Resumo dos jornais de domingo (21/06/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (21/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Brasil chega a 50 mil mortes provocadas pela Covid-19

CORREIO BRAZILIENSE: 50 mil mortes numa guerra longe de acabar

O ESTADO DE S.PAULO: 50.058 mortes. País bate triste marca e tem escalada de casos

O GLOBO: Brasil pode ter mais 20.000 mortes não registradas por Covid

Destaques do dia

Folha – O Brasil atingiu neste sábado (20) a marca de 50 mil mortes em decorrência da Covid-19, inédita entre todos os países do mundo exceto os Estados Unidos. Da morte do porteiro Manoel Messias Freitas Filho em São Paulo, primeira vítima da doença, ao momento em que os mortos oficialmente atribuídos ao novo coronavírus são suficientes para lotar o estádio do Corinthians, em Itaquera, passaram três meses e quatro dias. O saldo dos 50.058 mortos em menos de 100 dias equivale ao registrado, em pouco mais de cinco anos, na Guerra do Paraguai (1864-1870), de longe o conflito mais sangrento da história do país. A evolução letal no Brasil é mais lenta do que a ocorrida nos EUA, onde a marca de 50 mil mortes foi alcançada em 55 dias após o primeiro óbito. Mas a curva americana de vítimas, que só recentemente perdeu fôlego, é a que mais se assemelha à brasileira. Juntos, os dois países respondem por mais de um terço (37%) dos óbitos da doença no mundo, ainda que perfaçam menos de 7% da população global.

Correio – Em apenas 24 horas, 1.022 perderam a vida, de acordo com o Ministério da Saúde. O Distrito Federal registrou oito óbitos e chega a 370. Ceilândia concentra o maior número de casos.

Estadão – O Brasil superou neste final de semana o patamar das 50 mil mortes em decorrência da covid-19, segundo o consórcio da imprensa. Muito mais do que uma mórbida estatística, essa marca carrega o luto e a dor de milhares de famílias que sequer tiveram a oportunidade de se despedir de seus entes. Também simboliza a inépcia do País no enfrentamento da pandemia.

O Globo – Boa parte dos 21.289 mortes registradas no país entre janeiro e março como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) sem causa determinada pode vir a se somar às 50 comprovadamente provocadas pelo novo coronavírus. De janeiro a maio, o Brasil registrou 16 vezes mais óbitos por SARG do tipo não específica em relação a média dos sete anos anteriores. Há ainda a explosão dos chamados casos sem indicação, quanto o registro da causa da morte sequer é preenchido. Ontem, o Brasil alcançou a marca de 50.058 mortes causadas pela Covid-19.

A carteirada de Weintraub para entrar nos EUA – Ao melhor estilo de Abraham Weintraub, o agora ex-ministro da Educação deixou o governo federal envolvido em mais uma polêmica. Ainda oficialmente na condição de integrante do primeiro escalão do Executivo — mesmo tendo anunciado a sua demissão na quinta-feira ao lado do presidente Jair Bolsonaro —, ele aproveitou do passaporte diplomático ao qual tinha direito para sair às pressas do país e desembarcou ontem de manhã em Fort Lauderdale, cidade da Flórida, nos Estados Unidos. O documento perdeu a validade horas depois, quando a exoneração foi publicada no Diário Oficial da União, mas serviu para os interesses do Palácio do Planalto de retirá-lo dos holofotes no Brasil. Por mais que, no fim de maio, o governo americano tenha barrado a entrada de pessoas vindas do Brasil como medida de combate ao novo coronavírus, o fato de Weintraub portar, além do passaporte diplomático, visto especial de ministro de país estrangeiro, o dispensou da necessidade de cumprir quarentena em outra nação antes de ingressar nos EUA. Segundo o site da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, essa é uma das categorias de visto que está dentro da exceção da resolução do presidente Donald Trump que trata sobre as restrições de acesso ao país durante a pandemia. Em nota, a embaixada dos EUA disse que não fornece informações sobre casos individuais de visto.

