Resumo dos jornais de domingo (14/02/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (14/02/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Fragmentação aumenta e deve beneficiar Bolsonaro

CORREIO BRAZILIENSE: Variante britânica chega ao Entorno e deixa Brasília em alerta

O ESTADO DE S.PAULO: Pandemia faz crescer dependência do Brasil em relação à China

O GLOBO: Na contramão da crise, crédito para casa própria baterá novo recorde em 2021

Resumo de manchetes

Manchete da Folha analisa a fragmentação do espectro político nacional e conclui que a um ano e oito meses das eleições de 2022, o presidente Jair Bolsonaro convive com oposições fragmentadas à direita e à esquerda, em um cenário que pode beneficiá-lo na sua tentativa de ser reconduzido ao cargo. A manchete do Correio Braziliense anuncia que a variante britânica do coronavírus chegou à Luziânia e a Valparaíso de Goiás, na primeira uma mulher e na segunda um homem. Ambos tiveram contato com um parente que reside no Reino Unido que veio ao Brasil comemorar o ano novo com familiares. O Estadão aborda em sua manchete um tema caro ao país. Apesar das críticas à China nos dois primeiros anos de anos de Bolsonaro no poder, a dependência comercial do Brasil em relação ao país asiático bateu recorde em 2020 e deve aumentar nos próximos anos. A participação chinesa nas exportações cresceu 4% ano passado e atingiu 32,3% no total. A manchete de O Globo revela que, depois de bater o recorde em 2020 com R$ 124 bilhões da poupança destinados ao financiamento da casa própria, o crédito imobiliário deve superar a marca este ano movido pelo juro baixo e pelas novas linhas que ampliaram o acesso. Os financiadores do setor projetam um crescimento de 27% este ano, mesmo se o Banco Central voltar a elevar a taxa básica do país.

Notícia do dia – Parlamentares da oposição criticaram o pacote de decretos do presidente Jair Bolsonaro que flexibiliza as regras de posse e porte de armas no Brasil. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) informaram que vão contestar os decretos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em rede social, Freixo disse que irá também apresentar projetos na Câmara para anular a medida. “Vou apresentar projetos p/ anular os 4 novos decretos de Bolsonaro que ampliam o acesso de civis a armas e munições e afrouxam a fiscalização. Também estou incluindo essas medidas na ADI que já protocolei no STF. O presidente não pode legislar sobre armas via decreto”, escreveu Freixo em sua conta no Twitter. A deputada Perpétua Almeida afirmou que o pacote é ” inconstitucional, ilegal e agride os direitos fundamentais à segurança e à vida, previstos na Constituição”. “Ultrapassa todos os limites fixados na Lei nº 10.826/2003. E será contestado pelo PCdoB no STF”, disse no Twitter. Entre as medidas determinadas pelos decretos está a ampliação de quatro para seis no limite de armas que cada cidadão pode ter. Também foram alteradas diversas regras envolvendo o grupo de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), incluindo o limite de armas que cada pessoa pode comprar. Também no Twitter, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) afirmou que o pacote é “uma irresponsabilidade completa com a qual o Congresso não pode concordar”, enquanto o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) criticou o fato da medida ocorrer durante a pandemia da Covid-19. Em nota, o Instituto Sou da Paz afirmou ter recebido com “indignação” os decretos. O Sou da Paz ressaltou que o governo Bolsonaro já editou mais de 30 atos normativos relacionados à flexibilização da política de armas. Para a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, Bolsonaro tem legislado por decreto porque não seria possível alterar o Estatuto do Desarmamento no Congresso. Ela considera, contudo, que as mudanças feitas contrariam o estatuto. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também divulgou nota afirmando que vê com preocupação as novas medidas para flexibilizar posse e porte de armas no Brasil, anunciadas no mesmo dia em que foi divulgado um aumento de 5%,2 nos homicídios registrados no país em 2020. “Não há qualquer argumento válido em favor da liberação da compra de até 60 armas por um único colecionador, 30 armas por caçadores ou até 6 armas para cidadãos comuns. Também é inaceitável o desmonte dos mecanismos de fiscalização, sobretudo do trabalho do Exército brasileiro, seja pela liberação de produtos controlados ou mesmo pelo rastreamento de munição e concessão do porte”, diz a nota, acrescentando que 40% das armas apreendidas no Brasil com criminosos têm origem legal e que as principais vítimas poderão ser mulheres e os próprios policiais.

