Resumo dos jornais de domingo (28/06/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (28/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Apoio à democracia bate recorde diante do risco Bolsonaro

CORREIO BRAZILIENSE: Brasil fecha acordo para ter a vacina já neste ano

O ESTADO DE S.PAULO: ‘Efeito Amazon’ faz grupo de empresas valorizar na crise

O GLOBO: Governo fecha acordo para produzir vacina já este ano

Destaques de hoje

Apoio à democracia – Nova pesquisa Datafolha mostra que 78% da população não concorda com o presidente Jair Bolsonaro quando ele diz que não houve ditadura no Brasil. Outros 75% rejeitam mais uma aventura autoritária como a do período de 1964 a 1985, índice recorde da série histórica sobre o tema. A ditadura entregou o poder de forma pacífica, mas só após intensa pressão popular, que é resgatada agora por iniciativas em defesa da democracia. Antes, castrou os demais Poderes, adotou a tortura e o assassinato como políticas de Estado e censurou tudo que questionasse o preceito de “Brasil Grande”. No momento em que se avolumam ameaças de Bolsonaro e seguidores contra Congresso e STF e em que 70% dos brasileiros não haviam nascido ou eram crianças no regime militar, especial da Folha conta o que foi a ditadura, o trauma e o atraso que ela provocou no país.

Acordo sobre vacina – O governo firmou parceria de US$ 288 milhões para a produção de 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, apontada pela OMS como “a mais promissora do mundo”. Pelo acerto, laboratório da Fiocruz fabricará os primeiros lotes, com 30,4 milhões de unidades do imunizante entre dezembro e janeiro. O acordo ocorre quando a curva do vírus está em alta no Brasil, que ontem registrou mais 1.109 mortes, elevando a 57.070 o número de óbitos, e chegou a 1.313.667 casos confirmados da doença.

Valorizadas na pandemia – A expansão do comércio eletrônico por causa da pandemia do novo coronavírus aumentou o valor na Bolsa das empresas especializadas em e-commerce. Espelhando o “efeito Amazon”, referência à gigante americana de tecnologia, cujas ações atingiram máximas com a aceleração das vendas online em todo o mundo, as empresas de comércio eletrônico são destaque na lista das dez companhias brasileiras que mais se valorizaram neste ano, apesar da crise que paralisou a economia do País. Beneficiando-se da diminuição das resistências dos consumidores mais tradicionais ao e-commerce, a B2W (dona de marcas como Submarino e Shoptime) quase dobrou de valor desde o início do ano. As ações do Magazine Luiza, varejista líder em comércio eletrônico, por sua vez, subiram 55% no primeiro semestre do ano. Com desempenho impulsionado pelo dólar alto, empresas exportadoras, como os frigoríficos Marfrig e Minerva e a companhia de celulose Klabin, também aparecem com destaque na lista das empresas que mais se valorizaram.

Vamos produzir vacinas – O Ministério da Saúde anunciou neste sábado a produção de 30,4 milhões de doses da vacina contra Covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford, com investimento de US$ 127 milhões. O primeiro lote deve ser produzido em dezembro e o segundo em janeiro pela Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz. Segundo o ministério, as doses só serão ministradas após a finalização dos estudos clínicos e a comprovação da eficácia da vacina. O acordo anunciado prevê compartilhamento da tecnologia de produção da vacina com a Fiocruz. Parte do montante investido inicialmente será utilizado na modernização do parque tecnológico da Bio-Manguinhos para a produção da vacina. A articulação em relação ao acordo foi liderada pela Casa Civil, mas também teve participação do Ministério da Economia e do Ministério das Relações Exteriores.

Bolsonaro viaja para Minas Gerais em agenda particular – Fora da agenda, o presidente Jair Bolsonaro viajou na manhã deste sábado para Araguari (MG), município 391 km distante de Brasília. O Palácio do Planalto informou que o presidente está em uma agenda particular. Bolsonaro visitou o 2º Batalhão Ferroviário Mauá, que fica próximo ao Centro de Instrução de Engenharia de Construção (CIECnst) do Exército. Lá, cantou o hino nacional e cumprimentou militares. Bolsonaro embarcou para a Araguari por volta das 8h da manhã, da Base Aérea de Brasília. Ele pousou no posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no quilômetro 43 da rodovia, nas margens da BR 050, onde ficou cerca de meia hora cumprimentando moradores da região. O presidente estava sem máscaras facial de proteção contra o novo coronavírus. Na visita a Araguari, o presidente provocou aglomerações por onde passou. Primeiro, reuniu centenas de pessoas à beira da rodovia. Depois, cumprimentou milhares de moradores que se aglomeraram para vê-lo diante do agrupamento militar do Exército. Na caminhada para acenar aos apoiadores, o presidente continuava sem máscara no rosto. A visita à cidade mineira foi transmitida pelo presidente em sua rede social.

