Resumo dos jornais de domingo (17/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (17/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Governo Bolsonaro ignorou alertas de caos em Manaus

CORREIO BRAZILIENSE: Manaus respira com ajuda de rede solidária

O ESTADO DE S.PAULO: País perdeu em média 17 fábricas por dia nos últimos seis anos

O GLOBO: País perdeu uma multinacional a cada três meses desde 2018

Resumo de manchetes

As manchetes da Folha e Correio tratam da crise gerada pela covid-19 em Manaus. A Folha revela que “o ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, foi avisado sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa que fornece o produto e até mesmo por uma cunhada sua que tinha um familiar “sem oxigênio para passar o dia”. Pazuello também foi informado sobre problemas logísticos nas remessas. Os avisos foram dados pelo menos quatro dias antes do absoluto colapso dos hospitais da cidade que atendem pacientes com Covid-19, inclusive um hospital universitário federal, o Getúlio Vargas. Ainda assim, e mesmo estando na capital do Amazonas nos três dias que antecederam o colapso, o ministro não tomou as providências necessárias para garantir o fornecimento de oxigênio”. Já, o Correio aborda que Manaus respira graças a rede se solidariedade que une artistas, empresários e celebridades do país, que estão doando oxigênio para rede hospitalar. O cantor Gustavo Lima, por exemplo, doou 150 cilindros de oxigênio que chegaram a Manaus em um Boeing fretado pelo artista. As manchetes do Estadão e Globo trazem manchetes econômicas sobre a crise no setor industrial do país. O paulista mostra que o país perdeu entre 2015 e 2020 um total de 36.6 mil unidades industriais. Já o carioca, alerta que “marcada pelo caos tributário, baixa produtividade, instabilidade política, estagnação e a pandemia, a economia nacional vem perdendo rapidamente competividade. Nos últimos três anos, assim como a Ford, aos menos outras 15 multinacionais encerraram, atividades no país devido ao chamado Custo Brasil. A indústria sofre particularmente. Em 2020, sua participação no PIB, que já chegou a 25%, ficou abaixo de 10% pela primeira vez desde 1947”.

Notícia do dia – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recusou os documentos relacionados ao pedido de uso emergencial da vacina Sputnik V contra a Covid-19. A solicitação do laboratório União Química não apresentou os requisitos mínimos para submissão da agência, segundo nota divulgada neste sábado (16) pelo órgão. O pedido foi devolvido à empresa por não atender, segundo a Anvisa, os critérios mínimos, especialmente pela falta de autorização para a condução dos ensaios clínicos fase 3, a condução em andamento no país e questões relativas às boas práticas de fabricação, diz a nota. O pedido de uso emergencial da vacina russa havia sido protocolado na sexta-feira (15). A vacina russa Sputinik V foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou e foi registrada no Paraguai, para uso emergencial, nesta sexta-feira (15). O imunizante é utilizado para combater a covid-19 em outros três países da América do Sul: Argentina, Bolívia e Venezuela. Na Argentina, 99,3% das reações atribuídas à Sputnik V foram leves ou moderadas. Os cidadãos argentinos começaram a ser imunizados em dezembro.

Principais notícias da primeira página

País só terá doses em janeiro para 30% do previsto na 1ª fase – Caso a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dê aval neste domingo (17) para as primeiras vacinas contra a Covid-19 no Brasil, o país pode ter doses em janeiro para apenas 30% do público previsto na primeira fase do plano nacional de vacinação. Até então, essa fase, a primeira entre os prioritários, era planejada para ocorrer com trabalhadores de saúde, idosos acima de 75 anos ou asilados, população indígena e povos ribeirinhos, que somam 14,8 milhões de pessoas. As vacinas submetidas à análise da Anvisa neste domingo, no entanto, devem atingir apenas 5 milhões de pessoas caso tanto os pedidos da Fiocruz e Butantan sejam aprovados, segundo cálculo inicial da Saúde apresentado em reunião com prefeitos.

