Resumo dos jornais de 3ª feira (27/07/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de 3ª (27/07/2021)

Edição: Chico Bruno

Manchetes

O ESTADO DE S. PAULO – Deputados beneficiam parentes com ‘emenda do cheque em branco’

Pelo menos seis parlamentares usaram a “emenda do cheque em branco” para enviar, no total, R$ 27,6 milhões para cidades comandadas por parentes como filho, irmão, pai ou sobrinho. Um dos casos é o de Bituruna (PR). Após a morte do deputado José Carlos Schiavinato (PP-PR), em abril, vítima da covid-19, o suplente Valdir Rossoni (PSDB-PR) destinou R$ 8,1 milhões à cidade, cujo prefeito é seu filho, Rodrigo Rossoni. Clarissa Garotinho (PL-RJ) enviou R$ 4,5 milhões para Campos dos Goytacazes (RJ), onde o irmão, Wladimir Garotinho, é prefeito. Criado na gestão Bolsonaro, o mecanismo permite a parlamentares destinar dinheiro para suas bases eleitorais de forma rápida e sem necessidade de projeto. Como mostrou o Estadão na semana passada, o que deveria ser exceção virou regra para 393 congressistas.

FOLHA DE S. PAULO – Saúde quer antecipar segunda dose da Pfizer

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, disse ontem que o intervalo entre a aplicação da primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer vai ser reduzido para 21 dias. Atualmente, após ser imunizado com a aplicação inicial, é preciso esperar três meses para a adicional. Ele não informou, porém, quando a mudança vai ser posta em prática. “Precisa ver qual é o melhor timing disso, mas que vai diminuir, vai”, afirmou Cruz. A contenção da variante Delta é um dos objetivos da estratégia. “O que nos preocupa muito é a Delta, porque já temos mais de 90 países na qual ela se encontra. Os estudos demonstram que, qualquer que seja a vacina, ela protege contra as formas graves da doença”, reforçou a coordenadora da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite. A bula do imunizante da farmacêutica americana já recomenda os 21 dias. O governo brasileiro optou por estender o prazo para que o maior número possível de pessoas recebesse a primeira dose — com base em medida tomada pelo Reino Unido. “Não tínhamos certeza da quantidade de doses de Pfizer que receberíamos neste ano e optamos por ampliar o número de vacinados com a primeira dose. Mas, agora, temos segurança nas entregas e dependemos apenas da finalização do estudo da logística de distribuição interna dos imunizantes para bater o martelo sobre a redução do intervalo da Pfizer para 21 dias. As simulações de logística já estão sendo finalizadas”, afirmou, por sua vez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

CORREIO BRAZILIENSE – Delta avança no DF. Vacina chega a 35 anos

Mais contagiosa e agressiva, a variante preocupa especialistas. “É necessário que o governo monitore mais os casos”, alerta o médico da Sociedade Brasileira de Infectologia Julival Ribeiro. Até o momento, foram confirmados 45 casos no DF. Três pessoas morreram. “Vamos trabalhar com fiscalização, para que não tenhamos aglomerações e para que (as pessoas) usem máscara e álcool em gel”, destacou o secretário da Saúde, Osnei Okumoto. A pasta prevê o início da vacinação das pessoas de 35 anos a partir de quinta-feira, se o Ministério da Saúde liberar as 43 mil doses prometidas. Também está prevista para hoje a antecipação da segunda dose para 6 mil professores.

O GLOBO – Bolsonaro recua de veto e agora admite fundo eleitoral maior

Após ter garantido que vetaria o valor aprovado pelo Congresso para o fundo eleitoral – R$ 5,7 bilhões – o presidente Jair Bolsonaro mudou de posição ontem e declarou que pretende barrar o que chamou de “excesso”, sinalizando dar seu aval a um fundo de R$ 4 bilhões para custear as eleições – o dobro do montante de verba pública que financiou o pleito de 2020. Demonstrando saber que a decisão é impopular entre seus apoiadores, Bolsonaro afirmou esperar “não apanhar do pessoal como sempre”, como disse ontem em frente ao Palácio da Alvorada.