Primeiras páginas

Absolvido no 2º impeachment – Donald Trump acumulou ineditismos e entrou mais uma vez para a história americana. Neste sábado (13), o ex-presidente dos EUA seguiu o roteiro esperado e foi absolvido pelo Senado em seu segundo julgamento de impeachment. Por 57 votos a favor da condenação e 43 contra, em uma votação nominal, Trump se livrou da acusação de ter incitado a violenta invasão do Capitólio, em 6 de janeiro, no maior ataque à democracia do país desde a Guerra Civil. O Senado americano está hoje dividido entre 50 democratas e 50 republicanos e, para o impeachment, eram necessários 67 dos 100 votos da Casa. O resultado cristaliza o forte poder e influência que o líder mais controverso da história americana ainda tem sobre o Partido Republicano, que tem se radicalizado à direita. Nunca na história tantos senadores do partido do presidente votaram contra seu correligionário em uma votação de impeachment. Esta também foi a primeira vez, desde 1868, que a maior parte do Senado votou pela condenação de um líder americano —apesar de os votos não terem chegado à maioria qualificada de dois terços do plenário para declará-lo culpado. Trump se tornou o primeiro presidente a enfrentar dois processos de impeachment —um deles concluído com ele já fora do cargo— e agora seu desafio é permanecer no comando da direita populista americana até 2024, se quiser concorrer mais uma vez à Casa Branca. Em sua primeira manifestação após o resultado, Trump sinalizou exatamente para sua base mais radical. “Essa foi mais uma fase da maior caça às bruxas da história do nosso país. Nenhum presidente passou por qualquer coisa parecida com isso”, afirmou ele em um comunicado. “Nosso histórico, patriótico e lindo movimento para Fazer a América Grande de Novo [seu slogan de campanha] apenas começou”, completou.

Há apatia com a volta ao poder de agentes corruptos – O ex-coordenador da Lava Jato no Paraná Deltan Dallagnol diz que partidos e políticos alvos da operação paulatinamente recuperaram o espaço perdido e que, como resultado, há “uma certa apatia ou mesmo cinismo” no país hoje. A força-tarefa que ele comandou em Curitiba de 2014 a 2020 foi dissolvida neste mês e incorporada a um Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em iniciativa que acabou gerando pouca repercussão política ou mobilização de apoiadores. À Folha ele comparou o contato que mantinha com o então juiz Sergio Moro ao relacionamento de advogados com ministros de cortes superiores e negou que tenha havia conluio. A entrevista foi feita por e-mail, a pedido do procurador. Fora da Lava Jato desde setembro, o ex-coordenador da operação sofreu outros reveses recentemente. A defesa do ex-presidente Lula conseguiu acesso em janeiro a mensagens trocadas pelo procurador no aplicativo Telegram, hackeadas em 2019, e tem trazido a público mais conversas da época das investigações. O STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou na terça (9) o direito de Lula de manusear os arquivos. A defesa ainda tenta anular na corte as condenações impostas a ele em Curitiba.

Governo só usou 9% da verba para adquirir vacinas – O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) só conseguiu gastar, até agora, 9% do dinheiro liberado em caráter de urgência e emergência para a compra e o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, uma mostra do atraso da União na tentativa de vacinar em massa a população brasileira. O cálculo não inclui os pagamentos feitos nesta semana pelas doses de Coronavac, do Instituto Butantan, porque o Ministério da Saúde não informou de onde saiu o dinheiro e ainda não há registros do gasto nos sistemas de execução orçamentária consultados pela reportagem. Três MPs (medidas provisórias) assinadas por Bolsonaro em agosto, setembro e dezembro abriram créditos extraordinários que somam R$ 24,5 bilhões. O país chegou à metade de fevereiro com apenas R$ 2,2 bilhões efetivamente gastos, segundo dados de execução orçamentária da Câmara dos Deputados (atualizados no último dia 10) e do Ministério da Saúde. Na terça (9) e na quarta (10), o Butantan, vinculado ao governo de São Paulo, recebeu R$ 505 milhões do ministério pelo fornecimento de 8,7 milhões de doses da Coronavac, a vacina chinesa desenvolvida em parceria com o instituto. Se for levado em conta esse valor, e considerando que ele tenha saído do dinheiro emergencial destravado para a compra de vacinas, o total gasto até agora chega a R$ 2,7 bilhões, ou 11% dos créditos criados.

TCU cobra da Saúde explicação sobre cloroquina – O TCU (Tribunal de Contas da União) cobrou do Ministério da Saúde informações sobre a distribuição de cloroquina produzida para controle da malária que acabou remetida a pessoas com Covid-19. O tribunal deu dez dias para o ministério informar nomes, CPFs e cargos de responsáveis por ampliar a produção e por fazer a mudança no objetivo do programa de malária. A cobrança do TCU se estende à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável pela fabricação do medicamento. A instituição tem dez dias para informar o volume de aquisição de sal difosfato para produção de cloroquina entre 2017 e 2020; a quantidade produzida; se a droga para malária acabou sendo destinada a Covid-19; e a razão para um aditivo que ampliou a produção em dezembro. O despacho do TCU foi assinado na última sexta-feira (12) pelo ministro Benjamin Zymler, responsável por processos que investigam ilegalidades na distribuição de cloroquina pelo governo de Jair Bolsonaro. O medicamento não tem eficácia comprovada para Covid-19, e é o carro-chefe do governo no combate à pandemia.