Índia começa a vacinação – A Índia começou, neste sábado (16), a maior campanha de vacinação contra a Covid-19 do planeta —uma tarefa colossal e complexa em um contexto de medo sobre a segurança da vacina, infraestrutura instável e ceticismo público. O segundo país mais populoso do mundo espera vacinar 300 milhões dos 1,3 bilhão de habitantes até julho, um número quase igual ao de toda a população dos Estados Unidos. “Fiquei tão feliz ao ver meu nome na lista”, disse à AFP Mohan Ganpat Nikam, 53, segurança em um hospital de Mumbai, a capital econômica do país. Profissionais da saúde, maiores de 50 anos e as pessoas consideradas de alto risco são os grupos prioritários para receber duas vacinas aprovadas: a da Universidade de Oxford/AstraZeneca e a da farmacêutica indiana Bharat Biotech, cuja eficácia não é conhecida. Ambas são produzidas na Índia.

Decisão da Anvisa ao vivo pela TV – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decide neste domingo (17) o futuro das vacinas no Brasil. Cinco diretores da agência vão dizer, durante reunião transmitida pela primeira vez ao vivo, se darão sinal verde a duas vacinas que aguardam aval para uso emergencial no país: a Coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que será produzida no Brasil pela Fiocruz.

Presidente pode minar base ao entrar em disputa no Congresso – Ao entrar de vez na campanha de seus candidatos às presidências da Câmara e do Senado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se desgasta com partidos que, nos dois primeiros anos de governo, votaram junto com o Palácio do Planalto. Por causa dessa atuação, líderes partidários avaliam que, mesmo com a vitória de seus apadrinhados, o presidente terá dificuldade para emplacar pautas bolsonaristas, promessas de campanha e parte da agenda econômica. Bolsonaro tem feito apelos diretos a bancadas em favor de Arthur Lira (PP-AL), candidato do governo a comandar a Câmara, e também já declarou apoio ao senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que concorre à presidência da Casa. Os principais adversários deles são do MDB: o deputado Baleia Rossi (SP), que é presidente do partido, e a senadora Simone Tebet (MS). O MDB foi uma das siglas que mais votaram com Bolsonaro na primeira metade do mandato, embora não tenha integrado a base do governo. O mesmo acontece com a ala de centro do bloco de apoio a Baleia na Câmara: DEM, PSDB e Cidadania.

Trump sai e deixa rastro de confusão e pendências – A Presidência mais conturbada dos EUA em décadas chega ao fim ao meio-dia (14h de Brasília) da próxima quarta-feira (20). Mas Donald Trump seguirá tentando chamar a atenção para se manter em destaque na política americana, na direção contrária do que fizeram outros ex-presidentes do país. Trump foi um dos líderes mais agressivos —e talvez o mais antidemocrático— a ocupar a Casa Branca. Ele, que sempre buscou o confronto em vez da conciliação, estava perto de entregar um país já dividido e duramente atingido pela pandemia. Mas seu legado ganhou uma mancha ainda maior em seus últimos dias no cargo, ao estimular uma insurreição contra o Congresso. Como resultado, Trump foi banido de redes sociais e teve o segundo processo de impeachment aprovado na Câmara dos Deputados —agora, com o apoio de dez republicanos, um sinal de que o partido está rachado. Por outro lado, 197 correligionários votaram contra a ação, e muitos deles fizeram discursos fervorosos em defesa do presidente. A decisão sobre afastá-lo e, mais importante, fazer com que perca direitos políticos, tirando a possibilidade de que concorra outra vez à Presidência, caberá, mais do que ao Senado, ao Partido Republicano. É preciso de 67 votos para condenar Trump, e os democratas terão apenas 50 quando o processo for julgado na Casa. “A principal questão é saber como o Partido Republicano resolverá suas disputas internas. Se o establishment vai se impor, ou se a legenda continuará dependente do trumpismo”, avalia Sérgio Amaral, ex-embaixador do Brasil em Washington (2016-2019) e pesquisador do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).

