Resumo dos jornais de domingo (18/10/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (18/10/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Auxílio cria bolha de consumo no Norte e do Nordeste

CORREIO BRAZILIENSE: A luta que as mulheres não podem perder

O ESTADO DE S.PAULO: Home office e horário flexível viram trunfos para atrair profissionais

O GLOBO: Pandemia acentua desemprego entre os idosos

Destaques de hoje

A bolha – Dados recentes da economia brasileira mostram uma retomada heterogênea não só em termos setoriais, mas também regionais. Em particular, os efeitos do auxílio emergencial na recuperação do Norte e do Nordeste. O benefício inflou a economia dessas regiões em meio a pandemia, principalmente após a flexibilização das medidas de isolamento social. Em 15 dos 16 estados, por exemplo, o comércio explodiu e já ultrapassou com sobras o nível pré-quarentena. Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a ajuda esquentou o crescimento do varejo, que teve alta em agosto influenciada por setores como tecidos, vestuários e calçados, artigos de uso pessoal e doméstico, móveis e eletrodomésticos. De acordo com o IBGE, o crescimento nas vendas pode ser consequência da renda extra de R$ 600. O setor de serviços, por outro lado, pena para retomar o patamar de antes da crise. A redução do auxílio para R$ 300 traz uma tendência de conter o avanço e ainda pressionar a taxa de desocupação, que é muito maior nesses locais.

A luta contra o câncer – Já houve um tempo em que as pessoas evitavam até falar o nome da doença, de tão temida que era. Hoje, a história, felizmente, é outra. A prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama ainda são os grandes aliados das mulheres, como alerta a campanha Outubro Rosa. Mas, além de exames de rastreamento de alta tecnologia, elas contam com a evolução dos tratamentos. Novas terapias – personalizadas, menos tóxicas e mais eficazes – ajudam a manter a qualidade de vida e o bem-estar da paciente, transformam a enfermidade em uma doença curável e afastam o fantasma da sentença de morte. Conheça histórias de vitórias, superação e sororidade, com mulheres que venceram a batalha, outras que prosseguem na luta, e aquelas que se unem em grupos, como o Rosas do Cerrado, cujo objetivo é levar alegria e confiança às participantes. Juntas, elas fazem companhia umas às outras, trocam experiências e informações, comemoram, choram juntas e seguem firmes.

Teletrabalho – Em tempo de pandemia, mudanças no mercado de trabalho têm levado profissionais a deixar de considerar o salário como única referência ao buscar emprego. Além da remuneração, benefícios como flexibilidade de horário e home office passaram a ter maior peso. Pesquisa feita pela startup de recrutamento Revelo a pedido do Estadão perguntou a 378 profissionais o que faz uma empresa ser “dos sonhos”. A maioria (69%) apontou horário flexível e home office. Salário acima da média foi escolhido por 36%. Ambiente saudável e possibilidade de desenvolvimento pessoal são também valores em alta para profissionais como Samantha Almeida, diretora do Twitter no Brasil. Para Patrícia Carvalho, da Revelo, é importante para as empresas entender os desejos dos profissionais para atrair e reter talentos. Apesar da crise, aumentou a disputa por quem possa fazer a diferença num mercado cada vez mais competitivo. Além disso, profissionais mais jovens têm comportamento diferente. Preocupados com qualidade de vida, eles não vestem a camisa só por salário, mas por valores da empresa.

Idosos prejudicados – Assim que começou a quarentena para combater a pandemia, em março, a comerciária Marion Aramaqui foi afastada do trabalho. Com 60 anos e asmática, faz parte do grupo de risco. Mas ela não conseguiu retomar suas funções na loja, que já voltou a funcionar em São Paulo. Mês passado, foi demitida. — Fui chamada no RH e me disseram que, pela incerteza da pandemia, estavam dispensando aqueles que estavam afastados, incluindo uma colega de trabalho também de idade que tem problemas de coração. Ali caiu a minha ficha: quando a gente chega a uma certa idade, é como se fosse ignorado. É um sentimento de rejeição — lamenta Marion. O preconceito de idade, que já existia com os idosos, vem se agravando com a Covid-19. Pela letalidade maior à doença — 75% dos óbitos acontecem entre quem tem 70 anos ou mais —, eles são vistos pelo mercado de trabalho como vulneráveis e mais suscetíveis a afastamentos. Os números mostram que, se antes da pandemia a geração de vagas já era menor para maiores de 60 anos, agora a situação se agravou, com mais demissões do que contratações nessa faixa etária. Em agosto, foram gerados 263,7 mil vagas com carteira para quem tem abaixo de 60 anos e eliminadas 14,3 mil entre os mais velhos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Os dados foram reunidos pelo sociólogo Ian Prates, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Segundo ele, 71% dos idosos estão no setor de serviços, o mais afetado pelo distanciamento social, contra 55% entre os mais jovens. Isso dificulta ainda mais a geração de emprego formal para os trabalhadores mais velhos: — A retomada no mercado formal já começou, embora bastante tímida. Para os idosos, no entanto, o saldo continua negativo. Uma tendência que já vinha no mercado formal e que se intensificou com a pandemia.

