Resumo dos jornais de domingo (19/01/20)  | Claudio Tognolli
Resumo dos jornais de domingo (19/01/20) 
Editado por Chico Bruno
Manchetes
FOLHA DE S.PAULO: Partidos sinalizam que vão repetir laranjais neste ano
Amparados nas frouxas regras eleitorais criadas por eles próprios, os partidos políticos indicam que repetirão nas eleições municipais de outubro o modelo usado em 2018 para a aplicação do dinheiro público reservado para as campanhas. Em linhas gerais, os R$ 2,035 bilhões do fundo eleitoral, distribuídos com base em duas diretrizes. A primeira é a vontade das executivas das 33 legendas. O grupo restrito de dirigentes partidários tem poder absoluto, pela lei, de definir quem dos quase 500 mil candidatos receberá o dinheiro público e em qual quantidade. A segunda é a exigência de direcionamento de ao menos 30% da verba (R$ 610 milhões) para candidatas. A regra, criada para estimular a participação feminina, está no centro do escândalo de desvio de recursos por meio das candidaturas laranjas, criadas para financiar outros postulantes. A Folha revelou a prática no PSL de Minas e de Pernambuco, mas houve potenciais laranjas em outros 13 partidos. Apenas cinco partidos dizem pretender aperfeiçoar o processo de escolha e condução das candidaturas femininas. Os antagonistas, PT e PSL, agraciados com R$ 200 milhões cada um, ainda não discutiram nenhum critério a ser adotado. Jair Bolsonaro sancionou o fundo eleitoral sem vetos na sexta-feira.
CORREIO BRAZILIENSE: IPTU e IPVA atrasados totalizam R$ 413 milhões
Brasilienses tentam renegociar dívidas referentes a 2019 antes do início do pagamento dos impostos deste ano, mas é necessário quitar 5% dos débitos à vista. Muitos alegam que não sobra dinheiro para esses tributos.
O ESTADO DE S.PAULO: Experiência contará mais que formação na próxima década
Mais do que a própria “profissão”, flexibilidade para migrar para outro campo de atuação, disposição para viver novas experiências e capacidade de construir redes de contato devem contar mais, nos próximos anos, no mundo do trabalho. Pesquisa do Escritório de Carreiras da USP (ECar) mostra que o mercado de trabalho caminha para se dividir em dez áreas, que podem envolver diversos tipos de profissionais, informa Talita Nascimento. No estudo, a palavra profissão não é usada. “Carreira é a sequência de experiências pessoais de trabalho ao longo do tempo”, afirma Tania Casado, professora titular da FEAUSP e diretora do ECar. “A gente vai transitando. Começa com uma formação inicial e vai fazendo migrações”. Em vez de uma formação padrão para trabalhar em cada uma das áreas mapeadas, a pesquisa indica que o trabalho do futuro passa pela combinação de conhecimentos. Na visão de Tania, o que se desenha é um mundo em que a sequência de experiências e habilidades do trabalhador será mais importante que a sua formação inicial.
O GLOBO: Rio tem 414 mil pessoas em áreas de risco na capital e em 6 municípios
Com chuvas mais intensas que as médias históricas no Estado do Rio, a capital, Angra dos Reis e cinco municípios das regiões Metropolitana e Serrana, que viveram tragédias com desabamentos e mortes, ainda têm 414 mil pessoas vivendo em áreas de alto risco de deslizamentos e inundações, informa Selma Schmidt. Famílias voltaram a locais dizimados há nove anos na Serra, onde 918 pessoas morreram, sem que obras fossem executadas. Na comunidade Sítio do Pai João, no Itanhangá, que teve 20 mortos em 1996, só em 2016 foi feita mureta para conter construções. Tarde demais: as 70 casas viraram 500.