Morte de Rubens Paiva faz 50 anos sem ter punição – Um dos mais conhecidos crimes da ditadura militar, o assassinato do ex-deputado Rubens Paiva por agentes do regime completa 50 anos nesta semana com a Justiça ainda discutindo se há a possibilidade de punir acusados envolvidos. O STF (Supremo Tribunal Federal) travou em 2014 a tramitação de ação penal aberta na Justiça Federal no Rio naquele ano contra cinco pessoas por entender que havia violação à Lei da Anistia, que veda sanções a acusados de crimes políticos durante o regime. Em 20 de janeiro de 1971, Paiva, engenheiro e parlamentar que tinha sido cassado após o golpe de 1964, teve a sua casa no Rio invadida, foi levado a uma unidade militar para depoimento e desapareceu. Documentos do Exército atestam sua entrada no DOI (Destacamento de Operações de Informações), e até seu carro chegou a ser devolvido à família semanas depois. Testemunhas o viram ferido e agonizando no local. Depoimentos e apurações da Comissão Nacional da Verdade, criada em 2012 para apurar crimes do regime, e do Ministério Público Federal apontam que os militares montaram uma farsa para encobrir o assassinato sob tortura e a ocultação do corpo, ocorrida provavelmente no dia seguinte. O Exército à época divulgou que guerrilheiros interceptaram uma viatura na qual Paiva era transportado para reconhecer uma casa onde poderia estar um foragido e que, nesse confronto, ele havia fugido. Essa versão, nunca aceita pela família, incluiu até a simulação de tiroteio em uma estrada na zona oeste do Rio onde o automóvel ficou metralhado e incendiado.

Chegou a hora do Enem – A chance de ingressar em uma instituição pública de ensino superior por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 está cada vez mais próxima. Apesar das incertezas que cercam a prova, adiada devido à pandemia da covid-19, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) confirma a aplicação, exceto no Amazonas, onde houve suspensão após decisão judicial na quinta-feira. “Por mim, quero fazer logo a prova para me livrar, mas estou fazendo na insegurança”, diz a estudante Izabella Marques, 25 anos, um dos 5,6 milhões de inscritos no exame impresso. Além de lidar com a ansiedade da aplicação, os candidatos terão de se prevenir. “O ideal seria esperar ainda mais, porque a gente está vindo de um pico da pandemia. Mas, sem vacinação, vai adiar para quando?”, indaga Izabella. Em razão da pandemia do novo coronavírus, o exame, que aconteceria em novembro, foi adiado para este fim de semana. A medida também foi defendida à época em função das dificuldades para que os candidatos conseguissem estudar: no ano passado, quem tinha melhor acesso à internet, teria mais chances, fator que evidenciou a desigualdade entre estudantes de escolas particulares e públicas.

Nota de quem erra uma questão no Enem varia até 92 pontos – A nota do Enem, que começa a ser aplicado neste domingo (17), é considerada por muitos estudantes uma caixa preta: a quantidade de acertos não é suficiente para definir a pontuação dos participantes. O desempenho final depende de quais questões foram anotadas corretamente. Análise do Deltafolha mostra que candidatos com o mesmo número de acertos podem ter notas com centenas de pontos de diferença, fazendo com que participantes com menos acertos recebam notas maiores. Mas quanto mais questões se acerta, menor é a variação possível de notas a cada área da prova.