Valor Econômico – Em meio à retomada, estoque baixo na indústria preocupa

Em meio às projeções de aquecimento maior da economia, setores da indústria da transformação estão preocupados com os estoques operando no limite, ainda sem recuperar os níveis pré-pandemia. De acordo com a pesquisadora Claudia Perdigão, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o quadro pode ser constatado na Sondagem da Indústria da FGV, com dados coletados até junho. A baixa estocagem tem afetado desde empresas 100% nacionais, como Agrale, até unidades de multinacionais, como AGCO e John Deere. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também relatam estoques aquém do normal e demanda alta. Segundo Perdigão, o nível de estoque – abaixo da média histórica – reflete uma combinação de custos de produção mais altos, principalmente de energia, e falta de insumos. Para ela, a médio prazo, a indústria da transformação pode ter dificuldades de atender à maior cadência de encomendas. “Se tem demanda alta em função de crescimento, você não tem plástico, borracha etc., que são as bases da nossa indústria para chegar ao produto final”, afirma o diretor de vendas da Agrale, Edson Sixto Martins.

Notícia do dia

Bolsonaro: “É o que tenho para trabalhar” – O presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, justificou a possível ida do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil da Presidência e o relacionamento cada vez mais estreito com o Centrão. Em entrevista à Rádio Arapuã, da Paraíba, ele comentou sobre os inquéritos que o parlamentar responde na Justiça. Ciro é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) — em dois, o Ministério Público Federal já ofereceu denúncia, mas ainda não foram aceitas pela Corte. As investigações correm no âmbito da Operação Lava-Jato e o parlamentar é acusado de receber e pagar propina. Segundo Bolsonaro, se cortasse relações com deputados e senadores que respondem a inquéritos, “perderia metade do parlamento”. E usou um exemplo pessoal para sustentar o argumento. “Se eu afastar do meu convívio, parlamentares que são réus ou têm inquéritos, eu perco quase metade do parlamento. Quem colocou o Ciro aqui? Eu? Eu sou réu no STF, sabia disso? Aquele caso da Maria do Rosário (deputada federal pelo PT-RS). Então, não deveria estar aqui também. Acho que todos nós só somos culpados depois da sentença transitada em julgado. Então, se o Ciro, ou qualquer outro ministro meu for julgado e condenado, obviamente se afasta do governo. Mas, no momento, é o que tenho para trabalhar em Brasília”, disse.

Primeiras páginas

Onix terá 202 vagas disponíveis para aliados – Depois de assegurar o maior orçamento do governo (mais de R$ 700 bilhões) por ser responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões do INSS, o novo Ministério do Trabalho e Previdência Social será palco de uma disputa por cargos. A pasta, anunciada para acolher o atual ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, vai abrir pelo menos 202 vagas relevantes, com poder de decisão, que poderão ser utilizadas para indicações políticas. A expectativa é que o novo ministério receba aliados do presidente Jair Bolsonaro, especialmente aqueles indicados pelo chamado Centrão, grupo de parlamentares alinhados ao governo no Congresso. Do total de vagas que serão abertas, o ministro prometeu manter em Brasília a equipe técnica responsável pelas áreas de trabalho e previdência social, o que significa um total de 60 vagas, além de seis cargos Dataprev (estatal de processamento de dados do governo). Na prática, isso envolveria apenas a transferência de vagas do Ministério da Economia para outra pasta. No entanto, não há garantia de que o Ministro manterá os nomes atuais nos cargos.