Governo estuda medidas para ‘suavizar’ preço dos combustíveis – O Ministério de Minas e Energia (MME) concluiu a sua proposta de “suavização” no preço dos combustíveis. A intenção é evitar que choques externos nos valores do petróleo sejam sentidos com a mesma intensidade no Brasil e, com isso, dar mais estabilidade para os valores de gasolina, do diesel e do GLP no país. O texto começou a ser articulado em janeiro a pedido da Presidência da República, depois de fortes oscilações no mercado internacional de petróleo. O Ministério da Economia está finalizando a análise técnica da proposta antes de ela ser formalizada. Os técnicos do governo descartaram intervenções em preços de mercado e a criação de fundos. O MME busca uma solução que mantenha a liberdade de preços e a livre negociação entre os agentes, bem como que minimize os impactos sobre os cofres da União e estados. Há três propostas sobre a mesa, que envolvem modificações em tributos federais e estaduais.

Lava-Jato: Petrobras recupera mais R$ 265 milhões – A Petrobras recebeu nesta semana mais R$ 265,1 milhões em decorrência de um acordo de leniência, desta vez celebrado pela Technip Brasil e Flexibras (empresas do Grupo Technip), informou a assessoria de imprensa da estatal neste sábado. Com o montante, o total de recursos devolvidos para a companhia em decorrência de acordos de colaboração, leniência e repatriações ultrapassou o montante de R$ 4,5 bilhões, como resultado das investigações da operação Lava-Jato. Somente nos últimos 12 meses, a estatal conseguiu recuperar R$ 1,2 bilhão dos recursos desviados por atos de corrupção que afetaram a empresa, acrescentou a Petrobras em nota. Em julho de 2019, a Petrobras já havia recebido a primeira parcela de referido acordo no montante de cerca de R$ 313 milhões, que somada à segunda parcela recebida nesta semana, totaliza mais de R$ 578 milhões restituídos à companhia em razão do referido acordo. No comunicado, a Petrobras lembrou que atua como coautora do Ministério Público Federal (MPF) e da União em 18 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 70 ações penais relacionadas a atos ilícitos investigados pela Operação Lava-Jato.

Projetos no Congresso podem encolher caixa do governo – Em meio ao aumento de gastos para amenizar a crise econômica causada pela pandemia da covid-19, ao menos 102 projetos de lei que podem reduzir a receita do governo – e, portanto, os recursos para novas despesas – estão em debate no Congresso. Quase a totalidade não traz estimativa de impacto fiscal – alguns pedem para que o corpo técnico do Congresso faça as projeções. Cálculos do Centro de Liderança Pública (CLP) mostram que só 11 projetos já reduziriam a arrecadação anual em R$ 105 bilhões, valor que sustentaria o Bolsa Família por até 3,5 anos. O levantamento considera os projetos apresentados desde o ano passado. Do total, 42% têm alta ou média chance de ir à votação e 78%, impacto considerado médio ou alto para os cofres públicos. “Algumas medidas não têm impacto financeiro muito relevante, mas passam péssima mensagem em um momento em que o Estado precisa controlar as contas públicas”, diz Tadeu Barros, diretor de operações do CLP. Barros destaca que o grande volume de projetos sem foco em investimentos também prejudica a recuperação da economia no pós-covid. “Quando encho o Congresso com pautas que são incongruentes com nosso cenário, cria-se uma certa confusão.” Dentre os projetos, há alguns de interesse de boa parte dos contribuintes, como o da correção da tabela do Imposto de Renda. Mas a maioria das propostas contabilizadas pelo CLP beneficia um grupo determinado da população ou um setor da economia. Na liderança, aparece a indústria, com 17% das propostas, seguida por motoristas de aplicativos, com 16%. Muitos projetos buscam atender a interesses de segmentos, como a criação de zona franca para a indústria de moda íntima.

