Resumo dos jornais de quarta (18/11/20) | Claudio Tognolli

 Resumo dos jornais de quarta (18/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Europa comprou madeira ilegal do Brasil, indica PF

CORREIO BRAZILIENSE: Sinais de nova onda de covid alertam o país

O ESTADO DE S.PAULO: No Brics, Bolsonaro diz que países compram madeira ilegal do Brasil

O GLOBO: Covid acelera no país, e medidas de isolamento voltam a ser discutidas

Resumo das manchetes – A Folha e o Estadão abordam em suas manchetes a suposta venda ilegal de madeira para oito países europeus e a forma como Bolsonaro usou a informação. As manchetes do Correio e o Globo cuidam do alerta para uma segunda onda da covid no país. Segundo o Imperial College, de Londres, a taxa de transmissão no Brasil chegou a 1,10, o que indica níveis de descontrole no contágio.

Destaques de quarta

Flávio desviou R$ 6 milhões em rachadinha, afirma MP – Na denúncia em que imputa os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanosrj), sua mulher, Fernanda Antunes, e mais 15 pessoas, o Ministério Público detalha como as movimentações financeiras do filho do presidente estão ligadas a um esquema que teria desviado R$ 6 milhões da Assembleia Legislativa do Rio por meio de “rachadinhas”. No documento, a Promotoria destaca a desproporção entre a evolução patrimonial do senador e suas fontes de renda, aponta “enriquecimento ilícito” e diz que é “incalculável” o valor de dinheiro em espécie desviado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz para o pagamento de despesas do casal. O MP fluminense acusa Flávio de constituir e liderar uma organização criminosa que tinha como objetivo desviar recursos da Alerj mediante nomeações ou manutenção de “fantasmas” em cargos comissionados, que devolviam parte de seus salários a integrantes do grupo, em especial ao operador financeiro Fabrício Queiroz. Os promotores apontam ainda que outra peça importante da dinâmica criminosa era Miguel Ângelo Braga Grillo, o Coronel Braga, que chefiava o gabinete de Flávio na Alerj e exerce a mesma função no Senado, com salário de R$ 22,9 mil. A Promotoria identificou que, do montante total desviado, R$ 2.079.149,52 foram comprovadamente repassados para a conta de Queiroz e outros R$ 2.154.413,45 foram disponibilizados à organização criminosa “mediante saques elevados de dinheiro em espécie na boca do caixa”. Em seu depoimento, Queiroz alegou que operava o esquema sem “consulta ou anuência” de Flávio e Coronel Braga. Ao investigar a evolução patrimonial e registros de transações imobiliárias, fiscais e bancárias de Flávio e de sua mulher, os promotores apontam que parte dos recursos arrecadados com as “rachadinhas” foi transferida ao casal. As transferências, segundo o PM do Rio, foram feitas por meio de três métodos: pagamentos de despesas da família com dinheiro em espécie, utilizando recursos desviados da ALERJ pelo esquema das “rachadinhas”; depósitos em espécie realizados nas contas bancárias do casal em datas próximas aos vencimentos de dívidas ou para fins de investimentos financeiros e utilização futura; e transações imobiliárias utilizando, de forma dissimulada, dinheiro em espécie não declarado, oriundo do desvio na Assembleia do Rio.

