OMS desmente Bolsonaro e nega ter sido contra medidas de isolamento social | Claudio Tognolli

 A Organização Mundial da Saúde (OMS) rebateu a fake news propagada por Jair Bolsonaro, que espalhou nas redes sociais um vídeo editado com a fala do diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom, para afirmar que a entidade mudou de posição e está ao seu lado na defesa do fim do isolamento social e no retorno ao trabalho para assegurar a renda das populações.

A OMS decidiu ir de maneira deliberada às redes sociais nesta terça-feira, e sem citar diretamente Bolsonaro, decidiu esclarecer seu posicionamento.

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o diretor-geral da OMS.

Bolsonaro tentou manipular as declarações do africano para justificar sua política. “Vocês viram o presidente da OMS ontem?”, perguntou. “O que ele disse, praticamente… Em especial, com os informais, têm que trabalhar. O que acontece? Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Não pode ser dissociados, temos que atacar juntos”, disse.

O trecho do vídeo editado por Bolsonaro e publicado por ele e pelo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, o diretor Tedros Ghebreyesus fala da preocupação com a dignidade das pessoas e reforça a importância de que elas tenham como se manter em meio à crise.

“OMS, externou preocupação com quem trabalha para poder comer o pão de cada dia. A mídia não dirá que ele recuou e nem cobrará de governantes que determinaram o confinamento obrigatório embasado na OMS uma mudança de postura defende o mesmo”, escreveu Eduardo Bolsonaro em sua página no Twitter, compartilhando o mesmo vídeo.

Em mensagem publicada nesta terça, o diretor da OMS rebateu: “Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”.

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