Corrente do bolsonarismo tenta se dissociar de extremistas – Após fracassar sua ofensiva para deter as ações do Supremo Tribunal Federal (STF), o bolsonarismo propõe agora uma détente entre as instituições e procura isolar os grupos radicais que pregam “intervenção militar”, com o fechamento do Congresso e da Corte. Nos círculos mais próximos do presidente, o movimento é justificado em razão da avaliação de que extremistas, como Sara Giromini, estariam “contaminando” os movimentos pró-governo. A decisão de se descolar desses grupos veio após ações do STF que levaram extremistas à prisão e à quebra de sigilos de apoiadores e parlamentares bolsonaristas, além da prisão de Fabrício Queiroz, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no esquema das rachadinhas. Os grupos intervencionistas sempre foram tolerados e até dividiram carros de som com expoentes do bolsonarismo. Organizadores de atos pró-governo e aliados do presidente pregam agora que eles sejam isolados e rotulados como indesejados, como se fossem black blocs da direita.

Cresce adesão a rede de extrema direita – Com a adesão de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o Gab, uma rede social de extrema direita conhecida por não se opor a publicações com teorias conspiratórias, desinformação e discursos de ódio, afirma que seu crescimento explodiu nas últimas semanas, na esteira dos protestos contra o governo e do cerco das grandes plataformas da internet a conteúdos racistas e violentos. Um comunicado enviado pela empresa a usuários cadastrados, no início deste mês, fez um aceno aos críticos dos movimentos que foram às ruas após a morte de George Floyd, segurança negro assassinado após abordagem policial, em Minnesota (EUA), e zombou do que chamou de “religião” de empresas como Facebook e Twitter. “Nas últimas semanas, Gab experimentou o maior aumento de crescimento em quase quatro anos de história. À medida que as gigantes de tecnologia continuam a sinalizar apoio aos manifestantes e proíbem qualquer um que se atreva a discordar de sua religião de ‘wokeness’ (expressão relacionada à preocupação com injustiças sociais e racismo), as pessoas estão ficando cansadas e saindo das plataformas do Vale do Silício em busca de comunidades que compartilham seus valores”, afirmou o comunicado. Desde que foi criada, no período das eleições americanas de 2016, a rede social acumula críticas por servir, quase sem filtros, como repositório a discursos antissemitas e racistas. Tornou-se um fórum popular entre os chamados “supremacistas brancos”, simpatizantes de ideias nazistas e demais radicais de extrema direita dos Estados Unidos que eram banidos das maiores plataformas. Apesar de os números atuais não serem revelados, a comunidade brasileira exerceu papel importante para consolidar a rede social. Em 2018, os brasileiros eram 22,7% dos 635 mil usuários registrados, segundo informações prestadas pela empresa à agência americana equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A participação colocou o Brasil em segundo entre os maiores mercados do Gab, à frente de Canadá, Inglaterra e Alemanha. Em 2019, eram 900 mil usuários, ao todo. Conforme o relatório anual apresentado pela empresa em 29 de maio, atualmente 1,175 milhão de pessoas têm perfis na plataforma, que mistura características do Twitter e do Facebook. Há um limite de caracteres a cada publicação, os usuários se organizam por hashtags, é possível seguir perfis e interagir com os posts. O movimento que passou a levar brasileiros ao Gab, em 2018, foi influenciado por críticas que Facebook e Twitter também sofriam à época por restringir publicações. Além disso, campanhas de desinformação que alertavam para uma falsa cobrança de mensalidade nas redes mais populares funcionaram como incentivos, relatam pesquisadores.

