PGR recebe delegação Suíça para discutir cooperação no âmbito da Operação Lava Jato – Claudio Tognolli

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a criação de mecanismos estruturantes que possam não só combater, mas também evitar crimes como a corrupção e a lavagem de dinheiro entre Brasil e Suíça. A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira (4), na abertura do evento que reúne procuradores que estão à frente da Operação Lava Jato nos dois países. A reunião de trabalho prosseguirá até quinta-feira (6). Na abertura, além dos procuradores, também estiveram presentes representantes da Embaixada da Suíça.

Organizado pela Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), o evento tem o objetivo de fortalecer relações de cooperação entre o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro e autoridades suíças para o intercâmbio de informações. O país europeu é, atualmente, o principal parceiro do Brasil, sobretudo na recuperação de recursos desviados dos cofres públicos brasileiros. Os investigadores brasileiros já apresentaram 95 pedidos de cooperação às autoridades suíças.

Ao abrir o evento, Raquel Dodge destacou a expectativa positiva em relação à reunião técnica. Segundo ela, a troca de informações entre os Ministérios Públicos resultará não só em cooperação para os casos pontuais de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem investigações nos dois países, mas também possibilitará a criação de mecanismos estruturantes, como uma legislação mais solidificada, que impeça o trânsito ilícito de verbas públicas entre os países. “Ao Ministério Público brasileiro interessa punir os infratores dos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado já minimamente desvendados, mas sobretudo, interessa que este tipo de conduta seja peremptoriamente desestimulada pela atuação da Justiça e também pelo desenho das políticas públicas”, reforçou a PGR.

Em relação à metodologia de trabalho, a procuradora-geral afirmou que o objetivo de reunir os procuradores que estão à frente das investigações foi ampliar a comunicação e facilitar o diagnóstico de prioridades. Conforme destacou, todas as investigações em curso nos quatro núcleos de investigação em operação no Brasil (Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e PGR) são igualmente importantes e nem sempre é fácil definir qual dos pedidos de cooperação terá preferência. “Imaginamos que era melhor aproximar as equipes para que elas próprias estabeleçam as suas prioridades”, resumiu. Raquel Dodge enfatizou, ainda, que a reunião também representa uma oportunidade para que seja discutido um formato de trabalho de equipes de investigação conjunta na perspectiva de trazer resultados mais rápidos e efetivos para as apurações em andamento nos dois países.

O embaixador suíço Andrea Semadeni também destacou a importância da reunião de trabalho e da cooperação bilateral já estabelecida entre os países. Na ocasião, ele enfatizou a disposição das autoridades suíças em colaborar com o avanço das investigações conduzidas pelos ministérios públicos brasileiro e suíço.

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