Destaques do dia
Um ministério para Regina Duarte – Com o objetivo de convencer a atriz Regina Duarte a participar do governo, o presidente Jair Bolsonaro cogita recriar o Ministério da Cultura, rebaixado por ele no ano passado ao status de secretaria. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a avaliação é que a antiga aliada goza de muito prestígio para assumir um cargo de segundo escalão. Ela foi convidada diretamente por Bolsonaro, na sexta-feira, para ser a nova secretária especial de Cultura, após a demissão do dramaturgo Roberto Alvim. Ele foi afastado por ter citado, em um vídeo, ideias do ideólogo nazista Joseph Goebbels. Regina Duarte deve dar uma resposta ao convite durante uma reunião com Bolsonaro amanhã, no Rio de Janeiro, onde o presidente cumprirá agenda oficial. Entre os compromissos previstos está um encontro, às 10h, com o prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella. O Ministério da Cultura poderá ser recriado por meio da edição de uma medida provisória, que passa a valer após publicação no Diário Oficial da União, mas precisa do aval do Congresso para continuar em vigor. Em 2019, os deputados rejeitaram uma emenda que propunha a recriação da pasta. Ela foi apresentada à MP que estruturou a administração federal, a mesma que rebaixou a Cultura ao status de secretaria.
Correria na pauta do Congresso – O Congresso promete um primeiro semestre intenso em 2020, com pautas e discussões que vão além da prisão em segunda instância e das reformas Tributária e Administrativa. Com praticamente metade do ano comprometido pelas eleições municipais, deputados e senadores terão que trabalhar dobrado para aprovar, por exemplo, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), sob pena de paralisar a educação no país. Já para o governo, uma das prioridades é o Marco Regulatório do Saneamento Básico, que, entre outras coisas, abre o setor para o investimento da iniciativa privada. Têm ainda as comissões parlamentares de inquérito das Fake News e do Óleo no Nordeste, cujos trabalhos prometem ser acelerados. O presidente da comissão especial que discute o Fundeb, deputado Bacelar (Podemos-BA) fala em aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) ainda no primeiro trimestre e afasta qualquer hipótese de o governo mandar um novo texto. Ainda falta decidir sobre a gradação do aumento do financiamento da União à educação, que começará em 10% e deverá chegar a 40%. O debate gira em torno de onde sairá o dinheiro para garantir a progressão.
“Casamento de 4 ou 8 anos”, diz Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro voltou a utilizar uma metáfora com relacionamentos para falar de política e, desta vez, sinalizou a vontade de permanecer na chefia do Palácio do Planalto, pelo menos, até 2026. Ontem, em Brasília, durante evento do partido que ele quer tirar do papel, o Aliança pelo Brasil, ele afirmou que a Presidência “não é uma lua de mel”. “É um casamento de quatro ou oito anos. Ou, quem sabe, por mais tempo, lá na frente”, afirmou, sem esclarecer exatamente o que queria dizer com “mais tempo”. Bolsonaro afirmou ainda que, neste “casamento”, os “fins serão o bem-estar deste povo”. “Eu já passei dos 60 (anos). A gente começa a não pensar de maneira diferente. A pensar com os pés do chão. O que nós queremos deixar para quem vem depois? O que eu quero deixar para a minha filha Laura?”, afirmou a uma plateia formada por simpatizantes e colaboradores da legenda, que ainda está em fase de formação.
Caso Queiroz: pedido segue para a PGR – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, pediu ontem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) para suspender novamente as investigações do caso Queiroz. “À luz das informações encaminhadas à Corte e do requerimento incidental formulado (Petição/STF nº 83/2020), ouça-se a Procuradoria-Geral da República”, determinou Toffoli, na véspera de deixar o comando do plantão do STF. A partir de hoje, o vice-presidente do STF, ministro Luiz Fux, assumirá o plantão, sendo responsável pela análise de casos considerados urgentes. O STF retoma suas atividades regularmente em fevereiro. Fontes que acompanham o caso acreditam que as maiores chances de o senador obter uma vitória no Supremo e paralisar novamente as investigações seria durante o período do recesso. Tanto Toffoli quanto Fux já deram — também durante outros plantões do Supremo — liminares que beneficiaram o filho do presidente da República. A investigação mira em um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, quando este era deputado estadual.
