Resumo dos jornais de domingo (12/01/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (12/01/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Auditoria mira elo do DPVAT com pessoas próximas a ministros do STF

Auditoria nas contas da Seguradora Líder, responsável pela gestão do seguro DPVAT, questionou uma série de procedimentos na gestão da empresa, incluindo pagamentos por prestação de serviços para pessoas próximas a políticos, a integrantes do governo federal ou ligadas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), muitas vezes sem os devidos detalhamentos e controles. Realizada pela consultoria KPMG, a pedido da atual gestão da seguradora, a análise mostra que a Líder, no período de 2008 a 2017, não atendeu as boas práticas corporativas e correu risco de sofrer sanções legais. Relata, por exemplo, as relações com o escritório do sobrinho do ministro do STF Luís Roberto Barroso. Em outro ponto cita o advogado Mauro Hauschild, ex-assessor do presidente da corte, Dias Toffoli. Procurada pela reportagem, a seguradora informou que seguiu as recomendações da KPMG. A assessoria de Dias Toffoli, afirmou que, no período citado no documento, Hauschild já não atuava no gabinete do ministro. A assessoria de Barroso, por sua vez, declarou que o ministro não atuou em nenhum caso envolvendo o DPVAT, tendo se dado por impedido.

CORREIO BRAZILIENSE: DF tem o menor número de homicídios em 25 anos

O índice de mortes provocadas por esse tipo de crime para cada 100 mil habitantes também está em queda, e foi o mais baixo dos últimos 35 anos em 2019. Ficou em 13% contra 14,7% em 2018. Os dados foram levantados em balanço da Secretaria de Segurança Pública do DF. Em 2019, 415 pessoas morreram assassinadas no DF, o menor número desde 1995, enquanto, em 2018, foram 459. Para efeito de comparação, em 2012, 820 pessoas foram assassinadas. Segundo o consultor de segurança George Felipe Dantas, a queda dos índices de homicídios reflete múltiplos fatores: a inversão da pirâmide etária, a diminuição da urbanização desordenada, a atuação das forças policiais e a organização das áreas públicas. No entanto, a estatística não é positiva em relação aos feminicídios, que cresceram quase 18% (33 casos) na comparação com 2018 (28). Segundo a professora Lia Zanotta, da UnB, o problema precisa ser enfrentado com educação e medidas efetivas de proteção às mulheres.

O ESTADO DE S.PAULO: Brasil volta à rota de investimento dos chineses

Três anos após uma forte ofensiva no mercado brasileiro, quando compraram a CPFL – maior companhia privada do setor elétrico –, investidores chineses estão agora interessados principalmente em empresas de tratamento de água e esgoto e grandes projetos de infraestrutura, como estradas e ferrovias. Em 2017, os asiáticos injetaram no Brasil cerca de US$ 9 bilhões, mas, por causa do cenário político, nos anos seguintes reduziram o volume de investimentos para cerca de US$ 3 bilhões. Com o movimento de aproximação dos presidentes Jair Bolsonaro e Xi Jinping e os vários projetos de concessão e privatização em oferta no País, a expectativa para 2020 é de que eles invistam em torno de US$ 7 bilhões, segundo Eduardo Centola, presidente do Banco Modal, que assessora grupos chineses. O ritmo de concessões ditará os aportes.

O GLOBO: Mulheres são 70% entre os graduados que ganham o mínimo

Mesmo com mais anos de estudo que os homens e maior presença nas faculdades, as mulheres são maioria entre os trabalhadores que, apesar de terem nível superior, ganham até um salário mínimo, revela Cássia Almeida. A situação se mantém em períodos de crescimento ou recessão.

