O que há de quente na mídia hoje | Claudio Tognolli

Folha

Documento confidencial da Dersa mostra que a estatal paulista responsável pelas rodovias pagou R$ 191,6 milhões à Odebrecht, por meio de um acordo de 2009 que foi fraudado.

A informação está no inquérito que investiga o pagamento de propina ao então governador, José Serra (PSDB). O montante equivale hoje a R$ 463,8 milhões e, segundo a delação da Odebrecht, a Dersa só aceitou pagá-lo após a empreiteira acertar uma propina de R$ 23,3 milhões a Serra, hoje senador.

Como relata reportagem de Mario César Carvalho, na Folha de S. Paulo, a fraude teria ocorrido dentro da estatal, de acordo com um perito contratado para analisar o processo judicial e o acordo com um braço da Odebrecht para rodovias, a CBPO.

Duas obras viraram motivo de disputa entre a Dersa e a CBPO: a duplicação da rodovia Dom Pedro 1º e a construção da Carvalho Pinto, que foram contratadas em 1988 e 1990, respectivamente, no governo de Orestes Quércia.

Em janeiro de 2001, a CBPO ingressou com uma ação contra a Dersa na qual cobrava R$ 93,7 milhões na época (R$ 321 milhões hoje).

A CBPO perdeu em primeira instância, recorreu e o Tribunal de Justiça concluiu que os expurgos do Plano Real não feriam a lei, mas a Dersa deixou de aplicar correção monetária nos pagamentos que atrasara. A Dersa tentou reverter o resultado do julgamento no Superior Tribunal de Justiça em 2008, mas perdeu.

O ex-executivo da Odebrecht Pedro Novis contou em delação que foi logo após essa derrota que o então presidente do PSDB, o ex-senador Sérgio Guerra (1947-2014), pediu R$ 30 milhões, a quem atendeu a pedido de Serra. O destino do dinheiro seria a campanha presidencial de Serra de 2010, na qual perderia para Dilma Rousseff (PT). A Odebrecht topou contribuir com R$ 23,3 milhões, ainda segundo Novis, desde que a Dersa acertasse as dívidas que já se arrastavam por cerca de 20 anos.

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O Globo

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, operador do PSDB na arrecadação de propinas, mandou mais um aviso pouco antes de ser preso pela segunda vez.

“Ao menos um investigado com papel relevante nos esquemas de corrupção do PSDB de São Paulo recebeu também mensagens intimidadoras via celular. O que chamou atenção foi o tom violento dos recados. Paulo Preto avisou que, se cair, não cairá sozinho”, diz o colunista Lauro Jardim.

Menos de 24 horas após ser preso, Paulo Preto foi libertado, novamente, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

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Estadão

A operação Lava Jato já sequestrou R$ 80 milhões em bens do ex-ministro Antônio Palocci. São imóveis, carros e investimentos em nome do ex-ministro, de sua empresa Projeto Consultoria Empresarial Ltda. (atual Projeto Administração Imobiliária) e de duas filhas.

O valor é ainda insuficiente para cobrir os R$ 150 milhões estipulados pela Justiça Federal para repor os desvios na Petrobrás e cobrir indenizações pelos danos gerados pelos crimes de de corrupção e lavagem. Palocci é ainda “devedor” de R$ 70 milhões, pelos cálculos da Lava Jato.

Leia reportagem de Ricardo Brandt sobre o assunto.

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