Resumo dos jornais de quarta (25/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de quarta (25/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Governo não gasta recursos aprovados para a pandemia

CORREIO BRAZILIENSE: Caixa pretende lançar microcrédito em março

O ESTADO DE S.PAULO: Só 5% de filhos de pais sem instrução acabam ensino superior no País

O GLOBO: Plano de vacinação deve ficar pronto na próxima semana

Valor Econômico: Mercados globais reagem e vivem um ‘supernovembro’

Resumo das manchetes

A Folha revela em sua manchete que o governo Jair Bolsonaro (sem partido) deixou de gastar dinheiro reservado para contratar médicos, reestruturar hospitais, comprar testes de Covid-19 para presídios e fomentar agricultura familiar para doação de alimentos. As informações constam de relatórios da Câmara. O Correio destaca em manchete entrevista do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, onde ele anuncia o lançamento do microcrédito digital como alternativa ao fim do auxílio emergencial. A manchete do Estadão revela que no Brasil, em cada 100 pessoas com pais sem qualquer instrução, 70 chegam no máximo ao fim do ensino fundamental e apenas cinco concluem o ensino superior, segundo estudo do Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS). Já entre os filhos de pais que concluíram o ensino universitário, a maioria também termina a faculdade. A manchete de O Globo versa sobre a possibilidade da primeira versão do plano de imunização contra a Covid-19 do Ministério da Saúde ficar pronto na próxima semana. A estimativa é fazer a distribuição das vacinas de forma simultânea em todo o país, mas há probabilidade de que áreas que estejam sofrendo um surto da doença possam ser priorizadas. A manchete do Valor mostra que em plena segunda onda da pandemia, o mês deve terminar com a aura de um “supernovembro” para os mercados globais. As ações do índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiram 13,8% no mês até agora e ontem o índice fechou no nível mais alto da história, 30.046,24 pontos. A Bolsa de São Paulo acompanhou o desempenho e já subiu 16,85% no mês. A mesma tendência se deu nas bolsas pelo mundo. A cotação do petróleo, a principal commodity global, aumentou 25,94% desde 31 de outubro e ontem chegou a US$ 47,78 o barril, em Londres (tipo Brent), maior preço desde março.

Destaques de segunda

China reage a postagem de Eduardo sobre 5G – A Embaixada da China em Brasília reagiu ontem à acusação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de que o país praticaria espionagem por meio de sua rede de tecnologia 5G. Pequim acionou o Itamaraty para reclamar de uma publicação de Eduardo nas redes sociais, posteriormente apagada por ele. Para a diplomacia chinesa, o parlamentar “solapou” a relação amistosa entre os países com declarações “infames” e o Brasil poderá “arcar com consequências negativas”. Esse é o segundo atrito diplomático com a China criado pelo deputado, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, por causa de militância virtual. Na mensagem, Eduardo Bolsonaro fez menção à adesão simbólica do Brasil à Clean Network (Rede Limpa), iniciativa diplomática do governo Donald Trump para tentar frear o avanço de empresas chinesas no mercado global de 5G. O “filho 03” de Bolsonaro, como é chamado pelo pai, celebrou o fato como um sinal de que o Brasil “se afasta da tecnologia da China”. “O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”, escreveu o parlamentar, em texto publicado na segunda-feira. Ele também listou o Partido Comunista Chinês como “entidade agressiva e inimiga da liberdade”. Em sua resposta, a Embaixada da China escreveu que, “na contracorrente da opinião pública brasileira, o deputado Eduardo Bolsonaro e algumas personalidades têm produzido uma série de declarações infames que, além de desrespeitarem os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”.

