O que há de quente na mídia hoje | Claudio Tognolli

Folha

O presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB-CE), já defende a mudança da política de preços da Petrobras e a demissão de Pedro Parente. “Cabe ao Executivo mudar a política de preços da Petrobras. No meu entendimento, ela está equivocada”, afirmou Eunício. Ele disse que o Congresso irá promover uma comissão geral na próxima terça-feira (29) para discutir a crise dos combustíveis, segundo informa a coluna Painel.

Na Câmara, o presidente Rodrigo Maia (DEM) afirmou que a política de preços precisa passar por ajuste para evitar aumentos diários e sucessivos em períodos de alta acentuada do petróleo. “Isso está errado, a Petrobras pode mudar. Não significa interferência no preço dela. Ela não deveria todo dia transferir o preço do aumento do câmbio, da desvalorização do câmbio pro preço. É uma questão de organização da política da Petrobras, não é uma interferência na política da Petrobras, são coisas diferentes”, disse.

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O Tempo

“A situação nos postos de combustíveis em Minas está cada vez mais crítica por conta da paralisação dos caminhoneiros. De acordo com uma pesquisa realizada pela Minaspetro e divulgada na manhã desta sexta-feira, cerca de 93% dos estabelecimentos já estão desabastecidos por causa da greve. A entidade que representa os revendedores de combustíveis em Minas realizou o levantamento em 115 postos. 71,3% deles já não têm mais nenum tipo de combustível disponível. Outros 21,7% têm apenas um tipo de produto – ou álcool, ou gasolina ou diesel”, informa o jornal O Tempo.

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Míriam Leitão, O Globo

Não será fácil o governo cumprir na área econômica o que prometeu para tentar controlar a greve do transporte de carga. O Brasil não é autossuficiente em diesel, isso significa que ele passará a subsidiar um produto que é importado e que pode ser trazido ao país pela Petrobras ou outras empresas. Não se pode saber antes o custo desse subsídio. Ainda não está claro de onde sairá o dinheiro.

O governo anunciava como vitória o fato de que havia uma redução de 45% dos bloqueios nas estradas. Mas o Brasil ainda vive uma situação crítica, com hospitais com carências, supermercados sem produtos, pessoas cancelando seus planos de viagem, combustíveis em falta até em alguns aeroportos, como disse o general Etchegoyen. Os ministros que deram entrevista ontem à noite admitiram que a situação ainda não está resolvida, tanto que o grupo da “sala da situação” passará o fim de semana reunido.

Uma das dificuldades do acordo que o governo assinou é o fato de que outros importadores podem trazer o diesel. Afinal, a importação é livre. E aí, o governo compensaria também outras empresas? É o que pergunta o especialista em energia Adriano Pires.

— O governo também vai subsidiar o importador? Se não subsidiar, faltará óleo diesel. A partir de hoje, o estímulo a importação caiu, porque o produto será vendido internamente a um preço mais baixo do que no mercado internacional. Se a Petrobras tiver que importar diesel, ou ela vai ficar com o prejuízo ou o governo irá subsidiar a sua importação. E isso terá que ser estendido às demais empresas do setor. Ficou tudo mais confuso e desorganizado — afirmou.

A importação de diesel em 2017 foi recorde, de 82 milhões de barris de petróleo equivalente (bep), com alta de 63% sobre o ano anterior. O gasto com essa importação chegou a US$ 5,6 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 29% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados da ANP. O gráfico mostra como aumentou a importação do combustível.

Outra dúvida é em relação ao cálculo de quanto vai custar. O governo diz que a diferença a compensar à Petrobras pela manutenção do preço fixo a cada 30 dias ficará em R$ 5 bilhões, mas é difícil dizer de antemão. Vai depender dos preços mais imprevisíveis da economia, do petróleo e o do dólar. Este ano será de muita volatilidade do câmbio por causa da eleição. As tensões internacionais podem manter o petróleo alto. Tudo isso pode elevar o custo. Mas principalmente o valor é incerto.