Rota – De acordo com informações enviadas pela assessoria do ex-ministro ao Blog da Denise, Weintraub chegou aos Estados Unidos por volta das 7h. O voo foi operado pela Azul, e saiu do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), na noite de sexta-feira. Amigos de Weintraub informaram que ele seguiu ainda ontem para Washington, onde pretende assumir um cargo no Banco Mundial. Para isso, o ex-ministro precisará de um visto diferente do que permitiu a sua entrada ontem nos EUA e daquele que cobrirá sua permanência nesse período em que nem é ministro nem funcionário de um organismo internacional. Dessa forma, ele terá de sair do território americano, recorrer a alguma embaixada americana mundo afora e providenciar o novo documento.

Política põe defesa em 2º plano – O crescente envolvimento dos militares na tomada de decisões políticas tem coincidido com um quadro de incertezas sobre projetos estratégicos para a modernização tecnológica das Forças Armadas e a proteção da soberania nacional. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro convoca generais para contornarem crises e outras turbulências do dia a dia, o Executivo ainda não tem qualquer previsão de quando submeterá ao Congresso a proposta de atualização de documentos fundamentais para a orientação da atividade militar. São eles: a Política de Defesa Nacional, a Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional. O prazo para o envio da matéria aos parlamentares expira em 17 de julho, como determina a Lei Complementar nº 136, de 25 de agosto de 2010. Esta lei tornou obrigatório o envio ao Congresso, a cada quatro anos, desde 2012, uma mensagem presidencial com a proposta de atualização dos três documentos relativos à atividade militar. A última mensagem do tipo foi encaminhada pelo ex-presidente Michel Temer, em 2016.

Toffoli: Forças Armadas não são poder moderador – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, defendeu o papel da Corte como guardiã da Constituição e afirmou não ser mais possível dizer que as Forças Armadas são um poder moderador. O ministro fez as declarações em palestra virtual para juristas e estudantes de direito na manhã de ontem. Na ocasião, disse que o artigo 142 da Constituição tem sido equivocadamente interpretado para tentar atribuir, às Forças Armadas, uma possível função de instituição moderadora. “Quem é o guarda da Constituição é o Supremo Tribunal Federal. Não é mais possível Forças Armadas como poder moderador”, disse. O ministro afirmou que a Constituição de 1988 trouxe uma nova realidade cultural para o Brasil, “pela sua participação e pelo pacto que se construiu” entre todos. “É um pacto possível que foi feito e o Supremo é o guardião desse pacto. Ninguém mais. Obviamente que todos têm de cumprir a Constituição e todos são guardiões da Constituição. Mas o guardião último é o STF”, disse.

Wassef: “É uma armação” – Advogado da família Bolsonaro e dono da casa em Atibaia, no interior paulista, na qual Fabrício Queiroz foi preso na quinta-feira, Frederick Wassef afirmou ontem que ele e o presidente Jair Bolsonaro viraram “uma pessoa só”. “Se surgir qualquer coisa em meu desfavor, é uma armação, uma fraude, uma farsa…Se bater no Fred, atinge o presidente”, disse à CNN Brasil. “Estão fazendo isso para tentar me incriminar.” Wassef afirmou que, em breve, dará provas de que não cometeu irregularidades. “Vão cair do cavalo, nunca fiz nada de errado na vida”, declarou. Por outro lado, o advogado se esquivou da pergunta sobre o porquê o ex-assessor do hoje senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) estava em uma propriedade sua. “Estou a caminho de Atibaia, onde vou passar o fim de semana para ver os estragos que fizeram em meu escritório”, disse. Em seguida, Wassef chamou de “mentira” a informação de que as autoridades policiais confiscaram vários documentos na casa em que Queiroz foi encontrado. “Não tinha sequer uma caneta Bic lá. A casa estava em reforma.” Frederick Wassef é muito próximo do Palácio do Planalto e defende a família Bolsonaro em vários processos, como o caso da rachadinha, em que o senador Flávio Bolsonaro, quando ainda era deputado estadual do Rio de Janeiro, é investigado por supostamente cobrar, de seus ex-assessores, parte do salário.

Centrão sela paz interna – Líderes dos partidos do Centrão fizeram uma reunião, na semana passada, a fim de elencar os cargos passíveis de pedidos ao governo federal. A ideia de fazer uma lista conjunta foi para distribuir as solicitações, de forma a evitar disputas entre eles, que possam enfraquecer a força do grupo na hora de mostrar serviço ao Planalto. De quebra, ainda selaram um compromisso de não se deixar manipular pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que revelou em recente entrevista à revista Veja que fazia testes com os políticos, exonerando apadrinhados, apenas para que o “padrinho” o procurasse reclamando. Os partidos não gostaram do tratamento e, até hoje, há muitos chateados com a fama de fisiológico. Em tempo: a pacificação, porém, ainda não inclui a corrida pela Presidência da Câmara. Nessa seara, até o momento, vale o cada um por si.