“As prioridades são vacina e auxílio emergencial” – Ela já foi coadjuvante. Entrou na vida pública como primeira-dama do Distrito Federal, mulher de um governador com personalidade, José Roberto Arruda, que desperta ódios e paixões. Eleita com 121.340 votos, Flávia Arruda (PL-DF), aos poucos, conquista seu espaço próprio. Foi a mais votada da bancada do DF na Câmara. Em dois anos de mandato, tornou-se a primeira deputada a assumir a presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso. Por aclamação. A disputa rolou nos bastidores no ano passado. O então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), preferia o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) e não instalou a comissão porque seria derrotado. Flávia Arruda era candidata única do Centrão. Com a vitória de Arthur Lira (PP-AL), eleito com o apoio dessa bancada, as portas foram abertas. Na semana passada, a CMO iniciou os trabalhos. Nas mãos da deputada de Brasília fica a atribuição de conduzir a aprovação de um projeto de lei orçamentário que está atrasado. Em dois meses, é preciso aprovar o Orçamento de 2021, com duas dificuldades quase intransponíveis: recriar o auxílio emergencial sem ainda ter a fonte de financiamento e garantir recursos destinados à compra de vacinas contra a covid-19 para proteger uma população de 200 milhões de habitantes. A imunização, segundo Flávia Arruda, é prioridade total. Mas não se pode permitir que as pessoas morram de fome por causa da crise provocada pela pandemia. Tarefa difícil.

“Quem gasta R$ 1,5 trilhão pode pagar auxílio” – Apesar de estar otimista com a recuperação da economia brasileira em 2021, o economista Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, reconhece que a maior parte do avanço entre 3,5% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) será uma questão meramente estatística. “Não se trata de um crescimento genuíno. O país ainda está correndo atrás do prejuízo”, diz. Para Ramos, a economia chegou a apresentar uma retomada em V no terceiro trimestre de 2020 e, devido a essa recuperação mais forte, haverá um carregamento estatístico perto de 3% no PIB deste ano. Na visão dele, haverá um baque neste primeiro trimestre de 2021, com queda da atividade. E, se as reformas estruturais não andarem, a partir de 2022, o Brasil voltará a apresentar taxas medíocres de crescimento. A janela de oportunidade para virar esse jogo é agora. “Mas não estou tão otimista de que vão vir muitas reformas daqui para frente”, frisa. Ex-economista-sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI) e doutor em Economia pela Universidade de Chicago, Ramos reconhece a importância da volta do auxílio emergencial nesse momento em que o país está lidando com uma segunda onda da pandemia da covid-19, que está “bastante intensa”. Mas recomenda corte de gastos para abrir espaço fiscal ao benefício. “Eu me recuso a aceitar que um país que gasta R$ 1,5 trilhão por ano não tenha onde cortar”, diz.

Linha de frente do Centrão deixa reformas em 2º plano – A vitória do deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) na Câmara resgatou um grupo de parlamentares que estava no ostracismo desde a queda, há quase cinco anos, de Eduardo Cunha, presidente cassado na Casa. Ao contrário do antecessor Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tinha uma clara agenda liberal, Lira não atuará com uma pauta econômica preestabelecida. Ele já acenou que a prioridade agora é deixar a digital em temas de impacto imediato e apelo popular, como o auxílio emergencial. As reformas para destravar a economia ficam para um segundo momento. No caso da reforma tributária, o debate ficou ainda mais travado. O governo, deputados e senadores têm propostas diferentes. O projeto da Câmara, que une cinco impostos, foi elaborado justamente pelo adversário de Lira na eleição, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), e relatado por Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), que pode ser trocado. A reforma administrativa, por sua vez, está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e não tem prazo para chegar a plenário. A agenda do grupo deverá incluir projetos de interesses diretos das suas lideranças, como prisão após condenação em segunda instância e mudança da lei de improbidade, e mesmo o auxílio emergencial, uma pressão das bases eleitorais dos partidos do Centrão. O “dinheiro na veia do povo”, como traduziu o ministro da Economia, Paulo Guedes, garante popularidade e votos para políticos paroquiais. A falta de uma agenda definida faz com que cada projeto seja negociado. A tropa de choque do novo presidente da Câmara admite que a ofensiva do Palácio do Planalto em mudar votos nas eleições do Congresso, no começo deste mês, com a liberação de verbas e cargos atendeu apenas a essa votação. Daqui para frente, cada um dos projetos de interesse do Executivo vai exigir esforço semelhante. O Estadão acompanhou uma conversa na semana passada, na qual Lira estava presente, em que um interlocutor brincou sobre essa pecha do Centrão dizendo que o governo não comprou, apenas alugou votos na eleição do Congresso. E aluguéis precisam ser renovados de tempos em tempos. Todos riram. É também com a mesma ironia que tratam a música do general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), que cantarolou no palanque de Bolsonaro, em 2018, “se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”. Um dos presentes na conversa observada pelo Estadão debochou dizendo que agora eles são o “Centrão da música do Heleno”. Na primeira semana, Lira e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), anunciaram a intenção de jogar juntos. Eles procuraram estabelecer, em público, uma pauta de comum acordo com o Planalto. Logo de cara, porém, contrariaram Bolsonaro e enquadraram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para agilizar a aprovação de vacinas contra a covid-19. Em resposta, o presidente da agência, Antonio Barra Torres, acusou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), que encabeçou a proposta, de agir como lobista de empresa fabricante do imunizante. Aprovaram, ainda, a autonomia do Banco Central, pauta do interesse do sistema financeiro que tira do presidente a prerrogativa de demitir o chefe da instituição. A batalha da vez é o retorno do auxílio emergencial. O Congresso quer dar mais quatro parcelas, a partir de março. Ciente de que sofrerá nova derrota, Bolsonaro precisou abandonar o discurso de que “o País está quase quebrado” e tenta convencer sua tropa de choque a cortar despesas como contrapartida.

