Resumo dos jornais de 2ª feira (26/07/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de 2ª (26/07/2021)

Edição: Chico Bruno

Manchetes

O ESTADO DE S. PAULO – 10 de 13 setores da indústria retomam nível pré-pandemia

De 13 dos principais setores da indústria brasileira, 10 já retomaram ou superaram os níveis de atividade que exibiam antes da covid-19. A produção de cimento está 22% acima do registrado em 2019. No setor de papel, o crescimento é de 15% e no de plásticos, de 7,9%. A expectativa é que esses setores possam seguir acelerando, ancorados no avanço da vacinação, que pode elevar o consumo. Mas há barreiras. A maior preocupação é que uma nova cepa do vírus obrigue governos a adotar medidas de isolamento, o que poderia ter efeito direto na recuperação da economia. Há também os desafios da pressão de custos de matérias-primas e de energia elétrica, desemprego e falta de componentes para a produção em alguns setores. O aumento dos juros, que muda a capacidade de investimento das empresas e a do consumidor em se financiar, também é uma preocupação no radar.

FOLHA DE S. PAULO – Indicações expõem desgaste e aparelhamento do governo

O desgaste político vivido por Jair Bolsonaro levou o presidente a negociar com o Senado para destravar as sabatinas de indicados a órgãos de controle da magistratura e do Ministério Público, agências reguladoras e postos no exterior. As escolhas expõem o aparelhamento do governo federal. Os nomes apontados encontram resistência na oposição. Nos bastidores, senadores afirmam que as articulações feitas por Bolsonaro com sua base de apoio nas duas Casas acabaram transformando as sabatinas dos indicados em um processo “pró-forma”, e o Senado, em uma “agência de reserva de emprego”. Dentre os indicados do momento, alguns já aprovados na sabatina, há militares, juízes envolvidos com pessoas que foram alvo de investigações da Polícia Federal, advogados sem experiência na área em que atuarão, e até servidores ligados a políticos do centrão hoje alvo das investigações sobre irregularidades na compra de vacinas contra a Covid. Nas agências reguladoras, uma vez aprovado no Congresso, o nomeado tem mandato e, por isso, não pode ser destituído. Nas agências reguladoras, há pendências para várias delas como Antaq, ANTT, Anatel, ANS, a Anvisa, a ANM e a ANP.

CORREIO BRAZILIENSE – Construção civil puxa criação de emprego no país

O setor foi o que mais abriu postos de trabalho formais, em meio à crise provocada pelo coronavírus. Segundo dados do Caged, foram geradas 317.259 vagas de emprego com carteira assinada, entre julho de 2020 e maio deste ano, o que representa um aumento de 15% na comparação com o mesmo período dos anos anteriores. O bom desempenho se deve, em parte, à redução na taxa básica de juros da economia, que chegou a cair a 2%, a menor da história. Otimistas com o avanço da vacinação contra a covid-19, empresários sinalizam que vão intensificar as contratações.

O GLOBO – Reabertura de escolas públicas avança com queda de casos de Covid

Depois de quase um ano e meio do início da pandemia, a reabertura maciça das escolas públicas ocorrerá em agosto. Levantamento da consultoria Vozes da Educação aponta que, no mês que vem, apenas uma rede estadual e três municipais entre as capitais manterão aulas exclusivamente à distância. A abertura do segundo semestre letivo em 2021 é o início de um longo processo de recuperação de aprendizagem. Especialistas estimam que o processo de retomada da educação durará três anos.

Valor Econômico – Empresas que desistiram de IPOS buscam investidores

Uma parte das empresas que cancelou o pedido de ofertas de ações neste ano passou a optar por processos de fusões e aquisições. Sem conseguir recursos em bolsa para a expansão de seus negócios, as companhias decidiram procurar sócios privados. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 40 empresas desistiram de ir à bolsa em 2021, apesar do mercado de capitais aquecido. Parte desses IPOs deixados pelo caminho está engrossando as operações de fusões e aquisições. Até o dia 21, foram movimentados US$ 54,8 bilhões, com 286 transações, ante os US$ 11 bilhões (253 operações), no mesmo período do ano passado, segundo a consultoria Dealogic.

