O governo brasileiro foi alertado há cerca de três semanas pelo governo americano de que a importação do fertilizante ureia do Irã está sob restrições impostas pelos Estados Unidos , e que empresas brasileiras, incluindo portos, que ajudem a viabilizar o comércio do produto estarão sujeitas a sanções  | Claudio Tognolli

O governo brasileiro foi alertado há cerca de três semanas pelo governo americano de que a importação do fertilizante ureia do Irã está sob restrições impostas pelos Estados Unidos , e que empresas brasileiras, incluindo portos, que ajudem a viabilizar o comércio do produto estarão sujeitas a sanções .

O alerta envolve o caso dos dois navios iranianos , o Termeh e o Bavand, que estão parados desde o início de junho no porto de Paranaguá , impedidos de zarpar porque a Petrobras se recusa a abastecê-los, alegando que pode ser alvo de punições de Washington.

Os navios foram fretados pela empresa brasileira Eleva e a carga de ureia que trouxeram do Irã já foi descarregada no mês passado. Eles deveriam voltar ao país persa levando 100 toneladas de milho  — o Irã é o quinto maior importador dessa commodity brasileira. A operação é classificada como “comércio compensado”, por não envolver pagamento iraniano em dinheiro, já que Teerã está com reservas reduzidas por causa das sanções aplicadas pelos EUA desde que abandonaram, em maio de 2018, o acordo nuclear assinado entre as principais potências e o país do Golfo Pérsico.

A Eleva afirma que as embarcações entraram legalmente no Brasil e que comprou a ureia de empresas iranianas que não estão na lista de entidades sancionadas pelos Estados Unidos. Por isso, diz, não havia necessidade de pedir uma licença especial a Washington.

— A Eleva, empresa brasileira e não sancionada, está tentando comprar combustível para concluir a exportação de milho que, por ser alimento, não é sujeito a qualquer tipo de sanção — disse ao GLOBO o advogado Rodrigo Cotta, do escritório Kincaid Mendes Vianna Advogados, que representa a empresa.

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