Investigação aponta ‘descuido’ de Queiroz em depósito como prova – Um “descuido” do ex-assessor Fabrício Queiroz é uma das provas usadas pelo Ministério Público do Rio para apontar o uso de verbas desviadas da Assembleia Legislativa fluminense no pagamento de uma cobertura adquirida pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em 2011. A transação foi feita na conta da mulher do parlamentar, Fernanda, por meio de depósitos fracionados feitos às vésperas dos vencimentos de parcelas do imóvel. Flávio Bolsonaro foi denunciado por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro no inquérito das “rachadinhas”. Fernanda Bolsonaro também foi denunciada por lavagem de dinheiro. O nome dela aparece na denúncia quando o MP descreve o “enriquecimento ilícito” de Flávio. Uma das transações investigadas foi a compra de uma cobertura em Laranjeiras, na zona sul do Rio, por R$ 2,2 milhões em 2011. Em agosto daquele ano, o casal precisaria desembolsar R$ 110 mil para quitar o sinal do imóvel. No entanto, o Ministério Público apontou que a conta do casal “não possuía lastro financeiro para custear a operação”. Na véspera do vencimento, porém, um depósito de R$ 25 mil caiu na conta de Fernanda – foi o momento do “descuido” de Queiroz. Segundo a Promotoria, o valor foi sacado em espécie da conta do próprio Queiroz antes de ser depositado em nome de Fernanda. Os promotores dizem que a “peculiar” forma de transação – saque em espécie seguido de depósito –, quando existem mecanismos de transferências diretas, revelam que a intenção era ocultar os registros de transferência. Queiroz, porém, errou na “dosagem” e foi obrigado a se identificar no caixa. “Em razão do alto valor depositado, o denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz teve que registrar seu próprio nome na agência bancária como responsável pelo depósito em espécie, materializando nos registros bancários vestígios concretos da destinação final dos valores desviados da Alerj”, afirma o Ministério Público. Para os promotores, tal “descuido” revela que, à época, Queiroz “ainda não estava familiarizado com os instrumentos de prevenção à lavagem de dinheiro”. Queiroz não foi o único a cometer “descuido”. Em dezembro de 2011, na véspera do pagamento da segunda parcela da cobertura em Laranjeiras, o chefe de gabinete de Flávio na Alerj, Miguel Ângelo Braga Grillo, o “Coronel Braga” depositou R$ 20 mil na conta de Fernanda. Apesar de usar o nome da mulher de Flávio na identificação do depósito, a quebra do sigilo bancário revelou que o Braga foi o responsável pelo repasse. Meia hora antes, ele havia sacado a mesma quantia da sua própria conta, em espécie.

Bolsonaro ameaça europeus – Uma operação da Polícia Federal que apreendeu madeira ilegal que seria exportada para oito países europeus foi usada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ameaçar divulgar uma lista de nações que compram o material extraído de forma irregular da Amazônia. A operação Arquimedes da PF resultou na apreensão de 120 contêineres com 2.400 m³ de madeira extraída ilegalmente e que seria vendida para empresas importadoras na Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Portugal e Reino Unido. A operação foi deflagrada em 2017 e teve novas etapas nos anos posteriores. Sem citar a operação ou o nome dos países, Bolsonaro se queixou nesta terça-feira (17) de “ataques injustificáveis” à política ambiental do governo e prometeu tornar público os países que são receptores de madeira ilegal. A ameaça é mais uma reação do presidente às críticas que tem recebido diante do aumento de desmatamento na Amazônia e da onda de queimadas na região e no Pantanal. “A nossa Polícia Federal desenvolveu um método para permitir a localização da origem de madeira apreendida. Não apenas apreendida, mas o mais importante: a exportada também. Estaremos revelando nos próximos dias países que têm importado madeira extraída de forma ilegal da Amazônia”, declarou o presidente, durante a cúpula virtual dos Brics (grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Apesar da declaração do presidente, o próprio Ibama facilitou a exportação de madeira nativa brasileira a outros países neste ano. O presidente do instituto, Eduardo Fortunato Bim, publicou em fevereiro um despacho em que dispensou a necessidade de uma autorização específica do órgão para que outros países importassem o material extraído no Brasil. Após a publicação da nova norma, ONGs como Greenpeace e ISA (Instituto Socioambiental) entraram na Justiça para rever a regra. No processo, as organizações afirmam que o Ibama atendeu a um pedido das madeireiras que inclusive agradeceram o presidente do órgão pela medida. As ONGs argumentam, ainda, que a decisão de Fortunato contrariou parecer técnico do instituto, conforme elencam na ação.

Apagão atinge todo o Estado do Amapá pela 2ª vez – O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que um novo apagão atingiu todo o Estado do Amapá na noite de ontem. As causas do blecaute ainda não foram divulgadas. É o segundo caso no mês. Há duas semanas, no dia 3, um incêndio na subestação Macapá, da concessionária Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), deixou 14 dos 16 municípios do Amapá no escuro por quase quatro dias. O serviço não voltou 100% desde esse dia e o abastecimento ocorria por rodízio. A reportagem procurou o Ministério de Minas e Energia (MME), mas a pasta não se pronunciou. O mesmo ocorreu com a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA). Em nota, a LMTE informou que o apagão não teve origem em sua linha de transmissão e não há nenhum problema no transformador instalado na subestação da LMTE, que continua disponível e operando desde 7 de novembro. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que não há energia em toda Macapá e nos municípios de Santana e Mazagão. Os serviços de telefonia móvel também estão prejudicados nessas localidades. Não é possível fazer ou receber chamadas telefônicas.

