Resumo dos jornais de 4ª feira (28/07/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de 4ª (28/07/2021)

Edição: Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S. PAULO – Inação federal com crise de energia pode pesar na conta

Um mês após a criação do comitê de gestão da crise energética, a resposta do governo para enfrentar o risco de apagões ainda se limita a garantir a oferta de energia, sem programas voltados à economia no consumo. O primeiro programa relacionado à demanda está em fase final de elaboração, diz o MME (Ministério de Minas e Energia), mas ainda não há prazo para começar a funcionar. Para especialistas, a estratégia é arriscada e deve pressionar ainda mais a conta de luz. Em mesa redonda com a imprensa nesta terça-feira (27), especialistas do Instituto Clima e Sociedade classificaram a resposta do governo à crise como negacionista, por minimizar os riscos e evitar incentivos à economia de energia pela população. O Operador Nacional do Sistema Elétrico vê risco de esgotamento ainda em 2021. “A pior coisa que o governo está fazendo no momento é não preparar os brasileiros para a situação difícil que vamos enfrentar”, diz o físico José Goldemberg, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Em nota, o Ministério de Minas e Energia afirma que faz campanha pelo uso consciente de água e que não há indicativo de corte de carga. O governo aposta na ampliação da capacidade de geração atual em 8%, e da malha de transmissão em 10%. Mas a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña no próximo período chuvoso acrescenta riscos adicionais, ao reduzir as chuvas no centro-sul e ampliar no Nordeste, diminuindo a capacidade de geração eólica, num ano com perspectivas de retomada mais forte da economia.

CORREIO BRAZILIENSE – Volta às aulas começa dia 5 e terá rodízio de estudantes

A retomada presencial nas escolas públicas do DF será escalonada. Começará pela educação infantil, no próximo dia 5, com uso de máscara e distanciamento. A cada semana, metade das turmas terá atividades em sala de aula; a outra parte, on-line. No dia 9, voltam o ensino fundamental 1 e o 1º segmento da educação de jovens e adultos (EJA). Dia 16, o fundamental 2 e as demais turmas da EJA. O ensino médio e a educação profissional e tecnológica retornam em 23 de agosto. Por fim, dia 30, regressam todos os demais alunos.

O ESTADO DE S. PAULO – Bolsonaro muda a Casa Civil para tentar viabilizar reeleição

O GLOBO – Bolsonaro oficializa espaço inédito ao Centrão no Planalto

O presidente Jair Bolsonaro sacramentou ontem a escolha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil e, com isso, alçou um dos principais líderes do Centrão ao espaço mais nobre já ocupado por esse bloco partidário nesta e em outras gestões no Planalto. Nas palavras do próprio Bolsonaro, ele está entregando a “alma do governo” a Ciro Nogueira. Embora as siglas do Centrão tenham ocupado cadeiras de destaque nas gestões dos últimos três ex-presidentes da República — Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva — jamais haviam indicado um nome para um ministério com o prestígio da Casa Civil. A pasta é considerada a mais importante do Executivo e concentra todas as nomeações da máquina pública, por exemplo. — E (quero) dizer ao senhor presidente Lula que não é o Ministério das Minas e Energia, onde o orçamento é milionário. Não é o Transporte, não é o Desenvolvimento Regional, é a chefia da Casa Civil, é a alma de um governo — disse o presidente em entrevista à Rede Nordeste de Rádio, citando Lula, que afirmara mais cedo que Bolsonaro havia se tornado “refém” do Centrão. Com o movimento, o presidente Jair Bolsonaro tenta dar fôlego à sua campanha à reeleição, barrar a pressão pelo impeachment e atrair apoio político no Senado, onde enfrenta a CPI da Covid. Com a ascensão do Centrão, o presidente tira o protagonismo de oficiais generais sem cacife eleitoral, como o ministro Luiz Eduardo Ramos, que deixou a Casa Civil e foi deslocado para a menos prestigiada Secretaria geral da Presidência. Com o movimento, o presidente Jair Bolsonaro tenta dar fôlego à sua campanha à reeleição, barrar a pressão pelo impeachment e atrair apoio político no Senado, onde enfrenta a CPI da Covid.

