Cartas apreendidas revelaram participação dos envolvidos em homicídios, atentados e outros crimes

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou por associação criminosa 75 pessoas investigadas na Operação Echelon. Resultado de ação conjunta entre o Ministério Público e os setores de inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária e da Polícia Civil, a operação, deflagrada em junho deste ano, desmantelou a célula “Sintonia de Outros Estados e Países”, pertencente à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em 14 Estados e países vizinhos.

Essa célula agia como uma rede de comunicação para executar fora dos presídios as ordens que vinham dos líderes do crime organizado de dentro das penitenciárias, como execuções de agentes do Estado, queima de ônibus, assassinato de rivais de outras facções e outros delitos.  De acordo com a denúncia, “essas ações têm por finalidade a obtenção de domínio territorial, imposição do medo e terror e monopolização da estrutura criminosa para, essencialmente, obter vantagem financeira em detrimento das comunidades locais que sofrem com a exponencial elevação dos índices de violência urbana, principalmente os Estados do Norte e Nordeste do país”.

A investigação teve início dentro do presídio de Presidente Venceslau. Após a instalação de telas de contenção nos dutos da rede de esgoto da penitenciária, foi possível apreender e recuperar fragmentos de cartas que presos dispensaram durante fiscalizações de rotina das celas. Os manuscritos foram submetidos a exame grafotécnico pelo Instituto de Criminalística, que concluiu que as anotações efetivamente partiram das pessoas indicadas.

A análise do material identificou a participação dos envolvidos na organização e execução de homicídios, rebeliões, ataques a Fóruns, distribuição de armamento e drogas, atentados contra agentes públicos e órgãos do Estado e também no fomento da guerra entre facções nos Estados brasileiros.

Uma das cartas cita que alguns integrantes de outros Estados se deslocariam para São Paulo para aprender a montar bombas que seriam usadas em possíveis ações.

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