Suspeita de plágio de novo ministro será investigada – A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou ontem que vai investigar suspeita de plágio no mestrado do novo ministro da Educação, Carlos Decotelli. A decisão foi anunciada após o economista Thomas Conti apontar, no Twitter, possíveis indícios de cópia no trabalho do ministro, defendido em 2008 na Escola de Administração Pública e de Empresas da FGV. Segundo análise feita por Conti com auxílio de um software que identifica trechos similares em textos diferentes, 12% da dissertação de Decotelli tem parágrafos idênticos ao de um relatório do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sem a devida citação. O trabalho contaria ainda com parágrafos copiados de ao menos outras três dissertações de mestrado. A reprodução de trechos de outros trabalhos é comum em dissertações e teses, mas deve ser indicada como tal sempre ao final da sentença, com mais detalhes sobre o autor e a obra nas referências bibliográficas. “Para quem não tem familiaridade com o mundo acadêmico, não se copia e cola trechos escritos por outra pessoa sem deixar claro que é uma citação e de onde vem a citação. Ainda mais em trechos longos assim”, escreveu Conti no Twitter, sobre o mestrado de Decotelli.

Pedido de Aras ‘causa estranheza’, afirma Moro – Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro afirmou ontem que “causam estranheza” os pedidos do procurador-geral da República, Augusto Aras, para obter informações da operação. Os ofícios foram enviados às forças-tarefa do Paraná, de São Paulo e do Rio e cobravam o envio de dados coletados pelos procuradores ao longo dos últimos anos.
“Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nela, embora essa intenção cause estranheza”, disse o ex-juiz. “Registro minha solidariedade aos procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília.” Anteontem, membros do grupo de trabalho da operação na PGR pediram demissão após a “diligência” feita pela subprocuradora Lindôra Araújo. Em ofício a Aras, a Lava Jato demonstrou desconforto com o recolhimento de dados da operação “sem prestar informações sobre a existência de um procedimento instaurado, formalização ou escopo definido”. A solicitação de Aras cobrou o envio, em até dez dias, de dados eleitorais, de câmbio, de movimentação internacional, além de relatórios de inteligência financeira e declarações de Imposto de Renda. O pedido ainda engloba dados recebidos em colaborações ou fornecidos por outros órgãos à força-tarefa e base de evidências, como mídias coletadas em apreensões e quebras telemáticas. Em nota, a PGR negou as acusações da Lava Jato em Curitiba de que se tratava de uma “diligência”.

Um ministro que dorme pouco e tira o sono do Planalto – Alexandre de Moraes dorme pouco – em média, três, quatro horas por dia, mantendo hábito da adolescência. Enquanto cumpre a quarentena em São Paulo, com rotina de trabalho madrugada adentro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) “tira o sono” de empresários, parlamentares, youtubers e extremistas bolsonaristas, que entraram na mira de investigações acompanhadas com apreensão pelo Palácio do Planalto. Uma delas, o inquérito das fake news – sobre ameaças, ofensas e notícias falsas disseminadas contra integrantes do STF e seus familiares – não vai acabar tão cedo. O Estadão apurou que o processo deve ser prorrogado por, no mínimo, 180 dias. Um acidente trágico, duas escolhas cruciais e a “mão de Deus” colocaram o ministro “novato” do Supremo no epicentro das maiores questões jurídico-políticas da atualidade. Em 2017, o relator da Operação Lava Jato na época, Teori Zavascki, morreu em acidente aéreo, abrindo uma inesperada vaga para o STF. O então presidente Michel Temer optou por Moraes, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que já tinha resolvido um caso envolvendo ameaças contra a então primeira-dama, Marcela Temer. A mesma expertise de Moraes, que mantém até hoje conexões com o Ministério Público e a Polícia Militar de São Paulo, foi decisiva para o presidente do STF, Dias Toffoli, escolher o colega como relator do controverso inquérito das fake news. A investigação fechou o cerco sobre o chamado “gabinete do ódio”, grupo de assessores do Planalto comandado pelo vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos). A existência desse núcleo foi revelada em reportagem do Estadão no ano passado. Com o sigilo que ronda os trabalhos do inquérito das fake news, nem os integrantes da Corte sabem ao certo dos desdobramentos da apuração, conduzida por cinco delegados da Polícia Federal de confiança de Moraes. Moraes também foi efetivado recentemente como ministro titular do TSE, onde tramitam oito ações que investigam a campanha de Bolsonaro em 2018. As mais delicadas são as quatro que tratam do disparo de mensagens pelo WhatsApp – e que podem receber provas compartilhadas do inquérito das fake news. “É uma coincidência muito particular: ao mesmo tempo que isso dá maior visibilidade dos fatos ao ministro Alexandre, o coloca como vidraça preferencial do bolsonarismo”, disse o advogado criminalista Davi Tangerino, professor da FGV-SP.

