RESCALDO DO DIA EM QUE OS ESTADUNIDENSES PROVARAM AS EMOÇÕES DE UMA REPÚBLICA DAS BANANAS: Por Celso Lungaretti | Claudio Tognolli
celso lungaretti
A TRAGICÔMICA MICARETA GOLPISTA NOS EUA SÓ
SERVIU PARA APOSENTAR TRUMP SOB UMA
TEMPESTADE DE SOM E FÚRIA
Não fossem os mortos e feridos, a micareta golpista deste 6 de janeiro nos Estados Unidos nada teria sido além de um episódio histriônico: desde o primeiro momento se sabia que o efeito prático seria nenhum, apenas servindo para encerrar com uma tempestade de som e fúria a carreira política de Donald Trump.
 
Ainda não chegou a hora dos bárbaros nas democracias dos países economicamente mais desenvolvidos, tanto que suas fileiras continuam incapazes de produzir duces de primeira grandeza (ao invés do bilionário trapalhão que mais parece um aprendiz de fascismo) nem ideólogos mais focados nos cenários futuros do que nas picaretagens presentes (como o estelionatário cujas estratégias não funcionam nem mesmo para conceber fraudes financeiras  indetectáveis pela polícia).
 
Passando ao largo dos aspectos espetaculosos do dia em que os estadunidenses provaram as emoções de uma república das bananas, eis as conclusões a serem tiradas da ópera bufa:
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— o excesso de poder concentrado no governo federal sob o presidencialismo é um convite à dança para os golpistas, que, quando não forem tão patetas como o Trump e o Bolsonaro, causarão estragos bem maiores;
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— o parlamentarismo, da forma como é praticado nos países europeus, funciona melhor e seria uma boa alternativa para… os EUA e o Brasil (claro!);
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— mas, o fundamental é que o capitalismo esgotou sua vida útil e, enquanto continuar prolongando sua sobrevivência parasitária, produzirá cada vez mais desigualdade econômica e social, depressões econômicas, turbulências políticas, danos ambientais e… barbárie! (claro!);
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— deixando de lado as teorizações pomposas, o que estamos vendo é a mera comprovação do que Marx e Engels afirmavam já no século retrasado (ou seja, que ao se retirar de boa parte da população as condições financeiras para adquirir os itens socialmente produzidos, geram-se desequilíbrios em escala cada vez maior entre a oferta e a procura, até que as contradições econômicas fazem ruir esse edifício erguido sobre alicerces minados);

— e é ainda em Engels que encontramos a melhor explicação para o capítulo a que acabamos de assistir da novela A lenta, tortuosa mas irreversível agonia do capitalismo (numa de suas afirmações menos divulgadas, ele previu que, esgotadas as possibilidades de as forças produtivas continuarem se desenvolvendo sob relações de produção tornadas disfuncionais, mas cujos beneficiários fossem bem sucedidos em seus esforços para perpetuá-las a ferro e fogo, sobreviria a barbárie).

 

Ele refletia, obviamente, sobre o fim do Império Romano, que estagnou ao não dar o único passo adiante que abriria novos horizontes para sua expansão: o fim da escravidão e consequente criação de enormes contingentes e a serem atendidos em suas necessidades e anseios, destravando e revitalizando a economia.

 
Derrotada a revolta dos gladiadores de Spartacus cerca de 70 anos antes de Cristo, a decadência do império, à medida que perdia pujança econômica e cada vez mais via crescer o número de povos não submetidos à pax romana a rondarem suas fronteiras, levou também à entrega do poder supremo a cesares malucos e grotescos como Calígula, Nero e Cômodo, alguns até proclamados pelas tropas.
 
É mais ou menos o que estamos vendo, não sendo difícil, inclusive, identificar muitas semelhanças entre os imperadores romanos da decadência e os Trumps e Bolsonaros que emergiram com a onda ultradireitista e estão imergindo agora, após ela ter morrido na praia. (por Celso Lungaretti, no blog Náufrago da Utopia)
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