Coronavac é segura, mas imunização deve ficar para 2021 – O governo de São Paulo anuncia amanhã que a vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, se mostrou segura também em testes com 9 mil voluntários brasileiros, reafirmando os resultados de pesquisa anterior com 50 mil participantes chineses. Os dados de eficácia, porém, devem ser divulgados somente entre novembro e dezembro, o que deve atrasar a previsão do governador João Doria (PSDB) de iniciar a imunização ainda neste ano. De acordo com Dimas Covas, diretor do Butantã, os testes com os 13 mil voluntários não foram finalizados e a análise de eficácia ainda não pode ser feita. O pesquisador afirmou que foi concluída nesta semana só a primeira etapa do estudo, com 9 mil pessoas. Mesmo nesse grupo, nem todos tomaram as duas doses ainda, o que deve ocorrer até o fim do mês. “Já temos os dados de segurança dessa etapa, eles são muito parecidos com os chineses (estudo em que mais de 90% dos voluntários não tiveram eventos adversos). São esses dados que vou detalhar na segunda. Eficácia ainda não dá para falar porque temos de esperar as pessoas terem contato com o vírus. Pela minha impressão, acho que teremos dados conclusivos mais para o fim do ano, entre novembro e dezembro”, disse ao Estadão.

Faltam costureiras em polo têxtil de Pernambuco – “Era trabalhar de domingo a domingo, dia e noite, sem parar um segundo para dar conta das peças. Eu pegava 4h30, 5h da manhã e ia até meia-noite, 1h da manhã. Cheguei a fazer peça por R$ 1, um bermudão feminino por R$ 1,20, uma calça por R$ 2,20. Conseguia tirar R$ 600, R$ 700 por mês, não cobria toda a despesa, sempre ficava devendo um pedaço do aluguel.” O relato é de Francismeire Silva Melo, 42, mãe de três filhos e moradora de Caruaru, um dos dez municípios que fazem parte do polo de confecções do Agreste de Pernambuco. Costureira há mais de 20 anos, Francismeire é uma das profissionais da região que deixaram a função como atividade principal para abrir um negócio por conta própria. Desde 2017, ela produz e vende sabonetes artesanais e aromatizadores de ambiente. A renda ainda é pouca. Com o auxílio emergencial reduzido a R$ 300, ela está ganhando R$ 700 por mês. “Mas para mim, a vida agora é melhor, não me mato tanto como na máquina, tenho meu horário de sono e de almoçar com a minha família, que antes eu não tinha”, afirma. “Quem trabalha com costura em casa não tem hora de lazer, hora de parar, é uma exploração e não valorizam o trabalho da gente. Por mais que a gente trabalhe dia e noite para entregar no prazo, o valor que pagam é muito baixo.” Casos como o da empreendedora se multiplicam na região. E a situação é tal que o polo têxtil do Agreste enfrenta falta sem precedentes de mão de obra, segundo empresários locais, em meio à retomada da produção após o afrouxamento da quarentena e diante de uma demanda aquecida –efeito do auxílio emergencial sobre a renda das classes C e D, público-alvo da produção local. Empresários com vagas abertas não conseguem preenchê-las, apesar de a taxa de desemprego ter chegado a 13,8% no país em julho, recorde na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em Pernambuco, a taxa de desocupação estava em 15% em junho, acima da média nacional –os dados de desemprego por estado são divulgados apenas trimestralmente, portanto o número de junho é o mais recente disponível.