Sob nova gestão – O início da gestão de Arthur Lira (Progressistas-AL) à frente da Câmara, com aprovação folgada da autonomia do Banco Central, agradou o governo e permitiu que o novo presidente da Casa fizesse uma sinalização ao mercado. Entretanto, o predomínio do ambiente de harmonia entre o Legislativo e o Palácio do Planalto que prevalece no processo de desalojamento do grupo de Rodrigo Maia (DEM-RJ) do poder e no início dos trabalhos legislativos deve ser visto com cautela, na avaliação de analistas. Embora o Palácio do Planalto tenha sido determinante, na oferta de cargos e de recursos para conseguir votos, a candidatura de Lira à presidência da Câmara era gestada há pelo menos dois anos nos bastidores do Congresso. O novo presidente rodou o País em campanha e apostou em um discurso corporativo de “dar voz” aos deputados. Analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, define como de “desconfiança recíproca” os próximos meses da relação entre Câmara e governo. “O governo prometeu cargos, emendas e ministérios. E está cedendo a conta gotas. A sintonia não é sólida. Dura enquanto o governo estiver fazendo entregas e cumprindo compromissos. Não fazendo, a Câmara reage de forma dura. E vai ser difícil administrar isso porque vai ter conflito inconciliável do Centrão, que vive de patronagem, não quer medidas de controle de gastos, com a base radicalizada do governo”, afirmou. O projeto da autonomia do Banco Central passou com 339 votos a favor e 114 contra. Para Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, o placar expressivo é fruto de um empenho pessoal de Arthur Lira para sinalizar ao mercado que apoia a agenda econômica, tem preocupação com a retomada e que não foi eleito para ser um subordinado do presidente Jair Bolsonaro.

Israel vacina em massa, mas não levanta restrições – Pelo menos 3,7 milhões de israelenses já haviam recebido até sexta-feira a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech e 2,4 milhões a segunda dose. Os números podem parecer insignificantes quando comparados a um país como o Brasil, que tem mais de 210 milhões de habitantes, mas para Israel eles representam mais de 40% da população – de 9 milhões de pessoas – imunizada. A campanha de vacinação começou em 19 de dezembro e os resultados apareceram quase dois meses depois. Dados recentes do Ministério da Saúde revelam uma queda no número de mortes nos últimos dias e, também do coeficiente de infecção, que caiu para 0,88, o menor em três meses. Esse número mostra como a doença se espalha entre a população e, quando é menor ou igual a 1, espera-se uma queda no total de infecções. De acordo com Eran Segal, biólogo do Instituto de Ciência Weizmann, desde o pico, em meados de janeiro, houve uma redução de 38% no número de pacientes em estado grave e de 40% nas mortes entre a população com mais de 60 anos. Há também 58% a menos idosos hospitalizados e 44% menos internações em geral. Trata-se do menor número de novos casos em cinco semanas, segundo as médias móveis do Ministério da Saúde. Israel tem até agora 718.746 casos de contágio e 5.304 mortes. Balanço recente da Maccabi, uma das maiores operadoras de saúde do país, com mais de 2,5 milhões de filiados, também é animador. Menos de 0,1% dos segurados que receberam a segunda dose da vacina contra a covid-19 contraíram o vírus, apontando que a eficácia atual da imunização em Israel é de 93% após o recebimento da segunda dose, número próximo dos 95% prometidos pela Pfizer. A operadora também revelou que os pacientes que foram infectados mesmo depois de imunizados tiveram apenas sintomas leves, como dores de cabeça, tosse ou fadiga. Normalidade. Apesar dos bons números, a população de Israel segue com uma rotina de quarentena. O transporte público só pode operar com 50% da capacidade, as reuniões estão restritas a até 5 pessoas, em ambientes fechados, e até 10 pessoas, ao ar livre, tendo o limite aumentado em casos de funerais, casamentos e cerimônias judaicas para até 10 pessoas, em ambientes internos, e até 20, em ambientes externos. Shoppings e lojas de rua permanecem fechados, reservas naturais, parques nacionais, locais históricos e memoriais só podem ser visitados do lado de fora, no pátio, bares e restaurantes não podem receber clientes dentro do estabelecimento, sendo que os pedidos precisam ser feitos por telefone, internet ou na porta, por meio de painel eletrônico, sem contato direto com o atendente.