‘Reputação do Brasil mudou para pior’, diz brasilianista – Para o brasilianista Anthony Pereira, diretor de pesquisas sobre o Brasil no King’s College de Londres, um dos principais centros acadêmicos do Reino Unido, a reputação do País no exterior mudou para pior nesses 18 meses de governo Jair Bolsonaro. A conduta do presidente principalmente diante da crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, afirmou Pereira, tem levado a críticas ao Brasil por parte de todo o espectro político nos Estados Unidos e no Reino Unido. “As pessoas no exterior sabem que o presidente Bolsonaro disse ‘e daí?’ quando questionado sobre as mortes pelo coronavírus. Eles descobriram que um juiz ordenou que ele usasse uma máscara quando passeava por Brasília. E eles sabem que os investidores internacionais estão ameaçando retirar seus investimentos da produção brasileira de carne e grãos devido aos crescentes níveis de desmatamento na Amazônia. O governo Bolsonaro mudou a reputação internacional do Brasil. E a mudança foi amplamente negativa”, disse o brasilianista ao Estadão.

Pressão do STF sobre Centrão surte efeito e eleição deve ser adiada – Está próximo o consenso da Câmara em torno do adiamento das eleições municipais por causa da pandemia. Os últimos focos de resistência à PEC aprovada no Senado, que agora precisa ser referendada pelos deputados federais, estavam no PL, de Valdemar Costa Neto, e em partidos nanicos, como o PTC. Mas a pressão interna e externa, principalmente do STF, enquadrou a turma do Centrão. A expectativa dos líderes é de bater logo o martelo nas datas (primeiro turno em 15 novembro próximo e o segundo no dia 29 do mesmo mês). O STF e Rodrigo Maia apertaram o Centrão sob argumento de que eles iriam instalar o caos eleitoral num país colapsado. Defensores no Congresso do adiamento das eleições municipais acreditam que, se o Centrão não se contentar com a compensação a ser recebida (recursos para prefeitos), o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, deve tomar medida para garantir a realização do pleito em novembro ou dezembro.

Sem fronteiras – O Direitos Já prepara novo ato virtual em defesa da democracia e do meio ambiente no dia 15 de setembro. A meta é internacionalizar o movimento, com a participação de “estrelas” estrangeiras. O ato suprapartidário de sexta-feira (26/6) foi considerado “sucesso”. Porém, causou mal-estar (entre democratas que respeitam decisões da Justiça) a fala de Fernando Haddad defendendo Lula. Todos entenderam como um agrado desnecessário do ex-prefeito ao chefe.

Presidente visita batalhão – O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, foram, ontem, a Araguari, no Triângulo Mineiro, para visitar o Batalhão Ferroviário da cidade, onde fica o Centro de Instrução de Engenharia do Exército. O batalhão assumirá as obras de um trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, na Bahia, com as empresas que já operam a ferrovia. A visita não constava na agenda oficial do presidente. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, também participou. A viagem faz parte da estratégia do governo de emplacar uma agenda positiva para a economia, diante do avanço da pandemia. Na sexta-feira, o presidente, ministros e parlamentares aliados do governo participaram da inauguração da Transposição do Rio São Francisco, no Ceará.

População está mais armada – Os números de portes de armas de fogo e de novas armas cresceram nos primeiros cinco meses de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Polícia Federal (PF). A bancada da bala no Congresso comemora os resultados, mas especialistas alertam que, a médio prazo, esse crescimento trará mais violência. A segurança pública é dever do Estado, conforme consta na Constituição de 1988. Mais importante do que facilitar o acesso a esses instrumentos, segundo os especialistas consultados, é dar melhores condições de trabalho e infraestrutura às polícias. Para os entrevistados, o fato de o presidente Jair Bolsonaro defender maior acesso a armamentos refletiu, principalmente, no aumento do número de armas novas em circulação, que caiu de 242.774 para 194.870, entre 2018 e 2019, mas voltou a subir de janeiro a maio de 2020. Para se ter uma ideia, enquanto, nos primeiros cinco meses do ano passado, foram 72.044 registros, no mesmo período deste ano, a quantia subiu para 81.074, um acréscimo de 12,5%. Já o número de porte de armas apresentou um crescimento mais constante. De 2018 a 2019, foi de 8.680 para 9.268. E, comparando os cinco primeiros meses de 2019 com o mesmo período de 2020, passou de 3.250 para 3580, o equivalente a 10,1%.