Só a vacinação em massa fará a economia crescer – O secretário da Fazenda e do Planejamento do governo do estado de São Paulo, Henrique Meirelles, não vê uma saída fácil da crise provocada pela pandemia da covid-19 sem uma vacinação em massa. O consenso entre economistas é que, sem a imunização da população, não será possível uma retomada da economia de forma mais consistente. E, nesse cenário da segunda onda lotando as UTIs dos hospitais brasileiros, e fazendo estragos pelo mundo, a melhor política social que existe, no entender de Meirelles, é a criação de emprego, que será consequência da implementação, de fato, de uma agenda liberal. “A melhor política social que existe a longo prazo é a criação de empregos”, afirma o ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer (MDB) e ex-presidente do Banco Central do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, a economia liberal é o caminho para o crescimento e a criação de empregos, mas, durante o processo de transição, haverá a necessidade de medidas assistenciais e, portanto, um programa que garanta renda mínima aos mais vulneráveis “é fundamental” e exigirá um senso de realismo. Meirelles recorda que a economia brasileira estava bem encaminhada no fim do governo Temer, após a recessão histórica de 2015 e 2016, mas o receituário proposto na Ponte para o Futuro, que ele ajudou a elaborar e a executar, ficou de lado, em parte, devido à pandemia. Na avaliação do ex-ministro, a queda do auxílio emergencial, somada à segunda onda, pode levar, de fato, a uma complicação da retomada do crescimento de 2021. Segundo ele, o estado de São Paulo, neste ano, deverá crescer 5%, enquanto, pelas estimativas mais otimistas, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá registrar expansão de 3,5% a 4%. O governo prevê expansão de 3,2% neste ano. Qualquer retomada rápida da economia, “com curva em V”, na avaliação do ex-ministro, só ocorrerá quando a vacinação for bem-sucedida. E, para a economia deslanchar, o problema fiscal precisa ser solucionado, pois ele foi agravado pelo aumento dos gastos emergenciais. “Como sempre na economia, não há almoço grátis”, afirma. Ele lembra que o país sairá dessa crise com uma dívida pública “elevadíssima, acima de 90% do PIB, caminhando para 100%, o que é um patamar insustentável para economias de países emergentes como é o caso do Brasil”.

“Não vejo adversário para o Bolsonaro” – O vice-presidente Hamilton Mourão é um leitor voraz. Aos 67 anos, recuperado de covid19, o general está lendo nove livros, entre eles Capitalismo na América, de Alan Greenspan e Adrian Wooldridge, que conta a história do desenvolvimento dos Estados Unidos. Ele não acha que o presidente Jair Bolsonaro terá o mesmo destino de Donald Trump, que, a poucos dias de deixar a Casa Branca, viu um segundo impeachment aprovado pela Câmara. “Não vejo hoje que haja condição de prosperar qualquer pedido de impeachment contra o presidente Bolsonaro”, disse ele ao Estadão. “Aqui no Brasil qualquer coisa é impeachment, né? Deixa o cara governar, pô!” Apesar do colapso no sistema de saúde em Manaus e do atraso na vacinação, Mourão avaliou que a condução da crise “talvez” tenha pecado por falta de comunicação e criticou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que, para ele, acabou “metendo os pés pelas mãos” no caso da Coronavac. Filiado ao PRTB, o general defendeu a aliança do Planalto com partidos carimbados por Bolsonaro como “velha política”, na campanha de 2018. “Não tem como fugir do Centrão.”

Rede de notícias falsas chantageava políticos do Rio – Uma rede de notícias falsas nas redes sociais tem sido usada há pelo menos três anos para atacar prefeitos, deputados, vereadores e candidatos que se recusaram a pagar mensalmente a uma empresa de marketing político. Os Documentos de Investigação, obtidos pelo GLOBO, revelam a existência de um conjunto de 25 páginas — apresentadas como jornalísticas — e mais de 60 perfis inautênticos. O esquema de replicação era capaz de atingir 700.000 usuários, de acordo com dados do CrowdTangle, a ferramenta de análise de dados do Facebook. Algumas das páginas e perfis continuam no ar até hoje. Políticos de 12 cidades do Estado do Rio foram alvos do grupo liderado pelo empresário Igor Patrick De Souza, que foi preso no final do ano passado e está foragido — ele é acusado em um caso que ocorre no Tribunal de Justiça do Estado, derivado da Operação Usuário Falso, do Ministério Público do Rio (MP-RJ) e da Polícia Civil. Souza abordou as vítimas e, caso não concordassem em assinar os contratos, iniciava as campanhas de difamação. Na outra ponta, também oferecia os serviços de “remoção negativa de conteúdo” das redes sociais. Os custos variaram de R$ 2 2.100 a R$ 8 8 mil. Na tentativa de parecer crível, a emissora tem gerenciado páginas com nomes semelhantes aos utilizados na imprensa profissional: “Caxias TV”, “Folha de Saracuruna” e “Informe Cabo Frio”, por exemplo. Para mascarar a recorrência de ataques, a estratégia utilizada era alternar publicações com notícias diárias das cidades onde o programa estava funcionando.