Valor Econômico – Exportação brasileira ganha terreno na América Latina

A retomada das economias locais, a desvalorização do real e possíveis brechas nas cadeias globais ajudaram as exportações brasileiras a ganhar terreno nos países latino-americanos no primeiro semestre do ano, principalmente com a venda de bens duráveis e de capital, como veículos e máquinas. O movimento é importante para a manufatura nacional, que perdeu espaço na região para a China nos últimos anos. Apesar disso, especialistas alertam que o cenário ainda é de desafio no curto e médio prazos para uma recuperação estrutural desses mercados. De janeiro a junho, o total exportado pelo Brasil cresceu 6,6% em relação a igual período de 2020, enquanto os preços avançaram 25,2%. Os dados são do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O volume exportado, porém, foi maior para os países latino-americanos. A Argentina comprou 42,4% mais, por preços 7,1% maiores, num total de US$ 5,6 bilhões. Para outros países da América do Sul, o volume aumentou 36% e os valores subiram 7,9%. No caso do México, o volume avançou 18,5% e o preço, 17,9%, totalizando US$ 2,4 bilhões. Para EUA e União Europeia, as altas em volume foram de 15,4% e 4,9%, respectivamente. Apesar do avanço, a pesquisadora associada do FGV Ibre Lia Valls considera difícil que a indústria brasileira retome os patamares do passado, por causa da concorrência chinesa.

Notícia do dia

Receita cobra R$ 17 milhões de Ciro Nogueira – Escolhido para ser o novo ministro da Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é alvo de cobranças da Receita Federal que somam R$ 17 milhões, segundo documento que consta de um dos inquéritos envolvendo o parlamentar. Os autos de infração que apontam os débitos foram lavrados nos anos de 2017 e 2018. Um deles se refere ao suposto pagamento de propina de R$ 6,4 milhões pelas empresas JBS e UTC, sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Os auditores fiscais sustentam que houve omissão dos rendimentos e cobram o recolhimento dos impostos correspondentes aos cofres públicos. O outro caso está relacionado a transações financeiras envolvendo diversas empresas do senador que não foram devidamente declaradas, segundo o Fisco. O senador contesta as multas em procedimentos, ainda não julgados, apresentados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Procurado ontem, Nogueira não se manifestou. Alvo de investigações da Lava-Jato sobre o suposto recebimento de propina, Nogueira sempre negou ter cometido qualquer crime. Encaminhados em agosto de 2018 à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal, os autos de infração embasaram ações de busca e apreensão, em 2019, em endereços ligados ao senador. Ao analisar as contas bancárias de Nogueira e suas empresas, o Fisco apontou, em relatório, ter encontrado uma série de depósitos em espécie sem a identificação da origem dos recursos e pagamentos de despesas com dinheiro vivo.

Primeiras páginas

Presidente veta quimioterapia oral em plano de saúde – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou na noite de anteontem a lei que obrigava planos de saúde a custear medicamentos orais para pacientes diagnosticados com câncer. Aprovada pelo Congresso no início do mês, a medida enfrentava resistência de operadoras de saúde. Por outro lado, era defendida por entidades médicas, que viam mais conforto e opções para quem estivesse em tratamento. Essas associações criticaram a decisão do presidente. Hoje, existem 59 quimioterapias orais cobertas pelos planos de saúde. O projeto abria espaço para a oferta de pelo menos outros 23 remédios de quimioterapia oral a pacientes de convênios médicos, como mostrou o Estadão na semana passada. Pela proposta, as operadoras deveriam oferecer todos os tratamentos desse tipo que já tivessem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pelo modelo atual – que continuará vigente –, é necessária também a inclusão no rol de medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que o plano de saúde seja obrigado a ofertar o medicamento ao paciente. Se estiver fora dessa lista, não há essa exigência da operadora – muitos clientes acionam a Justiça. Na última análise para ampliação da lista de tratamentos cobertos, 12 remédios foram rejeitados.

Governo muda Lei Rouanet e amplia controle sobre projetos – O presidente Jair Bolsonaro publicou ontem, no Diário Oficial da União, decreto que regulamenta e estabelece a sistemática de execução do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), conhecido como Lei Rouanet. Entre as principais alterações, estão a ênfase aos projetos de belas artes e arte sacra e um maior controle do governo sobre propostas aprovadas. A partir de agora, o governo terá mais poder para tomar decisões a respeito dos projetos contemplados. “Assinamos o decreto que regulamenta o Programa Nacional de Apoio à Cultura. O instrumento objetiva uma gestão eficiente, com controle de prestação de contas – e traz inédita valorização de Belas Artes e Arte Sacra”, afirmou Bolsonaro por meio de uma rede social. Para o presidente da Associação dos Produtores de Teatro (APTR), Eduardo Barata, as mudanças promovidas pelo governo na Lei Rouanet são “preocupantes”. “Em um olhar inicial, a proposta é o enfraquecimento da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, a CNIC”, afirmou ela ao Estadão. “A CNIC sempre foi um órgão deliberativo e com inclusão da sociedade civil. Era paritária entre governo e sociedade civil. Eles transformaram a CNIC com esse decreto numa instância meramente recursal e que não delibera mais.”

