Resumo dos jornais de domingo (08/12/2019) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de domingo (08/12/2019)

Editado por Chico Bruno

Manchete da FOLHA DE S.PAULO: Expectativa econômica melhora, e reprovação a Bolsonaro para de subir

A lenta recuperação da atividade econômica ajudou o presidente Jair Bolsonaro a frear a acentuada perda de popularidade sofrida por seu governo ao longo do ano, indica uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha. A taxa de aprovação a sua administração, prestes a completar um ano, oscilou de 29% para 30% na primeira semana de dezembro dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A reprovação que foi de 30% para 38% nos primeiros oito meses depois da posse, agora oscilou para 36%, também na margem de erro. O Datafolha entrevistou 2.948 pessoas em 176 municípios do país na quinta (5) e na sexta (6). A pesquisa mostra que parte da população voltou a ter uma expectativa positiva em relação à economia. Para 43% ela vai melhorar nos próximos meses. Em agosto, 40% pensavam assim. No início do governo eram 50%. O endosso ao trabalho da equipe de Paulo Guedes subiu de 20% para 25%. Em contraste, a percepção sobre a gestão Bolsonaro nas áreas de combate à corrupção (34% a 29%) e cultura (31% a 28%) piorou.
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Collor diz que desconhecia invasão da PF à Folha – No meio da tarde de uma sexta-feira de março de 1990, seis fiscais da Receita, dois agentes e um delegado da Polícia Federal invadiram o prédio da Folha, na região central de São Paulo. O então presidente da República, Fernando Collor de Mello, havia assumido o cargo oito dias antes. Na campanha eleitoral, o jornal publicara reportagens sobre indícios de irregularidades em suas gestões como prefeito de Maceió e governador de Alagoas. Na semana passada, em entrevista no estúdio da Folha e do UOL, em Brasília, o hoje senador (pelo PROS-AL) ressuscitou o episódio para falar que desconhecia a operação e que jamais a autorizou. “Até hoje eu sou culpado por ter eu determinado, imagine, a invasão de um órgão de imprensa”, disse Collor. “Eu, que sou a quarta geração de jornalistas [da família] e que prezo o trabalho jornalístico, as empresas de jornalismo e todos aqueles que [o] fazem, e que entende perfeitamente o papel da imprensa no Brasil, em qualquer lugar do mundo”, continuou. Collor relatou que só soube da invasão à Folha, ocorrida sob a alegação de uma devassa fiscal, quando a operação estava em curso.

‘Vai haver guerra’ – Sobrevivente do ataque a tiros no dia 1º de novembro na terra indígena Arariboia, no Maranhão, o “guardião da floresta” Laércio Guajajara, 34, está sob proteção do governo estadual em uma casa numa cidade maranhense. Ele tem uma bala alojada no corpo, que entrou pelo braço direito e parou perto da clavícula esquerda. Laércio disse à Folha que vai haver “guerra” se a Justiça não tomar providências para conter a invasão da Arariboia. O indígena Paulo Paulino, 26, também integrante do grupo de fiscalização “Guardiões da Floresta”, foi assassinado com um tiro no ataque de novembro. Além dele, morreu a bala o não indígena Márcio Gleik Moreira Pereira, 37 —as circunstâncias das mortes estão sendo apuradas pela polícia. Laércio narrou à reportagem sua trajetória e a situação tensa na região. A pedido dos indígenas, a Folha não revela o paradeiro dele, que está sob proteção estadual.

PSDB busca eleitores de direita arrependidos com Bolsonaro – Após ter perdido apoio entre eleitores tucanos na última eleição presidencial, o PSDB oficializou neste sábado (7) uma nova estratégia de imagem na tentativa de recuperar espaço entre o eleitorado de direita, sobretudo entre os arrependidos com o presidente Jair Bolsonaro. No congresso nacional do partido, promovido na capital federal, a legenda encampou bandeiras liberais na economia e conservadoras na segurança. E, para se diferenciar do atual governo federal, refutou a defesa de uma pauta de costumes e criticou atitudes autoritárias.