Atraso em insumo da China pode adiar vacina da Fiocruz – Problemas burocráticos na China impedem o envio da IFA, o insumo que a Fiocruz importará para produzir a vacina AstraZeneca/Oxford. O primeiro carregamento, que deveria chegar na próxima semana, ainda não foi liberado. Há um atraso ainda maior, ainda mais grave, no calendário nacional de imunização, já que o envio de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para produção de doses de vacina AstraZeneca/Oxford à Fiocruz ainda não foi publicado pelas autoridades chinesas. O primeiro carregamento deveria chegar na próxima semana, mas problemas burocráticos impedem a liberação. O Brasil já cobra a sede da AstraZeneca na Inglaterra, caso essa documentação não seja publicada pela China a tempo de chegar aqui ainda este mês, como esperado, já que o embarque é realizado por outros países. A matriz tem o compromisso contratual de entregar a IFA de outro local, ou a vacina pronta. A multa sob o contrato não é em dinheiro, mas em vacinas. Como a vacinação está em dificuldade em vários países, não é certo que a farmacêutica tenha doses adicionais para o Brasil.

Outros destaques

Governo da Bahia busca STF para liberar vacina russa – O governo da Bahia submeteu ao STF neste sábado (16) um pedido liminar de autorização para importação e registro emergencial da vacina russa Sputnik V. Já prevendo a possibilidade de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recusar os documentos relacionados ao pedido de uso emergencial da vacina russa contra a Covid-19, o que de fato aconteceu na noite deste sábado (16), a gestão Rui Costa (PT) recorreu ao Supremo Tribunal Federal para conseguir a liberação. “Lamentavelmente a Anvisa persiste na postura inflexível diante da calamidade pública que o Brasil enfrenta, o que a enfraquece e diminui. Esperamos que os tribunais superiores do país possam estar mais conectados com a realidade e dar uma resposta urgente à nossa sociedade”, diz Fábio Vilas-Boas, secretário de Saúde da Bahia.

Publicação enganosa – O Twitter afirma que uma publicação do perfil oficial do Ministério da Saúde violou regras sobre “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19”. O alerta da plataforma foi feito sobre texto publicado na terça-feira (12) que trata do “atendimento precoce”, que, no vocabulário do governo federal, significa o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra pandemia, como a hidroxicloroquina.

“Sai o ‘eu’ e entra o ‘nós” – Responsável por construir uma base para o governo do presidente Jair Bolsonaro ainda em 2019 na Câmara dos Deputados, o líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), chega com um certo favoritismo na corrida pela sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Casa. Primeiro nome oficializado na disputa, Lira apostou na sua relação com os diversos parlamentares de vários partidários para tentar formar maioria na campanha. Apesar da proximidade com o Palácio do Planalto, Lira afirma que seu compromisso é com o Parlamento. Em entrevista ao Correio Braziliense, o candidato à presidência da Câmara fez críticas à forma como Maia optou por conduzir os trabalhos e afirmou que acredita nas urnas eletrônicas, mesmo com o desejo do presidente Jair Bolsonaro em pautar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabeleceria o voto impresso no Brasil.

Pandemia e toma-lá-dá-cá, os desafios de Arthur Lira – A campanha do deputado Arthur Lira (PP-AL) à Presidência da Câmara começa a enfrentar problemas. Na seara do toma-lá-dá-cá, cresce a revolta do baixo clero. Na ideológica, entrou a pandemia. No quesito “o que Maria leva”, deputados começam a reclamar de um dos coordenadores da campanha, Domingos Neto (PSD-CE), ex-relator-geral do Orçamento. Um grupo esperava receber emendas extras, mas acredita que o relator-geral foi na linha do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Para o Ceará, algo em torno de R$ 400 milhões, sendo R$ 157 milhões para a cidade administrada pela mãe do deputado. E, nesse momento de necessidades vitais para a área de saúde, não há muito o que fazer para atender aos deputados insatisfeitos, no quesito restos a pagar. Para completar, os tropeços mais recentes do presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia não ajudam Arthur Lira. Nas últimas reuniões, como a que houve com a bancada paulista, o governador João Dória (PSDB), por exemplo, aproveitou para dizer que a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à Presidência da Câmara é um seguro contra o negacionismo, que toma conta do governo e de seus aliados. Aliás, vale lembrar, os aliados de Bolsonaro chegaram ao disparate de gravar um vídeo defendendo o tratamento precoce e tirando máscaras, nesse momento em que os pacientes lotam os hospitais, ao ponto de o país viver a tragédia da falta de oxigênio em Manaus.

Razão & sensibilidade – Ao anunciar que está com tudo pronto para começar a imunização contra a covid-19, nesta segunda-feira, o governo paulista tem um bom argumento político e justo para que o Instituto Butantan já entregue ao estado a cota das doses da vacina destinada ao uso emergencial entre os profissionais da área de saúde que atuam por lá. Afinal, não se justifica que quem já está com tudo pronto pague por quem não se preparou com antecedência para a chegada do dia D e da hora H. A turma que entende de logística diz que não faz sentido entregar as vacinas de São Paulo ao Ministério da Saúde para que, depois, o governo federal repasse ao estado, uma vez que a situação é de emergência e fica muito mais econômica a entrega direta pelo Instituto Butantan às autoridades paulistas. Se houver qualquer ordem da Saúde nesse sentido, será de cunho político, para evitar que São Paulo comece a vacinação amanhã.

Huawei contrata Michel Temer – A Huawei aplicou um golpe de mestre na falsa guerra para não excluir do leilão da tecnologia 5G no Brasil: contratou nada menos que Michel Temer para fazer seu lobby. Habilidoso, Temer construiu uma excelente relação com Jair Bolsonaro desde o ano passado.

Vexame – Secretários de Saúde dizem ter chegado ao limite a paciência com o ministro Eduardo Pazuello e o governo Jair Bolsonaro. Alguns falam que o único caminho daqui para frente é um pedido de impeachment do presidente. Eles não receberam nenhuma comunicação sobre o cancelamento da ida do avião brasileiro à Índia, ficaram sabendo pelos jornais. Tampouco foram avisados sobre mudança no calendário de vacinação. Classificam o episódio como um vexame e um fracasso nacional. Gestores estaduais afirmam que o governo e o ministério estão completamente perdidos e que a próxima semana será decisiva no aspecto político. Eles aguardam reuniões na segunda-feira (18) para definir qual tom vão adotar publicamente. Além do fracasso do voo para a Índia, os secretários citam como absurda a postura do governo em relação à Coronavac nesta sexta-feira (15). O Ministério da Saúde solicitou a entrega imediata de 6 milhões de doses da vacina por meio de um ofício, e assinado por um dirigente do quarto escalão. Pazuello não fez uma ligação sequer.

