Resumo dos jornais de 4ª feira (08/dez/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de 4ª (08/dez/2021)

Manchetes

Valor Econômico – Alta de custos já afeta digital, e inflação no on-line aumenta

Apesar da expansão dos “marketplaces” – shoppings virtuais com milhares de lojistas – e a forte competição do comércio eletrônico no Brasil, a inflação no digital, de janeiro a outubro, de 18,76%, ficou bem acima dos indicadores oficiais, como IPCA e IGP-M. Esses índices incluem a variação de preços na internet, além das lojas, mas não levantam a taxa no comércio digital forma isolada. Para efeito de comparação, o IPCA avançou 8,24% no mesmo período – os produtos eletrônicos subiram 9,89% e moda 6,92%, todos abaixo do ritmo de alta inflacionária do digital. Os dados são de pesquisa inédita obtida pelo Valor do Instituto Brasileiros de Executivos de Varejo (Ibevar). Segundo o levantamento, mesmo com a queda de 9% nos preços on-line no mês passado, como efeito das ofertas da Black Friday, a inflação da internet no ano seguiu com alta de quase 9,8%. Após as promoções e até o dia 3 de dezembro, a pesquisa revela aumento de cerca de 2,4% em relação ao começo de outubro.

CORREIO BRAZILIENSE – Na contramão do mundo, Brasil descarta exigência do passaporte da vacina

FOLHA DE S.PAULO – Brasil exigirá quarentena de 5 dias a viajantes sem vacina

O GLOBO – País dispensa passaporte; não vacinado deve fazer cinco dias de quarentena

Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Portugal e Espanha estão entre os países que exigem o comprovante de imunização para permitir a entrada de viajantes. No Brasil, faz quase um mês que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária havia recomendado a medida, rejeitada ontem pelo Planalto, que alegou a defesa das liberdades individuais. Em pronunciamento que reuniu as pastas da Saúde e da Casa Civil e a Advocacia-Geral da União, o governo anunciou que não exigirá passaporte de vacina de turistas e que os não imunizados deverão cumprir uma quarentena de cinco dias. Antes em uma cerimônia, o presidente Jair Bolsonaro comparou o comprovante de imunização a uma “coleira” e disse que prefere morrer a perder a sua liberdade. A frase foi repetida pelo ministro Queiroga, da Saúde, que ignorou as recomendações da Anvisa para o controle da nova cepa.

O ESTADO DE S.PAULO – Contra inflação, BC faz maior choque de juros em 20 anos

A expectativa para a última reunião do Copom no ano, hoje, é que a taxa de Selic suba 1,5 ponto percentual, passando de 7,75% para 9,25% no ano. Em 9 meses o aumento deve somar 7,25 pontos. Ao promover o mais forte choque de juros em quase 20 anos, o objetivo do banco central é combater uma inflação alta, persistente e disseminada. Mesmo sem hiperinflação, o índice na casa de 10% prejudica a atividade econômica e empobrece à população.

Os destaques de primeira página e do editor

Ainda há risco de interferência na extradição de Allan dos Santos, diz PF em inquérito – A delegada responsável pelo inquérito das milícias digitais diz em despacho que ainda há risco de interferência do Ministério da Justiça no processo de extradição do influenciador bolsonarista Allan dos Santos. “Permanece ainda latente o risco de ocorrência de novos eventos com potencial de causar prejuízo ao fluxo normal da apuração”, diz a delegada Denisse Ribeiro em despacho encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que decretou a prisão e a extradição do influenciador residente nos Estados Unidos. A atuação cúpula do Ministério da Justiça passou a ser investigada no inquérito após a demissão da delegada Silvia Amélia, chefe do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional), setor que cuida desse tipo de assunto dentro da pasta. O Secretário Nacional de Justiça, Vicente Santini, fez um ofício pedindo para alterar o fluxo do procedimento de extradição para ter acesso às informações. De acordo com a delegada da polícia, o possível crime investigado não foi concretizado porque as investidas de Santini não conseguiram atrapalhar o processo até o momento. Quando ele tentou efetuar as mudanças o caso já havia sido enviado para os Estados Unidos. Entretanto, segundo a PF, como o processo de extradição está em andamento e uma nova atuação do Ministério da Justiça poderá ser necessária, ainda há chance de interferência.