Governo desiste de excluir categorias do MEI – Após uma onda de críticas e por determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Comitê Gestor do Simples Nacional informou neste sábado (7) que proporá a revogação de uma medida que excluiu 14 categorias e três subclasses profissionais do MEI (Microempreendedor Individual). Resolução editada na sexta-feira (6) faria com que, na prática, uma série de profissões, como músicos e professores particulares, não pudesse mais ter representação jurídica por meio de empresas classificadas na Receita Federal como MEI. A mudança passaria a valer em janeiro. A medida caiu mal no meio político e também na própria equipe de Paulo Guedes (Economia), conforme mostrou o Painel. Na tarde deste sábado, Bolsonaro disse ter ordenado a reversão da medida. “Determinei que seja enviada ao Comitê Gestor do Simples Nacional a proposta de revogação da resolução que aprova revisão de uma série de atividades do MEI e que resultou na exclusão de algumas atividades do regime”, afirmou o presidente em sua conta no Twitter.

Seis capitais brasileiras batem meta de redução de mortes no trânsito – O ano de 2020 é o último para que as cidades brasileiras (e o país) reduzam em 50% o número de mortes no trânsito. A meta foi pactuada junto à ONU e leva em conta o período de 2011 a 2020. Levantamento inédito da Folha mostra que em 2018 seis capitais (Rio Branco, Salvador, Belo Horizonte, Aracaju, Curitiba e Porto Alegre) se adiantaram e atingiram o objetivo. O Distrito Federal e outras cinco capitais (Recife, Fortaleza, São Paulo, Belém e Campo Grande) também tiveram boa redução e, mantido o ritmo, alcançarão a meta em 2020. Por outro lado, cidades como Palmas e Florianópolis viram seu trânsito matar mais. As cidades com melhores indicadores têm em comum a ação integrada entre prefeituras, estado e governo federal, além da elaboração constante de relatórios estatísticos que norteiam políticas públicas que salvam vidas no asfalto. Segundo dados do SUS, cerca de 36 mil pessoas morrem por ano no trânsito no país. A violência viária consome recursos da saúde pública e da previdência, além de afetar a capacidade produtiva do país.

Manchete do CORREIO BRAZILIENSE: DNA revela que corpo encontrado é de Bernardo

Em um exame realizado em tempo recorde, de menos de seis horas, a Polícia Civil do Distrito Federal constatou que cadáver encontrado no povoado de Campos de São João, na Bahia, na última quinta-feira, é mesmo do menino de um ano e 11 meses morto pelo próprio pai, Paulo Roberto Osório. O material colhido pelos policiais veio em uma aeronave e foi avaliado por meio de técnicas avançadas de genética forense. O pai sequestrou Bernardo em 29 de novembro, quando o buscou em uma creche. Ele envenenou a criança como forma de se vingar da ex-mulher. Paulo Osório já havia matado a mãe em 1992. O processo que tratou desse assassinato foi reaberto pela Justiça. O corpo de Bernardo será trazido para Brasília.

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“PL do Senado sobre 2ª instância é gambiarra” – O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), recém-eleito presidente da comissão especial da Câmara que vai analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da prisão em segunda instância, mostra, em entrevista ao Correio, o nível de acirramento dos ânimos, no Congresso, na disputa por protagonismo nessa discussão. Ao falar da pressão do Senado pela aprovação de um projeto de lei sobre o mesmo tema, em tramitação naquela Casa, Ramos deixa transparecer sua irritação. “Agora nós vamos separar quem quer fazer uma gambiarra, um arranjo sem nenhuma preocupação com a efetividade da medida, de quem quer fazer uma reforma estruturante, que verdadeiramente combata a impunidade, que não tenha questionamentos quanto à sua constitucionalidade, e que dê respostas efetivas ao povo brasileiro”, dispara o parlamentar. Ele acusa o Senado de atuar com “pura demagogia”, já que, na sua opinião, o projeto de lei “não vai prender ninguém”. Ramos também adianta que o debate central na comissão especial da Câmara terá como foco definir se os efeitos da PEC, caso ela seja promulgada, vão atingir os processos judiciais em curso ou apenas os que forem abertos após as mudanças legislativas entrarem em vigor. “Se ela (PEC) tem natureza processual, você pega quem está no meio do caminho. Se tem natureza de direito material, ela só atinge os processos iniciados a partir da promulgação. Esse, certamente, será o debate central durante as discussões”, afirma. Ou seja, não está certo se voltarão a cumprir pena os milhares de condenados que ganharam a liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou que a prisão só deve ocorrer quando esgotados todos os recursos dos réus. O deputado falou ainda sobre os ataques que passou a sofrer nas redes sociais desde que assumiu a presidência da comissão: “São uns covardes. Ainda está para nascer quem me intimide”.

