Resumo dos jornais de domingo (16/02/20)  | Claudio Tognolli
Resumo dos jornais de domingo (16/02/20) 
Editado por Chico Bruno
Manchetes 
FOLHA DE S.PAULO: Sob Bolsonaro, crime cai e emprego cresce, mas área social piora
O primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro registrou piora em áreas como assistência social, saúde, educação e meio ambiente. Houve equilíbrio nos números da economia e melhora nas estatísticas da criminalidade e do emprego – com a ressalva, nesse último caso, de que o tímido avanço foi acompanhado da expansão da informalidade. A Folha analisou de 104 indicadores de diversos setores em 2019. Destes, 58 tiveram resultados piores do que no ano anterior, 41 mostraram avanços e 5 ficaram estáveis. Na lista de retrocessos figuram a volta da lista de espera do Bolsa Família, os atrasos de pedidos de aposentadoria no INSS e o desmatamento na Amazônia que aumentou 29,5%. Uma das bandeiras da campanha bolsonarista, a segurança pública melhorou no ano passado, com queda de 22% nos homicídios dolosos e latrocínios entre outros delitos. O combate à criminalidade é atribuição majoritária dos estados, mas a União afirma que ações como isolar líderes de facções ajudaram no quadro.
CORREIO BRAZILIENSE: Reajuste para Segurança ganha força no Congresso
Projeto de recomposição das polícias Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros, depende de proposta que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020, que será analisada depois do carnaval. Representantes das três forças estão confiantes de que a promessa do governador Ibaneis Rocha (MDB) seja aprovada no Legislativo.
O ESTADO DE S.PAULO: Herdeiros do agronegócio aliam tradição a avanço tecnológico
Uma nova geração de empresários do campo começa a ganhar voz no setor que responde por um quinto do PIB nacional. Além de perpetuar o legado de pais e avós, esse grupo de herdeiros tem a missão de aliar a tradição à realidade tecnológica. A maioria se preparou nas melhores universidades do País e traz na bagagem também experiências no exterior. São profissionais como Bento Mineiro, de 29 anos. Filho único de um dos principais pecuaristas paulistas, ele foi o primeiro convidado a fazer parte da ala jovem da centenária Sociedade Rural Brasileira. De olho no filão, bancos como o Rabobank têm intensificado consultorias a famílias com o objetivo de profissionalizar a sucessão no campo. Coordenadora da área de agronegócio do banco holandês, Fabiana Alves estima que haja cerca de 4 mil famílias nesse espectro, todas com faturamento anual acima de R$ 10 milhões.
O GLOBO: Uma festa com receita de R$ 2,6 bi
O Rio já pode comemorar um carnaval de receitas gordas: estudo projeta uma arrecadação acima de R$ 2,6 bi, um terço do que deve ser faturado em todo o país. Serão mais de 8,5 mil empregos temporários na folia. Já a celebração dos 50 anos da Velha Guarda da Portela, uma das mais tradicionais entre as escolas de samba cariocas, tem pouco espaço na festa. O grupo, guardião de joias de compositores como Candeia e Manacéa, fará só um show no carnaval, no camarote da Portela na Sapucaí.
Destaques do dia
Doméstica diz que fez milagre para juntar R$ 25 mil e levar filha à Disney – No dia 7 de julho de 2017, a empregada doméstica Sidineia de Souza Gasque, 46, embarcou com a filha rumo à Disney. Era o aniversário de Ingrid, estudante dedicada, que completava 15 anos. E, ainda que o dólar superasse R$ 3 à época, a viagem de dez dias aos Estados Unidos seria mais barata que uma comemoração no único salão de festas de Pirajuí, cidade onde vivem, a 384 quilômetros de São Paulo. Em um cenário distante do reino da fantasia desenhado pelo ministro Paulo Guedes (Economia) –e com o dólar bem acima do R$ 1,80 citado por ele quando, afirmou, domésticas iam à Disney–, Neia, como é conhecida, diz que fez milagre. Doméstica desde os 12 anos, Neia trabalhava em duas casas nos meses que antecederam a viagem. À noite, tinha uma jornada de dez horas como cuidadora de uma idosa. De manhã, passava em casa, tomava café e banho e partia rumo à outra jornada, de oito horas, como doméstica. “Vinha em casa, tomava banho, jantava e saia de novo.” Conseguiu juntar R$ 1.000 por mês porque, aos fins de semana, cozinhava ou fazia faxinas em casas de família. Ainda teve o apoio do pedreiro Vanir, com quem vive há 14 anos, que assa pães para engrossar a renda familiar.