PF quer usar dados sobre milícias digitais – Os investigadores responsáveis pela apuração sobre os negócios de Jair Renan, filho 04 do presidente Jair Bolsonaro, querem utilizar informações do inquérito das milícias digitais. A delegada Denisse Ribeiro, segundo mostra os documentos do inquérito, recebeu o pedido de compartilhamento da superintendência da PF no Distrito Federal. Caberá ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidir se autoriza ou não o compartilhamento. O motivo do pedido é a citação ao empresário Allan Lucena nos dois casos. Ele seria parceiro comercial de Jair Renan e no caso das milícias digitais aparece em conversas com o jornalista bolsonarista Oswaldo Eustáquio. Ao pedir o compartilhamento, os investigadores do caso de Jair Renan afirmam que o inquérito que ele é alvo indica para recebimentos pelo filho do presidente “de vantagens de empresários com interesses, vínculos e contratos com a Administração Pública Federal e Distrital sem aparente contraprestação justificável dos atos de graciosidade”. Segundo a PF, o núcleo empresarial investigado no caso do 01 “apresenta cerne em conglomerado minerário/agropecuário, empresa de publicidade e outros empresários”.

Cara de pau – O escritor Olavo de Carvalho minimizou em depoimento à Polícia Federal seus vínculos com a família do presidente Jair Bolsonaro e seus principais discípulos no país, como o blogueiro Allan dos Santos. Ele também negou ter saído do país para fugir do depoimento marcado com a PF, como revelou o Painel em novembro. Contudo, apresentou uma versão com contradições sobre sua saída do Brasil para o Paraguai, de onde voou para Miami (Estados Unidos) em 13 de novembro. Olavo conversou com os investigadores responsáveis pelo inquérito sobre milícias digitais em 24 de novembro por meio de uma videoconferência. O escritor disse que só teve o primeiro contato com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Allan dos Santos em 2019, depois da eleição de Jair Bolsonaro, durante um curso presencial que tratava de “estudar a política para compreender o que está se passando”. Ele disse não se recordar de ter conhecido pessoalmente o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em relação ao presidente, disse ter conversado em quatro oportunidades, sendo três por ligação de menos de dois minutos, e uma no jantar realizado na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Olavo afirmou ter sido convidado por Bolsonaro para ocupar o cargo de ministro da Educação ou da Cultura. Ele disse que recusou o convite, mas indicou os nomes de Ernesto Araújo para as Relações Exteriores e Ricardo Vélez para a Educação. Os dois foram nomeados e depois exonerados dos cargos. O escritor afirmou que foi para o Paraguai no dia 10 de novembro após convite de um amigo de seu filho, identificado apenas como Pedro. Ele disse que pretendia encontrar o filho em Assunção, mas, ao chegar na capital paraguaia, sentiu-se cansado e “resolveu voltar logo para os Estados Unidos”.

Prescrição no caso tríplex antecipa embate entre Lula e Moro – O pedido de arquivamento do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex de Guarujá (SP), emitido nesta segunda-feira (6) pelo MPF (Ministério Público Federal) sob o argumento de prescrição, paradoxalmente serve a discursos rivais na corrida presidencial de 2022. Além do próprio Lula —que ganha mais um elemento para a narrativa de perseguição pela Operação Lava Jato e de inocência após a anulação de suas condenações pelo STF (Supremo Tribunal Federal) —, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) vê chance de reavivar a bandeira de combate à corrupção. Moro disse, em evento em São Paulo na noite desta terça-feira (7) para lançar seu livro “Contra o Sistema da Corrupção”, que a decisão do MPF o entristece e voltou a chamar de “erro judiciário” as anulações no STF.

