Quebra-quebra na fronteira com Venezuela: presidente da OAB diz que “cabe ao governo federal uma atuação urgente antes que uma tragédia aconteça” – Claudio Tognolli

A cidade de Pacaraima, na fronteira de Roraima com a Venezuela, registrou um tumulto neste sábado (18) com atos de violência e destruição em acampamentos de imigrantes venezuelanos, informou o Exército por meio da Força-tarefa Logística Humanitária. A rodovia BR-174, na entrada da cidade, chegou a ficar bloqueada pelos moradores por cerca de 5 horas.

Claudio Lamachia

A situação, segundo a Polícia Militar, ocorre em razão do assalto a um comerciante na noite dessa sexta-feira (17). A suspeita é que o crime tenha sido praticado por venezuelanos, conforme a PM. Ainda não há informações sobre pessoas feridas ou detidas.

O tumulto começou por volta das 7h (hora local) desde sábado. O vigilante Wandenberg Ribeiro Costa, um dos organizadores do ato, disse que cerca de mil moradores de Pacaraima participaram do protesto e que todos os venezuelanos que viviam pelas ruas da cidade foram expulsos de onde estavam. No entanto, ainda não há informações oficiais de quantos venezuelanos de fato atravessaram a fronteira de volta ao país neste sábado.

O presidente da OAB, Claudio Lamachia, emitiu nota nesse sábado sobre o episódio: “O grave episódio de violência ocorrido neste sábado (18), na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, expõe de forma clara o drama humanitário que abate nossos vizinhos. Nesta semana, estive em Boa Vista, capital de Roraima, onde pude presenciar as dificuldades enfrentadas tanto por imigrantes quanto pela população das cidades que hoje são a porta de entrada dos que buscam uma condição melhor para sobreviver.

Tive a oportunidade de conversar sobre o assunto com a governadora Suely Campos e com a presidente do Tribunal de Justiça, Elaine Bianchi, e de
conhecer os aspectos que hoje tornam Roraima um estado em situação difícil, merecedora de atenção especial por parte do governo federal para encontrar alternativas e soluções. 

É sabido que o Estado de Roraima não tem condições de abrigar todos os imigrantes. Ao longo dos últimos três anos, o Estado recebeu mais de 50 mil imigrantes. Calcula-se que, atualmente, cerca de 800 imigrantes venezuelanos ingressem diariamente, causando sobrecarga aos hospitais, tornando ainda mais vulnerável todo o sistema de saúde, além de reflexos no número insuficiente de vagas em escolas e o aumento da criminalidade.

O momento é de atenção, por isso é preciso que haja solidariedade federativa para preservar brasileiros e venezuelanos de um agravamento do difícil quadro em que se encontram. 

Cabe ao governo federal uma atuação urgente antes que uma tragédia aconteça. Está claro que o problema vem se agravando pela inoperância das autoridades ao longo desse episódio. O que era uma questão humanitária agora tem forte conotação de segurança. Os Estados precisam se organizar para receber os venezuelanos e dar um exemplo ao mundo de democracia e solidariedade.”

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