A verdade sobre exportação de madeira – O Estadão obteve documento do Ibama que mostra, detalhadamente, quais são os maiores destinos estrangeiros da madeira nacional. Os dados mostram que, entre 2007 e 2019, os Estados Unidos lideraram o consumo da madeira nacional, tendo adquirido 944 mil m³ de produtos do Brasil. O segundo maior comprador foi a França, com 384 mil m³, seguida por China (308 mil m³), Holanda (256 m³) e Bélgica (252 mil m³). Esses dados do Ibama referem-se a exportações oficiais – trata-se de madeiras que deixaram o Brasil de forma legalizada. Não significa, porém, que a origem de toda essa madeira é legal. Essa situação acontece por causa da forte informalidade e criminalidade que domina o mercado madeireiro no Brasil. Com base nos dados no mercado legal de madeira, o setor exportou cerca de R$ 3 bilhões nos últimos cinco anos. São aproximadamente R$ 600 milhões anuais. Antes de uma chapa de ipê ou mogno chegar ao porto, ponto final para saída do Brasil, ela percorre uma cadeia que, invariavelmente, é marcada pela corrupção. O crime se baseia em uma indústria de papéis falsos. Por meio de agentes públicos que atuam de forma criminosa, documentos são emitidos para “esquentar” a madeira roubada de terras indígenas e unidades de conservação, por exemplo. Na prática, um país que importa madeira pode até achar que adquiriu produto 100% legal, quando, na realidade, sua origem pode ser fruto de esquema fraudulento, que costuma inviabilizar o preço do mercado entre os que desejem atuar de forma legalizada. Foi o que concluiu o Ministério Público na Operação Arquimedes.

Para madeireiro, Bolsonaro deu tiro no pé – Presidente da Associação de Exportadores de Madeira do Estado do Pará, Roberto Pupo diz que Jair Bolsonaro deu um tiro no pé ao tentar denunciar a suposta contradição dos europeus quando criticam o desmatamento, mas compram madeira brasileira. “A Polícia Federal está com esse relatório desde 2018, 2019 e agora, quase dois anos depois, eles vêm falar disso? Foi um gancho que ele [superintendente da PF] conseguiu. E o Bolsonaro, gaiato, pegou e soltou essa bomba. Vai ser um tiro no pé e vai atrapalhar muito o comércio de madeira internacional”, afirma. Sua previsão é que os importadores de madeira legal de Europa e EUA poderão questionar se a documentação que está sendo fornecida hoje pelas autoridades do Brasil é confiável. Segundo ele, a venda de madeira para o exterior tem um controle rigoroso e corresponde a cerca de 15% das vendas totais. A maior parte fica no mercado doméstico. Pupo também criticou o DNA do desmatamento apresentado pela PF aos embaixadores europeus em Manaus, ainda que acredite que a Amazônia tenha se transformado em motivo para criticar Bolsonaro. “Se ele [o superintendente da PF] quisesse fazer alguma coisa séria, ele teria passado os critérios de averiguação de legalidade de madeira para outras superintendências da Amazônia. Ou ele ficou guardando isso para ele? Pará, Mato Grosso nunca adotaram esse critério, por exemplo”, afirmou.

Covas pede desculpas a Boulos após ataques de aliado tucano – O prefeito e candidato à reeleição em São Paulo, Bruno Covas (PSDB), pediu desculpas ao rival Guilherme Boulos (PSOL) após uma declaração polêmica feita nesta terça-feira (17) pelo aliado Ricardo Tripoli, tucano ex-deputado federal. Tripoli acompanhou o prefeito em uma agenda de campanha no Sindicato Nacional dos Aposentados, no centro da capital paulista. Covas e Tripoli estavam sentados em uma mesa no auditório da entidade, onde discursaram a sindicalistas. Enquanto Covas evitou mencionar Boulos em sua fala, Tripoli atacou o adversário. Uma das frases foi polêmica. “O adversário [de Covas] mata a mãe para ir ao baile de órfãos para poder entrar. Imagine a agressividade que esse sujeito tem”, disse Tripoli. Após repercussão da frase, Covas contatou Boulos e pediu desculpas. “O prefeito Bruno Covas classifica como inaceitável e desrespeitosa a declaração feita hoje pelo ex-deputado Ricardo Tripoli sobre o candidato Guilherme Boulos”, afirmou a campanha do tucano em nota. “Atitudes como essa não contribuem para o processo democrático.”

