regra uniforme para as PMS, mas ressalta que as propostas reveladas pelo Estadão “não estão no padrão do que se espera de uma lei orgânica”. Segundo o militar, é inadmissível conceder patente de general, algo exclusivo das Forças Armadas, para policiais. “Dentro de estrutura militar ninguém pode ter mandato, não cabe isso”, afirmou. Em agosto de 2019, o Ministério da Defesa rechaçou a tentativa do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que numa canetada criou o cargo de general “honorífico” na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros. A pasta considerou o decreto inconstitucional e acionou a Advocacia-geral da União (AGU), o que levou Witzel a recuar e anular o decreto.

Macron liga soja do País a desmate na Amazônia – O presidente da França, Emmanuel Macron, fez ontem críticas ao desmatamento da Amazônia e citou especificamente a soja brasileira, relacionando-a ao problema ambiental. “Continuar a depender da soja brasileira seria apoiar o desmatamento da Amazônia”, afirmou Macron, em sua conta oficial no Twitter. A publicação é acompanhada de um vídeo, no qual o presidente francês comenta a questão com repórteres. “Somos coerentes com nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa”, afirmou. Macron comanda nesta semana o “One Planet Summit”, cúpula formada por cerca de 30 chefes de Estado, empresários e representantes de Organizações Não Governamentais (ONGS), evento do qual o Brasil não participa. O tema neste ano foi dedicado à preservação da biodiversidade. Em resposta à fala de Macron, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Bartolomeo Braz, afirmou que o presidente da França está usando uma “artimanha”. “Eles não são competitivos, por isso compram soja nossa. E começam a usar essa artimanha para subsidiar ainda mais os seus produtores.” Braz diz que, se a França parar de comprar a soja brasileira, as vendas do País “não mudam em nada”. Segundo o representante da Aprosoja, o Brasil deve exportar neste ano 101 milhões de toneladas de óleo, farelo e grãos de soja – e a França compra cerca de dois milhões de toneladas por ano. “Não há ligação da soja com o desmatamento do bioma amazônico desde 2008, isso é fiscalizado e acompanhado”. Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) também disse lamentar “que o presidente da França, Emmanuel Macron, busque justificar sua decisão de subsidiar os agricultores franceses atacando a soja brasileira. Como bem sabe Macron, a soja produzida no bioma Amazônia no Brasil é livre de desmatamento desde 2008, graças à Moratória da Soja, iniciativa internacionalmente reconhecida, que monitora, identifica e bloqueia a aquisição de soja produzida em área desmatada no bioma”.

Saída da Ford indica que montadoras precisam se adaptar – Em meio ao anúncio do fechamento das fábricas da Ford no Brasil, após 102 anos de produção local, uma luz amarela se acendeu para o setor automotivo nacional: será que outras empresas podem seguir o mesmo caminho e desistir do País? Por ora, a torneira de investimentos de gigantes automotivas não se fechou no País: apenas Fiat Chrysler e General Motors, somadas, vão aplicar R$ 25 bilhões por aqui nos próximos anos. Mas, segundo especialistas e fontes ligadas às próprias montadoras, a situação pode ser diferente em médio e longo prazos. Embora descarte fechamentos de fábricas em série, o consultor Flavio Padovan, ex-presidente da Jaguar Land Rover no País e com passagens por Volkswagen e Ford, diz que “a saída da Ford serve para todo mundo abrir o olho”. Isso porque, segundo ele, além de lidar com as questões estruturais que dificultam a atuação no Brasil, como a carga tributária, a baixa produtividade e o custo da mão de obra, o setor vive uma transformação global. “É um cenário muito ameaçador.” Um exemplo do problema: enquanto o mundo se desdobra para produzir mais carros elétricos – a Alemanha, por exemplo, já baniu a venda de veículos a combustão a partir de 2030 –, o Brasil ainda engatinha nessa área. Ex-presidente da Fiat e da Anfavea (associação que reúne as fabricantes nacionais de veículos), o executivo Cledorvino Belini lembra que o setor automotivo vive um momento claro de quebra de paradigmas com a eletrificação dos motores. “Temos de fazer nossos engenheiros reaprenderem, irem para esse lado”, diz Belini.

