Peru elege Parlamento fragmentado, e fujimorismo perde força | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

 

Os peruanos foram às urnas neste domingo (26/01) e elegeram um novo Congresso bastante fragmentado e nenhuma maioria, segundo pesquisa boca de urna divulgada pela imprensa local.

O país sul-americano vive uma crise institucional desde setembro, quando o presidente Martín Vizcarra dissolveu o Parlamento após uma longa batalha com os legisladores sobre um pacote anticorrupção. As eleições gerais foram então antecipadas para este 26 de janeiro.

As cifras iniciais indicam que a Força Popular, partido oposicionista liderado por Keiko Fujimori, perdeu o controle do Congresso, tornando-se a quinta força com apenas 7,1% dos votos.

O resultado representa um duro golpe para a legenda fujimorista, que vem perdendo apoio popular em meio a uma série de escândalos de corrupção. Isso pode significar problemas para suas chances na próxima eleição presidencial no Peru, em 2021.

Segundo a pesquisa boca de urna, todos os partidos eleitos, com exceção de um, receberam entre 5% e 9% dos votos. A legenda Ação Popular, de centro-direita, foi a que conquistou melhor votação e terá a maior bancada, com 11,8% dos votos.

O voto de punição dos peruanos atingiu também o principal aliado do fujimorismo, o partido social-democrata APRA, que obteve apenas 2,8% dos votos e ficou de fora do Parlamento.

O novo equilíbrio de poderes em um Congresso fragmentado pode dar a Vizcarra uma nova chance de empurrar seu pacote de reformas anticorrupção, que foi firmemente rejeitado pela maioria oposicionista no Parlamento de 130 cadeiras.

O presidente peruano não tem representação partidária no Congresso, mas partidos de esquerda e de centro indicaram apoio geral à sua agenda.

O novo Parlamento terá vida curta e será substituído pela próxima legislatura com mandato de cinco anos (como é padrão) em 2021, quando o Peru celebrará 200 anos de independência.

Keiko Fujimori é filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que está cumprindo uma sentença de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade. A própria Keiko foi libertada da prisão em novembro em meio a uma investigação de corrupção.

Alberto Fujimori é uma figura controversa no Peru. Ele governou o país entre 1990 e 2000 e fortaleceu sua economia, mas sua gestão foi alvo de acusações de abuso de direitos e escândalos de corrupção que levaram à sua renúncia.

Seu partido, Força Popular, ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições presidenciais, em 2011 e 2016, ambas com Keiko como candidata a chefe de Estado. No último pleito parlamentar, em 2016, o fujimorismo foi a primeira força no Congresso, com 36% dos votos.

O Peru está assolado pela corrupção como poucos outros países: quatro de seus ex-presidentes foram gravemente implicados no escândalo da Operação Lava Jato. Um deles, Alan García, do APRA, se suicidou durante as investigações.

A pesquisa boca de urna foi realizada pelo instituto Ipsos em 26 distritos eleitorais do país, com margem de erro de 2%, e divulgada assim que as urnas se fecharam neste domingo. Mais de 25 milhões de peruanos estavam registrados para votar.

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