Deu ruim e ficou pior – Como se não bastasse a exposição decorrente da presença do ex-assessor Fabrício Queiroz em sua propriedade, o advogado Frederick Wassef ainda teve problemas em casa. Cristina Boner, sua ex-mulher, que trabalhou a vida toda e ainda trabalha, não se conforma de ver seu nome enroscado nessa história. Cristina, que vem de uma família de empreendedores radicada em Brasília, considerava que, a esta altura da vida, próxima dos 60 anos, teria paz. Em desabafo a amigos, tem dito que, graças a Wassef, viu o escândalo respingar sobre seu trabalho. Da mesma forma que políticos ligados aos Bolsonaro aconselham o presidente a ficar longe do advogado, a empresária tem dito a Wassef que deixe de fazer tudo para os Bolsonaro, que, até agora, não tiveram um só gesto de gratidão para com o amigo. A vida de Wassef, realmente, não está fácil.

O que a Folha pensa: Democracia, nunca menos – É sólido o edifício da jovem democracia brasileira. Vultosa maioria, de 75%, hoje considera essa a melhor forma de governo. Trata-se de recorde desde que o Datafolha começou a pesquisar o tema, em 1989. É sólido e, ainda assim, vem sofrendo ataques sistemáticos de extremistas identificados com o presidente Jair Bolsonaro, no maior teste de estresse desde a volta de um civil à Presidência, há 35 anos. Muitos o fazem por má-fé; outros, por não terem vivido os horrores da máquina cruel que se instalou com a ditadura militar em 1964. Este último grupo faz parte dos 54,2% de jovens nascidos após 1985. Por isso, a Folha lança ação em três frentes: campanha publicitária e especial jornalístico neste domingo (28), quando começa um curso gratuito para interessados em conhecer a história para não repeti-la. A iniciativa serve também para acordar os saudosistas de um mundo de fantasia, em que não haveria corrupção nem escândalos, a segurança pública seria grande, e a economia, milagrosa.

Bic anti-social – Jair Bolsonaro foi o presidente que, desde José Sarney, menos tratou de benefícios sociais em decretos publicados nos primeiros 18 meses de mandato. O levantamento, feito pelo grupo PEX-Network, da Universidade Federal de Minas Gerais, considera 746 decretos promulgados até a última sexta-feira (26). Atos deste tipo de Bolsonaro no período priorizaram mudanças na estrutura e organização do governo federal. Opositores veem nisso um desmonte do Estado. “Como ele sabe que não tem votos, tenta contornar o Congresso editando decretos para atender interesses pontuais”, afirma a cientista política Magna Inácio, coordenadora do grupo da UFMG. Um dos atos mais criticados tentou mudar a classificação de sigilo de documentos públicos, mas voltou atrás após sofrer derrota no Congresso. A flexibilização de regras para armamento também se deu por decreto. Levantamento do Painel mostra que, mesmo sem considerar o período da pandemia, Bolsonaro foi o presidente que mais tentou governar com medidas provisórias nos primeiros 18 meses de mandato. O presidente editou 116 MPs, o que dá uma média de 6 por mês. Desse total, 13 trataram do coronavírus. Embora ainda tenham pouco mais de 60 medidas em tramitação no Congresso, 24 caducaram, porque não foram votadas no prazo, e uma foi devolvida pelo Senado (dava poder a Abraham Weintraub de nomear reitores). No mesmo período, Lula editou 93 MPs no 1º mandato e 94 no 2º mandato. “Até recentemente, Bolsonaro não fazia esforço para aprovar medida provisória, o que é completamente irresponsável. Ele joga tudo nas costas dos ministros”, avalia o cientista político Fernando Limongi, do CEBRAP e da FGV.

Inquérito identifica canal bolsonarista – O inquérito dos atos antidemocráticos conseguiu descobrir quem são os donos do canal Foco do Brasil (antigo Folha do Brasil), com dois milhões de inscritos no YouTube. Dias antes de uma operação do caso ser deflagrada, Bolsonaro tinha recomendado o canal em uma live. “Não é porque fala bem, não. É porque fala a verdade”, afirmou. O canal é administrado por José Luiz Bonito, conhecido como Roberto Boni, que é sósia de Roberto Carlos, e pela empresa Folha do Brasil Negócios Digitais, controlada por Anderson Azevedo Rossi. Os vídeos são apresentados pelo palestrante motivacional Cleiton Basso.

