Resumo dos jornais de domingo (26/01/20)  | Claudio Tognolli
Resumo dos jornais de domingo (26/01/20) 
Editado por Chico Bruno
Manchetes
FOLHA DE S.PAULO: Governo prega digitalização, mas trava em serviços básicos
Marcada pelo discurso de aumento da eficiência, a gestão Jair Bolsonaro enfrenta questões técnicas na prestação de serviços básicos. Recentemente, além do represamento da liberação de benefícios previdenciários, houve atraso em pagamentos de seguro-desemprego. Sistemas da Receita Federal foram bloqueados. Jovens que tentavam se inscrever para a seleção de vagas em universidades públicas também enfrentaram instabilidade no sistema. No Ibama, a dificuldade está no programa de armazenamento de multas. Em balanço sobre a atual gestão, o Ministério da Economia apresentou dados positivos sobre o que chamou de “transformação digital”. Segundo o governo, foram 534 serviços transformados em 28 órgãos, o que deve gerar uma economia anual de R$ 1,75 bilhão. A digitalização é vista pela equipe econômica como parte da reforma administrativa, já que funções de servidores públicos serão gradualmente substituídas por serviços informatizados. Procurados, os órgãos afirmam atuar para solucionar as falhas.
CORREIO BRAZILIENSE: Ministra diz combater “legalização da pedofilia”
Ao Correio, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, justifica a campanha para evitar o sexo na adolescência: é uma reação a grupos ligados à exploração sexual e tráfico de drogas. Além disso, de acordo com ela, “a gravidez precoce está crescendo de uma forma absurda. Estamos numa epidemia de sífilis”, acrescenta. Damares destaca também relatório do Unicef em que aponta que a idade média de iniciação do sexo no Brasil é de 13,9 anos, para meninas, e 12,4 anos, para meninos. Na entrevista, a ministra afirma ainda que o Brasil é um dos maiores produtores de pornografia infantil. “São 17 mil sites no Brasil, alimentando o mundo da pedofilia. É um mercado. Tem crime organizado”. Mesmo admitindo ser conservadora nos valores, Damares revela ter sofrido críticas de aliados porque deixou a diretoria LGBT no ministério. “Eu sou, como dizem as crianças, a ministra piradinha”.
O ESTADO DE S.PAULO: Expansão de milícias por 23 Estados e DF preocupa autoridades
A interferência de milícias no sistema político do Rio de Janeiro e o risco de expansão da atuação de grupos paramilitares para o resto do País preocupam autoridades públicas e estudiosos. O tema deve estar presente nas eleições municipais de 2020, especialmente na disputa pela capital fluminense, onde milícias atuam desde os anos 1980. A Polícia Federal passou a monitorar a ação de milícias e facções criminosas no processo eleitoral e identificou riscos em 18 Estados, segundo mapa obtido pelo Estado. O foco é o financiamento ilegal de partidos e candidaturas de criminosos. Há hoje registros de grupos milicianos no Distrito Federal e em 23 Estados. Na maioria, o perfil predominante é de grupos de extermínio e segurança privada forçada. Mas em sete (Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe) foram achadas relações de milicianos e políticos.
O GLOBO: Queda de homicídios é puxada pelas 120 cidades mais violentas
A queda de homicídios dolosos no país entre 2018 e 2019 foi capitaneada por 120 municípios com mais de 100 mil habitantes, que incluem as capitais e onde vivem 82 milhões de pessoas, informam Marco Grillo e Paula Ferreira. O levantamento abrangeu 851 municípios. A tendência geral é de redução das mortes violentas, e segundo especialistas, as causas para a queda variam de acordo com o tamanho da cidade.