Bolsonaro rebate governador da Bahia e cogita ‘execução sumária’ de miliciano – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) rebateu, em nota divulgada à imprensa na noite deste sábado (15), o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e afirmou que a polícia do estado nordestino não buscou preservar a vida do ex-capitão Adriano Nóbrega. “[A PM] não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária”, diz o texto, que também fala em queima de arquivo. Mais cedo, no Rio de Janeiro, Bolsonaro fez uma primeira manifestação sobre a morte de Adriano, miliciano ligado ao seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido). Segundo o presidente, ele era um herói na época em que foi homenageado por Flávio, então deputado estadual, com uma medalha da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2005. [Em 2005, enquanto estava preso preventivamente pelo homicídio de um guardador de carros, Adriano foi condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes]. Neste sábado, em uma rede social, Rui Costa havia defendido os agentes locais e rebatido suspeitas levantadas sobre eles. O governador disse que seu governo “luta contra e não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem” e “não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça”. O petista fez ainda uma referência indireta a Bolsonaro, ao afirmar que a determinação no estado “é cumprir ordem judicial e prender criminosos com vida”. “Mas, se estes atiram contra pais e mães de família que representam a sociedade, os mesmos têm o direito de salvar suas próprias vidas, mesmo que os marginais mantenham laços de amizade com a Presidência”, afirmou.
Foragido, miliciano manteve rotina sem disfarces na Bahia – Ele não estava exatamente escondido. Nos últimos cinco meses, Adriano da Nóbrega, 43, ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro, circulou por festas de vaquejada e praias da Bahia e de Sergipe, mesmo foragido da Justiça. A quem perguntasse quem ele era, apresentava-se: “Capitão Adriano”. O miliciano ligado ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) foi morto no último domingo (9) em uma operação das polícias do Rio e da Bahia, em Esplanada (170 km de Salvador). Nos meses anteriores, participou de competições de vaquejada nos municípios de Lagarto e Itabaiana, em Sergipe, Serrinha e Inhambupe, na Bahia, mesmo diante de câmeras e de grandes públicos. Registros da Associação Brasileira de Quarto de Milha apontam que, usando seu próprio nome, Adriano disputou provas na categoria amador em 17 de janeiro de 2019, quando ficou em quarto lugar com seu parceiro Leandro Guimarães, o mesmo fazendeiro que lhe daria abrigo em Esplanada. As viagens à Bahia eram feitas de carro. A cada visita, acompanhava-o um caminhão com quatro cavalos, cada um valendo R$ 40 mil, que ele mantinha em um haras no Rio de Janeiro. Seu objetivo, segundo o relato de testemunhas, era montar um novo haras no litoral norte da Bahia, incluindo uma pista onde pudesse treinar para vaquejadas. A polícia investiga se o haras era uma iniciativa pessoal de Adriano ou um empreendimento de seu grupo criminoso para lavagem de dinheiro ou até mesmo a formação de uma nova célula miliciana no Nordeste.
Um terço do Senado defende recondução de Davi – Enquete feita pelo Painel nas últimas duas semanas mostra que um terço do Senado defende abertamente a recondução de Davi Alcolumbre (DEM-AP) à presidência da Casa, apesar de hoje isso não ser permitido pela Constituição. Em sentido contrário, outros 20 afirmam se opor à sua continuidade. Entre os que são a favor, a maior parte diz ser indiferente sobre a forma, seja por meio de PEC (proposta de emenda à Constituição), seja por mudança no regimento. Evitar mudanças nas regras atuais foi o principal motivo apontado pelos 20 senadores que se disseram contrários à continuidade de Alcolumbre ao fim do mandato. Outros 14 não quiseram opinar e 20 não responderam. Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu o direito de Alcolumbre concorrer novamente. “Cumpriu um papel importante. Pacificou o Senado, conseguiu as várias reformas que o Brasil precisava. Sou um dos senadores que apoiam a recondução”, disse. Na outra ponta, a dos descontentes, está Jorge Kajuru (Cidadania-GO). “Isso é mais um golpe à democracia. No caso dele, é mais grave porque teria que mudar o regimento interno para continuar. Sou favorável ao revezamento.” Também há aqueles que dizem nem pensar nisso, como Esperidião Amin (PP-SC). “Não tem consequência prática pelos próximos 12 meses. Para mim, mais importante é discutir o clássico do Avaí com o Figueirense.” A eleição à presidência do Senado será em 2021. Líderes da Câmara reclamam da falta de companheirismo de colegas do Senado, que tomam decisões diferentes das dos deputados. O diagnóstico é que Alcolumbre se alinha, ao lado de mais dois senadores, mas a articulação com o restante da Casa é falha.