8 PECs por mês no Congresso – Neste ano, até o início de dezembro, parlamentares, por iniciativa própria ou em articulação com o governo, apresentaram 97 Propostas de Emenda à Constituição (PECs). São mais de oito projetos para alterar o texto da Constituição Federal por mês. Desse total, seis supostamente importantes para o Executivo federal ganharam espaço especial nas páginas de jornais. Cinco das pautas são econômicas, temas afeitos à pauta dos partidos de centro e de direita que, juntos, compõem a maioria dos parlamentares do Congresso. Apesar disso, a única aprovada foi a PEC da reforma da Previdência. O baixo índice de aprovação não se deve apenas à complexa tramitação desse tipo de matéria, que exige, pelo menos, três quintos dos integrantes da Câmara (308) e do Senado (49), em dois turnos em cada Casa, mas à dificuldade do presidente Jair Bolsonaro e de seus ministros de se articularem com os congressistas. A incapacidade do Executivo de lidar com o Congresso passa também pelo descumprimento de acordos e promessas. O complemento da reforma da Previdência, a PEC Paralela, que possibilitará a inclusão de estados e municípios nas alterações aprovadas em outubro, é um retrato claro dessa situação. O texto corre o risco de ser desidratado, e o principal motivo é que o governo não liberou os R$ 3 bilhões em emendas parlamentares ao Orçamento prometidos a deputados para a aprovação do texto principal em agosto.

Passe livre em risco – Um decreto do presidente Jair Bolsonaro pode prejudicar cerca de 7 milhões de pessoas que têm passe livre em ônibus interestaduais. O serviço, que beneficia, sobretudo, estudantes carentes, idosos, pessoas com deficiência e de baixa renda, ficará bem mais restrito. A Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiro (Anatrip) informou que o Decreto nº 10.157, publicado no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira (4), desregulamenta o setor de transporte interestadual de passageiros no Brasil. A regra fixa a livre concorrência, a liberdade de preços, de itinerário e de frequência das linhas interestaduais de ônibus. Contudo, a Anatrip ressalta que os passageiros não têm mais garantia de que a viagem para qual compraram passagens vai se realizar, já que as empresas, a partir de agora, poderão decidir que seus ônibus só sairão se a lotação assegurar sua rentabilidade. Ou seja, muita gente poderá ficar à deriva. “O cidadão vai comprar sua passagem, mas não terá garantias de que o ônibus vai sair nem de devolução do dinheiro”, afirma o diretor da Anatrip, Clayton Vidal. A tendência é de que o decreto prejudique as pessoas de menor poder aquisitivo, que andam de ônibus e têm renda média mensal de R$ 2,7 mil, conforme pesquisa da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Isso mostra, na opinião de Vidal, que as mudanças feitas pelo governo Bolsonaro impactarão diretamente a vida das pessoas que mais necessitam desse serviço público. Ele ressalta ainda que o decreto prejudicou especialmente os beneficiários do passe livre.

Movimento anticorrupção – Amanhã, Dia Internacional contra a Corrupção, Brasília terá uma importante agenda promovida pelos órgãos de controle e fiscalização no âmbito federal. No Ministério da Justiça, um seminário sobre o tema reúne o ministro Sérgio Moro, o ministro da Controladoria Geral da União, Wagner Rosário, e o ministro do STF Luiz Fux. A Controladoria-Geral da União, por sua vez, vai apresentar as ações desenvolvidas no primeiro ano do governo Bolsonaro. Os debates não estão restritos ao poder Executivo. O Conselho Nacional do Ministério Público realiza amanhã e terça-feira um congresso no qual serão debatidos temas como o combate à lavagem de dinheiro, a governança ética, a desburocratização no enfrentamento da corrupção. No Legislativo, a expectativa se concentra sobre o Senado, onde a Comissão de Constituição e Justiça se prepara para votar na terça-feira o projeto de lei que determina a prisão em segunda instância. Espera-se que esses movimentos contra a corrupção resultem efetivamente em uma mudança na cultura política nacional.

Em pé de guerra – As mudanças na Embratur definidas pela MP 907 provocaram uma queda de braço entre parlamentares governistas e Sebrae. Deputados e senadores que integram a bancada do turismo da Câmara ameaçam pedir a instalação de uma CPI caso o presidente do instituto, Carlos Melles, continue a pressionar pela derrubada da MP 907. A medida, que transformou a Embratur em agência, prevê um aumento nas receitas da autarquia a fim de incrementar a atividade turística no país. Parte desses recursos, cerca de R$ 500 milhões, viria de um montante que integra o orçamento do Sebrae. Em resposta à MP 907, a Associação Brasileira dos Sebraes Estaduais (Abase) emitiu nota contrária à medida, ressaltando a atuação do Sebrae a favor da atividade turística. “Retirar os recursos do Sebrae significa retirar dinheiro do artesanato, da gastronomia, dos meios de hospedagens, dos produtores rurais, das startups, do trade turístico, da inovação, do comércio, dos bares e restaurantes, dos prestadores de serviços e das pequenas indústrias. A Abase apoia a necessidade de promover o turismo, mas discorda totalmente que isso seja feito em detrimento do desenvolvimento e da estruturação desse setor no Brasil”, afirma a nota.

Manchete de O ESTADO DE S.PAULO: Avanço tecnológico faz Brasil bater recorde de exportação agrícola

Terceiro maior produtor agrícola do mundo, atrás apenas da União Europeia e dos EUA, o Brasil elevou em 78% sua produção em uma década, com acréscimo de apenas 16,3% da área plantada. Apoiado em pesquisa e tecnologia, o setor tem conseguido ganhos de produtividade e de mercado no exterior, diferentemente de outros segmentos da economia. Para o pesquisador Marcos Sawaya Jank, o momento atual do agronegócio brasileiro pode ser comparado a um “bilhete premiado”. “Existe uma demanda muito grande, e não só na China”, afirma o professor do Insper. Puxadas pela venda de milho, algodão e carne, as exportações devem atingir neste ano 200 milhões de toneladas, 5% mais do que em 2018, apesar da persistência de gargalos como a logística.

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Novatos são atuantes, mas também fazem ‘velha política’ – Novidade nas últimas eleições, deputados que saíram de movimentos políticos ou de grupos de renovação apresentam mais projetos, trabalham mais em grupo, gastam menos verba e têm menos faltas do que a média dos demais parlamentares. Por outro lado, não escapam de algumas práticas consolidadas no Legislativo e propõem uma proporção maior de homenagens a categorias profissionais e datas comemorativas. Esses são alguns dos resultados de um raio x do primeiro ano de atuação de 22 deputados novatos feito pelo Estado. A radiografia leva em conta parlamentares que estão no primeiro mandato na Câmara, nunca tiveram outro cargo eletivo e pertencem a pelo menos um dos grupos: RAPS, RenovaBR, Livres, Acredito, MBL, Muitas, Ocupa Política e Vote Nelas. Em média, 42% dos projetos desses novatos são apresentados em conjunto com outros parlamentares. No resto da Câmara, essa taxa é de 16%. O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES), que assina mais da metade dos seus projetos com outros parlamentares – muitos deles de outros partidos –, acredita que a disposição para trabalhar em grupo é algo que o diferencia. “É entender que, independentemente de com quem você está falando, trata-se de uma pessoa legitimamente eleita pelo povo”, afirmou.

Um camaleão chega ao poder na Argentina – Alberto Fernández, que assume a presidência da Argentina na terça-feira, é um camaleão da política. Poucas pessoas no país têm mais experiência na administração pública do que ele. Aos 60 anos, Fernández chega à Casa Rosada após uma longa trajetória que inclui reviravoltas ideológicas, alianças com adversários e mais de cinco anos como chefe de gabinete dos governos de Néstor e de Cristina Kirchner. A chefia de gabinete do governo argentino é a posição mais importante do Executivo – após a presidência –, segundo a Constituição. Seus poderes são parecidos com os de um primeiro-ministro da França, mas leva a vantagem de não ter de ser aprovado pelo Congresso e de ser obrigado a prestar contas aos legisladores apenas esporadicamente. Após a crise de 2001, o Congresso passou a conceder todos os anos poderes extraordinários ao chefe de gabinete para realocação de gastos, o que deu a Fernández um poder incomum. Aos poucos, ele se tornou o principal porta-voz do governo, gerente de campanha e eixo do relacionamento com a imprensa. Tanta influência permitiu que ele construísse laços políticos que hoje explicam por que Cristina o escolheu como cabeça de chapa, apesar de ele ter sido um dos críticos mais duros dela.