Radicais derrubados no Twitter – Em uma campanha global, o Twitter suspendeu 70 mil perfis ligados a conteúdos extremistas, que espalham notícias falsas e organizam ataques difamatórios contra instituições públicas e de Estado. A maioria das contas pertencia a pessoas e organizações dos Estados Unidos, como o grupo QAnon — que atuou na invasão ao Capitólio, em Washington, e defende uma teoria conspiratória que coloca o presidente Donald Trump como comandante de um exército secreto que trava uma guerra subterrânea contra os pedófilos adoradores de satanás do alto escalão do governo, do mundo empresarial e da imprensa. Outras milhares de contas, contudo, estavam em português e atuavam no país, de acordo com informações obtidas com exclusividade pelo Correio. Os perfis suspensos, e que foram criados no Brasil, estavam ligados a grupos bolsonaristas e atuavam espalhando falsas acusações de fraudes nas eleições norte-americanas e brasileiras — sobretudo colocando em dúvida a urna eletrônica. O conteúdo com as suspeitas infundadas era concentrado no processo eleitoral do Brasil. Além de colocar em dúvida pleitos anteriores, era usado para levantar suspeitas sobre a integridade das próximas eleições, como as de 2022, que escolherão o novo presidente da República. O Twitter, por meio da sua sede nos Estados Unidos, divulgou uma nota sobre a medida. “Devido aos eventos violentos em Washington e ao aumento do risco de danos, começamos a suspender, permanentemente, milhares de contas que eram, principalmente, dedicadas ao compartilhamento de conteúdo QAnon”, informou a empresa. Ainda de acordo com a administração da rede social, as medidas foram tomadas em razão da proximidade da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, em 20 de janeiro.

Outros destaques

Saída da Ford acende alerta no Congresso – Ao anunciar o fechamento das suas fábricas no Brasil, há dois dias, a Ford informou que o fim das atividades no território nacional se deve à intenção da empresa de se adequar a um modelo de negócios mais ágil e enxuto. Mas a saída da montadora deixou um recado claro sobre a falta de confiança dos investidores estrangeiros no país e reforçou a necessidade de a classe política acelerar a aprovação de reformas estruturais, em especial, a tributária, que está em discussão no Congresso desde abril de 2019. Não é de hoje que empresários e economistas vêm alertando que a demora para a aprovação da matéria pode desfavorecer o clima dos negócios no Brasil, mas tanto o Executivo quanto o Legislativo travaram as discussões. Câmara e Senado apresentaram uma proposta cada um, mas deputados e senadores entraram em conflito sobre qual seria o melhor texto para modificar o sistema tributário. Uma comissão mista foi criada para tratar do assunto, mas, até agora, não houve consenso entre as Casas. O governo só entrou na discussão no segundo semestre do ano passado, porém, a sugestão entregue ao Congresso não agradou. O Executivo apresentou apenas uma parte da proposta, a de unir PIS e Cofins em um único encargo, a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS). Depois disso, pouco fez para que a matéria tivesse sequência no Parlamento.

Bolsonaro critica: “Querem subsídios” – O presidente Jair Bolsonaro lamentou, ontem, o fechamento de cinco mil vagas de trabalho com a saída da Ford, mas disse que a empresa não foi transparente sobre a decisão. “Lamento os cinco mil empregos perdidos. Mas o que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios. Vocês querem que continuem dando R$ 20 bilhões para eles, como fizeram nos últimos anos? Dinheiro de vocês, do imposto de vocês para fabricar carro aqui? Não. Perdeu para a concorrência. Lamento”, disparou, para apoiadores no Alvorada.