Estados têm testes de covid próximos do vencimento – Além dos 6,86 milhões de testes RT-PCR no armazém do Ministério da Saúde, lotes já enviados pelo governo federal aos Estados estão prestes a vencer. Perdem a validade em dezembro e janeiro ao menos 605,5 mil unidades, segundo levantamento feito pela reportagem com informações de 17 Estados e Distrito Federal. Nove Estados se recusaram a fornecer os dados. São Paulo tem 220 mil testes que vencem em dezembro. O Estadão revelou, no domingo, que 7,1 milhões de exames estão em um depósito do ministério, em Guarulhos (SP), ou seja, não foram enviados ao SUS em plena pandemia. Do total encalhado, 96% perdem a validade nos dois próximos meses. Esse estoque é superior aos 5 milhões de exames realizados até agora no SUS. A responsabilidade sobre os testes estocados se transformou em disputa do governo federal com Estados e municípios. O Ministério da Saúde afirma que só entrega os exames quando há demandas, mas os secretários locais dizem que nem sequer conseguiram dar conta do que já receberam, pois os kits para testagem chegaram incompletos. O ministério diz que já pediu estudos de estabilidade ao fabricante do teste prestes a vencer para, na sequência, solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a prorrogação da validade do produto. São Paulo tem o maior estoque de testes (220 mil) com validade somente até dezembro, segundo os Estados que responderam à reportagem. Em seguida vem Minas Gerais, com 167 mil exames que expiram no próximo mês. Já a Secretaria de Saúde do Ceará afirmou, por exemplo, que ali foram consumidos primeiro os testes com validade mais curta. O Rio de Janeiro, que mais recebeu testes do ministério, não revelou os seus estoques até as 21 horas de ontem. Além do Rio, os Estados que não forneceram os dados foram Santa Catarina, Mato Grosso, Pernambuco, Maranhão, Acre, Alagoas, Amapá e Rio Grande do Norte.

Todo ajuste sugerido, o presidente não quer – O governo Jair Bolsonaro errou na calibragem do pacote fiscal criado para conter os efeitos econômicos da pandemia e, por enquanto, não dá sinais de que conseguirá colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável, na avaliação da economista Zeina Latif. Para ela, algumas falhas na condução da economia durante a quarentena são perdoáveis, pois todos estavam “no escuro”, mas o governo não se esforçou para limitar os gastos. “É o governo que tem de segurar as rédeas, porque o Congresso quer gastar. Tem de ter articulação do governo.” Segundo a economista, agora seria o momento para avançar nas reformas estruturais, mas a falta de disposição de Bolsonaro para adotar medidas impopulares aumenta o desafio. “Tudo que o Ministério da Economia leva (de proposta), ele (o presidente) diz que não quer. Por isso que muitos analistas falam: ‘vamos parar de nos enganar, porque não vai ter reforma estrutural relevante e a gente vai ser forçado a aumentar a carga tributária’.” Zeina é contra o aumento de impostos, pois a iniciativa poderia resultar em uma atividade econômica mais fraca. Diante desse cenário que combina dívida crescente e falta de comprometimento do governo com reformas, ela prevê um ambiente macroeconômico instável, o que prejudicará o crescimento, e alguma flexibilização da regra do teto de gastos (lei que limita as despesas federais ao valor do ano anterior corrigido pela inflação).

Hacker reivindica 61 ataques no País – O grupo do hacker português que assumiu publicamente a autoria do vazamento de dados privados e do ataque cibernético ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o primeiro turno das eleições municipais, no último dia 15, tem um histórico de atuação contra sites brasileiros. Apenas ao longo deste ano, o Cyberteam – liderado pelo hacker conhecido como Zambrius – disse ter atacado ao menos outras 61 páginas com o domínio “.br”. Desde 2017, foram 140. A invasão de sites do Ministério da Saúde, que prejudicou a divulgação de dados sobre covid19, também é reivindicada pelo grupo. Na lista dos alvos estão, ainda, prefeituras, Câmaras e um departamento de trânsito. Pequenas empresas e escritórios de advocacia figuram entre as vítimas. O histórico do Cyberteam alimenta a suspeita, não descartada por investigadores, de que a ação contra o TSE pode ter sido realizada não por um hacker ativista, mas por um grupo de cibercriminosos. Como mostrou o Estadão, uma das linhas de investigação indica a possibilidade de envolvimento de radicais ligados a núcleos bolsonaristas. Zambrius está em prisão domiciliar, em Portugal, e diz ter agido sozinho, munido apenas de um celular. As apurações estão sendo conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo próprio TSE. Há também um inquérito aberto pela Polícia Federal. Todas as informações sobre os ataques do grupo hacker ficam em um arquivo na internet no qual os invasores anexam, anonimamente, “provas” de seus feitos. Trata-se do Zone-h, que afirma não ser responsável pelos crimes cibernéticos registrados.