Boicote a anúncios faz Facebook endurecer – Sob uma pressão crescente dos anunciantes, o Facebook disse que começará a marcar postagens com discurso político que violem suas regras e tomará outras medidas para evitar a repressão a eleitores e proteger minorias contra abusos. As novas políticas foram anunciadas na sexta-feira (26), pouco depois que o jornal americano Wall Street Journal reportou que a gigante dos bens de consumo Unilever vai cancelar a publicidade no Facebook e no Twitter nos Estados Unidos, pelo menos até o fim do ano, citando como motivos o discurso de ódio e o conteúdo divisivo. A medida da Unilever marcou uma importante escalada nos esforços dos anunciantes para que as companhias tecnológicas adotem mudanças. Em uma transmissão ao vivo para anunciar as mudanças, o executivo-chefe do Facebook, Mark Zuckerberg, não citou a Unilever ou o boicote à publicidade, mas disse estar “otimista de que podemos fazer progressos sobre a saúde pública e a justiça racial, mantendo nossas tradições democráticas em torno da livre expressão e do voto”.

Coca-Cola suspende anúncios no Facebook e no Twitter – A Coca-Cola se tornou mais uma gigante do marketing mundial a suspender anúncios em redes sociais. A multinacional de refrigerantes sediada nos Estados Unidos anunciou, na sexta-feira, que interromperá globalmente, por pelo menos 30 dias, toda a sua publicidade paga em mídias sociais, aumentando a pressão de grandes marcas sobre plataformas como o Facebook para forçá-las a suprimir conteúdos que incitem o ódio. Antes da decisão da Coca-Cola, a Unilever já havia anunciado, na sexta, a suspensões de anúncios de sua operação nos EUA em Facebook e Twitter até o fim do ano. Paralelamente, grandes anunciantes como Verizon e The North Face aderiram a uma campanha de suspensão de anúncios no Facebook na esteira dos protestos antirracistas nos EUA. “Não há espaço para o racismo no mundo e não há espaço para o racismo nas redes sociais”, disse, em comunicado, James Quincey, diretor-executivo da Coca-Cola. “Usaremos esse tempo para reavaliar nossas políticas de publicidade e determinar se mudanças são necessárias. Também esperamos maior transparência e responsabilidade de nossos parceiros de mídias sociais.” A Coca-Cola disse que se sua decisão não faz parte de qualquer campanha coletiva, mas seu anúncio se segue ao de diversas marcas contra a inação das redes sociais em relação ao discurso de ódio em suas plataformas.

‘Bolsonaro é um exibicionista do ódio’, diz especialista em extrema direita – Basta uma observação mais atenta para perceber uma transformação na manifestação do ódio na esfera pública. Alguns cliques no Twitter, a leitura de uma seção de comentários ou das notícias. Em “Contra o Ódio”, publicado em 2016 e que sai agora no Brasil pela editora Âyné, a jornalista e escritora alemã Carolin Emcke, referência global no combate à extrema direita, discorre sobre as manifestações deste fenômeno, que ameaça e oprime mulheres, indígenas, LBGTIs e põe em risco a ordem democrática. Apesar de focado no cenário alemão, as reflexões que Emcke faz são universais: falam sobre a construção de um coletivo que, ao invés de respeitar as diferenças, defende a homogeneidade. Os diferentes, portanto, sejam eles defensores dos direitos humanos, imigrantes, negros ou pessoas trans, são vistos como inimigos. Ex-correspondente de guerra da revista alemã Der Spiegel, Emcke teve a obra laureada com o Prêmio da Paz oferecido pelos livreiros alemães durante a Feira do Livro de Frankfurt em 2016. Ao GLOBO, em entrevista por e-mail, a autora classificou o presidente Jair Bolsonaro como um “exibicionista do ódio” que se provou “antidemocrático em sua essência”, e disse que não é uma coincidência que os países mais afetados pela Covid-19 sejam governados por figuras populistas.

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