Resumo dos jornais de 6ª feira (22/out/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de 6ª feira (22/out/2021)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

Valor Econômico – Drible no teto de gastos leva a debandada na Economia

O ESTADO DE S.PAULO – Ruptura do teto de gastos implode equipe de Guedes

CORREIO BRAZILIENSE – Crise dos R$ 400 derruba 4 secretários de Guedes

FOLHA DE S.PAULO – Populismo fiscal de Guedes leva a crise e baixas na Economia

O GLOBO – Secretários de Guedes se demitem após manobra para elevar teto de gastos

A notícia do dia

A manobra do governo Bolsonaro para demover o teto fiscal e ampliar gastos em ano eleitoral, afiançada pelo ministro Paulo Guedes (Economia), levou a uma debandada na pasta e derrubou mercados, arriscando lançar o país em uma crise grave. Ontem o governo e aliados no Congresso incluíram na proposta de emenda à Constituição que adia o pagamento de precatórios uma mudança na regra de correção do teto de gatos que expandirá em R$ 83 bilhões o limite de despesas em 2022. O objetivo é financiar o Auxílio Brasil a R$ 400 mensais por beneficiário, acima do auxílio emergencial. Jair Bolsonaro quer que o programa substitua o Bolsa Família, bandeira do ex-presidente Lula (PT), atual líder nas pesquisas eleitorais. Em reação ao artifício, quatro secretários da equipe econômica pediram demissão, entre os quais o do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal. Na despedida, ele citou à sua equipe questões de princípios para não chancelar a subversão fiscal. O drible caiu como bomba nos mercados. O dólar subiu 1,9%, chegando a R$ 5,67 e a Bolsa de Valores fechou em queda de 2,7%. Além de Bruno Funchal, pediram demissão, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt —subordinado a Funchal— a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo. Após nova debandada no Ministério da Economia, sobrou apenas um secretário da equipe original montada por Paulo Guedes: é Carlos da Costa, que ocupa a função de secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade.

Análise da notícia

A área política passa esta sexta-feira buscando um discurso para tentar aplainar o terreno na seara econômica. O trabalho é no sentido de tentar tirar de cena a avaliação do mercado de que a máxima “#fiqueemcasa e a economia a gente vê depois” começa a ser substituída dentro do governo federal por um “vamos nos reeleger e a economia a gente vê depois”. O governo, que sempre criticou o fique em casa, não pode, agora, deixar consolidar a ideia de que colocou tudo a perder na economia. A engenharia política das próximas horas pretende, ainda, fortalecer o ministro da Economia, Paulo Guedes, de forma a não deixar disseminar a ideia de que o “Posto Ipiranga” virou “lojinha de conveniência”. Só tem um probleminha: nessa onda de o presidente Jair Bolsonaro anunciar benefícios sem fazer as contas, como no caso da ajuda aos caminhoneiros, não há mágica capaz de fortalecer o ministro. Como em qualquer casa, só é possível anunciar um novo gasto se houver dinheiro para pagar. Quem tem juízo na seara econômica tem repetido, insistentemente, que não há mais salvação para a área fiscal no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Os destaques de primeira página e do editor

Grandes empresários criticam intenção eleitoreira – A investida do governo sobre o teto de gastos para bancar o novo Bolsa Família de R$ 400, batizado de Auxílio Brasil, levanta preocupação de grandes empresários que veem intenção eleitoreira e consequência de pressão inflacionária. Pedro Passos, cofundador da Natura, diz que é “um absurdo” o país estar improvisando uma política social. Para o empresário, houve tempo suficiente para respeitar o aspecto fiscal e construir uma política social estruturante, tanto na transferência de recursos diretamente para as pessoas mais necessitadas, como em educação, saúde e moradia. Roberto Klabin, acionista da Klabin, afirma que o problema no Brasil é político e atrasa outras agendas que poderiam ser positivas. O ex-ministro Luiz Fernando Furlan (BRF) diz que agora deveria ser o momento de exaltar os efeitos positivos da vacinação no combate à pandemia em vez provocar turbulência nos mercados e insegurança nas empresas. O empresário Salim Mattar (Localiza), ex-secretário de Desestatização, que também saiu do governo Bolsonaro em outra debandada do Ministério da Economia no ano passado, disse nesta quinta-feira (21) que furar o teto de gastos é um sinal de irresponsabilidade fiscal.