Para Lula, PT deve ter candidaturas em 10 capitais – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou, diante do novo diretório nacional do PT, a orientação de que o partido deve ter candidatos próprios no maior número possível de cidades importantes nas eleições municipais deste ano. No entanto, em conversas reservadas com dirigentes do partido, Lula tem dito que se dá por satisfeito se o PT encabeçar as chapas em 10 capitais. Rio de Janeiro, onde o partido negocia com o PSol de Marcelo Freixo, e Porto Alegre, que tem Manuela d’Ávila (PCdoB) como principal nome da esquerda, não estão na lista do ex-presidente. Segundo dirigentes petistas, Lula quer que o PT tenha candidatos próprios em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Manaus, Teresina, Aracaju, Natal e Cuiabá.
Eletrobras, a próxima guerra – No retorno dos trabalhos do Congresso, os opositores da privatização da Eletrobras vão fazer carga em cima dos números apresentados pelo governo sobre a situação financeira da empresa a fim de justificar a operação. O alvo é o discurso do secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, sobre a União ter que colocar R$ 14 bilhões por ano na estatal, caso a privatização não seja feita a curto prazo. Quem vai chamar para a briga é o deputado Danilo Cabral (PSB-PE): “Que história é essa de que a Eletrobras precisa de dinheiro do governo? A Eletrobras dá lucro, paga dividendos à União e só não investe mais porque o governo não quer”. Assim como o ministro das Minas Energia, Bento Albuquerque, ele também vai conversar com os líderes partidários para esclarecer que a Eletrobras não é deficitária e mostrar dados sobre os prejuízos que a privatização da empresa e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) podem trazer à segurança energética do país.
Bolsonaro critica ‘falsa direita’ – Sob ataques por ter sancionado um fundo eleitoral de R$ 2 bilhões, o presidente Jair Bolsonaro chamou de “falsa direita” quem o critica pela iniciativa e afirmou neste sábado (18) que atrapalharia a democracia se vetasse a medida. Em evento de mobilização do Aliança pelo Brasil, partido que pretende viabilizar, ele disse que é escravo da legislação e que os deputados e senadores do PSL que se posicionam contra a decisão dele falam “abobrinha”. “A esquerda bater tudo bem. A falsa direita e os isentões já caem de pau. ‘Ele deveria vetar esse fundão’. Eu tenho de cumprir a lei”, disse. “Nós somos escravos da lei. Eu estaria atrapalhando a democracia e o cumprimento da lei eleitoral com o veto”, acrescentou. Em discurso a entusiastas da nova sigla, o presidente disse que teria argumentos para vetar um fundo eleitoral de R$ 3,8 bilhões, mas que o valor de R$ 2 bilhões é uma proposta da Justiça Eleitoral e que ele poderia correr o risco de ser condenado por crime de responsabilidade caso não sancionasse.
Wajngarten tenta centralizar verba de publicidade – No centro de um dos mais novos escândalos recentes do atual governo, o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, 44, assumiu o posto com a missão de centralizar no Palácio do Planalto a verba de publicidade da Esplanada dos Ministérios. Coube também ao secretário fortalecer os laços com emissoras de televisão que façam contraponto à Rede Globo. A TV carioca é considerada pelo presidente Jair Bolsonaro uma adversária do governo. A permanência de Wajngarten, porém, é vista agora como incerta. À frente da comunicação institucional da Presidência desde abril do ano passado, Wajngarten deu início à discussão para concentrar as agências de propaganda sob o comando da Secom. Além disso, ele tem o objetivo de aumentar o poder da secretaria na deliberação sobre o orçamento federal destinado às ações publicitárias governamentais. Hoje, as contas ministeriais são geridas de forma independente pelas pastas. A ideia é que passem para as mãos da Secom, turbinando a estrutura presidencial.
Prisão de ex-governador da Paraíba fiel a Lula fragiliza aliança entre PT e PSB – A avalanche de acusações contra Ricardo Coutinho (PSB), ex-governador da Paraíba que chegou a ser preso no fim do ano passado e denunciado neste mês sob acusação de organização criminosa, afeta as articulações eleitorais no campo da esquerda por atingir em cheio o principal elo entre o PT e o PSB. Fiel escudeiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Coutinho pode voltar à prisão. Ele foi ainda voz dissonante no PSB quando a grande maioria da sigla decidiu apoiar Aécio Neves (PSDB) nas eleições de 2014 e o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016. O enfraquecimento de Coutinho cria obstáculos para Lula nas articulações com o PSB em razão das próprias disputas internas do partido socialista, avaliam lideranças petistas ouvidas pela Folha. Na prática, com o ex-governador paraibano fragilizado, há um clima de incerteza nas possíveis negociações eleitorais que Lula pretende conduzir em nível regional. O PSB de Pernambuco, que só em 2018 voltou a se aliar com o PT, define, historicamente, os rumos do partido. Com a tormenta enfrentada por Ricardo Coutinho, passa a ter ainda mais força.