Notícia do dia

Militares são alvo de 278 investigações sobre desvios – Dias atrás, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu investigar militares do Exército e da Aeronáutica por supostas irregularidades em licitação para a compra de móveis de escritório, no valor de R$ 120 milhões. Agora, levantamento do Estadão nos dados do TCU mostra que este caso está longe de ser isolado: o tribunal fez pelo menos 278 auditorias envolvendo possíveis prejuízos para os cofres públicos em órgãos das Forças Armadas nos últimos 20 anos, desde 2001. O número se refere às chamadas Tomadas de Contas Especiais (TCES) em unidades militares e no Ministério da Defesa, e não é pequeno: as 278 apurações encontradas pelo levantamento do Estadão representam cerca de 10% dos 2.743 processos do tipo abertas no período, excluindo as relacionadas a prefeituras ou governos estaduais. Além de outros ministérios e órgãos da União, o universo de 2,7 mil TCES inclui associações privadas, partidos políticos e até entidades do Sistema S — que o TCU fiscaliza ao receberem recursos federais. A compilação de processos no tribunal mostra uma imagem das Forças bem diferente da alardeada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos militares do governo, segundo a qual Exército, Marinha e Aeronáutica seriam imunes à corrupção. As investigações incluem desde suspeitas de fraudes em obras até o desvio de combustível de navios da Marinha, como numa apuração envolvendo o roubo de mais 100 mil litros de óleo diesel da antiga corveta Frontin, afundada em um exercício militar em 2016. A lista inclui ainda dezenas de casos de pagamentos indevidos de pensões. A TCE é um tipo de processo administrativo usado em casos que envolvem prejuízo aos cofres públicos. Pode ser instaurada pelo próprio órgão onde ocorreu o problema ou pelo TCU, que é quem a julga. No caso das Forças Armadas, a maioria dos processos ainda está em andamento: das 278 apurações abertas desde 2001, só 77 são consideradas encerradas pelo tribunal. Ou seja: ao menos 201 investigações do tipo ainda estão em curso. E a punição também não é muito comum: desde 2010, apenas 73 militares foram punidos pelo Tribunal com multas e com a obrigação de reparar o dano, segundo dados compilados pelo TCU a pedido da reportagem.

Primeiras páginas

Relator quer negociar com Sistema S – Relator da MP 1045, que prorrogou o programa de suspensão de contratos de trabalho e de redução de jornada e salário por mais quatro meses, o deputado Christino Áureo (PP-RJ) disse ao Valor que pretende negociar com o Sistema S para garantir recursos aos programas de inserção de jovens no mercado de trabalho, incluídos em seu parecer. Na sexta-feira, na Live do Valor , o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, defendeu “passar a faca” no sistema S, que abriria mão de R$ 6 bilhões de arrecadação. As entidades dizem que já contribuem com a inserção de jovens no mercado.