PT orienta voto em Paes no 2º turno no Rio – O PT formalizou nesta terça-feira (17) apoio à candidatura do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) à Prefeitura do Rio de Janeiro. O partido –cuja candidata, a deputada federal Benedita da Silva, ficou em terceiro lugar no primeiro turno– divulgou nota em que orienta sua militância ao voto contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Nós, petistas, temos clareza de nossa responsabilidade com a cidade e com os cariocas. Consideramos que derrotar Crivella e Bolsonaro é a prioridade. Precisamos virar a página dessa administração desastrada e incompetente.” Segundo a nota, “Paes se coloca no campo do social-liberalismo e tem avaliação positiva como gestor público e de comportamento democrático”. No entanto, se encontra em um campo político distante das bandeiras defendidas pelo PT.

Eleição rejeitou radicalismo, mas não é recado para Bolsonaro – Em março de 2011, o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cunhou uma frase que foi entronizada no anedotário político nacional. O PSD, partido que iria fundar, não seria nem de centro, nem de direita, nem de esquerda. Símbolo da geleia ideológica brasileira para uns ou expoente do pragmatismo para outros, a sigla chegou à eleição deste ano com seu melhor resultado até aqui. Elegeu 640 prefeitos, 101 a mais do que em 2016, e firmou-se como terceira maior força municipal do país, atrás de MDB e Progressistas. Vingado num pleito em que o eleitor buscou nomes mais moderados, após o tsunami bolsonarista de 2018, Kassab sempre disse que a frase havia sido editada sem o contexto de que falava na construção do programa partidário. “Se dependesse de mim, o partido seria de centro. Como acabou sendo e continuará sendo”, afirmou. Fidelíssimo a seu estilo, nesta entrevista ele diz que o eleitor negou o radicalismo nas urnas, mas que isso nada tem a ver com rejeição ao presidente Jair Bolsonaro ou com definição do pleito de 2022. Lembrado que seu partido apoia e participa do governo, defende independência. Em São Paulo, concede que a maioria do PSD deverá apoiar a candidatura do prefeito Bruno Covas (PSDB), mas faz muitos elogios à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), usualmente visto como uma besta-fera esquerdista em círculos conservadores. E deixa no ar dúvidas sobre uma eventual união da centro-direita contra Bolsonaro em 2022, dizendo que vai trabalhar por uma candidatura própria de seu partido. Afirmou que não discute sua eventual volta ao governo paulista, do presidenciável João Doria (PSDB). Ele assumiu e se licenciou da Casa Civil do tucano em 2019 para responder às acusações de recebimento ilegal de recursos da empresa JBS, o que ele nega em inquérito.

PF prende blogueiro bolsonarista por ter burlado decisão do STF – A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (17) o bolsonarista Oswaldo Eustáquio por ter burlado decisão de Alexandre de Moraes, do Supremo. Ele terá que usar tornozeleira eletrônica a partir de agora, em nova determinação do ministro. O blogueiro não poderia sair de Brasília sem autorização prévia, mas recentemente foi a São Paulo, onde fez uma suposta matéria jornalística contra Guilherme Boulos (PSOL). Ele também vinha usando suas redes sociais, o que Moraes tinha proibido. Eustáquio é um dos principais investigados no inquérito de articulação de atos antidemocráticos, que está no STF. A PF também cumpriu busca e apreensão na residência de Eustáquio e, por determinação de Moraes, deveria apreender os aparelhos eletrônicos do blogueiro.

