Resumo dos jornais de domingo (10) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (10)

Editado por Chico Bruno

Manchete da FOLHA DE S.PAULO: Bolsonaro e Lula partem para a troca de ataques

Em sua primeira manifestação sobre a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) chamou o petista de canalha sem citar seu nome. Mais tarde, ao deixar o Palácio da Alvorada, disse não se deve “contemporizar com um presidiário”. Bolsonaro postou um vídeo em homenagem ao ministro da Justiça, Sergio Moro – que quando juiz da Lava Jato, condenou Lula em 2018 por corrupção. Moro, por sua vez, lamentou a decisão do Supremo Tribunal Federal que barrou prisões após a segunda instância. Em São Bernardo do Campo (SP), berço do PT, o petista repetiu ataques ao ministro da Justiça e à imprensa. Dedicou ainda uma série de críticas à política econômica de orientação liberal do governo, associando-a às tensões sociais atualmente experimentadas pelo Chile. Cercado por aliados durante seu discurso, Lula vinculou Bolsonaro a milicianos que ameaçariam o país. Disse aceitar o resultado das eleições, mas que o presidente não foi eleito a fim de governar para as milícias do Rio de Janeiro. “Estou de volta”, anunciou.

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Para o centro, discurso de Lula reforça radicalismo e reaglutina a direita – Os primeiros sinais emitidos por Lula alarmaram políticos de centro, confirmando os temores de que o petista apostaria no embate direto com Jair Bolsonaro, reacendendo a polarização. Esse grupo entende que, ao mencionar os protestos no Chile e convocar a esquerda a voltar às ruas, o ex-presidente abriu caminho para a reaglutinação da direita, com o antipetismo superando a rejeição aos erros e excessos do governo e reduzindo o espaço de discursos não radicais. “O radicalismo se retroalimenta. Ou o centro toma coragem e reage, ou o Brasil vai sofrer mais do que poderia imaginar”, diz Aécio Neves (PSDB-MG), citado pelo ex-presidente no discurso deste sábado (9). Alguns dos aliados mais próximos de Lula reconhecem que ele poderia ter usado um tom mais moderado e ensaiam uma conversa sobre o assunto. A expectativa é a de que, tão logo consiga digerir a saída da prisão, o petista acomode seu discurso. Esse grupo diz que, com processos criminais em curso e à espera do julgamento no Supremo da ação sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, não dá para apostar só no radicalismo. Embora tenha dito de início que pretendia passar uma semana com a família antes de mergulhar nas conversas políticas, o ex-presidente marcou encontros para esta semana. Ele voltará a despachar do Instituto Lula.

Lula deixou mala para trás – Lula não arrumou as malas. As fotos da família e da namorada ficaram na parede, as roupas pelos cantos. Tudo do jeito que esteve nos últimos 580 dias em que o ex-presidente viveu confinado num quarto adaptado como cela, no quarto andar da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Um grupo de advogados e petistas se reuniu em sua cela e ele foi informado por um policial que estava livre. No dia 8 de novembro de 2019, o petista desceu pelas escadas de incêndio da parte de trás do prédio da Polícia Federal, uma tática para despistar a imprensa. Não levou nada nas mãos. As coisas que ficaram para trás serão entregues para um assessor durante a semana.

Discurso de inocência de Lula é como o criado por Goebbels – Derrubado pela Lava Jato, o ex-senador Delcídio do Amaral, 64, diz que a operação deixa um legado positivo, sobre a necessidade de boas práticas em estatais e no setor privado, mas falhou ao sufocar financeiramente as empresas investigadas. “A gente não pode dizer que a Lava Jato foi comandada por heróis, por deuses. O Brasil não precisa de heróis, e Deus só tem um”, afirmou à Folha. Outrora um dos principais líderes do PT, ele criticou o partido e o ex-presidente Lula, solto na sexta-feira (8) depois da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que barrou a permanência na prisão de condenados em segunda instância. Delcídio comparou o discurso de inocência de Lula à tática atribuída a Joseph Goebbels, que foi ministro da propaganda de Adolf Hitler. “Ele montou esse discurso. É a história do Goebbels na Alemanha nazista, de contar uma mentira várias vezes e ela acabar virando verdade.”