Barroso diz que ‘detesta ter o poder de prender gente’ – O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso afirmou à TV Justiça que não gosta de ter “competência criminal”, em entrevista que vai ao ar nesta segunda-feira (17). “Eu detesto ter esse poder de prender ou de não prender uma pessoa. Nunca tinha feito isso antes na minha vida”, afirmou. No programa “História e Justiça”, Barroso justificou sua atuação no STF, mesmo quando atacado por setores considerados progressistas. Ele disse que parte desse grupo se sentiu obrigado a fazer uma defesa da corrupção e que ele não embarcou “nessa carruagem”. “Não entrei na cadeia de solidariedade com as coisas erradas”.
Bancada evangélica contrariada com demissão – A bancada evangélica não aprovou a forma como Ronaldo Nogueira (PTB) foi afastado da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) —alvo de operação da Polícia Federal, ele foi exonerado na última quarta (12). “Demitido como foi, com base apenas em um inquérito policial, nos causou espécie. Ele nem foi condenado. Tem outros no governo piores do que ele e não foram demitidos”, disse o líder da bancada, Silas Câmara (Republicanos-AM). O deputado não quis citar os que, a seu ver, estão piores do que Nogueira no governo Bolsonaro.
Dinheiro queimado na Casa da Moeda – A Casa da Moeda do Brasil começou a incinerar 63,7 milhões de cédulas haitianas inacabadas. O estoque de notas de 20 gourdes, abandonado havia sete anos em um depósito no Rio de Janeiro, era parte de uma doação de 111,1 milhões de cédulas feita pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva após o terremoto que varreu, em 2010, o país da América Central. Pacotes com 47,4 milhões de notas de gourdes chegaram a Porto Príncipe ainda em 2013. Mas foi só. Um relatório da Casa da Moeda do fim de 2019, obtido pelo Estado, indica um gasto de R$ 5,1 milhões na preparação das cédulas. Para finalizar as notas que agora estão sendo queimadas haveria uma despesa a mais, segundo o documento, de ao menos R$ 5,3 milhões. Se as cédulas inacabadas fossem enviadas agora ao país caribenho, estariam valendo menos. Quando as máquinas da Casa da Moeda começaram a rodar as notas, uma cédula de 20 gourdes valia US$ 0,50. Hoje, equivale a apenas US$ 0,20. O diretor de Compliance da Casa da Moeda, Marcelo Corletto, disse ao Estado que o estoque de gourdes foi um dos “tantos esqueletos” que a atual administração encontrou ao assumir, em julho do ano passado. Análises técnicas no material semiacabado constataram deterioração das cédulas. Assim, o Departamento Jurídico decidiu incinerar o estoque. A doação das cédulas foi aprovada pelo Congresso em 2011. A Lei 12.409 determinou que fossem produzidas 100 milhões de notas a um gasto que não poderia ultrapassar R$ 4 ,8 milhões, incluindo o transporte até Porto Príncipe. O relatório obtido pela reportagem destaca que tanto o número de cédulas quanto a despesa superaram esse valor.