Joyce passa ao ataque – A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) prestou depoimento, ontem, à Polícia Civil do Distrito Federal por conta da investigação que apura se ela foi agredida dentro de casa, em um apartamento funcional, em Brasília. A parlamentar disse que encontrou um objeto, no último domingo, que não pertence a ela nem a ninguém de sua casa, e que entregou o objeto aos agentes. Ela não quis dizer o que é, mas afirmou não ser um objeto cortante. “Não é uma arma, não é um objeto cortante. É um objeto que não pertence a ninguém da minha casa. Não estava sujo de sangue. Só prova que, de alguma forma, alguém esteve lá. Se foi antes, depois, se foi em outro momento, se tem ligação com o caso, a polícia vai me dizer”, afirmou. Segundo ela, o objeto foi recolhido por um policial legislativo. O caso também está sendo apurado pela Polícia Legislativa, por se tratar de um apartamento funcional, e pelo Ministério Público Federal (MPF), acionado pela polícia. Joice também abriu um boletim de ocorrência contra o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), por ter, em uma transmissão ao vivo, dito que ela usou drogas e que levará uma denúncia ao Conselho de Ética. A parlamentar disse, também, que fará uma notícia-crime para que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Augusto Heleno, seja ouvido, depois que ele foi ao Twitter, segundo ela, “debochar”: “Quanto à informação que divulgou sobre o GSI, deve ser perturbação consequente da pancada que levou na cabeça. Espero que melhore!”, postou.

Investimento volta mais rápido que em outras crises – Na retomada econômica atual após a recessão provocada pela pandemia da covid19, a recuperação dos investimentos das empresas tem sido mais forte do que nas crises passadas, e a expectativa do governo é que o ritmo se mantenha nos próximos meses. Após um ano do pior impacto da pandemia sobre a produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, os dados mostram que a recuperação do investimento tem se consolidado em vários setores e se espalhado em todas as regiões do País e já atingiu o mesmo porcentual máximo de difusão observado antes da crise. Essa é a radiografia do comportamento dos investimentos no País apresentada pelo Ministério da Economia em estudo que procurou responder à pergunta: o Brasil vai retornar à tendência de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) anterior à crise da covid-19 ou a recuperação vai se transformar num “voo de galinha”? Elaborado pelos técnicos da Secretaria de Política Econômica (SPE), o relatório, ao qual o Estadão teve acesso e que será divulgado hoje, indica que a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – o quanto as empresas aumentam de investimentos em máquinas e equipamentos, por exemplo – voltou para o nível pré-crise em quatro trimestres, enquanto na recessão da crise global financeira de 2008-2009, o investimento retornou para o patamar anterior em cinco trimestres. O estudo chama a atenção para o fato de que a retomada do investimento acontece sem o empurrão dos bancos públicos, como BNDES e Caixa, e sim com financiamento pelo setor privado, inclusive via emissões de títulos das empresas, como debêntures.

Mercado dá impulso a expansão – O aumento do financiamento privado para novos investimentos não ocorreu somente pelo setor bancário, mas foi impulsionado também pela expansão do mercado de capitais. As emissões de títulos privados no primeiro semestre deste ano alcançaram R$ 158 bilhões. Esse valor já representa quase 90% das emissões que ocorreram em 2020 e supera em mais de 50% o recorde de títulos emitidos em 2019, segundo o estudo do Ministério da Economia sobre o investimento no País na retomada econômica em curso após a crise da pandemia da covid-19. A capitalização tem se dado pela abertura do capital das empresas com lançamento de ações na Bolsa de Valores e pelo financiamento privado por meio de debêntures (dívidas de empresas) e outros títulos, além de fundos especializados. Para o subsecretário de Política Macroeconômica da Secretaria de Política Econômica (SPE), Fausto Araújo Vieira, o aumento expressivo das emissões no primeiro semestre de 2021, quando comparado ao mesmo período de 2020, demonstra a rápida recuperação da economia e o grande potencial de investimento futuro por meio dessas companhias. Vieira ressalta que a redução dos juros possibilitou que parte relevante dos investimentos fosse direcionada para ofertas de empresas em 2020. O subsecretário aponta que esse cenário tem ocorrido com forte redução do crédito direcionado dos bancos públicos, como o BNDES. “Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a forte retração econômica em 2020 não atrapalhou o processo de maior participação do setor privado no financiamento”, diz.