Bolsonaro anuncia auxílio diesel para caminhoneiros – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta quinta-feira (21), que o governo criará um auxílio para caminhoneiros em razão da alta do diesel. A categoria faz parte da base de apoio do mandatário. O chefe do Executivo disse que a medida beneficiará cerca de 750 mil caminhoneiros, mas não revelou valores nem a origem dos recursos para a criação do novo benefício. Segundo a Folha apurou, o governo estuda pagar R$ 400 para os caminhoneiros até dezembro de 2022. O desembolso virá do espaço gerado no orçamento do ano que vem com a revisão da metodologia de cálculo do teto de gastos. A Caixa Econômica Federal deve operacionalizar o novo programa. Interlocutores que participam das negociações afirmam, contudo, que os detalhes do benefício ainda estão sendo acertados.

Caminhoneiros dizem que auxílio de Bolsonaro é ‘melzinho na chupeta’ – A promessa de Jair Bolsonaro de ajudar 750 mil caminhoneiros autônomos para compensar o aumento no preço do diesel foi recebida com desconfiança e ceticismo pela categoria. José Roberto Stringasci, presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil), diz que os caminhoneiros não vão recuar das ameaças de fazer uma paralisação no dia 1º de novembro enquanto a política de preços dos combustíveis não for alterada. “Eles já fizeram até um reajuste no piso mínimo do frete. Mas isso, como se diz no nosso linguajar de motorista, é um ‘melzinho na chupeta’, o famoso ‘tapinha nas costas’ que a categoria já vem levando desde 2018”, diz. Para Marcelo da Paz, representante dos caminhoneiros de Santos (SP), o presidente está blefando. Ele também afirma que a medida não será suficiente para impedir a próxima manifestação porque os caminhoneiros exigem o cumprimento do frete mínimo. “A gente não aceita auxílio nem quer esmola. Vai precisar mais do que isso para desmobilizar”, afirma Paz.

Secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia pede demissão – O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, pediu demissão do cargo. A decisão foi confirmada nesta quinta-feira, no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro anunciou uma “ajuda” para caminhoneiros autônomos, como compensação pelos reajustes recentes no preço do diesel. Ainda nesta quinta, houve uma nova debandada na equipe econômica, com a saída do secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e do secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt. Os secretários adjuntos das pastas também pediram exoneração. O preço do diesel é uma tensão constante no governo, com protestos frequentes de caminhoneiros, uma das principais bases eleitorais de Bolsonaro. Procurado pelo GLOBO, o Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou a saída do secretário e disse que ele vai para a iniciativa privada.

Bolsonaro inaugura obra hídrica que ainda não pode distribuir água – O presidente Jair Bolsonaro protagonizou nesta quinta-feira (21) a cerimônia de inauguração do Ramal do Agreste na cidade de Sertânia, em Pernambuco. O evento faz parte do que foi batizado de Jornada das Águas pelo governo federal, uma série de viagens do presidente e de ministros para anunciar ou inaugurar obras hídricas em dez estados. No entanto, o Ramal do Agreste não começará a cumprir a sua função de levar água às casas de mais de 2 milhões de pessoas em 68 cidades da região com mais escassez hídrica do estado após a inauguração feita por Bolsonaro. Para entrar em funcionamento, o Ramal depende da conclusão das obras da Adutora do Agreste, que, de acordo com a gestão Paulo Câmara (PSB-PE), só não foram finalizadas ainda porque o próprio presidente da República vetou, em abril, o envio de R$ 161 milhões previstos para isso.

Prédio da Editora Três é vandalizado – O prédio da Editora Três, que publica as revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, foi vandalizado na noite desta quarta-feira (20). Cartazes com a mensagem “um editor de merda e seus colaboradores de merda que não respeitam o presidente e os que nele acreditam” foram colados nos muros e paredes da empresa, que também foram pichados. Os autores não foram identificados.