Por que o pancadão ganhou a periferia – Com funk, forró e sertanejo, os pancadões que reúnem milhares de pessoas de quinta a domingo em São Paulo nascem em volta de carros ou bares com som, são bancados por comerciantes e movimentam a economia na periferia. Gratuitos, os “fluxos” atraem sobretudo jovens. Foi em um deles, em Paraisópolis, que nove pessoas morreram.

Planalto recorre a Doria para viabilizar ‘BR do Mar’ – O governo Jair Bolsonaro apelou ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para tirar do papel um de seus mais ambiciosos programas de logística, o BR do Mar, que pretende dobrar a taxa de crescimento do transporte marítimo de mercadorias entre cidades brasileiras, a chamada cabotagem. Doria, porém, que tem uma série de pautas da infraestrutura que também esperam aval do governo federal, ainda não decidiu se vai acatar ou não o pedido. O apoio viria da concordância de São Paulo em reduzir a zero a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do combustível para navios de cabotagem – o bunker –, que hoje é de 12%. Essa redução é tida como vital pelos técnicos do Ministério da Infraestrutura para o programa deslanchar, uma vez que a estimativa é que cerca de 60% dos custos do frete marítimo dentro do País sejam de combustível. Doria adotou, neste ano, medida similar com as alíquotas para querosene de avião, em um programa próprio para estimular a aviação civil no interior do Estado. Conversas semelhantes já ocorreram entre o ministério e os governos de Pará, Bahia e Rio. Mas a concordância de São Paulo, Estado com o maior parque industrial do País, é tida como determinante para o sucesso do BR do Mar, que vem sendo discutido desde julho.

Ministro que prendeu juiz evita fama de herói – Geraldo Og Fernandes, de 68 anos, um dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), valoriza andar nas ruas sem ser reconhecido. Essa condição, no entanto, será colocada à prova após ações de grande interesse público e repercussão no meio político que entraram no fluxo cotidiano de seus gabinetes, no STJ e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde acumula a função de corregedor-geral. Do inquérito de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia às ações que podem cassar o presidente Jair Bolsonaro e a senadora Juíza Selma (Podemos-MT), passando pela controvérsia sobre a coleta de assinaturas digitais para criar novos partidos, Og estará no centro das atenções. Uma placa no hall de entrada do gabinete anuncia, com uma frase de Caetano Veloso, a origem do ministro: “Onde queres Leblon, sou Pernambuco.” No gabinete onde foram assinadas as decisões que colocaram atrás das grades uma ex-presidente do TJ baiano, o símbolo da Justiça na mitologia grega, a deusa Thêmis, é representada como cangaceira. No quadro, feito sob encomenda a um artista conterrâneo, a balança é preenchida por cajus e bananas e a espada é substituída por uma faca peixeira. Em tempos de pressão por uma CPI da Lava Toga, o ministro rejeita a alcunha de caçador de magistrados. Ele afastou seis integrantes do TJ baiano, incluindo o atual presidente, e prendeu também um juiz e a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago. Mas ressalta que, como juiz, só decide de acordo com as informações oferecidas pelo Ministério Público Federal. “O Brasil não precisa de heróis. Precisa de juízes. Precisa de homens que cumpram o seu dever”, afirmou Og, que aceitou conversar com o Estado. No STJ, Og já condenou governador e, no TSE, votou pela cassação da senadora Juíza Selma condição de não falar sobre a investigação sigilosa na Bahia. Um colega de STJ aposta em uma postura mais “linha dura” do ministro no inquérito. O perfil de Og, no entanto, é moderado. É visto entre os pares como “sereno, discreto, de espírito leve, sem ser formal”. Na principal sentença da Corte Especial do STJ este ano, Og deu um dos oito votos pela condenação do governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), a seis anos e nove meses de reclusão.

‘Sabático’ de Carlos nas redes sociais dá alívio ao governo – Numa tentativa de se preservar após ter o nome envolvido na CPI Mista das Fake News e ver assessores voltarem a prestar depoimento na investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) sumiu das redes sociais. O “sabático” forçado incomoda o segundo filho do presidente Jair Bolsonaro, que está sem postar nada no Twitter e no Facebook desde 11 de novembro, mas é recebido com alívio por ministros e aliados do presidente. Na semana passada, em entrevista ao Estado, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos comemorou o “momento feliz”. Desde janeiro não faltaram críticas abertas às posições de Carlos por parte de autoridades do Planalto, mas quem o recriminou acabou perdendo força no núcleo do governo. Interlocutores do presidente dizem que a decisão foi tomada pelo próprio vereador, sem interferência do pai – Carlos, no entanto, conversa com Bolsonaro por telefone quase todos os dias. Um amigo garante que ele está se “coçando” para voltar a postar. O vereador não usou a rede nem mesmo para reagir a ataques. Semana passada, foram seus assessores quem negaram que Carlos jogou o computador fora, numa suposta “queima” de arquivo. O vereador, porém, se “segura” pelo pai. Ele quer reverter a pecha de que sua atuação nas redes engessa o Planalto. A aliados próximos, Bolsonaro reclama que os opositores tentam empurrar seu filho para o centro das investigações.

Manchete de O GLOBO: Milícia agora rouba energia e cobra conta de luz no Rio

Moradores da Zona Oeste e da Baixada Fluminense estão sendo coagidos por milícias a pagar pela luz e pela água a essas organizações criminosas, que fizeram dos “gatos” mais uma fonte de extorsão. As taxas são incluídas nas faturas de aluguel dos empreendimentos irregulares ou são impostas a quem vive nas regiões dominadas. A Light calcula as perdas com furtos em R $800 milhões por ano. Nas áreas sem que o tráfico ou a milícia imperam ,73% da energia é furtada, segundo a Light. Nas demais, o índice é de 10%. A concessionária não consegue sequer acordo com a milícia para prestar serviços. Sem os furtos de energia, a tarifa para os consumidores poderia ser reduzida em 15%. A Enel, distribuidora de 66 municípios fluminenses, identifica 270 áreas de risco, onde 63% da energia é objeto de furto. O Ministério Público do Rio já fez denúncias à Justiça.

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Robôs e inteligência artificial poderão tirar 50% das vagas – Estudo do Laboratório do Futuro, da UFRJ, aponta que mais da metade dos empregos em todos os municípios brasileiros será afetada até 2040. São mais de 27 milhões de trabalhadores, o equivalente a 60% dos formalizados no país, que podem perder vaga para robôs ou inteligência artificial.

Datafolha: 43% nunca confiam nas declarações de Bolsonaro – Pesquisa divulgada ontem pelo Datafolha indica que 43% dos entrevistados nunca confiam em afirmações do presidente Jair Bolsonaro, enquanto 37% disseram confiar às vezes. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Desde o início do mandato, declarações de Bolsonaro têm sido contestadas por organizações e figuras públicas. No episódio mais recente, o ator norte-americano Leonardo Di Caprio rebateu o presidente, no último domingo, após ser acusado por Bolsonaro de financiar queimadas na Amazônia. O presidente não apresentou provas para embasar suas acusações. De acordo com o levantamento, 19% das pessoas dizem sempre confiar nas declarações de Bolsonaro. Já 1% dos entrevistados não souberam ou não quiseram opinar.

E eu? – José Sarney anda amuado com a falta de prestígio que goza entre os atuais ocupantes dos postos de comando do país. Pela primeira vez desde a redemocratização, ele é completamente ignorado pelo inquilino do Palácio da Alvorada. Por esses dias, Sarney acusou o golpe ao se queixar com um amigo que ninguém lhe consulta mais para coisa alguma. Na mesma conversa, classificou os ministros Ernesto Araújo e Abraham Weintraub como loucos e disse que Onyx Lorenzoni está longe de ter o tamanho mínimo necessário para comandar a Casa Civil. “Muito fraquinho”, disse.