Fiscal do Carrefour é presa no RS – A Polícia Civil prendeu, na tarde de ontem, em Porto Alegre, a fiscal do Carrefour Adriana Alves por envolvimento na morte de João Alberto Silveira de Freitas, ocorrida na noite da quinta-feira, nas dependências do hipermercado. Com mandado de prisão expedido pela Justiça, ela se apresentou na companhia de seu advogado. Durante as agressões, a fiscal ameaçou uma testemunha que gravou o espancamento. No vídeo, a funcionária, de camisa branca, calça preta e crachá, pede para a testemunha interromper a gravação. “Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja”, disse. Em nota, o Carrefour confirmou que ela foi afastada do cargo. “Está presa temporariamente pelo prazo de 30 dias para que possa esclarecer todas as circunstâncias”, confirmou a delegada responsável pelo caso Roberta Bertoldo. A delegada Roberta afirmou que Adriana tinha autonomia sobre os seguranças para impedir as agressões. “O Departamento de Homicídios entende, a partir das imagens que foram captadas e dos testemunhos colhidos, que Adriana tinha, sim, o poder, naquele momento, de cessar as agressões, a partir do fato de ser ali superior imediata dos indivíduos que exerciam a segurança”, explicou a delegada. Índice de contágio no País é o maior desde maio – A taxa de transmissão do novo coronavírus (RT) no Brasil nesta semana é a maior desde maio, revelou ontem o centro de controle de epidemias do Imperial College de Londres. O índice passou de 1,10 no dia 16 de novembro para 1,30 no balanço desta terça-feira, dia 24. Mas especialistas ouvidos pelo Estadão evitam a expressão “segunda onda” de contaminação simplesmente porque o Brasil ainda não conseguiu controlar a primeira. Assim, o aumento atual é entendido como um repique, uma piora dos dados da primeira onda. A última vez que a taxa de transmissão se aproximou deste patamar no País foi na semana de 24 de maio, quando atingiu 1,31. A taxa de contágio (RT) indica para quantas pessoas um paciente infectado consegue transmitir o vírus. Os números atuais indicam que 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130. Quando o número é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa. Isso representa o avanço da doença. Para a epidemia ser considerada controlada, a taxa de transmissão precisa estar abaixo de 1. “Esse aumento aponta claramente que estamos vivendo um aumento da pandemia no País”, adverte Eduardo Flores, virologista da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Ministério gasta só 2% da verba para ações de combate ao racismo – O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro desembolsou neste ano só 2% de sua verba para ações afirmativas e promoção da igualdade racial. Sob comando de Damares Alves, a pasta usou até agora para esse fim específico só R$ 65 mil ( com a manutenção de conselhos nacionais) dos R$ 3,1 milhões disponíveis (geral). Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, apenas planos orçamentários com baixo patamar de execução aparecem associados às buscas com as palavras “racismo” ou “racial”. O ministério disse que as oito secretarias da pasta têm públicos que podem ser vítimas de racismo. Segundo a pasta, “as políticas de prevenção e combate, por seu caráter transversal, estão contempladas em várias ações orçamentárias” para potencializar alcance e efetividade. Sobre execução, a pasta alega que o pagamento dos planos orçamentários se dá conforme o cronograma dos trabalhos com parceiros, sejam públicos ou privados, “o que está atrelado, por sua vez, ao alcance de metas físicas/etapas desse plano”. Com os termos “racismo” e “racial”, só foram encontrados cinco planos orçamentários. Alguns dos planos são: fomento a ações afirmativas e outras iniciativas para o enfrentamento ao racismo, fortalecimento de órgãos estaduais e municipais e funcionamento do Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial. O fomento a ações em si e repasses a órgãos estaduais e municipais receberam só restos a pagar, no valor de R$ 1 milhão.