Republicanos cobra alianças de Bolsonaro e ameaça – Uma vez encerrada a novela partidária de Jair Bolsonaro, com a escolha do PL de Valdemar Costa Neto, o presidente agora enfrenta o desafio de tentar acomodar os outros dois aliados, PP e Republicanos, e impedi-los de abandonar o barco em 2022. Em seu discurso de filiação na semana passada, Bolsonaro fez um gesto aos dirigentes e citou-os nominalmente, Ciro Nogueira (PP) e Marcos Pereira (Republicanos). “Pode ter certeza que nenhum partido será esquecido por nós. Não temos aqui a virtude de sermos o único certo, queremos, sim, compor nos estados”, discursou no evento. Ainda que as duas legendas tenham assento no primeiro escalão do governo (Casa Civil e Cidadania), o PP é considerado hoje o mais próximo do governo. A legenda quase filiou o chefe do Executivo, e, segundo negociações nos bastidores, deve ficar com a vice-presidência na chapa de Bolsonaro no ano que vem. Agora, a principal tarefa de Bolsonaro é abrigar o Republicanos. Das legendas do centrão, a sigla é a que tem mais chance de desembarcar da candidatura de Bolsonaro em 2022. Segundo relatos, lideranças do partido já tratam dessa possibilidade num cenário em que Bolsonaro desidrate nas pesquisas, o que acham possível ocorrer. Dirigentes de partidos do centrão e de centro-direita veem como um fator propulsor para um eventual desembarque do Republicanos do governo a disputa entre igrejas evangélicas que compõem a base de eleitores de Bolsonaro. O Republicanos é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Por mais que dirigentes do partido afirmem que a sigla é muito mais que um conglomerado de evangélicos, o entorno do bispo Edir Macedo, da Universal, que ainda tem forte influência sobre a legenda, diz que ele está cada vez mais nervoso com o governo.

Tribunal anula maior condenação contra Cunha – O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), no Distrito Federal, anulou nesta terça-feira (7) o processo que condenou o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) à sua maior pena criminal, e enviou os autos à Justiça Eleitoral. Cunha havia sido condenado em 2018 a 24 anos e dez meses de prisão pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara em Brasília, que o havia considerado culpado pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. A acusação era de que houve desvios na Caixa Econômica Federal. A denúncia do Ministério Público Federal, baseada na Operação Sépsis, apontava um suposto esquema de pagamento de propinas milionárias ao grupo de Cunha, por parte de grupos empresariais, em troca da liberação de aportes do Fundo de Investimentos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), gerido pela Caixa. Essas liberações, segundo a acusação, eram manipuladas por aliados de Cunha na Caixa, entre eles o ex-vice-presidente do banco Fábio Cleto, primeiro a fechar acordo de delação premiada sobre o caso. Por unanimidade, a terceira turma do TRF-1 acolheu pedido da defesa que afirmava que a Justiça Federal era incompetente para julgar o processo. Com isso, a ação foi anulada e os autos enviados à Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte. O relator é o juiz federal do TRF-1 Ney Bello. Além de Cunha, também havia sido condenado no mesmo processo o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (MDB-RN).

Bolsonaro assina contratos de 5G com operadoras – O presidente Jair Bolsonaro assinou, nesta terça-feira (7), os contratos de autorização das dez operadoras que venceram o leilão do 5G no início de novembro com a promessa de investirem R$ 42 bilhões para massificar a internet móvel no país. No entanto, durante o evento, que ocorreu no Palácio do Planalto, Bolsonaro falou pouco da nova tecnologia da telefonia e concentrou esforços em fazer elogios a seu governo. O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), também usou o discurso para promover o governo de Bolsonaro. Ele disse que, pela primeira vez, as escolas públicas serão conectadas —algo que não ocorreu no governo do PT. No entanto, desde o 3G, tecnologia de 2008, os leilões da telefonia obrigaram as operadoras a conectarem as escolas públicas. A grande dificuldade para as teles foi conseguir fazer com que o Ministério da Educação apresentasse uma relação confiável de escolas e endereços para serem incluídos no programa. Esse problema, segundo as operadoras, ainda persiste.

O drible de Marinho – Convocado pela Comissão de Fiscalização e Controle do Senado para prestar esclarecimentos sobre compras e obras realizadas com recursos do orçamento secreto, o ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Rogério Marinho, atribuiu ao Congresso a responsabilidade pela criação dessas emendas do relator. Segundo ele, os parlamentares questionam “o leite derramado” por interrogarem integrantes do governo a respeito de um dispositivo que ganhou corpo por conta do próprio Parlamento. Marinho afirmou ainda não ter acesso aos autores originários das emendas do Orçamento e que essa ferramenta não foi concedida a ele por decisão dos próprios parlamentares. “Eu nunca recebi essa informação (autoria das emendas). Vossa Excelência e seus pares, quando votaram o Orçamento, por duas vezes, não mudaram o orçamento para que eu tivesse essa condição de acesso”, enfatizou.