Também nesta quarta, o ministro da Justiça, Anderson Torres, solicitou a abertura de inquérito contra a revista IstoÉ para investigar crime contra a honra do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, o documento foi encaminhado à Polícia Federal “para apuração imediata”. Na semana passada, a revista publicou reportagem de capa que compara Bolsonaro ao ditador nazista Adolf Hitler e o chama de “mercador da morte” por suas ações na pandemia da Covid-19. Em nota, a editora afirma que “com cartazes apócrifos” quem fez os ataques buscava agredir “a integridade física e patrimonial deste grupo de mídia, que defende o Brasil há mais de 45 anos”. “As pichações e os cartazes visaram não apenas danos ao patrimônio, mas também a honra de diretores das publicações, uma atitude intolerável”, diz o texto. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) publicaram uma nota conjunta de repúdio contra os ataques sofridos pela Editora Três. “Os atos criminosos com pichações e colagem de cartazes no prédio da Lapa, em São Paulo (SP), que não foram assumidos publicamente por nenhum autor, representam ações antidemocráticas, que não podem ser toleradas em um país em que a Constituição preza pelos direitos à liberdade de imprensa e de expressão”, diz o texto.

ANJ e Abraji repudiam censura de matérias do GLOBO – A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgaram, nesta quinta-feira, nota de repúdio contra a decisão do juiz Manuel Amaro de Lima, da 3ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho do Amazonas, que ampliou a censura contra matérias do GLOBO sobre estudos sob suspeita com proxalutamida para o tratamento da Covid-19 em uma rede de saúde privada. Acesso à informação: Justiça amplia censura ao GLOBO no caso de rede de saúde que patrocinou estudo sob suspeita com proxalutamida. Segundo a nota da ANJ, a decisão fere o direito à informação da população. “O que se espera é que o próprio Judiciário, em outra instância, reestabeleça a livre atividade jornalística. A censura ao Globo violenta o direito dos cidadãos de terem acesso a informações de seu interesse”, diz o texto.

Moraes manda prender e extraditar blogueiro bolsonarista Allan dos Santos – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou a prisão preventiva e do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, no âmbito do inquérito das milícias digitais. O ministro ainda determinou que o Ministério da Justiça dê início imediato ao processo de extradição do militante de extrema direita, que está nos Estados Unidos. A Embaixada dos EUA foi comunicada sobre a decretação das medidas. A decisão foi tomada no dia 5, a pedido da Polícia Federal, e indica ainda que o nome do blogueiro bolsonarista deve ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Polícia Internacional (Interpol), para ‘viabilizar sua prisão, neste País ou em outro’. A Procuradoria-Geral da República foi contra a medida. No mesmo despacho, Alexandre ainda decretou o bloqueio das contas bancárias do bolsonarista e remessas de dinheiro. Em outra decisão, dada no último dia 6, Alexandre ainda acolheu pedido da PF, encampado pelo Ministério Público Federal, e determinou a quebra de sigilo telemático e de transações financeiras de Allan dos Santos. Os dados deverão compreender o período de 1º de janeiro de 2020 até a data do despacho.

Bolsonaro volta a defender cloroquina e questionar vacinação – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender nesta quinta-feira (21) o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid e desdenhou da eficácia das vacinas para o enfrentamento da doença que já matou mais de 600 mil pessoas no país. “Eu também fui acometido [pela Covid], tomei hidroxicloroquina, no dia seguinte estava bom. Será que é porque é barato? Ainda continua em interrogação o tratamento”, disse Bolsonaro durante evento de inauguração de trecho da Transposição do Rio São Francisco, em São José de Piranhas, na Paraíba.As falas do presidente ocorreram um dia após a leitura do relatório da CPI da Covid no Senado, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O documento será votado na próxima semana pela comissão. No discurso desta quinta-feira, além de defender o ‘kit Covid’ e atacar Renan, Bolsonaro pôs em xeque a eficácia das vacinas contra a Covid e criticou medidas de estados e municípios que têm exigido comprovante de vacinação para entrada em espaços públicos e privados nas flexibilizações da pandemia. “Temos governadores e prefeitos exigindo passaporte vacinal. O nosso ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mesmo vacinado com a segunda dose, contraiu a Covid. Outras pessoas da minha comitiva que estavam vacinadas com a segunda dose contraíram o vírus. É uma grande interrogação a Covid-19”, disse.