Após marcar publicação de Bolsonaro como enganosa, Twitter faz o mesmo com Carla Zambelli – O Twitter colocou um aviso em publicação da deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) alertando para “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19”. Ela compartilhou vídeo em que o jornalista Alexandre Garcia fala a respeito de estudo que teve como objeto o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus e que compõem o chamado “tratamento precoce”. Essa abordagem, tal como compreendida e recomendada pelo Ministério da Saúde, é refutada por estudos científicas de instituições renomadas, que concluíram que cloroquina e ivermectina não têm efeito contra a Covid-19. Zambelli ainda escreveu um texto que diz que o “The American Journal of Medicine”, revista que publicou o artigo mencionado por Garcia no vídeo, “traz em sua primeira edição de 2021 um estudo que comprova a eficácia do tratamento precoce na evolução da Covid-19”. Nos últimos dias, o Twitter sinalizou publicação de mesmo teor do presidente Jair Bolsonaro, que também continha o vídeo com a participação de Alexandre Garcia.

Apoiadores de Bolsonaro convocam caravanas – Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) inicialmente unidos para levantar bandeiras de direita e a favor do voto impresso decidiram ampliar a pauta de reivindicações e agora pedem a eleição de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos Deputados. Espalhados pelo Brasil, diversos integrantes de movimentos de direita se preparam para fazer caravanas em direção a Brasília no dia 1º de fevereiro para apoiar o candidato de Bolsonaro e já tentar sensibilizá-lo para que discuta o sistema eleitoral. Apontado como organizador dos atos, o pastor evangélico Marlan Gustavo diz que há caravanas de 25 cidades programadas para ir à capital federal na data da eleição no Congresso. A previsão dele é que mais de 2.000 pessoas viajem a Brasília. Os atos, afirma, são “pacíficos e superpatrióticos”. “A gente quer a eleição do Lira porque não é o presidente da Câmara que pauta os assuntos? Então, não adianta nada o Brasil querer o voto impresso e ter um presidente que não paute o assunto. E a gente tem só um ano para isso”, diz Marlan, que é coordenador do movimento Deus, Pátria e Família.

O STF no horizonte da vacinação no Brasil – Começaram mal as tratativas entre o Ministério da Saúde e o governo de São Paulo para o início da vacinação contra a covid-19 no País com a Coronavac. A cobrança federal, sem aviso prévio, ao Instituto Butantã pela entrega imediata de 6 milhões de doses foi interpretada como um gesto de autoritarismo. Segundo um auxiliar de João Doria, o governador acha que Jair Bolsonaro trata o Estado como “quintal” para depositar entulho autoritário. É cada vez maior a chance de o Supremo ser, de novo, acionado por São Paulo em algum momento da disputa. Claro, tudo ainda depende da Anvisa, mas no próprio Supremo a leitura é de que o imbróglio em torno das doses deve mesmo ser resolvido pela Corte. O governo paulista pode acionar o STF para garantir que as doses não sejam confiscadas pela Saúde. O relator das ações sobre o tema na Corte é Ricardo Lewandowski. João Doria (PSDB) fez o mesmo na semana passada, quando o Ministério da Saúde sinalizou que poderia confiscar seringas dos Estados. Teve decisão favorável de Lewandowski e a Saúde recuou. No entendimento de interlocutores do ministro, só será possível entender se o caso da Coronavac configura um “confisco” olhando o contrato firmado entre os Estados e o governo federal. Como foi acordada a compra? O pagamento? A entrega das doses? Questões básicas que precisam ser respondidas. O tom nos bastidores da relação entre São Paulo e o governo federal, porém, ainda está abaixo do mostrado publicamente por Jair Bolsonaro e João Doria na sexta-feira. “O desespero de Bolsonaro atacando João Doria em programa televisivo, além de ser lamentável para um presidente da República, evidencia o seu avançado estágio de delírio político e demonstra sua criatividade na criação de narrativas fantasiosas”, afirma Marco Vinholi, secretário estadual de São Paulo. Cresce a cada dia a impressão entre políticos de que Bolsonaro habita.

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