Desoneração será votada amanhã – O projeto de lei que prorroga a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia vai ser colocado na pauta do Senado amanhã. Foi o que garantiu o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ontem, após receber uma comitiva de empresários diretamente beneficiados pela medida. O parlamentar tem sido pressionado a levar o tema à votação o quanto antes, já que a desoneração que está em vigor termina em 31 de dezembro deste ano. “O que ficou decidido pela Presidência do Senado, por se tratar de tema amplamente aprovado pela Câmara dos Deputados, já conhecido do Congresso Nacional — porque discussões parecidas aconteceram no passado —, foi a inclusão na pauta do Senado, na próxima quinta-feira, desse projeto”, afirmou. Pacheco também confirmou que o PL será relatado pelo vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). “É um projeto importante, porque alcança setores com alto índice de empregabilidade”, argumentou. Os 17 setores — que incluem transporte, construção civil e call center — empregam 6 milhões de pessoas.

Em defesa do “SUS da educação” – A Comissão de Educação da Câmara aprovou, ontem, projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Educação (SNE). O texto ainda será analisado pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça, antes de ir a plenário. Para o deputado federal Professor Israel (PV-DF), o SNE é o “SUS da educação”. “O Sistema Nacional de Educação vai fazer com que a educação funcione de maneira parecida com a saúde, que tem o SUS (Sistema Único de Saúde). Então, o SUS da educação é o Sistema Nacional da Educação, que vai obrigar presidente, governadores e prefeitos a se entenderem sobre educação”, afirmou. De acordo com o deputado, a proposta vai sanar um vácuo de poder, que tomou conta da área nos últimos anos. “O Ministério da Educação sofreu um verdadeiro apagão. Não coordenou os esforços dos estados e municípios em relação à pandemia, ao retorno seguro às aulas. O MEC marcou a data da prova do Enem de 2020 sem combinar com os estados e o DF, que oferecem o ensino médio”, ressaltou, numa menção ao Exame Nacional do Ensino Médio.

PEC dos Precatórios: promulgação fatiada – Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegaram a um acordo sobre como será a reta final da tramitação da PEC 23/2021, que trata dos precatórios, já aprovada nas duas Casas. Conforme o acerto, os pontos do texto que forem consenso entre deputados e senadores deverão ser promulgados, hoje, pelo Congresso. “A promulgação deve acontecer amanhã (hoje). As duas assessorias já estão trabalhando. No texto comum, tecnicamente, para que não haja qualquer tipo de contestação”, disse Lira, que já vinha defendendo o fatiamento da proposta. Ele anunciou o acordo durante pronunciamento ao lado de Pacheco, após mais uma reunião sobre o assunto.

MDB lança Simone Tebet – A senadora Simone Tebet (MS) será oficialmente lançada, hoje, pré-candidata à Presidência da República pelo MDB. O partido se reúne, em Brasília, a partir das 10h, para apresentar o nome da parlamentar, aproveitando a projeção conquistada por ela na CPI da Covid como principal representante da bancada feminina. Tebet tentará se firmar como um nome da terceira via, que começa a ficar congestionada por excesso de represetantes — como João Doria (PSDB), Sergio Moro (Podemos), Rodrigo Pacheco (PSD) e Luiz Henrique Mandetta (DEM). Apesar disso, ela é considerada a vice dos sonhos de candidatos já lançados — o governador de São Paulo confessou, há poucos dias, o desejo de tê-la como vice na chapa.