Partidos dão mais recursos para candidatos à reeleição – Eleito para o seu quarto mandato na Câmara Municipal de São Luís (MA), o vereador Dr. Gutemberg (PSC) recebeu R$ 200 mil em recursos públicos para financiar sua campanha, segundo dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor é 43 vezes maior do que a média obtida pelos demais nomes do partido, que tentaram uma vaga de vereador, mas não estavam concorrendo à reeleição. O mesmo ocorreu com outras 22 legendas, que privilegiaram quem já detinha o cargo na hora de distribuir os recursos públicos, tanto do fundo eleitoral quanto do partidário. A prática, segundo especialistas, ajuda a perpetuar os mesmos grupos no poder e expõe a baixa preocupação das legendas com a renovação política. O valor médio recebido por vereadores que tentavam a reeleição foi de R$ 7.029,52, enquanto os candidatos sem mandato receberam, em média, R$ 4.456, para financiar suas campanhas. O levantamento foi feito pelo Movimento Transparência Partidária, com a agência de dados Volt Data Lab, a partir dos registros do TSE. A divisão dos recursos em cada sigla é decidida pela direção partidária, que indica em quais candidatos vai investir. Neste ano, além de destinar 30% dos recursos a mulheres, os partidos precisaram usar o critério racial na hora de distribuir o dinheiro público. Mas as regras mais rígidas não impediram que as legendas dessem mais recursos para promover nomes já conhecidos do eleitorado.

Lewandowski suspende uma ação contra Lula – O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a tramitação de ação em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula é réu por recebimento de propina da Odebrecht. A paralisação vai perdurar até que a força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba explique a falta de registros sobre as tratativas dos acordos com autoridades estrangeiras. Em despacho assinado ontem, ele contestou ofício enviado pelos procuradores ao STF, segundo o qual não estão documentadas as informações relativas aos sistemas de controle de propina da empreiteira ou à alocação dos valores do acordo de leniência. De acordo com o ministro, isso só seria possível se as negociações tivessem “ocorrido na clandestinidade” ou por meio da destruição de arquivos. Lewandowski intimou a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal (MPF) paranaense a esclarecer, em até 60 dias, se os documentos “de fato inexistem ou se foram suprimidos”. No mesmo prazo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, deverá encaminhar dados sobre cooperações internacionais aos quais tenha tido acesso. As determinações atendem parcialmente a pedido dos advogados de Lula, que pela quinta vez relataram à Corte o descumprimento de ordens judiciais sobre o compartilhamento de informações consideradas essenciais ao direito de defesa – como o acesso às negociações com outros países e à íntegra da leniência da Odebrecht.

Maia vai a campo para fazer sucessor – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atua para costurar um acordo capaz de permitir que ele faça seu sucessor no comando da Casa, em fevereiro do ano que vem. O parlamentar tem se reunido com partidos de centro e de esquerda, visando enfraquecer a candidatura de Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Líderes partidários afirmaram ao Correio que, nos encontros, Maia tem apresentado possíveis nomes para sua sucessão: Baleia Rossi (MDB-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). Presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE) também chegou a ser cogitado por Maia, mas o nome do integrante do antigo partido de Bolsonaro enfrenta fortes resistências. Até o momento, o líder do MDB, Baleia Rossi, é apontado como tendo certo favoritismo. Isso porque o emedebista teria uma melhor aceitação de integrantes das bancadas da esquerda, como PDT, PCdoB, PSol e PSB. “Ele (Maia) trabalha por um nome que seja aliado e não um apoiador ferrenho do governo. O escolhido terá de se comprometer que, se eleito, vai garantir espaço para todos os partidos dialogarem dentro da Casa”, afirmou um parlamentar próximo do presidente da Câmara, sob a condição de anonimato.