Os alvos da Lava-Jato são os aliados da Hora de Bolsonaro – Eleito com um discurso de combate à corrupção e tendo ao seu lado O ex-juiz Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro, que entra na segunda metade do governo, selou uma aliança com o Centro e agora tem ao seu redor uma legião de aliados investigados nesta operação ou denunciados nos últimos escândalos de corrupção que eclodiram em troca de apoio político para garantir o apoio do governo , os neo-aliados arcam com o custo da contradição do discurso do presidente desde a eleição, bem como o ônus dos cargos públicos e do dinheiro para emendas. No último movimento, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PROS-AL) estava no set para uma reunião só com Bolsonaro. Ele acabou sendo convidado a dar sugestões sobre os preços dos combustíveis em reunião com a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Collor foi acusado de receber propina em uma determinação de lavagem de spray precisamente na área de combustível. Também aliado de Bolsonaro, Collor é réu em uma ação do Supremo Tribunal Federal (STF) por receber mais de R$ 330 milhões em vantagens indevidas para os assuntos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na qual teve influência política. O caso já está pronto para ser julgado pelo Supremo. Em alegações finais, a PGR pediu a condenação do senador a 22 anos de prisão. – Hoje nos reunimos com a equipe econômica do Paulo Guedes, vendo a questão do impacto desse novo reajuste de combustível, que não podemos interferir e não pensamos em interferir (na Petrobras), e apareceu o deputado Fernando Collor e o convidou para a reunião. Eles (…) deram sugestões bem-vindas e bem-vindas por nós. Dessa forma, vamos governar — disse Bolsonaro, na cerimônia da Secretaria de Governo, que também contou com a presença de Collor.

Tasso: os partidos foram ‘triturados’ – O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse em entrevista ao GLOBO que seu partido, assim como os outros, ficou “arrasado” durante a eleição para as presidências da Câmara e do Senado e agora tem a oportunidade de reconstruir. Para ele, o melhor nome para disputar a eleição de 2022 será aquele que poderá unir as legendas do centro, da esquerda para a direita, a fim de evitar uma polarização como a que ocorreu no segundo turno da última eleição, entre Jair Bolsonaro e o PT Fernando Haddad. “O PSDB está em um momento de transição, reconstrução, buscando manter seus princípios iniciais e fundamentais. Ao mesmo tempo, esse período é agora diferente, durante o qual todos os partidos, todos, foram triturados ou derrubados pelo processo eleitoral do Senado e da Câmara. Em um olhar panorâmico, o DEM rachou, PSDB rachado, PSD teve problemas… De fato, o processo que ocorreu nas duas casas do Congresso foi baseado na coleta de votos individuais. Ele sempre teve isso, mas os partidos também tinham um grande peso. Agora, as siglas foram ignoradas como se não existissem. Isso levou as pessoas, de bolsonaristas a petistas, a votar nos mesmos candidatos. Essa questão de não ter coesão absurda não é privilégio do PSDB, todos os partidos estão enfrentando problemas.

Outros destaques

Doria planeja investimentos de R$ 18 bi – O governador João Doria (PSDB) projeta assinar até 2022 contratos de concessão e de Parcerias Público-Privadas (PPPs) que podem render R$ 18 bilhões em investimentos no Estado a médio e longo prazos. O volume estimado de recursos e de empregos gerados em ano eleitoral, como consequência do plano de recuperação econômica, ainda podem ser engordados com a privatização da Emae, a empresa de água e energia. A Sabesp, por enquanto, está fora dos planos. O tucano, que tenta viabilizar sua candidatura à Presidência da República no ano que vem, corre para, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, colocar de pé projetos bilionários e, ao mesmo tempo polêmicos, como a concessão de linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da área onde está o Ginásio do Ibirapuera. Em março está marcado o leilão de um dos ativos mais cobiçados pelo mercado: a Linha 9-Esmeralda, que margeia o Rio Pinheiros e liga a zona sul da capital a Osasco. O pacote inclui a Linha 8-Diamante, que vai do centro a Itapevi, e tem outorga mínima (espécie de licença paga ao governo) avaliada em R$ 303 milhões. Vice-governador e secretário de governo, Rodrigo Garcia (DEM) estima que o resultado do leilão faça com que somente essa outorga seja superada, ou seja, alcance um ágio, de cinco a dez vezes o previsto, elevando o rendimento do Estado para ao menos R$ 1,5 bilhão. A área de transportes é a que detém o maior número de projetos no pacote.