Assessor da Economia para jogos ofereceu serviço de ‘RP’ – O advogado carioca Pedro Trengrouse ofereceu serviços particulares de seu sócio, o economista Edson Américo, no valor de US$ 1,5 milhão (R$ 6,4 milhões), enquanto era assessor técnico não remunerado do Ministério da Economia para assuntos relacionados a jogos e apostas. Entre os serviços oferecidos estão “atividades de relações públicas” no Brasil para empresas que atuam com apostas online. Em e-mail encaminhado a Pierre Tournier, diretor de relações institucionais da Remote Gaming Association (RGA, entidade que representa as maiores empresas de apostas online da Europa), Trengrouse reforça a proposta de contratação de um “estudo independente” sobre a regulamentação dos jogos no Brasil. “Prevemos que este projeto custará aproximadamente US$ 1,5 milhão, incluindo as atividades de relações públicas associadas no Brasil”, diz a mensagem assinada por Américo. Em seguida, Trengrouse reforça a proposta. “Vamos seguir em frente”, diz o advogado. Américo e Trengrouse são sócios em um escritório de advocacia no Rio e no Instituto Brasileiro de Jogos (IBJ). O e-mail é do dia 11 de março de 2019. Segundo resposta do Ministério da Economia a pedido de informações do deputado Delegado Pablo Oliva (PSL-AM), Trengrouse “prestou serviço de assessoramento técnico não remunerado” de 11 de março até 30 de novembro de 2019. Na função de assessor técnico não remunerado, Trengrouse participava de discussões sobre a regulamentação de apostas esportivas, propunha soluções, analisava projetos estratégicos nas áreas de apostas esportivas, loterias e entretenimento, participava de reuniões junto ao Ministério da Economia, ao Congresso Nacional, outros órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e organismos internacionais e de cooperação multilateral. Essas atividades, que interessam diretamente à RGA, constam de um “atestado de capacidade técnica” emitido pelo secretário de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria da Secretaria Especial da Fazenda do Ministério da Economia, Alexandre Manoel, seu padrinho no governo.
‘Eu vejo Moro e Bolsonaro como uma coisa só’ – Rosângela Moro afirma que o ministro Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro formam um time. “Sou pró-governo federal. Eu não vejo o Bolsonaro, o Sérgio Moro. Eu vejo o Sérgio Moro no governo do presidente Jair Bolsonaro, eu vejo uma coisa só.”
Articulação do governo é péssima, diz senadora – Simone Tebet (MDB-MS) qualifica sem rodeios a articulação política do governo Bolsonaro. “Até agora, é péssima”. Presidente da principal comissão do Senado, a de Constituição e Justiça (CCJ), a senadora afirma que o Executivo precisa imprimir a sua “digital” nas propostas que considera prioritárias, a fim de que elas caminhem com mais celeridade no Congresso. Esse seria o caso das reformas tributária e administrativa, ainda não apresentadas pelo Executivo. Além dessas duas propostas, a senadora destaca ao menos cinco projetos fundamentais para a retomada da economia na agenda pós-reforma da Previdência. Na avaliação de Tebet, matérias como o Plano Mais Brasil, no qual estão incluídas três Propostas de Emenda Constitucional (PECs): Emergencial, Fundos e Pacto Federativo, exigirão mais empenho do governo nas negociações com os parlamentares, particularmente em ano eleitoral. Ela antecipa um papel mais contundente do Senado no contexto de protagonismo do Congresso em 2020. Para a senadora, é preciso conter o populismo na Praça dos Três Poderes, passado o primeiro ano de nova administração no Planalto. “Agora é hora de entender que política com P maiúsculo se faz no campo das ideias, dos debates em alto nível, com projetos e programas de governo e de Estado”, observa. Nesse sentido, ela critica a atitude do presidente Jair Bolsonaro em provocar governadores na questão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. “Ele precisa dos governadores, assim como os governadores precisam do Executivo. Consequentemente, jogar nas costas dos governadores a culpa por uma carga tributária excessiva no país não só é brincar com a verdade. É uma brincadeira de muito mau gosto”, afirma. A parlamentar recebeu o Correio em seu gabinete em Brasília antes de viajar para Mato Grosso do Sul, seu estado natal e berço de sua iniciação política. Sobre a mesa de trabalho da senadora, repousavam o livro sobre as ações da CCJ em 2019 e um exemplar de Tormenta, da jornalista Thais Oyama. No sexto ano de mandato e com uma atuação parlamentar elogiada por colegas como José Serra, Simone Tebet conta que relutou para entrar na política. Mas foi convencida, após quatro anos de insistência, a seguir a carreira do pai, Ramez Tebet, presidente do Senado entre 2001 e 2003.