Muito além das “rachadinhas” – O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) está em xeque-mate. Ao decidir trocar de advogado, conforme revelou o Blog da Denise, na sexta-feira, o senador deixa Frederick Wassef à deriva e irritado. O advogado fez chegar à família que não se esqueça de que ele é portador de nove procurações dos Bolsonaro, representando, além de Flávio, Carlos e o próprio presidente Jair Bolsonaro. Parte dos aliados do presidente entendeu ainda como outro recado de Wassef aos Bolsonaro o fato de ele dizer que nunca falou com Queiroz e que não é o “anjo” — seu apelido e nome dado à operação que prendeu Queiroz em seu escritório em Atibaia. As declarações foram dadas à repórter Catia Seabra, da Folha de S.Paulo.

Xadrez – Principal impulsionador no Congresso do adiamento das eleições, Davi Alcolumbre (DEM-AP) avisou colegas que deve colocar para votar o tema na terça (23) e virou alvo de críticas. Líderes do centrão contrários à iniciativa veem no movimento uma tentativa do senador de cativar o ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. Segundo relatos, Alcolumbre avalia recorrer ao Supremo para conseguir sua reeleição e diz acreditar ser possível conquistar sete votos favoráveis na corte. Com a política da boa vizinhança, o presidente do Senado também mira os ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin, que integram o TSE. Senadores afirmam que Alcolumbre intensificou a conversa individual com parlamentares nos últimos dias, em busca de apoio à recondução. Ainda assim, mesmo entre aliados, a tramitação de uma emenda constitucional permitindo a reeleição é considerada difícil. Caminho alternativo, a tese no STF é a de que, para equiparar com as condições da Câmara, em que o presidente pode ficar no cargo por dois anos (meio mandato), senadores deveriam ter direito a quatro anos —o mandato no Senado é de oito anos. O DEM quer garantir a presidência de pelo menos uma das duas Casas em 2021. A aposta número um é Davi, mas Elmar Nascimento (DEM-BA) promoveu jantares com setores da esquerda, na última semana em Brasília, para angariar apoio na Câmara.

Alvo – O PSOL acionou a Procuradoria do Distrito Federal para que instaure procedimento sobre o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria Geral da Presidência. O partido lista 19 pedidos de informação via Lei de Acesso que foram ignorados ou respondidos evasivamente pela pasta do ministro. Segundo o PSOL, por meio do gabinete do deputado federal Ivan Valente, o ministro incorre em improbidade administrativa ao se recusar a fornecer as informações.

Decisão do STF deve tirar foro especial de Carlos Bolsonaro – Uma decisão tomada nesta sexta-feira (19) pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) deve retirar o foro especial do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O filho do presidente é alvo de uma investigação criminal que, em razão da regra atual, atualmente é conduzida pelo gabinete do procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem. Por unanimidade, os cinco ministros da turma do Supremo entenderam estar suspenso artigo da Constituição do Rio de Janeiro que estende aos vereadores no estado a prerrogativa dos deputados estaduais de serem julgados por desembargadores, e não por um juiz de primeira instância. O relator do caso no STF foi o ministro Alexandre de Moraes, cujo voto foi referendado pelos ministros Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. O julgamento ocorreu no plenário virtual, no qual os ministros da turma podem se manifestar ao longo de uma semana após a apresentação do voto do relator. A sessão foi encerrada nesta sexta-feira. Carlos atualmente é investigado na esfera criminal sob suspeita de empregar funcionários fantasmas –suspeita que também recai sobre Flávio. A apuração é conduzida pelo Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal), ligado à Procuradoria-Geral de Justiça. Eventuais medidas cautelares –como quebra de sigilo bancário– dependem de decisão de um desembargador.