Nove capitais suspendem imunização de novos grupos por escassez – Ao menos nove capitais suspenderam a aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19. O motivo principal é a falta de imunizantes em Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, João Pessoa, Maceió, Natal, Belém, Florianópolis e Campo Grande. Diante das paralisações, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta segunda-feira (26) que não há estoque parado de vacina contra a Covid-19 e criticou estados e municípios pela elaboração de regras próprias de vacinação, afirmando que o desrespeito ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) pode criar uma grande confusão. Ele disse que a distribuição de doses vai ser normalizada até quarta-feira (28), com a entrega de 12 milhões de doses. Segundo nota do ministério, no entanto, serão 10,2 milhões de doses. Mais cedo, em suas redes sociais, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia dito que o Ministério da Saúde mantinha 16 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 paradas. “Ministério da Saúde tem 16 milhões de vacinas paradas em estoque e centenas de brasileiros morrendo diariamente por falta de vacinas. Vergonhosa essa falta de gestão e senso de urgência”, escreveu o governador.

Ramos resiste a deixar Casa Civil; Guedes cerceia Onix – O ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, resiste a entregar o cargo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do centrão, e busca convencer o presidente Jair Bolsonaro a preservá-lo na função. O esforço, porém, deve ser em vão, segundo auxiliares e aliados do mandatário. Até a noite desta segunda-feira (26), a previsão era que Ciro Nogueira seria o substituto de Ramos no ministério mais prestigioso da Esplanada. O senador tem prevista uma reunião com Bolsonaro na manhã desta terça-feira (27) para definir os detalhes da nomeação no ministério. Já, o Ministério da Economia avalia que a nova pasta do Trabalho e Previdência, a ser comandada por Onyx Lorenzoni, deve receber uma estrutura mais enxuta do que a sinalizada anteriormente. De acordo com interlocutores do ministro Paulo Guedes (Economia), a ideia é repassar apenas o suficiente.

Por Centrão, Bolsonaro muda tom sobre fundo – Após uma sequência de críticas sobre o valor destinado às campanhas de políticos para as eleições de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (26) que deve vetar apenas um “extra” de R$ 2 bilhões do fundão eleitoral e sinalizou aceitar uma quantia próxima de R$ 4 bilhões, o que deve dobrar a verba pública de financiamento. Bolsonaro não explicou como pretende realizar a operação, mas o valor foi uma solução levada ao Palácio do Planalto por sua base de apoio no Congresso, como revelou a coluna Painel no último dia 19. A ideia é tentar não desagradar aliados do centrão —simpáticos aos R$ 4 bilhões—, ao mesmo tempo em que cria um argumento de que conseguiu diminuir o total —o valor aprovado pelos parlamentares foi de R$ 5,7 bilhões. A mudança de discurso de Bolsonaro se deu em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, na ocasião em que um grupo de simpatizantes o parabenizou pelo anúncio do veto aos R$ 5,7 bilhões. “Deixar claro uma coisa. Vai ser vetado o excesso do que a lei garante. A lei […] quase R$ 4 bilhões o fundo, o extra de R$ 2 bilhões vão ser vetado. Se eu vetar o que está na lei, eu estou incurso em crime de responsabilidade. Espero não apanhar do pessoal aí como sempre”, disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores.