Caminhoneiros, um sinal preocupante – O mercado começa a olhar com uma certa desconfiança sobre a capacidade de o governo federal arbitrar e resolver conflitos entre setores que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. O que acendeu o pisca-alerta foi o pedido do Poder Executivo para que o Supremo Tribunal Federal adiasse o julgamento do tabelamento do frete e a decisão dos caminhoneiros de Santos de tentar promover uma paralisação nesta segunda-feira. O que incomoda é que, passado um ano e quase dois meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, esse assunto continua sem solução e os problemas nos setores envolvidos se acumulando. Apesar de a economia ter sinais de recuperação, se essa dificuldade de resolver problemas se repetir em outros setores em que houver conflitos entre apoiadores do presidente, há o risco de a avaliação do governo, que tem melhorado, voltar a cair. Em tempo: os caminhoneiros de Santos querem chamar a atenção para a necessidade de cumprimento da lei da tabela do frete mínimo, a perda de trabalho em contêineres no porto a redução dos tributos sobre o óleo diesel. Há quem diga que, se o governo não agir rápido em relação a uma solução que atenda a caminhoneiros, agronegócio e indústria, o país pode viver em breve a repetição do cenário de 2018, quando uma greve dos caminhoneiros paralisou o país. Quem conseguir, que durma com um barulho desses. Há uma tensão no ar com essa paralisação dos caminhoneiros em Santos. Aliás, desde 2013 qualquer movimento causa apreensão, por causa do aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo, que virou uma série de protestos pelo país.
Atualização necessária – O senador Reguffe (Podemos-DF) será um dos representantes da bancada distrital na Comissão Mista da Reforma Tributária. O parlamentar adianta que defenderá a correção imediata dos limites de isenção da tabela do imposto de renda. Em troca, propõe a cobrança de taxa de 10% sobre lucros e dividendos. Com base em estudo do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Reguffe afirma que os limites de isenção do IR estão defasados em 103,87%, com base na inflação do período de 1996 a 2019. Atualmente, é isento quem ganha até R$ 1903,98. Com a mudança, ficaria livre do pagamento quem recebe até R$ 3.881,65. O senador explica que a alteração também impactaria quem recebe mais do que o teto para isenção. Hoje, quem tem salário de R$ 7 mil paga R$ 1055,64 de imposto. Caso a proposta de atualização seja aceita, o valor cairia para R$ 330,32. “Quando você não corrige a tabela, o que está fazendo é um aumento indireto e disfarçado de carga tributária”, argumentou o senador.
MP de Bolsonaro prevê benefício social para grileiro – Assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em 10 de dezembro, a Medida Provisória 910, de regularização fundiária, estende a grileiros de grandes áreas públicas benefício previsto para assentados de baixa renda em programas de reforma agrária. Essa é uma das conclusões de nota técnica preparada pelo MPF (Ministério Público Federal) e entregue nesta quinta-feira (13) à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em reunião com o procurador-geral da República, Augusto Aras. A MP 910 está em tramitação em uma comissão especial do Congresso. Entre as mudanças previstas na proposta de Bolsonaro criticadas pelo MPF estão a regularização de terras invadidas até 2018 (antes, era 2011) e o fim da vistoria prévia para regularizar até 15 módulos fiscais —o que, em algumas regiões da Amazônia, chega a 1.650 hectares. Antes, o limite era de quatro módulos fiscais. Com 48 páginas, a nota técnica, obtida pela Folha, afirma que a MP 910 é inconstitucional, regulariza o desmatamento ilegal e favorece o lado mais poderoso em regiões de conflito agrário. O MPF aponta também as condições generosas do processo de regularização, criadas para a reforma agrária —programa que foi paralisado sob a gestão de Bolsonaro.
Chefe da Secretaria-Geral vira principal conselheiro de Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro disse “aqui está minha família”, enquanto abraçava o amigo Jorge Oliveira e a mãe dele, Marília. O gesto foi feito na presença de sua equipe ministerial, durante cerimônia de posse do policial militar da reserva no comando da Secretaria-Geral, em junho. No salão nobre do Palácio do Planalto, o afago público foi compreendido pela maior parte dos assessores presidenciais. A mensagem era clara: a confiança que Bolsonaro deposita no amigo extrapola a relação puramente profissional. Nos oito meses à frente do cargo, o major, como é chamado por Bolsonaro, tornou-se o principal conselheiro político e peça-chave nas principais decisões de governo. Ele também se converteu em um canal de acesso de integrantes do Judiciário e do Legislativo ao Executivo, o que deve ser ampliado com as mudanças recentes feitas pelo presidente na equipe ministerial. Jorge é visto como um ministro que atua no estilo “soft power”, conciliador e aberto ao diálogo. Com isso, ele conseguiu costurar acordos e viabilizar entendimentos —uma habilidade adquirida durante a sua atuação como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados que lhe rendeu na bancada bolsonarista e na equipe econômica a alcunha de “ministro informal da Casa Civil”.