Prevent gastou mais de R$ 5 milhões com ‘kit Covid’ – A empresa Prevent Senior investiu mais de R$ 5 milhões na compra de medicamentos do chamado “kit covid”, conjunto de remédios sem eficácia comprovada contra o coronavírus. A informação foi dada pela advogada Bruna Morato, que prestou depoimento à CPI da Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira. Em nota, a Prevent Senior informou que irá processar a advogada Bruna Morato por denunciação caluniosa e outros crimes. Aos vereadores, Bruna reiterou que a operadora de saúde submetia pacientes internados com Covid-19 à utilização de diversos medicamentos de forma experimental e que a empresa ocultou sete mortes de pessoas que tomaram hidroxicloroquina em estudo que foi suspenso pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) em abril do ano passado. Segundo ela, nenhum dos pacientes sabia da realização da pesquisa. Ainda segundo Bruna, a Prevent Senior tinha, como política organizacional, a prática de retirar, dos leitos de UTI, pacientes que já estavam há muito tempo hospitalizados. A ação foi chamada por Bruna de “alta celestial” e teria o objetivo, segundo a advogada, de atender a “pacientes VIP”. Um paciente que passou por isso chegou até a prestar depoimento na CPI da Covid no Senado. Além da hidroxicloroquina, Bruna citou a aplicação de células-tronco e da chamada “terapia de nenopartículas” nos estudos da Prevent. A reportagem teve acesso aos documentos entregues por Bruna à CPI, nos quais constam os quantitativos e valores de medicamentos do kit adquiridos pela operadora. Em janeiro de 2020, por exemplo, a empresa adquiriu R$ 1,9 mil com itens como azitromicina, ivermectina, hidroxicloroquina e flutamida. Dois meses depois, o valor pulou para R$ 1,1 milhão.

Aliados de Eduardo Leite vão acionar direção do PSDB – Integrantes do PSDB da Bahia, Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, apoiadores de Eduardo Leite (RS) nas prévias do partido, vão protocolar nesta quinta (21), 12h, na sede do diretório nacional do partido em Brasília, uma representação com acusações contra a candidatura de João Doria (SP). Eles devem levar ao local documentos contestando o que estão chamando de filiação irregular de prefeitos e subprefeitos de São Paulo, reduto do governador paulista. Segundo as acusações, as datas das filiações foram fraudadas. As prévias estão acirradas entre Doria e Leite. Em outro capítulo da disputa, na semana passada, o time do tucano de SP passou a levantar suspeitas sobre o aplicativo criado pela direção do PSDB para votação e abriu discussão sobre voto em cédulas.

Senadores querem mais dez nomes na lista de Renan – Senadores do grupo majoritário do IPC COVID, o chamado G7, estão trabalhando para inserir pelo menos dez novos nomes nos indiciamentos apresentados nesta semana pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL). A lista inclui membros e ex-membros do Ministério da Saúde, como o ex-coordenador de logística Alex Lial Marinho; ex-vereador Marcelo Bento Pires; Imposto sobre os contratos de Célia de Oliveira; O secretário de Ciência e Tecnologia, Hélio Angotti Netto; e Assessor Técnico Thiago Fernandes da Costa. Ele também está na mira do colegiado Heitor Freire de Abreu, que é assistente do ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Os dois trabalhavam juntos no Centro de Coordenação de Operações Pandêmicas, quando Braga Netto chefiou a Casa Civil. Outro que pode fazer parte da lista é o reverendo Amilton Gomes De Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), uma associação privada — ele se envolveu na tentativa abortiva de vender doses da AstraZeneca. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan já atendeu a várias sugestões feitas ontem. Randolfe disse que ainda sugeriria a inclusão do coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, presidente do Instituto Força Brasil (IFB), que teria negociado reuniões entre fornecedores de vacinas e o Ministério da Saúde.