Ação contra Lira é mantida – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou embargos de declaração apresentados pela defesa do deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, e, por maioria, decidiu pela continuidade da ação penal contra o parlamentar. No processo, Lira é acusado de receber R$ 106 mil em propina de Francisco Colombo, presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O julgamento, porém, foi paralisado porque o ministro Dias Toffoli pediu vista (mais tempo para analisar o caso). Lira é aliado do presidente Jair Bolsonaro e recebe o apoio dele para ocupar a Presidência da Câmara, na eleição que vai ocorrer no ano que vem. Foi a primeira vez que Toffoli participou do julgamento, pois, ao ocupar a presidência do Supremo, ele se afastou da Primeira Turma. Na sessão, os ministros Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso votaram para manter o processo, formando maioria. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, em 2018, e aceita pela Justiça, o pagamento ilegal recebido por Lira tinha como objetivo manter Colombo no cargo. Segundo o MP, o valor foi repassado a um assessor do deputado, Jaymerson José Gomes de Amorim, flagrado com o montante no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele estava com passagens de um voo que partiria para Brasília, e os bilhetes tinham sido pagos pelo parlamentar. A Polícia Federal apreendeu as notas nas roupas dele, como bolsos do paletó e meias. Em outubro de 2019, a Primeira Turma do STF decidiu aceitar a denúncia contra Arthur Lira e abrir uma ação penal para aprofundar as investigações. Só agora, mais de um ano depois, o recurso da defesa do parlamentar contra aquela decisão começou a ser analisado pelos ministros. A turma é formada por cinco ministros. Na sessão de ontem, o relator do inquérito, Marco Aurélio Mello, votou para negar o recurso de Lira, confirmando o entendimento do colegiado que decidiu, ano passado, receber a denúncia contra o parlamentar e abrir uma ação penal para aprofundar a investigação do caso. Os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF, acompanharam o entendimento do colega.

Voto por plano de vacinação – O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou, ontem, para que o governo apresente um plano de vacinação contra a covid-19, no prazo de 30 dias. O magistrado analisou duas arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs), com pedido de liminar, apresentadas por partidos após o presidente Jair Bolsonaro desautorizar o protocolo assinado pelo Ministério da Saúde com a intenção de adquirir 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. O imunizante acabou sendo alvo de politização entre o chefe do Executivo e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Lewandowski é relator das duas ADPFs e incluiu ambas na pauta do plenário virtual para serem julgadas de 4 a 11 de dezembro. Nesse sistema, os ministros não debatem, apenas inserem os votos — o magistrado resolveu antecipar o dele. Ao comentar o tema, ele afirmou que o governo não pode adotar “critérios políticos, partidários ou ideológicos” na escolha das vacinas contra a doença. Também ressaltou “os impactos positivos que as campanhas de vacinação têm no Brasil e no mundo, contribuindo para conservar a saúde e salvar vidas de milhões de pessoas e, ainda, para minorar os custos dos tratamentos médico-hospitalares”.

Pazuello mantém silêncio sobre testes – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, desviou-se, ontem, de perguntas sobre o estoque de 6,86 milhões de exames RT-PCR para covid-19 que perdem a validade em dezembro deste ano e janeiro de 2021. O número é superior aos cinco milhões de testes desse tipo já feitos no Sistema Único de Saúde. Pazuello foi questionado por jornalistas sobre os testes, entre outros assuntos, na saída de um evento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas deixou o local sem falar com a imprensa. O presidente do órgão, Luiz Fux, e ministro assinaram a renovação de acordos para fortalecer estudos técnicos em discussões da Justiça sobre acesso à saúde. Pazuello ainda não se pronunciou sobre o caso. Em nota, o ministério afirma que os exames são entregues conforme demandas de estados e municípios. A pasta também afirma que já pediu estudos de estabilidade ao fabricante do teste para, na sequência, solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a prorrogação da validade do produto. O RT-PCR é um dos exames mais eficazes para diagnosticar a covid-19, além de ser importante ferramenta de controle da pandemia. Ao ser cobrado, na segunda-feira, sobre os testes que podem parar no lixo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que são governadores e prefeitos, e não o governo federal, que deve explicações. “Todo o material foi enviado para estados e municípios. Se algum estado/município não utilizou, deve apresentar seus motivos”, disse o chefe do Executivo a um apoiador que o questionou se a informação procedia. Não é verdade que todo o material foi encaminhado. Como mostrou a publicação, os testes estão num depósito do governo em Guarulhos (SP) e não foram repassados para a rede pública. Os dados sobre o prazo de validade dos testes em estoque estão registrados em documentos internos do próprio Ministério da Saúde.