Destaques do dia
País perde mercado nas exportações de alta tecnologia – O Brasil está perdendo a corrida para exportar produtos manufaturados de maior valor. A indústria de alta e média/alta tecnologias – que produz itens como veículos, peças automotivas, aviões, máquinas e remédios – respondeu em 2019 por 32% das vendas externas da indústria de transformação, a menor participação desde 1995. O levantamento é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), e segue os critérios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com o economista do Iedi, Rafael Cagnin, a queda nas exportações desses produtos, que somaram US$ 40,2 bilhões no ano passado, coloca a engrenagem do crescimento do País para girar no sentido oposto. Como produz itens mais elaborados, que envolvem mais insumos e outras fabricantes na cadeia de fornecedores, a indústria que aplica mais tecnologia tem mais potencial para gerar emprego, renda e injetar dólares na balança comercial. A disputa entre EUA e China levou a uma forte desaceleração do comércio global em 2019, que deve ter crescido 1,5%, menos da metade do que no ano anterior. Isso causou uma queda generalizada (de 7,9%) das exportações da indústria de transformação nacional, a primeira retração desde 2015. As turbulências na conjuntura mundial desnudaram problemas estruturais de longa data, como a baixa competitividade dos produtos da indústria brasileira em relação aos concorrentes por causa do elevado custo Brasil.
STF beneficiou filhas solteiras em 265 decisões – Ao longo dos últimos quatro anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) respaldou ao menos 265 casos de pagamento de benefícios para filhas solteiras de servidores federais civis, amparado em lei sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1958. Conforme o Estado revelou domingo passado, só as pensões desembolsadas pela Câmara e pelo Senado para 194 mulheres custam, por ano, R$ 30 milhões aos cofres públicos, o equivalente ao recurso necessário para construir 500 casas populares do Minha Casa Minha Vida. A pensão para filhas solteiras não é benefício exclusivo do Legislativo. Desembolsos também são feitos para pensionistas da União e do Judiciário. Em maio de 2018, uma liminar do ministro Edson Fachin, do STF, esvaziou uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que limitava as hipóteses em que filhas solteiras maiores de 21 anos poderiam receber pensão por morte de pais servidores públicos. A determinação do TCU era para que houvesse a revisão de 19.520 casos com suspeita de concessão irregular do benefício, o que poderia trazer uma economia superior a R$ 2,2 bilhões em um intervalo de quatro anos, segundo as contas feitas por auditores na época. O TCU havia fixado que, se a filha solteira tivesse outras fontes de renda que garantissem sua subsistência, deveria perder o benefício por já não ter mais dependência econômica. A decisão de Fachin, porém, restabeleceu que a perda do privilégio só deveria ocorrer se as beneficiárias se casassem ou assumissem um cargo público fixo, condições previstas na lei de 1958.
Brasileiros deportados viajaram algemados – Um grupo de aproximadamente 50 brasileiros deportados dos Estados Unidos desembarcou na noite de anteontem no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, vindo da cidade de El Paso, no Texas, e relatou que homens e mulheres que estavam no avião tiveram mãos e pés algemados. O soldador Renê Lima, de Parauapebas, no Pará, estava entre os deportados e contou que apenas mães e crianças não passaram por essa situação. Outras pessoas que estavam na aeronave fizeram o mesmo relato ao Estado, mas não quiseram se identificar. Todos tentaram entrar ilegalmente nos EUA, via fronteira com o México. O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) informou que “indivíduos presos e sob custódia das forças federais de segurança estão sujeitos a serem algemados”. “Fazer isso está totalmente de acordo com as leis federais e as políticas da agência”, afirmou o órgão em nota oficial. Em visita à Índia, o presidente Jair Bolsonaro comentou a deportação. “Em qualquer país as leis têm que ser respeitadas. Qualquer país do mundo onde as pessoas estão de forma clandestina é um direito daquele chefe de Estado, usando da lei, devolver esses nacionais.” Bolsonaro disse que não conversou sobre o assunto com o presidente americano Donald Trump. “Lamento que muitos brasileiros tenham ido buscar oportunidades lá fora e voltem deportados. Lamento, mas a política tem que respeitar a soberania de outros países.”