Gato e rato nas redes sociais – A ida de apoiadores do bolsonarismo para outras redes sociais, em resposta às medidas adotadas por gigantes da tecnologia que decidiram limitar a ação de extremistas, após a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, reproduz uma espécie de jogo de gato e rato no mundo virtual. Não faltará espaço para que os simpatizantes de Jair Bolsonaro, Donald Trump ou outros políticos conservadores manifestem suas ideias. As redes sociais permitiram que pessoas, antes dispersas na sociedade real, se aglutinassem na internet a partir de afinidades ideológicas de modo sistemático e seletivo. Nesse novo modelo de associação política estimulada por algoritmos, prevalece o sectarismo, e não o respeito ao próximo, princípio elementar de uma democracia. Está claro que militantes bolsonaristas e trumpistas encontrarão outras maneiras de se manifestar. A intervenção de empresas como Facebook e Twitter, banindo milhares de usuários de suas redes, constitui uma medida perigosa e tardia. Perigosa porque adota critérios generalistas, entendendo com risco para a sociedade as postagens de milhares de usuários, como uma espécie de tribunal de exceção virtual. E tardia porque, há anos, políticos e simpatizantes de extrema direita atacam, ameaçam e ofendem cidadãos, políticos e instituições, em todo o planeta. Apesar de todos os alertas contra a desinformação e a violência nas redes sociais, a tolerância no mundo virtual tornou-se muito além do aceitável. Até arrombar a porta do Congresso norte-americano.

Bolsonaro diz lamentar ‘censura às mídias sociais’ – Em meio à polêmica sobre a exclusão de contas vinculadas a Donald Trump de plataformas digitais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lamentou nesta terça-feira (12) o que chamou de “censura às mídias sociais”. “Minha adorada imprensa, vocês nunca tiveram tanta liberdade como em meu governo. Nunca se ouviu falar em meu governo em controle social da mídia ou democratização da mesma”, disse o presidente, durante cerimônia no Palácio do Planalto em celebração dos 160 anos da Caixa Econômica Federal. “Vocês têm liberdade demais, de sobra. Eu lamento o fechamento, a censura às mídias sociais. Elas não concorrem com vocês, não. Uma estimula a outra.” Bolsonaro é um crítico da imprensa profissional e já se referiu a meios de comunicação como canalhas e mentirosos. Ele não citou Trump em seu discurso, mas sua condenação à “censura” das mídias sociais ocorre em meio a um intenso debate sobre a decisão de empresas de tecnologia de restringir o alcance de contas associadas ao líder americano. A ação das empresas ocorreu após Trump ter incitado, em 6 de janeiro, uma multidão a marchar rumo ao Congresso americano em Washington sob a alegação —sem provas— de que as eleições americanas haviam sido fraudadas.

Governadores cobram informações sobre quantidade de doses de vacinas – Cancelada a reunião que seria para anunciar a “o dia D e a hora H” da vacinação, marcada para esta última terça-feira, 12, os governadores querem que o Ministério da Saúde ao menos diga o número de doses que cada Estado receberá e quem será prioridade, dentre os do primeiro grupo. A ideia é de Helder Barbalho (MDB-PA) e foi levada à equipe de Pazuello por Wellington Dias (PT-PI). Eles esperam que uma resposta seja dada ainda nesta semana. Barbalho, aliás, comemorou os números da Coronavac, apesar de a eficácia ter ficado abaixo da expectativa. “É um alento para quem quer discutir no campo da saúde. Vamos eliminar o vírus? Não. Mas as vacinas vêm para permitir que a sociedade possa conviver com ele, assim como gripe e H1N1, que também matam, mas nós convivemos”.

Empresários se reúnem com Eduardo Pazuello – Preocupados com a cada vez mais difícil retomada da economia, executivos querem saber quando, como e onde será o tal “Dia D” estipulado por Eduardo Pazuello para o tão aguardado início da vacinação contra a covid-19 no País. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, organizou e marcou para hoje uma videoconferência do ministro da Saúde com o grupo Diálogo pelo Brasil (que reúne executivos e acionistas dos 50 maiores grupos empresariais no País). Também devem fazer parte do encontro Braga Netto (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações). Luiz Carlos Trabuco Cappi (Bradesco), Jerome Cardier (Latam), Constantino Jr. (Gol), Lorival Nogueira Luz Júnior (BRF) e Roberto Simões (Braskem) são aguardados. O empresariado considera a vacinação fundamental para que a economia volte ao trilho. É a primeira vez que o grupo se encontra com o ministro da Saúde para tratar do vírus.

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