‘É preciso agir com rapidez para que nada afete uma decisão que é fruto de anos de lutas’ – A cantora Daniela Mercury enviou, nesta sexta-feira, uma carta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, solicitando uma reunião para debater a criminalização da LGBTfobia no Brasil. No texto endereçado ao ministro, que também é presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ela demonstra especial preocupação com o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, na última semana, para responder se a decisão da Corte que permitiu a criminalização da homofobia e da transfobia, reconhecendo-as como crime de racismo, atinge o princípio da “liberdade religiosa”. As ponderações de Daniela Mercury são baseadas justamente na decisão tomada pelo STF, no ano passado, considerada histórica, pois quem ofender ou discriminar gays ou transgêneros está sujeito a punição de um a três anos de prisão e, assim como no caso de racismo, o crime é inafiançável e imprescritível. Na ocasião, ela e a mulher, a empresária Malu Verçosa, acompanharam pessoalmente os debates na casa. “A petição da AGU é vaga, não explica a que tipo de situações de fato se refere, mas visa a legitimar condutas discriminatórias”, escreveu a cantora. Em entrevista na tarde deste deste sábado, a artista contou que Fux já recebeu a carta e disse acreditar que “o diálogo será estabelecido em breve”. Ela também disse estar interessada em saber o posicionamento do indicado para o STF por Bolsonaro após a aposentadoria do decano da Corte, Celso de Mello, sobre o assunto. Celso de Mello foi o relator do caso. A resposta ao pedido da AGU poderá ser direcionada ao seu substituto. O desembargador Kassio Marques foi indicado pelo presidente Bolsonaro e será sabatinado pelo Senado Federal na próxima semana. Ele pode rejeitar o embargo ou levar o tema para debate em plenário.

Com até 44 anos de mandato, ‘eternos vereadores’ tentam reeleição – A Folha fez um levantamento dos vereadores que mais se reelegeram nas Câmaras Municipais do país entre 2000 e 2020, período do qual o Tribunal Superior Eleitoral possui dados digitalizados e confiáveis. Desde então, o país elegeu 178.085 vereadores, dos quais 2.129, ou 1,2% do total, venceram as últimas cinco eleições para as Câmaras Municipais. Nas capitais, 32 vereadores permanecem em mandato há pelo menos 20 anos e são considerados os decanos das Casas Legislativas. Quando Nirdo Artur Luz, o Pitanta, 66, disputou sua primeira eleição para a Câmara Municipal de Palhoça (22 km de Florianópolis), Lula era um líder sindical em ascensão, Jair Bolsonaro estava na Academia Militar das Agulhas Negras e o presidente da República era Ernesto Geisel. O ano era 1976, Pitanta tinha 19 anos e acabara de se filiar à Arena, partido de sustentação ao governo durante a ditadura militar.Desde então, Pitanta disputou e venceu todas as eleições para vereador na cidade, cumpriu 11 mandatos consecutivos e neste ano disputa a reeleição. O mais famoso deles é Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu vereador no Rio de Janeiro pela primeira vez em 2000, quando tinha 17 anos. Naquela eleição, ele enfrentou a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, que havia se separado do já deputado federal Bolsonaro e havia cumprido mandatos na Câmara por duas legislaturas. Nesta eleição, Carlos e a mãe serão candidatos à vereança mais uma vez. Na cidade de São Paulo, são sete vereadores com pelo menos cinco mandatos. Entre eles estão Milton Leite (DEM) e Arselino Tatto (PT), que renovam mandatos desde 1996 e já foram presidentes da Câmara Municipal. Em Salvador e São Luís, os decanos das Câmaras têm em comum o fato de serem fiéis governistas, independentemente do prefeito eleito. Vereador desde 1992 na capital baiana, Alfredo Mangueira (MDB), 71, apoiou todos os prefeitos nos últimos 28 anos, incluindo grupos políticos antagônicos como o de Lídice da Mata (1993-1996) e o de ACM Neto (2013-2020). Este ano, ele disputa sua oitava eleição consecutiva para vereador. E não pensa em parar: “Enquanto tiver saúde, sigo na política”. Em São Luís, o decano é o vereador Astro de Ogum, que cumpre mandatos consecutivos desde 2000. Ele tem trajetória partidária peculiar: começou no PDS, partido de sustentação à ditadura militar, passou por outras seis legendas até se filiar ao PC do B, partido do governador do Maranhão, Flávio Dino. Nas cidades menores, há Câmaras Municipais com pouca renovação nas últimas duas décadas. É o caso das cidades de Maravilha (MG) e Jataúba (PE), que reelegeram quatro vereadores em todas as eleições desde 2000. Na cidade mineira são nove vagas na Câmara, na pernambucana são 11. A Câmara que teve menor renovação, contudo, foi a de Wall Ferraz (PI): nada menos que cinco dos nove vereadores estão no cargo desde 2000, renovando os mandatos em quatro eleições seguidas.

Assumi o risco da rejeição a Bolsonaro – Líder da corrida à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) disse à Folha que já tinha precificado o ônus do apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à sua candidatura e indicou ter certeza de que disputará o segundo turno. O deputado federal e apresentador de TV, que tenta pela terceira vez o Executivo municipal, afirmou não se preocupar com os níveis de rejeição a ele e a seu padrinho. Ele disse descartar a hipótese de sofrer fritura do grupo do presidente, como aconteceu com outros aliados. O postulante, com 27% de intenções no Datafolha, está à frente do candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), com 21%. O índice dos que não votam de jeito nenhum no parlamentar subiu de 21% para 29%. Russomanno se recusou a responder sobre denúncias envolvendo o presidente, o cancelamento de debates entre os candidatos na TV e sua relação com a Igreja Universal, durante a entrevista feita na sexta-feira (16), em sua produtora de vídeo, na Barra Funda (zona oeste).