Destaques do dia

Instabilidade, a nova ordem mundial – Para oito estudiosos de conflitos militares e Oriente Médio ouvidos por André Duchiade e Vivian Oswald , o Irã e os EUA não desejam a guerra custosa, e de resultado incerto, de soldados contra soldados. Mas a execução de Qassem Soleimani, general de um país com o qual os americanos não estão em confronto declarado, transformou a situação num terreno movediço. A ação, sem precedentes, tornou imprecisas as próprias definições de guerra. Após o Irã ter admitido que abateu “por erro humano” um avião da Ukraine Airlines, matando 176 pessoas, líderes mundiais cobraram uma investigação completa e transparente sobre o caso. “Uma grande guerra não seria bem recebida nos EUA. Mas o risco de mal-entendidos, acidentes e uma escalada é real” – Leslie Vinjamuri, diretora do Programa de Estados Unidos e Américas da Chatham House, em Londres.

Para a plateia: Nenhum policial pede indulto criado por Bolsonaro – O indulto de Natal concedido pelo presidente Jair Bolsonaro a agentes de segurança pública condenados por crimes culposos teve alcance restrito e pouco efeito prático. Vinte dias depois de sua edição, O GLOBO não encontrou nenhum caso de policial ou outro militar que tenha buscado na Justiça um perdão de pena com base no decreto. O GLOBO consultou os Tribunais de Justiça (TJs), as Defensorias Públicas, os andamentos processuais disponíveis, associações de policiais e fontes com atuação nos dez estados brasileiros onde a PM mais mata em serviço. Nenhum caso de pedido de indulto foi encontrado. Em anos anteriores, pedidos à Justiça eram quase automáticos nos dias seguintes às edições dos decretos de indulto. A não detecção de pedidos não significa que os casos não existam, mas autoridades com atuação na área afirmam que o universo de militares condenados por um crime culposo (quando não há intenção de cometer o crime) ou por excesso culposo (quando a legítima defesa extrapola o aceitável, também sem a intenção de se praticar o excesso) é muito restrito.

Medida foi tomada sem dados sobre sua extensão – O decreto de indulto a policiais e militares condenados por crimes culposos foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro sem que os órgãos oficiais relacionados tenham dados estatísticos sobre a real extensão da medida. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que discute o indulto sob um viés técnico e faz sugestões à Presidência da República, não sabe quantos militares foram condenados por crimes culposos ou por excesso culposo. O Departamento Penitenciário Nacional também não. Os dois são vinculados ao Ministério da Justiça. No âmbito do Judiciário, nem o Conselho Nacional de Justiça nem o Conselho Nacional do Ministério Público sabem precisar o tamanho desse universo. O entendimento no CNPCP, segundo conselheiros ouvidos pelo GLOBO, é que a abrangência do decreto é “muito pequena”. —É difícil imaginar que existe um PM preso por crime culposo. Ninguém fica preso por isso — diz um conselheiro.

Moro: um perfil cada vez mais político e menos institucional no Twitter – Em pouco mais de 700 tuítes até agora, o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) tem desenhado um perfil cada vez mais político para si. Desde abril, quando ingressou na rede social, Moro reduziu a frequência de postagens sobre ações de governo e aumentou a carga de elogios, críticas e posicionamentos sobre temas variados, desde a soltura do ex-presidente Lula até índices de criminalidade no país. Análise do GLOBO a partir das publicações de Moro no Twitter aponta que o ministro usou a rede social de forma mais opinativa nos últimos meses. Em dezembro, por exemplo, a conta do ministro somou 25 tuítes em que predominaram opiniões, por exemplo, sobre o decreto do indulto natalino, a sanção à figura do juiz de garantias e a escolha do próprio Moro como uma das personalidades da década por um jornal britânico. Já no mês de estreia na rede social foram apenas 14 postagens com esse perfil, a maioria rebatendo críticas ao pacote anticrime. Enquanto Moro fez quase 100 publicações em abril destinadas a divulgar ou explicar ações de governo, a incidência desse perfil caiu para 36 tuítes em novembro, mês que antecedeu a aprovação do pacote anticrime no Congresso. Ao criar sua conta no Twitter, Moro disse que usaria a rede social para “divulgar os projetos e propostas” do Ministério da Justiça, além de “explicar o projeto anticrime”. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Moro afirmou que “o ministro cuida pessoalmente da conta do Twitter e, eventualmente, discute o conteúdo com secretários e assessores”.