Bolsonaro quer turbinar centrão com cargos – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretende intensificar a costura da rede de proteção que vem articulando no Legislativo para se blindar de um eventual processo de impeachment caso os desdobramentos da prisão do policial militar reformado Fabrício Queiroz agravem a atual crise política. Na quinta-feira (18), mesmo dia em que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi detido, o presidente promoveu um almoço com deputados e disse que pretende fazer reuniões frequentes com integrantes do Congresso. Em outra frente, auxiliares palacianos dizem que o presidente sinalizou que novos indicados do centrão devem ser nomeados para cargos de segundo e terceiro escalões nos próximos dias, na tentativa de assegurar o apoio das siglas que compõem o grupo em um momento de fragilidade do governo. Por ora, líderes do centrão buscam minimizar a prisão do ex-assessor de Flávio, mas sabem que a situação política pode se agravar diante de novos desdobramentos do caso.

Flávio Bolsonaro deve trocar de ‘anjo’ – O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) deve tirar o advogado Frederick Wassef de sua defesa no caso em que é investigado pela suposta prática de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, com o envolvimento do ex-assessor Fabrício Queiroz. A advogada Luciana Pires é o nome cotado para ficar à frente da defesa por enquanto, segundo duas fontes ouvidas pelo GLOBO. Ela representa Flávio no inquérito eleitoral que investiga o senador por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica na declaração de bens à Justiça Eleitoral. Queiroz foi preso na quinta-feira em um imóvel de Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo. O local da prisão complicou a situação de Flávio Bolsonaro e provocou desgaste ao governo do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro. Flávio e o próprio Wassef diziam, nos últimos meses, não terem conhecimento de onde onde estava Fabrício Queiroz. Procurada, a assessoria de Flávio Bolsonaro disse que não tem informação sobre a troca na defesa do senador Frederick Wasseff não retornou os contatos do GLOBO.

‘Sou vítima de um grupo político que tem patrocinado difamação’ – Investigado por movimentações suspeitas, com a revelação recente do Ministério Público do Rio (MP-RJ) de pagamentos em espécie de contas de sua família pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) divulgou nota neste sábado dizendo ser “vítima de um grupo político que tem patrocinado uma verdadeira campanha de difamação”. Ele, porém, não cita nomes no comunicado divulgado. “Essas pessoas têm apenas um objetivo: recuperar o poder que perderam na última eleição”, diz a nota do senador. No texto, Flávio reafirma sua inocência e “garante que seu patrimônio é totalmente compatível com os seus rendimentos”. Ainda segundo ele, “a verdade prevalecerá”, diz.

Wassef fala em ‘armação para incriminar o presidente’ – Advogado do presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Frederick Wassef afirmou neste sábado que é vítima de uma armação. Ele negou ter trocado mensagens com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio que foi preso em um imóvel de propriedade de Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo. Segundo o advogado, a intenção das investigações é “incriminar o presidente”. As declarações foram dadas ao jornal “Folha de S.Paulo”, em que Wassef negou ainda ser o “Anjo” que deu nome à operação do Ministério Público do Rio de Janeiro que culminou na prisão de Queiroz, na última quinta-feira. O apelido de Wassef entre o clã bolsonarista, “Anjo”, batizou a operação que levou Queiroz à prisão. Wassef negou que tenha dado abrigo a Queiroz por um ano e mantido contatos com a família dele. O advogado também saiu em defesa do presidente Jair Bolsonaro, de quem é amigo. “Nunca telefonei para Queiroz, nunca troquei mensagem com Queiroz nem com ninguém de sua família. Isso é uma armação para incriminar o presidente”, disse o advogado ao jornal. Segundo Wassef, o imóvel em Atibaia, onde o policial militar aposentado foi preso e que tinha uma placa de seu escritório de advocacia, estava em obras. Ele afirmou que um malote encontrado no local foi “plantado”. Mas não explicou o que Queiroz fazia no imóvel.

Bolsonaro foi cúmplice da fuga de Weintraub – Abraham Weintraub nem tentou disfarçar. Nas últimas declarações antes de deixar o país, o bolsonarista deixou claro que era um fugitivo. “Agora é evitar que me prendam, cadeião, e me matem”, disse, em entrevista à CNN Brasil. “Estou saindo do Brasil o mais rápido possível”, acrescentou, no Twitter. Investigado no inquérito que apura ameaças ao Supremo Tribunal Federal, Weintraub desembarcou em Miami na manhã deste sábado. Ainda era oficialmente o ministro da Educação, com direito a entrar nos EUA com passaporte diplomático. Poucas horas depois do pouso, Jair Bolsonaro publicou sua exoneração em edição extra do Diário Oficial. Isso mostra que o presidente foi cúmplice da fuga do aliado.