88% apoiam demissão de servidores com mau desempenho – Funcionários públicos deveriam ter seu trabalho avaliado constantemente e ser recompensados de acordo com o desempenho, como em empresas privadas. Essa é a avaliação feita por 91% dos entrevistados na pesquisa “Os brasileiros e a percepção sobre a qualidade do gestor público”, realizada pelo Datafolha e encomendada pela Aliança, formada por Fundação Lemann, Fundação Brava, Instituto Humanize e República.org. O mesmo percentual (91%) afirma que os servidores públicos precisam de apoio para se desenvolverem como profissionais e realizarem melhor seu trabalho. Para 88%, é importante demitir aqueles que, constantemente, não têm feito um bom trabalho. O percentual dos que concordam que esses servidores precisam ter garantia de estabilidade é de 58%. Discordam da afirmação outros 39%. A pesquisa foi realizada de 8 a 14 de maio de 2019, com 2.086 pessoas em todo território nacional, em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Maia terá ainda mais poder, preveem líderes – Se quiser fazer avançar seu governo, Jair Bolsonaro terá de conviver em harmonia com um Rodrigo Maia ainda mais poderoso neste ano, avaliam líderes do Congresso. É o preço a ser pago pelo presidente por não ter montado uma base de apoio clássica e sólida no Legislativo. Após a divisão do PSL, a fidelidade total ao Planalto está hoje limitada a mais ou menos 30 parlamentares. Vão andar os pontos da agenda governista que coincidirem com a pauta econômica da Câmara, o que não estiver em consonância, só no varejo, diz um desses líderes. A estratégia do varejo tem entraves. O maior deles é a Casa Civil, desgastada sob o comando de Onyx Lorenzoni. O outro é a fome cada vez maior dos parlamentares por emendas. Um apetite inversamente proporcional à capacidade do governo de colocar comida na mesa. Entre os fiéis apoiadores de Jair Bolsonaro, não há pessimismo. Eles estão mapeando quem foram os parlamentares que mais votaram com o Planalto em 2019 para tentar uma aproximação. Outra estratégia será dar tratamento vip a relatores de projetos importantes para o governo e a presidentes de comissões especiais da Câmara e do Senado.
Congresso paga R$ 30 mi a ‘solteiras’ – A Câmara e o Senado pagam pensões mensais de até R$ 35 mil a filhas solteiras de ex-parlamentares e ex-servidores. Previsto numa lei sancionada por Juscelino Kubitschek em março de 1958, o benefício atende até hoje 194 mulheres e custa, por ano, R$ 30 milhões – o equivalente ao dinheiro necessário para construir 500 casas populares do Minha Casa Minha Vida. A norma foi derrubada em 1990, mas foi mantido o privilégio para quem já estava na folha de pagamento. Denúncias de pagamento indevido não faltam. No mês passado, a Polícia Legislativa passou cinco dias no Rio para investigar o estado civil de uma pensionista. A notificação partiu do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou inconsistências no registro da beneficiada a partir de cruzamentos de bases de dados. Num relatório sobre a viagem, um agente da Polícia Legislativa escreveu que, após uma “exaustiva” investigação, descobriu que a mulher tinha um marido. A pensionista foi indiciada por estelionato em inquérito sigiloso encaminhado ao Ministério Público Federal.
Pelos critérios do Congresso, a pensão deve ser paga até a filha se casar, ter uma união estável ou conseguir um emprego público permanente. Mesmo quando completa 21 anos, a filha solteira mantém o direito. Uma das maiores pensões do Congresso é paga à filha de um ex-analista do Senado. Desde 1989, ela ganha R$ 35.858,94 por mês, em valores brutos. Outras 29 mulheres recebem, cada uma, R$ 29.432,27 de pensão por serem dependentes de ex-servidores da Casa. Todas estão incluídas na categoria “filha maior solteira” na folha de pagamento.