Lira, o protagonista mais recente do ‘familismo’ de Alagoas – Eleito presidente da Câmara dos Deputados no início do mês, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) é mais um alagoano na lista de políticos que saíram do estado para alçar voos maiores na política nacional. Desde a Proclamação da República, realizada pelo alagoano Deodoro da Fonseca, sucedido pelo conterrâneo Floriano Peixoto, até a redemocratização, com os destaques alcançados por Fernando Collor e Renan Calheiros, Alagoas tem exercido uma influência maior do que seu tamanho poderia sugerir: afinal de contas, é o terceiro menor estado em extensão territorial e o 20º mais rico. — Independentemente das pessoas, o que está identificada é uma forma de poder que aparentemente é feita em um círculo fechado. Ou seja, quem muda são os atores, mas o tipo de relação de poder é o mesmo e fornece esse tipo de trampolim — afirmou a historiadora Heloisa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De forma mais específica do que as chamadas oligarquias, segundo historiadores, em Alagoas predomina o chamado “familismo”, isso é, o fenômeno de grandes famílias que se alternam no poder. Em Maceió, os dois últimos prefeitos são herdeiros de clãs conhecidos: eleito prefeito da capital no ano passado, João Henrique Caldas, o JHC, é filho de João Caldas da Silva, que já ocupou os cargos de vereador, prefeito de Ibateguara, deputado estadual e federal. O antecessor de JHC era Guilherme Palmeiras, filho de Cícero Palmeira, ex-prefeito, ex-governador do estado e ex-senador. — Essa é uma questão antiga em Alagoas, do familismo ou da parentela. Entre 10 a 15 deputados estaduais são herdeiros políticos ou representam famílias tradicionais, deputados que construíram suas carreiras ancorados no prestígio que seus pais tinham — disse o historiador Osvaldo Maciel, historiador da Universidade Federal do Alagoas. Arthur Lira não foge à regra: ele é filho do ex-senador Benedito de Lira. Seu pai também foi vereador de Maceió, deputado estadual, deputado federal e agora é prefeito de Barra de São Miguel, uma cidade de oito mil habitantes próxima à capital. A sucessão entre famílias é tamanha que, já em 1986, a imprensa local fez uma denúncia curiosa contra Benedito. Ainda deputado estadual, ele nomeou seu filho Arthur, com apenas 15 anos, assessor especial da Assembleia Legislativa. O roteiro é parecido com o de outras famílias famosas no estado, como os Collor de Melo — o avô de Fernando Collor era Lindolfo Collor, um dos líderes da Revolução de 1930 que levou Getulio Vargas ao poder. Da mesma forma, os Calheiros se estabeleceram na cidade de Murici, que comandam até hoje. De lá, Renan chegou a Brasília. Segundo Maciel, a relevância que políticos alagoanos alcançam na política nacional é consequência da falta de competição na política local. Com chances de reeleição, acumulam mandatos, experiência e influência em Brasília. No familismo, o filho vai assumindo o vácuo do pai e a influência permanece. Lira, por exemplo, já está no seu terceiro mandato: é deputado federal desde 2011, eleito para substituir seu pai, que deixou a Câmara dos Deputados para vencer a eleição ao Senado. Não por acaso, muitos desses políticos mantêm suas bases eleitorais intactas. Além de Benedito de Lira, que foi de senador a prefeito de Barra de São Miguel, outras cidades alagoanas ainda são exemplos do familismo: Murici, por exemplo, é comandada desde 1992 por familiares de Renan Calheiros, incluindo o pai, Olavo, o irmão, Remi, o filho, Renan e o sobrinho, Olavo Neto. Atualmente, o clã Calheiros e os Lira disputam entre si a influência sobre a política estadual. — Não pode perder (a eleição na cidade) porque perde a base. Os personagens podem ter mudado, mas a relação se reproduz: formar bases e isso servir de trampolim para a política nacional — afirmou Heloísa.