Em comício, Trump afirma que Brasil ‘não está bem’ – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou neste sábado, em Tulsa, no Oklahoma, de seu primeiro comício desde 2 de março, antes da pandemia de Covid-19 se disseminar pelos Estados Unidos. Com um público abaixo do esperado, contrariando as expectativas presidenciais, Trump buscou reforçar sua campanha de reeleição com ataques a Joe Biden, candidato democrata à Presidência, e se vangloriar da resposta de seu governo à crise sanitária, amplamente criticada por especialistas. Trump disse ainda que salvou “milhões de vidas” ao paralisar a economia, interrupção da qual foi um dos maiores críticos. Citando o Brasil e a Suécia como exemplos, o presidente americano disse que o cenário poderia ter sido pior se tivesse adotado a estratégia de imunização coletiva ou de rebanho, em que os que sobreviveram ao vírus carregam imunidade e impedem o vírus de se disseminar: — Perguntem como eles estão no Brasil. Não estão bem. E ele é meu amigo — disse Trump, se referindo ao presidente Jair Bolsonaro.

Saquarema, o refúgio fluminense de Queiroz – Desde dezembro de 2018, quando saiu de cena e passou a ter uma vida quase clandestina, Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), não teve apenas Atibaia, no interior de São Paulo, como um de seus esconderijos. Além do sítio do advogado Frederick Wassef, Queiroz veio ao menos três vezes ao Rio no ano passado auxiliado por um esquema que envolvia outros políticos bolsonaristas. Ele esteve duas vezes em Saquarema, na Região dos Lagos, e uma na capital entre maio e setembro para ver o filho mais novo, Felipe, defender o Sampaio Corrêa no Campeonato Carioca Sub-20. O GLOBO apurou que o radialista Márcio Motta, que foi presidente do PSL local, era o homem que levava Queiroz de Atibaia para Saquarema quando ele vinha ver o filho mais novo, Felipe, jogar. — Conheço o Queiroz há 16 anos. Nossa amizade nasceu desde que ele acompanhava o Flávio Bolsonaro em entrevistas no estúdio. É um cara do bem. O que estão fazendo com ele é um extremo absurdo — diz Motta, ao admitir que ajudou Queiroz no período em que ele esteve escondido a ir para Saquarema. — Estive de fato com ele algumas vezes (em Atibaia), não me lembro quantas. Mantive o tempo todo contato com ele. Nas conversas com Motta, Queiroz lamentou por exemplo a morte do ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega em fevereiro na Bahia: — “Perdi um amigo, estou triste”, ele me falou. Motta gravou uma live com Flávio há um mês na qual o senador o chamou de “amigo” e disse que “a gente já se conhece há muito tempo”. Na tentativa de localizar Queiroz, Saquarema entrou no radar dos investigadores a partir de maio do ano passado, depois que o filho dele deu entrada nos documentos para tirar sua habilitação. O MP recebeu informações de que um carro em nome de Márcia Aguiar, mãe de Felipe, foi levado para o jovem na cidade. Nos primeiros monitoramentos, como no Dia das Mães, Queiroz não foi visto. Em agosto, O GLOBO também recebeu informações de que Felipe Queiroz estava jogando nas categorias de base do Sampaio Corrêa. O clube é comandado pelo deputado federal Lourival Gomes (PSL-RJ), dono de supermercados e lojas de construção na região. Felipe tinha entrado para o time em maio, e morava no alojamento do clube. Em 24 de agosto, a reportagem acompanhou a vitória do time de Felipe por 6 a 0 contra o AD Itaboraí. Nesse jogo, Queiroz não esteve e Felipe ficou no banco de reservas. O ex-PM, porém, acompanhou outros jogos conforme admitiu esta semana Ronan Gomes, filho do deputado federal Lourival Gomes. — Ele (Queiroz) veio em um ou dois jogos aqui e um no Rio — contou Ronan, ao dizer que foi Queiroz quem o abordou para falar que “tinha um filho jogador” e pedir para que ele fizesse um teste na época em que ocorreram as filiações do PSL na cidade, em 2018.

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