STF enfrentará ação sobre Flávio Bolsonaro – Passado o julgamento mais esperado do ano, que derrubou a possibilidade de prender condenados em segunda instância e resultou na soltura do ex-presidente Lula (PT) na sexta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal se prepara para debater uma nova polêmica com ampla repercussão política. A corte se debruçará sobre a decisão de seu presidente, Dias Toffoli, que paralisou todas as investigações do país que usaram dados de órgão de controle, como o antigo Coaf, sem prévia autorização judicial. O processo sobre o tema está previsto para ser julgado no plenário do Supremo no próximo dia 21. Toffoli é o relator. Há a possibilidade de que ele resolva antecipar a análise do tema para o dia 20. No caso da prisão em segunda instância, o julgamento do STF interessava a Lula, que acabou solto depois de passar 580 dias preso em Curitiba. No caso do Coaf, o resultado interessa ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro. O senador é o autor do pedido que motivou a decisão de Toffoli de suspender as apurações criminais pelo país.

Bolsonaro já vendeu R$ 91 bi em ativos de BB, Petrobras e Caixa – Apesar de afirmar não ter a intenção de privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa, o governo Jair Bolsonaro já vendeu R$ 91,3 bilhões em ativos das três estatais. O valor representa uma média de R$ 294 milhões por dia em 2019. O levantamento foi feito pela Folha com base nos comunicados divulgados pelas empresas ao mercado ao longo deste ano, considerando negócios já assinados ou em fase de conclusão. As vendas refletem a disposição do governo de reduzir sua participação em áreas de atuação que considera desnecessárias, conforme orientação seguida pela equipe econômica. O secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercado, Salim Mattar, usa como argumento para as vendas o artigo 173 da Constituição. Esse dispositivo diz que a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida se necessária à segurança nacional ou quando houver relevante interesse coletivo. Para Mattar, não é o que se vê no portfólio do governo. Em outubro, segundo cálculos de sua secretaria, havia 637 estatais federais com participação direta e indireta da União —ainda mais do que o previsto no início do ano, quando a conta do governo indicava a existência de 440 empresas. O Ministério da Economia mantém o discurso de que o governo Bolsonaro não pretende privatizar Petrobras, BB e Caixa.

Manchete do CORREIO BRAZILIENSE: Ibaneis envia reajuste da PM amanhã

O objetivo do governador é equiparar os ganhos líquidos dos servidores das Forças de Segurança do Distrito Federal. “Vamos convocar todo o pessoal das associações e os comandantes da Política Militar e do Corpo de Bombeiros para que a gente faça um encaminhamento conjunto, levando essa proposta ao presidente Jair Bolsonaro”, destacou Ibaneis Rocha. A bancada federal do DF também se articula com o objetivo de aprovar o texto no Congresso Nacional.

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Fake News – A deputada Érika Kokay (PT-DF) postou no Twitter uma imagem de jornalistas da Globo News com o seguinte texto logo após a liberação do ex-presidente Lula da prisão, na última sexta: “O povo brasileiro em festa e a ‘golpe news’ em clima de velório. Tão simbólico”. O correspondente em Nova York Guga Chacra, que aparece na foto, rebateu: “Cara Érika Kokay, não estou no ar neste momento e o Em Pauta só começa às 20h (são 18h57) e não participo hoje. Essa foto não é de hoje e inclusive não uso este terno desde setembro porque rasgou no metrô. Portanto, pediria que retirasse esta foto porque isso é fake news. Obrigado”. A jornalista Monica Waldvogel também comentou. Em seguida, Kokay apagou.

