O que há de quente na mídia de hoje | Claudio Tognolli

Valor

A oferta de R$ 0,46 por litro de diesel mais R$ 0,30 de subvenção custará para o governo a bagatela de R$ 13,5 bilhões. Esse é o preço apenas da proposta que o governo foi obrigado a publicar no Diário Oficial para convencer parte do movimento de caminhoneiros a encerrar a paralisação.

Os prejuízos do agronegócio, do desabastecimento e do caos generalizado que tomou e ainda toma conta do país ainda não pode ser devidamente calculado. Milhões de aves morreram, milhões de litros de leite foram jogados fora e montantes incalculáveis de produtos perecíveis apodreceram.

“O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse que dos R$ 0,46 por litro do diesel que serão reduzidos do preço do combustível, R$ 0,16 se referem à redução de impostos e os outros R$ 0,30 à subvenção direta para a Petrobras e para os importadores de combustíveis. O custo da redução de tributos, segundo ele, será de R$ 4 bilhões, a ser compensado com a reoneração da folha e outras medidas, o que em tese deixa o impacto fiscal neutro. Já a subvenção de R$ 0,30 por litro terá custo máximo de R$ 9,5 bilhões até o fim do ano, a ser compensada com o uso de toda a sobra da meta fiscal – que ele estimou em R$ 5,7 bilhões – e com mais R$ 3,8 bilhões de cortes de gastos.

Os preços da Petrobras, passado o período 60 dias no qual o governo garantiu o congelamento do preço do diesel, passariam a ter reajustes mensais, mas com a União mantendo a redução de R$ 0,46 sobre o preço calculado para os 30 dias seguintes. “A Petrobras não terá prejuízo”, salientou Guardia, destacando ainda que esse subsídio será pago também aos importadores para não haver distorção no mercado e que eventuais perdas por oscilações de preços serão compensadas no período seguinte. Ele lembrou ainda que, se o preço internacional cair e o câmbio valorizar, o custo da subvenção será menor.”

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Embora o governo afirme que a greve foi encerrada, nenhum veículo de mídia – dessa vez – foi capaz de cravar que a greve acabou. Isso porque o movimento dos caminhoneiros se pulverizou e se transformou em um labirinto de humores diversos. A greve continua a desorganizar a vida do brasileiro nesta segunda-feira.

“A greve dos caminhoneiros não havia se encerrado até o fim da noite, aprofundando a desorganização da economia, embora vários trechos de rodovias tenham sido desbloqueados. Há desabastecimento generalizado de combustíveis nos postos de todo o país, aeroportos parados, funcionamento precário de alguns hospitais por falta de insumos e, em várias cidades, cancelamento de aulas nas escolas públicas hoje.

Em grupos de WhatsApp, motoristas planejam manter a paralisação até amanhã. Para complicar a situação, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) convocou greve por 72 horas a partir da quarta-feira, reivindicando a redução dos preços dos combustíveis e a demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente.”

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Folha

O serviço de inteligência do governo subestimou o impacto da greve de caminhoneiros iniciada há uma semana e não previu o risco de desabastecimento. Temer e assessores ignoraram alertas da categoria, demoraram a abrir negociação e, por fim, selaram um acordo cientes de que poderia não ser cumprido.

“Temer, por exemplo, não mexeu na agenda de compromissos nos dois primeiros dias de protestos –esteve inclusive em um evento político do MDB para manifestar apoio à pré-candidatura de Henrique Meirelles à Presidência. Apenas no quarto dia, quinta-feira (24), o governo passou a adotar o discurso da prática de locaute, a ação de empresários por trás do movimento.

Na principal reunião sobre o tema, naquele mesmo dia, no Palácio do Planalto, líderes de entidades do setor preveniram o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil): não tinham poder de comando sobre todos os manifestantes. Padilha respondeu que, mesmo assim, era preciso algum anúncio porque o país, nas palavras do ministro, não poderia parar. Assim foi feito. O acordo não foi cumprido pelos manifestantes”.

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