Luciano Huck: Não será possível crescer sem um plano de metas ambiental – Sigo achando que no espaço de uma geração não iremos produzir tênis mais baratos que a China, tampouco componentes eletrônicos mais competitivos que Taiwan. Mas sigo também acreditando que nenhum outro país no planeta tem o potencial natural que o nosso. Somos um país rico por natureza, e pobre por escolha. Assim sendo, já está mais do que na hora de entendermos que pensar verde, além de fazer bem para nossa consciência, fará ainda mais pelos nossos bolsos. Já cheguei a tratar deste tema em outro artigo aqui nesta Folha, mas o noticiário e a conjuntura exigem que o debate vá adiante. Minha curiosidade se divide entre os dois séculos e de tudo o que o mundo passou nestas últimas décadas. Acabo de ler o livro “Brasil, Paraíso Restaurável”, de Jorge Caldeira, Julia Marisa Sekula e Luana Schabib. Ele traz posições que permitem ampliar ainda mais o pensamento do futuro do Brasil como potência verde. Está claro que a bússola mudou depressa na virada do milênio.

Imóveis icônicos vão a leilão para reduzir dívida do governo – No hall dos elevadores do andar mais alto do edifício Joseph Gire, no centro do Rio de Janeiro, ainda é possível ver, meio apagada, a marca da Rádio Nacional, que tornou o prédio um dos marcos dos anos de ouro do rádio brasileiro. Atrás do que antes era um letreiro, estão o que restou de auditórios e estúdios que receberam artistas como Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Orlando Silva e Francisco Alves, sempre recebidos por hordas de fãs na porta do edifício. A outrora imponente construção, considerada o primeiro arranha-céu da América Latina quando foi inaugurada, em 1929, está fechada desde 2018 e hoje abriga apenas três funcionários responsáveis pela segurança e manutenção. Também conhecido como edifício “A Noite”, por ter abrigado o vespertino carioca em seus primeiros anos, ele será levado a leilão pelo governo federal, a um preço mínimo de R$ 90 milhões, como parte de um programa de venda de imóveis hoje sem uso pela administração pública. O programa, que já identificou 3,8 mil imóveis com valor estimado em R$ 30 bilhões, inclui a venda de outros edifícios marcantes em suas regiões, como o Edifício João Pessoa, considerado o primeiro arranha-céu da capital paraibana e também conhecido como “18 andares”. Em Brasília, entre apartamentos e casas funcionais, a Secretaria do Patrimônio da União incluiu na lista de vendas a antiga estação rodoferroviária, planejada pelo arquiteto Lúcio Costa para ser ferroviária e como parte do Plano Piloto da capital. Projetada por Oscar Niemeyer, ficou pronta em 1976 mas, por falta de demanda, passou a operar também como rodoviária em 1981. A estrutura de linhas retas deixou de ter uso como terminal de transportes em 2010, com a inauguração da nova rodoviária da capital, no centro do Plano Piloto, e passou a abrigar escritórios de órgãos públicos. O governo de Brasília projeta um novo bairro na região da rodoferroviária, que fica no extremo Oeste do Plano Piloto, o que pode valorizar o interesse pelo imóvel.

Senadores pressionam por proposta que limita em dez anos mandatos no STF – Na trilha da escolha do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), um grupo de congressistas pressiona para que seja posta em apreciação uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que limita em dez anos o mandato dos futuros integrantes da corte. A PEC também restringiria o poder de escolha do presidente da República para as vagas. Na quarta-feira (21), a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado vai sabatinar o juiz federal Kassio Nunes, 48, indicado por Jair Bolsonaro (sem partido) para a vaga de Celso de Mello. A proposta, de autoria do senador Lasier Martins (Podemos-RS), tramita na Casa desde 2015 e está pronta para ser apreciada pela CCJ. Depois disso, poderá ser levada para votação em plenário. Além de estabelecer limite de dez anos para o mandato, o projeto determina que a escolha dos novos integrantes da corte seja feita por meio de uma lista tríplice. Os escolhidos seriam apontados por um colegiado formado por presidentes de cortes superiores, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e PGR (Procuradoria-Geral da República). A escolha do chefe do Executivo se daria entre os nomes que compuserem a relação. Hoje, a Constituição determina que a definição cabe exclusivamente ao presidente da República.