Polícia faz perícia no apartamento de Joyce – A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, ontem, uma perícia no apartamento funcional da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), na Asa Norte. O objetivo é entender se o imóvel pode ter sido invadido, além de avaliar o local onde ela disse ter acordado lesionada e ensanguentada, apesar de o espaço já ter sido limpo. A congressista sofreu lesões durante a noite do último dia 18 e disse não ter certeza do que aconteceu, mas cita a possibilidade de um atentado. “A Polícia Civil fez agora longa perícia no meu apto com o que há de mais moderno em investigação. Também recolheu materiais para análise. Essa investigação vai até o fim. A PC também viu as falhas de segurança do prédio. Não existem câmeras de segurança nas escadas e entradas dos apartamentos”, escreveu Hasselmann, nas redes sociais. “Já disse, com todas as letras, que isso não é coisa de amador, mas de profissional. Ninguém entraria na casa de uma parlamentar para agredi-la dando ‘tchauzinho’ para a câmera do térreo ou do elevador, tendo tantos pontos cegos no prédio. Não terei o mesmo destino de PC Farias.” Enquanto a PCDF avança na investigação, a Polícia Legislativa teve o inquérito devolvido por ter enviado ao Ministério Público Federal (MPF) laudos periciais incompletos sobre as diligências. A corporação afirma ter periciado 16 câmeras de segurança e ouvido testemunhas que trabalham na região. No entanto, no MP, o material recebido foi considerado insuficiente para se chegar à conclusão sobre denúncia ou arquivamento do caso. Assim que novas diligências forem cumpridas, a Polícia Legislativa poderá enviar novo relatório conclusivo.

Toda eleição é auditada – Os ataques do presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas servem apenas “para manter em permanente conflito uma parte da sociedade que acredita nisso”. A análise é da subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen, para a qual o eleitor brasileiro deveria se informar melhor a respeito do atual processo de votação e do histórico dos pleitos no país — que durante décadas foi um manancial de fraudes promovidas por donos locais de poder em conluio com setores da sociedade interessados em construir cenários vantajosos para si e para pessoas próximas, em detrimento do conjunto da cidadania. “As pessoas precisam saber sobre a questão da urna eletrônica, como ela é auditável, como a Justiça Eleitoral acompanha, o Ministério Público Eleitoral. É importante as pessoas se informarem mais e não acreditarem em tudo que recebem por grupos de WhatsApp”, disse, ontem, em entrevista ao CB.Poder, programa que é uma realização do Correio Braziliense e da TV Brasília. Luiza também analisou a decisão de Bolsonaro de reconduzir o atual procurador-geral da República, Augusto Aras, ao posto, ignorando a lista elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República — da qual ela fazia parte.

Delegado sabia do caso Covaxin, diz Miranda à PF – O deputado Luis Miranda (DEM-DF) prestou depoimento, ontem, à Polícia Federal, em Brasília. O parlamentar foi ouvido no âmbito de um inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro cometeu o crime de prevaricação. A oitiva durou mais de quatro horas, e o congressista disse ter informado que um delegado da corporação é testemunha das pressões que o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, sofreu para aprovar a entrada da vacina indiana Covaxin no território nacional. Ele frisou não ter gravação do momento em que o chefe do Executivo foi informado do caso, mas não descarta que o material exista. Durante o depoimento, Luis Miranda apresentou arquivos de conversas trocadas entre ele e o irmão, além de diálogos com outras pessoas. Bolsonaro teria sido informado da suposta fraude no contrato de aquisição da Covaxin em 20 de março deste ano, mas não teria levado a denúncia à frente e informado a Polícia Federal, para que fosse feita a investigação. Os irmãos Miranda dizem ter informado ao chefe do Planalto que existia pressões para aprovar a importação do imunizante.