‘Modelo’ de Toffoli, órgão do TJ critica juiz de garantias – Ao defender a criação do juiz de garantias, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, apontou como modelo o Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) do Tribunal de Justiça de São Paulo. Mas o próprio órgão tem uma série de críticas à legislação que criou a nova figura e afirma que, na prática, a Lei Anticrime poderá impedir magistrados de tomarem decisões com segurança. O principal, segundo a coordenadora do órgão, a juíza-corregedora Patrícia Álvares Cruz, é que o juiz de instrução e julgamento, que receberá o processo já aceito pelo juiz de garantias e dará a decisão final, não poderá ter acesso ao inquérito policial original na íntegra, mas apenas ao material juntado pela acusação e pela defesa. Não poderá ouvir todas as testemunhas que supor ser necessário para formar sua decisão. Na prática, segundo Patrícia, o juiz terá de tomar decisões sem ter acesso a todas a informações produzidas durante uma investigação, caso os documentos não sejam apresentados pela acusação ou a defesa, e poderá ter dúvidas que não terão como ser esclarecidas. “Obviamente, o resultado disso será um número maior de absolvições”, disse ela, uma vez que a dúvida favorece o réu. Com as mudanças trazidas pela Lei Anticrime, na avaliação da coordenadora do Dipo, o inquérito, que hoje municia o juiz, será direcionado para defesa e acusação, e o juiz de instrução e julgamento não terá mais um papel de buscar a verdade.
Renovação já contabiliza 71 pré-candidatos em capitais – O interesse crescente pelos grupos e movimentos de renovação e formação política no País vai se refletir nas eleições municipais deste ano. Em 2019, com a persistente crise de representatividade dos partidos tradicionais, o número de alunos e apoiadores destes grupos se multiplicou. O fenômeno deverá resultar em um boom de candidaturas majoritárias associadas a organizações suprapartidárias que formam lideranças ou que buscam renovar a prática política, segundo levantamento do Estado. Faltando nove meses para as eleições municipais, ao menos 71 egressos desses movimentos civis já manifestaram interesse em concorrer em capitais de ao menos 21 Estados. A participação em grupos de formação política se tornou uma credencial para candidaturas, o que leva partidos a disputarem os novatos oferecendo estrutura material e suporte. Em um dos poucos movimentos que já existia em 2016, a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), o número de interessados em disputar as prefeituras das capitais até agora já é maior do que o total de candidatos ligados ao grupo que disputaram a eleição de 2016, incluindo na conta as cidades menores. Segundo o grupo, 49 dos inscritos querem estar nas urnas em outubro. Em 2016, saíram da Raps 22 candidatos a prefeito, oito deles em capitais. Para alguns pré-candidatos, os grupos civis são uma forma de driblar a falta de contatos nos partidos políticos para se apresentar ou de recursos financeiros para tocar uma campanha. “As pessoas têm medo de ir para a política”, afirmou ao Estado Charbel Elias Maroun, pré-candidato do Novo à prefeitura do Recife. “Primeiro, porque acham que é caro e que tem que gastar muito dinheiro – e eu não as culpo porque é isso o que a gente tem visto. Segundo, porque elas acham que não têm o apoio de ninguém.”
‘Livres’ tem nome da ‘velha guarda’ – Um dos integrantes do grupo Livres com intenção de se lançar em 2020 tem perfil que destoa dos novos nomes que pretendem disputar as eleições neste ano. Trata-se de Andrea Matarazzo (PSD), 63 anos, que acumula passagens por mais de dez cargos nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – em mais de 20 anos de vida pública. “É uma via de duas mãos”, disse Matarazzo, que é sobrinho-neto do conde Francesco Matarazzo, sobre sua presença ao lado de novatos que querem ingressar na política. “Posso transmitir conceitos de liberdade econômica, transmitir a minha experiência trabalhando no governo a essa juventude”, afirmou ao Estado. Em contrapartida, disse, ele ganha ao se aproximar dessa turma “competente” da renovação. O político da velha guarda vê nas cabeças arejadas do Livres um diferencial. “Eles não são dogmáticos. Entendem que a formulação da política pública pode ser feita pelo Estado e que a execução, pelo privado. Mas sabem que o Estado vai estar presente em função da altíssima desigualdade, que não será a economia de mercado que vai resolver.”