Início de Fux indica STF com mais julgamentos criminais – A inclusão rápida dos casos de André do Rap e de Chico Rodrigues (DEM-RR) na agenda do Supremo aponta que a gestão de Luiz Fux reservará boa parte das sessões do plenário para julgamentos criminais, o que não era comum com Dias Toffoli. A decisão de tirar das turmas a análise de ações penais também vai reforçar esse movimento. Com os 11 ministros dedicados a julgar políticos com foro, com transmissão pública ao vivo, a tendência é de ter mais tensões entre o Supremo e o Congresso. O novo formato também vai deixar o Supremo de novo suscetível a pressões da população e das redes sociais, como deve ocorrer no caso de Rodrigues. Os ministros terão que julgar ainda no calor dos acontecimentos a polêmica decisão de Luís Roberto Barroso de afastar o parlamentar flagrado com dinheiro na cueca e entre as nádegas, depois de ampla repercussão. A análise do caso do senador deve expor, até mais do que no episódio do chefe do PCC, as divisões da corte. O julgamento envolve a discussão sobre a separação entre os Poderes e medidas ligadas ao combate à corrupção.

Rediscutir renúncia fiscal do Simples é ‘lamentável’ – O senador Jorginho Mello (PL-PR) tratou de atacar a proposta, feita por Rodrigo Maia (DEM-RJ), de rediscutir a renúncia fiscal do Simples como forma de abrir espaço no Orçamento.

Maia disse que o regime gasta R$ 80 bilhões e não se sabe se é eficiente na geração de empregos. “É lamentável ele ter falado uma bobagem dessas”, afirma o senador. “O governo dá bilhões em incentivos para grandes empresas, como para as fabricantes de motocicletas, que geram muito mais prejuízo ao SUS [em decorrência de acidentes] do que geram em benefícios”.

Deputados democratas alfinetam Bolsonaro – A Articulação dos Povos Indígenas (Apib) recebeu o prêmio Letelier-Moffitt de direitos humanos, concedido pelo Instituto de Estudos Políticos de Washington (EUA), em cerimônia virtual na quinta (15). Deputados do partido Democrata aproveitaram para alfinetar a política de Jair Bolsonaro, aliado de Trump. “Sob Bolsonaro, aumentaram os casos de violência contra indígenas, como invasões e exploração ilegal de recursos naturais nas reservas”, afirmou Raul Grijalva, deputado do Arizona, em discurso no evento. Ele lembrou a morte de líderes indígenas como Emyra Waiãpi e Paulo Paulino Guajajara em 2019.

Conheça os brasileiros que produzem (bons) vinhos em Portugal – Não é de hoje que os brasileiros atravessam o Atlântico para viver em Portugal. Com os produtores de vinho não é diferente: ótimos rótulos têm sido lançados por quem deixou a vida daqui para se debruçar sobre as uvas de lá. Na sétima edição do Vinhos de Portugal, que começa nesta sexta, três vinícolas são comandadas por brasileiros. A Kelman Wines, de Juliana Kelman, participa do evento desde a segunda edição. A ManzWine, de André Manz, e a Quinta Alta, de Fernanda Zuccaro, são estreantes. Os três participam do Salão de Degustação e também terão seus vinhos nas provas comandadas pelos críticos do evento realizado pelos jornais O GLOBO, Público e Valor Econômico. A mais nova moradora da Terrinha é a historiadora Fernanda Zuccaro. Antes de se fixar no Douro, ela viajou o mundo ao lado do marido por sete anos para conhecer vinícolas, experimentar uvas e escolher onde fincar o pé. Passaram pela Serra Catarinense, Chile, Argentina e Uruguai, mas foi em Portugal que encontraram o terroir para realizar seu sonho. A Quinta Alta fica na cidade de Peso da Régua e teve sua primeira leva de vinhos lançada em novembro do ano passado, os Qalt tinto, branco e rosé. Fernanda acompanha tudo, da poda de inverno ao carregamento das caixas, mas escolheu o enólogo Francisco Montenegro, com passagens pela Real Companhia Velha e Quinta Nova, para desenvolver os blends. Ela gosta de frisar que a Quinta Alta não é uma fábrica de bebidas alcoólicas, mas uma realizadora de sonhos, em que modernidade e tradição estão de mãos dadas para oferecer vinhos certificados, feitos a partir de uma execução que reúne perfeccionismo, criatividade e profissionalismo.

Justiça Eleitoral multa youtuber por ‘fake news’ – A 230ª Zona Eleitoral do Rio multou em R$ 5 mil o candidato a vereador Gabriel Monteiro por disseminar informações falsas na internet. Trata-se do ex-policial militar conhecido na internet por ser youtuber. Monteiro usou seu perfil no Twitter para atacar Ibis Pereira, coronel reformado da Polícia Militar do Rio e candidato a vice-prefeito na chapa de Renata Souza, do PSOL. Ibis foi defendido pelo escritório Flora, Matheus & Mangabeira. O juiz responsável pelo caso decidiu pela imediata retirada dos conteúdos postados por Monteiro, assim como a multa em dinheiro por considerar se tratar de uma conduta ilícita em meio a campanha eleitoral. O Twitter também foi punido, mas em função de outra questão. Dias atrás, uma liminar foi publicada ordenando a retirada dos conteúdos difamatórios contra Ibis Pereira. O Twitter, porém, demorou para cumprir a decisão.

Processos têm de ser analisados “pela ordem” – A representação contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Conselho de Ética do Senado, apresentada em fevereiro deste ano pelo PSOL, deve ser avaliada antes do caso envolvendo o parlamentar Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado nesta quarta-feira com dinheiro na cueca durante uma operação da Polícia Federal. A informação é do presidente do colegiado, Jayme Campos (DEM-MT), que defende a apreciação na ordem em que as petições foram apresentadas. — Tem que ser pela ordem, uai. Como é que entra uma representação ou uma denúncia contra um cidadão há três, quatro meses, e agora entra uma outra e já vai passar na frente? Tem que julgar na ordem cronológica – disse Jayme Campos ao GLOBO na noite desta sexta-feira. Apesar do entendimento de Campos, a tramitação de todos os processos no Conselho ainda pode demorar. O presidente do colegiado afirma que os trabalhos só serão retomados após a volta das sessões presenciais dos colegiados, paralisadas por causa da pandemia do novo coronavírus. Mesmo antes da emergência sanitária, no entanto, nenhum pedido de cassação de mandato foi apreciado.
— Há uma resolução da Mesa Diretora proibindo reunião presencial das comissões. Nesse caso particularmente (do senador Chico Rodrigues), vou encaminhar para a Advocacia do Senado, que vai emitir um parecer. Depois, temos um cronograma a seguir — justificou o presidente do Conselho de Ética.

Em cerimônia do Exército, Bolsonaro mira reeleição e critica Venezuela e Argentina – Durante cerimônia de entrega de espadins para mais de 600 cadetes do Exército na Academia das Agulhas Negras, em Resende, no sul do estado, o presidente Jair Bolsonaro citou em seu discurso o desejo de ser reeleito e, sem citar nominalmente os países, criticou a Venezuela e a Argentina. Ao receber do cerimonialista a palavra para discursar, na condição de presidente da República, Bolsonaro afirmou: – Faltam ainda três anos e meio pela frente (para a turma de cadetes concluir o curso). Peço a Deus para estar aqui em 2023 – disse Bolsonaro, projetando uma vitória na eleição de 2022. Em seguida, um mês após o Exército simular situação de guerra na Amazônia com a Venezuela, como revelou O GLOBO, Bolsonaro criticou indiretamente o país e a Argentina em discurso aos cadetes. – Hoje assistimos um país mais ao norte (Venezuela), onde as Forças Armadas resolveu (sic) enveredar por outro caminho. A liberdade, aquele povo, nosso irmão, perdeu. Mais ao sul, outro país (Argentina) parece querer enveredar pelo mesmo caminho. Peço a Deus que eu esteja errado, peço a Deus que salve nossos irmãos mais ao Sul – afirmou Bolsonaro. O presidente estava acompanhado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, do vice-presidente, Hamilton Mourão, do ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, além de deputados federais e do prefeito de Resende, Diogo Balieiro, candidato à reeleição.

Teoria de leilões é um prato cheio para o PPI – Para reaquecer a economia, o governo federal aposta em parcerias com a iniciativa privada. Por isso, tem uma ampla agenda de concessões e privatizações na gaveta que promete atrair bilhões de investimentos para o país. Especialistas dizem, no entanto, que não basta colocar os ativos à venda. É preciso oferecer confiança aos investidores e estruturar bem os leilões. A prova disso veio com o prêmio Nobel de Economia deste ano, que consagrou o trabalho de aperfeiçoamento da teoria dos leilões dos economistas americanos Paul Milgrom e Robert Wilson. A secretaria especial do PPI, Martha Seillier, chegou a dizer que o trabalho de inovação no desenho de leilões de Milgrom e Wilson representa um “prato cheio para o PPI”. Ao Correio, ela explica que o Nobel de Economia casa com “o momento intenso de estruturação de novas desestatizações pelo governo brasileiro”. Na agenda de concessões estão projetos com modelagens maduras, que precisam ser apenas “marginalmente melhorados a cada edital de licitação”, e ativos que nunca foram alvo de parcerias entre os setores público e privado. “O PPI já concluiu a realização de 184 projetos desde a sua criação, com expectativa de investimentos de R$ 709 bilhões. Neste momento, está estruturando outros 203 projetos que devem trazer ao país mais de R$ 600 bilhões de investimentos”, diz a secretária.

Sombra da corrupção incomoda Bolsonaro – Apesar do esforço do presidente Jair Bolsonaro para se descolar do escândalo envolvendo o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) — até recentemente, vice-líder do governo no Senado —, a imagem anticorrupção tão defendida desde a pré-campanha e que o elegeu a chefe do Executivo está cada vez mais arranhada. Rodrigues foi alvo de uma operação da Polícia Federal na última quarta-feira, em que agentes o flagraram com dinheiro escondido na cueca. No dia seguinte, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do senador do mandato por 90 dias — a decisão do magistrado será avaliada pelo plenário da Corte, na próxima quarta-feira. Com a repercussão, Bolsonaro destituiu Chico Rodrigues da vice-liderança e enfatizou que o parlamentar não faz parte do governo. Mas, além de colegas de Câmara por mais de duas décadas, a proximidade entre os dois era visível, também, pelo fato de o senador empregar como assessor em seu gabinete, desde abril de 2019, Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, primo de filhos do presidente. Ele pediu exoneração após o escândalo. Horas antes de ter o seu vice-líder flagrado pela PF, Bolsonaro chegou a dizer que daria uma “voadora” em quem praticasse atos ilegais no governo. Nas últimas semanas, em falas controversas, disse ter acabado com a Operação Lava-Jato, à qual mostrou apoio irrestrito no começo da gestão. Com a repercussão da declaração, Bolsonaro afirmou que a imprensa não entende figura de linguagem. E ressaltou que a Lava-Jato não funciona para o governo porque nele não há casos de corrupção, mas continuará funcionando para o país.

Maia é contra prorrogar benefício – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que “não existe” a possibilidade de prorrogação, por mais três meses, do estado de calamidade, decretado por causa da pandemia do novo coronavírus. Segundo o deputado, isso significaria prolongar, pelo mesmo período, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra, o que “seria uma sinalização muito ruim quanto à âncora fiscal”. A princípio, o estado de calamidade pública terminará no fim de dezembro de 2020. No Congresso, no entanto, há articulações para que ele abarque mais três meses, o que abriria espaço para que benefícios ligados à PEC de Guerra também durassem para além de 2020. Ao avaliar a questão, Maia lembrou que o orçamento primário brasileiro tem hoje “pouca gordura”, o que afeta a capacidade do governo de manter o auxílio emergencial — lançado durante a pandemia — por mais tempo. De acordo com o presidente da Câmara, há quem avalie ser possível “empurrar” mais o auxílio para o próximo ano, sem que haja problemas. Ele, no entanto, vê a questão de outra forma. “A estrutura criada para enfrentar a pandemia tem data para acabar, em dezembro de 2020”, disse ele, que participou de evento virtual da XP Investimentos. “Se houver mudança, vai afetar muito mais a vida dos brasileiros”, emendou. De acordo com Maia, se ocorrer a prorrogação do auxílio emergencial para além de 2020, o governo federal vai “pagar a conta com sua popularidade”. “Quando aprovamos a PEC da Guerra, contratamos o período para despesas extraordinárias. Isso está dado. A Câmara não vai votar a prorrogação do estado de calamidade, porque não vê necessidade”, reforçou.

“Não sou candidato à reeleição” – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou, ontem, mais uma vez, a possibilidade de disputar novamente o comando da Casa. “Não sou candidato à reeleição. Esse assunto está resolvido”, enfatizou. Tanto o mandato dele quanto o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vão se encerrar no início de 2021. Em tese, os dois não podem disputar a reeleição. Alcolumbre, no entanto, tem se movimentado para tentar um novo período à frente da Casa, sob o argumento de que há brechas na legislação que permitiriam um novo mandato.

O porta-voz da economia – A fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em defesa da não prorrogação do estado de calamidade, a fim de não comprometer ainda mais as contas públicas, vai exatamente no sentido do que pensa a equipe econômica do governo. A turma de Paulo Guedes sabe muito bem que vem por aí uma disputa entre as áreas política e econômica. A primeira, de olho na popularidade, quer manter o auxílio emergencial de R$ 300, sem cortar programas. A segunda tem certeza de que não dá para fazer este omelete sem quebrar os ovos. De todas as disputas que o Congresso terá até o fim do ano, essa é a de maior importância. E a defesa de Maia da não prorrogação significa que as pazes entre ele e Guedes foram para valer. Falta combinar com o Centrão.