PF vai investigar suspeita de propina – A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a suspeita de pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina, que teria sido solicitado pelo então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. A denúncia foi feita pelo cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti. Ele disse à CPI da Covid que Dias cobrou a propina quando ele tentou vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, em 25 de fevereiro. O diretor foi exonerado assim que a denúncia foi feita. Também ontem, Dias entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos da prisão em flagrante determinada pelo presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), em 7 de julho, quando o ex-servidor prestou depoimento à comissão. A defesa chamou a detenção de arbitrária e que se deu “sob alegação genérica de falso testemunho”, e que o habeas corpus obtido por Dias tem como objetivo “cessar os efeitos decorrentes da ilegal determinação de prisão em flagrante”.

Intervalo da Pfizer mudará após concluída primeira dose – O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta terça-feira (27) que o intervalo para aplicação das doses da Pfizer só será reduzido após toda a população adulta receber ao menos a primeira vacina contra a Covid-19. “A nossa expectativa é atingir essa população acima de 18 anos, vacinada, até o final de agosto, começo de setembro. A partir daí nós vamos discutir a redução do intervalo da dose da Pfizer, assim a gente avançaria com a D2 (segunda dose) em um número maior de pacientes”, disse Queiroga. Com a medida, o intervalo entre as doses da Pfizer deve passar de cerca de três meses para 21 dias, como é sugerido na bula do imunizante.

Com menos internados, governo paulista estuda flexibilizar regras – O estado de São Paulo registrou nesta segunda-feira (26) a menor média móvel de novas internações por Covid-19 desde novembro de 2020, com 1.187 admissões em UTI e enfermaria. A queda do indicador vem num momento em que o governo estadual prepara a flexibilização das restrições para comércio e serviços. Atualmente, na chamada fase de transição, que vai até 31 de julho, o estado tem toque de recolher das 23h às 5h. Comércio e serviços podem funcionar com 60% da capacidade até as 23h. Apesar da redução das novas internações nas últimas semanas, especialistas alertam para a ameaça das variantes, principalmente a Delta, e para a necessidade de manutenção de uso de máscara e de distanciamento físico.

Morre Giannotti, referência na análise crítica do marxismo – Em 1947, em São Paulo, aos 17 anos de idade, José Arthur Giannotti passou a se interessar pela filosofia. E de tanto que se envolveu com ela e com outros assuntos, não se preparou para as provas e foi reprovado naquele ano na escola. Apesar do prejuízo para seu histórico escolar ao se interessar por essa área do conhecimento, o jovem fez uma boa escolha. Em menos de duas décadas ele começou a publicar obras que tiveram repercussão em outros países, principalmente na França, onde foram traduzidas. E nos anos seguintes se tornou um dos estudiosos da filosofia mais influentes do Brasil. O filósofo morreu nesta terça-feira (27), aos 91 anos. A morte foi confirmada pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), entidade da qual Giannotti foi um dos fundadores. A causa não foi informada. “É com imensa tristeza que o Cebrap recebe a notícia do falecimento de um de seus fundadores, o prof. José Arthur Giannotti. Aos familiares e amigos que tiveram o privilégio de conviver com Giannotti, um dos maiores intelectuais brasileiros, nossas sinceras condolências”, afirmou, em nota.

Líder do centrão, Ciro Nogueira aceita Casa Civil – O presidente do PP e líder do centrão, senador Ciro Nogueira (PI), pediu ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autonomia nas articulações políticas com o Congresso, em especial o Senado, como condição para chefiar a poderosa pasta da Casa Civil. Na manhã desta terça-feira (27), o senador se reuniu com Bolsonaro no Palácio do Planalto por cerca de duas horas. Em seguida, anunciou ter aceitado o convite. A nomeação ainda precisa ser publicada no Diário Oficial da União. Segundo aliados de Ciro Nogueira e do mandatário, Bolsonaro concordou com a demanda e afirmou que o novo ministro terá liberdade para trabalhar. Uma das preocupações era que o presidente buscasse controlar Ciro e não lhe desse independência à frente da pasta. O temor se justifica porque o presidente já desmentiu ou divergiu de ministros publicamente mais de uma vez.

Plataforma Lattes sai do ar após apagão do CNPq – Os principais sistemas federais da pesquisa brasileira, as plataformas Lattes e Carlos Chagas, vivem um apagão desde sexta-feira (23) após uma falha na área de tecnologia. O problema impacta processos rotineiros relacionados ao fomento à pesquisa, como pagamento, renovações de bolsas e prestações de contas. Os dois sistemas são de responsabilidade do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), responsável pelo fomento à pesquisa no país. O órgão é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. A plataforma Lattes é um banco de dados com todos os currículos de pesquisadores. Ações como a aprovação de bolsas dependem da consulta ao Lattes. Já pela plataforma Carlos Chagas é que se operacionalizam chamadas públicas e editais de fomento à pesquisa, gestão e pagamento de bolsas. Cerca de 84 mil pesquisadores são financiados com recursos do CNPq. Além disso, outros órgãos, como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e agências de fomento ligadas a governos estaduais, também realizam operações com auxílio da plataforma Lattes.

Morre, aos 101, Orlando Drummond, ícone da TV – Morreu nesta terça-feira, aos 101 anos, o ator e dublador Orlando Drummond. Ele estava internado desde maio no CTI do Hospital Quinta D’Or, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com um quadro grave de infecção urinária. Ele faleceu em casa, de falência múltipla dos órgãos. Casado com Glória Drummond desde 1951, ele deixa dois filhos, cinco netos e três bisnetos. Com uma longa carreira no rádio e na TV, Drummond é conhecido principalmente pelo personagem Seu Peru, da “Escolinha do Professor Raimundo”. Sua voz está na memória afetiva dos brasileiros, que cresceram ouvindo sua dublagem de inúmeros personagens de séries e desenhos animados, como Popeye, Alf o ETeimoso, Gargamel, Pepe Legal, Vingador, Patolino e Frajola. E, claro, Scooby-Doo, com o qual quebrou recordes de longevidade. — Fiz muita coisa e gostava de tudo — contou ele ao GLOBO, em uma entrevista de 2019. — Mas foi com o Scooby-Doo que eu entrei para o livro dos recordes, como o dublador que fez um personagem por mais tempo. Foram mais de 35 anos. Ele também dublou clássicos da Sessão da Tarde, como “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”, “Robocop” e os filmes da franquia “Rocky”. Como ator, Drummond imortalizou o personagem Seu Peru, um dos mais populares da “Escolinha do Professor Raimundo”. Caracterizado com roupas e trejeitos extravagantes, além de um lenço na cabeça (ideia do próprio comediante), o personagem gay foi criado em 1952 para a versão radiofônica do programa. Logo os bordões “Tô porraqui com você” e “Te dou o maiorrrr apoio” viraram suas marcas registradas. Uma experiência insólita vivida por Drummond dá a dimensão real do sucesso do personagem. Cercado por oito bandidos ao voltar para casa certa noite, o comediante foi reconhecido por um deles, que gritou: “É o Seu Peru!”. Mesmo tremendo, Drummond acabou fazendo um pocket show para os assaltantes, que o deixaram escapar.

Bolsonaro faz 27 trocas ministeriais em 2 anos e meio – Com a mais recente reforma ministerial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve somar um total de 27 trocas no primeiro escalão em dois anos e meio de governo. O histórico de reformulação da Esplanada tem desde ministérios que estão em seu quarto titular em dois anos e meio de governo a estruturas desmembradas, além de uma pasta comandada pela mesma pessoa em duas ocasiões diferentes. O levantamento leva em conta a substituição de um ministro ou a nomeação de um titular para uma pasta nova. Na AGU (Advocacia-Geral da União), por exemplo, houve duas trocas: André Mendonça deu lugar a José Levi, mas retornou para a mesma posição num rearranjo ministerial posterior. Ao longo de dois anos e meio de governo, houve ainda recriação de um ministério —embora o presidente tenha sido eleito criticando o inchaço da máquina pública e com a promessa de ter 15 pastas. Em junho de 2020, ele recriou o Ministério das Comunicações e nomeou para o posto o deputado Fábio Faria (PSD-RN).

Destaques

Amigos ao mar – A confirmação de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) assumirá a Casa Civil engorda o histórico de acusações de que Jair Bolsonaro joga os amigos ao mar para salvar o barco da governabilidade. A vítima da vez foi o general Luiz Eduardo Ramos, que diz não ter sido nem avisado da troca. Outro amigo, o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que tem relação com o presidente há 40 anos, resume o sentimento: “tem um ditado que diz ‘eu sou amigo dos meus amigos’. Ele não se encaixa no Bolsonaro”. A esposa de Fraga, Mirta, morreu de Covid-19 em maio. “A insensibilidade dele deixa todo mundo revoltado”, diz o ex-deputado sobre a postura de Bolsonaro em relação à pandemia. Ele diz que fica chateado com a frieza, mas ressalta que não o culpa pelo que aconteceu com Mirta. Ele afirma que não tem contato com Bolsonaro há cerca de 90 dias, mas que não rompeu com ele. No começo de julho, o Metrópoles noticiou que o ex-parlamentar já não responde mais a mensagens no celular enviadas pelo antigo companheiro de Exército.

Câmara contradiz Bolsonaro – A Consultoria de Orçamento e Fiscalização da Câmara dos Deputados emitiu um parecer em que contradiz a tese do presidente Jair Bolsonaro de que é obrigado a sancionar o fundo eleitoral em um patamar de R$ 4 bilhões. De acordo com o órgão, as duas leis vigentes que tratam do tema determinam, na verdade, que sejam destinados ao menos R$ 800 milhões às campanhas políticas do ano que vem. Nas eleições de 2020, esse valor ficou em R$ 2 bilhões e, para 2022, o Congresso aprovou na Lei de Diretrizes Orçamentárias um aumento para R$ 5,7 bilhões. O parecer foi solicitado pelo deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e é assinado pelo consultor da Casa Sérgio Sambosuke. Na última segunda-feira (26), Bolsonaro disse, sem explicar como pretende realizar a operação, que se vetasse o fundão na casa dos R$ 4 bilhões poderia incorrer em crime de responsabilidade.

Gilmar manda para PGR pedidos de investigação de conduta de Braga Netto – O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), solicitou à PGR (Procuradoria-Geral da República) nesta terça-feira (27) que ela se manifeste sobre os pedidos para que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, seja investigado por ameaças à realização das eleições de 2022. O magistrado é o relator de petições apresentadas à corte pelos deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Elvino José Bhon Gass (PT-RS) e Natália Bonavides (PT-RN), além de um advogado. O envio à PGR é uma providência de praxe, já que o órgão é o responsável por investigar autoridades com prerrogativa de foro no tribunal.

Aras vai ouvir Braga – O procurador-geral da República, Augusto Aras, vai intimar o ministro da Defesa, Braga Netto, para se explicar sobre as supostas ameaças que teria feito contra o processo eleitoral. O general teria afirmado a parlamentares que as eleições de 2022 não ocorreriam caso o voto impresso não seja adotado no Brasil. Depois da ameaça, Braga Netto virou alvo de quatro ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça (27), o ministro Gilmar Mendes encaminhou os procedimentos a Aras para que ele dê encaminhamento aos pedidos. Aras quer ouvir o general e também o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a quem parlamentares relataram as ameaças. Só então decidirá se propõe a abertura de um inquérito contra o militar. Braga Netto fez as ameaças ao senador e futuro ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI). Além de Ciro, uma nova testemunha pode ajudar a esclarecer o que ocorreu: o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP). Pereira ouviu o relato sobre as afirmações do general contra as eleições do próprio Ciro Nogueira. Em seguida, os dois procuraram Arthur Lira para relatar o tom inusitado das colocações do militar.

Barroso reforça sistema eleitoral – O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), escolheu dois profissionais do alto escalão da instituição para formar um núcleo de monitoramento que reforce a segurança do sistema eleitoral brasileiro. A decisão, tomada ontem, ocorre num momento em que o presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal investem no aumento da tensão na relação com os líderes dos outros dois Poderes da República, a fim de viabilizar a pauta do voto impresso auditável — amplamente defendida pelo chefe do Executivo. Com a missão de acompanhar qualquer manifestação que diga respeito à segurança do processo eleitoral, Barroso definiu como responsáveis a secretária-geral do TSE, Aline Osório, e o secretário de tecnologia da instituição, Julio Valente. Juntos, eles terão a função de dar continuidade e aprimorar a campanha contra a circulação de notícias falsas que desinformam sobre as eleições e a urna eletrônica.

PF abre inquérito contra ex-diretor do Ministério da Saúde – A Polícia Federal abriu inquérito para investigar se o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pediu propina em uma negociaçao paralela de venda de vacinas feita por um vendedor ligado à empresa Davati Medical Supply, o policial militar Luiz Paulo Dominghetti. O inquérito irá tramitar em Brasília, no Serviço de Inquéritos (Sinq). Também tramitam no Sinq o inquérito sobre possíveis irregularidades na compra da Covaxin e sobre suspeita de prevaricação do presidente Jair Bolsonaro no caso Covaxin. O suposto pedido de propina de Roberto Dias foi relatado por Dominghetti em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo e à CPI da Covid. A empresa Davati Medical Supply se apresentava como intermediadora da venda da vacina AstraZeneca e fez uma oferta de 400 milhões de doses da vacina ao ministério. A AstraZeneca, entretanto, nega que sua vacina seja vendida por meio de empresas intermediárias.

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