Praias podem continuar vetadas no verão, dizem especialistas | Claudio Tognolli

Extra

RIO — O próximo verão no Rio deverá ser irreconhecível. Com a decisão do prefeito Marcello Crivella de só liberar o acesso às praias quando a taxa de transmissão do coronavírus estiver próxima de zero —ou quando houver vacina para a doença—, especialistas estimam que ainda vai levar tempo para que os cariocas possam mergulhar ou tomar sol na areia. Pelo menos, sem descumprir as regras da prefeitura, que, diante de episódios de orla lotada, já ameaça multar banhistas.

Pelos cálculos da UFRJ, a taxa de transmissão (R) na capital fluminense está em 1,44. Antes do início da retomada das atividades da cidade, o índice estava em 1,03, mais próximo do ideal, que é abaixo de um.

— Se tivéssemos esperado um pouco mais, a taxa de contágio reduziria ao que é preconizado. O índice caiu espetacularmente na cidade do Rio durante o isolamento, mas agora está voltando a subir — diz o infectologista Roberto Medronho, que, diante das condições impostas pela prefeitura, não acredita na liberação das prias num futuro próximo.

Se depender do outro critério da prefeitura, o verão também poderá passar em branco. Existem cerca de 130 estudos reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde que buscam uma imunização contra a Covid-19. Em dois deles, há testes sendo feitos no Brasil. As análises clínicas da fórmula da Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório AstraZeneca, estão sendo conduzidas pela Universidade Federal de São Paulo, pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e pelo Grupo Fleury. Já os testes da Sinovac Biotech começarão no fim de julho, coordenados pelo Instituto Butantan.

Para Natália Pasternak, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, os testes são promissores, mas ainda há uma longa estrada pela frente:

— É bastante provável que as vacinas de Oxford e da Sinovac estejam aprovadas até o fim do ano, mas isso não quer dizer que estarão sendo produzidas em larga escala.

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