O vice-presidente executivo da CNI, Paulo Afonso Ferreira, avalia que o acordo do Mercosul com a União Europeia vai movimentar toda a cadeia produtiva e refletirá em ganhos para a economia | Claudio Tognolli

Por Paulo Afonso Ferreira

Após 20 anos de negociações estamos contemplando um momento de oportunidades e boas notícias, que é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O mercado reagiu com otimismo, pois proporcionará dinamismo na economia, reduções tarifárias, mais agilidade nas transações comerciais, atração de novas tecnologias e maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional.

A União Europeia é formada por 28 países, de grande consumo, sendo o 2º maior destino das exportações do Mercosul. O governo estima que as exportações brasileiras para o bloco aumentem em cerca de R$ 384 bilhões até 2035.

Sabemos que é um grande passo, mas há desafios a superar, sendo necessárias reformas estruturais, incentivos e financiamentos para modernização e ampliação do parque industrial e de novas tecnologias, desoneração e investimentos em infraestrutura.

Essa experiência de reposicionamento ocorreu recentemente com Portugal, que estava com a economia fechada e estagnada, passou por dificuldades, mas realizou reformas, se integrou com o mercado mundial e hoje está desfrutando de um momento favorável. A abertura da economia beneficiou as exportações e proporcionou queda no desemprego, saneamento das finanças públicas e crescimento industrial.

É um momento histórico para o Brasil e precisa ser comemorado, pois movimentará toda a cadeia produtiva local, com agricultura, indústria, comércio, transporte e serviços, e refletirá em ganhos para a economia, possibilitando crescimento, geração de emprego, desenvolvimento socioeconômico e produtos mais acessíveis ao consumidor final.

Com certeza, Goiás terá grandes benefícios, pois com sua característica agroindustrial, poderá incrementar sua economia, com intensificação das exportações de produtos como soja, carne, etanol e açúcar. É um caminho que assegura credibilidade, visibilidade e oportunidade para novos negócios, parcerias e outros acordos comerciais.

O governo precisará realizar as reformas necessárias para assegurar ambiente mais favorável para os negócios e as empresas se adequarem para competir, com desenvolvimento de sua gestão, inovação, qualificação e produtividade.As mudanças serão graduais, mas no curto prazo poderemos ver movimentação no mercado, com modernização do ambiente de negócios no Brasil, mais investimentos, maior concorrência interna e adequação das empresas para assegurar maior competitividade.

O acordo foi um primeiro passo e reconhecemos que deve ser apoiado, pois trará ganhos para todo país. As demais etapas para consolidação precisam de empenho político, negociação e união. Não é um projeto de governo ou partidário, mas uma conquista para todos nós, brasileiros.

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