A ciência que ‘engana para o bem’ no setor público – Conhecida no setor privado e na academia, a ciência comportamental ganha espaço na gestão pública. São Paulo e Rio já usam técnicas para aumentar eficiência. Na véspera do simulado da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica de 2019, milhares de pais da cidade do Rio receberam o mesmo áudio de WhatsApp. A voz era da própria secretária de Educação, que se identificou como “Talma, secretária de Educação, professora e mãe de aluno de escola pública do município do Rio de Janeiro”. Seguindo um roteiro, ela incentivava os responsáveis a repassarem para os filhos uma imagem de encorajamento em relação à prova. Longe de ser uma “corrente” institucional, o áudio fez parte de um experimento realizado com a NudgeRio, unidade de ciência comportamental vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda, e aumentou em mais de 4% a nota dos alunos que o receberam. Conhecida no setor privado e na academia, a ciência comportamental começa agora a ocupar o terreno da política pública brasileira. As cidades de São Paulo e do Rio já contam com unidades que se dedicam a estudar e a testar como “empurrõezinhos” ou “cutucões” nas escolhas das pessoas podem contribuir para aumentar a eficiência de programas municipais. No governo federal, a abordagem foi utilizada em projetos específicos e passou também a fazer parte do repertório do GNova, laboratório de inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Após crise, Moro destaca combate ao crime organizado – O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou ontem números sobre o combate ao crime organizado e sugeriu alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro na área. A manifestação, feita em seu perfil nas redes sociais, veio depois de uma crise envolvendo declarações de Bolsonaro sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, atualmente sob o guarda-chuva da pasta de Moro. O ex-juiz da Lava Jato indicou que vai manter a agenda de visibilidade, acentuada na semana passada. O ministro deverá conceder hoje entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Na segunda-feira passada, Moro participou do Roda Vida, da TV Cultura, que bateu recorde de audiência em 12 meses. A entrevista foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas no canal do programa no YouTube. Após a turbulência da semana passada, Moro usou os perfis nas redes para destacar sua gestão na área de segurança pública. “Seguindo a orientação do PR (presidente) Jair Bolsonaro, estamos sendo firmes com o crime organizado, isolando as lideranças em presídios federais. Em 2019, ingressaram mais criminosos nos presídios do que saíram. Em 2018, havia sido o oposto…”, escreveu o ministro. Nos posts, ele também defendeu a transferência de chefes de facções a presídios federais – medida tomada em sua gestão que desagradou a governadores e respectivos secretários de Segurança Pública. “342 criminosos perigosos foram transferidos aos presídios federais em 2019. Ao final do ano, eram 624, recorde histórico. Pela lei anticrime, todas as conversas com visitantes são gravadas, o que reduz a possibilidade do envio de ordens para a prática de crimes lá fora”, disse Moro, citando a lei que entrou em vigor na quinta-feira.
Apesar de redução, fronteiras desafiam autoridades – O mapa dos homicídios pelas cidades do Brasil mostra que o combate à criminalidade nas fronteiras ainda é um desafio para a estrutura de segurança pública do país. Apesar de o conjunto de municípios vizinhos a outros países também registrar queda nos assassinatos entre 2018 e 2019, a redução é menor do que a média nacional. Um caso específico chama a atenção: em Ponta Porã (MS), na fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, houve mais mortes no ano passado do que em 2018. Nos 113 municípios limítrofes com dados disponíveis no sistema do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a queda nos homicídios foi de 17%. Já em Ponta Porã, o crescimento foi de 69% (32 assassinatos em 2018, contra 54 em 2019), segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul.