Dirigente do Aliança descarta criação do partido até março – Faltando um mês para o prazo dado pelo presidente Jair Bolsonaro para a conclusão da coleta de assinaturas mínimas para a construção do Aliança pelo Brasil, os dirigentes da sigla já se conformam com a impossibilidade de cumpri-lo. O segundo-vice-presidente, o empresário Luís Felipe Belmonte, afirmou que o partido só sai no segundo semestre, no cenário mais otimista: — O partido deverá estar registrado este ano. Caso aumente a velocidade da análise das fichas de apoiamento, esperamos que isso ocorra no início do segundo semestre. Sobre a avaliação de Bolsonaro de que vai precisar se filiar a outra legenda caso o Aliança não fique apto logo, Belmonte destacou: — Quanto ao prazo do presidente é uma avaliação política dele, que fará a opção que entender mais adequada. A legenda está longe de atingir o número mínimo de apoiamentos necessários — 492 mil. Até a última quarta-feira, havia somente 67 mil assinaturas validadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou 13,6% do exigido. Em janeiro, os dirigentes bateram a primeira meta para a obtenção de registro, uma quantidade mínima de assinaturas em nove unidades da federação, o que aliviou a cúpula. Internamente, o Aliança é tratado há algum tempo como um projeto de longo prazo, que servirá para concentrar a base de eleitores bolsonaristas e evitar que haja em 2024, na visão dos aliados do presidente, uma repetição das eleições municipais do ano passado. Na noite da apuração do primeiro turno daquele pleito, quando os candidatos apoiados por Bolsonaro naufragavam sucessivamente em suas empreitadas eleitorais, o sentimento geral no grupo de WhatsApp do Aliança foi de um “choque de realidade”. Para deputados engajados no projeto, a direita bolsonarista não conseguiria se sobressair nas eleições municipais sem um partido próprio. Um aliado de Bolsonaro, sob o anonimato, afirmou acreditar que a legenda não sai “nem para 2022”. Enquanto isso, a cúpula preserva planos de manter a militância confiante e engajada. No próximo mês, os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, além da bancada bolsonarista do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo e outros parlamentares, vão marcar presença num evento na Avenida Paulista para acelerar coleta de assinaturas no estado (que ainda não bateu a meta mínima). O encontro deve servir também para motivar Bolsonaro.

ACM Neto diz a aliados que Bolsonaro ganhou inimigo – Após a nomeação do deputado João Roma (Republicanos-BA) como ministro da Cidadania, o presidente do DEM, ACM Neto (BA), disse a aliados que Jair Bolsonaro ganhou um inimigo e que atuará para levar a maioria do partido para a oposição ao mandatário. O parlamentar foi nomeado a contragosto do ex-prefeito de Salvador, de quem é amigo e afilhado político. Neto queria evitar ser atrelado ao governo. Antes, declarava-se independente. Agora, tem dito que não poupará críticas a Bolsonaro. ACM Neto pediu tanto ao Planalto como ao deputado que ele não virasse ministro. Depois da operação fracassada, a ira do dirigente do DEM é tanta que ele disse a pessoas próximas que trabalhará para demitir indicados por Roma a cargos em Salvador. Afirmou ainda fazer questão de minar o capital político que seu ex-chefe de gabinete tem na Bahia.

Bia Kicis já criticou ‘ativismo vil’ do STF e fez 13 discursos contra Corte – Cotada para presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) nunca chamou os ministros do STF de “vagabundos”, como fez o ex-ministro Abraham Weintraub (Educação), mas já chegou perto disso. Em 14 de fevereiro de 2019, por exemplo, acusou-os em plenário de praticarem “ativismo vil”. Em dois anos de mandato, foram 13 discursos criticando o STF em plenário, o que explica a resistência da corte a que ela assuma a comissão. Chamou atos dos ministros de “vergonhosos”, qualificou os integrantes da corte de “militantes” e afirmou que eles vivem “numa bolha”. Desde que foi indicada, Kicis vem tentando suavizar a imagem. Ela tem dito que nunca foi radical e que suas críticas ao STF são a episódios de interferência em outros Poderes, e não uma defesa do fechamento da corte.

Líderes petistas defendem punição a Marília Arraes – A eleição de Marília Arraes (PT-PE) para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, vencendo o nome oficial do partido, ainda não foi engolida por petistas. Lideranças defendem algum tipo de punição para ela, que teve votos no centrão para conquistar a 2ª secretaria da Casa. Petistas lembram que em episódios semelhantes houve punição severa. Luiza Erundina (SP) foi suspensa por um ano ao aceitar cargo no governo de Itamar Franco, nos anos 90. A mesma pena foi imposta a Virgilio Guimarães (MG) por ter lançado candidatura avulsa à presidência da Câmara em 2005.

As diferenças que animam o PT – Os petistas analisam o quadro para 2022 com a certeza de sucesso com base em três premissas: 1) Em 2018, o candidato Fernando Haddad chegou ao segundo turno, mesmo com o ex-presidente Lula preso. Agora, Lula está solto. Logo, poderá fazer campanha Brasil afora. 2) O ex-juiz Sérgio Moro, na avaliação do PT, não tem mais empuxo para ajudar este ou aquele candidato. 3) O presidente Jair Bolsonaro já não tem a mesma “pegada” eleitoral e perdeu grandes apoios. Logo, não há motivos para evitar uma candidatura própria com o ex-prefeito na cabeça de chapa. O PT, porém, ainda não sabe qual o grau de rejeição ao partido. É a única variável que eles consideram negativa hoje. Significa que o candidato terá que apostar mais na renovação de quadros. E aí mora o problema. A turma mais antiga não quer abrir mão da visibilidade para dar vez a novatos.