STJ nega recurso de Lula – O STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitou nesta terça-feira (17), por unanimidade, recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a condenação do petista no caso do tríplex de Guarujá (SP). Os advogados do petista apresentaram um recurso ao tribunal para mudar o regime inicial da pena e para reduzir o valor da indenização. Alegaram obscuridades no acórdão da 5ª Turma, colegiado encarregado de analisar o caso e que havia confirmado a sentença anteriormente. Votaram contra Lula, para negar o recurso em ambos os quesitos, os ministros Felix Fischer, relator da matéria, João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas. Joel Ilan Paciornik se declarou impedido. A defesa de Lula avalia a possibilidade de novos recursos contra a condenação no próprio STJ.

Urnas forçam Bolsonaro a se reinventar – Depois de assistirem à derrota da maioria de seus candidatos no primeiro turno das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro e aliados avaliam as lições que esse resultado deixa para o projeto de reeleição em 2022. A construção de uma base de sustentação política e a filiação do presidente a um partido estão entre as opções consideradas. O baixo desempenho do bolsonarismo nas disputas municipais tem sido atribuído por analistas, em grande parte, ao fato de o chefe do Executivo não ser filiado a um partido. A diluição dessa bandeira em várias legendas, durante as campanhas, acabou prejudicando a comunicação com os eleitores, avaliam. Sem perspectiva de que saia do papel o Aliança pelo Brasil, partido que tenta fundar — já que foram alcançados apenas 8% das 492 mil assinaturas necessárias —, Bolsonaro deve se abrigar em outra legenda já existente. O presidente iniciou conversas com lideranças do Centrão, bloco partidário que saiu vitorioso nas votações do domingo, emplacando mais de dois mil prefeitos. O PTB, liderado por Roberto Jefferson, aliado do chefe do Executivo, é uma das siglas cogitadas. Além disso, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, afirmou ter convidado Bolsonaro para retornar ao partido, que cresceu nos municípios e se tornou, no domingo, o segundo com mais prefeitos (682) e vereadores (6.353) eleitos do país, atrás apenas do MDB, que fez 774 e 7.335, respectivamente.

Meta é fazer Câmara trabalhar – Lideranças do governo trabalham para acabar com a obstrução da pauta da Câmara. Passado o primeiro turno das eleições municipais, há a expectativa de uma plenária, hoje, para votar o PL 4199/2020, que define um programa de incentivo à cabotagem e que tramita em regime de urgência, travando a pauta; e a Medida Provisória 993 de 2020, permitindo a prorrogação de contratos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por tempo indeterminado. O debate e a aprovação dos textos poderiam ajudar a mudar o rumo da disputa pela presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO), que tem provocado a paralisação dos trabalhos. A briga pela CMO envolve o grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), respaldado por PSDB e MDB, defendendo o acordo feito em fevereiro para que o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) presidisse o colegiado, contra o grupo de Arthur Lira (PP-AL), formado também por PL, PP, PSD, Solidariedade e Avante, que são base do governo, a favor da deputada Flávia Arruda (PL-DF) para o cargo. O cabo de guerra envolve o poder sobre o orçamento do ano que vem e a corrida pela Presidência da Casa. O Centrão, de Lira, considera decidir a mesa do colegiado no voto.

Centrão quer dar ultimato a Bolsonaro: elege Arthur Lira ou abre o governo – Se não houver uma intenção firme do Planalto em fazer de Arthur Lira (PP-AL) presidente da Câmara, em substituição a Rodrigo Maia (DEM-RJ), o Centrão aproveitará o embalo do sucesso nas urnas para pedir a abertura do primeiro escalão do governo a seus quadros. Um dos sonhos de consumo, que, vale lembrar, não está nos planos do presidente fazer qualquer alteração, é o Ministério da Infraestrutura. A tendência é que o presidente Jair Bolsonaro termine forçado a abrir o governo, uma vez que a entrega da presidência da Câmara ao aliado está longe de ser vista como favas contadas. O DEM, outro partido vitorioso e hoje afastado do Centrão, não quer saber de Lira na presidência da Casa. O MDB tem seu candidato, Baleia Rossi (SP), presidente do partido e líder da bancada. Difícil será o presidente dormir com um barulho desses.