Líderar roubo de ouro em Guarulhos é preso – Suspeito de ser o mentor do roubo de 700 quilos de ouro no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, em julho passado, Francisco Teotônio da Silva Pasqualini foi preso na madrugada de sábado por agentes da6ª Delegacia de Investigações sobre Narcóticos (Dise), que o reconheceram quando faziam uma operação em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Pasqualini teve a prisão decretada sob a acusação de comandar o roubo, que contou com carros clonados da Polícia Federal e da Aeronáutica para acessar o hangar de uma transportadora de valores. Na fuga, foi usada uma ambulância. Segundo a polícia, Pasqualini atuava em roubo de carros fortes desde os anos 1980. Outros quatro suspeitos de participar do crime estão presos. A quadrilha responde por roubo qualificado, organização criminosa armada e adulteração de identificação de veículos. Além de ouro, os ladrões roubaram 15 quilos de esmeraldas e relógios e correntes Louis Vitton em dois minutos e meio, sem dar um tiro. Em novembro, entrou em vigor uma resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelecendo controle mais rígido em áreas restritas do aeroporto de Guarulhos, mas ela não incluiu o setor de cargas.

No Congresso, governo entra em 2020 já com obstáculos – O presidente Jair Bolsonaro enfrentará dificuldades para aprovar medidas provisórias (MPs) que perdem validade logo no retorno dos trabalhos do Legislativo, no início de fevereiro. Uma delas foi anunciada com pompa pelo Palácio do Planalto, inclusive com inserções na TV: institui a nova carteirinha de estudante digital, sem a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) na confecção. Essa MP deixa de valer em 16 de fevereiro, caso não seja votada pelo Congresso. Bolsonaro ainda enfrentará resistência para negociar a MP que extingue o DPVAT, seguro obrigatório cobrado para indenizar as vítimas de acidentes de trânsito, e outra que foi elaborada para criar a carteira de trabalho verde e amarela. Essa última recebeu 1.930 emendas em comissão mista e, caso avance, deve ser desfigurada pelos parlamentares. Também em 16 de fevereiro, a MP que tornou a publicação do Diário Oficial exclusivamente em meio eletrônico pode perder a validade. Em 2019, Bolsonaro enviou 48 MPs ao Congresso. Delas, apenas 12, ou seja, 25% se transformaram em leis. Outras 12 perderam a validade ou foram rejeitadas, e 24 continuam em tramitação. Apesar de o entorno do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, reconhecer a possibilidade de derrota nessas MPs, o governo não demonstra preocupação. Em 2020, o Planalto não entrou em contato com os parlamentares para defender as medidas provisórias.

Um quinto da Câmara mira disputas municipais – Um quinto da Câmara avalia entrar em campanha para disputar prefeituras em 2020. Levantamento do GLOBO identificou pelo menos 104 dos 513 deputados federais, de 22 estados, como possíveis candidatos nas eleições municipais de outubro, com base em declarações públicas, manifestações partidárias ou informações de bastidores. Neste ano, os parlamentares terão uma vantagem competitiva em relação aos demais postulantes, já que têm controle sobre o Orçamento impositivo, podendo destinar uma verba 46% maior do que antes aos seus próprios currais eleitorais. Com a mudança na lei em 2019, o governo federal agora será obrigado a pagar todas as emendas parlamentares, individuais e de bancadas. Além disso, pela primeira vez, as transferências para os municípios não precisarão passar pela Caixa Econômica Federal. — É obrigatório destinar essa verba para saúde e educação, mas o parlamentar tem como usar isso como promessa de campanha — diz o cientista político Antônio Testa, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB). As mudanças fortalecem o Congresso e favorecem deputados que destinaram emendas no Orçamento de 2020.

Uma disputa de R$ 55 bilhões – Começa a ser julgado na quarta-feira na Câmara Arbitral da B3 uma parte do maior contencioso empresarial em curso no Brasil. Trata-se de uma disputa que pode obrigar a União a ressarcir a Petrobras em R$ 55 bilhões pelos danos causados à empresa com a roubalheira descoberta pela Lava-Jato. O que vai ser decidido nos próximos dias pela B3 não é ainda se a União indenizará a estatal, mas um capítulo anterior dessa contenda bilionária: quem tem o direito de representá-la contra a União na Justiça. De um lado, está o LexFinance, um fundo estrangeiro que financia um investidor argentino, minoritário da Petrobras. Do outro, a Fundação Mudes, uma organização que, apesar de ser focada em integrar estudantes ao mercado de trabalho, também é dona de ações da petroleira. Nesta disputa com o Lex, a Mudes é financiada pelo fundo Leste que, aliás, tem como um dos seus dois cotistas o BTG.

A 180 graus – Rodrigo Maia pensa exatamente o contrário do que escreveu no Twitter, quando fez coro com Jair Bolsonaro e criticou a possibilidade de extinção dos subsídios à geração de energia solar. Em privado, Maia pega a contramão: se diz favorável à taxação. Argumenta que apenas os mais abastados têm acesso à energia limpa e, por isso, garantir privilégios ao setor significa repassar ao grosso da população a conta das benesses concedidas a uma parcela ínfima de consumidores. Mas então por que Maia resolveu propagar o que não acredita? Preferiu mudar de lado e se juntar a Bolsonaro e David Alcolumbre para evitar o ônus do isolamento político.

‘Bolsonaro contraria interesses brasileiros’ – O ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente e ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) Rubens Ricupero afirma que a mudança na postura diplomática brasileira, de apoio aos Estados Unidos após a escalada de tensões com o Irã, trará consequências negativas para o comércio exterior brasileiro. Em entrevista por e-mail ao GLOBO, o diplomata de carreira lembra que Donald Trump tem ameaçado exportações do Brasil enquanto o Irã é grande cliente do nosso agronegócio. E alerta que o Brasil voltou a ficar vulnerável nas contas externas, o que já causou crises cambiais no passado, limitando o crescimento.

‘Se você quer fugir, tem de ser rápido e surpreendente’ – Ex-executivo disse a Fernando Scheller, enviado ao Líbano, que o planejamento de sua fuga do Japão foi feito aproveitando-se do fato de que os japoneses “não são rápidos”. “Se você quer ser bem-sucedido, tem de ser rápido e surpreendente.” Ele afirmou que seu maior erro na empresa foi “nomear pessoas que não eram honestas”. Protagonista de uma fuga que teria envolvido jatos alugados de uma empresa turca, especialistas em segurança e até uma caixa de instrumento musical como esconderijo, o ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn não tem dado detalhes sobre como escapou do Japão. Porém, em entrevista ao Estado, afirmou que todo o planejamento para empreender a fuga, executada em 29 de dezembro de 2019, ocorreu no último mês do ano. “Se você quer ser bem-sucedido em uma fuga, você tem de ser rápido e surpreendente. O que foi feito.” O executivo voltou a falar sobre o que considerou falta de apoio do presidente Jair Bolsonaro – o governo manteve-se neutro no caso. “A posição do presidente foi influenciada pelo ministro das Relações Exteriores (Ernesto Araújo), que disse para ele não aborrecer os japoneses. Foi a opinião que prevaleceu”, afirmou. “É uma pena. Eu sou um cidadão brasileiro – e o cidadão brasileiro, frente aos japoneses, não conta muito.”