“O governo Bolsonaro vive de mentiras” – Não existe marco zero quando se trata de conquistas femininas. Única mulher na bancada do Maranhão, eleita com mais de 1 milhão de votos, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) honra o passado ao creditar os avanços da participação feminina na política a suas antecessoras, como Heloísa Helena e Marina Silva. Cada avanço é parte de um processo e de uma história. Mas não há como negar que a presença das mulheres na CPI da Covid-19, após negociações, faz diferença. Autora do projeto de resolução que cria a liderança feminina no Senado e uma das articuladoras do acordo que garantiu a participação das mulheres na CPI, Eliziane afirma: “Estamos acrescentando, alargando, é uma luta longa. Acreditamos que a CPI realmente ganhou nova vida com a maior participação das mulheres. Na CPI, trazemos o olhar feminino da tolerância, do respeito aos outros, aos depoentes, às mulheres, sem perder a objetividade que os fatos impõem. Acho que nós, mulheres, temos mais facilidade para nos despirmos do manto da arrogância”. Nesta entrevista ao Correio, a senadora não poupa críticas ao governo Bolsonaro pela má condução das medidas de enfrentamento à pandemia. “O governo Bolsonaro é sinônimo de fake news. Vive de mentiras, da distorção de fatos, um método para manter sua base mobilizada”, diz. Baseada nos elementos que a CPI já reuniu, a senadora vai além: “Já é possível concluir que a indicação de remédios sem eficácia teve como objetivo criar uma narrativa para sustentar junto à opinião pública a estratégia maior do governo, da imunidade de rebanho. Ou seja, uma cortina de fumaça”. Mais do que isso, ela acredita que a CPI chegará a conclusões mais graves: “A CPI quer mais, acredita que, por trás das drogas inúteis, esteja uma máquina de ganhos fáceis, que ainda não sabemos qual a sua real dimensão e disseminação. Há muita gente ganhando dinheiro com esse jogo mesquinho do tratamento precoce”.

‘Falta força ao presidencialismo’ – O cientista político Christian Lynch avalia que uma eventual mudança do regime político do Brasil para o semipresidencialismo, como a defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pode ser benéfica para o País. Para Lynch, que é professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), um sistema que permitisse ao presidente dissolver a Câmara e concedesse ao Legislativo responsabilidade formal de governo, com um primeiro-ministro sustentado pelo Congresso, pode equilibrar o jogo entre os poderes.

Nutrição ajuda contra sequelas pós-covid – Mesmo quando já não têm mais o vírus no corpo, pacientes que passaram pela covid19 relatam uma série de sequelas, que vão desde a perda de olfato até dificuldades em deglutir alimentos. Nutricionistas, por sua vez, afirmam que uma alimentação saudável e adequada pode ajudar na recuperação desses problemas. “Não há um nutriente ou um tipo de alimento que vá tratar os sintomas, mas sabemos que com uma dieta adequada, junto aos tratamentos necessários, os pacientes têm melhores respostas”, explica Luciana da Conceição, mestre e doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que, junto a Júlia Dubois, coordena o Ambulatório de atenção nutricional para paciente pós-covid-19. Sônia Alscher, professora de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), concorda e acrescenta que a doença é capaz de alterar o estado nutricional de quem a contrai. “A falta de apetite, de paladar e de olfato levam à baixa ingestão alimentar, o que afeta o estado nutricional.”

No varejo, perdas de R$ 873 bi – Fora da área industrial, um setor com elevadas perdas desde o início da pandemia é o comércio varejista. Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), calcula em R$ 873,4 bilhões a perda acumulada de fevereiro de 2020 a maio deste ano. Ele ressalta que há discrepância entre segmentos, com supermercados, produtos alimentícios e bebidas, por exemplo, avançando na pandemia, e segmentos como equipamentos e materiais para escritório e informática, tecidos, vestuário e calçados apresentando perdas significativas. As vendas online, por outro lado, se destacaram. Para Pedro Renault, economista do Itaú Unibanco, o e-commerce “ganhou uma participação que não vai devolver mesmo após a pandemia”. Esse tipo de venda puxou também a logística que, antes, atuava com grandes centros de distribuição em galpões fora dos centros urbanos. “Agora, as empresas buscam terrenos dentro das cidades e atuam com o chamado ‘last mile’, que é a entrega com um caminhãozinho na porta do cliente.” A previsão da CNC é que o varejo, no geral, tenha uma alta de 4,5% nas vendas este ano, a maior taxa em nove anos. Mas Bentes ressalta que o aumento é sobre uma base fraca.

