O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a Venezuela é alvo de um ataque frontal e intervenção descarada nos seus assuntos internos – Claudio Tognolli

Sputnik – O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a Venezuela é alvo de um ataque frontal e intervenção descarada nos seus assuntos internos e reafirmou a solidariedade com o povo e o governo legítimo da Venezuela, durante as conversações com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez.

“Na situação atual gostaria especialmente de sublinhar que o presidente Putin transmite palavras de apoio e solidariedade ao seu colega e amigo, presidente Nicolás Maduro”, disse Lavrov.

Segundo o ministro russo, a Rússia e a Venezuela estão cooperando estreitamente e coordenando suas ações no cenário internacional. Agora esse fato ganha uma importância maior nas condições de um ataque frontal e intervenção descarada nos assuntos internos da Venezuela.

“A Venezuela é um parceiro seguro de longa data. E hoje reafirmamos a solidariedade com o povo e o governo legítimo da Venezuela nos seus esforços para defender a sua soberania e independência. Estamos unidos na necessidade de todos os países sem exceção cumprirem incondicionalmente os princípios fundamentais consagrados na Carta da ONU, inclusive, acima de tudo, o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países”, declarou o diplomata russo.

Lavrov assinalou que a Rússia se oporá categoricamente a essa pressão e às tentativas de intervir nos assuntos internos do país, bem como defenderá os ideais, normas e princípios da Carta das Nações Unidas.

Perante os olhos de todo o mundo realiza-se uma campanha para derrubar Maduro, inclusive por métodos militares, afirmou o ministro, acrescentando que a resolução da crise venezuelana deve se efetuar sem pressão do exterior e ultimatos.

De acordo com Lavrov, a Rússia está preocupada com os planos dos EUA de armar a oposição venezuelana, comprando armas de fogo e morteiros na Europa Oriental e enviando estes armamentos para os opositores.

Lavrov não exclui o cenário em que os EUA desencadeiem ações em violação de todas as normas possíveis, afirmando ao mesmo tempo que não há nenhum país, para além de um ou dois aliados mais próximos dos EUA, que apoie a intervenção militar na Venezuela.

A realização do cenário militar pelos EUA na Venezuela mostrará os seus verdadeiros motivos, disse Lavrov, indicando que não se trata da democracia, mas do desejo de submeter todos aos EUA.

“Esta é a posição de um país que alegadamente se preocupa com a situação humanitária na Venezuela, está pronto para organizar provocações na fronteira, como aconteceu em 23 de fevereiro, mas na realidade não quer mais nada a não ser a deslegitimação do governo oficial e do presidente legítimo, Nicolás Maduro”, sublinhou Lavrov.

A Rússia está pronta para aderir aos esforços dos mediadores regionais e internacionais para promover o diálogo e resolver a crise na Venezuela, acrescentou ele. No entanto, a oposição rejeita continuamente tal formato, seguindo as ordens de Washington. Maduro está disposto ao diálogo com a oposição sem condições preliminares, mas Juan Guaidó está contra, afirmou.

A Rússia “apoia os passos do presidente Maduro destinados a resolver os problemas socioeconômicos do país”, segundo o ministro. Ele também expressou a confiança em que a reunião da comissão de alto nível em abril contribuirá para esse processo.

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