Witzel revive UPPs como receita para Segurança Pública – O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), pretende retomar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), marca do ex-governador Sérgio Cabral (2007-2014) na área da segurança pública. Trata-se de mais um movimento de inflexão política do governador fluminense, que foi eleito com o discurso de confronto. Chegou a defender, em entrevista ao Estado, que policiais dessem tiros “na cabecinha” de criminosos armados. Também chamou traficantes de narcoterroristas e celebrou, como quem comemora um gol, o abate, por atirador de elite, de um homem que havia sequestrado um ônibus na Ponte Rio-Niterói. Era um padeiro sem antecedentes criminais. Nos últimos meses, contudo, Witzel tem moderado a retórica, tentando se contrapor ao ex-aliado Jair Bolsonaro, possível concorrente na eleição de 2022. O governo diz que as novas UPPs e a reestruturação das que ainda existem – todas em comunidades carentes – devem focar ações sociais, além do policiamento ostensivo que lhe é característico. Lançadas às vésperas de 2009, quando o Rio era anunciado como sede da Olimpíada e o Cristo Redentor “decolava” na capa da revista The Economist, as UPPs foram a medida mais marcante e midiática de Cabral. Hoje, ele está preso, condenado a 267 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, principalmente. As UPPs entraram em crise em 2013, depois que o pedreiro Amarildo de Souza desapareceu após ser preso por policiais da unidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul. “Cadê o Amarildo” virou palavra de ordem das manifestações de rua no Rio, naquele ano. Desde então, o projeto minguou, e criminosos voltaram a circular ostensivamente armados em comunidades, como no Complexo do Alemão. Com o tempo, algumas UPPs foram fechadas, por inviabilidade e inutilidade.
Witzel, o ‘carioquismo’ de um paulista – Paulista de Jundiaí, o governador do Rio, Wilson Witzel, tem tentado incorporar um “jeito carioca de ser”. A cerca de um mês do carnaval, por exemplo, Witzel abraçou – simbólica e financeiramente – as escolas de samba, em movimento contrário aos do prefeito Marcelo Crivella e do presidente Jair Bolsonaro. Rivais do governador, o prefeito e o presidente são avessos à folia. Eleito na esteira da onda conservadora e bolsonarista, Witzel busca, agora, se desvencilhar de Bolsonaro. A aparência sisuda de ex-juiz e de quem já defendeu o “abatimento” de criminosos vai de encontro a esse aceno ao “carioquismo”. Em relação ao carnaval, o governador articulou para o Estado assumir o controle da festa na Sapucaí – até então vinculada à prefeitura – e anunciou a novidade, com euforia, antes mesmo da confirmação oficial. Witzel tem dado ideias para o formato dos desfiles, como a “distribuição” da festa em mais de um fim de semana. Aproveitando a abertura, escolas de samba o procuram para buscar recursos. A situação financeira para este ano é considerada crítica pelas agremiações. Sob Crivella, os desfiles agonizavam, já que são mais dependentes de dinheiro público do que o carnaval de rua, majoritariamente “gerenciado” por empresas privadas. Além do carnaval, o governador tenta, desde o início do mandato, associar sua imagem ao futebol – em especial ao Flamengo, que vive uma boa fase e é o time mais popular do País.