Do bom e do melhor – O cardápio de iguarias consumidas pelas Forças Armadas não se limitou à aquisição de milhares de quilos de picanha e garrafas de cerveja ao longo de 2020. Os dados oficiais mostram que a dieta verde oliva também incluiu, no ano passado, a compra de itens como milhares de quilos de lombo de bacalhau – lombo, não o peixe desfiado, que é bem mais em conta –, além de uísques 12 anos e garrafas de conhaque. As novas informações reunidas pelos deputados do PSB serão anexadas à representação que o partido fez à Procuradoria-Geral da República (PGR), para pedir esclarecimentos sobre os gastos alimentares das Forças Armadas, os quais incluíram a compra de mais de 700 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas. Os dados oficiais, obtidos a partir de informações que são repassadas pelos próprios militares ao Painel de Preços do Ministério da Economia, mostram que, no ano passado, foram aprovados processos de compra de 140 mil quilos de lombo de bacalhau, além de outros 9,7 mil quilos de filé do peixe salgado. Em uma das compras registradas pelos militares, consta um pedido homologado pelo Comando da Aeronáutica, para aquisição de 500 quilos de lombo de bacalhau, em que o preço de referência usado pelo órgão público foi de nada menos que R$ 150 o quilo. Esses pedidos, uma vez homologados, ficam à disposição dos órgãos, para que façam suas compras com os fornecedores aprovados. Muitos copos de uísques e conhaques também foram brindados com o uso do dinheiro público. O 38.º Batalhão de Infantaria, por exemplo, comprou dez garrafas do uísque Ballantines, mas desde que fosse com 12 anos de envelhecimento. O preço da garrafa proposto foi de R$ 144,13. Já o Comando da Marinha preferiu adquirir 15 garrafas de Johnnie Walker, também com 12 anos de envelhecimento, o chamado “Black Label”. O valor que se dispôs a pagar para cada unidade foi de R$ 164,18.

Dias decisivos para o controle da pandemia – Membros do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo avaliam que os próximos 30 dias serão decisivos para as projeções de como se dará a guerra contra o novo coronavírus até o final deste ano, quando a previsão é de todo o Estado estar imunizado. No cenário otimista, o ritmo de vacinação acelera e avança satisfatoriamente, enquanto o Plano São Paulo e a população consciente conseguem conter a expansão da doença e, principalmente, da nova variante do vírus. No pessimista, ocorre justamente o contrário, e todos os sinais estão trocados. Por causa do cenário pessimista, tem gente importante no Centro de Contingência que gostaria de ver toda a Coronavac disponível no Butantan sendo imediatamente utilizada na aplicação da primeira dose, o que ampliaria o escopo de vacinados e reforçaria a barreira sanitária. O risco, nesse caso, passaria a ser o prazo recomendado pelo fabricante para a aplicação da segunda dose expirar. O Ministério da Saúde, por ora, é contra essa ampliação do escopo já na primeira dose.

PT não discutiu pré-candidatura de Haddad – A Comissão Executiva Nacional do PT não discutiu formalmente o lançamento de Fernando Haddad como pré-candidato à Presidência da República, segundo o vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá. A decisão “solitária” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria seguido uma lógica oficial: o partido não poderia repetir 2018 e atrelar suas decisões ao Supremo Tribunal Federal (STF). O novo movimento de Lula se deu sob expectativa de futura decisão da Corte sobre a conduta do então juiz Sérgio Moro no processo do triplex do Guarujá (SP). Na sentença, ele condenou o petista a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Se decidir pela suspeição do agora ex-magistrado, o STF pode tirar um obstáculo – não o único – para que o petista dispute a eleição de 2022. Mas não há garantia disso. “Se Lula for reabilitado será o candidato”, disse Quaquá. “Mas também não dá para ficar esperando como em 2018. Somos alternativa de poder. Precisamos organizar a campanha.” Quaquá afirmou que havia um consenso no comando do PT sobre a necessidade de definir já uma pré-candidatura. Sabe-se, porém, que o nome de Haddad não é consensual. Mesmo o processo de escolha – um ato pessoal do ex-presidente – é alvo de críticas reservadas na legenda. Mas, para o vice-presidente, o ex-prefeito de São Paulo, por enquanto, pode começar contatos para ocupar espaço, construir palanques estaduais, conversar com o empresariado, circular no meio político, dialogar com movimentos sociais.

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