Área jurídica do Planalto acumula ‘barbeiragens’ – A Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), comandada por Jorge Oliveira, virou alvo de críticas por causa de “barbeiragens” no primeiro ano de Jair Bolsonaro. A pasta é ligada à Secretaria Geral da Presidência. A SAJ afirmou que “divergências são naturais”. Um dos postos mais estratégicos do governo, a Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) virou alvo de críticas dentro e fora do Palácio do Planalto pelas “barbeiragens” no primeiro ano da gestão Jair Bolsonaro. As “derrapadas” da repartição responsável por aconselhar o presidente na tomada de decisões já o obrigaram a recuar de anúncios, como uma Medida Provisória (MP) para aumentar salários de policiais do Distrito Federal, e provocaram mal-estar com o Supremo Tribunal Federal (STF), após a insistência em transferir a demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura. A pasta é ligada à Secretaria Geral da Presidência e os dois cargos são acumulados pelo ministro Jorge Oliveira, um dos auxiliares mais próximos do presidente, além de ser seu amigo. Advogado e policial militar da reserva do Distrito Federal, ele assumiu a SAJ no início do ano, quando a secretaria ainda se reportava à Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni. Foi alçado a ministro-chefe da Secretaria Geral em uma reestruturação feita em junho do ano passado e levou consigo o núcleo da SAJ, esvaziando a Casa Civil. Em um ano de governo, a Subchefia de Assuntos Jurídicos já deu aval para aumentos salariais sem dotação orçamentária, reedição de Medida Provisória – texto legal que tem vigência imediata – com conteúdo idêntico no mesmo ano, o que é vedado pela Constituição, e decretos com trechos considerados inconstitucionais. Nos bastidores, as “barbeiragens” jurídicas são atribuídas ao fato de um novo governo demorar para se familiarizar com o dia a dia da burocracia, mas também ao atropelo patrocinado pela equipe de Oliveira, na tentativa de emplacar projetos de interesse de Bolsonaro e seu eleitorado.

Promotores criticam mudanças em delação premiada – Além de criar a figura do juiz de garantias, o pacote anticrime sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de dezembro promove mudanças na delação premiada. Responsáveis por investigar casos de corrupção, como a Máfia do ISS, promotores de São Paulo afirmam que, se a nova lei estivesse em vigor entre 2013 e 2016, eles não teriam conseguido dar prosseguimento ao trabalho que culminou na denúncia de mais de 30 pessoas e a recuperação de cerca de R$ 500 milhões. Integrantes do Grupo Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec), os promotores Roberto Bodini e Rodrigo Mansour dizem que o texto tirou do Ministério Público a possibilidade de oferecer benefícios aos delatores. Nas investigações da Máfia do ISS, os promotores podiam definir, em conjunto com os delatores, se a pena a qual eles seriam condenados poderia ser cumprida em regime aberto ou mesmo se poderia haver progressão de regime – cabia a um magistrado apenas homologar o acordo. Com a nova medida, a negociação inclui apenas a redução da pena. Eventuais vantagens penais devem ser decididas por um juiz. O texto também obriga o colaborador a relatar apenas ilegalidades que tenham ligação direta com os fatos investigados. O delator não poderia contar, portanto, temas ainda desconhecidos pelos policiais. Segundo Bodini, a vantagem em delatar foi perdida.

Para furar ‘bolha’ da esquerda, Dino vai do MST a Huck – Nos primeiros dias de 2020, dois fatos lançaram o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), ao centro do debate político nacional. O primeiro foi a notícia de um encontro com o apresentador de TV e empresário Luciano Huck, apontado como possível candidato a presidente, que levou a especulações sobre uma chapa Huck/Dino em 2022. O segundo foi a reação do PT, por meio de um de seus vice-presidentes, o deputado Paulo Teixeira (SP), que usou as redes sociais para dizer que, “com Lula ou Haddad, Dino estará na nossa chapa presidencial”. Dias antes, o próprio Lula havia elogiado Dino durante uma feijoada na casa do ex-prefeito Fernando Haddad. Para o ex-presidente, o governador é, atualmente, um dos únicos líderes da esquerda que consegue falar para “fora da bolha”. Tirar a esquerda do isolamento em que se meteu nos últimos anos tem sido o principal objetivo de Dino no plano nacional. Desde que tomou posse, em 2015, o governador mantém uma coligação de 16 partidos que vai do PCdoB ao DEM, incluiu líderes evangélicos no governo e construiu boas relações com setores distintos, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Federação das Indústrias do Maranhão. Além disso, aprovou em velocidade recorde a reforma da previdência estadual, participou da criação de três consórcios regionais de governadores e abriu diálogo com nomes tão díspares como Lula e o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidenciável do PSOL em 2018, Guilherme Boulos, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em junho do ano passado, fez uma visita ao arquirrival, o ex-presidente José Sarney (MDB).