Moro vai revisar plano de segurança de Temer – A gestão de Sergio Moro à frente do Ministério da Justiça prepara uma revisão do Plano Nacional de Segurança Pública, elaborado por Raul Jungmann, responsável pela área até 2018. A administração do ex-juiz aponta falhas no plano aprovado no fim do governo Temer — o decreto que instituiu a proposta foi publicado a cinco dias do fim da presidência de Michel Temer. A revisão deve ser concluída “nos próximos meses”, como confirmou o ministério ao GLOBO. Os planos seguem inalterados mesmo diante da turbulência causada pela possibilidade aventada por Bolsonaro — e depois desmentida — de tirar a área das atribuições do ministro. Moro e Jungmann já se estranharam mais de uma vez. O ministro de Bolsonaro atribui a seu desempenho na pasta a redução de índices de criminalidade, minimizando medidas de gestões anteriores — com iniciativas como a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (Susp), implementado pelo ministro de Temer —e ações de governos estaduais, responsáveis diretos por gastos e programas de segurança pública. Jungmann rebateu Moro e disse que os índices de violência começaram a cair a partir de 2018. O Plano Nacional de Segurança Pública foi instituído por um decreto presidencial, assinado por Temer e Jungmann em 26 de dezembro de 2018. Uma lei em vigor desde junho daquele ano já havia criado uma política para a área, com a instituição do Susp.
Portas abertas a estrangeiros – Empresas estrangeiras não vão precisar esperar o Brasil entrar no Acordo de Compras Públicas (GPA, na sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC) para começar a concorrer às licitações do governo brasileiro. O Ministério da Economia promete entregar já em maio deste ano um sistema de compras que vai viabilizar a entrada dos estrangeiros nesse mercado, que movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano e hoje é atendido por 350 mil fornecedores brasileiros. O sistema vai entrar em vigor em 11 de maio — bem antes do prazo de dois anos previsto para a conclusão do acesso brasileiro ao GPA, anunciado nesta semana pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial. E, segundo a Secretaria de Gestão do Ministério da Economia, representa uma atualização do Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) que vai permitir que os fornecedores estrangeiros participem dos pregões do governo federal — justamente a modalidade de licitação mais utilizada pelo Executivo: só em 2018, os pregões responderam por R$ 19,1 bilhões dos R$ 47,7 bilhões empenhados em compras públicas. A Secretaria de Gestão do Ministério da Economia explicou que o governo vem tomando medidas para ampliar a concorrência do mercado de compras governamentais desde o ano passado.
O centro pega todo o “filé” do rodízio – A Câmara vai começar 2020 escanteando o grupo mais ligado ao presidente Jair Bolsonaro, leia-se a deputada Bia Kicis (PSL-DF), da presidência da comissão mais importante da Casa. O PSL havia fechado um acordo para que ela comandasse a Comissão de Constituição e Justiça, no sistema de rodízio. O entendimento dos demais partidos do bloco que definiu a distribuição das comissões em 2019 é o de que o acordo para o rodízio é de partidos e não de pessoas dentro da mesma bancada. O PSL, tão envolto nas brigas internas e com líderes recém-chegados às manhas de linguagem do poder, não perguntou à época aos demais partidos que tipo de rodízio era. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem dito inclusive que o PSL só ficou com a CCJ no primeiro ano, por causa do acordo de revezamento entre as legendas. Agora, terá que se contentar com um espaço menor. Em política é assim: Quem entende e pode mais chora menos. Bia Kicis ainda vai tentar disputar pelo PSL levantando a bandeira do presidente Jair Bolsonaro. Porém, com as outras legendas fechadas no acordo do bloco, a chance de sucesso é zero. Nesse rodízio, há quem diga que restará ao PSL uma fatia de “pão de alho”. E fria.
Marun e Ibsen – Ex-ministro da secretaria de Governo, Carlos Marun, cita a história de Ibsen Pinheiro para enaltecer a necessidade da presunção de inocência:  “Ibsen Pinheiro foi um símbolo de quanto a sanha acusatória pode ser nefasta quando se estabelece como onda a sufocar o elementar direito de defesa. Seguia um caminho que sinalizava fortemente a chegada à Presidência da República quando, vítima de uma armação pusilânime, teve sua trajetória política interrompida e seu nome jogado à lama. Anos depois, ao ver revelada a verdade, voltou com humildade ao processo político, mas sem voltar a ter a proeminência anterior”, conta.
Quase R$ 300 milhões em multas – Levantamento do gabinete do deputado Chico Vigilante (PT) aponta que o GDF arrecadou R$ 271 milhões com multas de trânsito em 2019. A grande novidade é que, ao contrário da série histórica, a receita com infrações de motoristas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) superou à do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Enquanto o DER-DF recolheu R$ 147 milhões em multas, o Detran-DF obteve R$ 124 milhões.