Vacina 100% brasileira – Nem Butantan, nem Fiocruz. As vacinas próprias a que Bolsonaro se referiu são 12 espalhadas pelo país, sem parceria, seja com a China ou qualquer outro país estrangeiro. O acompanhamento desses estudos está a cargo do Ministério da Ciência e Tecnologia, sob o comando do ministro Marcos Pontes. O estágio de testes está abaixo das quatro pesquisadas em parceria com outros países, mas o ministro está confiante. Em recente entrevista, disse ter esperança de que, no segundo semestre de 2021, talvez já tenhamos boas notícias.

Esse santo quer reza – Ao comentar os resultados eleitorais e, em seguida, defender o general Santos Cruz dos ataques do escritor Olavo de Carvalho, o ex-ministro Sergio Moro deixou nos políticos a certeza de que está no jogo para 2022. Resta combinar o partido.

Bivar: ‘O PSL tinha dinheiro, mas não tinha poder’ – Dono da segunda maior fatia do fundo eleitoral para financiar campanhas, equivalente a R$ 199,4 milhões, o PSL ficou longe de repetir o sucesso de 2018 nestas eleições municipais. O partido que abrigou o presidente Jair Bolsonaro até o ano passado fez apenas 92 prefeituras, mas nenhuma capital. “O PSL tinha dinheiro, mas não tinha poder”, disse ao Estadão o deputado Luciano Bivar, presidente da sigla, ao justificar o resultado. Apesar dos percalços, Bivar não admitiu erro de estratégia ao lançar candidatos que não chegaram ao segundo turno, como Joice Hasselmann, em São Paulo. O deputado também não respondeu se Bolsonaro voltará ao PSL, mas afirmou que em política não se pode ter rancor. Questionado sobre o resultado da participação do chefe do Executivo nas campanhas, Bivar foi taxativo: “O presidente, politicamente, é muito mal assessorado”.

Futuro de Doria já faz ferver o Bandeirantes – Antes mesmo de terminadas as eleições municipais, as costuras políticas que têm no horizonte a disputa pelo governo de São Paulo se intensificaram nos principais partidos, seja porque os candidatos a prefeito da capital do Estado, Bruno Covas e Guilherme Boulos, são apontados como nomes fortíssimos para 2022, seja porque no Palácio dos Bandeirantes os bastidores esquentam e no grau de ebulição está a secretária Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico), cada vez mais em exposição por conta do plano estadual de combate à covid-19. João Doria recebeu ontem Geraldo Alckmin, nome sempre lembrado quando o assunto é governo do Estado, para almoço no Bandeirantes. Fizeram balanço dos resultados colhidos até aqui pelo PSDB em São Paulo. Diante do saldo positivo, brindaram com guaraná. Com as quase 180 prefeituras conquistadas no Estado (algumas ainda sub judice) até agora, Doria se fortalece para a reeleição. Se ele quiser concorrer, a vaga será dele. Porém, como o governador também mira o Planalto, Alckmin, Ellen e o atual vice, Rodrigo Garcia (DEM), sonham com a vaga de candidato ao governo. O arrojo de Patrícia Ellen desagrada a colegas dela e ao DEM.
[07:56, 18/11/2020] Altair Ribeiro: Complemento

Manchete do Valor: Índice revela as empresas líderes em inclusão racial

Resumo da manchete – Empresas multinacionais, em sua maioria, e algumas brasileiras, integram um movimento que vem ganhando musculatura. Estudo inédito no país mapeou ações afirmativas de 23 companhias participantes da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que lança hoje o Índice de Inclusão Racial Empresarial (IIRE), desenvolvido com o DataZumbi, instituto de pesquisas da Universidade Zumbi dos Palmares. Nessas 23 empresas, 29% dos profissionais são negros, sendo 6,6% em cargos de diretoria e conselho. As empresas mais bem avaliadas nesta primeira edição foram Vivo, Bradesco e P&G. Na média de todos os critérios, a nota foi de 5,54, em uma escala de zero a dez.

DEM não seguirá com Bolsonaro – Ainda que não seja enfático, ACM Neto sugere, nas entrelinhas, que o caminho do DEM certamente não será seguir ao lado de Jair Bolsonaro em 2022. “O DEM não faz parte do governo Bolsonaro. O DEM não é base do governo Bolsonaro. Todo mundo sabe que temos uma posição de independência em relação a esse governo”, reitera, numa toada que repete desde que Bolsonaro assumiu a Presidência e escolheu, para ministros, três nomes da sigla.

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