Abertura de novas empresas dispara durante pandemia – A abertura de novas empresas, em especial os chamados MEIs, de microempreendedores individuais, deu um salto maior durante a pandemia do coronavírus. Pessoas que perderam o emprego ou tiveram salários reduzidos viram na criação de um negócio próprio a alternativa para obter renda extra. Com a redução ou o fim do pagamento da ajuda emergencial do governo, é possível que esse movimento siga em crescimento. Dados do Mapa de Empresas, do Ministério da Economia, mostram que no segundo quadrimestre houve um saldo de 782,6 mil novas empresas, resultado da abertura de 1,114 milhão de CNPJs e de baixas de 331,5 mil. O número de aberturas, a maioria MEI, é o maior para o período desde 2010 e 2% superior ao do ano passado. Já o encerramento de atividades é o menor em quatro anos e, também 17% abaixo do verificado no mesmo período de 2019.

Grupos de renovação têm 1,4 mil candidatos – Nas eleições deste ano, todos os 27 partidos com representação no Congresso terão candidatos formados ou associados a movimentos de renovação política. O Estadão identificou em 29 das 33 siglas brasileiras candidaturas ligadas a grupos como RenovaBR, Rede de Ação Política Pela Sustentabilidade (Raps), Agora, Livres e Acredito, uma disseminação que expõe um crescimento do poder de influência dessas iniciativas na política nacional. São candidatos que apostam mais na chancela dos movimentos do que na dos partidos aos quais estão filiados, e que têm tratado a preparação recebida fora das legendas como principal diferencial para conquistar o voto do eleitor. As marcas dos grupos de renovação estão espalhadas por candidatos a prefeito e vereador por todo o País e não só nas capitais. Em Xexéu, município de cerca de 40 mil habitantes a 140 km do Recife (PE), João Victor Silva é candidato a vereador pelo PSC. Aos 21 anos, o técnico de informática participa da disputa eleitoral já influenciado por movimentos. Há dois anos ele frequenta as organizações e hoje está associado ao Livres, ao Acredito e ao RenovaBR. “Tive capacitação nos movimentos e participei de processos seletivos para ver quem iria representá-los nas eleições. Ao contrário dos partidos políticos, onde pode entrar qualquer pessoa, independentemente se faz boas práticas na política ou não”, afirmou Silva. Com 1.032 ex-alunos candidatos a prefeito e vereador em 398 cidades, o RenovaBR é o grupo que mais terá representantes nas urnas no mês que vem. É um crescimento de 800% em relação aos 117 candidatos que levaram a marca da iniciativa para o pleito de 2018.

Vereador de SP tem a campanha para mais cara do País – Até o momento, Milton Leite (DEM), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e um dos principais aliados da gestão Bruno Covas (PSDB), é o dono da campanha para vereador mais cara do País, superando orçamentos até de candidatos a prefeito das capitais. Ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receita de R$ 2,4 milhões, dos quais R$ 1,9 milhão é do Fundo Eleitoral. No momento em que o desemprego bate a casa dos 14%, Leite usa parte do dinheiro para contratar apoiadores, distribuindo cerca de 500 empregos de ajudantes e divulgadores de campanha nos bairros de Campo Limpo, Parelheiros e Capela do Socorro, as regiões da zona sul onde ele tem sua base, com salários entre R$ 800 e R$ 2,2 mil. A atenção a esses bairros é um dos motivos que fizeram do vereador um dos políticos mais poderosos da cidade, segundo vereadores e auxiliares de Covas. Leite tem mapeado todos os equipamentos públicos instalados nessas regiões, e procura secretários e dirigentes municipais para indicar aliados para postos-chave nesses locais.

André do Rap e as feridas abertas do STF – O julgamento do caso André do Rap no Supremo Tribunal Federal cutucou velhas feridas e abriu outras de difícil cicatrização. Para além do placar acachapante pela manutenção da ordem de prisão do traficante (9 a 1), o que mais doeu em Marco Aurélio Mello, segundo quem conhece o ministro, foram a forma e o conteúdo das falas de alguns de seus colegas em plenário. Em linhas gerais, “discursos” duros, que “fulanizaram” o caso concreto da fuga do traficante e se desviaram da “tecnicidade jurídica” em questão, o artigo 316 do Código Penal. O voto mais simbólico foi o de Luiz Fux. “No caso específico, representaria autofagia não defender a imagem da Corte.” Há o entendimento de que o presidente do STF tinha meios de derrubar a decisão de Marco Aurélio sem expor tanto o colega e a Corte. Quem também pegou pesado foi Alexandre de Moraes: André do Rap é um criminoso “de altíssima periculosidade”, um “escárnio à polícia e à Justiça”. A percepção na Corte é de que Fux e alguns de seus pares deixaram Marco Aurélio, o decano do STF com a aposentadoria de Celso de Mello, completamente na “chuva”.

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