O maior palíndromo da língua portuguesa, em 12 estrofes | Claudio Tognolli

Em 2010 apostei com o finado e refinado Sérgio de Souza, diretor da Caros Amigos, que eu faria o maior palíndromo do Brasil. E fiz…segue o texto publicado em 2010…

 

Você conhece a figura “palíndromo”. Lê de trás para a frente, dá no mesmo… O maior da língua portuguesa, dizem, é “Socorram-me subi no ônibus em Marrocos”. O Millôr Fernandes adora um em inglês, referente ao construtor do canal do Panamá, Ferdinand de Lesseps: “A man a plan a canal Panama”. Charles Berlitz ensina que o primeiro palíndromo da humanidade ocorreu quando Adão se apresentou a Eva: “Madam I’m Adam”. Nos anos 80, no Rio, dizia-se um palíndromo sobre uma figura política do Norte do Brasil: “Dar uma na Murad”.
Como o país vai mal das pernas, este repórter confeccionou ao leitor de Caros Amigos uma poesia-palíndromo, lembrando do Juca Chaves, que, nos anos 70, cantava “Este é um país que vai pra frente” dando, no palco, passinhos para trás. Vale lembrar que também na música se fazem coisas de trás para a frente. Os guitarristas Jimi Hendrix, George Harrison, Steve Hackett, Andy Summers e Joe Frusciante e Jimmy Page adoram gravar guitarras de trás para a frente — o que chamam de backward masking.
Aqui vai o palíndromo-poesia. Trata de Papai Noel, do Senado, do Trótski, e dos marujos do Senado que juram, pela mãe, pela família, que não mentiram em seus depoimentos (será que escondem o braço tatuado com um “Amor de mãe” ???). Trata também do Tio Sam, da bioética, dos genes, da Presença de Anita, do Islã. Fala da CPI do futebol e da senadora crente que também jura que não mentiu. Enfim, um palíndromo-poesia que caminha como o Brasil: de trás para frente. Detalhe: cada linha é um palíndromo.
– 1 –
Adias a ida,
adora roda da dor!
Socos ocos…
Ardem… Rir? medra.
Omito, ótimo!
Missa, assim ?
– 2 –
A Diva da Vida ?
Luz azul…
Ato idiota ?
O treco certo…
Mega-agem.
– 3 –
Rota e ator: seres
até o poeta,
lima a mil
a rima na mira…
Levar Ravel:
mote e tom.
E reviverá a reviver e
o naipe? Piano.
Paro o Rap:
ligamos som ágil!

– 4 –
E nego o gene,
o vivo,
ora raro…
(a mal, a lama aluga a gula)
A bem, ameba, a bem, ameba.
O pito? O tipo.

– 5 –
A moda doma
o dedo, o dedo
Leon e Noel.
O ter, reto:
É torto o trote.
Lavo o oval.
Será? Ares …repus o super.
– 6 –
A tara da rata,
A tora da rota:
rota, o ator
socos, salas…
Levo o vel.

– 7 –
Odor, rodo, o lago, o galo,
reter amor, aroma, reter:
Atual, flauta, autua.
Metem (o demo) medo.
Araras-sarará:
Aí, alisar Brasília.
Elo: porca, acrópole,
lide, o edil. O dolo no lodo,
só passo os sapos…
Atrela, alerta. Saias?
As senadoras? Sim! Missa, roda nessa!
Remeter e temer.
Retrata: atar, ter.

– 8 –
Aí, rufar a fúria, o mínimo, o anão,
a dívida.
Anita atina: “Rapariga, a teta, agir a par!”
“Amar-te é trama”…
Mas… oito, Tio Sam ?
A nota à tona,
a mala, a lama,
a cem, a mil, lima Meca,
a rogar agora.

– 9 –
Apara a rapa,
o duto, o tudo,
o curto, o troco.
Aí, a boca, a cobaia,
Esse osso:
Razão, o azar.
– 10 –
Oi, rato otário!
A lava, a vala,
a bola, a loba,
a leva, a vela,
as lavas, a valsa…
Siris! Soa aos siris!
A roda adora
ora, o aro.
– 11 –
O capo, opaco, ata, berra, arrebata:
“Metem logo o gol!
És sapo? Passe!
Emite! É time!
E troca a corte!”
Orar é raro…

– 12 –
Aloca a cola,
a luva, a vula,
o tiro, o rito,
o corte e troco.
Sarar? Raras Maras saram…
Mamães? Se amam,
(marujos o juram…
após a sopa!)
fim

  Autor:   Cláudio Júlio Tognolli
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