“Vete tudo” – Em resposta às considerações do presidente da República, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que “a máscara” de Jair Bolsonaro caiu. Para o parlamentar, ficou claro que o chefe do Executivo sempre desejou o aumento do Fundo Eleitoral. O deputado fez a declaração nesta segunda-feira (26/7), horas depois de Bolsonaro anunciar que vai aprovar R$ 4 bilhões para o fundo. Antes, o Congresso elevou o montante de recursos de R$ 1,8 bilhão para R$ 5,7 bilhões. “A verdade é uma arma muito poderosa, e ela sempre se impõe. Desde que iniciou essa polêmica, alertei da minha desconfiança de que o presidente estava fazendo um jogo de cena para, através dos seus líderes, aprovar os 5,7 bi, vetar e apresentar uma proposta de 4 (bilhões) sob o argumento de que estaria reduzindo quando, na verdade, estaria mais que dobrando o Fundo Eleitoral dos atuais 1,8 bilhão”, disse o parlamentar, em vídeo divulgado pela sua assessoria. “Não precisou de muito tempo para a máscara do presidente cair e ficar claro que ele sempre desejou e deseja o aumento do Fundo Eleitoral. Bolsonaro, cumpra a sua palavra, vete tudo!”, desafiou Marcelo Ramos. No último dia 20, o parlamentar avisou que Bolsonaro estava “armando um acordão” para dobrar o fundo eleitoral para R$ 4 bilhões. Na ocasião, Ramos disse que as declarações do presidente de que vetaria o aumento do fundo eram “fanfarronices” e que a verdade “sempre aparece”. Nas redes sociais, o vice-presidente desafiou o presidente a vetar o fundão. “Cumpra sua palavra e vete tudo, Bolsonaro! R$ 4 bi de fundo eleitoral é golpe nos seus eleitores que acreditaram que você vetaria”, defendeu.

Presidente recebeu vice-líder da ultradireita da Alemanha – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se encontrou com uma das líderes da ultradireita alemã, a deputada Beatrix von Storch. A congressista é vice-líder do partido populista AfD (Alternativa para Alemanha) e esteve em Brasília na semana passada. Na ocasião, ela manteve encontros com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), que compartilharam fotos das agendas em suas redes sociais —e foram criticados pelo histórico xenófobo e anti-imigração de Beatrix, que já foi investigada por incitação ao ódio contra muçulmanos. Em 2018, a polícia alemã pediu que Beatrix fosse investigada após postagens da deputada em redes sociais. À época, ela questionou a decisão da polícia da cidade de Colônia de publicar mensagens em árabe, como parte de uma campanha multilíngue. A parlamentar disse: “O que diabos está acontecendo de errado neste país? (…) Estão querendo agradar os bárbaros, os muçulmanos e essa horda de homens estupradores?”. O Twitter e o Facebook removeram as postagens, classificadas como discurso de ódio. A parlamentar esteve com Bolsonaro na quinta-feira (22). A reunião com ele não constou na agenda oficial da presidência, mas Beatrix publicou uma foto do encontro nesta segunda-feira (26). Na imagem, também aparece o marido da alemã, Sven Von Storch. Ao lado da imagem, Beatrix publicou um texto em que se diz impressionada com a “clara compreensão” de Bolsonaro dos “problemas na Europa e dos desafios políticos” atuais.

Oposição repensa atos ante cansaço do público – Os sinais de cansaço dos manifestantes, com a menor presença de público em atos como o de São Paulo, levaram a organização dos protestos nacionais contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a rever o planejamento de datas e estratégias para tentar brecar o esvaziamento da mobilização. O tema ainda será discutido nesta semana pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro, núcleo de movimentos sociais, partidos e centrais sindicais majoritariamente ligados à esquerda que é responsável pela onda de quatro atos iniciada em maio e que teve a edição mais recente no sábado (24). Conversas iniciais, no entanto, apontam para a necessidade de readequação do calendário, possivelmente com um intervalo maior para o próximo ato. Uma das ideias é marcá-lo para 7 de setembro, o que resultaria em um espaço de 45 dias sem manifestações, mas ainda não há deliberação.