Famílias lotam abrigos em SP – Aumentou o número de famílias inteiras vivendo nas ruas e enchendo os abrigos para sem-teto em São Paulo. Em um ano, o total de atendidos pelos centros da Prefeitura para famílias, como a de Ismael dos Santos, de 24 anos, cresceu 70%, empurradas pelo desemprego e despejos. Em maio de 2020, havia 204 atendidos por dia. Um ano depois, são 348. O ajudante geral Ismael dos Santos, de 24 anos, a mulher Juliane Stefany, de 29, e o filho Victor, de apenas sete meses, vivem desde fevereiro em uma unidade de acolhimento no centro de São Paulo. A antiga casa da família – alugada, em São Sebastião, no litoral norte – ficou para trás após perderem o sustento na pandemia. “A gente trabalhava na praia, em quiosque. A praia fechou e ficamos sem opção”, conta o pai. “Estávamos praticamente passando fome.” Avistar famílias inteiras vivendo nas ruas de São Paulo se torna cada vez mais comum e essa percepção se reflete no fluxo de acolhidas em abrigos.

‘Metralhadora está cheia de balas’, avisa Queiroz – Apontado como operador de esquema da rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) na Assembleia do Rio, o policial aposentado Fabrício Queiroz se queixou, neste domingo (25), nas redes sociais, do afastamento de aliados do presidente Jair Bolsonaro. Consolado por um amigo, Queiroz escreveu: “minha metralhadora tá cheia de balas. kkkk”, com um emoji do doce. Na rede, Queiroz reproduziu uma fotografia publicada três anos atrás na página do hoje deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), que é próximo do presidente. Na postagem, o hoje presidente e então deputado federal Jair Bolsonaro posa ao lado de Queiroz, de Hélio Lopes, do assessor especial da Presidência da República Max Guilherme Machado de Moura e do advogado Fernando Nascimento Pessoa, assessor parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado. Na fotografia reproduzida por Queiroz, o quinteto está no Maracanã. E, com a mão direita, Bolsonaro faz o gesto conhecido como hang loose. Queiroz comenta: “É! faz tempo que eu não existo pra esses 3 papagaios aí! (águas de salsichas) literalmente!!!Vida segue ….” Em resposta a dezenas de comentários, o ex-assessor parlamentar de Flávio fez questão de presevar o presidente. Questionado se defenderia o impeachment de Bolsonaro, escreveu: “Defendo Lula na prisão. Bolsonaro até 2026!”. Diante da repercussão de seu post, Queiroz tentou minimizar danos, argumentando ser uma estratégia para identificar petistas infiltrados em sua página, que é aberta. “Coloquei uma isca no Facebook, consegui pegar vários PTralhas inflitrados entre meus amigos. Bolsonaro 2022!!” À noite, as postagens do policial aposentado feitas durante o domingo saíram do ar.

Destaques

O ‘trunfo’ do deputado é acusado de estelionato – No fim de 2019, o hacker Marcos Roberto Correia da Silva foi preso pela primeira vez, em Uberlândia (MG), por atacar sites governamentais e aplicar golpes de internet. Foi pego enquanto visitava um amigo, mas se preocupou menos com o constrangimento e mais com a repercussão do fato. A todo tempo, com entusiasmo, perguntava aos policiais quando teria o nome e a imagem estampados. A publicidade dos feitos reforça a reputação de cibercriminosos como Vandathegod, como é conhecido, e a divulgação – que não ocorreu – seria uma espécie de prêmio às avessas. A propaganda que o jovem não obteve há um ano e meio agora lhe foi dada por um deputado bolsonarista interessado em usá-lo para colocar em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas. Filipe Barros (PSL-PR) mandou uma equipe ao presídio Professor Jacy de Assis, em Minas, para que o hacker falasse para as redes sociais sobre as supostas habilidades capazes de derrotar a Justiça Eleitoral. O vídeo enfeitado com trilha de suspense e com a indicação de ser “bombástico” foi visto 500 mil vezes. Reproduzido por canais e sites bolsonaristas como suposta prova de fragilidade das urnas, ele é repleto de informações falsas e enganosas. Fontes com acesso às investigações a que ele responde garantem que suas capacidades são muito menos sofisticadas do que o jovem quer fazer parecer. Marcos Roberto foi perguntado se com tempo e estrutura conseguiria “invadir o sistema eleitoral”. Algemado, afirmou: “conseguiria”. E disse que poderia inserir votos artificialmente em servidores: “manipularia tudinho”. Há anos a Justiça Eleitoral usa tecnologia de ponta e recebe especialistas para testes públicos de segurança. Nenhum atestou o que Marcos declarou.