Juíza vai assumir a AMB – A juíza Renata Gil, da chapa AMB + Forte, Uma só Magistratura, foi eleita presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para o triênio 2020-2022. Primeira mulher a ocupar o cargo desde a criação da associação, há 70 anos, a magistrada e sua chapa receberam 6.584 votos (80%), maior número de votos da história. O candidato Luiz Gomes da Rocha, da Magistratura Independente, contabilizou 951 votos, e José Carlos Kulzer, da chapa Unidade (da Carreira e (é) Independência (da Magistratura), 765 votos.

Protestos contra o STF – Manifestações convocadas pelo Movimento Vem pra Rua ocorreram em várias cidades contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu a prisão após condenação em segunda instância. Os manifestantes também declararam apoio ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro Sergio Moro e protestaram contra a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em Brasília, a concentração ocorreu à tarde na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso. Os participantes vestiram camisas nas cores verde e amarela e colocaram faixas e cartazes sobre o gramado por cerca de duas horas. A intenção era chegar até a Praça dos Três Poderes, mas o local está com acesso restrito por conta do esquema de segurança organizado para a reunião da cúpula do Brics, que ocorre nesta semana. O ato seguiu de forma pacífica e não foram registradas ocorrências. A Polícia Militar não divulgou número de participantes.

América do Sul – Em seu segundo discurso após sair da cadeia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao governo. Usando um tom mais radical em suas declarações, o petista criticou a agenda econômica; atacou a força-tarefa da Lava-Jato e o ministro Sergio Moro; e disse que o presidente Jair Bolsonaro “governa para milicianos”. Ele participou de um ato na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Paulo, local onde se entregou para a Polícia Federal, em abril do ano. Em cerca de meia hora, Lula lançou campanha antecipada e afirmou que vai percorrer o país, destacando que vai atuar para que a esquerda vença as eleições de 2022. Lula lembrou de revoltas populares que estão ocorrendo em outros países da América do Sul, como o Chile, o Peru e o Equador, e convocou o povo para ir às ruas. No entanto, ele não marcou data ou fez referência a atos específicos. “Os nossos deputados vão ter que virar leões naquele Congresso para não deixar eles aprovarem o que querem contra o povo trabalhador. Temos que seguir o exemplo do povo da Bolívia, do Chile, do Equador. Não é só lutar, é resistir. É atacar. Estamos muito calmos”, completou.

30 anos de uma democracia – O Brasil comemora, nesta semana, 30 anos da retomada do voto direto para presidente da República. O direito de livre escolha da população foi restabelecido depois de 21 anos de ditadura militar (1964-1985) e de um governo civil eleito indiretamente, o que impulsionou a redemocratização. O retorno às urnas foi sob a égide de uma nova Constituição, promulgada no ano anterior. Mas, após três décadas, essa jovem democracia enfrenta o desafio de se manter viva. Todos queriam participar da corrida presidencial de 1989, de políticos a eleitores, que assistiam aos debates como “se fosse novela das oito”, diz Guilherme Afif Domingos, um dos 22 candidatos à Presidência da República em 1989, pelo PL. Na avaliação dele, uma das principais semelhanças em relação a 2019 foi a fraca participação das grandes legendas. “Isso se mostrou um retumbante fracasso. A máquina não funcionou, o que funcionou foi o produto”, lembra Afif. Em 15 de novembro de 1989, o então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, filiado ao PRN, foi eleito diretamente pelos brasileiros para governar o país. Em uma corrida com 22 candidatos, venceu, no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva, líder do PT, em extrema polarização política.

Manchete de O ESTADO DE S.PAULO: Com crédito e FGTS, comércio espera melhor Natal em 6 anos

A indústria de bens de consumo e o comércio projetam uma retomada sustentável das vendas neste fim de ano. Juros em queda, inflação baixa, mais crédito e os saques do FGTS podem ajudar a sustentar o crescimento da produção e do comércio no último trimestre do ano. Pesquisas indicam que 77% dos brasileiros adultos pretendem ir às compras. O varejo espera que o faturamento real do Natal cresça 4,8% em relação a 2018. Com estoques mais enxutos nas lojas e velocidade maior de produção nas fábricas, a expectativa é de que este seja o melhor Natal desde 2013. Empresas acreditam ainda que o consumo de itens de maior valor, que ficou represado por causa da crise, possa deslanchar com a conjuntura favorável. “Nos últimos cinco anos, ficamos só com a venda para reposição dos eletrodomésticos, mas a população cresceu e a demanda reprimida é grande”, diz o presidente da Whirlpool – dona das marcas Brastemp e Consul – para a América Latina, João Carlos Brega.

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Com Doria, prefeitos ficam sem cafezinho – Há dois anos, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) cortava bolo para comemorar a marca de ter visitado as 645 cidades de São Paulo durante o mandato. De estilo municipalista, ele praticava a política corpo a corpo, especialmente com aliados do interior, que visitava e recebia com frequência. Foi assim nos 13 anos em que esteve à frente do Estado. Não é mais. Com a chegada do também tucano João Doria ao governo, os tradicionais cafezinhos no Palácio dos Bandeirantes foram cortados, assim como as selfies. E bem às vésperas de um ano de eleição municipal. O novo estilo segue compromisso assumido pelo atual governador no dia da posse: “Não vamos fazer romaria para cafezinho, chá. Não quero fulanizar, mas a partir de agora vai mudar”. Mudou mesmo. De janeiro pra cá, Doria recebeu apenas cinco prefeitos do interior em seu gabinete. E, quando tem evento em alguma cidade, não fica papeando depois, como Alckmin fazia. O tête-à-tête agora, segundo aliados, é ‘virtual’. “O governador manda fotos, vídeos. Tudo pelo WhatsApp, para prefeitos que pedem. Também liga para todos eles no dia do aniversário. O contato existe, é próximo, só não é feito como antes”, contou o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, que, na reestruturação das pastas, ficou com a função de fazer a ligação do Palácio dos Bandeirantes com as prefeituras. É no gabinete dele, e não mais no do governador, que os chefes do Executivo municipal despacham. “Por dia, recebo pelo menos três prefeitos”, afirmou.

Lula planeja sair de São Bernardo – Depois de mais de 40 anos vivendo em São Bernardo do Campo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogita a possibilidade de deixar a cidade do ABC onde construiu sua carreira política para morar em São Paulo. Lula autorizou auxiliares a procurar um imóvel onde quer viver com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, sua namorada e com quem anunciou que pretende se casar. O ex-presidente amadureceu a decisão de sair de São Bernardo durante os 19 meses que passou preso. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, em outubro, admitiu publicamente pela primeira vez a possibilidade. “Eu não tenho mais o que fazer em São Bernardo”, disse o petista. A amigos, ele tem dito que não tem mais vínculos com a cidade do ABC desde que a ex-primeira-dama Marisa Letícia morreu em fevereiro de 2017. Três de seus cinco filhos vivem na capital paulista. Lurian, sua filha mais velha, mora no Rio. O único que continua em São Bernardo é Marcos, filho do primeiro casamento de Marisa. Lula também já revelou ter o sonho antigo de voltar a morar no Nordeste, região na qual nasceu mas que deixou ainda aos cinco anos de idade junto com a mãe, dona Lindu, e outros sete irmãos para viver em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, no litoral de São Paulo. Pessoas próximas têm incentivado Lula a aproveitar o relacionamento com Janja para mudar de hábitos. Amigos dizem que há décadas a vida social do ex-presidente é vinculada à política. Ele costumava sair pouco para atividades de lazer, mesmo em viagens internacionais, e os momentos de diversão quase sempre eram em sua própria casa ou nas de amigos. Estes amigos acham que, em São Paulo, Lula poderia sair mais.

‘Novo’ general Heleno surpreende ala militar – O general reformado do Exército Augusto Heleno Ribeiro, de 72 anos, deixou de vez no cabide a farda de militar de bastidor. Na semana passada, seu estilo político agressivo ficou mais em evidência e Heleno virou figura em ascensão do bolsonarismo nas redes sociais. A nova postura do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) surpreendeu antigos companheiros de quartel, que sempre o consideraram um nome da estratégia, do consenso e da moderação. Ao aparecer ao lado do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em 2018, Heleno ajudou a vencer a resistência ao nome do ex-capitão nas Forças Armadas. Os oficiais refratários a Bolsonaro avaliaram que o general poderia segurar possíveis rompantes do presidente. Nos últimos dias, porém, Heleno passou a ocupar a linha de frente da guerra contra a imprensa e a esquerda, alimentada pelo bolsonarismo. O último embate o deixou exposto a críticas, inclusive da caserna. No último dia 31, em entrevista ao Estado, o general comentou a defesa feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, de um “novo AI-5” para conter eventuais distúrbios de rua. As declarações levaram Heleno a ter que se explicar na Câmara. Heleno teve de se explicar. Na Câmara, disse que jamais pensou em resgatar o AI-5, mas adotou um tom agressivo com deputados da oposição em audiência na Comissão de Integração Nacional e partiu para ataques nas mídias sociais. Criticado pela atitude radical, Heleno não recebeu apoio público de nenhum nome de destaque das Forças Armadas, nem do presidente. No Planalto há quem diga que sua postura está relacionada à sobrevivência política em um governo com alto grau de belicosidade. Foi isso que levou o ministro do GSI a se reinventar, mais uma vez.

Centro político não vê fim do mundo com Lula – A despeito da agudização provocada pela saída de Lula do cárcere, nem todas as lideranças de centro dão como líquida e certa a manutenção do império da polarização em eleições vindouras. Um bom termômetro foram as apenas singelas manifestações de rua contra e a favor do petista no dia do julgamento. “O cenário das redes sociais não está sendo uma cópia fiel da vida real. Minha impressão é de que PT e governo (Bolsonaro) vão se equilibrando no ombro um do outro, mas as coisas estão acalmando”, diz o ex-governador Paulo Hartung. Hartung, ex-governador do Espírito Santo, atua hoje como um dos principais articuladores do centro, além de ser forte amigo de Luciano Huck. Ele tem se aproximado de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e é quem está ajudando a consolidar a reforma social, proposta pelo presidente da Câmara. Para Hartung, mesmo com Lula radicalizando o discurso, será crescente na sociedade a parcela dos insatisfeitos que, na eleição de 2018, optaram pelo voto útil.

Manifestantes pedem PEC por segunda instância – Os grupos que lideraram o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) voltaram a se reunir neste sábado, 9, na Avenida Paulista, para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a prisão após condenação em segunda instância. Os manifestantes foram convocados pelo Nas Ruas, Vem Pra Rua (VPR) e Movimento Brasil Livre (MBL), além de outras organizações menores, e ocuparam um trecho entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A Polícia Militar não fez estimativa de público. Atos similares ocorreram em outras capitais brasileiras. Estacionado em frente ao Masp, o caminhão do Nas Ruas reuniu os bolsonaristas do PSL, que fizeram um discurso duro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e atacaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi solto na sexta da carceragem da Polícia Federal em Curitiba após a Corte derrubar a prisão após condenação em segunda instância. O Nas Ruas e o Vem Pra Rua defenderam até mesmo o impeachment de ministros do STF. Mais moderado, o Vem Pra Rua defendeu como pauta única os projetos que tramitam no Congresso para restabelecer a prisão após condenação em segunda instância. Porta voz do grupo, Adelaide Oliveira, disse que a PEC que altera a legislação sobre a prisão em segunda instância já conta com 43 assinaturas no Senado e esse será o foco dos movimentos, “A liberdade de Lula é uma chacoalhada para quem achava que o problema estava resolvido. A saída do Lula vai acordar as pessoas”, afirmou. O Vem Pra Rua, porém, se mantém distante de Jair Bolsonaro. “Não apoiamos o Bolsonaro, apoiamos ideias. Não temos líderes, somos suprapartidários”, afirmou. Além de São Paulo, as capitais Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador também registram atos.

Lula chega a SP com jatinho de Huck fretado pelo PT – O jatinho utilizado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para viajar de Curitiba a São Paulo neste sábado, 9, é do apresentador Luciano Huck. A aeronave alugada pelo PT é de propriedade da empresa Icon Taxi Aéreo, responsável pelo fretamento, e da Brisair Serviços Técnicos Aeronáuticos Ltda., cujos donos são o apresentador Luciano Huck e sua mulher Angélica. A Icon Taxi Aéreo é uma das principais do setor. No primeiro semestre do ano passado, transportou 2,6 mil pessoas. Neste ano, foram 1,9 mil. O apresentador de TV afirmou que a aeronave faz parte da frota do Icon Taxi Aéreo e que “não tem qualquer influência para quem ela é fretada”. Huck disse ainda que a aeronave foi contratada porque estava disponível na data selecionada. De acordo com a assessoria de imprensa do apresentador, a agenda de locação das aeronaves é de responsabilidade da empresa de fretamento, de propriedade de Michael Klein. O jatinho do apresentador foi alugado pois estava à disposição, ainda segundo a assessoria. Segundo fontes do PT, foi o próprio partido quem pagou pelo aluguel.

Manchete de O GLOBO: Violência limita acesso a serviços em 80% dos bairros do Rio

Devido à violência, oito em cada dez bairros do Rio sofrem alguma restrição para a prestação de serviços como a entrega de mercadorias ou a circulação de veículos de aplicativos. A ação dos traficantes, milicianos e ladrões de carga cria zonas de exclusão na cidade. O problema atinge sem distinção tanto áreas do subúrbio quanto da orla. Os Correios, por exemplo não atuam em 42% dos CEPs cariocas.

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Em primeira noite fora da prisão, Lula e Dirceu se reencontram em Curitiba – Na primeira noite após sair da prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reencontrou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em Curitiba. Os dois receberam alvará de soltura nesta sexta-feira, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a prisão de condenados em segunda instância. Lula e Dirceu se encontraram e posaram juntos em uma festa organizada para o ex-presidente, no apartamento de um amigo no bairro do Batel, na capital paranaense. O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, entre elas a presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito de São Paulo e candidato à presidência ano passado, Fernando Haddad, e o ex-senador Lindbergh Farias, além de assessores e advogados. A namorada de Lula, a socióloga Rosângela da Silva, a filha do ex-presidente, Lurian, e o neto de Lula, Tiago, também compareceram. Os outros filhos do ex-presidente não foram à festa.

Para criar competição, BC abre consulta sobre ‘open banking’ – A partir do segundo semestre de 2020, o Banco Central (BC) dará o primeiro passo para que os brasileiros possam ter acesso a produtos bancários num só lugar, tal como funciona hoje a pesquisa por passagens aéreas ou eletrodomésticos pelo melhor preço nos chamados marketplaces — sites de varejo que reúnem marcas e fornecedores diferentes. O cliente poderá, por exemplo, usar o dinheiro de uma conta bancária numa fintech —como são chamadas as empresas financeiras de base tecnológica — para pagar a fatura do cartão de crédito de um banco tradicional. Tudo em uma mesma plataforma. Também não será preciso mudar de banco para ter acesso ao serviço de outra instituição. Assim, será possível optar pela melhor oferta de cartões de crédito, empréstimos e compra de moeda estrangeira, entre outros. Este é o chamado open banking, ou sistema bancário aberto, que o BC se prepara para implementar no Brasil. Nesse sistema, o cliente passa a ser dono de seus dados financeiros, e não mais o banco ou corretora em que ele mantém uma conta bancária ou de investimentos. Assim, desde que autorize o compartilhamento de suas informações, será possível ao correntista acessar, num único site ou aplicativo de celular, todas as suas contas. Este mês, o BC abre uma consulta pública sobre o arcabouço regulatório do sistema. O movimento segue o das principais economias do mundo, que se preparam para definir as regras de abertura de seus sistemas bancários, como Austrália, Cingapura e Japão. Pioneiro, o Reino Unido implementou o próprio sistema no ano passado. Por aqui, a autoridade monetária está empenhada em fazer essa agenda andar. O BC considera o open banking uma das principais ferramentas para impulsionar a competição no sistema financeiro — e assim reduzir as taxas cobradas dos clientes.

