Repórteres Sem Fronteiras: Aumento de 35% no número de mulheres jornalistas detidas de forma arbitrária | Claudio Tognolli
BALANÇO RSF 2020

Aumento de 35% no número de mulheres jornalistas detidas de forma arbitrária

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) publica, neste 15 de dezembro, a primeira parte do Balanço Anual dos abusos cometidos contra jornalistas em todo o mundo. Em 2020, 387 jornalistas foram presos, 54 foram feitos reféns e 4 estão desaparecidos. O número de prisioneiros permaneceu estável, apesar de um aumento significativo das violações e prisões ligadas à crise sanitária.

No Balanço Anual de 2020, a RSF registrou 387 jornalistas presos por exercerem seu trabalho de informar, comparado a 389 em 2019. O número de jornalistas detidos ao redor do mundo se manteve em um nível historicamente elevado. Mais da metade dos jornalistas presos (61%) estão em apenas cinco países. Pelo segundo ano consecutivo, China, Egito, Arábia Saudita, Vietnã e Síria representam as cinco maiores prisões do mundo para jornalistas.

O número de mulheres jornalistas detidas aumentou 35%: ao final de 2020, 42 delas estão privadas de liberdade, comparado a 31 há um ano. As novas prisioneiras são, sobretudo, da Bielorrússia (4), que sofre com uma repressão sem precedentes desde a controvertida eleição presidencial de 9 de agosto de 2020, do Irã (4), e da China (2), onde a repressão ficou mais forte com a crise sanitária. Na lista das mulheres jornalistas presas, está a vencedora do Prêmio RSF da Liberdade de Imprensa de 2019, Pham Doan Trang, do Vietnã.

Ainda que não exaustivos, os dados coletados pelas equipes da RSF e do Observatório 19 revelam que o número de prisões e interpelações arbitrárias quadruplicou entre os meses de março e maio de 2020, início da disseminação do coronavírus pelo mundo. Entre o começo de fevereiro e o fim de novembro, somente esse tipo de violações representava 35% dos abusos registrados (enquanto violência física e ameaças correspondiam a 30% das violações registradas). Embora a maioria dos jornalistas fique detida por algumas horas, dias, ou semanas, 14 jornalistas ainda estão presos por conta das suas coberturas da pandemia de Covid-19.

 

“Cerca de 400 jornalistas vão passar as festas de fim de ano atrás das grades, longe de familiares e amigos, em condições de detenção que, por vezes, colocam suas vidas em perigo,” denuncia o Secretário-Geral da RSF, Christophe Deloire.

“Esses números confirmam o impacto da crise sanitária na profissão e o fato inaceitável de que alguns de nossos colegas pagam pela busca da verdade com suas liberdades . Os dados também confirmam que as mulheres jornalistas, cada vez mais numerosas na profissão, não são poupadas da repressão”.


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É na Ásia, continente onde surgiu o coronavírus e que concentra a maior parte das violações à liberdade de imprensa registradas em conexão com a pandemia, que se encontra o maior número de presos da Covid-19: 7 na China, 2 em Bangladesh e 1 na Birmânia. Na região do Oriente Médio, onde vários países se aproveitaram da pandemia para reforçar o controle sobre os meios de comunicação e a informação, 3 jornalistas ainda estão detidos por artigos relacionados à crise sanitária: 2 no Irã e 1 na Jordânia. No continente africano, 1 jornalista ruandês está preso por ter, segundo a versão oficial, “infringido as regras do confinamento”.

O Balanço Anual 2020 revela também que pelo menos 54 jornalistas são atualmente mantidos como reféns no mundo, 5% a menos do que no ano passado. Com a libertação de um jornalista ucraniano detido pelas forças separatistas pró-russas da região de Donbass, Síria, Iraque e Iêmen são agora os últimos países do mundo onde há jornalistas sequestrados. Entre eles, 4 jornalistas iemenitas capturados pelos houthis em 2015, condenados à morte e convivendo com a incerteza sobre seus destinos.

 


 

A RSF publicará o Balanço Anual dos jornalistas mortos em 2020 no dia 29 de dezembro.

Desde 1995, a RSF publica o Balanço Anual de ataques contra jornalistas, que se baseia em dados coletados ao longo de cada ano. A RSF realiza uma coleta minuciosa de informações que permitem afirmar com certeza, ou ao menos com uma presunção muito forte, que a detenção ou o sequestro de um jornalista é consequência direta do exercício de sua profissão.
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