Kassab prevê entraves para legenda de Bolsonaro no curto prazo – “O Aliança recolhe cinco milhões de assinaturas em dois meses. O problema é a conferência pelos cartórios eleitorais. De cada dez nomes que você manda, sete vão para o lixo.” “Em 2030, quando concluirmos a implantação da cláusula de desempenho, vejo dois partidos na esquerda, esse novo partido de Bolsonaro na direita e algo como sete siglas no centro.” Idealizador e presidente do último grande partido criado no Brasil, o PSD, o exministro Gilberto Kassab avalia que estamos vivendo uma acomodação final do processo de estruturação partidária e que o financiamento público de campanha, o fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho vão criar um ambiente muito mais saudável na relação com os partidos. “Hoje é uma geleia geral, mas vamos ter uma redução dos partidos. Poucos partidos vão superar os obstáculos dessa nova legislação. Em 2030, quando concluiremos a implantação da cláusula de desempenho, vejo dois partidos na esquerda, esse novo partido de Bolsonaro na direita e algo como sete siglas no centro”. Kassab diz que “não é nada cômodo criar um partido” e que Bolsonaro foi levado à saída mais difícil. Para ele, não é impossível o Aliança sair do papel a tempo das eleições de 2020, mas é grande a possibilidade de ele não conseguir.

Igrejas evangélicas avançam politicamente na América Latina – Igrejas evangélicas têm ampliado sua influência na América Latina ao longo dos anos e envolvido, nesse processo, desde donos de canais de comunicação a impulsionadores de campanhas políticas, passando ainda por membros do Congresso e pessoas próximas ao governo. As informações integram reportagem do Grupo Diários América (GDA) sobre o crescente fortalecimento de redes e agenda do grupo religioso. Pelo continente, vantagens como isenção tributárias e outras leis, que beneficiam evangélicos, são articuladas por meio de associações com partidos e políticos. Essas costuras se adaptam, inclusive, a trocas de governo — para especialistas, o objetivo desses grupos é se aproximar dos cargos de poder, independentemente de quem os ocupe. OBrasil é um dos exemplos mais notórios do crescente poder evangélico, num cenário multifacetado entre diversas denominações religiosas e com consecutivo aumento de peso eleitoral. No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro deveu sua vitória em boa parte a esta parcela do eleitorado: pesquisas de intenção de voto no segundo turno indicavam um apoio a ele de 70% entre os evangélicos, um índice raras vezes alcançado.

Esses grupos religiosos começaram a se consolidar na década de 1970, e mais do que quadruplicaram de tamanho nas décadas seguintes. No Congresso, a quantidade de parlamentares evangélicas também cresceu — a chamada bancada evangélica é das mais numerosas do parlamento brasileiro. A entrada e influência dos evangélicos na política brasileira já vem de vários governos — mesmo quando a esquerda, que historicamente não tinha apoio dessas denominações religiosas, chegou ao poder com o PT, a aliança veio ainda nas campanhas eleitorais. No atual governo, Bolsonaro foi responsável por conquistas importantes dessas igrejas. Em maio, o próprio presidente pediu à Receita Federal para afrouxar as obrigações fiscais das igrejas (as declarações diárias e mensais de seus movimentos financeiros). Para além da relação evangélicos-Bolsonaro, há outros exemplos do peso da religião nas esferas políticas, midiáticas e econômicas do país. Das fileiras de uma das igrejas evangélicas mais antigas do Brasil, a Assembleia de Deus, saíram pastores que se tornaram líderes políticos, como o pastor Everaldo Pereira, cacique do PSC, partido do governador do Rio, Wilson Witzel. No censo de 2010, 12,3 milhões de pessoas se declararam fiéis dessa igreja, que é dividida em vários ramos. A Universal do Reino de Deus é considerada uma pioneira no quesito de expansão de igrejas neopentecostais — tanto em solo brasileiro quanto internacional. O culto é proprietário da Rádio Aleluia, com mais de 90 emissoras. E seu fundador, o bispo Edir Macedo, é dono do Grupo Record. Com a oportunidade de nomear dois ministros para o Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro afirmou que uma das vagas na Corte será ocupada por um magistrado “terrivelmente evangélico”.

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