Os preços do diesel nos postos do Brasil recuaram pela terceira semana consecutiva, apontaram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), como resultado de um programa de subsídios ao combustível fóssil lançado pelo governo federal para atender demandas de caminhoneiros.

O valor médio do diesel nos postos brasileiros atingiu uma média de 3,397 reais por litro na semana passada, queda de 1 por cento em relação aos 3,434 reais por litro registrados ante a semana anterior, segundo pesquisa semanal da ANP, publicada na noite de segunda-feira.

Nas duas semanas passadas, o combustível –o mais consumido no Brasil– nos postos havia caído 9 por cento e 1,4 por cento respectivamente. As três quedas ocorreram após um recorde registrado na semana entre 27 de maio e 2 de junho, de 3,828 reais por litro.

No entanto, os recuos do diesel ainda não atingiram o corte de 0,46 real por litro desejado pelo governo federal, fruto de negociações com os caminhoneiros para encerrar uma enorme greve de 11 dias realizada no mês passado, que desabasteceu diversos pontos do país e causou sérios danos a economia.

Isso ocorre porque, além de um programa de subsídios à produtores e importadores de combustíveis e de corte de impostos federais, o governo conta ainda com que Estados reduzam o preço de referência para o cálculo de ICMS sobre combustíveis para atingir o prometido, o que ainda não ocorreu de forma completa.

O diretor de planejamento estratégico da Plural, associação que representa as principais empresas distribuidoras de combustíveis do país, Helvio Rebeschini, explicou em entrevista concedida à Reuters na semana passada que apenas os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo haviam cumprido os cortes.

“Só de fato os três Estados contribuíram efetivamente para isso… alguns conseguiram um pedaço, os demais não chegaram ao nível esperado pelo governo até o momento”, pontuou Rebeschini.

O corte de 0,46 real por litro era esperado pelo governo ante valores registrados nos postos em 21 de maio.

Considerando o preço médio levantado pela pesquisa da ANP na semana entre 20 e 26 de maio, a redução no preço do diesel foi de 0,39 real por litro.

 

Desde a greve dos caminhoneiros que paralisou o país em maio, houve grande esforço para eleger como vilões dos altos preços dos combustíveis ao consumidor tanto a Petrobras quanto os donos de postos.

Essa pressão nos dois extremos da cadeia (produtor de um lado e revendedor de outro) provocou, segundo a ANP, queda nos preços dos combustíveis nas últimas 3 semanas. É razoável considerar que esse movimento está bem próximo de seu piso, não sendo mais esperada novas reduções significativas de preço a partir desses dois players.

O caminho agora é pressionar o centro da cadeia, que são as distribuidoras. 70% do combustível comercializado no país chega aos postos pelas mãos de apenas 3 empresas distribuidoras (Raizen/Shell, Ipiranga e BR) que no ano passado somaram lucros superiores à impressionantes R$7 bilhões. Por isso, para que o consumidor brasileiro consiga ter esperança de pagar mais barato na hora de encher o tanque do carro, só resta o governo e a ANP adotarem medidas efetivas para acabar com o cartel que toma conta da distribuição de combustíveis no Brasil e fomentar a concorrência.

O primeiro passo foi dado pelo Senado na semana passada, que abriu a possibilidade de usinas produtoras de etanol venderem o combustível diretamente aos postos, eliminado a desnecessária participação das distribuidoras na cadeia. Entretanto, para resolver o problema de forma definitiva serão necessárias outras medidas igualmente relevantes para imprimir ao nosso mercado de combustíveis uma dinâmica muito mais equilibrada.

error:
0