Dilma congelou o preço dos combustíveis e do gás: este aumentou, mesmo assim, 80%.

Governos não conseguem fazer com que a Petrobras peite os cartéis como Raízen/Shell, Ipiranga, etc.

Colunistas dizem que a greve dos caminhoneiros é locaute, greve de patrões: mentira.

Os cartéis das distribuidoras como Raízen/Shell, Ipiranga faturam os tubos. Os caminhoneiros não aguentaram. Raízen/Shell, Ipiranga, Petrobras, Agência Nacional de Petróleo, Cade: esse é o Cartel. Multado em RS$ 31 milhões pelo Cade, em 2015, o núcleo Raízen/Shell não fui punido pela ANP porque esta alega que a punição poderia “prejudicar o abastecimento”. Piada.

Na história do mundo só uma greve de caminhoneiros foi locaute: a que derrubou Salvador Allende no Chile. A do Brasil não tem nada de locaute: apenas Cartel, sob os olhos complacentes de autarquias que deveriam puni-los. O Chile é outra história.

A saber:

No dia 27 de outubro de 1972 caminhoneiros chilenos pararam seus veículo. Não eram assalariados, mas sim proprietários de caminhões. Naquele mês de outubro Salvador Allende havia nacionalizado uma pequena firma transportadora do extremo sul do país, em Aysen.  A decisão da greve foi anunciada por Leon Vilarin, o líder da organização dos caminhoneiros.

O Chile daqueles tempos trazia uma agenda social progressista.

No início de 1972 o estado controlava as riquezas naturais e as indústrias básicas do país. O estado chileno controlava 30% do crédito, 85% das exportações e 45% das importações. O programa de saúde havia reduzido a mortalidade infantil, através de várias campanhas sanitárias e de nutrição, como a distribuição de ½ litro de leite diário a cada criança até 14 anos. Em 1971 o PIB havia crescido 8% contra uma média de 2.7% entre 1969 e 1970.

Os caminhoneiros, é sabido, não gostavam disso.

A greve dos caminhoneiros foi orquestrada pelos EUA, da mesma forma que orquestraram a greve dos caminhoneiros que derrubou Allende.  Sabemos que León Villarín, líder dos caminhoneiros em greve, era um agente da CIA filiado ao Iadesil – Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre, com sede nos EUA. E ficou provado que a Cia financiou os caminhoneiros em greve. Mais de 100 sindicalistas foram enviados pela AIFL à Virginia para fazerem cursos e receber treinamento e regressando ao Chile se engajavam como profissionais nas organizações dos trabalhadores.

O Iadesil se dedica a formar dirigentes sindicais em toda a América Latina para se oporem “a ameaça de infiltração castrista”. Na época o Iadesil recebia recursos do Fundo Kaplan, intermediário financeiro da Cia, da Usaid e das grandes empresas transnacionais, entre elas a ITT, Grace, Rockefeller, Shell, Standard Oil, United Fruit y Kenneccott…

Toda a ação da reação contra Allende se desenvolveu, curiosamente, coincidente com os planos de subversão da ITT-CIA, denunciados pelo jornalista Jack Anderson, do Washington Post. O plano consistia em:

a)    Provocar a deterioração da situação econômica.

b)    Ação psicológica através dos meios de comunicação;

c)     Trabalho divisionista nas Forças Armadas.

d)    Preparação de grupos paramilitares

A Sociedade Interamericana de Imprensa – SIP – interagia com os grandes jornais do continente garantindo cobertura “fiel” aos fatos. Durante a campanha de Allende, o presidente da SIP era nada menos que Agustin Edward, o chefe do clã dono do Mercúrio e, a partir de 1973, assumiu a direção outro chileno, Raul Silva Espejo, diretor do Mércurio. Na campanha contra Allende atuava também o jornalista Federico Willoughby McDonald, assalariado da CIA. Esse Centro treinou, em 1972, 400 pessoas para ações terroristas urbanas. Willoughby, como prêmio, em 1973 ganhou o posto de assessor de imprensa de Pinochet. Weellock aparece como mentor de outros golpes de estado na página 540 do livro “Who’s Who em CIA”.

“O matutino  El Mercurio, segundo os documento da ITT recebia orientação da Usis, o serviço de informações da embaixada dos EUA. Posteriormente, com a desclassificação dos documentos da Cia, em 1998, comprovou-se que o jornal recebia grandes quantidades de dólares e que o USIS “ajudava” nos editoriais e outros artigos de opinião.

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