Vamos abrir a caixa-preta da Receita – Após diversos alertas, o relator das contas do presidente da República, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas, afirma que o governo falhou no ajuste fiscal. Ao programa de entrevistas da Folha e do UOL –em estúdio compartilhado em Brasília– Dantas disse que, há anos, o tribunal avisa o Planalto sobre os riscos de reprovação das contas. Isso porque, de acordo com ele, governos anteriores usaram o sigilo da Receita Federal para impedir que ela fosse auditada pelo tribunal. Neste ano, o ministro pressionou e vai, pela primeira vez, “abrir a caixa-preta da Receita”. Assim, fará uma auditoria para avaliar se a arrecadação (receitas) da União é a mesma informada pelo fisco. Em outra frente, Dantas passou a integrar um grupo especial que, comandado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, deverá rever acordos de leniência fechados pelo Ministério Público Federal com as empreiteiras da Lava Jato. O Orçamento para o primeiro ano do governo atual foi aprovado no último ano do governo de Michel Temer. Ali foi fixado um valor de déficit nominal. Em 2019, percebemos que o governo [Bolsonaro] reduziu essa meta de R$ 169 bilhões para R$ 89 bilhões, mas ao custo de receitas extraordinárias, como o leilão da cessão onerosa, alguns leilões de aeroportos, rodovias, por aí vai. Ou seja, são receitas que não se repetem. São bens públicos que não podem ser vendidos novamente. Então, a rigor, o governo falhou.
Mais uma vez – O presidente Jair Bolsonaro voltou ontem a dar uma banana para atacar jornalistas. Ele havia sido questionado sobre a reforma na biblioteca do Planalto para abrigar sala para primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Em entrevista a filho do presidente, Moro critica documentário – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afastou a relação da Lava Jato com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República, dois anos depois. “São movimentos que foram distintos. Claro que existe um contexto no qual o presidente foi eleito. Mas, assim, o impeachment não teve a nada a ver com a eleição do presidente Jair Bolsonaro. São coisas dissociadas”, disse o ex-juiz federal de Curitiba. A declaração de Moro foi feita em entrevista ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar estreou ontem um programa de entrevistas em seu canal no YouTube, chamado de O Brasil precisa saber. Antes da exibição, Eduardo divulgou o anúncio da gravação, chamando seus seguidores para acompanhar o programa. Moro fez referência ao impeachment e à eleição presidencial ao criticar o documentário Democracia em Vertigem, da diretora Petra Costa, indicado ao Oscar. “Para um documentário, acho que presta um desserviço aos fatos porque é uma visão deturpada daqueles acontecimentos.” A atuação de Moro na Lava Jato é contestada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados do petista acusam o ex-juiz de agir com parcialidade ao condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá e depois assumir um cargo no primeiro escalão do governo Bolsonaro. O julgamento da suspeição de Moro deve ser concluído ainda neste semestre na Segunda Turma do STF.
Exército ‘bomba’ nas redes com Bolsonaro – Não é só no Palácio do Planalto que o Exército está em alta. Nas redes sociais, arena preferida do bolsonarismo, o desempenho dos fardados “bombou”. Saltou exponencialmente nos últimos três anos de intensa polarização no País em aumento de seguidores: 1.038% no Facebook, 282% no Instagram e 711% no Twitter, entre janeiro de 2017 a 2020. Há dois motivos principais para o crescimento, na avaliação de militares que atuam no setor: política interna que busca ampliar presença nas redes e, claro, a volta ao centro da arena social e política do País. No Twitter, desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência do País, em janeiro do ano passado, o número de seguidores do Exército aumentou em quase 90%. É lá também onde o Exército apostou num tom mais informal. Tem brincado com internautas e até virou meme. Por vezes, o perfil do Exército é marcado e citado por ministros, como Tarcísio Freitas (Infraestrutura). A regra é: pode retuitar instituições, como ministérios, mas nunca perfis individuais. Ápice de engajamentos e alcance no Twitter e no Facebook no período foi registrado em 2019, primeiro ano de Bolsonaro no Planalto. Os perfis do Exército tratam apenas de temas institucionais, apesar de muitas vezes serem provocados a comentar fatos políticos, como a recente nomeação do general Braga Netto para a Casa Civil.

 

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