Correção do Enem falha e prejudica 30 mil estudantes – Um dia após divulgar as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exaltando a qualidade na execução da prova, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, admitiu ontem que ele teve falhas em sua correção que podem ter afetado até 30 mil candidatos. O erro foi denunciado por estudantes que notaram uma discrepância entre a quantidade de questões que acertaram (considerando o gabarito oficial) e a nota que receberam. As queixas inicialmente se concentraram nas provas do segundo dia (Matemática e Ciências da Natureza) e vieram de pessoas que as fizeram no campus da Universidade Federal de Viçosa (MG). Em vídeo publicado no Twitter na manhã de ontem, Weintraub definiu o erro como “uma inconsistência fácil de ser consertada”, que teria afetado um número “baixo” de candidatos — 0,1% do total, segundo ele. Mais tarde, em entrevista coletiva, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, reconheceu que a falha pode ter prejudicado até 30 mil pessoas, quase 1% do total de 3,9 milhões de inscritos. Segundo o Inep, vinculado ao Ministério da Educação, o erro foi causado pela Valid S.A., gráfica responsável pela impressão e transmissão dos dados do Enem. A reportagem procurou a empresa, mas ela afirmou que não ser a primeira vez que a Valid atuou no exame. Em abril do ano passado, a gráfica responsável pela atividade nos últimos anos, RR Donnelley, decretou falência. Indagado sobre o que ocorreria se o governo não conseguisse resolver até amanhã a situação de todos os candidatos que se sentiram lesados, Lopes disse não trabalhar com essa hipótese. — Concluiremos nosso trabalho de identificação das inconsistências na segunda-feira (amanhã) —disse Lopes. Ele garantiu que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por meio do qual os candidatos do Enem podem selecionar a faculdade que cursarão, será aberto na terça-feira (21), como previsto. Weintraub, que não participou da entrevista coletiva no Inep, pediu “desculpas aos participantes do exame pelo transtorno”, no Twitter.
Depois dos negócios, chineses querem relevância no Brasil – A China tornou-se o maior parceiro comercial e investidor do Brasil, com US$ 60 bilhões aportados em uma década. A criação do Brics — grupo de nações emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — abriu um canal privilegiado entre Brasília e Pequim, que resultou em ações conjuntas em diversas áreas. Agora, de olho em mais oportunidades de negócios, os chineses que vivem em solo brasileiro investem para ganhar uma nova imagem e maior influência no país. Esse movimento é capitaneado por uma parcela importante dos mais de 300 mil chineses que vivem em São Paulo e buscam ter mais relevância econômica, peso político e influência social. — A comunidade tem cada vez mais interesse em fazer uma abertura, de mostrar o que é a cultura chinesa, mostrar uma nova China e deixar um legado para um país que acolheu tão bem esta comunidade, que já chega a 350 mil pessoas, 80% dos chineses no país —diz Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), uma das lideranças desse movimento, que encabeça um ambicioso projeto para a construção de uma Chinatown na capital paulista, com investimentos de R$ 150 milhões. As comemorações do aniversário de São Paulo acontecerão neste ano em conjunto com a celebração do início do ano novo chinês, o ano do rato, no próximo dia 25. A China será o tema de uma das escolas de samba da capital paulista no carnaval. Em outubro, será a vez de os paulistanos comemorarem o Festival da Lua, o segundo maior feriado do gigante asiático, realizado pela primeira vez no país. Mais do que coincidências, tais iniciativas marcam essa nova postura da comunidade chinesa na maior cidade do país. Até pouco tempo, a colônia era muito fechada e fragmentada.
Eike, mulher e filho querem fazer delação – De volta à mesa de negociação em busca de uma delação premiada com a PGR, Eike Batista não está sozinho. Há fortes chances de Thor, seu primogênito, e Flavia, sua mulher, aderirem ao acordo —também vão contar o que sabem, caso prospere a colaboração. Ambos têm bens bloqueados pela Justiça, assim como outro filho de Eike, Olin.
Sérgio Cabral e a garota empoderada – Sérgio Cabral é um leitor aplicado na prisão. Já foi beneficiado com a redução de alguns dias de sua quilométrica pena exatamente por ler. Agora, a direção de Bangu 8 enviou um novo ofício à Justiça para que seja avaliada a possibilidade de ele usar mais uma vez o direito à remissão por leitura. Cabral leu e fez resenhas dos livros “O tronco de Ipê”, de José de Alencar; e do “Diário de Anne Frank”, da jovem judia vítima do Holocausto. As resenhas foram avaliadas por um professor de Letras da UniRio. Cabral tirou nota 9 com o resumo da obra de Alencar e 7 com a resenha do livro de Anne Frank, em que definiu a autora da seguinte forma: “Anne, garota sensível, inteligente, poliglota, cheia de vida e sonhos, seria hoje considerada uma garota empoderada. Fez de seu diário seu lugar de fala”.