Na sala de Justiça – Não é fácil a vida do ex-governador Agnelo Queiroz (PT). Depois de transitar em julgado uma ação de improbidade em que foi condenado por liberar a ocupação do Centrad, na semana passada, a Justiça bloqueou os bens do petista por causa da suspeita de corrupção e prejuízo na construção do Mané Garrincha.
Japoneses e descentes se indignam com Bolsonaro – Nikkeis se manifestam contra fala do presidente”, diz o título de uma página da edição mais recente do jornal Nippak, que chegou às bancas do bairro da Liberdade, em São Paulo, na quinta-feira (23). Sob a manchete, dois artigos de membros da comunidade com críticas a Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar do que o título sugere, foram esparsas as reações dos nikkeis (japoneses ou descendentes vivendo fora do Japão) à mais nova declaração preconceituosa do presidente contra eles. Desta vez, o alvo foi a jornalista Thaís Oyama, autora do livro “Tormenta”, sobre o primeiro ano do governo Bolsonaro. Indagado por jornalistas no dia 16 sobre uma passagem da obra, ele disparou contra a imprensa e emendou: “Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o governo”. No mesmo dia, durante transmissão em rede social, ele voltou a falar da repórter com irritação: “Lá no Japão ela ia morrer de fome com jornalismo, escrevendo livro”. Thaís é brasileira, nascida em Mogi das Cruzes (SP), e neta de japoneses. Para estudiosos do tema, integrantes da comunidade e advogados consultados pela Folha, as expressões de Bolsonaro sobre a autora embutem racismo e xenofobia e se somam a outras vezes em que o presidente recorreu a estereótipos e fez comentários sobre características físicas da etnia.
A recauchutagem do Cidadania por Huck – De olho na cada vez mais provável candidatura de Luciano Huck à Presidência, o Cidadania faz uma recauchutagem interna para conquistar o apresentador. O processo começou no ano passado, com uma série de mudanças, como abertura para movimentos cívicos e fim da reeleição no comando do partido, e continuará neste ano. O nome mais forte para assumir a direção é o do deputado Daniel Coelho (PE), líder na Câmara. A ideia é incrementar o perfil jovem do Cidadania e preparar o terreno para a possível filiação do apresentador global. A Executiva Nacional do Cidadania tem encontro marcado no dia 4 próximo. A deputada Paula Belmonte (DF), muito à vontade no partido, acha que seria bacana Huck se integrar antes das eleições municipais deste ano, para conferir uma musculatura eleitoral à legenda. Roberto Freire, no comando desde 1991, deverá assumir a presidência de honra. No entorno de Huck, o movimento foi visto como forma de deixar a renovação do partido como seu grande legado.
Novo flanco – A Justiça do Rio pediu ao Ministério Público para que investigue por extorsão um ex-assessor do antigo gabinete de Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) na Assembleia Legislativa. Trata-se de Marcos Domingos, um PM acusado de lesão corporal ao cobrar uma suposta dívida de R$ 50 mil de um empresário. O fato ocorreu quando ele era empregado do senador. Domingos respondia a um processo por lesão corporal e ameaça. O Ministério Público, contudo, considerou que a conduta se enquadra numa possível extorsão, crime mais grave.
Apesar de trégua, crise entre Bolsonaro e Moro continua – A crise que quase tirou Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro está longe de acabar. Os motivos: a desconfiança atávica que o presidente tem das intenções de seu ministro da Justiça e Segurança Pública e a necessidade de controlar a Polícia Federal. O primeiro item é conhecido desde que Moro aceitou o convite do recém-eleito Bolsonaro para integrar o governo, em 2018. À primeira vista grande jogada para agregar a agenda da Lava Jato oficialmente à nova gestão, a chegada do então juiz símbolo da operação embutia um problema. Moro é muito popular —e segue o sendo, mesmo com todos os arranhões públicos e pancadas institucionais que a Lava Jato sofreu em 2019. Pior para Bolsonaro, ele encarna de forma mais crível a figura do cruzado anticorrupção e conversa com o eleitorado que elegeu o capitão reformado. Assim, ao longo do ano passado os dois políticos criaram uma dinâmica ciclotímica de relacionamento. Para cada elogio público que recebia do chefe, Moro era submetido a alguma humilhação programática. Ao mesmo tempo, a popularidade do ministro o torna quase indemissível, como a crise acerca do desmembramento do ministério de Moro provou na semana passada. É um casamento de conveniência, no qual o sócio majoritário tem certeza de que será traído pelo minoritário, daí o regime de contenção de tempos em tempos. Há também ciúme político. Bolsonaro, segundo interlocutores, ficou irritado com a defesa tíbia que o ministro fez de sua figura na entrevista que deu ao programa Roda Viva, na segunda-feira (20).
A preocupação com o futuro do PT – Lula vai começar a receber em SP comitivas de estados para se debruçar sobre os cenários municipais do partido. Já estão agendadas nove cidades. Na terça (28), recebe Humberto Costa e Marília Arraes, do Recife. Pode sair daí a decisão do partido de lançar a neta de Arraes ou apoiar João Campos, filho de Eduardo Campos. No mesmo dia, encontra lideranças de Salvador e de Porto Alegre, onde o PT avalia se apoia Manuela D’Ávila ou se lança candidatura própria.  Os encontros serão no Instituto Lula. Também na terça é esperada nova resolução para o impasse do PT na cidade de SP, que tem seis pré-candidatos. Lula reunirá todos e mais Haddad, Gleisi Hoffmann e os presidentes estadual e municipal do partido. São eles: Alexandre Padilha, Carlos Zarattini, Paulo Teixeira, Eduardo Suplicy, Jilmar Tatto e Nabil Bonduki. (Notícia de ontem que me escapou ontem)
Vai nessa – Lula apelou com Flavio Dino. Numa conversa recente, em São Paulo, Lula começou com um “volta para casa”, na tentativa de atraí-lo para o PT, o primeiro partido do governador do Maranhão. Não só. Prometeu que faria de tudo para Dino ser o candidato do PT à presidência em 2022. Não convenceu.
Justiça recorre a delatores para avaliar joias de Cabral – O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, decidiu recorrer a dois delatores para tentar solucionar a polêmica sobre a avaliação das joias apreendidas na casa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), em novembro de 2016. Bretas solicitou que Roberto Stern e Antônio Bernardo avaliem as 40 peças que serão leiloadas pela Justiça Federal. Os dois firmaram colaboração premiada após as investigações identificarem que suas respectivas joalherias, H. Stern e Antônio Bernardo, venderam peças sem nota fiscal para Cabral, que as usava para presentear a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo. O leilão estava previsto para ocorrer em 15 de agosto do ano passado. O juiz, contudo, cancelou o certame após a Folha revelar que o preço mínimo atribuído às joias pela Caixa Econômica era 78% menor do que o atribuído a elas pela Polícia Federal. A PF estimou o valor das 40 unidades em R$ 2,07 milhões, com base em notas fiscais entregues por joalherias e pesquisa de mercado. A Caixa as atribuiu a soma de R$ 455 mil. O Ministério Público Federal sugeriu, então, que Roberto Stern avaliasse as joias que vieram de suas lojas. Bretas acatou a sugestão e determinou que Antônio Bernardo também analisasse aquelas vendidas por sua empresa.
País não cria vagas com ganhos acima de dois mínimos desde 2006 – O Brasil não cria vagas com rendimento acima de dois salários mínimos há 14 anos. Levantamento feito pelo GLOBO com base nos micro-dados do Caged, o registro de vagas com carteira assinada do governo, mostra que a partir de 2006 não houve saldo positivo nas contratações para qualquer faixa de renda com remuneração superior a duas vezes o piso nacional. Incluindo os dados de 2019, divulgados na última sexta-feira, o país extinguiu 6,7 milhões de empregos com renda mais alta desde 2006. Ao longo do tempo, o mercado de trabalho passou a trocar vagas de maior qualidade por postos de menor rendimento. Foram criados 19,2 milhões de postos de trabalho desde 2006, porém, todos com renda de até 2 salários mínimos. Considerando o saldo entre vagas fechadas e geradas, o mercado absorveu 12,5 milhões de trabalhadores. O resultado é uma economia que vem se tornando cada vez mais de baixos salários, indiferente até mesmo aos momentos de grande dinamismo, entre 2010 e 2013. Um dos resultados dessa insatisfação salarial entre os mais qualificados é o avanço da informalidade entre eles ou outras modalidades de trabalho, como a prestação de serviços como autônomo ou como microempreendedor individual (MEI). Muitas empresas preferem contratar serviços assim em vez de empregar um trabalhador fixo. Dessa forma, esses profissionais conseguem remuneração mais elevada do que teriam com carteira assinada.
Turismo eleitoral – Para uma turma numerosa de bolsonaristas, a eleição deste ano passa por um local surpreendente —a sede da Embratur, em Brasília. Transformada em agência em novembro por decisão de Jair Bolsonaro, o que fez seu orçamento pular de R$ 35 milhões anuais para R$ 480 milhões, a Embratur tem sido palco de visitas de candidatos a prefeito e a vereador pelo Aliança pelo Brasil —sobretudo do Nordeste. As boas vindas aos candidatos são dadas por Gilson Machado e Osvaldo Melo Junior, respectivamente presidente e diretor de marketing da Embratur. A propósito, Gilson Machado, hoje um dos queridinhos de Bolsonaro, trabalha para ser o presidente do Aliança pelo Brasil.
Eike e os bancos – Eike Batista voltou à mesa de negociações da PGR com novidades: um anexo que não apresentara da primeira vez que tentou delatar. Seu trunfo, agora, são operações do sistema financeiro. Eike detalha como, segundo ele, à época da ruína do império X, instituições financeiras lhe ajudaram a jogar no colo de seus sócios prejuízos que caberiam a ele. No enredo brilham dois bancos de investimentos, um brasileiro e outro estrangeiro. Aécio Neves também protagoniza a proposta de delação entregue à PGR. Eike conta que, a pedido do então senador mineiro, repassou milhões de reais para um amigo de Aécio em troca de favores prestados pelo ex-governador de Minas Gerais, que atuou para ajudar empresas do grupo X a conseguirem licenças junto ao poder público.
‘Jorginho’, o nome da vez de Bolsonaro para o Supremo – Na flutuante bolsa de apostas de quem o presidente Jair Bolsonaro deve indicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga que deve ser aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, em novembro próximo, o nome do titular da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira, ganhou força. A indicação de Oliveira, porém, atenderia ao desejo do presidente de ter alguém de sua extrema confiança na mais alta Corte do país. Hoje apontado como o ministro mais influente junto ao presidente, ele é filho de Jorge Francisco, que trabalhou com Bolsonaro durante 20 anos e foi seu chefe de gabinete. Por isso, a relação entre o presidente e o ministro (chamado de “Jorginho”) é quase familiar. Bolsonaro lembrou dessa proximidade em dezembro, quando admitiu, em café da manhã com jornalistas, que Oliveira era um “bom nome” para o STF e destacou que ele o acompanha “há uns dez, 12 anos”. Por outro lado, adversários criticam os conhecimentos jurídicos de Oliveira: referem-se a ele como estagiário e dizem que sua atuação à frente da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) é fraca, tendo resultado em desgastes para o governo. Duas medidas provisórias (MP) editadas por Bolsonaro foram derrubadas pelo STF ao longo de 2019, entre outros atos questionados judicialmente. Em agosto, o presidente admitiu uma “falha” da sua equipe por editar uma MP com o mesmo teor de outra que havia sido alterada pelo Congresso. Ao GLOBO, o ministro disse que Bolsonaro nunca conversou com ele a respeito da vaga. —Minha torcida é para o André ou Moro —desconversou.
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