‘Governo ficou ensandecido para pegar o dinheiro’, diz Luciano Bivar – Presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE) sustenta que foi o dinheiro público destinado ao partido o real motivo do racha entre os grupos liderados por ele e pelo presidente Jair Bolsonaro. Com a eleição de 52 deputados, o PSL passou da condição de nanico para detentor da segunda maior fatia do Fundo Partidário – só em 2019, a legenda recebeu mais de R$ 87 milhões, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A cúpula do governo ficou ensandecida para pegar esse dinheiro”, disse Bivar em entrevista ao Estado. “Acho uma coisa abominável”, completou, ao falar sobre a crise que rachou o partido e levou à desfiliação de Bolsonaro. Agora, ele tece críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e engrossa o coro dos que apontam falta de habilidade da gestão Bolsonaro. “O governo se preocupa mais com os costumes e o conservadorismo do que com a economia”, disse.

Articulação política do governo quer ‘Economia solidária’ em 2020 – A menos um mês da volta aos trabalhos no Congresso, membros da articulação política sonham com uma equipe econômica “menos independente” e “mais solidária” com o governo. A ideia deles é mudar o modus operandi do time de Paulo Guedes – que, claro, tem funcionado bem, diga-se: aprovou a reforma da Previdência. No atacado, o discurso soa uníssono. Mas, no varejo, interlocutores do ministro da Economia atuam de forma quase autônoma em relação ao restante do governo, combinando o jogo com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. O Planalto também fica no escuro: a equipe econômica anuncia a entrega da data de um projeto e, apenas na véspera, apresenta o texto para a articulação política, a cargo, principalmente, da Secretaria de Governo, ajudada pela Secretaria Geral, pela Casa Civil e pelos líderes governistas no Congresso. Será? Para interlocutores da articulação, esse é um dos motivos das várias cabeçadas no Congresso.

Otimismo eleitoral – O presidente Jair Bolsonaro está otimista em relação à fundação do Aliança. “Se eu estiver bem em 2022, dá para a gente fazer uma bancada com uns 100 deputados”, disse ele, em uma live na semana passada. Segundo Bolsonaro, uma vez formado o partido, a ideia é designar um ‘comandante’ em cada estado com a devida orientação de como proceder na região. “Com 100 parlamentares, você ocupa posição de destaque na mesa, coloca alguém que produza alguma coisa, que não seja um poste, preocupado apenas com seus interesses. Aí vamos impor tudo aquilo que nosso povo quer. Esse é o sonho que a gente prepara em 2022”, destacou.

A César o que é de César – A decisão do STF que autorizou a redução do DPVAT neste ano não encerra a queda de braço travada pela área econômica com as administradoras do seguro. A Susep (Superintendência de Seguros Privados), ligada ao Ministério da Economia, quer eliminar a trava legal que impede zerar o valor da proteção obrigatória para carros e motos, o que pode anular a cobrança por até cinco anos. Para o órgão, as empresas cobraram mais do que deviam no passado e o dinheiro é do consumidor. No recurso apresentado ao Supremo, a Susep afirma que o consórcio de seguradoras que administra o DPVAT, a Líder, acumulou R$ 8,9 bilhões de dinheiro cobrado a mais do contribuinte no passado, e essas reservas devem ser usadas, agora, para reduzir a arrecadação. O montante, porém, pode ser maior. A Susep apura se a Líder fez despesas administrativas não autorizadas nos últimos dez anos, que acabaram embutidas no valor cobrado dos consumidores. A entidade calcula que as empresas podem ter que devolver mais R$ 1 bilhão. Empresas que compõem o consórcio contestam –na sua visão, o dinheiro é privado, resultado de serviço prestado. A pendenga pode parar na Justiça. Técnicos do governo têm denominado a Líder como um cartel, o que já indica o humor atual do poder público com o consórcio. Medida provisória que propõe a extinção do DPVAT enfrenta resistência de líderes da centro-direita, que consideram a ofensiva uma vingança de Jair Bolsonaro contra Luciano Bivar (PSL-PE), dono de uma das empresas que compõem a Líder.

error:

Notice: Undefined index: prnt_scr_msg in /var/www/wp-content/plugins/wp-content-copy-protector/preventer-index.php on line 171