Crise hídrica já estava anunciada, afirma especialista – No início do ano passado, seis dos sete reservatórios que abasteciam a Grande São Paulo estavam com mais de 85% de seus níveis máximos. Dois deles (Rio Claro e São Lourenço) chegaram a ultrapassar a própria capacidade. Menos de um ano depois, a pior seca em quase cem anos começava a dar seus primeiros sinais. A mudança brusca de cenário não surpreende José Wanderley Marangon, doutor em engenharia elétrica pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O engenheiro tem passagens por dois dos principais órgãos ligados a energia no Brasil, como assessor da diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e consultor do Ministério de Minas e Energia de 2001 a 2003. Hoje presidente de uma consultoria que leva seu nome, ele faz, entre outros trabalhos, pesquisas sobre o impacto das mudanças climáticas na matriz energética brasileira. Daí as projeções que indicam mudanças no regime de chuvas. “Como eu acredito no estudo e acredito nos modelos globais, eu diria que já estava anunciado”, afirma. As consequências já são sentidas pela população há meses. Em julho, a tarifa da bandeira vermelha subiu para R$ 9,49 para cada 100 kWh —um reajuste de 52% em relação a junho. A cor indica, na conta de luz, que o país está acionando as suas usinas térmicas, mais caras, para compensar a baixa produtividade em outros tipos de geração. Marangon defende que os modelos climáticos utilizados pelos órgãos brasileiros olham para um passado que não existe mais. “Todos os programas que os órgãos têm assumem que teremos o histórico de chuvas. E o histórico não está mais funcionando.”

Destaques

Rosa Weber cobra explicação do Congresso – A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber, vice-presidente da Corte, deu 10 dias para que o Congresso Nacional explique a aprovação do Fundo Eleitoral para 2022 no valor de R$ 5,7 bilhões. A ministra determinou o envio de informações após o mandado de segurança apresentado na Corte por cinco deputados federais e pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Na ação encaminhada ao Supremo, os parlamentares apontam que a aprovação do aumento do fundão não seguiu “os trâmites constitucionais previstos para o processo legislativo específico no que tange à norma orçamentária”, sem prazo razoável de deliberação. Além disso, informaram que mais de 2,6 mil emendas foram analisadas em uma única sessão, “resultado impossível de ser atingido com seriedade”, segundo decisão da ministra. No pedido, os parlamentares ainda apontaram inconstitucionalidade material da alteração, uma vez que “fugiria à razoabilidade tal alocação de recursos em contexto de grave pandemia”. Afirmaram também que “o valor de 5,7 bilhões de reais é suficiente para adquirir todas as vacinas (contra covid-19) de que o país precisa”. Os deputados e o senador solicitaram, então, que o Supremo anule as votações referentes à LDO de 2022. Pediram ainda que sejam proibidos aumentos do Fundo Eleitoral para financiamento de campanha enquanto durar a pandemia.

Organização judaica repudia encontro de Bolsonaro ultradireitista alemã -A American Jewish Comittee, organização tida como expoente da comunidade judaica nos Estados Unidos, manifestou preocupação com o encontro do presidente Jair Bolsonaro e Beatrix von Storch, vice-líder do partido populista AfD (Alternativa para Alemanha) e neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças na Alemanha nazista. Em suas redes sociais, a AJC escreveu que se junta à Conib (Confederação Israelita do Brasil) ao expressar preocupação com a visita de Beatrix e que a plataforma racista e xenofóbica do AfD não tem lugar no Brasil. A AJC foi fundada em novembro de 1906.

Bolsonaro diz que Mourão ‘por vezes atrapalha um pouco a gente’ – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (26) que seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB), às vezes “atrapalha um pouco”. “O Mourão faz o seu trabalho, tem uma independência muito grande. Por vezes aí atrapalha um pouco a gente. Mas o vice é igual cunhado, né? Você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado. Você não pode mandar o cunhado embora”, disse, em entrevista à rádio Arapuan FM, de João Pessoa (PB). Bolsonaro respondeu a uma pergunta sobre seu relacionamento com Mourão e sobre a escolha de seu companheiro de chapa no pleito de 2022. A relação de Bolsonaro com seu vice é marcada por desconfianças. O presidente chegou a excluir Mourão de reuniões ministeriais e o general já se queixou publicamente da falta de acesso conferida pelo mandatário. Bolsonaro disse nesta segunda que, na eleição de 2018, escolheu seu vice “muito em cima da hora”. Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro criticou o seu vice. Pouco antes da demissão do ex-chanceler Ernesto Araújo, defendida na ocasião por Mourão, o presidente o chamou de palpiteiro.

Veto a remédios orais contra câncer – O presidente Jair Bolsonaro vetou projeto PL 6330/19 que facilitava o acesso a remédios orais contra câncer por meio dos planos de saúde. A proposta havia sido aprovada pelo Congresso Nacional no início do mês. Após o veto presidencial, caberá ao Legislativo mantê-lo ou derrubá-lo. Em julho, o projeto, de autoria do senador Antônio Reguffe (Podemos-DF), foi aprovado na Câmara dos Deputados por 388 votos a 10. No Senado Federal, o texto foi aprovado em 2020, por unanimidade, pelos 74 senadores presentes à sessão. Segundo a justificativa do governo para o veto, o projeto poderia comprometer o mercado dos planos de saúde por não observar aspectos como “previsibilidade”, “transparência” e “segurança jurídica”. Além disso, o Executivo afirma que o texto poderia “criar discrepâncias no tratamento das tecnologias e, consequentemente, no acesso dos beneficiários ao tratamento de que necessitam, privilegiando os pacientes acometidos por doenças oncológicas”.

Intrigas palacianas – Desde que o presidente Jair Bolsonaro anunciou a reforma ministerial, as salas do Palácio do Planalto viraram um mar de especulações. Quem mais tem sido objeto desse disse me disse é a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, que “passeou” pela Esplanada como se estivesse certo seu deslocamento para outras pastas. Até aqui, de certo mesmo é o deslocamento do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, que, avaliam os políticos, é simpático, mas não tinha o traquejo para o cargo. Na Secretaria de Governo, por enquanto, não há qualquer confirmação de mudança por parte dos auxiliares diretos de Bolsonaro. Flávia, pelo visto, terá no senador Ciro Nogueira (PP-PI) um coordenador político para acelerar o “atendimento” das excelências, sempre incansáveis na busca de emendas e espaços no governo. E como a Casa Civil tem diversas atribuições, ele terminará dividindo esse trabalho com a ministra. E até prefere alguém mais “calma”, como Flávia, do que alguém que ficaria disputando espaço.

Aliados de Bolsonaro querem foco nos pobres – A queda na adesão de brasileiros às manifestações pelo impeachment do sábado passado, 24, fez crescer no Planalto e no Centrão a seguinte percepção: os eleitores que não votarão de jeito nenhum em Jair Bolsonaro em 2022 estariam circunscritos à classe média de grandes centros urbanos e aos militantes de esquerda. Esses seriam caso perdido. Portanto, se esse diagnóstico estiver correto, resta ao presidente tentar virar o jogo entre os eleitores mais pobres: “sensíveis” à economia e menos “engajados” em discussões sobre democracia e covid. Pesquisa da Quaest, em parceria com a Genial Investimentos, comprova que o grande desafio do Bolsonaro é recuperar a confiança dos mais pobres. Lula está na casa dos 60% de intenção de voto no segmento dos eleitores que com renda familiar de até R$ 1.100 mensais, no qual Bolsonaro não chega a alcançar 20%. Ambos, no entanto, estão muito próximos no segmento dos que ganham acima de R$ 5.000. Segundo o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest Pesquisa e Consultoria, Bolsonaro “já teve esse voto (dos mais pobres) antes”. “Se a economia melhorar, ele pode voltar a ser competitivo”, afirma. No Planalto, além da aposta em Paulo Guedes para incrementar a economia, o foco também está em criar um novo programa social, uma espécie de “Bolsa Família 2.0”, que provavelmente terá outro nome e outra marca. A ideia do governo é enviar a medida provisória até sexta para o Congresso, para dar tempo de pagar a primeira parcela do benefício até novembro. Há ainda a certeza de que não adianta criar o programa social e incrementar a economia se a comunicação não melhorar. Por isso, o Planalto tem mudado sua estratégia.

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