O que há de quente na mídia hoje | Claudio Tognolli

Folha

O Instituto de Pesquisas Datafolha fez uma pesquisa telefônica em que constatou que o brasileiro apoio maciçamente a greve dos caminhoneiros e defende a sua continuidade. Foram ouvidas 1500 pessoas na terça-feira (29).

A pesquisa vem em um momento delicado para o governo e para Pedro Parente. Temer decidiu rever a política de preços da Petrobras, que parece finalmente ao governo, ser a única saída para o fim da greve.

“87% apoiam o movimento. São contrários 10%, enquanto 2% se dizem indiferentes e 1% não souberam opinar. Já 56% dos entrevistados acham que a paralisação deve seguir, contra 42% que são a favor de seu fim. O apoio aos caminhoneiros é bastante homogêneo levando em conta as regiões do país, baixando um pouco entre os mais ricos e os mais velhos.

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Ainda assim, para 50% os caminhoneiros são mais beneficiados do que prejudicados pelo que eles chamam de greve –o governo trabalha com a hipótese de parte do movimento ter sido estimulado por donos de transportadoras. Esses, por sua vez, têm mais prejuízos, na visão de 60% dos ouvidos.

Já o cidadão se vê mais prejudicado (43% a 33% dos que se acham mais beneficiados) pessoalmente. Acham que o “brasileiro em geral” é mais prejudicado 56% dos ouvidos.A pesquisa aferiu que o brasileiro não concorda em ser penalizado com aumento de impostos e corte de gastos federais para atender às reivindicações dos caminhoneiros.

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Reuters

 O governo decidiu agir para modificar a política de preços da Petrobrás. As conversas entre governo e estatal já começaram.

“O presidente Michel Temer admitiu nesta terça-feira, em entrevista à TV Brasil, que o governo pode mexer na política de preços de combustíveis da Petrobras —para além do diesel acordado com o movimento dos caminhoneiros— e, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, conversas nesse sentido já começaram entre o governo e a estatal.

“A Petrobras se recuperou ao longo desses dois anos. Estava em uma situação economicamente desastrosa há muito tempo, mas nós não queremos alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”, disse o presidente.

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Em meio ao tumulto causado pela greve dos caminhoneiros e da decisão do governo de estabelecer que os reajustes do óleo diesel só poderão ser feitos a cada 30 dias —com uma compensação a Petrobras por eventuais perdas— a empresa chegou a perder, nos últimos dias, mais de 120 bilhões de reais em valor de mercado por reações a uma possível interferência do governo na política de preços da empresa.

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UOL

O deputado Júlio Delgado (MG), líder da bancada do PSB, é categórico ao valiar o impacto da greve dos caminhone iros sobre o governo de Michel Temer. “O governo do Temer acabou, perdeu legitimidade, credibilidade e acima de tudo respeito por parte da sociedade”, disse Delgado.

“Se nós que votamos a favor do impeachment da Dilma por ter se esgotado a capacidade de governo dela, muito maior é a incapacidade do governo Temer. Vamos esperar agora chegar Copa, período eleitoral e ir se arrastando até dezembro?”, questionou o deputado à reportagem do UOL.

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho (MDB-MG), afirmou que o governo “vem mal há muito tempo”, mas agora não deverá mais conseguir aprovar matérias de seu interesse na Câmara. “[A Câmara] só vai aprovar matérias de interesse da população de agora em diante. A privatização da Eletrobras, esquece. As Medidas Provisórias aprovadas nesta segunda só foram por apelo popular”, disse. Em um ano eleitoral como 2018, parlamentares costumam focar no pleito e evitar medidas impopulares.

Ramalho ainda criticou o que chamou de “incompetência” do Planalto em prever o tamanho da insatisfação dos caminhoneiros e o aumento constante nos preços dos combustíveis por parte da Petrobras na gestão de Pedro Parente. Para o deputado, Temer já deveria tê-lo demitido para “mostrar autoridade”. A ideia é fortemente rechaçada pelo Planalto.

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A página do PSDB São Paulo no Facebook divulgou um gráfico no mínimo equivocado sobre a pesquisa Ibope, divulgada na noite de ontem (28). Para os tucanos, as intenções de voto do ex-prefeito João Doria alcançam números surreais, próximos de 90%. A realidade é outra. Doria viu seu apoio cair em todo o estado. Seu percentual de intenções de votos é de 22%, uma queda em relação aos 24% da última pesquisa, realizada em abril. Já sua rejeição explodiu, especialmente na capital, aonde 55% do eleitorado diz que nunca votaria nele.

Após repercussão negativa, a página tucana retirou o gráfico do ar.

A pesquisa contempla projeções sobre o governo de São Paulo e o Senado Federal. Na segunda posição para o governo, Paulo Skaf (MDB) também viu o apoio cair nesta nova edição da pesquisa. De 19% em abril, para 15%. Surpreende o número de votos brancos ou nulos, que somam 40% das intenções, e seriam vencedores isolados na disputa.

Em terceiro lugar, o candidato do PT, Luiz Marinho, com 4%, acompanhado de perto, em empate técnico, com o governador do estado, Márcio França (PSB). A margem de erro é de 3% para mais ou para menos.

Em caso de segundo turno entre Skaff e Doria, a pesquisa revela um empate técnico. O tucano aparece com 31% das intenções de voto, frente a 30% do emedebista. Neste caso, brancos e nulos também sairiam vencedores, com 32% do eleitorado. Em outra projeção, entre Doria e Marinho, o tucano teria 37% das intenções enquanto o petista 21%. Já contra França, o ex-prefeito aparece com 35% contra 22% do governador.

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