Brasil recebe líderes do Brics em cúpula esvaziada – Plenamente afinado com o estilo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com posições divergentes dos demais países do bloco em temas regionais, como a Venezuela, o governo do presidente Jair Bolsonaro receberá, quarta e quinta-feira, os líderes do Brics (grupo também integrado por Rússia, Índia, China e África do Sul) de olho em mais comércio e investimentos para o Brasil. Ao contrário de encontros anteriores, presidentes sul-americanos não foram convidados a participar de reuniões paralelas, o que reforça um quadro de esvaziamento político no fórum criado há uma década. A reunião terá como tema “O crescimento econômico para um futuro inovador”. O governo brasileiro aproveitará o evento para reforçar o fato de o Brasil ser um grande provedor de alimentos, matérias-primas minerais e, ainda, uma fronteira aberta para obras de infraestrutura e logística. Essas características serão demonstradas com maior ênfase por Bolsonaro durante encontros bilaterais no primeiro dia do evento. Para especialistas, porém, a cúpula será esvaziada. Uma das razões é que, apesar dos apelos feitos, principalmente, pelos indianos, para que fossem convidados outros líderes da região para um encontro paralelo, Bolsonaro disse não. Isto porque o Brasil é exceção ao reconhecer como presidente da Venezuela o líder opositor Juan Guaidó. Os demais membros do grupo reconhecem o governo de Nicolás Maduro. Chegou-se à conclusão de que não dava para excluir os venezuelanos de uma reunião de presidentes da América do Sul. — Em função da mudança de orientação política no Brasil, a cúpula será mais morna.

Governo quer evitar holofotes a petista; FH pede aliança do centro – A nova conjuntura política e eleitoral que se anuncia com a soltura do ex-presidente Lula mobiliza opositores do petista. Ao afirmar que não vai dar espaço e nem contemporizar com Lula, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou ontem que vai evitar o confronto direto, para minimizar o espaço do ex-presidente no debate público. Por ora, o governo quer aproveitar a libertação de Lula para dar ênfase ao pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, que condenou o petista quando era juiz. No PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu uma aliança do centro “liberal, democrático e progressista”. Na definição de um auxiliar, a estratégia do governo Bolsonaro de evitar o confronto “resolve o problema sem alarde”. Aos seus subordinados, Bolsonaro tem insistido para que não entrem no campo de batalha. No entendimento do presidente, a reação a Lula dá ao petista os holofotes que ele quer. Desde então, todos têm acatado a ordem e os posicionamentos têm sido tímidos, sem mencionar diretamente Lula. A exceção foi o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que acusou o petista de “incitar a violência”.

Fux quer ouvir Aras em processo de Deltan – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux solicitou uma manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras , na condição de presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sobre o processo disciplinar contra o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. A determinação de Fux foi em resposta a um pedido protocolado por Deltan na sexta-feira para suspender o andamento do processo contra ele. Na ação, o procurador é acusado de infrações por entrevistas com críticas ao STF, que acusou a corte de tolerância com a corrupção. Há uma guerra jurídica em torno do procedimento disciplinar. Primeiro, a Justiça Federal do Paraná suspendeu seu andamento. Em seguida, o ministro Fux proferiu uma liminar cassando a decisão e determinando o prosseguimento da ação. Agora, o procurador protocolou um pedido para tentar que Fux suspenda de novo o processo, argumentando que é alvo de afrontas à “Constituição e à Convenção Americana de Direitos Humanos”.

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