Muito além do Auxílio Brasil – Depois da medida provisória para garantir os R$ 400 no programa que substituiu o Bolsa Família, o governo prepara um programa para ocupação de jovens que estão no “nem-nem” — nem trabalham nem estudam. A ideia é batizar de Voluntariado Brasil, mas o nome ainda não está totalmente fechado. O programa consiste em dar às prefeituras interessadas uma forma de contratar jovens entre 18 e 24 anos, com dificuldades de colocação no mercado, com meio salário mínimo. O beneficiado ficaria vinculado à permanência na escola no outro turno, de forma a garantir uma qualificação e alguma experiência de trabalho. Politicamente, o programa pode ajudar o governo a abarcar mais um naco do eleitorado jovem. O Planalto, obviamente, não faz qualquer menção aos benefícios eleitorais que a iniciativa pode proporcionar ao presidente Jair Bolsonaro. Mas, para quem está precisando melhorar seus índices junto à população, será mais um projeto promissor.

Relator desmente Pacheco e Lira e diz que há registros de beneficiados – Um documento assinado pelo relator-geral do Orçamento de 2020, deputado Domingos Neto (PSD-CE), desmente a versão da cúpula do Congresso de que não há registros sobre as indicações de parlamentares no esquema do orçamento secreto e confirma que a liberação de recursos se deu por meio de conluio com o Palácio do Planalto. Segundo Domingos Neto, parlamentares interessados em destinar recursos para seus redutos eleitorais solicitaram diretamente à Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov), então comandada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, R$ 5,4 bilhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). O relato de Domingos Neto, registrado em ofício obtido pelo Estadão, dá uma versão diferente do que disseram os presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em manifestação ao Supremo Tribunal Federal para destravar os pagamentos de emenda de relator, base do orçamento secreto, no qual um grupo de parlamentares indica como e onde o dinheiro público deve ser aplicado e, em troca, vota a favor das propostas do governo Jair Bolsonaro. O esquema foi revelado pelo Estadão em uma série de reportagens em maio.

Para aliados, Bolsonaro acerta ao buscar refúgio na agenda ‘conservadora raiz’ – O núcleo mais restrito em torno de Jair Bolsonaro diz que ele está conseguindo estancar a sangria desatada de sua popularidade após ter retomado fortemente a “agenda conservadora raiz”, principalmente no campo dos costumes: acenos aos religiosos (evangélicos à frente), críticas ao conteúdo do Enem e aos movimentos em prol da diversidade sexual, além de novos ataques às medidas restritivas à circulação na pandemia. O presidente estaria começando a recuperar eleitores que viraram as costas para ele. O estado do paciente ainda é grave, mas Bolsonaro pode ter reencontrado o caminho ou ao menos desviado a atenção dos brasileiros das dificuldades na economia, afirma um aliado dele. Pesquisa que estava em fase de conclusão nesta terça-feira, 7, deverá confirmar essa melhora na avaliação de Jair Bolsonaro, impulsionada por índices das Regiões Sul e Sudeste, pelos mais ricos e pelos conservadores. Por isso, quem conhece bem Bolsonaro diz que ele não está disposto a ceder mais na batalha em torno do passaporte da vacina. Entre os defensores do passaporte vacinal, há forte expectativa de que o ministro Luís Roberto Barroso determine ao governo federal a obrigatoriedade da medida. Ou seja, os atritos devem continuar. Barroso é o relator no Supremo da ação da Rede pela efetividade da estratégia recomendada pela Anvisa para a entrada de viajantes no Brasil. Vence nesta quarta-feira, 8, o prazo que o ministro deu para o governo justificar sua decisão de não a adotar.

Nova rota – Ciro Gomes (PDT) decidiu parar de fazer de conta que Sérgio Moro (Podemos) não é um problema para sua candidatura. A partir de janeiro, Ciro cumprirá agendas em diferentes regiões do Sudeste. A estratégia dos pedetistas é propagar a imagem de Moro como um candidato sem proposta e insistir na ideia de um debate público entre ambos. De seu lado, Moro tem articulado visitas a redutos bolsonaristas no populoso interior paulista. “Moro representa um revés quase irreversível para Bolsonaro. A disputa por uma vaga no segundo turno contra Lula hoje se encaminha para estar entre Ciro e Moro”, diz Carlos Lupi, presidente do PDT. Nesta terça, depois de passar pela capital, Ciro seguirá para Ribeirão Preto. Na quinta, estará em Campinas e então partirá para o Espírito Santo e depois Rio, no fim de semana.

Ex-assessor liga ex-mulher de Bolsonaro a fraude com DPVAT – Em entrevista ao “Jornal Nacional”, nesta terça-feira, um ex-funcionário da família Bolsonaro associou Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e ex-chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, a um esquema de fraude envolvendo o seguro DPVAT, pago a vítimas de acidentes de trânsito. Ana Cristina, que é investigada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) pela prática de rachadinha quando atuava no gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio, teria participado de um esquema operado pelo advogado Marcelo Morgado, que já foi alvo de investigação da Polícia Civil. Segundo Marcelo Luis Nogueira dos Santos, que foi nomeado entre 2003 e 2007 no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro e trabalhava como funcionário doméstico de Ana Cristina, a ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro teria no esquema “uma forma de lavagem de dinheiro” dos recursos obtidos via rachadinha, isto é, do recolhimento de salários de assessores lotados no gabinete de Carlos Bolsonaro. Procurada pela TV Globo, a defesa de Ana Cristina não se manifestou. Na investigação da rachadinha, o MP identificou que Ana Cristina foi sócia de um escritório de advocacia, o Valle Ana Advogados, e de duas empresas de seguros na época em que era chefe de gabinete de Carlos. Todas as firmas foram registradas em endereços próximos à Câmara Municipal. Segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mais da metade dos débitos na conta bancária de uma das seguradoras entre 2008 e 2015, totalizando R$ 1,1 milhão, se deu com saques em espécie.

Patrimônio turbinado ao longo da vida política – Na mira da Polícia Federal na investigação que apura o desvio de dinheiro público das emendas parlamentares, o deputado Josimar Maranhãozinho (PL-MA) registrou um crescimento da riqueza que superou sua ascensão na política. Em 2008, quando buscou a reeleição como prefeito de Maranhãozinho, no Maranhão, Josimar afirmou que seus bens somavam R$463,9 mil. Dez anos depois, quando concorreu ao cargo de deputado federal, os bens informados eram de R$ 114,5 milhões. Ou seja, um máximo de 1,652%, em valores já corrigidos no período. Em contas de pagamento à Justiça Eleitoral, Maranhãozinho tem o hábito de declarar dinheiro. Em 2014, quando se candidatou a um cargo de Deputado Estadual, ele relatou ter R$ 100 mil em espécie. Em 2018, esse montante foi de R$ 11,4 milhões, além de dez consórcios totalizando R$ 254.728. Devido à sua influência política no Maranhão, o parlamentar foi elevado ao comando da diretoria do PL no estado, sob a bênção de Valdemar Costa Neto, líder do partido. No âmbito local, Maranhãozinho é considerado um articulador político hábil, preferindo atuar nos bastidores. Nas reuniões internas do PL, o parlamentar costuma se vangloriar de ter vencido, nas eleições municipais de 2020, o controle político de mais de 40 prefeituras. O que a investigação da PF mostrou, no entanto, é que todo esse poder político pode ter sido conquistado, nos últimos anos, através de uma relação conflituosa entre o público e o privado. A investigação secreta da PF envolve Maranhãozinho em uma série de crimes, que vão desde peculato até lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitação. Segundo investigadores, Maranhãozinho usaria o dinheiro desviado para fins privados, mas também para cooptar aliados.

PT avisa PSB que não abre mão de Haddad para o governo de São Paulo – O PT já avisou o PSB: não vai abrir mão da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo no ano que vem. A retirada de Haddad em favor de Márcio França tem sido colocada como condição do PSB para aceitar em seus quadros o ex-governador Geraldo Alckmin, sondado por Luis Inácio Lula da Silva para ser vice em sua chapa para a presidência da República. Os petistas já vinham recusando essa hipótese, mas França ainda acreditava na possibilidade de um acordo. Nos últimos dias, ele foi comunicado em uma reunião fechada com aliados de Lula de que não adianta insistir. O impasse complicou as negociações para a formação da chapa “Lulalckmin”, mas os aliados de Lula dizem que a aliança não depende da saída de Haddad da corrida eleitoral e apostam que o PSB vai acabar desistindo da exigência. Na conversa com os petistas, na semana passada, França chegou a dizer que poderia se lançar para o Senado, mas nos últimos dias voltou a falar em tentar o governo do estado, o que levou os aliados de Lula a deixarem claro que o partido não abrirá mão da candidatura de Haddad.

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