Operação Recidiva: mulher do PCC é presa por ameaçar servidores do INSS que descobriram fraudes no ABC – Claudio Tognolli


Com ajuda de servidor do INSS, grupo ligado ao PCC fraudava benefícios de auxílio reclusão em agência do INSS em Santo André; Justiça autorizou novas buscas e apreensões

A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal de Santo André autorizou a Polícia Federal a deflagrar nesta terça-feira (4) a Operação Recidiva, continuação da Operação Púnico, que, em abril de 2018, revelou os crimes de uma associação criminosa ligada ao PCC que  fraudava benefícios previdenciários de auxílio reclusão, salário maternidade e aposentadoria.  Uma mulher foi presa e buscas e apreensões foram realizadas em seis endereços ligados ao grupo criminoso na manhã de hoje.
Após análise realizada pelo MPF nas provas obtidas na Operação Púnico (http://www.mpf.mp.br/sp/sala-de-imprensa/noticias-sp/operacao-punico-mpf-e-pf-prendem-grupo-que-fraudava-inss-e-ameacava-servidores-na-grande-sao-paulo ) foi descoberto o maior envolvimento de uma mulher, que atuava como intermediária, com a quadrilha, e seu envolvimento direto nas ameaças aos servidores do INSS que descobriram as fraudes na agência do INSS em Santo André. Casada com um membro do PCC preso em julho, ela deixou a Grande São Paulo logo após a deflagração da operação e mudou-se para o litoral de São Paulo.
Os desdobramentos da Operação Púnico permitiram descobrir que a mulher presa nesta manhã participou do levantamento de informações sobre hábitos da chefe e do gerente-executivo da Agência da Previdência Social em Santo André e nas instruções dadas a membros do PCC para a execução das ameaças contra as vítimas, ocorridas em março deste ano.
A chefe da agência e o gerente-executivo haviam descoberto os crimes cometidos por um técnico da Previdência Social da agência do INSS em Santo André que também atuava como advogado previdenciário e lhe tiraram o acesso aos sistemas da Previdência. As descobertas desses servidores permitiram o início das investigações pela Força Tarefa integrada pelo MPF, PF, Advocacia Geral da União e Secretaria da Previdência do Ministério da Fazenda.
Diante disso, a quadrilha, da qual participam advogados, contadores e intermediários, preocupada com a perda do lucro fácil proporcionado pelo esquema, mobilizou-se para levantar informações sobre as vítimas e ameaçá-las de morte. As ligações foram feitas provavelmente de dentro de um presídio e o grupo usava métodos sofisticados para tentar ocultar a origem das ligações.
Além de fechar o cerco e identificar a participação dos membros da associação criminosa envolvidos com as ameaças sofridas pelos agentes públicos que combateram as fraudes, a operação Recidiva também apura o envolvimento de contadores em fraudes ao Cadastro Nacional de Informações Sociais_ uma das bases de dados adulterada pela quadrilha para obter os benefícios indevidamente.
Com a execução das buscas e apreensões objetiva-se descobrir o nome de todas as empresas-fantasmas usadas pelos contadores para criar falsos vínculos empregatícios. Os investigados envolvidos com as ameaças serão processados pelo crime de coação no curso do processo. Os contadores, advogados e intermediadores estão sendo investigados pela prática dos delitos de associação criminosa, falsificação, estelionato contra a União e inserção de dados falsos em sistemas públicos de informação.
DENÚNCIA. No final de maio deste ano, o MPF em São Bernardo do Campo denunciou o técnico da previdência social e mais quatro pessoas pelos crimes de associação criminosa, estelionato contra a União, inserção de dados falsos em sistemas públicos de informações, corrupção ativa e passiva. Dos cinco acusados, o técnico, uma advogada e um segurado continuam presos preventivamente. A denúncia foi recebida em junho e o processo aguarda a apresentação da defesa dos réus para prosseguir.

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