Sem partido há dois anos, Bolsonaro negocia agora com PL – Em busca de um partido há quase dois anos, o presidente Jair Bolsonaro tem intensificado as negociações com o PL, um dos pilares do Centrão, presidido pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto. O dono do Palácio do Planalto já discutiu sua possível entrada na legenda com o cacique da sigla. Parte da cúpula do PL discutiu o tema em um jantar anteontem no apartamento do senador Wellington Fagundes (PL-MT), com a deputada Bia Kicis (DF), nome de confiança do Palácio do Planalto. Além dela e do aanfitrião, estiveram presentes Valdemar Costa Neto – condenado no mensalão, que recebeu indulto – os ministros da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (DF), os senadores Jorginho Mello (SC) e Carlos Portinho (RJ), além do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (AM). Fagundes afirma que uma das exigências de Bolsonaro para se filiar a sigla é a possibilidade de levar consigo grande parte de seus aliados. – Tudo passa por um bom entendimento com o presidente. Há um sinal muito forte do partido para abrigar Bolsonaro e todo o seu grupo — confirmou o senador. Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) confirma as conversas, mas especifica que seu pai continua dialogando com o PP, outra legenda do Centrão, comandada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. — A chance do presidente ir ao PL é muito animadora, tanto quanto a chance de ir para o PP. No PL, há um pouco mais de liberdade na construção de palanques estaduais — disse Flávio, lembrando, no entanto, que a boa relação com Nogueira será levada em conta.

Presidente muda estratégia e elogia Alcolumbre – Em uma estratégia que passou de ataque a afago, o presidente Jair Bolsonaro elogiou ontem o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) durante discurso em um evento na Paraíba. Criticando o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), o mandatário lembrou que o parlamentar alagoano foi derrotado por Alcolumbre na corrida pela presidência do Senado em 2019. – O senador Davi Alcolumbre esteve lá no Senado por dois anos. E quem desafiou a presidência com ele em 2019? Renan Calheiros. Imagine o Renan Calheiros, presidente do Senado, que desgraça estaria o Brasil dado o que ele iria exigir para aprovar qualquer coisa naquela Casa — disse o presidente. – Com Davi, não tive problemas no Senado. Aprovamos quase tudo o que precisávamos. Agradeço por esses dois anos. Atualmente, Bolsonaro e seus apoiadores criticam Alcolumbre por não marcar a sabatina do ex-ministro da Justiça André Mendonça, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministros também em campanha – O ritmo de campanha eleitoral antecipada do presidente Jair Bolsonaro compreende, também, integrantes do governo. Ao menos 12 ministros devem deixar os cargos na Esplanada até abril do ano, conforme determina a lei, para que possam concorrer no pleito de 2022. Por isso, estão em campo com o chefe por uma agenda positiva. “Eles sabem muito bem que têm chance de vitória se eu estiver bem”, frisou Bolsonaro.

Carlos, agora, põe a 3ª via na mira – O vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 de Jair Bolsonaro, tornou-se o porta-voz do governo contra a terceira via da corrida presidencial. A estratégia é não apenas mobilizar a base fiel, mas tentar trazer de volta os bolsonaristas arrependidos que pensam em depositar o voto em alguém como um perfil bem distante dos extremos políticos — representados pelo presidente da República e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas redes sociais, o vereador aposta nos ataques. Em uma recente postagem, Carlos faz até cobrança ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Como estas da ‘terceira via fique em casa’ estão sendo anunciadas e até televisionadas há tempos sem a menor preocupação? É inacreditável! Como fica, TSE?”, disse, nesta semana. O vereador também acusa os candidatos de terceira via — em tese, pois nenhum deles se lançou oficialmente, os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro, os governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), além do presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG) — de estarem agindo alinhados ao PT. “Seu dono (Lula) fez jantar para Moro, Doria e Mandetta! ‘Terceira via?’ Cai quem quer”, disse, em outra publicação.

Centrão dá as cartas, também, na Economia – Depois de assumir o controle das articulações do governo com o Congresso, o Centrão dá sinais de que mantém influência, também, nas decisões do Ministério da Economia. O titular da pasta, Paulo Guedes, tem deixado de lado a cartilha liberal e aderido aos interesses políticos dos caciques dos partidos que apoiam o Planalto. Sem entregar o que prometeu, e ainda mais desgastado após o caso de sua offshore em um paraíso fiscal, o economista já não tem o mesmo protagonismo dos tempos de superministro. O presidente Jair Bolsonaro, que amarga os piores índices de popularidade do mandato, foi convencido pelos aliados do Centrão de que, se nada de significativo for feito na área social, as chances de ele chegar ao segundo turno da disputa pela reeleição em 2022 podem ficar ainda mais distantes do que apontam as últimas pesquisas. Nessas conversas, os principais interlocutores são os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), e da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (PL), além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

error: