O que há de quente na mídia hoje | Claudio Tognolli

Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a hipótese de aliança entre PT e PDT no primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, segundo informa a colunista Mônica Bergamo. “Lula jogou um balde de água fria em deputados que foram visitá-lo na terça (29) e tentaram puxar assunto sobre o eventual apoio do PT a Ciro Gomes (PDT-CE). ‘Ciro é um bom quadro. Mas não é um líder’, disse o ex-presidente, encerrando o assunto”, informa a jornalista.

“Ele ainda confessou: sem ninguém para conversar, passa a maior parte do tempo vendo TV. ‘Até a Globo eu tô assistindo, gente!’, disse, provocando risos. Em discursos públicos, ele sempre acusa a emissora de perseguir o PT”, escreve Mônica em sua coluna.

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A Polícia Federal encontrou o que considera ser o primeiro elo financeiro documentado entre o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Michel Temer, e a Rodrimar, empresa suspeita de ter pago propina a Temer para ser beneficiada em decreto sobre os Portos.

Segundo a linha de investigação, divulgada pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira, 31, a ligação entre o coronel e a Rodrimar se materializa na empresa Eliland, braço de uma offshore sediada no Uruguai.

A PF suspeita que o administrador da filial brasileira da Eliland, Almir Martins, seja um laranja do coronel. Martins foi contador das campanhas eleitorais de Temer de 1994, 1998, 2002 e 2006, e trabalha até hoje em uma das empresas de Lima, a Argeplan.

Em depoimento à PF, o contador disse que foi colocado como gerente para administrar dinheiro de um único contrato —com a Rodrimar. Martins não apontou os serviços prestados.

O coronel Lima, que chegou a ser preso em março, é apontado como um intermediário do presidente e possível receptador de propinas em nome do emedebista. Temer tem negado as suspeitas.

As suspeitas envolvendo Temer e a Rodrimar tiveram como base documentos apreendidos na operação Patmos e interceptações telefônicas de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer.

Para a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal, há indícios de que o chamado decreto dos portos, assinado por Temer em maio de 2017, tenha beneficiado a Rodrimar —que atua no porto de Santos, historicamente área de influência do presidente e do PMDB— em troca de propina.

Integrantes da cúpula das Forças Armadas demonstraram insatisfação com o fato de Michel Temer ter editado um decreto para envolver militares na desobstrução de rodovias tomadas pela greve dos caminhoneiros, e depois ter atuado para coibir ações mais incisivas.

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Segundo a coluna Painel, os apelos do Planalto para que não houvesse abordagens diretas a caminhoneiros apenas confirmaram que o alcance e o anúncio da convocação foram impróprios e serviram apenas para expor as tropas.

“As idas e vindas do governo não alarmaram apenas os militares. Integrantes do Congresso e do Judiciário criticaram a atuação claudicante do Planalto”, diz a coluna da Folha de S. Paulo.

 

 

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Reuters

A greve de 72 horas dos petroleiros ganhou novas adesões e já atinge 25 plataformas de produção de petróleo da Petrobras na Bacia de Campos —responsável por cerca de metade da produção de petróleo do Brasil—, em um movimento que impacta também refinarias e terminais desde o início do dia, informaram sindicatos.

Dentre as plataformas mobilizadas, sete foram entregues paralisadas, sendo que quatro já estavam em manutenção e as demais pararam em função da greve, afirmou em nota a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa 12 sindicatos de petroleiros da Petrobras.

Segundo a FUP, as plataformas que estão no movimento são: PCE1, PPM1, PNA-2, PCH-1, PVM1, P-07, P-08, P-12, P-15, P-19, P-20, P-25, P-26, P-32, P-33, P-35, P-37, P-40, P-47, P-48, P-50, P-51, P-61, P-63 e P-65. A federação não detalhou quais paralisaram a produção.

A Petrobras não comentou imediatamente a informação.

Mais cedo, a companhia havia afirmado em nota que haviam sido registradas paralisações pontuais em algumas unidades operacionais e que não havia impacto na produção, sem entrar em detalhes.

O coordenador de Comunicação do Sindipetro-Norte Fluminense, Francisco Oliveira, explicou que, ao aderir a greve, os funcionários entregam a operação das unidades a equipes de contingência. Segundo Oliveira, a paralisação das três plataformas ocorreu por questões de segurança.

“A gente tem uma responsabilidade muito grande em um movimento como esse, de entregar (a operação) à Petrobras, mas entregar com segurança”, disse Oliveira, que não tinha informações detalhadas sobre quais as unidades estão paradas.

Petroleiros afirmaram que a greve não tem a intenção de trazer riscos para o abastecimento de combustíveis do país e que eles têm a responsabilidade de atender as necessidades básicas da população.

Além disso, as refinarias da empresa estão com tanques cheios, após a paralisação de caminhoneiros nos últimos dias, afirmou o diretor-executivo de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da Petrobras, Nelson Silva, em um evento em São Paulo.

O movimento ocorre apesar de o Tribunal Superior do Trabalho (TST) na véspera ter declarado que a greve dos petroleiros é ilegal. Foi estipulada multa diária de 500 mil reais pelo descumprimento da decisão.

Em nota, sobre a decisão da Justiça, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, afirmou que “a categoria não se intimidará”.

A greve nacional tem como objetivo uma redução dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis. Também é contra a privatização da Petrobras e busca a saída do presidente da petroleira Pedro Parente, segundo sindicatos.

O movimento, segundo a FUP, tem um caráter de advertência. “A categoria petroleira já aprovou, para breve, a realização de uma greve por tempo indeterminado”, disse a FUP, sem informar uma data.

DEMAIS IMPACTOS
A FUP havia informado mais cedo que, em suas bases, dez refinarias estavam sem troca de turno: Reman (AM), Lubnor (CE), Abreu e Lima (PE), Rlam (BA), Reduc (Duque de Caxias), Regap (MG), Replan (SP), Recap (SP), Repar (PR) e Refap (RS).

Também estão parados, segundo FUP, os trabalhadores da SIX, Superintendência de Industrialização de Xisto (PR), e das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) do Paraná e da Bahia.

Na Transpetro, a FUP afirmou que a greve atinge os terminais do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do Espírito Santo, do Amazonas, do Ceará, de Pernambuco, de Campos Elíseos (Duque de Caxias) e de Cabiúnas (Macaé).

“No Rio Grande do Norte, os trabalhadores dos campos de produção terrestre do Alto do Rodrigues e de Mossoró também aderiram à greve, assim como os petroleiros do Ativo Industrial de Guamaré e da Estação Coletora do Canto do Amaro”, disse a FUP.

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Rede Brasil Atual

A ministra Maria de Assis Calsing, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), resolveu aumentar o valor da multa aos petroleiros, por descumprimento de sua ordem para não fazer greve. Depois de receber uma petição da União e da Petrobras, a juíza elevou a multa de R$ 500 mil para R$ 2 milhões por dia.

“Ao todo, 18 entidades de classe (sindicatos e federação) estão sujeitas à penalidade a partir da ciência da decisão. O montante incide tanto para o caso de continuidade do movimento grevista quanto para a hipótese de ação que obste o livre trânsito de pessoas. A ministra também determinou que cópias dos autos sejam remetidas à Polícia Federal, para fins de apuração de crime de desobediência”, informa o TST.

Ontem (29), a ministra havia determinado que os trabalhadores “se abstivessem” de paralisar atividades e impedir “o livre trânsito de bens e pessoas”. Identificou uma suposta abusividade no movimento, que considerou com fim político e não com motivação trabalhista. “O valor inicialmente arbitrado não se revelou suficiente a compelir o cumprimento da medida”, afirmou.

Em São Paulo, o juiz Renato Sabino, da 62ª Vara do Trabalho, concedeu liminar após ação civil pública ajuizada pela prefeitura na qual proíbe o Sindicato Unificado dos Petroleiros de interromper o fornecimento de combustíveis para serviços essenciais da administração paulistana, como polícia, guarda civil, ambulância e caminhões de coleta de lixo. Fixou multa diária de R$ 300 mil, com bloqueio imediato dos valores em conta corrente. O juiz afirmou que não se trata de reconhecimento de abusividade de greve, assunto do TST.

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O Globo

A 2ª Câmara do Ministério Público Federal encaminhou aos MPs locais um pedido para apurar a conduta de seis envolvidos na greve de caminhoneiros.

A subprocuradora-Geral da República Luiza Cristina Frischeisen pede para os procuradores verificarem se houve incitação de alteração da ordem pública e social ou de animosidade contra as Forças Armadas.

Em dois casos, sugere verificar se não se enquadram na Lei de Segurança Nacional.

Entre os investigados, há empresários que, segundo ela, teriam autorizado os grevistas a colocarem fogo nos caminhões e um sargento da reserva que, defensor contumaz da intervenção militar, teria publicado vídeo com mais de três milhões de visualizações

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