Marido de Joice se defende de suspeitas de agressão – O neurocirurgião Daniel França, marido da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), negou ter agredido a mulher. A parlamentar está com fraturas e hematomas pelo corpo desde a madrugada do dia 18 e não se lembra como os ferimentos aconteceram. Ela desconfia de uma agressão e afirma ter dois suspeitos de ser o mandante do suposto crime. O casal, no entanto, não descarta completamente a possibilidade de ter sido um acidente doméstico. França afirmou que o medicamento que a deputada toma para dormir poder gerar sonambulismo. Mas ele ressalvou que nunca viu isso acontecer. “Primeira coisa, eu nunca agredi ninguém, nunca dei um tapa em ninguém, nem um murro em ninguém”, afirmou França. “Segunda coisa, eu não tenho nenhum motivo para fazer isso, eu jamais faria isso. Então, é exatamente por esta razão que tudo o que eu puder fazer para tentar comprovar o contrário, eu estou fazendo. Fui espontaneamente à polícia prestar depoimento. Eu me coloquei inteiramente à disposição de tudo, da imprensa, de tudo”, acrescentou. A entrevista, da qual Joice também participou, foi dada no apartamento funcional da deputada, onde ela disse ter acordado ensanguentada e com os machucados há uma semana. Questionados sobre a demora para registrar uma ocorrência sobre o caso, o que só foi feito na quinta, e também para procurar apenas o hospital, o que se deu na terça-feira, o casal afirmou que imaginaram no começo se tratar de um acidente doméstico. “Até quarta de manhã, eu tinha achado que tinha tomado um tombo, mas foram aparecendo hematomas em lugares que não tinha aparecido”, disse a deputada. França também disse que, em um primeiro momento, pensou se tratar de um acidente doméstico. O casal afirma que passaram a considerar a possibilidade de uma agressão por se tratar de muitos ferimentos.

Clã Bolsonaro projeta campanha mais cara – Em 2018, Jair Bolsonaro se elegeu com “meros” R$ 4,2 milhões de gastos na campanha (valores declarados e corrigidos). A eleição de 2022 será completamente diferente, avalia o entorno do presidente. O gasto de Bolsonaro três anos atrás representa 57% do quanto Dilma Rousseff (PT) desembolsou só para ressarcir os cofres públicos em transporte na campanha de 2014: R$ 7,4 milhões (corrigidos). A lei determina que o presidente candidato à reeleição devolva os gastos com a modalidade. Ou seja, vetar o “fundão” não é tão simples assim. Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), por exemplo, costuma defender uma campanha “mais profissional” de seu pai ano que vem em relação a 2018. O senador está na turma dos que sabem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. “A campanha à reeleição presidencial tende a ser mais cara porque o ressarcimento por transportes oficiais se dá mediante a estimativa dos custos, de acordo com a hora/voo na aviação executiva privada”, disse à Coluna do Estadão o advogado eleitoral Alberto Rollo. E mais: não adianta casar a agenda presidencial com a de campanha para ‘pegar carona’ no avião presidencial, alerta o advogado: pode configurar abuso do poder político.

Ciro se reúne com Bolsonaro para acertar nomeação – Nogueira se reunirá com Bolsonaro na tarde desta segunda (26) para acertar os ponteiros da nomeação dele na Casa Civil. Até este domingo (25), aliados do senador e do presidente davam a indicação ao ministério como certa. Com a ida dele, há dúvida sobre quem coordenará a estratégia do governo na CPI da Covid. Hoje, o responsável é Onyx Lorenzoni (SecretariaGeral), que será realocado no futuro Ministério do Emprego. O senador, porém, tem dito que a definição sobre quem ficará responsável pela comissão só ocorrerá após conversa com o presidente.

Senado atua para frear propostas polêmicas da Câmara – O ambiente amigo encontrado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, com projetos de interesse tramitando a jato, não se estende ao Senado, onde textos controversos passam por um processo de maturação maior para amenizar pontos contestados. Os senadores têm resistido a colocar em votação sem consenso propostas polêmicas, frustrando aliados do governo. Enquanto alguns projetos ainda são alvo de discussões, outros foram simplesmente parar na gaveta. Os parlamentares sinalizam que essa discrepância é algo que veio com a troca de comando no Legislativo. A eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a Presidência da Câmara, em fevereiro, representou uma guinada no processo legislativo. As pautas bolsonaristas ou de interesse do centrão, grupo liderado por Lira, avançam em questão de poucas semanas. Por outro lado, na Casa vizinha, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), embora eleito com apoio do Planalto, tem sido criterioso na elaboração da pauta, o que vem causando irritação no governo e também na Câmara. Além da resistência pessoal em deixar o Senado atuar como um “carimbador” das propostas da Câmara, Pacheco vem se amparando nas lideranças partidárias para chancelar as decisões. Com exceção de propostas que o próprio presidente do Senado considere prioridade, como medidas econômicas, as demais só vão para votação quando há consenso.

Guedes diz que trabalha em novo texto para a reforma tributária – Empresários de diversos setores receberam mensagem de um membro do Ministério da Economia neste sábado (24) avisando que a intenção na reforma tributária é chegar a um novo texto para ser discutido com os relatores no Congresso. Representantes da pasta debruçados sobre o assunto neste final de semana sinalizam que o ministro Paulo Guedes e sua equipe têm sido receptivos às propostas enviadas, mas há uma ressalva de que será impossível agradar a todos, principalmente pelas divergências de sugestões e interesses setoriais. A argumentação é que muitas pessoas no Brasil, se valendo de brechas do sistema, não pagam impostos. Procurado pelo Painel S.A., o secretário especial de produtividade, Carlos da Costa, disse que estão todos empenhados na mesma direção. “Estamos trabalhando intensamente como equipe para chegar na melhor reforma tributária sob a liderança do ministro Paulo Guedes. Como a reforma está no Congresso, estamos trabalhando com os parlamentares”, disse Costa.

Governo dá resposta a empresários que pedem volta do horário de verão – Depois das declarações de Bolsonaro, neste mês, descartando a volta do horário de verão, empresários dos ramos de turismo, bares e restaurantes que pleiteiam a mudança no relógio receberam outra resposta negativa, que partiu do Ministério de Minas e Energia. A pasta afirma que é limitada a contribuição do horário de verão para aliviar o consumo de energia nos momentos de pico. “Nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário para o período noturno. Não identificamos que a aplicação do horário de verão traga benefícios para a redução da demanda”, diz o ministério. Depois da negativa, Fabio Aguayo, diretor da CNTur, entidade do setor de turismo que encabeça o movimento, diz que planeja levar o pedido agora para o Ministério do Turismo.

Reforma estratégica – A nomeação do senador Ciro Nogueira (PPPI) para a Câmara Civil do governo Jair Bolsonaro mudou a correlação de forças no Palácio do Planalto. Enquanto o PP, presente em várias indicações dentro da União, ganha na projeção, a secretária de Governo, ministra Flávia Arruda, enfraquece. Com oficialização do medo do proprietário senador Ciro Nogueira (PP-PI) para o ministro da Câmara Civil, feita sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, o Palácio do Planalto passará por uma reorganização de forças que afetará diretamente a Secretaria de Governo, ministra Flávia Arruda. Embora, no papel, a articulação política continue sob seu comando, aprovado deputado do PL-DF, é Ciro, que deve tomar as rédeas, principalmente no Senado, onde a CPI da COVID desgastou o governo Bolsonaro. Ciro Nogueira, representante do Centrão e experiente negociador, chega ao Planalto em um momento em que Flávia já está isolada, alvo de críticas dentro do governo e do Congresso por não conseguir dialogar com os parlamentares, que deveria ser sua principal função. O próprio presidente já afirmou publicamente que na prática Ciro participará da negociação com o Congresso: – Vamos colocar um senador na Câmara Civil que possa manter um diálogo melhor com o Parlamento brasileiro – disse Bolsonaro, sobre Ciro, na última quinta-feira. – É uma pessoa que nos interessa pela experiência que pode, na minha opinião, fazer um bom trabalho.

TSE deve avançar em ações envolvendo o Bolsonaro – Como Jair Bolsonaro contesta, sem provas, o processo eleitoral no Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende avançar nas ações envolvendo a chapa do presidente em 2018. A partir da virada do recesso, em agosto, o TSE analisará provas compartilhadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da investigação de notícias falsas. O objetivo é cruzar as informações com as conclusões do suposto abuso da mídia e do suposto abuso de poder econômico devido a mensagens em massa. Atualmente, quatro ações eleitorais estão em tramitação no TSE, conhecido como Aije (ações de investigação judicial eleitoral), envolvendo a chapa vencedora de Bolsonaro-Mourão em 2018. Vão desde o suposto uso fraudulento de nomes pessoais de idosos e CPF para cadastro de chips de celular e garantir fuzilamento em massa de eleitores pela suposta existência de uma “estrutura piramidal da comunicação” para disseminar a desinformação. A nova prova foi compartilhada com o TSE a partir de decisão de julho do ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF e do Tribunal Eleitoral. Há indícios de que o material pode estar relacionado a eleições anteriores. Com base nisso, o TSE analisará os dados apagados.

Combustíveis não param de subir – Os preços da gasolina e do diesel vendidos nos postos brasileiros atingiram, na semana passada, os seus maiores patamares no ano, de acordo com levantamento de mercado da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). São quatro semanas consecutivas de aumento dos preços nas bombas, em ambos os casos. Prestes a completar cem dias, a gestão de Joaquim Silva e Luna à frente da Petrobras tem optado por reduzir a frequência dos reajustes, mas a estratégia não tem sido suficiente para impedir a inflação nos postos. Em meio a ameaças de uma possível nova greve dos caminhoneiros, o litro do diesel S-10 (com menor teor de enxofre) foi comercializado, nas bombas dos postos, em média, a R$ 4,660, entre os dias 18 e 24 de julho. O valor representa uma alta de 0,23% em relação à semana anterior e de 23,8% na comparação com a primeira semana de 2021 (03/01 a 09/01). Já o litro da gasolina combustível foi vendido, em média, a R$ 5,833, entre os dias 18 e 24 de julho. O valor se manteve praticamente estável, com ligeira alta de 0,03% na comparação com a semana anterior. Em relação à primeira semana do ano, no entanto, a alta é de 27,8%. Segundo a Triad Research, empresa de pesquisa de mercado que trabalha com um número maior de postos que a ANP, o preço diário da gasolina superou, no sábado, a casa dos R$ 6. No sábado, o combustível era vendido, em média, a R$ 6,003 o litro nas bombas, o que significa uma alta de 2,1% em relação ao dia 6 de julho, quando a Petrobras reajustou o derivado em 6,3% nas refinarias, no primeiro aumento anunciado pela estatal na gestão de Joaquim Silva e Luna à frente da companhia. No caso do diesel, o litro do derivado foi comercializado, no sábado, em média, a R$ 4,748 no Brasil, ainda de acordo com a Triad. O valor representa um aumento de 1,9%, na mesma base de comparação.

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