Dez pessoas foram indiciadas por crimes contra a economia e organização criminosa como resultado da Operação Funil, que investiga a formação de cartel no setor de combustíveis, na Região Metropolitana do Recife e interior do estado. A Polícia Civil concluiu o inquérito na quarta-feira (23) e remeteu o processo para a Justiça.

Os indiciados são o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustível-PE), Alfredo Ramos Pinheiro, três funcionários do sindicato, que foram presos no último dia 15 de maio, e seis empresários do setor de combustível no estado.

Os três funcionários continuam presos, segundo a Polícia Civil. O inquérito foi encaminhado à Vara de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do estado. No dia 15, Pinheiro deu entrevista negando cartelização de preços de gasolina.

Procurado pelo G1, o Sindicombustível-PE informou que recebeu “com indignação” a notícia do indiciamento, apontando que, durante essa crise no desabastecimento dos postos de combustíveis por conta da greve dos caminhoneiros, “atribuir a pessoas ligadas ao Sindicato a formação de um cartel se mostra absurdo, e é uma desinformação”.

A nota do sindicato segue alegando que “seria mais producente que a população estivesse sendo informada e conscientizada de que a maior parcela da composição do preço final da gasolina deve-se à altíssima carga tributária que atinge o produto, além da variação de preço no mercado internacional, após uma mudança na política comercial da Petrobras”.

Por fim, o Sindicombustiveis-PE afirmou que tem a convicção de que o indiciamento e a acusação da prática do crime de cartel serão “oportunamente rechaçados” na Justiça.

Coação

De acordo com a Polícia Civil, os funcionários do Sindicombustíveis-PE eram profissionais responsáveis por fiscalizar a qualidade do produto e coagiam empresários uniformizar o valor nas bombas, crime conhecido como cartel. (Veja vídeo acima)

Segundo o delegado Germano Cunha Bezerra, titular da Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Ordem Tributária (Deccot), os funcionários deveriam realizar uma fiscalização nos postos de controle de combustíveis, mas não se limitavam a isso. Os donos dos postos recebiam os funcionários em visitas de fiscalização e almoços.

O presidente do Sindicombustíveis-PE também foi investigado, segundo o delegado, porque os três funcionários presos trabalhavam diretamente com ele. As investigações tiveram início no mês de julho de 2017.

Participaram da operação 163 policiais civis, entre delegados, comissários, agentes e escrivães. Esta é a 14ª Operação de repressão qualificada de 2018.

Exclusivo: veja como a Agência Nacional de Petróleo confessa proteger o cartel dos combustíveis Raízen Shell

error:
0