Mesmo se fosse possível estimar exatamente o custo desse subsídio, haveria ainda a dúvida de onde tirar o dinheiro. E se fosse fácil encontrar dinheiro sobrando, num orçamento apertado, num país com déficit tão alto, haveria a seguinte dúvida: por que mesmo subsidiar combustível fóssil? Será essa a melhor destinação do dinheiro? Pode-se argumentar que o diesel é o combustível dos ônibus dos transportes públicos e dos caminhões da distribuição de mercadorias pelo país, e por isso o benefício acaba sendo da população. Ficará apenas o travo amargo de o contribuinte estar subsidiando também o combustíveis dos SUVs dos ricos.

Mesmo se a greve tivesse acabado ontem, a economia teria ficado em situação pior após esse evento. A Petrobras perdeu valor de mercado e parte da confiança na capacidade de manter uma política técnica na formação de preços. A equipe econômica teve que encontrar fórmulas para tornar possível mais um subsídio, num país que deveria estar se esforçando para acabar com os incentivos fiscais que tanto distorcem a economia.

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Reuters

O protesto de caminhoneiros contra a alta do diesel que provocou desabastecimento pelo país e afetou a produção em diversos setores se manteve nesta sexta-feira, apesar de acordo anunciado pelo governo, e o presidente Michel Temer determinou o uso de forças federais para desobstruir rodovias, afirmando que os manifestantes “não têm o direito” de parar o país.

A decisão de recorrer às forças federais foi tomada no quinto dia de um paralisação nacional que o governo acreditava ter resolvido na véspera ao anunciar um acordo com os caminhoneiros, mas que se manteve diante da rejeição de alguns manifestantes ao que foi proposto.

“Quem bloqueia estradas, quem age de maneira radical, está prejudicando a população e, saliento, será responsabilizado. Vamos garantir a livre circulação, vamos garantir o abastecimento”, disse Temer em pronunciamento no Palácio do Planalto, ao anunciar que acionou um plano de segurança que inclui o uso de tropas federais.

Após o anúncio de Temer, a Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para o desbloqueio imediato de estradas, pedindo autorização para o uso da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional e das polícias militares para liberar a passagem nas rodovias e acostamentos, além da aplicação de multas. À noite, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendeu aos pedidos do governo.

Temer também assinou um decreto para instituir ações de Garantia da Lei da Ordem (GLO), que permite o uso das Forças Armadas, em todo território nacional para garantir o abastecimento.

De acordo com o governo, os protestos diminuíram em decorrência do acordo com representantes da categoria que prevê o congelamento do preço do diesel nos níveis anunciados pela Petrobras (PETR4.SA) nesta semana por 30 dias, entre outros pontos.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a Polícia Rodoviária Fe deral contabilizava no início da noite um total de 519 bloqueios em rodovias, nenhum deles total, ante um pico durante a semana de 938 obstruções de rodovias.

O governo confia em atingir rapidamente a normalização do abastecimento, mas tem opções para endurecer com os manifestantes, como decretar uma requisição de bens que autorizaria o uso da força para assumir o comando de veículos privados para conter o desabastecimento, disseram ministros.

Segundo as autoridades, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, onde dezenas de manifestantes impediam a entrada e saída de caminhões-tanques, está com a situação normalizada quase na integralidade. Ao longo do dia, veículos das Forças Armadas escoltaram ao menos um caminhão-tanque que saiu do local.

Depois que o governo federal anunciou o uso de tropas federais para desobstruir estradas, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), uma das principais associações responsáveis pelo movimento, pediu que os manifestantes retirem interdições nas rodovias, mas mantenham manifestações pacífica.

A entidade, no entanto, reiterou que continua sem assinar qualquer acordo com governo, e que mantém sua demanda pela retirada de PIS/Cofins sobre o diesel para encerrar o movimento de paralisação iniciado na segunda-feira.

De acordo com informações das maiores concessionárias de estradas do país, bloqueios parciais do tráfego prosseguiam em diversas rodovias como a Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio de Janeiro.

IMPACTOS DO DESABASTECIMENTO

Devido aos problemas de abastecimento gerados pela greve, a Prefeitura de São Paulo decidiu decretar estado de emergência na cidade, enquanto no Rio de Janeiro foi decretado estado de atenção em decorrência dos bloqueios. A escassez fez com que o tráfego em grandes cidades fosse reduzido significativamente no horário de pico.

Em alguns mercados faltam produtos alimentícios como frutas, hortaliças e legumes, e o sindicato dos bares e restaurantes alertou para falta de produtos nos cardápios. Alguns estabelecimentos disseram que podem fechar as portas no fim de semana.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), 61 por cento do transporte de carga do país é feito por rodovia, e a frota brasileira é de 1,77 milhão de caminhões.

A falta de combustíveis ocasionada pela greve também deixou no escuro seis localidades de Rondônia que dependem de geração termelétrica, segundo a Eletrobras (ELET6.SA).

Os protestos também voltaram a afetar diversos portos do país, incluindo o de Santos (SP), o maior e mais importante do Brasil. De acordo com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o fluxo de caminhões no local praticamente não está mais ocorrendo e verifica-se redução nas operações de recepção e entrega de mercadorias pelos terminais, embora as operações de carga e descarga de navios continuem a ser realizadas.

No porto de Paranaguá (PR), os protestos reduziram em 27 por cento o movimento normal de cargas para esta época do ano. O terminal registrou uma queda nas exportações de granéis, ao passo que a importação de fertilizantes foi interrompida em berços de atracação em que o transporte da carga é feito por caminhões.

Além dos portos, a falta de combustíveis resultante da paralisação está afetando aeroportos. Empresas aéreas cancelaram voos e adotaram medidas como liberar a remarcação de passagens sem custos para os clientes.

O aeroporto de Brasília ficou sem as reservas de querosene de aviação nesta manhã, de forma que as aeronaves que pousarem no terminal e que necessitarem de abastecimento ficarão em solo até que o fornecimento no aeroporto seja normalizado.

As montadoras de veículos foram forçadas a interromper a produção a partir desta sexta por causa do impacto da greve dos caminhoneiros, segundo a associação que representa o setor, Anfavea, o que pode pesar sobre um dos poucos setores a apresentar recuperação vigorosa neste ano em meio a um desempenho fraco da economia.

Empresas varejistas sentirão o impacto da greve de caminhoneiros por cerca de dois meses, com muitas reclamações de consumidores por atrasos em entregas, segundo diretor-executivo do Reclame Aqui, Edu Neves, e outras grandes empresas, como Votorantim Cimentos, a maior fábrica de cimentos do país, disseram estar com dificuldades e que podem parar atividades durante o fim de semana.

Os protestos têm levantado ainda temores quanto ao risco sanitário no país, à medida que o fornecimento de rações e o transporte de animais e cargas refrigeradas estão comprometidos pelas manifestações.

“PERMANEÇAM FIRMES”

Apesar do anúncio do acordo, representantes dos caminhoneiros disseram que têm demandas ainda não atendidas pelo governo. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), uma das principais associações por trás do movimento, reiterou que segue “firme” em seu pedido de isenção da alíquota PIS/Cofins sobre o diesel.

A Abcam afirmou em uma nota que “repudia” o acordo fechado entre o governo e outras entidades do setor de transporte rodoviário, e disse que deixará para os caminhoneiros a decisão sobre encerrar as manifestações.

“Se eles acham que a proposta apresentada pelo governo é justa, que voltem para suas casas. Mas se consideram que o governo não atendeu às suas necessidades, que permaneçam firmes”, afirmou a Abcam no comunicado.

Segundo outra associação de caminhoneiros, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), as entidades presentes nas negociações com o governo “jamais aceitaram as pressões para suspender a paralisação”, e caberá a cada grupo manifestante decidir se suspende ou não o movimento.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o governo cumprirá o acordo à medida que houver a contrapartida por parte da categoria, e acrescentou que confia no fim do movimento apesar da manutenção da paralisação.

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