O ministério das “entregas” e do desgaste – O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ganha fama no governo como aquele que mais terá o que entregar ao presidente Jair Bolsonaro em 2021. Em sua lista, estão privatização de portos, inclusive o de Santos, e 22 aeroportos, além de rodovias e ferrovias a serem inauguradas. É de lá que o Planalto espera tirar o balanço positivo das obras e a alavanca para a campanha reeleitoral de 2022. A esperança dos aliados do presidente é de que essas obras e serviços ajudem a compensar os problemas de gestão que o país apresenta em várias frentes, em especial, a saúde. Afinal, a covid-19 continua avançando e, embora haja esperança de vacinas para 2021, ainda não há plano estratégico preparado para imunização em massa, quando os cientistas derem sinal verde. Se esse plano não estiver pronto para aqueles que desejarem a vacina, será mais um trunfo nas mãos da oposição quando chegar 2022.

Major Olímpio discute com bolsonaristas – O senador Major Olímpio (PSL-SP) envolveu-se em uma discussão com apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em Taubaté (140 km de São Paulo) nesta segunda-feira (23). Ele esteve na cidade para manifestar seu apoio a uma candidata à prefeita e diz ter sido surpreendido pela presença de pequeno grupo de bolsonaristas que o xingavam de “traidor”. Em vídeo, o senador grita “ladrão” e “ladrão de rachadinha” enquanto é chamado de “traíra” por um rapaz com uma camiseta que diz “direita taubaté”, que aparece ao lado de uma mulher com roupa com os dizeres “Bolsonaro presidente” e de um homem com uma faixa “não vote em comunista”, em referência à candidata Loreny, do Cidadania, apoiada por Olímpio. O senador e o rapaz chegam a ficar frente a frente, um gritando “ladrão” e “traíra” para o outro. Ao Painel Olímpio diz que “o que restou de bolsonaristas hoje são radicais que tentam se impor pela intimidação. Comigo, não. Ladrão é ladrão. Ladrão de direita é igual ladrão de esquerda. Simplesmente ladrão”. “Em Taubaté, como em qualquer cidade, a claque contratada bolsonarista hoje cabe num Mini Cooper”, diz o senador, afirmando que o grupo tinha apenas quatro pessoas.

Na grande família Arraes, tio bolsonarista apoiará petista – A disputa na familia de Arraes pela prefeitura do Recife tem um tio neobolsonarista que desta vez defende voto no PT. Antônio Campos, irmão do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, afirma que a marca do PSB é a “traição”, para justificar o voto na prima Marília Arraes. Defensor do governo Bolsonaro, ele diz que o petista tem legitimidade para reivindicar o legado do patriarca da família, Miguel Arraes, e critica Renata Campos, viúva de Eduardo e mãe do outro candidato, João Campos (PSB). – É bom para a democracia que haja alternância de poder. O PSB está com fadiga material e o recife está com ventos em mudança. As bandeiras políticas do PSB histórico foram trocadas por uma visão muito pragmática da política e da vida — disse Antônio Campos ao GLOBO, na capital pernambucana. Ele se retirou de parte da família após a morte de seu irmão, e ficou descontente com a viúva. Antônio afirma que Renata “tem um projeto de poder que exclui quem não se submete aos seus caprichos”. Em 2016, ainda no PSB, tentou ser eleito prefeito de Olinda, tendo perdido no segundo turno e diz que foi “traído e perseguido” pelo partido durante essa campanha. Ele continua votando na cidade vizinha e, portanto, não irá às urnas no próximo domingo. Antônio está hoje à frente da Fundação Joaquim Nabuco, em Pernambuco, órgão vinculado ao Ministério da Educação do governo Jair Bolsonaro. Ele diz que apoia a gestão federal e cita a ajuda emergencial como uma das razões. – Votei no Bolsonaro no segundo turno para presidente, tendo em primeiro turno votado em Álvaro Dias. Foi um voto de ruptura, para criar um novo ciclo. Entendo que o governo Bolsonaro tem feito avanços no Brasil — diz. O irmão de Eduardo Campos afirma que a eleição no Recife não pode ser considerada apenas uma briga da família Arraes. — A eleição do Recife não é uma briga de família. É uma luta de valores e projetos. É a visão política de Arraes contra a visão pragmática do PSB, pós-Eduardo. A eleição de Marília repara uma grave injustiç

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