Espetáculo do crescimento – Paulo Guedes trabalha com o seguinte cenário de crescimento para o PIB: 1% em 2019 (plano que se concretizou), 2% para este ano, 3% para 2021 e 4% para o ano da próxima eleição presidencial. Em conversas privadas, diz que sua equipe estima que em 2020 o PIB pode chegar a 2,5%, mas ele prefere ser prudente.
Não desistiu – Antes de entrar no governo, Paulo Guedes pensava em fazer tudo ao mesmo tempo. Todas as reformas necessárias seriam tocadas no primeiro ano. Agora, sabe que o timing de Brasília é diferente do seu. Assim, por exemplo, não desistiu do imposto sobre operações digitais. Só deixou a pesada guerra particular por esse tributo para o último ano de governo. Também não abdicou da ideia (Guedes não é muito afeito a abdicar de ideia alguma, aliás) de “passar a faca no Sistema S”. A interlocutores próximos, insiste que a lâmina está sendo afiada, mas não será usada já. É, novamente, uma questão de timing. Por enquanto, o foco está na reforma administrativa e no pacto federativo. Enquanto não faz a incisão prometida, o governo vai comendo um pouco do orçamento gordo do Sistema S: a Embratur já pegou um naco e possivelmente o INPI ficará com outro.
Que articulador é esse? – Já há mais de dois meses fora das grades, Lula não procurou para conversar ao menos dois presidentes de partidos de esquerda: Carlos Siqueira, do PSB, e Carlos Lupi, do PDT. Aliás, não procurou e muito menos foi procurado por eles.
‘Conflito de interesses pode anular contratos’ – Relator das contas do primeiro ano do governo Bolsonaro, o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), já começou a elencar alguns pontos que deverão ser abordados em sua análise. Entre eles, Dantas cobra uma maior transparência sobre as isenções fiscais dadas pela União e anuncia um inédito capítulo sobre a comunicação governamental. Em entrevista ao GLOBO, Dantas também afirmou que contratos de publicidade estatais poderão ser anulados se ficar comprovado que há conflito de interesses no fato de o secretário de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Fábio Wajngarten, ser dono de uma empresa que presta serviços para emissoras de TV e agências que recebem recursos do governo. — Esse é um tema delicado. Certamente, se no aprofundamento das análises ficar comprovado esse conflito de interesses, pode vir a causar uma nulidade dos contratos. Veja que o papel do TCU não é julgar o secretário, não temos competência correcional, corregedoria. É óbvio que o fato que foi revelado impõe ao governo algum constrangimento, mas essa análise vai ter que ser política do governo, ao passo que a análise que o TCU vai fazer é mais objetiva —afirmou. Na semana passada, o Ministério Público junto ao TCU fez uma representação aos ministros pedindo que seja analisada, sob a ótica das contas públicas, a situação do chefe da Secom. Já a decisão de analisar a política de comunicação do presidente Jair Bolsonaro ocorreu após sucessivas representações chegarem ao tribunal sobre o assunto. Dantas também não vê mais sentido para o sigilo dos cartões corporativos da Presidência da República. O Palácio do Planalto alega questões de segurança para não divulgar esses gastos. —É preciso avaliar apenas algumas questões da segurança do presidente, naturalmente, mas isso não pode servir de motivo para uma opacidade completa, uma falta de transparência total desses dados. É claro que talvez não seja desejável que se indique onde a comida dos palácios está sendo comprada, mas não pode haver alegação de segurança nacional quanto a isso — afirmou Dantas.
Deputados destinam verba de gabinete a aliados nos estados – A Câmara gastou R$ 166 milhões, de fevereiro a dezembro de 2019, em cota para o exercício da atividade parlamentar, conhecida como verba indenizatória. Mesmo com a renovação recorde e a promessa de fazer uma “nova política”, O GLOBO encontrou casos em que o recurso foi destinado a aliados nos estados, além de gastos acima da média com propaganda. O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou recentemente um corte nas despesas, criticando especificamente os gastos com divulgação, tendo em vista que o Congresso tem meios próprios para isso, como a TV Câmara. O valor total ainda pode aumentar, uma vez que os parlamentares têm três meses para apresentar as notas. Considerando a inflação, esse é o menor montante para os 11 meses desde o início da série histórica, em 2009.
error: